BRASÍLIA, 24 Set (Reuters) – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou nesta quinta-feira que reduziu de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões a necessidade prevista de contenção total de verbas de ministérios para respeitar regras fiscais.
Em relatório bimestral de avaliação fiscal, os ministérios da Fazenda e do Planejamento informaram que o bloqueio de recursos para cumprir o limite de despesas do ano cairá de R$ 17,9 bilhões para R$ 2,4 bilhões, diante de uma previsão menor de gastos obrigatórios com pessoal, previdência e benefícios sociais.
Será necessário, por outro lado, fazer um contingenciamento –mecanismo acionado quando o governo percebe que há risco de descumprimento da meta fiscal– no valor de R$ 13,6 bilhões. Até então, o governo não previa necessidade de contingenciamento.
De acordo com o documento, a previsão é que o governo feche o ano com um déficit primário de R$ 80,9 bilhões, contra previsão de rombo de R$52,0 bilhões apontada em julho.
Esse saldo vai a um déficit de R$ 13,6 bilhões após abatimento de exceções previstas pelo governo no cálculo da meta para o resultado primário. Em julho, a projeção com as exceções indicava um saldo positivo de R$ 10,8 bilhões.
A meta fiscal de 2026 é de superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 34,3 bilhões, com tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB para mais ou para menos.
Um incêndio atingiu nesta quinta-feira (24) o cais 12A, na região do Paquetá, na margem direita do Porto de Santos (SP). O local é operado pela Neves & Marinheiro Ltda., empresa ligada à Nita Alimentos, e fica em uma área que concentra estruturas e operações logísticas. A informação foi confirmada pela assessoria de comunicação do Porto de Santos à CNN Brasil.
Segundo as informações preliminares, as chamas começaram em uma esteira transportadora de trigo e também atingiram equipamentos próximos. O Corpo de Bombeiros foi acionado e conseguiu controlar o incêndio.
De acordo com informações da comunicação de imprensa do Porto de Santos, não teve feridos e o incêndio já foi controlado. Ainda não foram informadas a extensão dos danos provocados pelo fogo nem eventuais impactos sobre as operações no local.
Local do incêndio ocorreu no Cais 12A, em que está localizado PAS3 na imagem acima • Divulgação
Ainda não há confirmação oficial sobre a extensão dos danos provocados pelo incêndio nem sobre o período em que as operações do terminal poderão permanecer paralisadas. A duração de uma eventual interrupção será um dos principais fatores para determinar os impactos sobre o fluxo de cargas pelo terminal.
Segundo as informações da APS (Autoridades Portuárias de Santos), o incêndio atingiu uma área de um terminal retroportuário do bairro Paquetá, margem direita do Porto de Santos, na tarde desta quinta-feira (24).
O incidente ocorreu por volta das 13h e teve início em uma esteira de cargas. As chamas atingiram ainda outros equipamentos no terminal. Equipes do Corpo de Bombeiros, da Brigada de Incêndio da Guarda Portuária e da brigada do terminal Cofco, vizinho ao terminal atingido, atuaram no combate ao fogo, que prontamente foi controlado.
Ainda segundo a nota, por volta das 14h, as equipes realizavam uma varredura no local. A atuação de terminais vizinhos em emergências no Porto de Santos é prevista no PAM (Plano de Ajuda Mútua), coordenado pela APS e que reúne terminais e órgãos intervenientes na prevenção de acidentes.
Procurada pela CNN Brasil, a empresa COFCO negou que o incêndio tenha atingido o terminal que opera no Porto de Santos.
Um incêndio atingiu nesta quinta-feira (24) o cais 12A, na região do Paquetá, na margem direita do Porto de Santos (SP). O local é operado pela Neves & Marinheiro Ltda., empresa ligada à Nita Alimentos, e fica em uma área que concentra estruturas e operações logísticas. A informação foi confirmada pela assessoria de comunicação do Porto de Santos à CNN Brasil.
Segundo as informações preliminares, as chamas começaram em uma esteira transportadora de trigo e também atingiram equipamentos próximos. O Corpo de Bombeiros foi acionado e conseguiu controlar o incêndio.
De acordo com informações da comunicação de imprensa do Porto de Santos, não teve feridos e o incêndio já foi controlado. Ainda não foram informadas a extensão dos danos provocados pelo fogo nem eventuais impactos sobre as operações no local.
