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PIB do agronegócio no primeiro trimestre recua 2%, segundo Cepea/CNA

O PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária recuou 2% no primeiro trimestre em comparação ao mesmo período de 2025, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária) divulgados nesta quinta-feira (6).

Essa queda representa uma redução de R$ 66,1 bilhões para o setor, puxada pela desvalorização de 3,62% (R$ 74,6 bilhões) do ramo agrícola, enquanto a pecuária apresentou um crescimento marginal, de 0,7% (R$ 8,6 bilhões).

Segundo o índice, que engloba toda a cadeia agropecuária, o PIB do setor foi estimado em R$ 3,13 trilhões, sendo R$ 1,88 trilhão no ramo agrícola e R$ 1,25 trilhão no pecuário.

Nos primeiros meses do ano, os setores com maior queda foram o segmento primário (-4,15%), seguido por insumos (-2,15%), agroserviços (-1,25%) e agroindústria (-1,03%).

O Cepea destacou que o resultado foi influenciado pela expectativa de redução do valor da produção em 2026, decorrente principalmente da queda dos preços, que superou os ganhos projetados de produção em diversas atividades agrícolas e pecuárias.

A queda mais drástica foi no segmento primário agrícola (5,72%), apesar da expectativa de aumento na produção de commodities importantes, como cana-de-açúcar, café e soja. Segundo os pesquisadores, a queda do PIB do setor foi motivada pelo recuo dos preços, que “mais do que compensaram o avanço produtivo”.

Por outro lado, a agroindústria e os agroserviços no ramo da agropecuária tiveram um retrospecto positivo no período, com crescimento de 1,93% e 1,86%, respectivamente.

“Os agroserviços foram influenciados pelos desempenhos dos segmentos a montante, sustentados pela maior demanda por transporte, comércio e demais serviços associados ao aumento esperado da produção pecuária”, explicam os pesquisadores.

Diferença com o IBGE

Em maio, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária cresceu 2% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao quarto trimestre de 2025, totalizando R$ 230,4 bilhões, números significativamente menores do que os do Cepea.

A diferença entre os dois índices se dá pela abrangência de cada um. Enquanto o IBGE se restringe apenas ao setor primário, o Cepea leva em consideração toda a cadeia, estendendo-a para o ramo de serviços (logística, transporte, armazenagem e crédito) e indústria (usinas de açúcar, laticínios e abate de carnes).

Sob supervisão de Kaique Cangirana*  

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Trigo recua em Chicago com realização de lucros e avanço da colheita

Os contratos futuros do trigo encerraram o pregão desta quinta-feira (06) em baixa na Bolsa de Chicago. O vencimento setembro recuou 1,71% e fechou cotado a US$ 6,31 por bushel.

Segundo análise da consultoria Granar, o mercado foi pressionado por uma nova rodada de realização de lucros por parte de fundos de investimento, que reduziram posições compradas após os preços atingirem recentemente o maior patamar em dois anos.

Além disso, o avanço da colheita de trigo de inverno no Hemisfério Norte reforçou a pressão sazonal sobre as cotações.

Apesar da queda, o cenário geopolítico segue oferecendo sustentação ao mercado. A consultoria destaca que permanecem as incertezas sobre o comércio global de grãos diante da desaceleração dos embarques da região do Mar Negro. A intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia reduziu a capacidade de exportação dos dois países justamente no período de maior oferta da nova safra.

Com relação a logística, o Kremlin mantém suspenso o trânsito de cargas pelo Mar de Azov e pelo Estreito de Kerch por questões de segurança, enquanto os portos da região de Odessa e outras instalações ucranianas no Mar Negro seguem operando com capacidade reduzida devido aos ataques à infraestrutura.

O relatório semanal de vendas para exportação do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) teve efeito neutro sobre o mercado. As vendas da safra 2026/27 somaram 296,4 mil toneladas entre 24 e 30 de julho, acima das 285,2 mil toneladas da semana anterior e dentro da expectativa do mercado, que variava entre 200 mil e 500 mil toneladas.

As Filipinas foram o principal destino das compras na semana, com 87,8 mil toneladas. No acumulado da temporada até 30 de julho, os Estados Unidos haviam comercializado 7,22 milhões de toneladas de trigo, volume 29,8% inferior aos 10,28 milhões de toneladas negociados no mesmo período do ciclo anterior.

