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Prévia da inflação traz alívio, mas é suficiente para ficar otimista com a Selic?


O mercado avalia que houve melhora qualitativa no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de junho, considerado a prévia da inflação, que avançou 0,41%, com melhora em componentes considerados importantes. No entanto, a visão é que o processo de controle de preços segue desafiador.

Segundo especialistas, embora tenha havido melhora na margem, o processo de desinflação segue lento, com a taxa acumulada de 4,80% em 12 meses ainda acima do teto da meta. Com isso, o diagnóstico é que o Banco Central deve manter cautela, reforçando a política monetária de juros restritivos por mais tempo.

Ainda assim, houve reação positiva às surpresas baixistas. Leonardo Costa, economista do ASA, destaca o balanço qualitativo mais benigno após meses de inflação pressionada pelo choque de combustíveis. O Itaú BBA ressalta as quedas em alimentação no domicílio e nos serviços subjacentes, além de industriais subjacentes terem vindo abaixo do esperado. 

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Leia também: Tesouro Direto: taxas estendem queda após IPCA-15 abaixo do esperado

O Bradesco também avalia que o índice veio qualitativamente melhor do que o esperado, em especial na leitura de serviços, apesar do forte impacto de alta nas passagens aéreas.

Por outro lado, a XP alerta que os preços dos alimentos e o mercado de trabalho apertado não indicam uma moderação estrutural, e que a inflação de serviços ainda não mostra sinais relevantes de alívio. O Daycoval reforça afirmando que, apesar da composição mais benigna, a inflação segue em um patamar elevado e permanece sendo um desafio para a autoridade monetária, que tenta convergir a inflação à meta de 3%.

Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, avalia que o resultado reforça um “processo desinflacionário lento e gradual”, pontuando que o índice de difusão geral também recuou, passando de 65,1% para 60,2%. 

Pressão dos alimentos e o fator El Niño

Apesar de uma desaceleração na passagem de maio para junho, o grupo de Alimentação e bebidas continua sendo um dos principais motores da inflação e alvo de preocupação futura. 

Costa, do ASA, detalha que a batata-inglesa, o tomate, o feijão-carioca e a cebola apresentaram aumentos expressivos, respondendo por grande parte da alta do mês ao lado do setor de Habitação. 

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Para o Bradesco, a alimentação no domicílio registrou um avanço importante e a categoria deve continuar pressionada. A instituição projeta que um fenômeno El Niño intenso trará impactos sobre os preços dos alimentos neste ano e no início do próximo, agravado pelas pressões sobre fertilizantes decorrentes da guerra no Oriente Médio. 

Para o Inter, a leitura é de um momento de transição. Segundo André Valério, economista sênior do banco, o resultado indica o início de um “retorno à normalidade” do processo inflacionário pré-período sazonal. No entanto, Valério adverte que o cenário permanece incerto, citando que a taxa de câmbio acima de R$ 5,20 pode impor um obstáculo à normalização, enquanto o El Niño, previsto para atuar no quarto trimestre, volta a pressionar o custo da cesta de alimentos. 

A XP pondera que os preços dos alimentos vieram abaixo das suas expectativas no mês, impulsionados pela perda de força da carne bovina no atacado, contudo, a corretora projeta uma aceleração forte ao longo do quarto trimestre de 2026 e início de 2027, justamente para refletir o cenário climático desafiador.

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Juro alto por mais tempo

A persistência inflacionária mantém a curva de juros sob pressão, limitando o afrouxamento monetário e encarecendo o crédito na ponta final. A XP estima que o Banco Central cortará a Selic em 0,25 ponto percentual em agosto, fechando o ano  em 14%, e mantém a projeção de IPCA de 5,5% para o fim de 2026. 

O ASA tem a mesma projeção de 5,5% para este ano, mas destaca que o recuo do preço do petróleo atua como um vetor desinflacionário relevante. O Daycoval, por sua vez, vê um viés de alta para sua projeção atual de 5,1% em 2026 devido aos riscos climáticos.

