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Bioinsumos podem adicionar R$ 15,8 bilhões ao PIB brasileiro, diz FGV

A adoção de bioinsumos na agricultura brasileira pode adicionar R$ 15,8 bilhões ao PIB (Produto Interno Bruto) entre 2030 e 2035, evitar o desmatamento de 9,2 milhões de hectares e gerar cerca de 160,5 mil novos empregos. As estimativas são de um estudo elaborado pelo Observatório de Bioeconomia da FGV (Fundação Getulio Vargas), com apoio do Instituto Equilíbrio e da Agni.

A pesquisa avaliou os impactos econômicos, sociais e ambientais da adoção de bioinsumos e de outras seis tecnologias previstas no Plano ABC+. Entre os produtos considerados estão a Fixação Biológica do Nitrogênio e microrganismos promotores de crescimento vegetal, utilizados para aumentar a eficiência da produção agrícola.

Segundo o levantamento, o uso dessas tecnologias pode gerar retorno de R$ 79 para cada R$ 1 investido nas lavouras de arroz, milho, cana-de-açúcar e soja. 

O estudo estima que, até 2030, a adoção de bioinsumos alcance cerca de 13 milhões de hectares, com impacto equivalente a 0,13% do PIB e geração de aproximadamente R$ 15,2 bilhões por ano em valor econômico, além dos efeitos sobre produtividade e uso da terra.

O estudo também projeta a criação de aproximadamente 160,5 mil novos postos de trabalho em áreas como produção local, biofábricas, pesquisa e desenvolvimento, controle de qualidade, logística e assistência técnica especializada.

Na avaliação da FGV, a ampliação do uso de bioinsumos também pode reduzir a pressão por abertura de novas áreas agrícolas. O estudo estima que 9,2 milhões de hectares de desmatamento poderão ser evitados, principalmente nos biomas Cerrado e Amazônia, em função do aumento da produtividade. 

Além disso, cerca de 4,8 milhões de hectares de pastagens com algum nível de degradação poderão ser convertidos em áreas agrícolas, enquanto outros 14,1 milhões de hectares de lavouras poderão registrar ganhos de produtividade. As estimativas apontam para um crescimento de até 3,4% na produção de soja e de 1,5% na produção de milho.

“O estudo mostra que o uso de bioinsumos pode gerar grandes contribuições para o País. Além do retorno econômico, com possibilidade de ganhos rápidos e baixo investimento, a tecnologia traz benefícios ambientais bastante expressivos, possibilitando a proteção dos biomas e a redução da abertura de novas fronteiras agrícolas”, afirmou o pesquisador da FGV responsável pelo levantamento, Cícero Lima.

Os resultados também são apresentados pelo Instituto Equilíbrio como parte da discussão sobre fertilizantes verdes, uma das frentes de atuação da entidade voltada à agricultura regenerativa. Segundo o instituto, a substituição da rota fóssil pela produção de fertilizantes por processos de menor impacto ambiental pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa, especialmente de óxido nitroso (N₂O), além de diminuir a dependência brasileira da importação de fertilizantes, que atualmente responde por cerca de 85% do consumo nacional.

Para o CEO do Instituto Equilíbrio, Eduardo Bastos, o fortalecimento do Plano Nacional de Fertilizantes e do Profert (Programa Nacional de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes), aliado à ampliação da coordenação entre setor público e iniciativa privada, pode contribuir para estimular investimentos e ampliar a produção nacional de fertilizantes de menor impacto ambiental.

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Setor russo de grãos afirma que ataques de Kiev ameaçam exportações

O principal grupo de representação do setor de grãos da Rússia alertou nesta sexta-feira que os ataques de drones ucranianos contra navios e portos russos podem interromper, em um futuro próximo, as exportações de grãos pelo Mar Negro, elevando os preços e provocando fome na África e no Oriente Médio.

A Rússia, maior exportadora mundial de trigo, e a Ucrânia, também uma grande exportadora de produtos agrícolas, vêm atacando nas últimas semanas as instalações de exportação agrícola e embarcações comerciais uma da outra na região do Mar Negro.

A União Russa dos Exportadores e Produtores de Grãos informou à Reuters que as consequências desses ataques serão sentidas por muitos países em um futuro próximo.

