Categorias
economia

Endividamento continua pressionando a condição financeira de famílias, diz BC


O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central ressaltou, na ata de sua 66ª reunião, que o endividamento segue pressionando a condição financeira de famílias e empresas.

“Embora a maior parte das corporações demonstre resiliência, observou-se redução no número de empresas com aumento do lucro líquido, ao mesmo tempo em que aumentou o número daquelas com elevação da despesa financeira líquida”, observou o Comef, que pontuou que níveis elevados de ativos problemáticos e de probabilidade de default seguem indicando que a materialização de risco no crédito às empresas e às famílias deve permanecer elevada.

O comitê enfatizou que o endividamento das famílias permanece em patamar historicamente alto, e o comprometimento de renda atingiu o maior nível da série histórica. Esse quadro, disse, segue sendo influenciado pela participação relevante de modalidades de crédito mais onerosas na composição da dívida das famílias.

“O cenário requer cautela e diligência adicionais no mercado de crédito”, frisou o Comef.

O Comef do Banco Central também afirmou, na ata de sua 66ª reunião, que permanece, no mercado de capitais, a preocupação com estruturas que envolvem múltiplas camadas de fundos de investimento e que podem dificultar a adequada avaliação de riscos.

“A organização desses fundos em cadeias com múltiplos níveis aumenta a

Continua depois da publicidade

complexidade e a opacidade na identificação e no mapeamento das exposições. Tais estruturas dificultam a avaliação e a consolidação dos riscos assumidos pelos agentes econômicos que investem nesses instrumentos”, disse o comitê.

Segundo o Comef, a preocupação é particularmente relevante no caso dos FIDCs, que mantiveram aceleração no trimestre, vêm ampliando sua participação no crédito amplo como forma de financiamento às empresas e mantêm conexões relevantes com instituições reguladas pelo BC, por meio da cessão de ativos e do investimento em cotas.



Veja matéria completa!

Categorias
economia

IA e varejo entram no debate sobre futuro do setor de materiais de construção


Os principais desafios do setor de materiais de construção, o intercâmbio de conhecimento e a realização de parcerias são oportunidades que atrairão mais de 600 empresários entre CEO’s, diretores, importadores, distribuidores, grandes varejistas e altos executivos de grandes marcas da indústria fornecedora do segmento de materiais de construção, além de lideranças e tomadores de decisão de 28 países para o Summit Americas e ExpoShow, realizado pela Atlas.

Desenvolvido para conectar os grandes players da indústria aos principais distribuidores, importadores e redes varejistas aos grandes distribuidores e redes varejistas, o encontro promete debates estratégicos para a alta liderança e geração imediata de negócios. A edição deste ano será realizada entre os dias 14 e 17 de setembro, no Westin Playa Bonita, na Cidade do Panamá.

Leia também: Mão de obra em queda, Reforma Tributária e a visão do CEO da MRV para o setor

“Criamos um ambiente em que a alta gestão encontra conteúdo estratégico altamente qualificado e atualizado para a tomada de decisões de longo prazo e, no mesmo espaço, mesas de negociação direta entre indústrias líderes fornecedoras e importantes players de importação, distribuição e varejo do segmento de materiais de construção em todo o continente” destaca Márcio Atz, diretor-geral da Atlas, organizadora do evento.

As conferências do Summit Americas contam com a curadoria acadêmica do ISE Business School – associado à IESE Business School, a terceira melhor escola de negócios do mundo no ranking do Financial Times. Em formato de debates, os painéis vão focar nos principais desafios transnacionais do setor, com os seguintes temas:

  • Estratégias de varejo: Escalabilidade, defesa de margem e diferenciação no ambiente omnicanal;
  • Transformação digital & IA: Aplicação prática de inteligência artificial e automação na cadeia de suprimentos;
  • Gestão de talentos: Cultura corporativa e atração de novas lideranças em mercados competitivos;
  • Governança familiar: Profissionalização, perpetuidade do negócio e transição geracional.

Leia também: CBIC leva alta dos custos do Minha Casa Minha Vida ao governo federal

ExpoShow

O ExpoShow chega à sua 24ª edição, sendo duas delas internacionais, consolidada como uma vitrine de inovação, tecnologia e geração de grandes acordos comerciais. A feira reunirá 14 marcas líderes de mercado e coorganizadoras do evento que, além de exporem seus produtos em estandes, apresentarão lançamentos por meio de palestras simultâneas, demonstrações práticas de produtos e rodadas de negociação direta, promovendo a conexão entre indústrias, distribuidores e grandes lojistas dos 28 países convidados em um ecossistema dinâmico de novos negócios.

