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Os argumentos dos EUA para propor taxação de 25% sobre o Brasil







A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros está baseada em um amplo conjunto de acusações contra o Brasil que vão muito além da balança comercial.

No documento divulgado nesta segunda-feira (2), o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) conclui que práticas brasileiras em seis áreas distintas são “irracionais ou discriminatórias” e impõem restrições ao comércio americano, abrindo caminho para sanções com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

A investigação cita como problemas a atuação de tribunais brasileiros contra plataformas digitais, o modelo do Pix, acordos tarifários com México e Índia, o combate à corrupção, a proteção à propriedade intelectual, as barreiras ao etanol americano e o desmatamento ilegal.

Caso a medida seja aprovada após consulta pública, a tarifa de 25% poderá atingir praticamente todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos, com exceções para alguns produtos estratégicos e matérias-primas.

Judiciário e liberdade de expressão

Um dos principais argumentos do governo americano envolve decisões de tribunais brasileiros contra plataformas digitais.

Segundo o documento, cortes brasileiras emitiram ordens sigilosas para que empresas como X, Meta e Google removessem conteúdos políticos e suspendessem perfis de residentes nos Estados Unidos, em alguns casos com alcance global. O texto também critica multas consideradas elevadas e medidas que poderiam impedir a operação dessas empresas no país.

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A USTR afirma que essas decisões criam insegurança jurídica, geram custos para empresas americanas e restringem atividades comerciais de companhias de tecnologia dos EUA.

Pix entra na lista de reclamações

O sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central também aparece entre as justificativas para a possível taxação.

Na avaliação dos americanos, o BC acumula funções de regulador e operador do Pix, o que configuraria conflito de interesses. O documento afirma que regras brasileiras favoreceriam o sistema nacional em detrimento de empresas estrangeiras concorrentes.

Entre os exemplos citados estão a obrigatoriedade de participação de grandes instituições financeiras no sistema, exigências de destaque ao Pix nos aplicativos e limitações de tarifas cobradas pelas operações. Para a USTR, essas medidas beneficiariam um “campeão nacional” e prejudicariam fornecedores americanos de meios de pagamento.

México e Índia

Outro eixo da investigação questiona acordos tarifários firmados pelo Brasil com México e Índia.

O governo americano sustenta que centenas de produtos desses dois países recebem tratamento tarifário mais favorável do que mercadorias dos Estados Unidos em setores nos quais os americanos também são competitivos, como automóveis, produtos químicos, máquinas e bens agrícolas.

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Segundo a USTR, esse modelo teria reduzido a participação de produtos americanos em segmentos importantes do mercado brasileiro e incentivado empresas a deslocarem produção para México e Índia para aproveitar as preferências tarifárias.

Lava Jato e combate à corrupção

O documento também dedica um capítulo ao combate à corrupção no Brasil. A USTR afirma que o país não mantém um nível adequado de fiscalização e punição de práticas corruptas, citando avaliações da OCDE e decisões que anularam provas e acordos relacionados à Operação Lava Jato.

Os americanos argumentam que empresas dos EUA estão sujeitas a regras rigorosas de compliance e combate à corrupção, enquanto companhias que atuam no Brasil enfrentariam um ambiente menos rigoroso de fiscalização, criando uma competição considerada desigual.

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Patentes, pirataria e falsificação

Na área de propriedade intelectual, o governo americano afirma que o Brasil falha há anos no combate à pirataria, à falsificação de produtos e na análise de pedidos de patentes.

O texto destaca a demora na concessão de patentes, especialmente no setor biofarmacêutico, além da insuficiência de fiscalização aduaneira e de punições consideradas pouco eficazes contra produtos falsificados.

Segundo a USTR, essas falhas prejudicam empresas americanas ligadas à inovação, tecnologia e economia criativa.

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Etanol e acesso ao mercado

O etanol é outro ponto de atrito. Os EUA acusam o Brasil de abandonar a reciprocidade que marcou o comércio bilateral do combustível na década passada ao restabelecer tarifas sobre o etanol americano. Atualmente, segundo o documento, a alíquota brasileira está em 18%.

A USTR argumenta que a medida reduziu drasticamente as exportações americanas para o mercado brasileiro, enquanto produtores brasileiros continuam tendo acesso relativamente amplo ao mercado dos Estados Unidos.

