O presidente do Fórum Econômico Mundial, Alois Zwinggi, disse que enxerga a Inteligência Artificial (IA) como uma forma de reduzir custos de produção no agronegócio brasileiro. A fala foi uma resposta de Zwinggi à EXAME durante uma coletiva de imprensa após uma reunião do Fórum realizada no Panamá, nesta semana.
“Quando se tem um mercado tão grande, como matérias-primas tão importantes como é o caso do Brasil, há muitas oportunidades”, disse ele. Zwinggi fez uma comparação com o modelo adotado na Índia, onde a IA já tem um impacto positivo na agricultura.
O Brasil avança no uso de IA. O país, por exemplo, é um dos principais mercados de empresas como a Open AI, que criou o ChatGPT. Mas o agro brasileiro ainda passa por um desafio anterior de garantir conectividade estável para uma boa parte das fazendas brasileiras.
A dificuldade está na instalação de infraestrutura necessária para o funcionamento da IA, principalmente em áreas consideradas mais remotas. Além disso, para funcionar, esses sistemas precisam de uma grande disponibilidade de dados para a análise, o que ainda é escasso no cenário brasileiro.
“Essa tecnologia pode otimizar o uso de água, de fertilizantes e vai muito além do fluxo de materiais. É possível otimizar os custos de produção. Então, isso pode ser uma oportunidade para o Brasil, considerando a situação tão importante da agricultura nesse país”, afirmou Zwinggi.
Análises da consultoria McKinsey & Company mostram que a economia pode ser entre 10% e 20% no custo operacional de uma fazenda, por exemplo. Em áreas mais específicas, como defensivos e herbicidas, a redução dos custos pode chegar a 90%, sendo o setor mais beneficiado pela IA no agro.
Como funciona na Índia
Alois Zwinggi comparou o potencial do Brasil com a realidade da Índia, onde o foco é o desenvolvimento de sistemas de suporte e agricultura de precisão desenhados especificamente para a realidade dos pequenos agricultores.
A startup indiana Fasal, especializada em automação agrícola, usa algoritmos de IA para o processamento de informações de sensores de solo para recomendar cronogramas precisos de irrigação. Em vilarejos do estado de Karnataka, a adoção desses sistemas inteligentes resultou em uma economia de água entre 30% e 40%.
Outra aplicação importante na Índia é no controle de pragas nas plantações. O Instituto Indiano de Tecnologia de Mumbai criou um modelo de IA que permite que o produtor tire uma foto da lavoura com o celular e receba imediatamente a identificação de pragas e doenças na lavoura.
Fórum Econômico Mundial no Panamá
O Fórum Econômico Mundial realizou entre os dias 21 e 22 de outubro uma reunião de estratégia no Panamá, no que é considerado uma preparação para o evento principal de Davos, que ocorre em janeiro do ano que vem, na Suíça.
A reunião desta semana contou com a participação de líderes de 27 empresas e com um representante do presidente panamenho, José Raúl Mulino. Foram discutidos temas como a Inteligência Artificial, infraestrutura energética, logística, comércio internacional, sustentabilidade e o próprio Canal do Panamá, por onde passaram 521 milhões de toneladas de carga no ano fiscal de 2026.
Ao conversar com jornalistas, o presidente do Fórum Econômico Mundial destacou a realização do evento após um tempo difícil no Panamá, se referindo ao terremoto que atingiu o país no início deste mês e deixou dezenas de feridos. Ele disse que se trata de uma “prova da resiliência” do povo panamenho diante de crises.
Sobre os fluxos globais de investimento, Zwinggi afirmou que os investidores buscam um “marco estrutural previsível, regras claras e estabilidade política” para tomar decisões de longo prazo.
Fonte: Diego Pavão (Exame) com adaptações da MundoCoop
O terceiro impeachment de Donald Trump pode estar entre as consequências de uma eventual derrota do Partido Republicano nas Midterms, as Eleições de Meio de Mandato.
O próprio presidente dos Estados Unidos se mostrou preocupado com a possibilidade durante um evento com republicanos do Congresso em janeiro deste ano: “Temos que ganhar as Midterms, porque, se não ganharmos, eles vão encontrar um jeito de fazer um impeachment. Eu vou sofrer um impeachment”, afirmou.