Na economia real, esse ambiente de juros prolongados altera a dinâmica produtiva. Cassio Viana de Jesus, diretor de Investimentos e Negócios da Pilar Capital, afirma que o dado isolado do IPCA-15 traz um alívio limitado, pois não desmonta a tese de juros elevados. Segundo ele, “o crédito não para, mas fica mais caro, mais curto e concentrado em melhores garantias e tomadores de menor risco”. 

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Peterson Rizzo, head de Relações com Investidores da Multiplike, reforça que a pressão inflacionária oriunda do mercado de trabalho exige postura prolongada do Banco Central, “adiando o alívio financeiro esperado por empresas e famílias”. 

No setor corporativo, Thiago Alves Secco, CFO da Friggi & Secco, lembra que a inflação resistente compromete orçamentos e encarece operações de fluxo de caixa, garantindo que o mercado corporativo precisa ser estratégico, pois “ainda há pouco espaço para decisões financeiras improvisadas”.



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Banco central do México mantém juro em 6,50% e sinaliza pausa mais longa


O banco central do México manteve sua taxa básica de juros estável e sinalizou que deve deixá-la em 6,50% por mais tempo, enquanto acompanha de perto a evolução da inflação e do crescimento econômico.

A autoridade monetária, conhecida como Banxico, preservou a taxa no menor nível em quatro anos nesta quinta-feira, em decisão esperada pelos 30 economistas consultados pela Bloomberg.

“À frente, a Junta de Governo estima que será apropriado manter a taxa de referência em seu nível atual”, escreveram os membros do colegiado em comunicado que acompanhou a decisão. A votação do conselho de cinco integrantes do Banxico foi unânime.

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O comunicado descreveu o nível atual dos juros como “bem ajustado” para enfrentar eventuais desafios trazidos pelo ambiente macroeconômico. O Banxico também sinalizou que a fraqueza econômica deve continuar, com riscos relevantes para a atividade persistindo, embora sem especificar um horizonte de tempo.

“O sinal enviado pelo Banco do México é significativo, mesmo à luz dos dados mais recentes de inflação”, disse Adriana García, chefe de análise econômica do think tank México ¿Cómo Vamos?. Embora tenha se comprometido a manter a taxa básica estável, acrescentou ela, o Banxico também reconheceu riscos altistas para a inflação. “Se eles se concretizarem, o banco será forçado a agir.”

Embora a inflação cheia tenha arrefecido, a autoridade monetária tende a dar mais peso ao núcleo, que exclui os preços mais voláteis de energia e alimentos.

“O banco central ainda evita declarar vitória, especialmente porque a perspectiva para a inflação subjacente continua desafiadora”, afirmou Dan Pan, economista para as Américas do Standard Chartered Bank. Ela apontou a preocupação do banco com o crescimento econômico fraco, mas observou que, por ora, a instituição não parece disposta a alterar os juros em resposta às pressões maiores de preços.

O peso mexicano teve pouca variação após a decisão, embora tenha chegado a subir até 0,6% com a recuperação de pares de mercados emergentes. A moeda era negociada em torno de 17,50 pesos por dólar às 14h10 na Cidade do México.

Yazmín Matus, subdiretora de mercados de dívida da VALMEX Casa de Bolsa, alertou que a sinalização futura do Banxico de manter os custos de empréstimo estáveis “segue sujeita aos desdobramentos da política monetária dos EUA, que parece altamente dependente dos dados econômicos”.

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Os formuladores de política, liderados pela presidente Victoria Rodríguez, vinham afrouxando a política monetária apesar das persistentes pressões inflacionárias, à medida que o investimento fraco e a incerteza comercial ainda pesam sobre o crescimento. O Produto Interno Bruto do México encolheu 0,6% no primeiro trimestre, e o Banxico reduziu sua projeção de crescimento para 2026 de 1,6% para 1,1%.

Depois de um corte de 0,25 ponto percentual na reunião anterior, os formuladores de política destacaram em seguida que o ciclo de afrouxamento iniciado em março de 2024 havia terminado.