Desmatamento ilegal

O último grande eixo da investigação trata do desmatamento. Embora reconheça que o Brasil possui legislação ambiental, a USTR afirma que a aplicação das regras é insuficiente e que o desmatamento ilegal continua beneficiando cadeias produtivas como pecuária, soja, milho e madeira.

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O governo americano sustenta que produtos agrícolas e florestais oriundos de áreas desmatadas ilegalmente entram no mercado internacional com custos menores, criando concorrência considerada desleal para produtores americanos.

Com base nesse conjunto de argumentos, a USTR propõe a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre bens brasileiros, medida que ainda será submetida a consulta pública antes da decisão final.



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China deve impulsionar demanda global por amido de mandioca

A China vem se consolidando como um dos principais vetores de demanda global por amido de mandioca, em um movimento que combina expansão da indústria de alimentos, busca por substitutos do milho e do trigo em processos industriais e, mais recentemente, a incorporação de critérios de sustentabilidade nas cadeias de suprimento.

No mercado asiático, a fécula de mandioca ganhou espaço em diferentes aplicações, que vão desde alimentos processados até usos industriais como papel, adesivos e embalagens biodegradáveis.

Esse avanço é impulsionado principalmente pelo crescimento do consumo interno chinês e pela necessidade de diversificação de matérias-primas diante da volatilidade de outras commodities agrícolas.

De acordo com o executivo Aleksandro Siqueira, diretor de novos negócios da Lorenz, a China hoje exerce papel central na formação da demanda global por derivados da mandioca.

“A China é um dos maiores compradores de fécula de mandioca do mundo. Eles utilizam esse produto em uma série de aplicações industriais e alimentícias, e isso tem impacto direto no mercado global”, afirmou.

O movimento chinês não se limita apenas ao aumento de consumo. Nos últimos anos, o país também passou a incorporar exigências ambientais mais rígidas, especialmente relacionadas ao uso de insumos de origem renovável e à redução da dependência de materiais fósseis em embalagens e processos industriais.

Segundo Siqueira, essa mudança tem sido determinante para o avanço da mandioca como matéria-prima estratégica. “A China está cada vez mais exigente em relação à sustentabilidade. Eles não olham mais só custo, mas também o impacto ambiental da cadeia produtiva. Isso favorece produtos como a mandioca, que têm origem vegetal e são renováveis”, explicou.

Esse novo posicionamento regulatório e industrial da China está diretamente ligado às metas ambientais do país, que incluem redução de emissões de carbono e ampliação do uso de materiais biodegradáveis em setores como embalagens, papel e indústria química leve.

Dentro desse contexto, o amido de mandioca passa a competir diretamente com derivados do milho e do trigo, além de substitutos petroquímicos utilizados na fabricação de plásticos e adesivos industriais. A versatilidade do produto e sua origem vegetal tornam o insumo brasileiro mais atrativo em um mercado que busca alternativas de menor impacto ambiental.

Siqueira destaca ainda que a demanda chinesa não deve apenas crescer em volume, mas também em exigência técnica e certificações. “O mercado chinês está evoluindo rapidamente. Não é mais só volume, eles querem rastreabilidade, qualidade e comprovação de sustentabilidade. Isso muda completamente o nível de exigência para os fornecedores globais”, afirmou.

A expansão da demanda chinesa ocorre em paralelo a um cenário global de restrição de oferta em grandes produtores asiáticos, como Tailândia e Vietnã, que enfrentam desafios climáticos e aumento de custos de produção. Esse movimento abre espaço para países como o Brasil, que vêm ampliando sua participação no comércio internacional de fécula de mandioca.

O Brasil, segundo o setor, tem se beneficiado dessa reorganização global por dois fatores principais: competitividade agrícola e alinhamento com exigências ambientais internacionais. A mandioca brasileira, por não ser transgênica e ter forte base em agricultura renovável, atende parte das novas demandas de mercados como o chinês.

“O Brasil está muito bem posicionado porque oferece um produto natural, com base agrícola forte e que atende às novas exigências ambientais globais. Isso é muito importante para mercados como a China”, disse Siqueira.

Além do crescimento no consumo tradicional de alimentos processados, a China também avança no uso de amidos vegetais em embalagens biodegradáveis e materiais industriais sustentáveis, substituindo gradualmente insumos derivados de petróleo. Esse movimento reforça a tendência global de transição para materiais de menor impacto ambiental.

Nesse cenário, a mandioca deixa de ser apenas uma commodity agrícola e passa a ocupar um papel estratégico dentro da transição industrial verde. A combinação entre demanda crescente, exigência por sustentabilidade e diversificação de aplicações coloca o mercado chinês como um dos principais motores do setor global de amidos nos próximos anos.