Milho

O contrato futuro do milho para entrega em dezembro encerrou o pregão desta quinta-feira na Bolsa de Chicago cotado a US$ 4,62 por bushel, alta de 0,43%.

Segundo a Agrinvest, o milho segue tecnicamente pressionado após as perdas registradas na sessão anterior. No entanto, as cotações encontraram suporte na demanda pelas exportações norte-americanas e em novas vendas do cereal ao México.

A consultoria destaca que o cenário externo continua oferecendo sustentação ao mercado, apesar da pressão técnica de curto prazo. Enquanto isso, o trigo mantém um prêmio de risco diante das dificuldades para o escoamento da produção ucraniana e da continuidade dos ataques a portos e embarcações na região do Mar Negro, fator que segue influenciando o mercado global de grãos.

Soja

O contrato futuro da soja para entrega em novembro encerrou o dia na Bolsa de Chicago cotado a US$ 11,77 por bushel, alta de 0,26%.

Segundo a Agrinvest, o mercado ensaiou uma recuperação após as perdas registradas nos últimos dias. No entanto, o avanço das cotações foi limitado pelas especulações envolvendo o conflito no Oriente Médio e pelas previsões de chuvas favoráveis para as lavouras do Meio-Oeste dos Estados Unidos.

No complexo da soja, o óleo fechou em queda, enquanto o farelo registrou valorização.

No mercado físico, a consultoria destaca que a demanda chinesa pela soja norte-americana segue aquecida, oferecendo sustentação aos preços. No Brasil, porém, os negócios continuam lentos nesta semana, com a maior parte das negociações concentrada no mercado de milho.

De acordo com a Agrinvest, a soja permanece próxima da estabilidade em Chicago, sustentada pelas compras da China e pelos prêmios firmes nos portos brasileiros. Por outro lado, a previsão de chuvas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos reduz os riscos para a safra e limita uma valorização mais expressiva das cotações.

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Café recua quase 2% em Nova York com avanço da colheita no Brasil

Os preços do café encerraram a sessão desta quinta-feira (6) em queda nas bolsas internacionais, pressionados pelas condições climáticas favoráveis ao avanço da colheita no Brasil.

Na Bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em dezembro recuou 1,72%, fechando cotado a US$ 3,06 por libra-peso.

Segundo a Barchart, a previsão de tempo seco nas principais regiões produtoras brasileiras deve favorecer a secagem dos grãos e acelerar os trabalhos de colheita, aumentando a oferta da commodity no mercado.

A consultoria Climatempo informou que não foram registradas chuvas na semana encerrada em 2 de agosto em Minas Gerais, principal estado produtor de café arábica do Brasil. A ausência de precipitações reforçou a expectativa de avanço da colheita e contribuiu para a pressão sobre as cotações.

Cacau

Os preços do cacau voltaram a recuar na Bolsa de Nova York nesta sessão, pressionados pelas expectativas de aumento da oferta global.

O contrato com vencimento em setembro fechou o dia em queda de 1,80%, cotado a US$ 5.776 por tonelada.

Segundo a Barchart, o mercado foi influenciado por sinais de recuperação da produção em Gana, segundo maior produtor mundial da commodity. A agência reguladora do cacau do país informou que a colheita da safra 2025/26, que se encerra no fim deste mês, alcançou 750 mil toneladas, volume 25,6% superior às 597 mil toneladas registradas na temporada 2024/25.

O avanço da produção em Gana reforça a perspectiva de maior disponibilidade de cacau no mercado internacional, fator que contribuiu para a pressão sobre as cotações pelo segundo pregão consecutivo.

Açúcar

Os preços do açúcar avançaram no mercado internacional, impulsionados pelas preocupações com a oferta brasileira.

Na Bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em outubro subiu 2,77%, encerrando o pregão cotado a 15,77 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo a Barchart, as cotações foram sustentadas pela queda na produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil. Dados da Unica mostram que a fabricação da commodity na região totalizou 3,903 milhões de toneladas em junho, volume 26,3% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

A redução da oferta brasileira levou os contratos futuros a atingirem os maiores níveis dos últimos meses, refletindo a preocupação do mercado com a disponibilidade global de açúcar.