Nos EUA, diferentemente do que acontece no Brasil, a aprovação de um impeachment não equivale necessariamente à remoção do presidente do cargo.
Pela legislação americana, basta uma votação de maioria simples na Câmara dos Deputados para aprovar o impeachment, mas a remoção do cargo só acontece com a condenação por dois terços do Senado.
Nos dois impeachments que sofreu, Trump foi inocentado pelos senadores.
Assim, esses episódios exemplificam a importância para a oposição de conquistar ambas as casas do Congresso, segundo Hans Noel, professor da Universidade de Georgetown, em Washington.
“Se os democratas querem responsabilizar e punir o governo Trump por coisas que, segundo eles, o governo está fazendo errado, então é de se imaginar um impeachment contra o próprio Trump ou outros integrantes do governo”, destaca Noel.
“Para isso, é preciso ter a maioria na Câmara e a supermaioria do Senado, então as duas casas importam”, pondera.
O professor também lembra que Câmara e Senado têm outras responsabilidades distintas: é papel dos deputados elaborar projetos de lei de tributação, enquanto os senadores aprovam as indicações do presidente para diversos cargos, por exemplo.
A dinâmica das disputas nas duas casas é diferente, mas tende a ser perigosa para o partido que estiver no poder: em 20 das últimas 22 Midterms, o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara. Já a situação no Senado depende dos estados em que as disputas acontecem a cada dois anos.
Em geral, as Eleições de Meio de Mandato são vistas como um referendo sobre as ações do presidente norte-americano.
A baixa popularidade de Trump, que chegou a 32% em outubro, segundo pesquisa Reuters/Ipsos, aponta para uma vitória da oposição — mas democratas também enfrentam seus problemas, principalmente devido à fragmentação do partido.
Se o Partido Democrata for, de fato, capaz de fazer uma boa eleição, os panoramas possíveis dependem de algumas variáveis:
se ele conseguirá, de fato, virar a maioria em ambas as casas, ou apenas na Câmara ou no Senado (esta última opção sendo um pouco mais improvável)
e qual será o tamanho dessa maioria
Quanto maior a presença da oposição no Congresso, menor a governabilidade de Donald Trump, ou seja, mais dificuldade para implementar suas medidas ele enfrentará.
A tendência é de que seja um cenário parecido com o da segunda metade do primeiro governo Trump, quando democratas travavam a aprovação de projetos e abriram uma série de investigações sobre o governo federal — resultando nos processos de impeachment.
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Desembargador Dorival Renato Pavan ficará à frente do Executivo estadual até sexta-feira (6); motivos das ausências do governador e do vice não foram divulgados.
O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), desembargador Dorival Renato Pavan, assumiu interinamente o governo do Estado neste domingo (1º), após o afastamento simultâneo do governador Eduardo Riedel (PP), do vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha (Republicanos), e do presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro (PP).
A substituição terá duração de seis dias, com previsão de encerramento na próxima sexta-feira (6). A medida segue a ordem sucessória estabelecida pela Constituição Estadual.
Em comunicado encaminhado à Assembleia Legislativa, Riedel informou que permanecerá licenciado entre 1º e 6 de novembro, período em que poderá realizar viagens para outros estados ou ao exterior. O documento também registra a ausência de Barbosinha nas mesmas datas.
Como Gerson Claro, segundo na linha de sucessão, também comunicou seu afastamento, a responsabilidade de comandar o Executivo passou ao presidente do Tribunal de Justiça.
O Governo do Estado não esclareceu os motivos das licenças de Riedel e Barbosinha. Já a assessoria de Gerson Claro justificou a ausência do parlamentar por compromissos de agenda.
A posse temporária de Pavan tem respaldo no artigo 87 da Constituição de Mato Grosso do Sul, que determina a transferência do comando do Executivo ao presidente da Assembleia Legislativa e, na impossibilidade deste, ao presidente do Tribunal de Justiça, quando governador e vice estiverem impedidos de exercer suas funções.
As Eleições de Meio de Mandato nos Estados Unidos devem trazer mudanças no controle do Congresso americano e limitar o poder de Donald Trump nos dois últimos anos do seu mandato, com impactos sobre a economia.
Apesar de historicamente a bolsa americana subir após as Midterms por causa da redução das incertezas, especialistas consultados pela CNN Brasil acreditam que menos poder no Capitólio pode trazer volatilidade e dificultar a aprovação de reformas voltadas a solucionar os problemas fiscais enfrentados pelo país hoje.