Local do incêndio ocorreu no Cais 12A, em que está localizado PAS3 na imagem acima • Divulgação
Ainda não há confirmação oficial sobre a extensão dos danos provocados pelo incêndio nem sobre o período em que as operações do terminal poderão permanecer paralisadas. A duração de uma eventual interrupção será um dos principais fatores para determinar os impactos sobre o fluxo de cargas pelo terminal.
Segundo as informações da APS (Autoridades Portuárias de Santos), o incêndio atingiu uma área de um terminal retroportuário do bairro Paquetá, margem direita do Porto de Santos, na tarde desta quinta-feira (24).
O incidente ocorreu por volta das 13h e teve início em uma esteira de cargas. As chamas atingiram ainda outros equipamentos no terminal. Equipes do Corpo de Bombeiros, da Brigada de Incêndio da Guarda Portuária e da brigada do terminal Cofco, vizinho ao terminal atingido, atuaram no combate ao fogo, que prontamente foi controlado.
Ainda segundo a nota, por volta das 14h, as equipes realizavam uma varredura no local. A atuação de terminais vizinhos em emergências no Porto de Santos é prevista no PAM (Plano de Ajuda Mútua), coordenado pela APS e que reúne terminais e órgãos intervenientes na prevenção de acidentes.
Procurada pela CNN Brasil, a empresa COFCO negou que o incêndio tenha atingido o terminal que opera no Porto de Santos.
Com a possibilidade cada vez maior de um El Niño de forte dimensão até o final do segundo trimestre de 2027, o Banco Central incluiu em seu Relatório de Política Monetária divulgada nesta quinta-feira uma projeção sobre a produtividade agrícola de várias das principais culturas brasileiras. A autoridade monetária concluiu que esses efeitos serão heterogêneos entre culturas e regiões.
Os produtos analisados foram soja, milho, algodão herbáceo, arroz, cana-de-açúcar e café, que, em conjunto, respondem por aproximadamente 75% do valor da produção agrícola nacional.
No caso do milho, também foi analisada a abertura pela primeira e segunda safras, dado o aumento da importância da segunda safra nas últimas décadas e a possibilidade de respostas distintas às condições climáticas. A amostra principal compreendeu o período de 1990 a 2026, totalizando 37 observações anuais.
Segundo o BC, para culturas como milho, algodão e arroz, os episódios de El Niño tendem a estar associados a produtividades abaixo da tendência histórica na maioria dos estados produtores, com magnitudes relevantes em vários casos.
No caso da soja, os efeitos mostram-se mais heterogêneos entre regiões e próximos de zero quando colocados em nível nacional, refletindo a compensação entre ganhos observados no Sul do país e perdas em parte do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia)
Nas culturas permanentes, os resultados apurados não permitem identificar impactos de El Niño sobre a produtividade da cana-de-açúcar.
Continua depois da publicidade
A explicação é que, no Brasil, o evento El Niño gera alterações na temperatura e no padrão de chuvas de distintas regiões, com possíveis efeitos econômicos relevantes. Tipicamente seus episódios estão associados ao aumento das chuvas na Região Sul, à redução das precipitações em partes das regiões Norte e Nordeste e a temperaturas acima da média em parcela do território nacional.
Veja abaixo as projeções por cultura:
Soja
(Fonte: Relatório de Política Monetária/BC)
A soja é o principal produto da agropecuária brasileira. Sua fase reprodutiva, que se estende aproximadamente de 45 a 100 dias após o plantio, é considerada o período de maior sensibilidade às condições climáticas.
Continua depois da publicidade
Para a produção de soja de 2026, tipicamente colhida entre os meses de janeiro e maio, o valor do Relative Oceanic Niño Index (RONI) [que calcula, em médias móveis trimestrais, a anomalia da temperatura da superfície do mar] situou-se, na maior parte das unidade federativas (UFs), entre agosto e dezembro de 2025.
Segundo o relatório do BC, no agregado nacional, os efeitos estimados do El Niño sobre a produtividade da soja mostram-se reduzidos, refletindo a compensação entre impactos positivos e negativos observados em diferentes regiões do país.
“Enquanto El Niño está associado a ganhos de produtividade no Rio Grande do Sul, em linha com o padrão de aumento das chuvas normalmente observado na Região Sul, o fenômeno apresenta associação negativa com a produtividade em áreas do Matopiba, especialmente no Piauí e no Maranhão”, diz o texto.