Suco de Laranja

Os contratos futuros do suco de laranja encerraram o pregão em baixa. O vencimento para setembro recuou 3,99%, fechando cotado a US$ 1,51 por libra-peso.

Algodão

Já no caso do algodão, o contrato futuro para entrega em dezembro fechou com leve ganho de 0,17% e precificado em 83,16 centavos de dólar a libra-peso.

De acordo com o Barchart, os contratos futuros de algodão permanecem praticamente estáveis ​​nesta sessão após os dados de exportação indicaram cancelamento líquido de 55.855 fardos de algodão da safra 2025/26 na semana encerrada em 30 de julho, o menor saldo registrado no ano comercial. Em contrapartida, as vendas da nova safra somaram 242.052 fardos, o terceiro maior volume do ano. Os embarques da semana totalizaram 222.830 fardos.

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Confinamento avança em 2026 mesmo com leve alta nos custos de produção

O confinamento de bovinos segue em expansão no Brasil em 2026, mesmo diante de um leve aumento dos custos de produção. Segundo o analista da consultoria Pasto & Mercado, Rodrigo Dutra, a atividade continua economicamente atrativa, principalmente para operações de grande escala, sustentada pela melhora da relação de troca entre boi gordo e milho e pela expectativa de recuperação das exportações no segundo semestre.

De acordo com Dutra, os custos operacionais apresentaram alta entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, mas em níveis considerados modestos. Dados do Imea  (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) apontam aumento de 1,75% nos custos do sistema de cria e pouco mais de 1% nas fases de recria e engorda.

Apesar disso, a intenção de confinamento cresceu de forma expressiva em comparação no último ano. O destaque é Mato Grosso, maior produtor e exportador de carne bovina do país, onde a intenção de colocar animais em confinamento supera 55%. No Sudeste, o avanço se aproxima de 33%, enquanto Norte e Nordeste registram crescimento acima de 40% e, em algumas regiões, superior a 50%.

Segundo o analista, esse movimento indica que os pecuaristas seguem confiantes na rentabilidade da atividade.

“O aumento dos custos foi pequeno e ainda é compensado pelas condições favoráveis do mercado. O confinamento continua sendo uma estratégia economicamente satisfatória”, afirmou.

A principal razão é o custo da alimentação já que a boa safra de milho, um dos principais insumos da atividade, a relação de troca tornou-se mais favorável. Atualmente, uma arroba de boi gordo compra cerca de 5,37 sacas de milho, cenário que reduz o custo de produção dos animais confinados. O DDG, coproduto da produção de etanol de milho utilizado na alimentação animal, também contribui para a competitividade do sistema.

Segundo Dutra, em propriedades com menos de mil cabeças, o confinamento tende a ser menos competitivo. Já em sistemas acima de cinco mil animais, a atividade apresenta margens líquidas entre 5% e 10%, dependendo da eficiência da gestão e dos custos de produção.

Outro cenário que o setor acompanha é a geopolítica que tem elevado a volatilidade do mercado no primeiro semestre, com impactos das salvaguardas chinesas, conflitos internacionais e problemas logísticos, esses fatores perderam relevância nas decisões dos confinadores.

Conforme levantamento da consultoria, a principal preocupação hoje é o custo da reposição de animais para recria e engorda, especialmente pela menor oferta de bovinos jovens após o elevado abate de fêmeas registrado em 2025. Essa questão aparece à frente das incertezas relacionadas ao comércio internacional.

Para Dutra, as restrições impostas pela China deixaram de ser o principal fator de preocupação para o segundo semestre. A expectativa é de retomada gradual das compras chinesas para recomposição de estoques antes do Ano Novo Lunar de 2027, o que deve favorecer novamente as exportações brasileiras de carne bovina.

Nesse cenário, o analista avalia que a combinação entre custos de alimentação mais competitivos, margens positivas e perspectiva de maior demanda externa mantém o confinamento como uma estratégia importante para elevar a produtividade da pecuária brasileira e atender ao mercado internacional.

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Lar capta R$ 60,3 milhões para expansão em avicultura e armazenagem

A Lar Cooperativa Agroindustrial receberá financiamento de R$ 60,3 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para executar três projetos de expansão e modernização no Extremo Oeste do Paraná. 

Os investimentos contemplam a implantação de uma unidade de recria de aves em São José das Palmeiras e a modernização de estruturas de recebimento, beneficiamento e armazenagem de grãos em São Miguel do Iguaçu e Itaipulândia.