O partido que está na presidência costuma perder assentos na Câmara dos Representantes nas Midterms. Desde a Segunda Guerra Mundial essa tendência não se confirmou apenas em duas eleições: em 1998, com o democrata Bill Clinton, e em 2002, com o republicano George W. Bush.
Com a aprovação de Trump em 32%, o menor patamar de seus dois mandatos, segundo pesquisa da CNN, a perda de assentos republicanos neste ano pode ser ainda maior.
Segundo Clifford Young, diretor de pesquisas da Ipsos, os democratas têm uma probabilidade de 85% de conquistar a maioria na Câmara dos Representantes e de 60% no caso do Senado.
Com um Congresso rachado, Trump teria dificuldade para aprovar novos cortes de impostos para empresas, por exemplo. E os democratas não conseguiriam aprovar um projeto de taxação de bilionários, porque o presidente certamente usaria seu poder de veto.
Para Wall Street, menos mudanças na legislação podem significar mais previsibilidade no curto prazo, segundo um relatório da corretora Charles Schwab.
Os economistas preveem uma situação de paradoxo na economia: sem grandes reformas, Wall Street pode sentir alívio com a redução da incerteza e o cenário mais previsível, mas o eleitor deve seguir insatisfeito com a crise do custo de vida.
A previsibilidade também não é garantia de mais estabilidade fiscal, segundo Thiago de Aragão, CEO da consultoria Arko Internacional.
“Pode ficar mais difícil aprovar novos cortes de impostos ou aumentos de gastos, mas o déficit continua lá, assim como as brigas pelo orçamento”, avalia Aragão. “O mercado pode gostar de ter menos mudanças pela frente, mas daí a isso trazer tranquilidade para os juros tem uma boa distância”, conclui.
O déficit fiscal americano – saldo negativo entre as receitas e as despesas – ficou em US$ 1,99 trilhão no ano fiscal de 2026, que terminou em setembro. É o terceiro maior déficit anual da história dos EUA, atrás apenas dos anos de pandemia, em 2020 e 2021.
A dívida federal em poder do público do país (que exclui os valores que o governo deve a seus próprios órgãos) chegou a US$ 32,5 trilhões e ultrapassou o tamanho da economia dos EUA pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.
Sem a perspectiva de reformas estruturais, por causa da falta de consenso, não há expectativas de grandes mudanças na trajetória de gastos e da dívida. E a política tarifária de Donald Trump também não foi capaz de reduzir o déficit dos Estados Unidos, como esperava o presidente.
O desequilíbrio das contas públicas leva investidores a exigirem mais retornos para aplicar no país, até mesmo na maior economia do mundo.
Se os democratas de fato tiverem mais poder no Congresso, as disputas pelo orçamento podem se ampliar e provocar novos “shutdowns“, as paralisações da máquina pública que interrompem serviços do governo. A instabilidade poderia elevar ainda mais a percepção de risco.
A inflação pressionada, em 3,7% nos 12 meses até setembro, tem atrasado a redução dos juros que era esperada após a pandemia. A taxa básica do país segue elevada, na faixa de 3,75% a 4%, e encarece o custo dos empréstimos.
Se o conflito no Irã se prolongar ainda mais ou se agravar, o petróleo pode continuar pressionado, mantendo a inflação elevada. Fontes relataram à CNN que Trump pode estar apenas esperando as Midterms passarem para retomar os ataques, ainda que uma decisão final não tenha sido tomada.
Reação de Trump pode trazer mais volatilidade
Além das complexidades do ponto de vista econômico, a turbulência política pode tornar o cenário mais nebuloso.
Especialistas avaliam que se os republicanos perderem espaço no Congresso, Trump pode tentar governar ainda mais por meio de medidas unilaterais, principalmente em áreas como tarifas e imigração.
Um governo Trump sem maioria no Congresso, portanto, pode significar menos mudanças nas leis, mas possivelmente mais imprevisibilidade nas decisões da Casa Branca.
“Minha aposta é que ele [Trump] tentaria compensar a perda de espaço no Congresso nas áreas em que consegue agir por conta própria, dentro dos limites legais e ilegais. E politicamente teria incentivo para isso: mostrar força e jogar nos democratas a responsabilidade pelo que não consegue entregar”, afirma Thiago de Aragão.
