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Com fraca demanda da China, Porsche registra maior queda de vendas em 16 anos


As entregas da Porsche caíram 10% em 2025, registrando o maior recuo desde 2009, quando a crise financeira global afetou os mercados, pressionadas pela fraca demanda por veículos elétricos e pela retração nas vendas na China. A marca de luxo do grupo Volkswagen entregou 279.449 veículos no ano, com China e Alemanha liderando as quedas. A empresa afirmou que “gaps de fornecimento” para versões com motor a combustão do 718 e do SUV Macan também prejudicaram os números.

A Porsche enfrenta uma série de desafios, incluindo a correção de um plano ambicioso de expansão de veículos elétricos, que desorganizou o cronograma de modelos e pressionou margens. Tarifas nos EUA — atualmente o mercado mais importante da marca, superando a China — também afetaram os lucros.

Na China, onde a concorrência local tem se intensificado, as vendas da Porsche caíram 26%. A desaceleração econômica no país afetou consumidores de diferentes faixas de renda, enquanto a crise imobiliária prolongada reduziu gastos com produtos de luxo. Fabricantes locais, como BYD, Xiaomi e Huawei, têm atraído clientes ricos com materiais premium e tecnologia avançada de software e baterias. BMW e Mercedes-Benz também enfrentam problemas semelhantes no maior mercado automotivo do mundo.

Na Europa, a queda nas entregas ocorreu em parte devido a problemas de fornecimento relacionados aos modelos 718 e Macan. A Porsche precisou descontinuar a produção dessas versões com motor a combustão para atender às novas regras de cibersegurança da UE.

As ações da Porsche caíram até 1,2% em Frankfurt, acumulando queda superior a 30% no último ano, fazendo com que a empresa saísse do índice DAX da Alemanha.

A fabricante prometeu melhorias após os contratempos de 2025, ano em que revisou suas projeções quatro vezes. O desempenho fraco ocorreu em momento crítico para a Volkswagen, que depende dos lucros de suas marcas premium, como Audi.

A demanda global pelo primeiro veículo elétrico da Porsche, o Taycan, caiu 22% no ano passado, com os valores residuais mostrando menor resistência que os modelos a combustão. A empresa alertou que a correção de rota nos elétricos reduziria o lucro operacional em até € 1,8 bilhão (US$ 2,1 bilhões) em 2025.

Michael Leiters, ex-chefe da McLaren Automotive, assumiu como CEO em 1º de janeiro, encerrando o duplo papel de Oliver Blume, CEO da Volkswagen. Especialista em híbridos e ex-responsável pelo Cayenne, Leiters também negociará cortes adicionais de custos com líderes sindicais neste ano.

O CFO Jochen Breckner afirmou em outubro que, embora 2025 tenha sido um ponto baixo, a empresa mira retornar a margens de dois dígitos nos anos seguintes a 2026.



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Walmart anuncia mudanças na direção antes da troca de presidente


O Walmart anunciou novos chefes para suas três divisões principais, preparando o terreno para uma nova geração de liderança antes da entrada do novo presidente, que assumirá o comando em algumas semanas.

David Guggina, que ocupava o cargo de chief e-commerce officer (Diretor Executivo de Comércio Eletrônico) do Walmart nos EUA, foi promovido a CEO da divisão, o maior e mais importante negócio da companhia. John Furner, que liderou a unidade nos últimos seis anos, será o novo CEO global (presidente global) da empresa, em conjunto com a aposentadoria do atual executivo-chefe, Doug McMillon.

Guggina ingressou no Walmart vindo da Amazon há cerca de oito anos e rapidamente ascendeu na rede varejista. Desde janeiro, lidera o negócio digital nos EUA, após comandar operações da cadeia de suprimentos. Expandindo áreas de entrega e reduzindo custos de frete, a divisão online vem impulsionando o crescimento no país e alcançando rentabilidade.

Ele terá a responsabilidade de conduzir a unidade que gera centenas de bilhões de dólares em vendas, em meio a consumidores exigentes, queda no sentimento do mercado e desafios persistentes no emprego.

A concorrência nos EUA segue acirrada, com empresas como Costco, Target e Aldi investindo para manter preços baixos e melhorar a experiência de compra. A Amazon também tem avançado sobre o território do Walmart, ampliando sua presença física e oferta de alimentos.

“Parte essencial de manter nosso ritmo é garantir que temos a estrutura certa para vencer”, escreveu Furner em um comunicado aos funcionários, acrescentando que a companhia está promovendo mudanças para aumentar eficiência e permitir que as divisões foquem mais nos clientes.

O Walmart entra em um período crítico de transição com a aposentadoria de McMillon no final do mês. Ele é creditado por transformar a empresa de um varejista físico em uma potência digital.