“Os ataques sistemáticos iniciados em julho poderão em breve levar ao bloqueio completo dos corredores de exportação na bacia do Mar Negro”, afirmou a entidade em comunicado enviado à Reuters.

Segundo a organização, o déficit no fornecimento de trigo russo para outros países nesta temporada poderá atingir entre 30 e 35 milhões de toneladas métricas, o equivalente a cerca de 15% do comércio global de trigo. A entidade acrescentou que não será possível compensar essa falta por meio do aumento das exportações de outros países.

“As interrupções no transporte marítimo no Mar Negro causadas pelos ataques ucranianos contra navios de carga e infraestrutura portuária representam uma ameaça direta à segurança alimentar global”, afirmou a entidade.

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Pesquisador da USP é condenado a 12 anos por estupro e morte de estudante


A 14ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) condenou, de forma unânime, um pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) a 12 anos de prisão, em regime inicial fechado, por estupro de vulnerável que resultou na morte de uma estudante de graduação da instituição. A decisão alterou a sentença de primeira instância, que havia absolvido o réu por insuficiência de provas.

De acordo com os autos, o pesquisador, que integrava um programa de pós-graduação da USP, conheceu a estudante no refeitório da universidade e a convidou para sua residência no Conjunto Residencial da USP (Crusp). Segundo o processo, a vítima relatou a amigos que ingeriu uma bebida com gosto estranho, perdeu a consciência e acordou sem as roupas íntimas.

Nos dias seguintes, a estudante apresentou lesões na região genital, febre e sinais de infecção. O quadro evoluiu para septicemia, e ela morreu em decorrência das complicações.

Septicemia, também chamada de sepse, é uma resposta intensa do organismo a uma infecção causada por bactérias, vírus ou fungos. A condição pode comprometer o funcionamento de órgãos e, quando não tratada rapidamente, evoluir para um quadro grave, com risco de morte.

Ao votar pela condenação, a relatora do recurso, desembargadora Fátima Gomes, afirmou que o conjunto de provas demonstrou que os atos sexuais ocorreram quando a vítima estava em situação de vulnerabilidade.

Segundo a magistrada, embora a estudante não tenha prestado depoimento formal por ter morrido, ela relatou o ocorrido, ainda em vida, a diferentes pessoas, com versões consideradas convergentes e corroboradas por elementos técnicos produzidos durante a investigação.

“É relevante mencionar ainda que, o sentimento de vergonha, culpa ou receio de julgamento é circunstância frequente em delitos contra a dignidade sexual e, no caso, não compromete a credibilidade do relato da vítima, sobretudo porque ele foi reiterado a pessoas distintas e corroborado por elementos técnicos independentes”Desembargadora Fátima Gomes

A desembargadora também rejeitou a alegação da defesa de que teria havido consentimento para a relação sexual. No voto, destacou que aceitar um convite para ir ao alojamento estudantil ou demonstrar interesse inicial pelo acusado não significa consentimento para a prática de ato sexual em circunstâncias nas quais a vítima estava inconsciente ou incapaz de oferecer resistência.

Os desembargadores J. E. S. Bittencourt Rodrigues e Heitor Donizete de Oliveira acompanharam o voto da relatora.



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Agrogalaxy adia novamente divulgação de demonstrações financeiras

A distribuidora de insumos Agrogalaxy, em recuperação judicial desde 2024, informou nesta sexta-feira (31) o adiamento da divulgação de suas demonstrações financeiras referentes ao quarto trimestre de 2025 e ao exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025. Os documentos, que estavam previstos para serem publicados nesta sexta (31), serão divulgados em 31 de agosto, segundo comunicado da companhia na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Segundo comunicado ao mercado, a companhia também adiou a divulgação do Formulário de Referência de 2025, que agora está prevista para 30 de setembro. A empresa informou que a alteração busca manter o alinhamento entre as demonstrações financeiras auditadas e os demais documentos periódicos obrigatórios.

Com a mudança no cronograma, a Agrogalaxy também revisou as datas de divulgação das informações financeiras de 2026. Os resultados do primeiro trimestre serão publicados em 30 de setembro, enquanto os do segundo trimestre estão previstos para 30 de outubro.

No comunicado, a companhia afirmou que o prazo adicional é necessário em razão das reestruturações internas em andamento. De acordo com a empresa, a postergação permitirá “assegurar a qualidade, a precisão e a conformidade das informações financeiras”, além do “atendimento aos requisitos técnicos aplicáveis”.