Um Congresso mais democrata também poderia iniciar investigações contra o presidente e até abrir um processo de impeachment.
Como só um terço do Senado é renovado agora, seria matematicamente impossível a oposição alcançar a maioria qualificada de 67 senadores para aprovar um impeachment. Não haveria uma destituição, mas o espetáculo político seria o suficiente para trazer mais turbulência.
James Henson, professor da Universidade do Texas, acredita que o resultado das Midterms pode deixar o governo Trump em uma situação que acontece tipicamente quando se sabe que o presidente não voltará ao cargo: ele se torna um ‘pato manco’, alguém que está na presidência, mas tem governabilidade.
É nesse contexto de perda de poder que as reações unilaterais podem se tornar mais frequentes, segundo Henson: “Isso [derrota republicana] tem o potencial de tornar Trump mais perigoso, em termos de seu desejo de agir fora do processo e de violar as normas da política e da democracia que existem há muito tempo nos Estados Unidos”, diz.
Uma vitória democrata poderia ter consequências ainda no setor privado. Com o controle da Câmara, espera-se que a oposição aumente a fiscalização sobre empresas de tecnologia. E essas investigações podem impactar o boom da inteligência artificial, que vem sustentando o avanço da economia e da bolsa.
Presidente dos EUA, Donald Trump • REUTERS
Mercado pode ter alívio temporário
Apesar de todas as incertezas, os índices acionários costumam subir após as Midterms porque uma parte das dúvidas se dissipa.
Segundo a Charles Schwab, desde 1974, o S&P 500, principal índice da bolsa americana, subiu em média 12% nos seis meses seguintes às Eleições de Meio de Mandato. E teve retorno positivo nas 13 eleições desde então.
Mas como diz uma máxima muito usada nas finanças: “resultado passado não é garantia de retorno futuro”.
Thiago de Aragão afirma que a sequência positiva não significa que a eleição, sozinha, tenha provocado as altas. “Acho perfeitamente possível Wall Street comemorar um Congresso dividido e, pouco depois, voltar a se preocupar com inflação, juros ou alguma decisão do próprio Trump. O alívio com o resultado pode chegar antes de ficar claro como ele vai governar com esse resultado”, pondera.
Economistas também afirmam que no fim das contas, quem controla o Congresso importa, mas não determina sozinho o futuro da economia.
O conflito no Irã e seus efeitos sobre a inflação, as decisões do Federal Reserve sobre os juros e o desempenho do mercado de trabalho continuam sendo fatores fundamentais.
A estimativa de uma alíquota de 11,3% para a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) em 2027 surpreendeu o setor de transportes e elevou a preocupação com os efeitos da reforma tributária sobre os custos das operações.
O percentual calculado pelo TCU (Tribunal de Contas da União) ficou acima das projeções iniciais do mercado, que esperava uma taxa entre 9% e 9,5%.
A CBS vai substituir o PIS e a Cofins, tributos que hoje somam 9,25% no regime não cumulativo e 3,65% no cumulativo. A alíquota de 11,3%, caso confirmada, também pode levar a tributação conjunta da CBS e do futuro IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) para perto de 30% quando o novo sistema estiver plenamente implementado.
O percentual ainda é uma referência e será encaminhado ao Senado, que tem até 22 de dezembro para fixar a alíquota. Mesmo assim, a estimativa já acendeu um alerta entre empresas e especialistas, especialmente nos segmentos que não contam com benefícios setoriais.
No transporte de cargas, nos portos e na aviação fora das rotas regionais, a expectativa é de aplicação da alíquota cheia de 11,3%, caso o número seja confirmado. A advogada tributarista Gabriela Maciel, fundadora e CEO da LIA TAX, afirma que o impacto efetivo, porém, dependerá da capacidade de cada empresa de aproveitar créditos tributários e repassar eventuais custos aos clientes.
Pelo novo modelo, empresas no regime regular poderão descontar créditos da CBS pagos em compras e investimentos, como combustível, peças, manutenção e equipamentos. Assim, a alíquota nominal não representa necessariamente o custo final da operação.