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Querem CPMI do Master para fazer "palanque eleitoral", diz Alcolumbre


Presidente do Senado diz que passou 4 horas sendo ofendido por quem queria a CPMI na sessão conjunta



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EUA marcam audiência para 6 de julho antes de decidir tarifaço; veja próximos passos







Os Estados Unidos concluíram uma investigação nesta segunda-feira que acusa o governo brasileiro de práticas “não razoáveis” que “oneram ou restringem” o comércio americano. O país propõe a adoção de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Antes da aplicação definitiva de qualquer sanção ou medida corretiva, porém, o governo dos EUA vai realizar uma audiência, prevista para 6 de julho, para ouvir representantes de organizações de ambos os países.

Representantes brasileiros também poderão enviar comentários sobre a investigação do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). Os comentários podem ser protocolados no próprio site do USTR. Veja abaixo os próximos passos:

  • Até 22 de junho de 2026: Prazo máximo para o envio de solicitações de comparecimento à audiência pública, acompanhadas de um resumo do depoimento.
  • Até 1º de julho de 2026: Prazo para o envio de comentários por escrito sobre as medidas propostas pelo USTR.
  • 6 de julho de 2026: Realização da audiência pública oficial pelo USTR para debater as ações propostas.
  • 15 de julho de 2026: Prazo limite legal para a definição e aplicação das medidas corretivas contra o Brasil.

Durante a fase inicial da investigação, o USTR já havia colhido depoimentos de mais de 30 testemunhas e recebido mais de 295 comentários e réplicas antes de emitir o parecer atual.

A decisão de aplicar uma tarifa de 25% sobr eprodutos brasileiros foi sugeriada a partir de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974

A investigação foi iniciada em 15 de julho de 2025 por determinação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O prazo legal para definição e eventual aplicação das medidas corretivas termina em 15 de julho de 2026.

Se a decisão final for de aplicação da tarifa, uma lista de produtos ficará isenta, como algumas carnes, frutas, café, terras-raras e aeronaves.

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Soja recua e atinge mínima de dois meses com clima favorável nos EUA

 As condições climáticas favoráveis nos Estados Unidos impactaram os contratos futuros dos grãos na sessão desta terça-feira (02) na bolsa de Chicago.  
 
O contrato para entrega em julho fechou o dia negociado em US$ 11,6525 por bushel e teve uma queda de 1,31%.  
 
De acordo com o levantamento do Tranding View, os contratos recuaram para a mínimas de dois meses nesta sessão.  
 
Trandind View também reportou que o mercado também acompanha as oscilações nos preços do petróleo bruto durante o conflito entre os EUA e Israel com o Irã, em parte porque algumas culturas são usadas para produzir biocombustíveis. 
 
Em entrevista à Reuters Internacional, analistas da CM Navigator afirmaram que a tendência divergente pode ser de curta duração. “Se o preço do petróleo continuar subindo, isso acabará elevando também os preços agrícolas, como já aconteceu muitas vezes antes”, disseram em nota à Reuters.

Milho

O contrato futuro para entrega julho do milho finalizou a sessão com desvalorização de 0,79% na Bolsa de Chicago, em que ficou cotado em US$ 4,4050 por bushel. 
 
De acordo com Trading View, o mercado fechou em baixa liquidando posições compradas. “Os contratos futuros de milho atingiram seu ponto mais baixo desde o início de fevereiro devido à liquidação de fundos e vendas técnicas”, informou.  
 
O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou que, até domingo, 67% do milho estava em boas a excelentes condições nos Estados Unidos, uma queda em relação aos 69% registrados um ano antes. 
 
Já no Brasil, o percentual colhido da segunda safra de milho no Centro-Sul do Brasil chegou em 2,4% até a última quinta-feira isso representa um aumento em relação aos 0,9% da semana anterior e acima dos 1,3% registrados no ano anterior.

Trigo

Na bolsa de Chicago, o contrato para entrega em julho registrou queda 0,94e fechou o dia precificado em US$ 6,0300 por bushel.

Segundo análise da Granar, a pressão sobre as cotações foi ampliada pela continuidade da liquidação de posições por fundos de investimento, em um cenário marcado pelo avanço da colheita do trigo de inverno nos Estados Unidos e pela proximidade do início dos trabalhos de campo em outras regiões produtoras do Hemisfério Norte.