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Ventania expõe falhas na resposta a extremos climáticos no Brasil antes do El Niño


Nos últimos dias, ventos acima de 100 quilômetros por hora (km/h) provocaram mortes e transtornos generalizados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Para especialistas em clima e meio ambiente, o fenômeno expôs, mais uma vez, que as cidades brasileiras não estão preparadas para lidar com eventos climáticos extremos.

A preocupação é ainda maior com a previsão de que, ao longo do segundo semestre deste ano, o país sofra com impactos de intensidade moderada a muito forte por causa do fenômeno El Niño.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão inclui chuvas excessivas, secas severas e ondas de calor, a depender da região.

Para o professor de Ciências Ambientais da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Pedro Torres, a gestão das cidades é apenas reativa diante dos fenômenos extremos e ignora riscos futuros.

O pesquisador também integra o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), principal órgão científico global da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Se entendemos que estamos vivendo uma emergência climática, as ações para a adaptação precisam também entrar nessa seara da emergência. Eventos extremos vão acontecer cada vez mais e com mais intensidade. Não se trata apenas de ter um melhor alerta. O desafio agora é construir cidades mais resilientes.”

Etapas

O porta-voz da Frente de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Rodrigo Jesus, diz que a gestão de riscos precisa considerar três etapas complementares para ser eficiente.

Não basta a previsão meteorológica e a emissão de alertas, se as cidades não tiverem estruturas adaptadas para lidar com o problema quando ele acontece.

“A maior atenção tem que ser dada em como a cidade está sendo pensada para proteger as pessoas. Eventos extremos serão o nosso normal a partir de agora”, diz Rodrigo.

“A gente precisa priorizar a prevenção e o pós-desastre justamente para, quando a emergência chegar, não ficar perdido tentando saber o que fazer”.

Alertas

No Rio de Janeiro, os alertas sobre ventos fortes foram emitidos pouco tempo antes do início do fenômeno na quarta-feira (29). O que levantou questionamentos sobre a eficácia do monitoramento meteorológico e da comunicação à população.

Segundo o Centro de Operações da Prefeitura do Rio (COR-Rio), o Sistema Alerta Rio emitiu um aviso meteorológico às 14h15 com informações sobre a possibilidade de rajadas atingirem a cidade do Rio a partir da tarde.

“A partir do momento em que foram identificadas rajadas intensas de vento, os avisos foram emitidos via SMS e WhatsApp para todos os moradores cadastrados no Sistema de Avisos”, diz a nota do COR-Rio.

Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Civil (Sedec-RJ), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden-RJ) emitiu alerta às 15h30 sobre a possibilidade de rajadas de vento moderados ou fortes nas regiões Costa Verde, Sul Fluminense, Baixada Fluminense, Metropolitana, Baixadas Litorâneas e Norte Fluminense.

“Quarenta e quatro prefeituras têm autonomia para emitir as mensagens via SMS diretamente à população. Os demais [48] são cobertos pelos serviços da Sedec-RJ, que efetua o envio dos avisos dentro dos protocolos estabelecidos pelo Sistema Estadual de Proteção e Defesa Civil”, diz a nota da Sedec-RJ.

Segundo o especialista do Greenpeace, Rodrigo Jesus, a ventania que atingiu o Rio de Janeiro pode ser considerada um fenômeno de evolução rápida, que traz alguma margem de incerteza para a meteorologia.

Porém, a pergunta central não deve ser se a previsão acertou a velocidade exata do vento, mas sim se a cidade conseguiu responder rapidamente e proteger a população diante de um evento grave.

“A imprevisibilidade meteorológica não deve ser justificativa para que a gente não tenha uma cidade preparada. O limite não é da tecnologia, o limite é justamente da política pública e dos gestores públicos”, analisa Rodrigo.

Adaptação das cidades

Além das mortes, os transtornos da ventania no Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul envolveram quedas de árvores, apagões de energia para milhares de pessoas e paralisação no transporte público.

Para o especialista do Greenpeace, estes problemas que poderiam ser evitados com um planejamento adequado. Entre as medidas apontadas estão o manejo preventivo da arborização urbana, a modernização da rede elétrica, a atualização dos mapas de risco, a revisão dos planos de adaptação climática e a incorporação do risco climático em projetos de infraestrutura.