A companhia, com sede em Bentonville, Arkansas, corre para se antecipar à corrida da inteligência artificial, incorporando a tecnologia em operações, incluindo compras. A capitalização de mercado se aproxima de US$ 1 trilhão, um feito inédito para um varejista dos EUA, impulsionada por forte crescimento e investimentos em tecnologia.

Outras mudanças na liderança

Latriece Watkins, atual chief merchant (diretor de varejo) do Walmart US, assumirá como CEO do Sam’s Club, rede de clubes de compras que está abrindo novas lojas e reformando unidades existentes para aumentar sua base de associados e competir com o Costco.

Chris Nicholas, até então chefe do Sam’s Club, será o novo CEO do Walmart International, com China, Índia e México entre os mercados que impulsionam o crescimento internacional. Ele substitui Kathryn McLay, que deixa a empresa.

Seth Dallaire foi promovido a chief growth officer, supervisionando publicidade, programas de associação e outras unidades não varejistas do Walmart US, além de orientar estratégias de expansão do marketplace, que impulsionam a rentabilidade.

Todas as mudanças entram em vigor 1º de fevereiro.

Além disso, o Walmart será incluído no Nasdaq 100 Index na próxima semana, após mudar sua listagem da New York Stock Exchange em dezembro.



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Favorito de Trump para assumir Fed minimiza investigação sobre Powell


“Trata-se de um simples pedido de informações que deve ser atendido em breve. Então, as coisas seguirão em frente”, afirmou Kevin Hassett



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Bolsa atrai mais de 200 mil investidores em renda variável, alta de 4%


Em 2025, foram 205.949 novos investidores em renda variável na Bolsa. Hoje, a B3 conta com quase 5,5 milhões de investidores no segmento



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Dólar sobe e Bolsa recua com “prévia” do PIB e falas do Fed no radar


O dólar passou a operar em leve alta, nesta sexta-feira (16/1), na última sessão da semana, em um dia no qual os investidores repercutem a chamada “prévia” do PIB no Brasil e declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos).


Dólar

  • Às 11h27, o dólar subia 0,37%, a R$ 5,388.
  • Mais cedo, às 10h51, a moeda norte-americana avançava 0,13% frente ao real e era negociada a R$ 5,376.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,39. A mínima é de R$ 5,365.
  • Na véspera, o dólar terminou a sessão em queda de 0,62%, cotado a R$ 5,368.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 2,2% frente ao real em 2026.

Ibovespa


“Prévia” do PIB no Brasil

O principal destaque da agenda econômica doméstica, nesta sexta, é a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br). O indicador mostrou que a economia brasileira avançou 0,7% em novembro, na comparação com o mês anterior. Em outubro, na comparação com setembro, houve retração de 0,2%. No trimestre, houve alta de 0,2%.

Para chegar ao resultado, o Banco Central (BC) fez um ajuste sazonal (cálculo que remove as flutuações sazonais de uma série temporal para comparar períodos diferentes). No mês, o IBC-Br por setores produtivos teve crescimento de 0,8% na indústria, e serviços avançaram 0,6%. Já a agropecuária encolheu 0,3%.

Em relação a novembro do ano passado, o IBC-Br teve alta de 1,2%. Em 12 meses, o indicador do BC apresentou aumento de 2,4%. No ano, a chamada “prévia do PIB” registrou expansão de 2,4%. Todas essas variações foram calculadas sem ajustes sazonais.

O indicador é considerado uma “prévia” do Produto Interno Bruto. O IBC-Br incorpora estimativas de crescimento para os setores agropecuário, industrial e de serviços. O cálculo é feito com ajuste sazonal, o que permite comparar períodos diferentes.

O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros do país, a Selic. O PIB, por sua vez, é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país.

Economistas vem alertando para a desaceleração da economia brasileira neste ano devido aos juros altos e ao atual patamar da inflação. Os analistas do mercado financeiro ouvidos semanalmente pelo BC, no Relatório Focus, projetam que o PIB crescerá 1,8% em 2026. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) espera um crescimento do PIB na casa dos 1,6% em 2026, mesmo patamar previsto pelo BC.

Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulga a estatística oficial do PIB, publicou no último dia 4 de dezembro que o PIB do terceiro trimestre, encerrado em setembro, foi de 0,1%. O resultado representa uma desaceleração em relação ao trimestre anterior (abril, maio e junho), quando o índice ficou em 0,4%.

O PIB de 2025 será conhecido apenas quando for fechado o resultado do quatro trimestre do ano passado (outubro, novembro e dezembro).

Falas de dirigentes do BC dos EUA

No front externo, os investidores acompanham declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA). As falas podem indicar possíveis “pistas” para a trajetória da taxa básica de juros na maior economia do mundo.

Nesta sexta, a diretora do Fed Michelle Bowman faz um discurso sobre política monetária. Também deve falar o vice-presidente do Fed, Philip Jefferson, a respeito das perspectivas econômicas dos EUA.