Dados divulgados pelo USDA mostram que a colheita do trigo de inverno alcançou 5% da área cultivada, acima dos 3% registrados no mesmo período do ano passado, da média de cinco anos, também de 3%, e da expectativa de mercado, que apontava para 4%.

Por outro lado, o USDA manteve em 26% a parcela das lavouras classificadas entre boas e excelentes. Apesar da estabilidade em relação à semana anterior, o índice segue bem abaixo dos 52% observados no mesmo período de 2025, refletindo as dificuldades enfrentadas pela safra atual.

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Cristo Redentor e Estátua da Liberdade lutam em vídeo publicado pelo Irã contra os EUA


A divulgação foi feita pela Embaixada iraniana na Tunísia, na rede social X, como uma propaganda de guerra

Reprodução/ X / @IranembTunImagens do vídeo de IA publicado pelo Irã de um embate entre o Cristo Redentor e a Estátua da Liberdade
Imagens do vídeo de IA publicado pelo Irã de um embate entre o Cristo Redentor e a Estátua da Liberdade

O Irã compartilhou uma propaganda de guerra na segunda-feira (1º) em que a Estátua da Liberdade entra em um embate com a escultura do Cristo Redentor, localizado no Rio de Janeiro. O vídeo feito por inteligência artificial (IA) é contra os Estados Unidos e vem após o governo do presidente Donald Trump ameaçar impor tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras.

O vídeo foi publicado pela Embaixada iraniana na Tunísia, país do norte da África, na rede social X. No início, as imagens mostram o famoso monumento norte-americano, que fica em Nova York, se aproximando da estátua brasileira, no Morro do Corcovado, para lhe dar um soco.

No entanto, o Cristo se defende da agressão e devolve um soco em cheio na Estátua da Liberdade, que segue sendo derrotada e, finalmente, é levantada no alto da montanha e cai em pedaços.

O perfil da Embaixada do Irã na Tunísia vem publicando imagens e vídeos feitos por IA sempre criticando os EUA como forma de propaganda de guerra para ironizar o desempenho do país norte-americano na guerra no Oriente Médio.





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EUA acusam Pix gratuito de forçar rivais americanos a subsidiar ‘campeão nacional’







O pedido do Escritório do Comércio americano para sobretaxar o Brasil que acusa o país de práticas desleais de comércio traz amplas acusações contra o Pix, o sistema de pagamentos instantâneo usado por milhões de brasileiros.

O documento argumenta que o Brasil utiliza políticas desleais para favorecer o Pix, considerado pelo USTR como um “campeão nacional”, em detrimento de empresas de serviços de pagamento eletrônico dos Estados Unidos.

Os principais argumentos são de que há um conflito de interesse no fato de o Banco Central (BC) brasileiro atuar simultaneamente como regulador do setor e proprietário/operador do sistema Pix.

O documento afirma que há uma vantagem competitiva injusta. O BC é acusado de usar seu poder regulador para desfavorecer prestadores de serviços dos EUA. Como exemplo, o texto cita que o banco obriga instituições financeiras com mais de 500 mil contas a usar o Pix e exige que ele tenha destaque nas telas principais dos aplicativos, com “proeminência não inferior a qualquer outra funcionalidade de pagamento ou transferência”.

O governo brasileiro é criticado ainda por impor gratuidade para indivíduos e limitar as taxas que podem ser cobradas de empresas, o que é visto como uma forma de forçar competidores a subsidiar o sistema estatal.

O documento destaca que á um ônus ao comércio dos EUA. Essas práticas são consideradas “irrazoáveis” porque impõem custos aos prestadores de serviços americanos e os obrigam a promover um concorrente local. O texto enfatiza que o Brasil está “forçando provedores dos EUA a promover seu competidor brasileiro, sem compensação”.

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Embora o documento reconheça que comentários públicos apontaram que o Pix expandiu o acesso bancário no Brasil, o USTR mantém a determinação de que a estrutura atual é discriminatória e restringe o comércio americano.

Veja trechos do documento:

“Os atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao tratamento preferencial concedido ao Pix são injustos e discriminatórios. É injusto exigir que os concorrentes ofereçam vantagens ao Pix, como disponibilidade, visibilidade e limites para a cobrança de tarifas. Além disso, o Brasil discrimina os fornecedores norte-americanos de serviços de pagamento eletrônico ao conceder essas vantagens exclusivamente ao seu campeão nacional.”