Os recursos serão liberados por meio da linha BNDES Finem, com financiamento dos programas Construção e Ampliação de Armazéns e Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária, ambos vinculados ao Plano Safra 2025/2026.

Na área de avicultura, o projeto prevê a construção de três granjas em São José das Palmeiras para formar uma nova unidade de recria de aves. A estrutura terá capacidade anual para recriar 800 mil aves fêmeas e 88 mil aves machos, funcionando de forma integrada a outra unidade da cooperativa instalada na região.

Já nas unidades localizadas no distrito de Santa Rosa do Ocoy, em São Miguel do Iguaçu, e em Itaipulândia, serão instalados novos sistemas de limpeza, secagem e movimentação de grãos. Cada empreendimento contará com uma linha de secagem com capacidade para processar até 240 toneladas por hora, além de novos silos e equipamentos destinados ao transporte e à redistribuição interna de soja e milho.

Segundo o BNDES, as intervenções têm como objetivo ampliar a capacidade de recebimento e beneficiamento de grãos durante os períodos de safra, além de melhorar o fluxo operacional das unidades. A expectativa é reduzir o tempo de espera para descarga de caminhões e aumentar a eficiência logística.

Após a conclusão dos projetos, a Lar estima a criação de 122 empregos diretos e 50 indiretos. As vagas deverão abranger atividades ligadas à produção agropecuária, transporte, comércio e prestação de serviços.

Fundada em 1964 e com sede em Medianeira, a Lar Cooperativa Agroindustrial atua nos segmentos agrícola, pecuário e agroindustrial. A cooperativa mantém unidades de atendimento, recebimento de grãos e produção de alimentos, com operações concentradas no Paraná, Mato Grosso do Sul e Paraguai.

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Marrocos zera tarifa de importação para carnes e ovinos até o fim de 2026

O governo do Marrocos decisiu ampliar a suspensão das tarifas de importação sobre carnes bovina, ovina, caprina e camelídea, além de ovinos vivos para todos os paises autorizados a exportar para a nação africana ate 31 de dezembro de 2026. A medida ja beneficiava o Brasil, que é um dos principais fornecedores de bovinos vivos ao mercado marroquino.

Segundo o governo, em 2025, o Brasil exportou US$ 213,5 milhões em bovinos vivos para o Marrocos, ante US$ 41 milhões no ano anterior. O país respondeu por 46,7% das importações marroquinas desse produto. Já no primeiro quadrimestre de 2026, o Marrocos foi o segundo principal destino das exportações brasileiras de bovinos vivos.

De acordo com o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), a suspensão das tarifas entrou em vigor em 27 de julho e foi oficializada pelo governo marroquino na mesma época.

A decisão foi tomada para ampliar a oferta de carnes vermelhas no mercado interno. De acordo com o governo marroquino, o rebanho bovino do país caiu cerca de 30% em 2025 em razão da seca e do aumento dos custos com alimentação animal.

As miudezas de bovinos, ovinos, caprinos e camelídeos não foram incluídas na medida e continuam sujeitas à tarifa de importação de 30%.

O Marrocos já adotava um regime diferenciado para a compra de bovinos vivos destinados ao abate.

Desde o fim de 2022, esses animais podem entrar no país sem pagamento da tarifa de importação, desde que respeitado o contingente anual estabelecido pelo governo marroquino. Para 2026, o limite é de 300 mil cabeças.

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Agro pede acesso a decreto de regulamentação da Lei dos Bioinsumos

Entidades representativas do agronegócio e da indústria protocolaram nesta semana dois ofícios, um à Casa Civil e outro à Vice-Presidência da República, solicitando acesso prévio ao texto do decreto que regulamentará a Lei dos Bioinsumos (Lei nº 15.070/2024) antes de sua publicação no Diário Oficial da União. O decreto está em análise na Casa Civil antes de ser encaminhado para publicação.

Os documentos foram assinados por 35 entidades que representam diferentes segmentos do agronegócio e da indústria de insumos, entre elas a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), Aprosoja Brasil, Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), Anda (Associação Nacional de Difusão de Adubos), Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal), SRB (Sociedade Rural Brasileira), Ibá, Orplana (Organização de Associações de produtores de Cana do Brasil), além de associações ligadas aos setores de grãos, cana-de-açúcar, frutas, florestas plantadas, pecuária e fertilizantes. 