Em publicação nas redes sociais, a presidente do Fed de São Francisco, Mary Daly, afirmou que a autoridade monetária precisa “olhar além dos dados” para calibrar a taxa de juros em suas futuras decisões.

“Tudo somado, seremos capazes de responder a mudanças em perspectivas econômicas e dependentes de projeções para garantir uma política monetária apropriada no futuro”, escreveu Daly no X (antigo Twitter).

Segundo a dirigente do Fed, os indicadores econômicos são “essenciais”, mas “são as pessoas que nos dizem o que estão planejando e como isso moldará nosso futuro”.

Na última reunião do Fed, em dezembro, o corte nos juros foi de 0,25 ponto percentual, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. Agora, os juros estão no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano.

Foi a terceira redução consecutiva na taxa de juros pelo BC dos EUA. Na reunião anterior do Fed, em setembro, o corte também havia sido de 0,25 ponto percentual.

A votação não foi unânime. Stephen Miran, novo integrante do Fed, indicado por Donald Trump, votou por um corte maior, de 0,5 ponto percentual, enquanto Jeffrey R. Schmid e Austan D. Goolsbee votaram pela manutenção da taxa de juros.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros, o primeiro de 2026, está marcado para os dias 27 e 28 de janeiro.



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Bitcoin perde fôlego após impasse sobre regulação nos EUA


O bitcoin (BTC) e as principais criptomoedas operam em queda na manhã desta sexta-feira (16), devolvendo parte dos ganhos acumulados no começo da semana.



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Brava Energia compra ativos da Petronas por US$ 450 milhões


A Brava Energia anunciou, nesta sexta-feira (16), a assinatura de contrato para a aquisição da participação de 50% atualmente detida pela Petronas Petróleo Brasil no campo de Tartaruga Verde (Concessão BM-C-36) e no Módulo III do campo de Espadarte, ambos localizados na Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro. O acordo foi firmado em 15 de janeiro de 2026 e envolve um valor total de US$ 450 milhões.

Do montante, US$ 50 milhões foram pagos na data de assinatura. Outros US$ 350 milhões serão desembolsados no fechamento da transação, valor sujeito a ajustes com base na data efetiva de 1º de julho de 2025. Além disso, estão previstas duas parcelas diferidas de US$ 25 milhões cada, com vencimento em 12 e 24 meses após a conclusão do negócio.

A operação ainda depende do cumprimento de condições precedentes usuais para esse tipo de transação, incluindo as aprovações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), além da manifestação sobre o exercício do direito de preferência pelo atual operador, a Petrobras. Caso todas as etapas sejam superadas, a expectativa da companhia é concluir o fechamento ao longo de 2026.

Segundo a Brava, a aquisição está alinhada à estratégia de revisão contínua do portfólio e ao compromisso de buscar retorno ajustado ao risco, diversificação de ativos e eficiência na alocação de capital. A empresa afirmou que seguirá avaliando oportunidades estratégicas com foco na criação de valor no longo prazo.

Os ativos adquiridos estão localizados na porção sul da Bacia de Campos, em lâminas d’água que variam de aproximadamente 700 a 1.620 metros, com reservatórios a cerca de 3.000 metros de profundidade. Atualmente, os campos são operados pela Petrobras por meio do FPSO Cidade de Campos dos Goytacazes, em operação desde 2018, no qual a estatal detém os outros 50% de participação.

A unidade conta com 14 poços produtores — 11 em Tartaruga Verde e três no Módulo III de Espadarte. Em 2025, a produção média foi de cerca de 55,6 mil barris de óleo equivalente por dia (100% do ativo), composta majoritariamente por óleo, com parcela residual de gás natural escoada pelo gasoduto de Enchova até o terminal de Cabiúnas. As concessões têm vigência até 2039.

A Brava informou que manterá investidores e o mercado atualizados sobre eventuais desdobramentos relevantes da transação, em conformidade com a legislação e as melhores práticas de governança corporativa.

A junior oil Brava Energia foi criada em 2024 a partir da fusão de 3R Petroleum e Enauta, tem como principais acionistas o Bradesco e a gestora Jive. É hoje uma das maiores produtoras independentes de petróleo do país. No terceiro trimestre de 2024, a empresa registrou receita líquida de R$ 6,8 bilhões e lucro líquido de R$ 118 milhões.

Em janeiro de 2025, a empresa Brava Energia, que surgiu da fusão entre 3R e Enauta, está envolvida em um processo competitivo para vender campos de petróleo onshore. A J&F, holding da família Batista, através de sua empresa Fluxus, é uma das interessadas na aquisição desses ativos, reforçando sua estratégia de expansão no setor de energia e commodities no Brasil.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.



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Steinbruch rompe com o risco e prega austeridade: agora a CSN vence a dívida?


Benjamin Steinbruch é daqueles empresários facilmente descritos como tomadores de risco. Não vê problema em fazer dívida quando avalia que o negócio pode entregar bom retorno – seja financeiro, seja de influência.