Leia também: Infraestrutura sustenta empregos na construção civil no 1º semestre, diz CBIC

Continua depois da publicidade

Mercado em transformação

No Brasil, a cadeia produtiva de materiais de construção representa aproximadamente 6,6% do PIB nacional. A indústria de fabricação movimenta R$ 318,6 bilhões em faturamento e gera mais de 767 mil empregos diretos (dados ABRAMAT/Ecconit). Já o ecossistema varejista conta com mais de 160 mil lojas espalhadas pelo país, movimentando R$ 238,9 bilhões, segundo levantamento realizado pela Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco).

A força das vendas presenciais aliada à aceleração digital coloca o setor em um momento chave para expansão internacional. Para Márcio Atz, o Summit Américas e a ExpoShow contribuem para demonstrar o potencial de toda a América Latina diante do mercado global. A escolha da Cidade do Panamá também contribui para o objetivo, já que o país é um hub internacional que favorece a presença dos 28 países convidados.

Leia também: Como novas regras tributárias vão reformar Construção Civil

Continua depois da publicidade

“A expectativa dos participantes do evento é aproveitar a oportunidade de encontrar em um único lugar os principais elos da cadeia de material de construção para firmar relacionamentos, antecipar tendências e absorver inovações que certamente vão impulsionar o crescimento do mercado não apenas interno como também para exportações”, diz Márcio Atz.



Veja matéria completa!

Categorias
economia

BC sinaliza medidas de capital conforme crédito ao consumidor impulsiona dívida


O Banco Central informou nesta quarta-feira (2) que as medidas em preparação em resposta à elevada participação das modalidades de crédito mais onerosas na composição da dívida das famílias visam garantir o reconhecimento tempestivo dos riscos.

Na ata da última reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), o BC afirmou que as medidas também têm como objetivo promover “o acúmulo gradual de capital e condições mais sustentáveis de oferta de crédito aos tomadores”.

Autoridades do BC já haviam apontado os saldos rotativos de cartões de crédito e os empréstimos pessoais sem garantia como áreas de preocupação.

A Reuters informou na semana passada que o BC está estudando uma série de medidas para conter o endividamento da população, mas planeja primeiro implementar limites para os bancos antes de se debruçar sobre um eventual teto para o comprometimento de renda das famílias com o pagamento de dívidas, disseram duas fontes com conhecimento do assunto.

O aumento da alavancagem dos consumidores ressalta as crescentes pressões sobre as finanças das famílias, apesar da elevação da renda e do desemprego historicamente baixo, reforçando as preocupações de que anos de rápida expansão do crédito e custos elevados de empréstimos estejam corroendo o poder de compra dos consumidores.

“O endividamento das famílias permanece em patamar historicamente alto, e o comprometimento de renda atingiu o maior nível da série histórica. Esse quadro segue sendo influenciado pela participação relevante de modalidades de crédito mais onerosas na composição da dívida das famílias. Na visão do Comitê, o cenário requer cautela e diligência adicionais no mercado de crédito”, apontou a ata.



Veja matéria completa!

Categorias
agro destaque_home

CNA pede avaliação de mecanismo comercial após UE barrar carnes e mel

A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) pediu ao MRE (Ministério das Relações Exteriores) e ao Senado Federal a adoção de medidas diante da decisão da União Europeia de suspender, a partir de quinta-feira (3), a entrada no bloco de produtos brasileiros de origem animal.

“A medida, decorrente da aplicação extraterritorial de normas sobre o uso de antimicrobianos, desconsidera o rigor do sistema oficial de defesa e inspeção sanitária do Brasil, impondo prejuízos imediatos às cadeias produtivas nacionais, gerando grave e injustificada distorção no acesso ao mercado europeu”, afirma o presidente da CNA, João Martins, no ofício enviado ao embaixador Mauro Vieira, ministro de Relações Exteriores.

A CNA solicita ao governo brasileiro a avaliação da possibilidade de acionar o Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões previsto no acordo entre Mercosul e União Europeia. De acordo com a entidade, o mecanismo pode ser utilizado diante de medidas unilaterais que alterem o equilíbrio econômico e comercial estabelecido entre as partes.

No ofício, a CNA sustenta que a suspensão das importações representa, sob a perspectiva do comércio internacional, uma redução de benefícios comerciais esperados pelo Brasil. A entidade pede que o governo avalie a adoção de medidas para restabelecer o equilíbrio comercial, incluindo a possibilidade de compensações ou, de forma alternativa, a suspensão proporcional de concessões tarifárias concedidas à União Europeia.

Segundo Bruno Lucchi, diretor técnico da entidade, o mecanismo asseguraria “que haja igualdade nas discussões comerciais entre o Brasil e esse bloco”. Segundo ele, “não é de hoje”, que o bloco tem adotado práticas protecionistas, considerando demandas relacionadas a questões ambientais, de resíduos e outras normas “que só aumentam a burocracia, onerando o produtor rural brasileiro”.