“Todos os projetos aprovados pelas secretarias de obras deveriam passar por uma avaliação sobre como aquela intervenção contribui para proteger a população diante das mudanças climáticas”, defende Rodrigo.

Ele também entende que concessionárias privadas responsáveis por serviços públicos, como energia elétrica, precisam apresentar planos de gestão de risco.

“A prefeitura precisa ficar atenta aos contratos de concessão e verificar se a empresa privada está apresentando o plano de mitigação de manejo de risco diante dessas situações”, diz.

Para o professor Pedro Torres, uma das medidas que podem fortalecer a adaptação das cidades é a criação de abrigos climáticos.

“Seriam espaços para proteger as pessoas durante um evento extremo. Eles também podem funcionar como locais de cultura, debate e informação, onde a população aprende sobre os riscos climáticos e fortalece essa cultura do risco e da prevenção”, analisa.

Educação para o risco

Além da adaptação física das cidades, os especialistas defendem investimentos permanentes em educação ambiental e formação da população para situações de emergência.

Para o professor Pedro Torres, o Brasil ainda apresenta um déficit nesse tema. Segundo ele, esse processo depende de ações permanentes de educação e conscientização, envolvendo escolas, universidades, empresas e o poder público.

“Os próprios alertas muitas vezes não são levados a sério. Isso revela uma falta de cultura do risco que precisa ser trabalhada desde cedo”, diz o pesquisador.

Para Rodrigo Jesus, o Brasil deveria seguir o exemplo de países frequentemente atingidos por desastres naturais, como Japão e Filipinas, que incorporaram protocolos de emergência ao cotidiano da população por meio de campanhas permanentes, simulados e atividades nas escolas.

“A gente aprende desde cedo como agir em um incêndio ou em um acidente de trânsito. Mas poucas pessoas recebem orientação sobre como agir diante de uma ventania extrema, uma onda de calor ou uma inundação”, diz o especialista.



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Irani Papel tem queda de 72,4% no lucro líquido do segundo trimestre

A Irani Papel e Embalagens registrou lucro líquido de R$ 30,9 milhões no segundo trimestre, resultado 72,4% inferior ao apurado no mesmo período do ano anterior.

A receita líquida de vendas somou R$ 431,8 milhões entre abril e junho, crescimento de 4,4% na comparação anual. 

No mercado interno, as vendas alcançaram R$ 397 milhões, alta de 7,5% em relação ao segundo trimestre de 2025. As vendas ao mercado externo, no entanto, registraram queda de 21,6% na mesma base de comparação, totalizando R$ 34,8 milhões.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado das operações continuadas foi de R$ 131,6 milhões, avanço de 3,2% em relação ao trimestre anterior. A companhia informou que, após o encerramento das atividades do negócio de resinas em 2025, os resultados passaram a priorizar as operações continuadas, com os períodos anteriores ajustados para fins de comparabilidade.

Segundo a empresa, o segundo trimestre foi marcado pela normalização das operações após as paradas programadas realizadas nos três primeiros meses do ano. A produção total de papéis para embalagens sustentáveis, incluindo papéis flexíveis e rígidos, cresceu 5,3% em relação ao segundo trimestre de 2025, atingindo o maior volume trimestral da história da companhia.

A Irani atribuiu o desempenho à evolução da produção da Máquina de Papel 05, principal etapa do Projeto Gaia XI, com avanço gradual da curva de ramp-up e captura de ganhos de produtividade e eficiência.

Ao fim do trimestre, a companhia encerrou o período com alavancagem de 2,07 vezes, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado.

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Chuvas atrasam colheita de uvas para vinhos de inverno em MG e SP

As chuvas acima da média registradas durante o outono e o inverno atrasaram a maturação das uvas destinadas à produção dos chamados vinhos de inverno em Minas Gerais e São Paulo. Com isso, parte das vinícolas precisou adiar o início da colheita da safra de 2026.

Em São Paulo, a Philosophia Wines, em São Roque, iniciará apenas na próxima terça-feira a colheita das uvas destinadas aos seus vinhos. Segundo o sócio da vinícola e presidente da Associação Nacional dos Produtores de Vinho de Inverno (Anprovin), Cláudio Góes, o calendário foi adiado em razão das condições climáticas registradas nos últimos meses.