O desenho é diferente entre os segmentos de transporte de passageiros. O transporte coletivo intermunicipal e interestadual e a aviação regional terão redução de 40% na alíquota. O transporte ferroviário urbano terá redução integral, sem direito a créditos, enquanto ônibus e metrôs urbanos operados sob regime público serão isentos.
Concessões rodoviárias e aviação
Entre os segmentos que podem sentir mais pressão estão as concessionárias de rodovias. Segundo Haroldo Bertoni, advogado tributarista e sócio do Toledo Marchetti Advogados, empresas que cobram pedágio diretamente dos usuários, principalmente pessoas físicas, terão dificuldade para compensar o aumento da tributação com créditos.
O efeito tende a ser mais significativo em concessões maduras, que já reduziram o volume de investimentos em obras e têm participação elevada de mão de obra nos custos operacionais. Nesse cenário, a mudança pode provocar pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos junto às agências reguladoras.
A avaliação é que as concessionárias poderão buscar compensações para evitar que o aumento da carga tributária seja repassado diretamente às tarifas de pedágio.
Letícia Queiroz, sócia-fundadora da Queiroz Maluf Reis, também avalia que a estimativa de 11,3% tem repercussão negativa para o setor, por superar as expectativas e indicar um impacto maior sobre os contratos. Segundo ela, nas atividades com preços regulados, como as concessões rodoviárias, a mudança terá reflexos diretos nos processos de reequilíbrio econômico-financeiro.
A advogada afirma que, como a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) já começaram a discutir o tema, há uma sinalização positivo quanto à possibilidade de reequilíbrios cautelares para lidar com os primeiros efeitos da mudança tributária em concessões rodoviárias.
Apesar da previsão de compensação nos contratos, Queiroz afirma que as concessionárias demonstram preocupação com a possibilidade de o reequilíbrio ocorrer por meio de reajustes nas tarifas. A legislação prevê que a recomposição seja feita preferencialmente por ajuste tarifário, o que pode elevar o valor dos pedágios e gerar impactos sobre a demanda e a satisfação dos usuários.
Ferrovias e portos, por outro lado, estão em posição mais favorável para absorver a nova alíquota, segundo Bertoni. Por serem setores intensivos em capital e voltados principalmente ao mercado corporativo e à exportação, poderão aproveitar créditos sobre investimentos em infraestrutura, como malhas ferroviárias, material rodante e dragagem.
O especialista também destaca a manutenção de regimes especiais, como o Reidi (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura) e o Reporto, voltado à modernização portuária e ferroviária. Esses mecanismos suspendem a cobrança de tributos na aquisição de máquinas e equipamentos, o que ajuda a preservar o fluxo de caixa dos projetos.
Na aviação civil, a transição também preocupa. Atualmente, a receita do transporte aéreo regular de passageiros tem alíquota zero de PIS e Cofins. Com a mudança, o setor passará a ter tributação sobre o faturamento a partir de janeiro de 2027.
A aviação regional terá redução de 40% na CBS, o que, considerando a alíquota de referência de 11,3%, resultaria em uma taxa efetiva de aproximadamente 6,78%. Já nas rotas principais, o passageiro de lazer poderá sentir os efeitos da nova tributação, segundo Bertoni.
Outro ponto ainda depende de regulamentação: a definição sobre a aplicação do benefício regional por rota específica ou para toda a malha de companhias com atuação regional. A regra é considerada importante para o planejamento das operações aéreas no próximo ano.
Para os especialistas, a definição da alíquota exigirá que empresas do setor revisem contratos, estruturas de custos e estratégias de precificação antes da entrada em vigor do novo sistema.
O governo federal investiga 189 casos de denúncias de violência, ameaças e intimidações contra povos indígenas em Mato Grosso do Sul durante e após o período eleitoral, segundo dados divulgados neste sábado (31).
Por determinação presidencial, a força-tarefa interministerial composta por Eloy Terena (Povos Indígenas), Janine Mello (Direitos Humanos e da Cidadania do Brasil) e Wellington Cesar Lima (Justiça e Segurança Pública) desembarcou no estado neste sábado para se reunir com autoridades locais e monitorar a situação.
Na avaliação do ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, a presença das autoridadesno estado é fundamental para dar sequência às denúncias.
“A nossa presença foi fundamental para ouvir diretamente das lideranças as denúncias e, posteriormente, a vinda dos ministros representa que o governo federal está com a comunidade indígena e que não vai permitir que os absurdos continuem”, pontuou.