Conforme o diretor, o Brasil já teve 15 mil fazendas habilitadas a exportar carne bovina para a União Europeia e hoje não chegam a 1,5 mil, o que “mostra que a prática protecionista tem dificultado o Brasil a acessar esse mercado”.

Para Lucchi, os efeitos vão além de um impacto direto na economia brasileira, afetando também a imagem da proteína animal do país e “colocando em cheque a credibilidade e atrapalhando negócios com outros países”. Ele reforçou que o Brasil conta com um sistema sanitário robusto que exporta para mais de 150 países.

Pedido ao Senado

Em outro ofício, encaminhado ao senador Nelsinho Trad, a CNA solicita a adoção de “medidas urgentes” pela Comissão de Relações Exteriores do Senado para discutir os efeitos da decisão europeia e as possíveis respostas do governo brasileiro.

Entre as propostas apresentadas pela entidade está a realização de uma audiência pública com os titulares dos ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e Pecuária e do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

A audiência, segundo a CNA, teria como objetivo avaliar os impactos econômicos da suspensão e discutir as ações de defesa comercial que poderão ser adotadas pelo governo federal.

A entidade também propõe uma reunião da comissão com o representante da União Europeia e os chefes das missões diplomáticas dos países integrantes do bloco no Brasil. A intenção seria obter esclarecimentos sobre a medida e discutir alternativas para a manutenção do fluxo comercial.

Outra solicitação é a apresentação de um pedido formal de informações ao Poder Executivo sobre a possibilidade de acionamento do Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões previsto no acordo entre Mercosul e União Europeia.

“A pronta intervenção do Senado Federal é indispensável a competitividade do produtor rural brasileiro e restabelecer o equilíbrio nas relações bilaterais com a União Europeia”, afirma Martins.

Veja matéria completa aqui!

Categorias
economia

Articulador de Lula rejeita austeridade em meio a pressão por corte de gastos


O coordenador do programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu às propostas de investidores para reduzir os gastos públicos e afirmou, em entrevista, que medidas de austeridade não seriam necessárias caso o petista seja reeleito.

José Sérgio Gabrielli, responsável pela elaboração do programa de governo de Lula, classificou como exagerada a avaliação de que o Brasil enfrenta uma crise fiscal. Ele também rejeitou sugestões defendidas por agentes do mercado financeiro, como o fim dos aumentos reais do salário mínimo e mudanças nas regras que garantem gastos mínimos obrigatórios em saúde e educação.

“Essas duas coisas são praticamente impossíveis de aceitar, porque um governo comprometido com o combate à desigualdade e com a ampliação dos gastos sociais não pode aceitá-las”, disse Gabrielli, ex-presidente da Petrobras. Segundo ele, isso não impede que o governo busque maior eficiência e efetividade nos gastos públicos.

Gabrielli integra a ala mais à esquerda do Partido dos Trabalhadores (PT), legenda que tradicionalmente reúne correntes internas de diferentes orientações, incluindo setores mais moderados. Ele teve participação importante na interlocução da campanha com investidores antes de perder protagonismo para o atual ministro da Fazenda e porta-voz econômico, Dario Durigan, movimento que reflete a preferência de Lula por ouvir diferentes posições antes de tomar decisões.

A forma como Lula conduz o debate interno tem mantido o mercado financeiro sem respostas claras sobre uma das principais dúvidas relacionadas à sua tentativa de conquistar um quarto mandato: como pretende lidar com o crescimento das obrigações fiscais do país. Desde que retornou ao poder, em 2023, a dívida bruta do governo aumentou mais de 10 pontos percentuais e alcançou 82,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Embora o governo tenha apresentado a meta de superávit primário para o próximo ano, muitos investidores questionam a credibilidade da promessa.

Em entrevista recente, Durigan afirmou que as preocupações com o aumento da dívida pública são legítimas e que o governo precisa responder aos questionamentos levantados pelos investidores sobre o crescimento dos gastos.

Continua depois da publicidade

Enquanto isso, o mercado tem demonstrado crescente apoio ao principal adversário de Lula, o senador Flávio Bolsonaro, além de candidatos independentes com poucas chances de vitória nas eleições de outubro. Após resistir por algum tempo a um contato mais direto com o empresariado, Lula recebeu na segunda-feira um grupo de 16 dos principais executivos e banqueiros do país para um jantar.

Segundo duas pessoas presentes no encontro, entre elas Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, e André Esteves, do BTG Pactual, muitos participantes argumentaram que a política fiscal do governo contribui para manter os juros em níveis elevados. Os convidados também destacaram que o custo mais alto do crédito prejudica os balanços das empresas.