O início da vindima será na próxima segunda-feira (3). Geralmente, as vinícolas iniciam suas colheitas na primeira quinzena de julho.

O mesmo cenário também foi observado em Minas Gerais. De acordo com o engenheiro agrônomo Murilo Regina, um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento da técnica da dupla poda no Brasil, o excesso de nebulosidade e de chuvas durante o período de maturação retardou a evolução das uvas em diferentes vinhedos do Sul do estado.

“O atraso de maturação é devido a um outono-inverno com dias mais nublados e mais chuvosos. O volume de chuva registrado no Sul de Minas foi bem superior aos anos normais para esse período. E isso vai, sim, atrasar a maturação”, afirmou à CNN.

Apesar da mudança no calendário, produtores e especialistas afirmam que o cenário não compromete a expectativa para a safra. Diferentemente do modelo tradicional de cultivo da videira, a técnica da dupla poda permite maior flexibilidade para definir o momento da colheita, já que as uvas podem permanecer por mais tempo na planta até atingirem o ponto ideal de maturação.

Na prática, a dupla poda transfere o ciclo produtivo da videira para os meses mais secos do ano, reduzindo a exposição das uvas às chuvas de verão e ampliando a janela para a vindima. Assim, um atraso provocado por menor incidência de sol, temperaturas mais amenas ou maior nebulosidade tende a ser absorvido sem prejuízos significativos à produtividade ou à qualidade das uvas.

O cenário é diferente do observado na Serra Gaúcha, principal região vitivinícola do país. Como a colheita ocorre durante o verão, chuvas próximas à vindima podem acelerar a deterioração dos cachos e obrigar os produtores a antecipar a colheita antes da maturação ideal.

A safra de vinhos de inverno deve render cerca de 4,5 mil toneladas de uvas viníferas neste ano, alta de aproximadamente 15% em relação ao ciclo anterior, principalmente por conta do aumento do número de hectares plantados.

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Importação de trigo será recorde, mas qualidade é problema maior que volume | Blogs | CNN Brasil

A redução da safra brasileira de trigo em 2026 deve levar o país a registrar um volume recorde de importações do cereal. Com uma produção estimada em cerca de 6 milhões de toneladas e um consumo interno próximo de 14 milhões de toneladas, o Brasil deverá importar pelo menos 8 milhões de toneladas para atender a demanda doméstica, segundo projeções do analista da Safras & Mercado, Elcio Bento. 

Caso parte da produção nacional apresente perdas de quantidade ou qualidade, o volume pode ser maior. E isso é bastante possível, uma vez que o fenômeno El Niño provoca maiores chuvas no sul do país, principal região produtora, aumentando a incidência de doenças e derrubando a quali7,4dade no momento da colheita. Na estimativa do analista, se o cenário se confirmar, a necessidade de importação pode subir para entre 9 milhões e 10 milhões de toneladas

Se confirmada, a importação superará o maior volume já registrado pelo país, de 7,4 milhões de toneladas na temporada 2006/07, segundo Bento. 

As estimativas ocorrem em um momento em que a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) projeta queda de 23,5% na produção brasileira de trigo em relação ao ciclo anterior. Para a Companhia, a menor oferta doméstica deverá elevar as importações em cerca de 1,9 milhão de toneladas em 2027.

“O Brasil não é autossuficiente em trigo e, por isso, qualquer turbulência externa tem impacto direto sobre custos, disponibilidade e previsibilidade do abastecimento”, afirma o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Rubens Barbosa.

Além do maior volume de compras externas, representantes do setor afirmam que a preocupação está na qualidade do trigo disponível no mercado internacional. O Brasil depende principalmente da Argentina para abastecer seus moinhos, mas a safra recorde do país vizinho em 2025/26 apresentou níveis mais baixos de proteína e glúten, características essenciais para a produção de farinha destinada à panificação.

A safra argentina 2025/26 alcançou quase 30 milhões de toneladas. Mas, segundo Bento, “a abundância em quantidade não se reflete em qualidade. Os moinhos brasileiros têm encontrado dificuldade porque o trigo argentino não ajuda a melhorar a qualidade do trigo brasileiro como normalmente acontece”.