“Traz preocupação o aumento de casos, atos de violência por determinação política. Para nós, é importante receber essas denúncias e dar acompanhamento aos casos. A ideia dessa força-tarefa é manter pelo tempo necessário, que esperamos que seja breve”, destacou.
De acordo com a ministra, o governo já apurou e encaminhou parte das 189 denúncias para os órgãos competentes.
“Parte já está em apuração e parte ainda estamos averiguando. Para nós, é importante que o governo tenha capacidade de receber e apurar essas denúncias”, complementou.
Segundo o secretário-executivo de Justiça e Segurança Pública, Wellington Cesar Lima, a força-tarefa interministerial dialoga com forças de defesa locais, como Polícia Militar e Polícia Civil, e também nacionais, como Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal.
“Teremos um reforço nas forças de defesa aqui, que estão à disposição minuto a minuto para ir in loco onde ocorrerem as ocorrências”, destacou.
“As providências já estão sendo tomadas nos casos e estamos propondo inúmeras iniciativas no campo”, complementou.
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que entrou em vigor provisoriamente em maio deste ano, já apresenta efeitos concretos para o agronegócio brasileiro. Nos primeiros cinco meses de aplicação, as exportações de produtos agropecuários e agroindustriais ao bloco europeu somaram US$ 12,21 bilhões, um crescimento de 14,8% em valor na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O acordo completa seis meses neste domingo (1º).
Depois de mais de 25 anos de negociações, o tratado abriu caminho para a redução de tarifas e ampliou as oportunidades de exportação para empresas brasileiras. A parceria conecta dois grandes mercados, que juntos reúnem cerca de 720 milhões de pessoas e têm um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 22 trilhões. Para o setor produtivo do noroeste paulista, a notícia é relevante: o agronegócio regional pode se beneficiar do acesso facilitado a um dos maiores blocos econômicos do mundo.
Soja, carnes, mel e frutas puxam alta
O crescimento foi impulsionado por diferentes segmentos, como mel, carnes, soja e frutas. Entre os produtos individuais, o abacate e o óleo de milho tiveram algumas das maiores altas percentuais. Os produtos apícolas, principalmente o mel, registraram a maior alta percentual entre os segmentos destacados pelo Ministério da Agricultura: 367% em valor.
Na sequência, aparecem os produtos oleaginosos, exceto soja, com crescimento de 161%. As exportações de carnes avançaram 103,5% em valor e 170% em volume, passando de 101 mil toneladas para 272 mil toneladas. Apesar das altas expressivas em outros segmentos, o complexo soja permaneceu como o principal grupo de produtos exportados pelo agronegócio brasileiro para a União Europeia.
Volume embarcado cresce 8,1%
No período analisado, o Brasil embarcou 17,74 milhões de toneladas de produtos do agronegócio para os 27 países da União Europeia, volume 8,1% superior ao registrado nos mesmos meses de 2025. O dado reforça que o aumento não se restringe a preços, mas também à quantidade exportada. A fonte não detalhou a participação de cada estado nesse total.
Para produtores e cooperativas da região de Araçatuba, Birigui, Penápolis e Andradina, o cenário pode representar novas oportunidades de negócios, especialmente em cadeias como carnes e frutas, que demandam logística e processamento local.
Indústria também registra avanço
Embora o agronegócio seja um dos setores beneficiados, o avanço das exportações também alcançou a indústria. Entre os produtos com crescimento nas vendas estão ferrossilício-manganês, alumínio em bruto, óleos combustíveis e etanol. As exportações de transformadores elétricos, por exemplo, passaram de zero para US$ 39 milhões no período analisado.
Nos cinco primeiros meses de aplicação provisória, as exportações desses itens para a União Europeia avançaram 21%, considerando diferentes setores da economia, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Esse desempenho indica que o acordo pode ter efeitos positivos também para a indústria de transformação, inclusive em polos do interior paulista.
Oportunidades para PMEs do noroeste paulista
Para pequenas e médias empresas da região, o acordo Mercosul-UE pode abrir portas para exportação direta ou indireta, especialmente em nichos como alimentos processados, mel e frutas in natura. Entidades como a ACIA (Associação Comercial e Industrial de Araçatuba) e o Sebrae podem orientar empresários sobre requisitos sanitários e logística para o mercado europeu.