De acordo com essas fontes, Lula respondeu afirmando que a relação dívida/PIB do Brasil esteve em situação mais preocupante em governos anteriores e defendeu seu histórico de responsabilidade na condução das contas públicas. O presidente reconheceu que os juros estão elevados, mas reiterou que respeitará a autonomia do Banco Central na condução da política monetária.

Continua depois da publicidade

Ainda segundo um dos participantes, Lula afirmou que não pretende alterar sua política fiscal em prejuízo da população mais pobre. As fontes descreveram o encontro como cordial.

Embora o programa de governo reconheça a necessidade de controlar o crescimento das despesas, Lula declarou em entrevista recente que não está preocupado com o nível atual da dívida pública. O presidente ainda não definiu qual será sua estratégia fiscal caso vença a disputa eleitoral.

Gabrielli afirmou que essa indefinição faz parte do método de trabalho do presidente. Segundo ele, Lula costuma permitir que diferentes visões disputem espaço entre assessores e aliados antes de tomar uma decisão final.

Continua depois da publicidade

“Esse é o estilo dele. É a sabedoria de um estadista. Ele deixa as ideias circularem e os debates acontecerem para, em determinado momento, tomar sua decisão”, disse.

Meta de inflação

Pesquisa AtlasIntel para a Bloomberg News divulgada na segunda-feira mostrou Lula com 47,1% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra 42,6% de Flávio Bolsonaro. A vantagem é menor do que a registrada em julho, quando era de cerca de seis pontos percentuais.

Tanto Gabrielli quanto Durigan apontam os juros de 14% como um dos principais fatores por trás do aumento da dívida pública. Segundo eles, o elevado custo do crédito também pressiona famílias e empresas, o que contribui para o aumento da inadimplência e do estresse financeiro.

Continua depois da publicidade

Por outro lado, o Banco Central argumenta que os gastos públicos que estimulam crédito e consumo dificultam o retorno da inflação à meta de 3% e aumentam a necessidade de manter uma política monetária bastante restritiva.

Gabrielli discorda dessa avaliação. Para ele, a própria meta de inflação é excessivamente rigorosa e não condiz com o cenário global atual. O ex-presidente da Petrobras defende que ganhos de eficiência nos gastos públicos seriam mais eficazes para melhorar a situação fiscal do que o endurecimento das regras de controle de despesas.

“Há ganhos importantes de eficiência que podem ser alcançados no setor público. Temos uma meta de inflação irrealista. Uma inflação de 3% no ambiente global atual é uma meta extremamente exigente”, afirmou.

Entre as áreas que poderiam ser aprimoradas, Gabrielli cita a redução de subsídios considerados ineficazes e mudanças na forma como as emendas parlamentares são distribuídas dentro do Orçamento federal.

Mesmo assim, ele rejeita a ideia de que o Brasil esteja diante de uma crise fiscal que exija uma resposta baseada em austeridade. Como evidência, destaca que o país possui mais de US$ 300 bilhões em reservas internacionais e um colchão de liquidez do Tesouro suficiente para cobrir quase oito meses de vencimentos da dívida pública.

Na avaliação de Gabrielli, esses instrumentos oferecem espaço para que um eventual novo governo Lula enfrente desafios fiscais sem recorrer a cortes profundos de gastos.

“Uma solução de austeridade, quando a austeridade não é o problema, apenas piora a situação. E não resolve os problemas”, concluiu.

© 2026 Bloomberg L.P.



Veja matéria completa!

Categorias
economia

“Ajuste fiscal crível será fundamental”, diz responsável pela nota do Brasil na Fitch


A classificação de risco do Brasil permanece relativamente estável desde a perda do grau de investimento, em 2015, mas, enquanto os fatores positivos seguem inalterados, os negativos estão aumentando, caso das finanças do governo e da dívida pública, avalia Shelly Shetty, responsável pelos ratings soberanos da América Latina e da Europa emergente na Fitch Ratings.

Segundo ela, que participou de evento promovido pela agência na terça-feira (1), em São Paulo, o Brasil continua sendo uma economia grande e diversificada, com um balanço externo forte e um Banco Central (BC) atuante, enquanto as fraquezas seguem concentradas no setor público, nos indicadores de governança, no déficit público e em uma dívida alta e crescente, fatores que aumentam a atenção para a eleição presidencial.

A economia brasileira deve crescer cerca de 2% este ano e desacelerar no ano que vem, por conta da política monetária bastante restritiva adotada pelo BC por um período prolongado, avalia Shetty, retomando o ritmo de crescimento para algo em torno de 2% em 2028, mas sem muito espaço para aceleração nos anos seguintes.