Segundo as entidades, o objetivo é verificar se a proposta de regulamentação construída pelo grupo foi incorporada à versão final do decreto.

De acordo com o documento encaminhado à ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, e ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, as entidades pedem “o conhecimento prévio do texto do Decreto que regulamentará a Lei dos Bioinsumos, bem como a oportunidade para opinar, antes de sua publicação no Diário Oficial da União”. 

Elas afirmam que participaram das discussões da lei no Congresso Nacional, integraram o grupo de trabalho criado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária para elaborar a regulamentação e apresentaram uma proposta de decreto consensual ao governo.

Segundo as entidades, a solicitação busca assegurar que o decreto mantenha as diretrizes discutidas ao longo do processo de elaboração da regulamentação. O grupo afirma que a criação de procedimentos de registro considerados excessivamente complexos, restrições ao acesso a microrganismos naturais, limitações ao mercado de inóculos e à produção para uso próprio podem representar barreiras ao desenvolvimento do setor.

No ofício, as entidades também argumentam que a regulamentação deve buscar equilíbrio entre segurança, previsibilidade regulatória, inovação, liberdade econômica e concorrência. Elas também afirmam que pretendem contribuir para evitar “retrocessos nos modelos de negócios” consolidados desde a edição do Decreto nº 6.913/2009.

Paralelamente ao envio dos ofícios, o grupo consolidou uma proposta de decreto que, segundo o documento, reúne contribuições de representantes da indústria e da agropecuária e reflete consenso entre produtores rurais e empresas do setor. O texto foi elaborado a partir da minuta inicialmente apresentada pelo Ministério da Agricultura e incorpora sugestões discutidas no âmbito do grupo de trabalho criado pela pasta.

A proposta prevê, entre outros pontos, que a regulamentação abranja bioinsumos obtidos tanto por processos naturais quanto por engenharia genética; estabelece regras para registro, produção, comercialização e fiscalização dos produtos; mantém a possibilidade de produção para uso próprio pelos agricultores, com regras específicas; cria categorias para classificação dos bioinsumos conforme sua natureza, área de atuação e função; e atribui ao Ministério da Agricultura a coordenação do sistema de registro e fiscalização, com participação da Anvisa e do Ibama nas avaliações relacionadas à saúde e ao meio ambiente. 

O texto também propõe a simplificação de procedimentos regulatórios, como a possibilidade de registro único para estabelecimentos que desempenhem múltiplas atividades, o compartilhamento de informações entre órgãos públicos e a priorização da análise de determinados pedidos de registro. Além disso, prevê hipóteses de isenção de registro para alguns produtos e para bioinsumos produzidos exclusivamente para uso próprio. 

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Potássio impulsiona semestre da Nutrien, apesar de queda no trimestre

A Nutrien, canadense de produção e distribuição de insumos, registrou lucro líquido de US$ 1,2 bilhão no segundo trimestre de 2026, queda de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior. 

A receita líquida de vendas somou US$ 10,8 bilhões, alta de 4%, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado alcançou US$ 2,4 bilhões, recuo de 2% na mesma comparação.

No acumulado do primeiro semestre, a companhia apresentou crescimento dos principais indicadores financeiros. O lucro líquido aumentou 9%, para US$ 1,3 bilhão, a receita avançou 8%, para US$ 16,8 bilhões, e o Ebitda ajustado subiu 6%, totalizando US$ 3,5 bilhões.

Segundo a empresa, o desempenho do semestre foi impulsionado pela alta das referências globais de preços de fertilizantes, pelo crescimento dos resultados da divisão de varejo e pelo volume recorde de vendas de potássio. Já o resultado do segundo trimestre foi impactado pela redução dos volumes comercializados de fertilizantes e pelo aumento dos custos com enxofre, fatores que mais do que compensaram o efeito positivo dos preços internacionais.

Em comunicado, o presidente e CEO da Nutrien, Ken Seitz, afirmou que a companhia alcançou volume recorde de vendas de potássio no primeiro semestre, ampliou as margens de produtos proprietários e avançou em iniciativas voltadas ao aumento da eficiência operacional e da geração de caixa.