O acordo ainda está em fase de implementação, e a redução tarifária ocorrerá de forma gradual. A fonte não detalhou os prazos específicos para cada produto. No entanto, o desempenho inicial sugere que o bloco europeu pode se tornar um destino ainda mais relevante para as exportações brasileiras nos próximos anos.
Perguntas Frequentes
Qual foi o aumento percentual das exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia nos primeiros seis meses do acordo Mercosul-UE?
As exportações do agronegócio brasileiro para a União Europeia cresceram 14,8% em valor entre maio e setembro de 2026, totalizando US$ 12,21 bilhões.
Quais produtos do agronegócio tiveram as maiores altas percentuais nas exportações para a União Europeia após o acordo?
Os produtos apícolas, principalmente o mel, registraram a maior alta percentual com 367% em valor, seguidos pelos produtos oleaginosos (exceto soja) com 161% e carnes com 103,5% em valor.
Qual foi o volume total de produtos do agronegócio exportados pelo Brasil para a União Europeia no período analisado?
O Brasil embarcou 17,74 milhões de toneladas de produtos do agronegócio para os 27 países da União Europeia, um volume 8,1% superior ao registrado nos mesmos meses de 2025.
O Copom (Comitê de Política Monetária) chega à reunião desta semana com a expectativa de interromper os cortes e manter a Selic em 13,75% ao ano. Essa é a avaliação da maioria das instituições para a decisão desta quarta-feira (4), diante de uma combinação que ficou menos favorável à queda dos juros.
Para quem acompanhava as projeções antes da eleição, a mudança chama atenção. O último Boletim Focus ainda mostrava expectativa de Selic em 13,25% no fim de 2026, com dois cortes de 0,25 ponto percentual, em novembro e dezembro.
Mas há um detalhe importante: a pesquisa divulgada em 26 de outubro reunia respostas até o dia 23, antes do segundo turno das eleições. Depois da votação, a manutenção ganhou destaque nas apostas.
Nas opções de Copom da B3, esse cenário tinha probabilidade implícita de 63,1%, segundo levantamento com preços do fechamento de 26 de outubro, um retrato sujeito a mudanças até a decisão do Banco Central.
O resultado eleitoral ajuda a explicar a revisão, mas o cenário vai além das urnas. Nos relatórios divulgados na última sexta-feira (30), tanto o Itaú como o Goldman Sachs destacam um ambiente internacional mais difícil, com pressões do petróleo e condições financeiras restritivas. Isso importa porque energia mais cara e real mais fraco podem elevar custos de produção, transporte e produtos importados.
Na avaliação do Goldman Sachs, os compromissos fiscais assumidos durante a campanha também pioraram as perspectivas para as contas públicas. A preocupação é com seus efeitos sobre a demanda, o câmbio e as expectativas de inflação, fatores que influenciam o espaço disponível para o Banco Central reduzir os juros.
A economista Bruna Centeno, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, destaca que a formação da equipe econômica e as sinalizações sobre a condução das contas públicas estão entre os próximos pontos de atenção dos investidores.
Mas há um contraponto relevante: a economia está desacelerando. Itaú e Goldman reconhecem sinais de perda de força da atividade. E, na teoria, menos consumo e investimento ajudam a conter os preços e favorecem cortes.
Então, por que esperar? A resposta para essa pergunta passa por uma desaceleração que ainda convive com um mercado de trabalho resistente e inflação de serviços pressionada.
O Itaú observa que o resultado melhor que o esperado do IPCA-15 de outubro se concentrou em alimentação e passagens aéreas, enquanto medidas de serviços apresentaram piora. Por isso, o alívio no índice geral não foi suficiente para afastar as preocupações.
Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, espera manutenção em novembro e dezembro. Na sua avaliação, interromper os cortes permitiria ao Copom observar novas informações e reavaliar o cenário.
O horizonte de espera se estende até 2027 na avaliação de Evandro Xavier, head de Consórcio e Crédito da be.smart. Ele trabalha com retomada dos cortes apenas entre o segundo e o terceiro trimestre do próximo ano e Selic em 13% ao fim de 2027.
Mesmo entre quem espera manutenção agora, o passo seguinte permanece em discussão. O Itaú trabalha com o fim do ciclo de cortes. O Goldman Sachs prevê uma pausa e ainda atribui 30% de probabilidade a uma redução de 0,25 ponto nesta reunião.