Ela observa que a demanda doméstica impulsionou o crescimento nos anos recentes, mas atingiu seu limite com os juros altos e o endividamento das famílias. Já a taxa de investimento da economia, outro fator que acelera a atividade, segue estagnada em torno de 17% do PIB, abaixo do registrado nos Estados Unidos e na Argentina. “Há razões estruturais para esse baixo investimento, relacionadas ao fato de que não vermos grandes reformas estruturais para reduzir o custo Brasil e ainda os juros elevados e a confiança empresarial também afetada”, diz a economista.

O ponto positivo é que a inflação parece controlada, mas o negativo é que, embora o processo de desinflação tenha começado, os preços ainda avançam acima do centro da meta. As projeções apontam inflação em torno de 5% neste ano e de cerca de 3% em 2027 e 2028, um patamar melhor, “mas mais elevado que o observado em outros países da América Latina”, diz.

Shetty afirma que o Banco Central tem sido muito disciplinado e cauteloso na redução dos juros e admite uma discussão sobre futuros cortes no Brasil em razão do cenário atual. “Mas há alguns fatores fiscais domésticos ainda entrando nessa equação”, observa. Ela reconhece que as taxas reais de juros no Brasil “permanecem extremamente altas, super altas” na comparação com outros países, o que cobra seu preço no endividamento das famílias e pressiona setores como o imobiliário. “Mas a política monetária está cumprindo seu papel e é assim que o processo de combate à inflação deve funcionar”, reforça.

Continua depois da publicidade

Entre as vulnerabilidades do país, Shetty lembra que o Brasil tem o maior déficit fiscal da América Latina, mas com uma composição diferente. Enquanto em outros países o déficit vem em sua maior parte do resultado primário, aqui ele é explicado pelo elevado peso dos juros. Controlar os gastos é um dos desafios do país para os próximos anos, afirma a economista. “Olhando desde 2019, vemos que houve um aumento das receitas, mas também das despesas”, diz. “O que temos visto no Brasil é arrecadar mais e gastar mais.”

Segundo Shetty, o limite de despesas do arcabouço fiscal não tem sido tão eficiente em conter o avanço dos gastos. Ela observa que o teto de crescimento de 2,5% ao ano supera a estimativa da Fitch para o crescimento potencial da economia, o que significa que a regra não levaria a uma redução da relação entre gastos públicos e PIB. Além disso, há exceções às regras de limitação de despesas, o que eleva o crescimento efetivo dos gastos federais e reduz a visibilidade do orçamento.

A economista coloca em dúvida as projeções do Tesouro, que indicam que o Brasil caminharia para um superávit primário com cortes de despesas. “A questão então é quão visível e factível é esse caminho”, diz, acrescentando que a incerteza sobre o ajuste fiscal é ampliada pelo ciclo eleitoral. “Provavelmente teremos maior clareza sobre isso somente depois das eleições.”

Continua depois da publicidade

Shetty cita ainda a relação entre dívida e PIB, de 80%, a segunda maior entre os países em desenvolvimento e bem acima da média do grupo, de 32%. “E nosso cenário base é que a dívida continue crescendo”, explica. No pior cenário, caso não haja ajuste fiscal, a dívida brasileira atingiria 95% ou 100% do PIB nos próximos anos. “Esse não é nosso cenário base, mas é uma hipótese”, diz. Já no cenário positivo, com ajuste fiscal, geração de superávits primários, aceleração do crescimento do PIB e redução dos custos de juros, a dívida começaria a se estabilizar entre 85% e 90% do PIB, para depois cair. “Mas isso dependerá do cenário que encontrarmos após a eleição.”

Sobre a eleição presidencial, Shetty vê uma disputa acirrada e afirma que a Fitch vai analisar basicamente como o futuro presidente vai lidar com o ajuste fiscal, que facilitaria o trabalho do Banco Central. “Um ajuste fiscal crível será um ponto fundamental caso o presidente Lula seja reeleito”, diz, lembrando que a questão será semelhante no caso de vitória de Flávio Bolsonaro.

Shetty lembra que, mesmo com um Congresso mais à direita, será necessária vontade política para aprovar medidas impopulares, como as relacionadas a despesas obrigatórias. Ela diz que também acompanhará a relação do eleito com as instituições e os Poderes. “Será importante observar se essa relação facilitará ou dificultará a implementação de reformas.”