Agora, porém, o controlador, CEO e chairman da CSN parece ensaiar um estilo menos arrojado. Ou, ao menos, ajustar o discurso para que ele soe melhor aos ouvidos dos investidores.

Na quinta-feira, 15, a siderúrgica anunciou um plano para levantar até R$ 18 bilhões com a venda de participações em ativos e, assim, domar — “de uma vez por todas” — a relação pouco equilibrada entre dívida líquida e Ebitda de seu principal negócio. “Nunca nos comprometemos de maneira tão objetiva e pragmática para que isso ocorresse”, afirmou Steinbruch em teleconferência com analistas ao explicar o plano de desalavancagem.

“Vamos nos adequar à realidade necessária para permitir que os empreendedores que ainda existem no Brasil possam continuar trabalhando de forma menos arriscada”, prosseguiu o empresário, agora convertido ao discurso da gestão mais austera e do liability management — práticas que, historicamente, nunca combinaram com seu estilo de fazer e fechar negócios.

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Num primeiro momento, a mensagem do controlador não empolgou o mercado. As ações da CSN fecharam o pregão de quinta-feira em queda de 3,1%, em um dia de desempenho positivo do Ibovespa. Ainda assim, o papel acumula alta de 24,8% nos últimos 12 meses; numa janela mais longa, de cinco anos, a queda é de 71%.

Parte do ceticismo passa também por governança e por um tema sensível nos arredores do comando da companhia: a sucessão. Aos 72 anos, Steinbruch segue como o centro gravitacional do grupo, o que dá agilidade às decisões, mas também eleva o chamado key man risk na avaliação de investidores.

“A CSN é muito personificada. Quando o plano depende de vender ativos, negociar com regulador e ainda tocar uma operação cíclica, o mercado sempre se pergunta: quem garante a execução e a continuidade se o comandante muda de repente?”, diz um gestor ouvido pelo InvestNews.

Para esse investidor institucional, não basta anunciar um plano ambicioso ou um discurso mais alinhado. A confiança do mercado só vai aparecer quando ficar claro como esse plano será executado e quem, de fato, vai colocar a estratégia em prática no dia a dia.

Uma CSN mais leve

A CSN tenta atacar um dos pontos que mais incomodam o mercado há anos: a alavancagem elevada, que recorrentemente flerta com os limites previstos nos contratos de dívida – os chamados covenants. Desta vez, a promessa é buscar uma solução mais estrutural, e não apenas paliativa, como tem sido comum nos últimos anos.

Um exemplo desses paliativos ocorreu nas últimas semanas de 2025, quando a CSN concluiu a venda de uma fatia da MRS Logística para a subsidiária CSN Mineração, em duas transações que, somadas, movimentaram R$ 3,95 bilhões. A operação “CSN com CSN” funcionou, na prática, como uma transferência de liquidez dentro do próprio grupo.

A explicação é que a mineradora tinha caixa robusto e menor endividamento, o que permitiu que atuasse como fonte de recursos para a controladora num momento em que a siderúrgica buscava fechar o ano com alavancagem próxima de 3 vezes.

Pelos dados mais recentes disponíveis, referentes ao terceiro trimestre do ano passado, a dívida líquida da companhia equivalia a 3,14 vezes seu resultado operacional (Ebitda). Esse reforço de caixa bilionário já foi incorporado aos números de 2025, que serão divulgados em breve, e não entra no cálculo do plano de desalavancagem anunciado na quinta-feira.

Agora, sob o novo plano de redução do endividamento, a meta é chegar ao fim de 2026 com uma alavancagem entre 2 vezes e 1,8 vez, considerando também ganhos operacionais. Em um horizonte mais longo, de oito anos, o objetivo da CSN é atingir a relação de 1 vez dívida líquida/Ebitda.

Para isso, a companhia planeja vender o controle da CSN Cimentos – uma aposta que perdeu força após a tentativa de compra da concorrente InterCement não avançar – e a negociação de uma participação minoritária, mas relevante, na unidade de Infraestrutura. Os ativos devem ser colocados à venda ainda em janeiro, com expectativa de assinatura de acordos vinculantes entre o terceiro e o quarto trimestres.

No pano de fundo das decisões da CSN, há um mercado menos tolerante a histórias de “alto risco”. Em comentário recente, a agência de classificação de risco Fitch afirmou que a maior volatilidade no Brasil, após reestruturações de grande repercussão, aumentou o escrutínio sobre emissores high yield — empresas com maior risco de crédito e que, por isso, pagam juros mais altos para captar recursos.

Nesse ambiente, o acesso a financiamento fica mais restrito e a execução de vendas de ativos se torna mais difícil — um diagnóstico que dialoga diretamente com o timing e, sobretudo, com a capacidade de execução do plano da CSN.