É por isso que a atenção de quarta-feira estará também no comunicado. Além de definir a Selic, o Copom pode indicar o que precisa melhorar para que o alívio nos juros volte a ganhar espaço, uma sinalização importante para empresas e famílias que aguardam por crédito menos caro.
A presença da Força Nacional deve se estender em Mato Grosso do Sul, e o efetivo deve ser ampliado para garantir a proteção de aldeias indígenas Guarani Kaiowá.
Casos de violência política vêm sendo denunciados na região, depois do segundo turno da eleição, na semana passada, que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva.
O anúncio de ampliação do efetivo foi feito pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, que visitou aldeias na fronteira com o Paraguai neste sábado 31.
“A Força Nacional inclusive, além da presença numérica atual, vai ter um reforço, está adotando um procedimento que eu reputo muito importante, que é o procedimento que eles chamam de Minuto a Minuto. Eles estarão sempre no terreno, sempre na área de operações disponíveis para se deslocar onde qualquer ocorrência com aparência criminosa ou severa aconteça, sendo acionados pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal ou pelas forças estaduais.”
Segundo o ministro, o programa minuto a minuto informará através de imagem e detecção do tipo de ocorrência e, sempre que possível, já indicando a autoria e materialidade.
Lima e Silva e os ministros Eloy Terena, dos Povos Indígenas, e Janine Mello, dos Direitos Humanos, visitaram as aldeias Sassoró, no município de Tacuru, e Taquapery, em Coronel Sapucaia, na fronteira com o Paraguai.
Ameaças após eleições
A comitiva foi à região após denúncias de violência contra os indígenas em Mato Grosso do Sul chamarem atenção nas redes sociais depois das eleições. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), contabilizou mais de 30 casos.
A aldeia Sassoró foi alvo de ameaça de envenenamento da água, segundo um áudio que circulou em grupos da cidade de Tacuru. A suspeita é que haja participação de um servidor público do município.
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, afirmou que a Polícia Federal já ouviu os suspeitos e que o monitoramento da qualidade da água vai ser reforçado. Ele destacou que as denúncias que têm chegado precisam ser apuradas, porque há casos levantados que ocorreram em outros momentos.
“Nós recebemos 10 casos, depois de filtrar tudo que foi recebido. E desses 10 casos, quatro são aqui de Mato Grosso do Sul. Até o momento. Lógico que é uma averiguação preliminar. Apenas esse caso do envenenamento que tem uma ligação direta com crime político. Os outros atropelamentos até o momento não, mas é claro que não serão descartados”, disse.
O Ministério dos Direitos Humanos informou que vai colocar o Programa de Proteção à disposição das vítimas desses casos. Mais de 80 indígenas de Mato Grosso do Sul já estão no programa, segundo a pasta.
Em entrevista ao podcast Política de Primeira, a deputada federal Camila Jara (PT-MS) apontou uma concentração excessiva de candidaturas competitivas na disputa pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems), enquanto a chapa federal acabou perdendo nomes que estavam no planejamento inicial para puxar a votação.
Nos bastidores, a avaliação é de que o PT tinha quadros com potencial de renovação, mas não conseguiu distribuir essas lideranças de maneira equilibrada entre as disputas estadual e federal. Segundo Camila, a estratégia inicial previa a construção de uma chapa para Brasília sustentada por dois nomes, que poderiam dar competitividade à legenda. No entanto, os dois desistiram da disputa no meio do caminho, provocando uma reorganização dos planos eleitorais.
Com a mudança de cenário, outros nomes que poderiam disputar uma vaga na Câmara Federal acabaram migrando para a Assembleia Legislativa, onde enxergavam maiores possibilidades de eleição. O movimento fortaleceu a chapa estadual, mas deixou a candidatura federal sem a mesma densidade eleitoral. Na prática, o partido concentrou forças em uma disputa e pagou o preço na outra.
Camila reconhece que houve liberdade para que as lideranças escolhessem onde concorrer, mas admite, indiretamente, que a distribuição das candidaturas comprometeu o desempenho federal. Apesar de o PT ter conquistado uma votação expressiva, o resultado não foi suficiente para preservar as duas cadeiras que a legenda ocupava.