Continua depois da publicidade

A economista cita o exemplo da Colômbia, que após as eleições viu os juros dos títulos de dez anos caírem com força à medida que o mercado mudou sua percepção sobre o ajuste fiscal. “Portanto, é possível haver um ciclo virtuoso se houver um ajuste fiscal crível e o mercado acreditar nesse ajuste e isso levar a uma redução dos custos com juros no futuro e contribuir para o crescimento econômico, mas se isso vai acontecer ou não, saberemos ao longo deste ano”, conclui.



Veja matéria completa!

Categorias
economia

Produção industrial no Brasil avança 0,20% em julho, diz IBGE


A produção industrial no Brasil voltou a registrar crescimento da produção em julho depois de dois meses de perdas, mas iniciou o terceiro trimestre com um desempenho abaixo do esperado.

A produção avançou 0,20% em julho em relação ao mês anterior, de acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve queda de 0,5% na produção.

Os resultados ficaram aquém das expectativas em pesquisa da Reuters com analistas de crescimento de 0,6% no mês e de estagnação na base anual.

A indústria iniciou o ano com resultados positivos, mas passou a perder força na metade do segundo trimestre pressionada por produtos derivados do petróleo.

A política monetária restritiva, com a taxa Selic atualmente em 14,0%, deve continuar pesando sobre o setor. No segundo trimestre a indústria desacelerou o ritmo de alta a 0,1%, de 1,2% no período anterior, de acordo com os dados do PIB divulgados na terça-feira.

Continua depois da publicidade

Em julho, as influências positivas de maior destaque para a produção industrial foram dadas por equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (12,2%), produtos alimentícios (1,0%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,1%), com as três categorias interrompendo dois meses consecutivos de queda na produção.

Na outra ponta, a produção das indústrias extrativas, com queda de 1% sobre junho, exerceu o principal impacto negativo no mês ao marcar a terceira taxa negativa consecutiva. Também se destacaram negativamente impressão e reprodução de gravações (-17,2%), produtos diversos (-9,0%), metalurgia (-1,4%), produtos químicos (-0,8%) e celulose, papel e produtos de papel (-1,3%).

Entre as grandes categorias econômicas, bens de consumo duráveis (3,2%), bens de capital (2,4%) e bens de consumo semi e não duráveis (0,5%) apresentaram ganhos, enquanto o segmento de bens intermediários (-0,2%) assinalou o único resultado negativo em julho.

Continua depois da publicidade



Veja matéria completa!

Categorias
agro destaque_home

Atraso nas importações de ureia preocupa para próxima safrinha de milho

As importações brasileiras de ureia devem se recuperar no segundo semestre, mas o aumento dos volumes pode não ser suficiente para recompor a queda registrada nos primeiros meses do ano. Segundo análise do Rabobank, mesmo em um cenário de importações mensais recordes entre agosto e dezembro, o volume total adquirido pelo Brasil em 2026 ainda ficaria cerca de 5% abaixo do registrado no ano passado.

O cenário ocorre em meio à maior volatilidade do mercado global de fertilizantes desde o início de março, com a intensificação do conflito no Oriente Médio. Os movimentos de alta e correção dos preços levaram produtores a postergar parte das compras para a próxima safra, contribuindo para o atraso das importações.

Entre janeiro e julho, o Brasil importou 2,33 milhões de toneladas de ureia, volume 25% inferior às 3,07 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025. A ureia é considerada um dos principais pontos de atenção para o mercado brasileiro por sua importância na adubação das lavouras, especialmente para o plantio da safrinha de milho.

A preocupação com o atraso está relacionada à necessidade de concentrar volumes de importação nos meses restantes do ano. Ainda assim, de acordo com a análise do Rabobank, mesmo uma aceleração expressiva das compras não seria suficiente para superar a perda acumulada até julho.

Quando considerados os fertilizantes nitrogenados pelo equivalente de nutriente, o déficit é de aproximadamente 20% em relação a 2025. As importações de outros tipos de fertilizantes têm contribuído apenas de forma marginal para reduzir essa diferença.

Fósforo também registra queda

O mercado de fertilizantes fosfatados apresenta uma retração menor, mas também registra redução nas importações. O volume está cerca de 9% abaixo do observado no ano passado, enquanto as importações de MAP (fosfato monoamônico), um dos principais fertilizantes fosfatados utilizados no país, recuaram aproximadamente 21%.

Parte dessa queda foi compensada pelo aumento das compras de TSP (superfosfato triplo). Até o momento, foram importadas pouco mais de 1,5 milhão de toneladas do produto, o equivalente a cerca de 90% de todo o volume de TSP importado pelo Brasil ao longo de 2025.

Margens

A evolução das importações ocorre em um momento de atenção sobre a situação financeira dos produtores rurais. Para o Rabobank, “a situação das importações de fertilizantes é particularmente relevante diante da necessidade de recuperação das finanças dos produtores rurais”.