A inflação anual desacelerou mais do que o esperado no início de junho, para 3,55%, ainda acima da meta de 3%, com margem de um ponto percentual para cima ou para baixo, enquanto o núcleo ficou em 4,12%.

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“Espera-se que o investimento continue apresentando desempenho fraco pelo menos até o segundo semestre de 2026, refletindo a incerteza predominante em torno da relação comercial com os Estados Unidos e da próxima revisão do USMCA”, segundo relatório do Banxico divulgado no mês passado.

© 2026 Bloomberg L.P.



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Cade arquiva processo contra 99Food por suposta conduta anticompetitiva


A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (SG/Cade) decidiu arquivar nesta quinta-feira, 25, o inquérito administrativo que investigava a 99Food por supostas práticas anticompetitivas no mercado de delivery de refeições.

A decisão foi assinada pelo superintendente-geral Alexandre Barreto em seu último dia no cargo. Em despacho, ele afirmou que não foram encontrados indícios suficientes de infração à ordem econômica para justificar a continuidade do caso.

O caso teve origem em representação apresentada pela Keeta Delivery Brazil, braço internacional da chinesa Meituan, que acusava a concorrente de adotar cláusulas contratuais que restringiriam a atuação de novos entrantes no mercado brasileiro de delivery.

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Segundo a Keeta, as cláusulas investigadas impediriam restaurantes e outros parceiros comerciais de contratar ou operar com determinadas plataformas concorrentes, o que, na avaliação da empresa, configuraria uma restrição indevida à concorrência.

Apesar do arquivamento pela área técnica, a disputa ainda não está encerrada. A Keeta informou que há um recurso em análise pelo Tribunal do Cade, instância máxima de decisão da autoridade antitruste, que poderá manter ou reverter o entendimento da Superintendência-Geral.

Em nota, o vice-presidente da Keeta no Brasil, Danilo Mansano, afirmou que a companhia segue confiante de que o Tribunal dará atenção ao caso. “Acreditamos que restaurantes devem ter liberdade para diversificar canais de vendas, entregadores parceiros devem ter mais oportunidade de geração de renda, e consumidores devem se beneficiar de um maior leque de opções e um serviço com mais qualidade”, disse.

Procurada, a 99Food ainda não se manifestou sobre a decisão.



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S&P vê fragilidade fiscal persistente, mas confirma rating ‘BB’ do Brasil


A S&P Global Ratings reafirmou os ratings soberanos do Brasil em “BB/B”, mantendo a perspectiva estável, ao avaliar que a posição externa robusta do país continua compensando suas fragilidades fiscais, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (25).

A decisão reflete, de um lado, déficits elevados e trajetória crescente da dívida pública e, de outro, fatores estruturais positivos, como reservas internacionais elevadas, câmbio flutuante e mercados financeiros domésticos profundos, que sustentam a capacidade de financiamento do país.

No dia, a Fitch Ratings reafirmou o rating de crédito soberano de longo prazo do Brasil em moeda estrangeira em “BB”, com perspectiva estável, destacando a resiliência da economia, a robustez das contas externas e a flexibilidade cambial como pilares de sustentação do perfil de crédito do país.

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A S&P Global projeta que os déficits do governo geral permaneçam próximos a 7% do PIB nos próximos anos, diante da ausência de medidas estruturais capazes de reduzir a rigidez orçamentária ou gerar superávits primários mais robustos.

Esse cenário deve continuar pressionando a dívida pública, que tende a subir para cerca de 74% do PIB até 2029, ante 60,4% em 2025. Ao mesmo tempo, o custo com juros deve permanecer elevado, consumindo cerca de 20% das receitas do governo.

Segundo a S&P, a principal limitação para um ajuste mais consistente está na própria estrutura do orçamento brasileiro, rígido e fortemente indexado, o que dificulta cortes de gastos e mudanças relevantes sem alterações constitucionais.

A agência também destaca que o ambiente político tende a dificultar reformas fiscais. Com eleições marcadas para outubro de 2026, os principais candidatos não têm priorizado o tema do ajuste nas campanhas.