Bloco de infraestrutura

Para o comando da CSN, será possível arrecadar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões apenas com a venda de participações nos negócios de cimento e infraestrutura, afirmou o CFO da companhia, Marco Rabello. “E pode ser até mais do que isso”, disse.

No desenho da vertical de infraestrutura, a CSN pretende vender uma participação “relevante”, mas mantendo o controle, em veículos que reunirão ativos ferroviários, portuários e multimodais.A companhia estruturou o processo de venda em blocos. 

O cluster Sudeste, mais maduro, deve ser o primeiro a ir ao mercado e reúne quatro ativos: a participação total do grupo CSN na MRS Logística (cerca de 30% do capital) e três operações ligadas à logística e portos — incluindo um terminal de contêineres, um terminal associado a granéis como minério, carvão e coque e uma operação de transporte rodoviário.

O bloco de ativos localizados no Nordeste, que inclui a operação no Porto de Pecém, ficaria para uma etapa seguinte. Esse cluster reúne dois ativos ferroviários e um terminal privado – uma parte que, segundo os executivos, já tem obras compromissadas e cronograma próprio.

A tese para essas vendas é dupla. De um lado, a CSN sustenta que se trata de uma plataforma com perfil mais resiliente e margens elevadas. De outro, argumenta que os ativos são “tremendamente vinculados” à mineração, o que explicaria por que a operação deve ser estruturada como venda minoritária na holding, e não como uma negociação individual dos ativos.

Na fotografia financeira, o segmento de infraestrutura vem crescendo com margem de Ebitda na casa de 40% (em alguns períodos, perto de 50%). A promessa é destravar a expansão com demanda já contratada e projetos brownfield – ampliações de ativos já existentes – e, ao mesmo tempo, usar a venda parcial da divisão para “equilibrar” o portfólio e reduzir o risco no balanço.

Solução ‘num tiro só’

O segundo pilar do plano é mais agressivo: a venda do controle da CSN Cimentos. Até pouco tempo atrás, a subsidiária era apresentada como o embrião de uma “super cementeira” – tese que não se materializou. 

Nem mesmo o IPO ensaiado anos atrás encontra tração em um mercado que tem mais de quatro anos sem abertura de capital. Ainda assim, segundo a companhia, a CSN tem recebido sinalizações de interesse em uma transação privada, com múltiplos considerados atrativos justamente por se tratar de venda de controle.

A CSN Cimentos é descrita pela empresa como a principal plataforma integrada do setor no Brasil, com capacidade instalada de 17 milhões de toneladas por ano, sete plantas integradas, rede própria de distribuição e terminais logísticos, além de projetos greenfield (novas plantas) somando mais de 12 milhões de toneladas anuais e iniciativas brownfield em estágio avançado.

A venda mais relevante do negócio também teria impacto direto na redução da dívida do grupo. A unidade atravessa um ciclo de recuperação e expansão, com o Ebitda passando de R$ 783 milhões em 2022 para R$ 1,36 bilhão no acumulado de 12 meses até o terceiro trimestre de 2025, segundo os dados mais recentes.

Foi nesse contexto que Steinbruch cunhou, em teleconferência com analistas, a frase que virou a síntese do plano: “Na minha opinião, o cimento resolve sozinho a nossa questão do endividamento” – movimento que a companhia pretende executar, nas palavras dos executivos, “num tiro só”.

Mas a busca da CSN por sócios estratégicos não é uma novidade. No fim de 2024, o conglomerado de Steinbruch vendeu 9,26% da CSN Mineração para o grupo japonês Itochu, que pagou cerca de R$ 4,4 bilhões pela fatia. Nem assim o negócio foi suficiente para conter a alavancagem.

Sócios estrangeiros

Se cimentos e infraestrutura aparecem como a “cura” para o endividamento alto, a siderurgia entra nos planos de médio prazo — sobretudo como frente para retomar investimentos. 

A CSN afirmou que pretende buscar alternativas e parcerias estratégicas para modernizar a operação e fazer com que o negócio volte a gerar um fluxo de caixa “mais compatível” com o tamanho do ativo, sem disputar capital com mineração e infraestrutura.

Steinbruch foi particularmente direto ao enquadrar o problema como estrutural e setorial — com exceção do Nordeste: “As siderúrgicas do Sudeste precisam se atualizar, foram feitas no século passado. Precisamos passar por investimentos mais fortes e buscar como fazer isso com parceiros asiáticos e europeus”, afirmou.

(Dado Galdieri/Bloomberg)

Medidas de defesa comercial mais duras por parte do governo brasileiro podem trazer algum alívio ao setor. A siderurgia nacional vem reduzindo investimentos diante do avanço do aço importado da China. Em 2025, a produção caiu mais de 2%, segundo o Instituto Aço Brasil, entidade que representa as empresas do setor. Para 2026, a projeção é de nova retração, de 2,2%.