“Os atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao tratamento preferencial concedido ao Pix constituem um ônus ou uma restrição ao comércio dos Estados Unidos, ao impor custos aos prestadores de serviços norte-americanos e ao obrigá-los a promover seu concorrente brasileiro, sem qualquer compensação.”



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Cacau dispara em Nova York com preocupação com El Niño na África

Os vencimentos futuros para o cacau registraram fortes ganhos na sessão desta terça-feira (02) na bolsa de Nova York. Os contratos foram impulsionados por uma expectativa de que o El Niño impacta a safra na África Ocidental.

O contrato para entrega em julho fechou com valorização de 5,47% e precificado em US$ 4.108 por tonelada.

De acordo com as informações do Barchart, o mercado acompanha as condições climáticas nas principais regiões produtoras.

“A formação de um fenômeno climático El Niño pode levar a condições mais quentes e secas na África Ocidental, potencialmente prejudicando a produção de cacau na região”, informou o Barchart.

A NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA) estima uma probabilidade de 82% de que as condições de El Niño surjam entre agora e julho e persistam até o final do ano, com 67% de chance de um “Super El Niño”.

Suco de laranja

O vencimento futuro para o suco de laranja para entrega em julho finalizou a sessão com valorização de 6,67%, em que o contrato fechou negociado a US$ 1.641,00 por tonelada.

Café

As condições climáticas nas lavouras brasileira pressionaram negativamente as cotações do café arábica na bolsa de Nova York.

O contrato para entrega em julho encerrou o dia com queda de 0,54% e está precificado em US$ 2.592 por libra-peso.

O Barchart apontou que os preços futuros do arábica caíram para a mínima em um ano e meio.

“As previsões meteorológicas que indicam condições mais secas nesta semana nas regiões cafeeiras do Brasil, o que permitiria a retomada da colheita após o atraso da semana passada devido às fortes chuvas”, destacou o Barchat. 

Açúcar

No caso do açúcar, os preços futuros finalizaram a sessão com quedas na bolsa de Nova York. O contrato para entrega em julho registrou recuo de 0,48% e fechou cotado em US$ 14,38 por libra-peso.

O Barchart apontou que os preços do açúcar estão caindo neste pregão em meio a sinais de oferta global abundante.

Segundo a UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia), a produção de açúcar na primeira quinzena de abril alcançou 1,80 milhão de toneladas. No acumulado da safra até 1º de maio, a fabricação do adoçante somou 2,47 milhões de toneladas.

Os dados também mostram uma maior destinação da cana para a produção de etanol. Nos últimos quinze dias, 59,66% da matéria-prima processada foi direcionada ao biocombustível, percentual superior aos 54,31% registrados no mesmo período da safra anterior.

Com isso, o mix acumulado da safra atingiu 61,84% voltado ao etanol, ante 54,77% observados no ciclo 2025/2026, reforçando a estratégia das usinas de priorizar a produção do combustível renovável.

Algodão

O contrato futuro do algodão com vencimento em julho encerrou o pregão em alta de 0,08%, cotado a US$ 76,15 por libra-peso.

Segundo dados do TradingView, os preços avançaram e se aproximaram do maior nível das últimas duas semanas, sustentados por um movimento de recuperação técnica e pelo cenário de petróleo ainda em patamares elevados.

O mercado também repercute a decisão da Índia de suspender temporariamente a tarifa de importação de 11% sobre o algodão. A medida, válida até 30 de outubro, busca ampliar a oferta de fibras de melhor qualidade para a indústria têxtil do país.

A expectativa é que a flexibilização das importações estimule as compras no mercado internacional e fortaleça a demanda, em um momento de consumo aquecido de fios e produtos têxteis em escala global.

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Incertezas com tarifas dos EUA podem pressionar câmbio, crédito e fluxo de capital


A proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio, pode trazer impactos econômicos ao país que vão além das exportações.

Embora a lista de isenções deixe de fora da taxação os principais motores da exportação nacional, especialistas alertam que a medida introduz incertezas que podem pressionar o câmbio, encarecer o crédito e inibir o fluxo de capital estrangeiro. 

A investigação, que teve início em julho de 2025 e foi recém-concluída pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), aponta supostas práticas consideradas injustas ou irrazoáveis por parte do Brasil. 

Leia também: EUA ameaçam Brasil com novas tarifas, mas Ibovespa sobe e dólar cai: o que explica?