Além disso, o sistema político brasileiro — com forte presença de pesos e contrapesos entre Executivo, Legislativo e Judiciário — contribui para decisões mais graduais, o que reforça uma abordagem pragmática, porém lenta, na condução de políticas públicas.

Nesse contexto, a S&P não espera mudanças significativas na política econômica no próximo governo, independentemente do resultado eleitoral.

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Do lado da atividade, a agência projeta crescimento do PIB de 1,8% em 2026, desacelerando em relação aos 2,3% registrados em 2025.

A expansão deve ser limitada por fatores como juros reais ainda elevados, inflação resiliente e alto endividamento das famílias, que tendem a frear o consumo.

No horizonte mais longo, a expectativa é de que o crescimento avance gradualmente para cerca de 2,2% até 2028, à medida que a política monetária se torne menos restritiva.

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Força externa segue como âncora

Apesar das fragilidades fiscais, a S&P destaca que a posição externa do Brasil permanece sólida e é um dos principais pilares do rating soberano. Entre os fatores positivos, estão: exportações robustas de commodities, especialmente em agricultura e energia; conta corrente moderada, próxima de 2% do PIB; financiamento externo sustentado por investimento estrangeiro direto (IED); elevado nível de reservas internacionais; baixa dependência de financiamento externo.

Além disso, o real é considerado uma moeda amplamente negociada e com regime de câmbio flutuante, o que contribui para absorver choques externos.

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Outro ponto destacado pela agência é o aprofundamento do mercado financeiro local, que permite ao governo financiar sua dívida majoritariamente em moeda doméstica.

Isso limita os riscos associados ao elevado endividamento e reduz a vulnerabilidade a choques externos, apesar da crescente participação de papéis indexados e pós-fixados.

A S&P também aponta que investidores estrangeiros aumentaram a exposição à dívida brasileira recentemente, atraídos pelos juros elevados, ampliando as fontes de financiamento.

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Galípolo diz que BC fornece informações sobre Pix em investigação dos EUA


O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o Banco Central está fornecendo informações sobre o Pix aos Estados Unidos no âmbito do processo do Escritório do Representante Comercial do país (USTR, na sigla em inglês) sobre práticas desleais brasileiras que prejudicariam o comércio americano.

— O Banco Central vem disponibilizando gente e tempo para auxiliar nas explicações necessárias para o governo americano — disse em entrevista coletiva à imprensa.

O USTR concluiu na investigação que o BC, por ser regulador do sistema financeiro e gestor do Pix, acaba privilegiando o meio de pagamentos em tempo real e prejudicando empresas americanas de pagamento. Esse é um dos fatores levados em consideração para recomendar uma tarifa de importação de 25% sobre produtos brasileiros. O tarifaço, no entanto, não começou a valer ainda. Há um período para contestação do governo e dos setores prejudicados e ainda terá uma audiência pública antes da decisão final de aplicar a medida.

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Galípolo disse ainda que a conclusão do USTR é um problema porque em poucas coisas o Brasil tem oportunidade de estar na fronteira do que há de mais e ser exemplo para o resto do mundo.

— É um sistema de pagamentos instantâneo que vários países do mundo querem vir aqui, entender, copiar. Mas o Brasil não é o único que tem. Hoje vários países têm. É um processo meio natural. É algo que, com o tempo, terá de ser devidamente aceito e incorporado.



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Sabíamos que parágrafo extra de comunicado do Copom geraria surpresa, diz Picchetti


O diretor de Política Econômica e de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Paulo Picchetti, fez uma longa explicação nesta quinta-feira, 25, sobre o mais recente comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), recebido negativamente pelo mercado. Segundo o diretor, a surpresa pode ter ocorrido porque o texto teve uma estrutura diferente da usual.

O Copom cortou a Selic de 14,5% para 14,25%, mesmo aumentando sua projeção de inflação para o horizonte relevante (3,5% para 3,7%). No comunicado, informou que a trajetória de política monetária necessária para assegurar a convergência no 4º trimestre de 2027 levaria a um IPCA abaixo da meta nos trimestres seguintes. Por isso, o comitê avaliou que “trajetórias alternativas” que levariam a inflação a 3% no 1º trimestre de 2028 ajudariam a não adicionar volatilidade à economia.