Ainda assim, para Daniel Utsch, gestor de renda variável da Nero Capital, isso não resolve o problema central da CSN. “Mesmo com algum vento a favor no setor, o investidor quer ver desalavancagem entregue, porque o ciclo muda rápido”, afirma.

Gerando margem

A CSN tem repetido que mineração, siderurgia e energia são os motores de um “novo ciclo” do grupo e, por isso, não integram o pacote de venda de ativos. Na teleconferência, a administração classificou esses negócios como segmentos de margens elevadas — entre 30% e mais de 40% — e afirmou que eles sustentariam a ambição de dobrar o Ebitda em até oito anos.

A mineração, em particular, foi apresentada como avenida de crescimento, e não como “bala de prata” para venda de participação, como o mercado já especulou em outros momentos. A empresa afirmou não ter aprovação do conselho para nova alienação de fatia na CSN Mineração e indicou intenção de manter sua participação em torno de 70%.

O argumento é que a prioridade é acelerar projetos de maior rentabilidade e migrar para a oferta de minério de qualidade superior. A CSN disse que pretende elevar a produção de minério de ferro para até 65 milhões de toneladas por ano até 2030. Na apresentação, ressaltou que a expansão da mina P15 pode adicionar cerca de R$ 4 bilhões por ano ao Ebitda e reiterou a ambição de ampliar a produção ao longo da década.

O segmento de Energia também foi “carimbado” como ativo a ser mantido, por reduzir risco, trazer previsibilidade aos resultados e gerar ganhos de custo via autoprodução — além de potencial de crescimento com fornecimento para terceiros. 

Em um ambiente de juros elevados, o negócio chegou a ser apontado por diversos agentes de mercado como candidato natural à reciclagem de portfólio. A CSN, no entanto, escolheu o caminho oposto, tratando energia como amortecedor do ciclo e suporte operacional.

Com a meta de vendas agora sobre a mesa, Steinbruch tenta convencer os investidores de que o plano tem uma segunda perna: a da execução operacional. Segundo ele, a CSN vem “trabalhando fortemente” para atacar a queima de caixa e “fechar o ralo”, por meio de cortes de custos e melhora de margens.

Entre as frentes citadas está a redução dos estoques, hoje em torno de R$ 12 bilhões entre matérias-primas, produtos em elaboração e produtos acabados. Trata-se de capital empatado que, na visão do controlador, precisa cair para aliviar o caixa e dar fôlego ao plano – nada trivial – de transformar a CSN em um grupo menos arriscado.



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Receita Federal divulga tabela do IR 2025 e regras para declaração


A tabela com as alíquotas, as bases de cálculo e os valores das parcelas a deduzir do Imposto de Renda de 2025, com referência ao ano-calendário de 2024, está disponível aos contribuintes.

A declaração poderá ser entregue entre 17 de março e 30 de maio. As regras para a temporada de envio das informações tributárias foram apresentadas, nesta quarta-feira (12), pela Receita Federal. 

A tabela IRRF tem cinco faixas de renda, com alíquotas progressivas — entre 7,5% e 27,5% —, além da faixa de isenção. Confira:

Incidência anual para 2025, ano-calendário de 2024:

Base de Cálculo (R$) Alíquota (%)   Parcela a deduzir do IR (R$)
Até 26.963,20 0% 0,00
De 26.963,21 até 33.919,80     7,5% 2.022,24
De 33.919,81 até 45.012,60   15% 4.566,23
De 45.012,61 até 55.976,16    22,5% 7.942,17
Acima de 55.976,16 27,5% 10.740,98
Fonte: Receita Federal

Para 2026, referente ao ano-calendário de 2025, a tabela também já foi divulgada. Veja:

Incidência anual para 2026, ano-calendário de 2025:

Base de Cálculo (R$) Alíquota (%)   Parcela a deduzir do IR (R$)
Até 27.110,40 0% 0,00
De 27.110,41 até 33.919,80     7,5% 2.033,28
De 33.919,81 até R$ 45.012,60   15% 4.577,27
De R$ 45.012,61 até R$ 55.976,16    22,5% 7.942,17
Acima de R$ 55.976,16 27,5% 10.740,98
Fonte: Receita Federal

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Qual faixa de isenção do Imposto de Renda 2025?

Atualmente estão isentos de IR os contribuintes que têm uma renda tributável mensal de até R$ 2.259,20. O governo estuda dar isenção para quem recebe até R$ 5 mil por mês, mais isso ainda está em discussão no Congresso Nacional e ainda não foi aprovado.

A última atualização da faixa de isenção, que corresponde ao piso da tabela progressiva, ocorreu em fevereiro de 2024, quando passou de R$ 2.640 para R$ 2.824. As outras faixas de tributação não são alteradas desde 2015. O projeto de lei referente ao Orçamento de 2025, apresentado ao Congresso em agosto de 2024, não contempla modificações na tabela do Imposto de Renda.