Continua depois da publicidade
Especificamente no Piauí, os episódios de El Niño estão associados a quedas expressivas da produtividade, contribuindo para alguns dos principais desvios negativos observados ao longo da amostra.
Em contraste, no Rio Grande do Sul, os mesmos eventos contribuem para desvios positivos de magnitude relevante, em linha com o padrão de aumento das precipitações normalmente associado ao fenômeno na Região Sul. Em Mato Grosso há contribuição negativa do El Niño, mas com desvios menores em relação à tendência. Em Goiás sobressaem os efeitos positivos do evento La Niña.
Milho
(Fonte: Relatório de Política Monetária/BC)
O milho, assim como a soja, tem na fase reprodutiva, que se estende aproximadamente entre 55 e 105 dias após o plantio, o período de maior sensibilidade às condições climáticas.
Continua depois da publicidade
Uma característica particular da produção de milho no Brasil, destaca o BC, é a coexistência da primeira e da segunda safras, que apresentam calendários agrícolas distintos. Além disso, a segunda safra (“safrinha”) ganhou importância crescente nas últimas décadas e atualmente responde pela maior parte da produção nacional. Como os eventos El Niño e La Niña podem afetar de forma distinta cada safra, a estimativa dos efeitos sobre a produtividade agregada do milho torna-se mais desafiadora, pondera o BC.
Os efeitos do El Niño e da La Niña sobre a produtividade do milho mostram-se mais homogêneos do que os observados para a soja, com predomínio de coeficientes negativos, de magnitude relevante e, em diversos casos, estatisticamente significativos.
“Diferentemente da soja, em que efeitos positivos e negativos tendem a se compensar entre regiões, as estimativas para o milho sugerem impactos adversos mais disseminados pelo território nacional. Os coeficientes agregados para o Brasil são negativos e estatisticamente significativos tanto para El Niño quanto para La Niña, indicando que ambos os eventos estão associados a produtividades abaixo da tendência histórica.”
A abertura por safras, contudo, revela diferenças importantes. Em geral, os episódios de El Niño estão associados a reduções de produtividade em ambas as safras, mas os efeitos tendem a ser mais intensos na segunda safra.
O efeito negativo de La Niña sobre a produtividade do milho agregado, por sua vez, reflete os impactos negativos observados na segunda safra, que se sobrepõem aos efeitos positivos estimados para a primeira safra. Entre os principais estados produtores, destacam-se as respostas negativas de elevada magnitude da segunda safra a ambos os eventos.
Algodão
(Fonte: Relatório de Política Monetária/BC)
No algodão, o El Niño apresenta influência negativa sobre a produtividade, diz o BC. Os coeficientes são negativos e, para a maioria das UFs, de magnitude elevada e estatisticamente significativos.
Mato Grosso, o principal produtor, é considerado uma exceção, com o BC dizendo não ser possível identificar efeitos relevantes do fenômeno sobre a produtividade.
Já na Bahia, segundo maior produtor, o coeficiente associado a El Niño mostra-se negativo e estatisticamente significativo. Contudo, embora a contribuição do evento para o ciclo da produtividade do estado seja relevante, sua magnitude é substancialmente inferior à dos fatores não captados pelo modelo, especialmente até meados da década de 2000.
Os efeitos de La Niña, por sua vez, revelam-se menos sistemáticos e, nos principais estados produtores, geralmente de pequena magnitude, resultando em um efeito próximo de zero para o Brasil.
Arroz
(Fonte: Relatório de Política Monetária/BC)
Os coeficientes associados ao El Niño mostram-se predominantemente negativos para cultura do arroz, frequentemente de magnitude relevante e estatisticamente significativos, inclusive para o agregado nacional.
“Em particular no Rio Grande do Sul, que responde por mais da metade da área plantada nacional, o coeficiente associado ao impacto negativo de El Niño é de magnitude relevante e estatisticamente significativo. Os efeitos de La Niña, por sua vez, mostram-se menos homogêneos e, nos principais produtores, geralmente de pequena magnitude, resultando em um coeficiente agregado para o Brasil próximo de zero.”