Receitas do mix

As vendas de fertilizantes recuaram de US$ 1,8 bilhão no segundo trimestre de 2025 para US$ 1,3 bilhão no mesmo período de 2026.

Na divisão de nutrição de cultivos, a receita cresceu no trimestre e no semestre em função do aumento dos preços de venda. A margem bruta permaneceu praticamente estável entre abril e junho, já que o crescimento das vendas de produtos nutricionais proprietários foi compensado pela redução dos volumes comercializados de fertilizantes, especialmente fosfatados e nitrogenados. No acumulado do semestre, a margem aumentou devido ao maior peso dos produtos proprietários.

Na área de defensivos agrícolas, as vendas e a margem bruta cresceram tanto no trimestre quanto no semestre, impulsionadas pelo maior volume de vendas de herbicidas nos Estados Unidos e pelo início antecipado das compras por produtores na Austrália.

A margem da divisão de sementes recuou no trimestre e no semestre em razão de mudanças no mix de produtos, embora parte desse efeito tenha sido compensada pelo aumento dos volumes vendidos, incluindo sementes de canola de maior valor agregado na Austrália.

As receitas com serviços e outras atividades também avançaram, refletindo principalmente o fortalecimento do mercado pecuário australiano.

Potássio

A receita da divisão de potássio cresceu 6% no segundo trimestre, para US$ 1 bilhão. No acumulado do primeiro semestre, o avanço foi de 14%, alcançando US$ 1,9 bilhão.

O Ebitda ajustado da operação aumentou no trimestre e no semestre, impulsionado pela elevação dos preços internacionais e pela execução operacional, que sustentou volumes recordes de vendas no primeiro semestre. Parte desse ganho foi compensada pelo aumento dos tributos provinciais sobre mineração.

Segundo a companhia, os volumes vendidos cresceram devido aos baixos níveis de estoques e à maior competitividade do potássio nos principais mercados internacionais. O preço líquido por tonelada aumentou em razão das cotações globais mais elevadas, embora parcialmente reduzido pelo aumento dos custos de frete e seguro. O custo dos produtos vendidos por tonelada também cresceu, principalmente devido a maiores gastos com royalties e manutenção.

A empresa informou ainda que manteve o custo controlável de produção abaixo de US$ 60 por tonelada e avançou na automação de minas.

Nitrogênio

Na divisão de nitrogênio, a receita caiu 3% no segundo trimestre, para US$ 1,1 bilhão. No acumulado do semestre, houve crescimento de 5%, totalizando US$ 2,1 bilhões.

O Ebitda ajustado aumentou no primeiro semestre em função da alta dos preços internacionais do nitrogênio e da redução dos custos com gás natural. No segundo trimestre, porém, o indicador recuou devido aos menores volumes vendidos, apesar dos preços mais elevados.

Os volumes comercializados diminuíram no trimestre em razão da ausência de produção nas unidades de Trinidad e New Madrid, da realização de manutenção programada na planta de Carseland e do adiamento de compras por clientes. No semestre, parte desses efeitos foi compensada pelo aumento das vendas de soluções nitrogenadas, nitratos e sulfatos.

O preço líquido por tonelada aumentou para todos os principais produtos nitrogenados, acompanhando o fortalecimento das referências globais. Já o custo dos produtos vendidos por tonelada caiu em decorrência da redução dos custos com gás natural, embora parcialmente compensado pelo aumento dos gastos com enxofre e pelas despesas de manutenção.

Fluxo de caixa e portfólio

O caixa gerado pelas atividades operacionais aumentou 12% no primeiro semestre. A empresa informou que destinou US$ 848 milhões aos acionistas por meio de dividendos e recompra de ações, sendo que o volume de recompras cresceu 26% em relação ao ano anterior. Até 4 de agosto, a companhia havia recomprado aproximadamente US$ 82 milhões em ações no terceiro trimestre.

Desde junho, a Nutrien também firmou acordos para vender ativos considerados não estratégicos por aproximadamente US$ 90 milhões. Com essas operações, o total de desinvestimentos desde o quarto trimestre de 2024 chega a cerca de US$ 1 bilhão.

A empresa informou ainda que segue trabalhando na definição do futuro de seus negócios de fosfato, da unidade de nitrogênio em Trinidad e da operação de varejo no Brasil ao longo de 2026.