Em anos de produção normal, os moinhos costumam misturar o trigo nacional ao cereal argentino para obter padrões industriais específicos. Com uma safra doméstica menor e um produto importado de qualidade inferior à habitual, esse processo tende a se tornar mais complexo, segundo o analista.

Para a próxima safra argentina, a expectativa ainda é de uma produção elevada, embora inferior ao recorde do ciclo anterior. A principal incerteza, segundo Bento, permanece relacionada às características do trigo que será colhido, e não necessariamente ao volume disponível para exportação.

Diante desse cenário, o setor acompanha alternativas de abastecimento fora da Argentina. O trigo russo aparece como uma das principais opções em termos de oferta mundial, mas enfrenta restrições fitossanitárias que limitam sua distribuição para parte do território brasileiro. Atualmente, esse cereal pode abastecer principalmente moinhos localizados no Norte e Nordeste, enquanto regiões do Sul e parte do Sudeste permanecem sujeitas às restrições.

Outra alternativa é o trigo hard produzido nos Estados Unidos, reconhecido pela qualidade industrial. Segundo Bento, porém, esse produto está sendo comercializado a preços superiores aos praticados normalmente, o que pode elevar os custos de aquisição para os moinhos brasileiros. Paraguai e Uruguai também figuram entre os fornecedores do Mercosul, mas possuem menor capacidade de oferta e dificilmente compensariam uma eventual redução do trigo argentino disponível ao Brasil.

“Estamos diante de um cenário que combina menor oferta interna, maior necessidade de importação e custos internacionais mais elevados. Isso aumenta significativamente a complexidade da operação das indústrias moageiras”, afirma Barbosa.

Apesar da maior dependência das importações, Bento avalia que a taxa de câmbio tem contribuído para reduzir parte da pressão sobre os custos das compras externas. Ainda assim, ele considera que a combinação de uma produção menor no Brasil e de um mercado internacional mais firme tende a sustentar preços mais elevados ao longo da temporada.

“O fator cambial ajuda a amenizar parte dessa pressão, mas o Brasil entra em um ano de maior dependência das importações em um mercado internacional mais apertado. Isso tende a manter os preços em níveis mais altos”, afirma.

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Milho recua em Chicago com mercado atento ao clima e à oferta global

Os preços do milho encerraram a sessão desta quinta-feira (30) em baixa na Bolsa de Chicago, em um mercado que segue acompanhando as condições climáticas nos Estados Unidos e a evolução da oferta global do cereal.

O contrato futuro com vencimento em dezembro recuou 0,69%, encerrando o dia cotado a US$ 4,68 por bushel.

Segundo análise da Royal Rural, embora o clima nas lavouras norte-americanas continue no radar dos investidores, o mercado também monitora o avanço da colheita na Argentina e no Brasil. A oferta dos principais exportadores influencia diretamente a formação dos preços internacionais, já que Chicago reflete o equilíbrio entre produção, exportações e disponibilidade física do grão em nível global.

As atenções agora se voltam para os próximos relatórios oficiais de oferta e demanda. No dia 12 de agosto, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgará uma nova atualização das estimativas de produção, estoques e consumo mundiais. Já em 13 de agosto, será a vez da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) apresentar sua revisão para a safra brasileira.

De acordo com a Royal Rural, os dois levantamentos são considerados decisivos para o mercado e podem provocar forte volatilidade tanto nas cotações da Bolsa de Chicago quanto na formação dos preços do milho no mercado brasileiro.

Soja

Os preços da soja fecharam em baixa na Bolsa de Chicago, pressionados pelas previsões de chuvas para importantes áreas produtoras dos Estados Unidos e pela continuidade das vendas por parte dos fundos de investimento.

O contrato futuro com vencimento em novembro recuou 0,34%, encerrando o pregão cotado a US$ 11,88 por bushel.

Segundo análise da Granar, as precipitações registradas nas Grandes Planícies Centrais e no estado de Iowa melhoraram as perspectivas para as lavouras norte-americanas. A previsão é de que esse sistema avance nos próximos dias para o cinturão central e leste de produção de soja e milho, beneficiando as áreas que enfrentaram temperaturas acima da média durante o período crítico de floração.

Apesar da expectativa de alívio com as chuvas, o monitoramento da seca nos Estados Unidos continua indicando deterioração das condições em parte do Meio-Oeste. O levantamento mais recente mostrou aumento da área com seca moderada, de 12,9% para 21,52%, e da área com seca severa, de 3,35% para 6,89%.