Episódios anteriores do El Niño contribuíram para algumas das principais quedas de produtividade observadas ao longo da amostra usada pelo BC. “As projeções atuais para o RONI são compatíveis com um efeito adverso em 2027 de magnitude semelhante à observada durante os episódios de El Niño de 1998 e 2016.”
Cana-de-açúcar
(Fonte: Relatório de Política Monetária/BC)
Segundo o relatório, as projeções não fornecem evidências de efeitos de magnitude expressiva em eventos de El Niño e La Niña sobre a produtividade da cana-de-açúcar. Os coeficientes agregados para o Brasil são nulos, enquanto as estimativas estaduais revelam magnitudes geralmente reduzidas e pouca significância estatística.
“Esse resultado pode refletir características próprias da cultura, como seu ciclo produtivo mais longo, que tende a diluir os efeitos de choques climáticos concentrados em períodos específicos do seu desenvolvimento.”
Café
(Fonte: Relatório de Política Monetária/BC)
Para o café, o relatório diz que a La Niña está associada a desvios positivos da produtividade. Já no caso do El Niño, os coeficientes são predominantemente negativos, mas de pequena magnitude e sem significância estatística para os principais produtores.
“Os episódios de La Niña contribuem sistematicamente para aumentos de produtividade, embora sua magnitude seja inferior à dos fatores não captados pelo modelo.”
A área plantada com soja na Região Metropolitana de Santarém, no oeste do Pará, cresceu 118% entre 2017 e 2024, segundo estudo divulgado pelo Instituto Escolhas. Com a expansão, o grão passou a responder por 61% de toda a área agrícola dos municípios de Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos.
De acordo com o levantamento, a região metropolitana registrou aumento de 74 mil hectares na área plantada no período. Além da soja, o milho também ganhou espaço, com crescimento de 83% na área cultivada. O avanço das duas culturas ocorreu ao mesmo tempo em que houve redução da produção de alimentos tradicionalmente cultivados na região.
A área destinada à mandioca, por exemplo, recuou 72% entre 2017 e 2024, enquanto o cultivo de arroz diminuiu 42%. Os dados fazem parte do estudo “Belém e Santarém: os dois caminhos da alimentação no Pará”, divulgado nesta quarta-feira (23) pelo Instituto Escolhas.
O cenário encontrado em Santarém é diferente do observado na Região Metropolitana de Belém, formada por oito municípios. Embora a área plantada tenha aumentado 45% em oito anos, a expansão não alterou de forma significativa o perfil agrícola da região, que continua concentrado em culturas como açaí, mandioca, dendê e cacau.
O levantamento faz parte de uma série do Instituto Escolhas sobre os sistemas alimentares das regiões metropolitanas dos nove estados que integram a Amazônia Legal. A pesquisa é um desdobramento do estudo “Muita soja e pouca mandioca: a alimentação nas regiões metropolitanas da Amazônia Legal”, publicado em agosto.
Segundo o Instituto Escolhas, todos os municípios das duas regiões metropolitanas do Pará aderiram ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan). A entidade, porém, afirma que a adesão ainda precisa ser acompanhada pela elaboração e execução dos planos de segurança alimentar e pela destinação de recursos públicos para a área.
Para Juliana Luiz, diretora de Pesquisa do Instituto Escolhas, o levantamento pode contribuir para uma discussão mais estratégica sobre a alimentação nos centros urbanos do Pará.
“Nosso estudo pode contribuir com um olhar mais estratégico para a alimentação desses centros urbanos, servindo como um alerta para a implementação e execução da agenda da segurança alimentar nos municípios e estados”, afirma.
O estudo também aponta que 103 mil famílias inscritas no Cadastro Único estão em situação de risco de insegurança alimentar grave nas regiões metropolitanas de Belém e Santarém, segundo os dados analisados pela entidade.
Entre as medidas propostas pelo Instituto Escolhas estão a inclusão da alimentação como função pública de interesse comum nos planos de desenvolvimento das regiões metropolitanas, com participação social, além da garantia de recursos orçamentários para o abastecimento e para ações relacionadas à alimentação saudável e sustentável.
A produção de leite do Rio Grande do Sul cresceu cerca de 2,38% em 2025 na comparação com o ano anterior, mas o avanço não foi suficiente para aliviar a pressão sobre as pequenas e médias indústrias de laticínios.
Segundo a Apil (Associação das Pequenas e Médias Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul), os produtos importados, principalmente da Argentina e do Uruguai, representam aproximadamente 8% do mercado e chegam ao consumidor com custos inferiores aos dos produtos fabricados no Estado.