Projeções

Para o restante do ano, a Nutrien afirmou que espera continuidade da demanda global por fertilizantes, sustentada pelo consumo de grãos e oleaginosas. A companhia avalia que fatores geopolíticos, possíveis efeitos do El Niño e restrições na oferta de algumas matérias-primas podem influenciar os mercados agrícolas e de fertilizantes.

A empresa manteve a projeção de embarques globais de potássio entre 74 milhões e 77 milhões de toneladas em 2026 e elevou sua estimativa de vendas de potássio para um intervalo entre 14,2 milhões e 14,8 milhões de toneladas.

Para o segmento de nitrogênio, a previsão de vendas permanece entre 9,2 milhões e 9,7 milhões de toneladas, apoiada por melhorias operacionais previstas para o segundo semestre.

A companhia também reduziu sua estimativa de investimentos para um intervalo entre US$ 1,95 bilhão e US$ 2,05 bilhões, citando foco na eficiência do capital e no aumento estrutural da geração de caixa livre.

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Entregas de fertilizantes caem 14,7% em maio e produção nacional recua 26%

As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro totalizaram 3,16 milhões de toneladas em maio de 2026, volume 14,7% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando foram comercializadas 3,70 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados com exclusividade pela ANDA (Associação Nacional para Difusão de Adubos).

No acumulado de janeiro a maio, as entregas somaram 15,46 milhões de toneladas, uma redução de 2,2% em relação ao mesmo período de 2025, quando o mercado registrou 15,81 milhões de toneladas.

De acordo com a ANDA, o primeiro trimestre de 2026 foi marcado pelo impacto positivo da boa safrinha, com as compras ocorrendo dentro da normalidade. A entidade informa que, após o início da guerra no Irã, houve desaceleração de novos negócios, movimento refletido nas entregas de maio e que pode influenciar o abastecimento da safra 2026/2027. 

Entre os fatores apontados para a redução das entregas estão o cenário geopolítico internacional, as relações de troca acima das médias históricas, a escassez de crédito, os riscos relacionados a recuperações judiciais, as taxas de juros elevadas e os riscos climáticos associados ao El Niño.

Mato Grosso permaneceu como o estado com maior volume de entregas no acumulado do ano, com 3,89 milhões de toneladas, o equivalente a 25,2% do total nacional. Na sequência aparecem Paraná, com 1,75 milhão de toneladas; São Paulo, com 1,67 milhão; Goiás, com 1,61 milhão; e Minas Gerais, com 1,15 milhão.

Produção nacional

A produção nacional de fertilizantes intermediários somou 485 mil toneladas em maio de 2026, resultado 26,2% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025.

No acumulado de janeiro a maio, a produção atingiu 2,41 milhões de toneladas, redução de 17,1% frente às 2,9 milhões de toneladas produzidas no mesmo período do ano anterior.

Segundo a ANDA, a redução está relacionada principalmente ao aumento dos preços do enxofre, insumo utilizado na produção de fertilizantes fosfatados, segmento no qual se concentra a produção nacional. 

A entidade também informa que, em razão de mudanças na estrutura societária de empresas e da retomada de operações em alguns ativos, parte da produção nacional, especialmente de ureia e cloreto de potássio, não foi capturada pelos levantamentos do período.

Importações

As importações de fertilizantes intermediários também apresentaram retração. Em maio, o Brasil importou 3,31 milhões de toneladas, volume 9,4% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025.

Entre janeiro e maio, as importações totalizaram 14,52 milhões de toneladas, redução de 2,7% em relação às 14,92 milhões de toneladas importadas no mesmo período do ano passado.

Porto de Paranaguá

Principal porta de entrada dos fertilizantes no país, o Porto de Paranaguá recebeu 3,64 milhões de toneladas entre janeiro e maio de 2026. O volume representa queda de 9,6% na comparação com igual período de 2025, quando foram descarregadas 4,02 milhões de toneladas.

Segundo dados do Siacesp/MDIC, o terminal respondeu por 25,1% de todo o volume de fertilizantes importados pelos portos brasileiros no período.

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Lideranças da proteína animal defendem união para ampliar mercados globais

Representantes dos setores de aves, suínos, bovinos, leite e pescados defenderam maior integração entre as cadeias produtivas como estratégia para ampliar a competitividade do Brasil no mercado internacional de proteínas animais durante o SIAVS, realizado em São Paulo.