O teto estabelecido para a alíquota isenta é de R$ 2.259,20. Contudo, para assegurar a isenção aos que auferem até R$ 2.824, haverá uma dedução simplificada de R$ 564,80 sobre a base de cálculo do imposto.

Segundo a Receita Federal, o desconto simplificado é uma escolha facultativa. Aqueles que possuem o direito a deduções mais significativas, de acordo com a legislação vigente, como despesas com dependentes, pensão alimentícia e custos com educação e saúde, não sofrerão nenhuma mudança.

Por enquanto, vale a tabela vigente:

Base de Cálculo (R$) Alíquota (%) Parcela a Deduzir do IR (R$)
Até 2.259,20  zero zero
De 2.259,21 até 2.826,65 7,5 169,44
De 2.826,66 até 3.751,05 15 381,44
De 3.751,06 até 4.664,68 22,5 662,77
Acima de 4.664,68 27,5 896,00
Fonte: Receita Federal

Vale lembrar que quem é isento do Imposto de Renda não é obrigado a realizar a declaração. No entanto, mesmo sem a obrigatoriedade, declarar o IR pode trazer vantagens importantes.

A declaração voluntária pode ser utilizada para comprovar renda em situações como financiamentos, empréstimos ou negociações financeiras, além de facilitar o acesso à restituição caso tenha havido retenção de imposto na fonte.

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Afinal, quem deve declarar Imposto de Renda 2025?

A primeira regra de quem deve declarar o IRPF é quem recebeu acima do limite de rendimentos tributáveis, estabelecido em R$ 33.888,00, para o ano-calendário 2024. Veja os demais critérios:

  • Recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte (FGTS, indenização trabalhista, pensão alimentícia…) acima de R$ 200 mil;
  • Teve receita bruta de atividade rural acima de R$ 169.440,00;
  • Pretende compensar, no ano de 2024 ou nos anos seguintes, prejuízos de atividade rural que ocorrerem em 2024 ou em anos anteriores;
  • Teve ganho de capital na venda de bens ou direitos, sujeito à incidência do imposto em qualquer mês do ano;
  • Realizou vendas, com ou sem incidência de imposto, em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas cuja soma total foi acima de R$ 40 mil;
  • Realizou qualquer venda em bolsa de valores com apuração de ganho líquido em operações day trade;
  • Realizou vendas de ações em operações comuns na bolsa de valores com apuração de ganho líquido, cuja soma total das vendas em algum mês do ano anterior tenha sido acima de R$ 20 mil;
  • Tinha posse ou propriedade de bens no valor total acima de R$ 800 mil;
  • Passou à condição de residente no Brasil em qualquer mês e permaneceu assim até 31 de dezembro;
  • Optou por declarar os bens, direitos e obrigações detidos pela entidade controlada, direta ou indireta, no exterior como se fossem detidos diretamente pela pessoa física;
  • Teve a titularidade de trust em 31 de dezembro;
  • Optou pela isenção do Imposto sobre a Renda incidente sobre o ganho de capital auferido na venda de imóveis residenciais, caso o produto da venda seja aplicado na aquisição de imóveis residenciais localizados no país, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contado da celebração do contrato de venda;
  • Optou pela atualização a valor de mercado de bens e direitos no exterior;
  • Teve rendimentos de aplicações financeiras ou de lucros e dividendos de entidades controladas, ambas no exterior.

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Votorantim: de gigante industrial a investidor em energia, saúde e finanças


O grupo Votorantim completou 107 anos em janeiro e pouco lembra o conglomerado industrial que tinha seus resultados financeiros fortemente dependentes de commodities. Ao longo das últimas décadas, o grupo da família Ermírio de Moraes, que já foi sinônimo de cimento, laranja, alumínio e celulose, hoje se posiciona como um investidor estratégico em setores tão diversos quanto energia renovável, saúde e serviços financeiros.

Essa transformação ganhou velocidade nos últimos cinco anos sob o comando de João Schmidt, que em maio chega a seu quinto aniversário ocupando a cadeira de CEO. Nesse período, empresas do grupo, como a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) e Auren (joint venture da Votorantim Energia com o fundo canadense CPPIB), fizeram seus IPOs, enquanto a holding adquiriu participações relevantes na CCR e na Hypera.

“Criamos plataformas de negócios que nos deram flexibilidade para diversificar a exposição, inclusive em ativos com características distintas de liquidez, diferentes níveis de participação acionária e associações com parceiros”, diz o executivo, em entrevista ao InvestNews.

O mix de investimentos garantiu mais um ano de geração de receita forte e lucro consistente. No ano passado, a Votorantim registrou R$ 51,8 bilhões em receita, crescimento de 7% em relação a 2023, com o lucro operacional (Ebitda) alcançando R$ 11,9 bilhões, alta de 23% no mesmo comparativo.