“A gente sabia que era uma decisão muito difícil pela conjuntura de toda incerteza, e pela deterioração do cenário que está expressa nesse balanço de riscos assimétrico altista”, disse Picchetti. “A gente optou pela transparência, porque era uma decisão que tinha de ser bem qualificada. E a gente achou que essa reação vinha no sentido de ser claro demais; e, na verdade, teve uma reação no sentido de falar que foi bastante confuso.”

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Segundo o diretor, o fato de o BC ter condensado uma série de discussões em um único parágrafo pode ter levado a uma dificuldade de entendimento, o que abre um debate sobre o “tamanho ótimo do comunicado”. No entanto, mesmo na ata do Copom, parte da sociedade continuou apontando dificuldade de compreender o texto – o que, para Picchetti, pode ser atribuído a uma falta de “guidance” para o futuro, ou ao fato de o Copom ter cortado mesmo apontando uma piora do cenário.

“Por estar num cenário bastante incerto, e a mudança de números de expectativas, de projeção e de leituras correntes entre o Relatório de Política Monetária passado e este, eu acho que fundamenta muito bem essa cautela por parte do Copom. A gente não vê valor esperado positivo em se comprometer com uma sinalização explícita nesse momento, que simplesmente nos tiraria graus de liberdade”, disse.

Ele acrescentou, ainda, que o BC optou por sinalizar o que ocorreria no primeiro trimestre de 2028 por considerar que a inflação seria puxada para cima por um choque de oferta, que se dissiparia até esse horizonte. Portanto, a relação custo-benefício seria mais alta do que de adotar uma trajetória de juros suficiente para forçar o IPCA à meta no quarto trimestre de 2026.

Picchetti ainda criticou a ideia de que o BC pudesse ter um viés dovish por se opor a obter uma inflação abaixo da meta por vários trimestres. “Eu queria deixar bem claro que, pela própria natureza do regime de meta, os intervalos de tolerância existem para acomodar eventuais desvios que são resultados de choques de oferta”, disse.



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Há confusão sobre o que é ser mais claro e comunicar o que se vai fazer, diz Galípolo


O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira, 25, que há uma confusão nas críticas feitas ao Comitê de Política Monetária (Copom) sobre o que é ser mais claro no comunicado e o que é sinalizar o que vai fazer.

“Uma coisa não pode ser confundida com a outra, você pode ser mais claro no comunicado sem precisar comunicar o que você vai fazer”, disse Galípolo, que participa de coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre.

Ele diferenciou que há dois tipos de críticas ao Copom nesse momento. A primeira vem de setores que se contrapõem a uma taxa de juros significativamente restritiva e a segunda é comum em momentos de maior incerteza, nos quais há um desejo maior por algum tipo de guidance, pedidos de sinalização sobre o que o BC fará no futuro.

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Sobre essa segunda categoria, frisou que nenhum outro Banco Central está isso no atual momento, de incerteza, e que nem a literatura recomenda o uso de guidances em períodos de incerteza. “Pode ser contraproducente para a própria eficiência da política monetária”, disse.

Galípolo afirmou que o mercado está “no direito de pedir essa informação” e que o “BC vai preservar o seu direito de não dar essa informação quando ele achar que não interessa”. “Não porque estamos escondendo o que vamos fazer, mas porque em um ambiente como esse, a decisão será tomada daqui 40 dias na próxima reunião”, disse o presidente da autoridade monetária, que reiterou a importância de usar o tempo entre os encontros do Copom para coletar dados.



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FMI se diz confiante com pagamento da Argentina mesmo após equipe sinalizar riscos


“A Argentina efetuou todos os seus pagamentos ao Fundo, e estamos confiantes de que ⁠continuará ‌fazendo-o”, afirmou Julie Kozack

25 Jun (Reuters) – O ⁠Fundo Monetário Internacional está ⁠confiante de que a Argentina continuará ‌pagando o que deve ao FMI, mesmo que um relatório de sua ‌própria equipe descreva a capacidade de pagamento como sujeita a riscos excepcionais.