Refletindo esse cenário, o USDA elevou de 18% para 26% a parcela da área cultivada com soja afetada por algum nível de seca. Mesmo assim, o mercado interpretou que as previsões de precipitações nos próximos dias podem limitar perdas produtivas, o que contribuiu para a queda das cotações em Chicago.
Trigo

Os preços do trigo fecharam em alta na Bolsa de Chicago, sustentados pelo aumento das tensões geopolíticas na região do Mar Negro, um dos principais corredores de exportação de grãos do mundo.

O contrato futuro com vencimento em setembro avançou 0,42%, encerrando o pregão cotado a US$ 6,63 por bushel.

Segundo análise da Granar, embora o mercado tenha devolvido parte dos ganhos registrados no início do dia, as cotações permaneceram no campo positivo diante da preocupação com possíveis impactos sobre o comércio internacional de grãos. Durante a sessão noturna, os preços chegaram a subir cerca de US$ 9 por tonelada.

O movimento foi provocado pela intensificação dos ataques da Ucrânia contra alvos estratégicos da Rússia na região do Mar Negro. Entre os principais episódios está o ataque com drones ao porto de Taman, na região de Krasnodar, que atingiu um terminal de exportação de grãos da Demetra, uma das maiores empresas agrícolas russas. Segundo a Reuters, a estrutura sofreu danos considerados significativos.

Na mesma região, também foi alvo uma unidade de exportação de óleo de girassol da Efko, uma das maiores processadoras de alimentos e produtos agrícolas da Rússia.

Os ataques se somam ao bombardeio registrado na véspera contra uma refinaria da Lukoil, em Perm, que interrompeu as operações de uma importante unidade de processamento de petróleo do país. Além disso, novas ofensivas contra embarcações russas nos mares de Azov e Negro reforçaram as preocupações com a segurança da logística regional.

Para o mercado, a escalada dos conflitos aumenta o risco de interrupções nas exportações de grãos pelo Mar Negro, fator que segue oferecendo suporte às cotações internacionais do trigo.

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GTF amplia exportações de farinhas de aves para Argentina e México

A GTF ampliou seu acesso ao mercado internacional após obter novas habilitações sanitárias para exportar farinhas e óleo de aves à Argentina e farinhas de aves ao México. As autorizações contemplam as unidades de Maringá e Paranavaí, no Paraná, e reforçam a estratégia de expansão da companhia na América Latina.

Com a decisão, as fábricas de Maringá e Paranavaí passam a estar autorizadas a exportar farinhas e óleo de aves para a Argentina. Além disso, a unidade de Maringá recebeu aval para embarcar farinhas de aves ao mercado mexicano, ampliando o portfólio de destinos atendidos pela empresa na região.

As habilitações representam um avanço na estratégia de internacionalização da GTF e se somam à recente retomada das exportações de farinhas de origem animal para o Paraguai, ampliando a presença da companhia em mercados latino-americanos.

Segundo a empresa, as autorizações refletem o atendimento aos requisitos sanitários e de qualidade estabelecidos pelos países importadores. A planta de Maringá opera sob o SIF (Serviço de Inspeção Federal) nº 4198, enquanto a unidade de Paranavaí possui o SIF nº 1880, certificações que atestam o cumprimento dos padrões exigidos para o comércio internacional.

Em nota, a GTF destacou que as novas habilitações reforçam o compromisso da companhia com a segurança dos alimentos, a rastreabilidade e a eficiência operacional, pilares considerados estratégicos para ampliar sua competitividade no mercado externo.

A empresa atualmente exporta produtos para mais de 100 países, com presença em mercados da América Latina, Oriente Médio, África do Sul e Ásia, incluindo China e Japão. A ampliação das habilitações fortalece a diversificação dos destinos das exportações e reduz a dependência de mercados específicos.

Para o CEO da GTF, Rafael Tortola, as novas autorizações representam mais um passo no plano de crescimento internacional da companhia.

“As novas habilitações para Argentina e México representam avanços importantes na estratégia de internacionalização da GTF. Estamos ampliando nossa presença na América Latina e levando produtos desenvolvidos com excelência em processos, segurança e inovação para novos mercados”, afirmou.

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