O presidente da Apil, Fernando Zimmermann, afirma que a entrada de produtos importados tem afetado principalmente empresas de menor porte, que disputam espaço diretamente com os itens estrangeiros nas redes varejistas. Segundo ele, parte das importações também é realizada por empresas que utilizam traders para acessar o mercado externo.
“Hoje já há redes de pizzarias e supermercados que conseguem fazer essas importações diretamente ou por meio de traders. Esses produtos acabam entrando com um custo muito menor, o que afeta bastante o nosso mercado”, afirma.
A concorrência com os importados também interfere na relação entre produtores e indústrias, especialmente diante da pressão sobre os preços pagos pelo leite. Para Zimmermann, a redução dos valores recebidos pelos produtores não pode ser atribuída exclusivamente aos laticínios, que também precisam lidar com as condições de mercado e com a concorrência dos produtos estrangeiros.
“Nós acabamos entrando numa briga, com o produtor achando que o laticinista é o culpado pela baixa dos preços que ele sofre. Estamos simplesmente reagindo a uma questão de mercado”, diz.
As pequenas indústrias enfrentam ainda uma diferença de estrutura em relação às empresas maiores. Enquanto grandes companhias conseguem importar determinados ingredientes e insumos, como leite em pó e massa utilizada na fabricação de requeijão, os laticínios menores dependem principalmente do leite produzido no próprio Rio Grande do Sul. Com custos mais elevados, essas empresas precisam absorver parte da diferença para manter os preços competitivos no mercado.
“A gente acaba passando apenas uma parte desse custo e isso impacta diretamente no preço do produtor também”, afirma Zimmermann.
Outro ponto destacado pela entidade é a ociosidade da indústria gaúcha. A capacidade instalada dos laticínios é estimada entre 19 milhões e 20 milhões de litros de leite por dia, enquanto a produção atual está em aproximadamente 10,5 milhões de litros diários.
O espaço disponível na indústria tem levado as empresas a buscar aumento da produtividade nas propriedades que já fazem parte de suas bases de fornecedores.
A estratégia inclui medidas para reduzir o custo de produção e elevar a produtividade dos produtores, além de concentrar a captação em regiões que já são atendidas pelas indústrias. Com isso, as empresas também podem reduzir despesas relacionadas à logística e à assistência técnica.
Diante da pressão dos importados, a Apil defende mudanças nas condições de concorrência para o setor. Entre as propostas está a criação de uma sobretaxa para determinados produtos estrangeiros, especialmente leite em pó e queijo muçarela provenientes da Argentina e do Uruguai. A entidade afirma que discute o tema com o G100 e a ABIQ (Associação Brasileira das Indústrias de Queijo), além de buscar alternativas tributárias que reduzam a diferença de preços entre os produtos importados e os fabricados no país.
A associação também defende medidas para ampliar o acesso ao crédito para o setor e estimular o consumo de leite e derivados. Para a entidade, ações desse tipo poderiam ajudar a reduzir os efeitos da concorrência externa sobre as indústrias nacionais.
Zimmermann também destaca as exigências sanitárias aplicadas à produção brasileira de leite. Segundo ele, os produtores e laticínios do Rio Grande do Sul seguem regras de controle sanitário e de produção consideradas rigorosas pela legislação brasileira.
O presidente da Apil questiona, porém, se os produtos importados estão submetidos a padrões equivalentes em seus países de origem.
A presidente do Federal Reserve da Filadélfia, Anna Paulson, afirmou nesta quinta-feira que podem ser necessários novos aumentos na taxa de juros para levar a inflação de volta à meta de 2% do banco central dos Estados Unidos.
A inflação “continua teimosamente elevada”, disse Paulson no texto de um discurso a ser proferido em um evento no banco regional do Fed. “Levar a inflação de volta a 2% é uma prioridade máxima, e apoiarei a trajetória de política monetária que nos leve a esse objetivo, ao mesmo tempo em que avaliarei cuidadosamente os riscos para o mercado de trabalho ao longo do caminho.”
Paulson, que é membro votante do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), disse que “olhando para o futuro, se as condições evoluírem como espero, algum aperto monetário adicional moderado poderá ser necessário” para ajudar a levar a inflação de volta aos níveis desejados.