Com isso, a última linha do balanço indicou lucro líquido de R$ 830 milhões, uma queda de 53,9% em relação aos R$ 1,8 bilhão do exercício anterior. A piora desse resultado teve a ver com a desvalorização cambial – o dólar subiu 27% para R$ 6,20 em 2024 – e com o acordo de R$ 1,1 bilhão da Votorantim Cimentos com o Cade, explica Sergio Malacrida, CFO do grupo.

Do lado estratégico, o investimento mais importante do grupo Votorantim em 2024 foi a aquisição da AES Brasil pela Auren em um acordo de R$ 7 bilhões que a transformou na terceira maior geradora de energia do Brasil. Outros destaques incluem a venda de ativos da Votorantim Cimentos na Tunísia e no Marrocos e o comprometimento de R$ 1 bilhão pela Altre para investimentos imobiliários nos Estados Unidos.

A Votorantim encerrou 2024 com R$ 6,7 bilhões em caixa e baixa alavancagem, indicando ter musculatura para seguir investindo.

Atualmente, são 12 empresas que compõem o portfólio da Votorantim S.A (VSA): sete delas com controle completo do grupo (Votorantim Cimentos, banco BV, Citrosuco, Acerbrag, Altre, 23S Capital e Reservas Votorantim) e outras cinco listadas na bolsa (CBA, Auren, Nexa, CCR e Hypera). Ao todo, a holding está presente em 22 países e emprega cerca de 20 mil pessoas.

“Esse é um ciclo de diversificação e profissionalização que já dura mais de uma década. Nosso trabalho é formatar um portfólio sólido para o futuro”, prossegue Schmidt, um executivo que adota um perfil discreto e que, antes de assumir o comando da VSA, passou por Citigroup e Goldman Sachs.

Hypera é a bola da vez

Um dos episódios recentes que melhor resume a estratégia da Votorantim como investidor engajado é o da Hypera, investida da VSA desde 2023.

No mês passado, o grupo mais que dobrou sua participação na farmacêutica, saltando de 5,1% para 11%, em meio a uma tentativa de compra hostil pela concorrente EMS. Com a stake, a VSA irá indicar dois conselheiros para a eleição do board da Hypera – o próprio Schmidt e Cláudio Ermírio de Moraes.

O movimento da Votorantim ocorre em um momento em que o fundador da Hypera, João Alves de Queiroz Filho, conhecido como Júnior, vem tentando proteger a Hypera do avanço da EMS. A fabricante de genéricos, controlada por Carlos Sanchez, já havia feito em outubro uma oferta não solicitada de R$ 30 por ação para consolidar a concorrente – proposta rejeitada prontamente pelo conselho da Hypera.

Com a negativa, Sanchez saiu comprando ações da Hypera e hoje tem 6,02% das ações e pede autorização do Cade para comprar mais. Enquanto isso, Júnior articula um bloco de controle que teria cerca de 53% das ações (27,3% de Júnior, 14,7% da gestora mexicana Maiorem e 11% da Votorantim), praticamente fechando as portas para a tentativa de fusão pretendida pela EMS.

O CEO da Votorantim prefere não entrar no mérito da disputa e foca no que a farmacêutica pode agregar ao portfólio da holding. “O setor de saúde de forma ampla é algo que nos interessa do ponto de vista de investimento há bastante tempo”, explica Schmidt. “A Hypera é a única companhia de porte de capital aberto nesse setor, então foi onde havia uma porta de entrada para a gente.”

Família e governança

O grupo Votorantim, que teve sua origem numa fábrica de tecidos criada pelo imigrante português Antônio Pereira Ignácio em 1918, se consolidou como um dos maiores grupos industriais do país no século XX sob o comando de José Ermírio de Moraes, seu genro. Mas foi Antônio Ermírio de Moraes, segundo filho de José e neto de Antônio, que se tornou o rosto mais conhecido do grupo que presidiu de 1973 até 2001.

Após Antônio, outros membros da família comandaram o conglomerado até 2014, quando optou-se por uma profissionalização completa. A estratégia começou com a condução do executivo Raul Calfat à presidência do conselho de administração da holding. Com a ascensão de Calfat, a escolha de profissionais de mercado para postos-chave na empresa ganhou ainda mais força.

O grupo implementou uma descentralização que deu maior autonomia às empresas, com conselhos de administração formados por uma combinação de membros da família, executivos e membros independentes. Hoje, apenas três representantes da família Ermírio de Moraes têm presença no conselho de administração da Votorantim S.A.: José Roberto Filho, Cláudio Ermírio e André Macedo.

Outro exemplo dessa governança é a estrutura da Hejoassu, uma outra holding que cuida dos interesses da família e está acima do conselho da Votorantim S.A. São 12 membros, incluindo seis integrantes da quinta geração da família, que definem “contornos, aspirações financeiras e parâmetros de retorno e risco para os negócios”.

“Os acionistas são muito presentes na governança, nos guiando na estratégia e na alocação de capital”, conclui Schmidt.



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