“A Argentina efetuou todos os seus pagamentos ao Fundo, e estamos confiantes de que ⁠continuará ‌fazendo-o. Não temos nenhuma preocupação a ⁠esse respeito”, afirmou Julie Kozack, diretora do departamento de comunicações do FMI.

Ela destacou o “papel importante” das instituições financeiras internacionais e de outros bancos ​multilaterais de desenvolvimento no apoio às estratégias de financiamento de um ​país.

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No mês passado, porém, a equipe técnica do FMI sinalizou “riscos excepcionais” à capacidade de pagamento da Argentina.

“A capacidade da Argentina de honrar suas ‌obrigações perante o Fundo ​continua sujeita a riscos excepcionais e depende de sua capacidade de fortalecer a cobertura das reservas ⁠e ​recuperar o ​acesso ao mercado de maneira oportuna e sustentável”, escreveu ⁠a equipe do ​FMI em maio.

“O nível baixo de reservas líquidas da Argentina continua representando riscos para ​sua capacidade de pagamento, especialmente considerando as obrigações de dívida de ​curto prazo ⁠muito elevadas e a volatilidade potencial antes das ⁠eleições presidenciais de 2027.”

A Argentina enfrenta pagamentos de dívida de quase US$23 bilhões, incluindo ao FMI, em 2027.



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Picchetti nega alongamento do horizonte relevante do Copom: “situação especial”


O diretor de Política Econômica e de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central, Paulo Picchetti, negou nesta quinta-feira, 25, que o Comitê de Política Monetária (Copom) tenha feito um “alongamento” do horizonte relevante na última decisão, quando diminuiu a Selic de 14,50% para 14,25%.

“A gente não está alongando o horizonte relevante e a gente não pretende fazer isso, foi simplesmente uma situação muito especial que nos levou a chamar atenção para isso nesse conjunto de comunicados”, disse Picchetti, durante entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre, divulgado nesta manhã.

Na última decisão, o Copom informou que a Selic necessária para levar o IPCA à meta no horizonte relevante, o quarto trimestre de 2027, ocasionaria volatilidade e resultaria em uma inflação abaixo da meta por vários trimestres. Por isso, foram avaliadas trajetórias alternativas, mirando o primeiro trimestre de 2028.

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O diretor acrescentou que o Copom não publica cenários alternativos em momentos como o atual, em que os condicionantes da inflação não têm estabilidade relevante. Hoje, o uso de um expediente como esse limitaria os graus de liberdade do BC e poderia sinalizar uma trajetória de juros que não é considerada a melhor pelo comitê, ele disse.



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“Problema foi de excesso, e não de falta de informação do Copom”, diz Galípolo


O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira, 25, que o problema na comunicação da reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom) foi de excesso, e não de falta de informação.

“É um caso particular de uma incompreensão, um ruído que foi gerado a partir daquele parágrafo que decorre da tentativa de explicar uma série de coisas em um espaço que é muito apertado, muito conciso do próprio comunicado”, disse Galípolo, que participa de entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre.

“A responsabilidade, se o parágrafo não conseguiu transmitir aquilo que queríamos em um espaço conciso, é absolutamente minha aqui”, acrescentou o banqueiro central, que observou que o comunicado apresenta o que é consenso no colegiado.

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Galípolo frisou que não há nenhum tipo de mudança do ponto de vista da política monetária e disse que a discussão que pode ficar é sobre o nível de detalhamento dado no comunicado. “Talvez seja mais pertinente realmente a gente deixar os nossos comunicados mais concisos e reservar explicações como essa para a ata.”

O banqueiro central ponderou que a decisão de cortar a Selic em 0,25 ponto porcentual foi apontada pela maioria dos participantes do Questionário pré-Copom (QPC) como a que deveria ser tomada. Mencionou também que na data da reunião a curva de juro precificava mais de 20 pontos de corte.



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