A preocupação com o clima também permanece elevada. Nesse contexto, a utilização adequada de fertilizantes pode contribuir para a manutenção dos níveis de produtividade das lavouras. A combinação das margens obtidas com soja e milho safrinha será um dos fatores importantes para a recuperação financeira dos produtores, disse o banco.

Às vésperas do início de uma nova safra de soja, porém, o cenário de custos permanece desafiador. O Rabobank estima custos mais elevados para a produção, em parte como reflexo dos conflitos no Oriente Médio, o que deve manter as margens pressionadas por mais um ciclo.

Apesar do atraso nas importações, a projeção do Rabobank para as entregas totais de fertilizantes no Brasil permanece em 45,1 milhões de toneladas.

Veja matéria completa aqui!

Categorias
brasil destaque_home

Pets no trabalho: entenda como o modelo ‘pet friendly’ reduz o estresse e vira trunfo nas empresas


A presença de animais de estimação no ambiente corporativo deixou de ser um mero atrativo para se transformar em uma estratégia consistente de bem-estar e produtividade. Em um país onde 47% dos lares possuem cães e 93% dos tutores os consideram membros da família, escritórios adaptados para receber animais ganham força, ainda mais com o respaldo da ciência e a aprovação massiva dos funcionários.

Estudos da Virginia Commonwealth University comprovam que a convivência com pets durante o expediente reduz drasticamente os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Além disso, cerca de 94% dos brasileiros têm ou já tiveram animais de estimação em casa e garantem melhora direta na saúde mental com a presença dos bichos no dia a dia, segundo uma pesquisa feita pela Quaest em parceria com a PetLove. No mais, 90% defendem que mais estabelecimentos deveriam se tornar pet friendly.

Cultura corporativa e benefícios estendidos aos pets

Em entrevista exclusiva à Jovem Pan, Bruna Hacan, gerente de comunicação da Petlove, explicou que a iniciativa de transformar o escritório em um ambiente aberto aos animais nasceu da própria essência da equipe.

“A gente acredita que os pets são parte essencial das nossas vidas e rotinas. Considerando que 98% dos nossos colaboradores têm pelo menos um pet, entender que a presença deles torna o dia a dia melhor, mais leve, divertido e até mais eficiente foi algo natural”, afirma Bruna.

A integração não se limita ao espaço físico. De acordo com a executiva, a política da empresa inclui um pacote de benefícios voltado diretamente para a saúde dos animais dos funcionários:

“Quando o colaborador entra na empresa, ele recebe uma carta oferta com benefícios para a pessoa e também para o pet. Isso contempla plano de saúde animal, descontos em rações, medicamentos e brinquedos, além de facilidades para serviços como pet sitter, creche e hospedagem”, destaca a gerente.

Regras sanitárias e controle de fluxo para convivência segura
Para manter o ambiente produtivo, higiênico e seguro para todos, a implementação do modelo exige diretrizes bem definidas. No escritório da empresa, os animais são bem-vindos diariamente, mas com um limite máximo de cinco pets por andar a cada dia.

Entre as exigências sanitárias e de infraestrutura essenciais, destacam-se:
Protocolo de saúde: Apresentação de comprovante com esquema vacinal completo e vermifugação em dia.

Higiene e praticidade: Disponibilização de tapetes higiênicos, produtos de limpeza de fácil acesso para eventuais imprevistos e potes de água e ração à vontade.

Respeito aos limites: Espaços delimitados e pet-free zones para colaboradores que possuem alergias ou necessitam de silêncio absoluto em chamadas.

Socialização e cuidados específicos com gatos

A responsabilidade pelo comportamento dos animais começa no próprio tutor. Segundo Bruna Hacan, colaboradores com pets menos sociáveis costumam alinhar previamente a presença do animal com a recepção da empresa para evitar situações de estresse.

No caso dos felinos, o cuidado é redobrado. “Os gatos são super bem-vindos e temos ambientes gatificados. Contudo, por serem animais mais territorialistas que se estressam com facilidade, recomendamos que fiquem em salas mais reservadas, como salas de reunião fechadas, garantindo o bem-estar do próprio animal”, explica Bruna.

A tendência reforça que, com planejamento, responsabilidade sanitária e infraestrutura adequada, a presença dos bichos de estimação no trabalho humaniza lideranças, estimula pausas ativas e fortalece o sentimento de pertença das equipes.



Veja a Matéria Completa

Categorias
economia

Empresas vão cortar investimento ao mínimo em 2027 por conta dos juros, espera Fitch


O aperto de crédito provocado pelos juros altos por um longo período não chegará a provocar uma crise, mas o ano de 2027 deverá marcar o menor ritmo de investimento das empresas brasileiras em anos, afirma Renato Donatti, diretor sênior de Corporate, Infraestrutura e Project Finance da Fitch Ratings.