Esses comentários foram os primeiros dela desde que o banco central dos EUA elevou, na semana passada, sua taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%, em uma tentativa de reduzir a inflação.
Paulson afirmou que apoiou o aperto monetário, observando que “o equilíbrio dos riscos mudou” antes da reunião da semana passada e que “a inflação subjacente mostrou pouco ou nenhum progresso”.
As projeções das autoridades do Fed divulgadas na reunião indicavam um novo aumento dos juros antes do final deste ano, embora os mercados futuros esperem aumentos significativamente maiores.
Continua depois da publicidade
O banco central está tentando reduzir a inflação em meio à pressão contínua de diversos fatores, incluindo as tarifas de importação do presidente Donald Trump e a alta nos preços da energia gerada pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
Paulson disse que os fortes investimentos no setor de tecnologia também estão contribuindo para elevar a inflação.
“A inflação subjacente está oscilando em uma faixa de cerca de 2,5% a 3%” e “o melhor que posso dizer sobre a inflação subjacente este ano é que ela não piorou”, observou ela.
Continua depois da publicidade
Paulson descreveu o desempenho da economia como bastante sólido.
“Vejo uma economia resiliente que está mostrando alguns sinais de maior dinamismo”, disse ela. “Apesar dos choques causados pelas tarifas e pelo conflito no Oriente Médio, o crescimento recente do consumo tem sido forte, a expansão da inteligência artificial está impulsionando os investimentos e o mercado de trabalho está estável.”
O preço da soja voltou a fechar em queda nesta quinta-feira (24) na Bolsa de Chicago, marcando o terceiro pregão consecutivo de desvalorização. O contrato com vencimento em novembro recuou 0,04% e terminou a sessão negociado a US$ 13,17 por bushel.
Segundo a Granar Investimentos, o mercado acompanhou de perto o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, mas as informações divulgadas até o momento não atenderam às expectativas que haviam sido construídas nas semanas anteriores. A parte principal da reunião já foi concluída, restando cerimônias oficiais para encerrar a primeira visita de Xi a Washington desde setembro de 2015.
Entre os investidores, a expectativa estava concentrada principalmente na possibilidade de avanços em um novo acordo comercial que pudesse ampliar o fluxo de produtos agrícolas norte-americanos para a China. Até agora, porém, não houve sinalização concreta nesse sentido, o que mantém a cautela entre os operadores do mercado de soja.
A Granar destacou ainda que as repercussões do encontro foram interpretadas de maneiras diferentes nos Estados Unidos e na China. No lado americano, Trump fez referência ao setor agropecuário ao mencionar o trabalho das equipes para buscar uma relação comercial mais equilibrada, incluindo a abertura de novos mercados para agricultores e pecuaristas.
Na China, por outro lado, os comentários deram maior destaque a questões políticas e diplomáticas, com Xi Jinping defendendo que os Estados Unidos mantenham uma posição de oposição à independência de Taiwan. Com agendas diferentes entre os dois governos, o mercado agrícola segue à espera de informações mais objetivas sobre possíveis medidas que possam afetar as compras chinesas de commodities norte-americanas.
Trigo
O preço do trigo encerrou o pregão desta em baixa na Bolsa de Chicago, estendendo a sequência negativa pelo terceiro dia consecutivo. O contrato para dezembro recuou 0,22% e fechou a sessão a US$ 7,07 por bushel.
Segundo a Granar, os investidores seguem avaliando sinais de possível abertura para um diálogo de paz na região do Mar Negro, que ganharam espaço durante a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas). Ao mesmo tempo, os mercados acompanham a continuidade dos confrontos entre Rússia e Ucrânia, mantendo as incertezas sobre o fluxo de commodities pela região.
A movimentação de cargas e remessas pelo Mar Negro permanece limitada, especialmente no caso da Ucrânia. Rússia e Ucrânia continuam buscando ampliar e diversificar rotas alternativas para a exportação de matérias-primas, mas os volumes transportados por esses caminhos ainda ficam abaixo da capacidade das rotas marítimas tradicionais.
Além das questões geopolíticas, o mercado também foi pressionado por dados semanais de exportação considerados fracos. A valorização do dólar em relação ao euro, que já supera 1% nesta semana, também pesa sobre a competitividade do trigo norte-americano no mercado internacional e favorece a posição do produto europeu.