Entre as justificativas americanas estão o sistema de pagamentos Pix — que, segundo os americanos, reduz o uso de cartões de empresas dos EUA —, o comércio digital, ordens judiciais contra redes sociais americanas, além de questões ligadas à propriedade intelectual, restrições no mercado de etanol e desmatamento. 

A decisão final cabe ao presidente Donald Trump, que tem até o dia 15 de julho de 2026 para aprovar ou não as sanções, com uma audiência pública prévia agendada para 6 de julho.

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Saiba mais:EUA marcam audiência para 6 de julho antes de decidir tarifaço; veja próximos passos

“O anúncio de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros mostra uma mudança na estratégia dos Estados Unidos que, antes, tinha um componente mais político e, agora, está sendo construída com base em uma investigação comercial”, afirma Jackson Campos, especialista em comércio exterior. Ele avalia que a medida aumenta a incerteza para empresas que exportam aos Estados Unidos e pode trazer perda de competitividade e custos adicionais para acessar o mercado americano.

Alívio comercial

De acordo com o relatório da XP Investimentos, caso a medida seja implementada conforme redigida, a Seção 301 elevará a tarifa efetiva média sobre as exportações brasileiras para os EUA em 6,25 pontos percentuais, saltando para 18,5%. A corretora calcula que aproximadamente US$ 9,5 bilhões, montante equivalente a 25% do total das exportações bilaterais, enfrentarão o aumento integral de 25% na alíquota. A análise da MAG Investimentos tem estimativa semelhante, de impacto de US$ 10 bilhões e aumento na tarifa para perto de 18%. 

O impacto na balança comercial tende a ser mitigado pelas exceções, detalhadas em um documento de 73 páginas. Produtos considerados vitais para o abastecimento do mercado americano, como carnes (incluindo a bovina), café, cereais, fertilizantes, minerais, terras raras e aeronaves civis foram poupados da sobretaxa. Na avaliação dos especialistas, o efeito real inicial deve se concentrar em bens de capital e manufaturados.

Alerta macroeconômico

Para o mercado financeiro, contudo, o problema está nos efeitos colaterais. Cassio Viana de Jesus, diretor de investimentos e novos negócios da Pilar Capital, avalia que a tarifa funciona como instrumento de pressão política e regulatória. “O canal mais importante não é o preço final nos EUA, e sim a transmissão via câmbio, juros e fluxo de capitais. O tema vira risco macro quando atinge, de forma duradoura, três canais: balança comercial e conta corrente; câmbio e inflação, via real mais fraco encarecendo importados e complicando o ciclo de corte de juros do BC; e fluxo de capitais e prêmio de risco”, explica.

O aumento da percepção de risco já é precificado. André Matos, CEO da MA7 Negócios, destaca que o Brasil já lida com desafios internos, possuindo uma Dívida Bruta na casa de 80,1% do PIB e a taxa Selic a 14,50%. Segundo ele, “qualquer ruído adicional pode desacelerar o fluxo de R$ 67 bilhões que entrou na B3 em 2026”. 

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Na mesma linha, Gustavo Assis, CEO da Asset Bank, aponta que a tensão diplomática torna o investidor externo mais seletivo. O especialista observa que o cenário não afasta necessariamente o capital de forma imediata, mas faz com que o investidor exija mais prêmio para manter sua exposição no país.

Câmbio e reflexos nas empresas

Apesar da forte ameaça institucional sobre a moeda, no curtíssimo prazo o câmbio abriu operando descolado do anúncio da USTR. Na manhã de terça-feira (2), o dólar chegou a operar em baixa, cotado ao redor de R$ 5,00. Leonel Oliveira Mattos, analista da Stonex, explica que o movimento foi guiado por variáveis globais, com o enfraquecimento do índice do dólar no exterior e a queda do petróleo atrelada a expectativas diplomáticas no Oriente Médio. No entanto, o analista adverte que o comportamento da moeda “parece ir um pouco na direção contrária do que os fundamentos da sessão sugeriam” e que a incerteza tarifária permanecerá no radar como vetor de pressão altista até julho.

No âmbito corporativo, a proposta acende um alerta imediato sobre custos e previsibilidade. Mary Elbe Queiroz, advogada tributarista e presidente do Cenapret, afirma que a taxação “pode ampliar a insegurança fiscal para as empresas brasileiras porque transforma um risco comercial em um problema de planejamento tributário, financeiro e regulatório”. Ela adverte que eventuais respostas fiscais improvisadas por parte do governo para compensar setores afetados podem gerar ainda mais distorções e elevar a litigiosidade no país.



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