No painel “Cenário da Proteína Animal na Visão Setorial”, lideranças destacaram que o Brasil reúne vantagens competitivas como disponibilidade de recursos naturais, tecnologia, capacidade produtiva e reconhecimento sanitário, mas precisa avançar na comunicação desses diferenciais para conquistar novos mercados.

O presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Ricardo Santin, afirmou que o país precisa reforçar internacionalmente a imagem da produção brasileira, principalmente em relação à sustentabilidade.

Segundo ele, o Brasil possui mais de 1,1 milhão de quilômetros quadrados de áreas preservadas dentro de propriedades privadas por meio da reserva legal, além de áreas de pastagens que podem ser utilizadas para ampliar a produtividade sem necessidade de abertura de novas áreas.

“Temos clima favorável, produtores capacitados e vocação para alimentar o mundo. Precisamos mostrar essa realidade, reforçando uma proteína produzida com biosseguridade, sustentabilidade, segurança alimentar e responsabilidade ambiental”, afirmou.

Cadeia organizada amplia presença internacional

O gerente de Agronegócios da ApexBrasil, Laudemir Müller, destacou que a organização da cadeia produtiva brasileira é um dos fatores que diferenciam o país no cenário internacional.

Para ele, em um ambiente global marcado por incertezas e disputas comerciais, a união entre entidades, produtores e governo ajudou o Brasil a conquistar confiança dos compradores internacionais.

“O Brasil consegue atender o mercado interno, ampliar o consumo doméstico e, ao mesmo tempo, alcançar recordes de exportação. Isso é resultado de organização, tecnologia e confiança construída por toda a cadeia”, disse.

Pescados buscam novos mercados

O presidente da Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), Eduardo Lobo, destacou que o setor de pescados tem espaço para crescer no mercado nacional e internacional.

Atualmente, o Brasil exporta cerca de US$ 400 milhões em pescados, mas, segundo Lobo, o potencial é significativamente maior. Entre as oportunidades estão novas parcerias comerciais, especialmente com o mercado europeu.

“O setor está em expansão e temos confiança de que podemos avançar. O otimismo e a resiliência são grandes”, afirmou.

Leite busca maior competitividade

A cadeia leiteira também defendeu maior integração com outros segmentos da proteína animal. O presidente do Sindilat, Guilherme Portela, afirmou que o Brasil ainda precisa superar desafios para ampliar sua participação no comércio internacional.

Apesar dos avanços em produtividade e acesso a mercados externos, o setor ainda importa mais produtos lácteos do que exporta.

Entre as estratégias para mudar esse cenário estão o fortalecimento da competitividade, abertura de novos mercados, valorização do produtor e maior aproximação entre os diferentes elos da cadeia.

“Faltava uma liderança direcional para apontar caminhos de como podemos atingir níveis de competitividade e novos mercados de exportação para fortalecer a cadeia”, afirmou.

Pecuária mantém peso econômico

O presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), Roberto Perosa, destacou a relevância econômica da pecuária brasileira. Segundo ele, no último ano, o setor movimentou cerca de US$ 20 bilhões em exportações e aproximadamente US$ 80 bilhões em vendas totais.

Perosa afirmou que a cadeia enfrenta desafios relacionados ao cenário geopolítico e às barreiras comerciais, mas mantém capacidade de abastecer o mercado doméstico e atender a demanda internacional.

“As exportações não competem com o abastecimento doméstico. Elas são um dos pilares que sustentam toda a cadeia produtiva”, afirmou.

Segundo o executivo, a parceria entre Abiec e ApexBrasil ao longo de mais de duas décadas foi fundamental para a abertura de mercados em diferentes regiões do mundo.

Empresas discutem futuro da proteína animal

As transformações no consumo, as mudanças geopolíticas e as novas exigências do comércio internacional também estiveram no centro do painel “Futuro das Proteínas”.

O debate reuniu os CEOs João Campos, da Seara, Miguel Gularte, da MBRF, e o diretor-presidente da Aurora Coop, Neivor Canton.

Os executivos destacaram que a manutenção da liderança brasileira no mercado global dependerá de investimentos em eficiência, inovação, segurança sanitária e adaptação ao novo perfil do consumidor.

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