Segundo o executivo, diante dos custos elevados, as empresas vão cortar naquilo que podem controlar, que são os investimentos. “Arrisco dizer que 2027 vai marcar o menor nível de investimento das empresas brasileiras, pelo menos das que a gente cobre, em relação à depreciação”, afirmou, durante seminário promovido pela agência de classificação de risco na terça-feira (1º), em São Paulo.

“Talvez o número mágico do investimento seja o mínimo, a depreciação apenas, para preservar a qualidade dos ativos, e as empresas da nossa carteira estão muito próximas do mínimo necessário de investimentos”, disse.

Segundo Donatti, existe uma perspectiva de melhora marginal das empresas para o ano que vem, mas que dependeria da velocidade da redução das taxas de juros. “Isso explica por que das 25 empresas que tiveram seu rating (nota de crédito) rebaixado pela Fitch este ano, 40% foram por pressões no fluxo de caixa, com frustrações em relação à capacidade de desalavancagem, e outros 40% ocorreram por problemas de liquidez, ou reestruturação de dívida, como recuperações judiciais e extrajudiciais”, afirmou.

O diretor da Fitch não vê risco de liquidez generalizado no Brasil, mas pontua que existe disposição maior das companhias de buscar proteção contra os credores, na Justiça ou fora dela, e que investidores, credores e bancos estão receosos em continuar financiando empresas com balanços estressados que queimam caixa recorrente.

Setores mais sensíveis

Varejo e consumo sofrem os efeitos do juro alto e do endividamento das famílias, mas o setor de saúde, que cresceu muito com fusões e aquisições financiadas por dívida com juro ainda baixo, é outro em dificuldades – e representa boa parte dos rebaixamentos da Fitch.

Continua depois da publicidade

Para 2027, Donatti diz que há preocupação também com o agronegócio por conta dos efeitos climáticos do El Niño e o impacto dos preços de fertilizantes com a guerra no Irã e das tarifas de importação. Destaca ainda o leilão de baterias e o impacto no varejo do possível fim da escala de trabalho 6 x 1.

No segmento de grandes projetos de infraestrutura, que inclui portos, aeroportos, energia e concessões, Donatti diz que um terço dos acompanhados pela Fitch têm perspectivas negativas, mas metade são projetos de energia eólica e solar, que enfrentam um problema conjuntural.

A notícia positiva, diz, é que, diferentemente da última crise de rebaixamentos e de taxa de juros elevados, entre 2015 e 2016, não existe hoje uma crise de demanda. “Quando olhamos para os fundamentos, os negócios seguem preservados”, pondera. “As projeções de receita e Ebitda (receita operacional) devem continuar crescendo nos próximos anos e a rentabilidade está preservada”, acrescentou.

Continua depois da publicidade

Melhora marginal

Donatti espera que o endividamento das empresas continue, mas em ritmo mais lento, com fluxo de caixa livre menor, já que elas gastaram muito caixa nos últimos anos. Para 2026 e 2027, a expectativa é de melhora marginal, mas dependendo dos juros e do nível dos investimentos.

O executivo diz que não vê maiores problemas de liquidez no mercado, já que a maior parte dos R$ 300 bilhões em vencimentos de dívida das empresas já foi financiado. Nos próximos anos, estão previstos mais cerca de R$ 210 bilhões por ano. “É um patamar administrável, principalmente porque são empresas com ratings mais altos que contam com boa flexibilidade financeira, maior acesso aos mercados”, diz.

Ele destaca ainda o tamanho que o mercado de capitais brasileiro tomou, com as empresas captando nos últimos dois anos R$ 1,4 trilhão em instrumentos de dívida, o que permitiu um alongamento importante dos passivos financeiros, especialmente antes do conflito no Oriente Médio e da turbulência das eleições. Já no mercado internacional, o investidor está mais reativo com Brasil e as emissões caíram bastante este ano.

Continua depois da publicidade

O que poderia melhorar a visão geral da Fitch para as empresas brasileiras, segundo Donatti, seria uma estabilidade maior, com solução para os conflitos geopolíticos e redução de tarifas que permitisse uma queda da inflação, abrindo espaço para o Banco Central cortar mais os juros locais. “E é importante o mercado local continuar provendo liquidez para queas  empresas sigam navegando em águas turbulentas pelo menos pelos próximos 12 a 18 meses para evitar riscos de refinanciamento”, conclui.



Veja matéria completa!

Cookie policy
We use our own and third party cookies to allow us to understand how the site is used and to support our marketing campaigns.

Hot daily news right into your inbox.