Categorias
economia

Vitórias de Ticket e VR na Justiça devem forçar reabertura do debate de regras para o setor de benefícios 


A implementação das novas regras para o setor de benefícios teve sua primeira grande decisão no Judiciário. Na última terça-feira (20), o juiz Maurício Freitas Maia de Queiroz, da 12ª Vara Federal de São Paulo, suspendeu em caráter provisório os efeitos do decreto do governo Lula que mudou as regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) para a Ticket, operadora de cartões de benefícios da francesa Edenred. A VR, segundo fontes relataram ao InvestNews, também obteve liminar que derrubou os efeitos do decreto na tarde desta quarta-feira (21).

O despacho, ao qual o InvestNews teve acesso, proíbe a União de fiscalizar ou impor qualquer punição à Ticket pelo descumprimento das regras do novo PAT a partir de 10 de fevereiro deste ano. É quando entra em vigor uma série de medidas, como a limitação em 3,6% das taxas que as operadoras de benefícios podem cobrar dos restaurantes, supermercados e afins. Atualmente, a taxa média cobrada pelas dominantes do mercado, como a Ticket, gira em torno de 7%, segundo um dado da LCA Consultores.

Além dela, também entra em vigor a chamada tarifa de intercâmbio, que é cobrada pelas bandeiras (como Mastercard e Visa) a operadoras de benefícios. Essa, por sua vez, terá um teto de 2%. E ficou determinado que as empresas que operam em um sistema de pagamentos conhecido como arranjo fechado, caso da Ticket, têm de se adaptar ao arranjo aberto. Ou seja, os vouchers de vale-refeição passarão a ser aceitos em qualquer máquina de estabelecimentos cadastrados como padarias, restaurantes ou supermercados etc.

A medida judicial já era esperada. Tão logo o governo oficializou o decreto, em novembro de 2025, a Edenred comunicou a seus investidores que estudava alguma ação judicial. A princípio, a ideia era realizar um movimento organizado por meio da Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador, a ABBT, mas a dona da Ticket se movimentou antes.

O InvestNews apurou que as principais questões por trás da ação movida pelas empresas são relacionadas aos prazos para adequação às novas regras e, sobretudo, ao arranjo aberto. Na visão de pessoas ligadas às chamadas “incumbentes”, as dominantes do mercado, a mudança do regime pode prejudicar a fiscalização e facilitar o desvio do volume pago por meio do programa para outras finalidades, como bets e o consumo de álcool.

Em comunicado oficial, a Ticket disse que busca “segurança jurídica e preservar a integridade e o funcionamento do programa, em um contexto de mudanças regulatórias relevantes”. A operadora afirmou também que é “favorável à modernização do PAT”, mas “defende que eventuais mudanças ocorram de forma equilibrada, considerando os impactos para empresas, trabalhadores e estabelecimentos”.

Ao InvestNews, o governo, por meio do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), prometeu recorrer das decisões. “Ainda não recebemos a notificação. Assim que formos notificados, recorreremos”, afirmou em nota.

Decisão abre precedente

O que o governo pretende, com o decreto, é combater o que ele classifica como “oligopólio” nesse mercado. Hoje, quatro grandes empresas que operam nesse segmento há mais tempo detêm cerca de 80% da receita do setor, que movimenta mais de R$ 150 bilhões ao ano. São elas: Alelo, VR, Ticket e Pluxee, antigamente conhecida como Sodexo. Aos olhos dos novos players desse mercado, elas são conhecidas como “incumbentes” (o equivalente a “dominantes”), um termo rechaçado pelas grandes.

Agora, as decisões devem forçar uma reabertura do diálogo com as líderes do mercado, que reclamavam das medidas. O InvestNews apurou que as outras dominantes (Alelo e Pluxee) do mercado já se movimentaram para conseguir vitórias semelhantes. A ABBT disse que as ações movidas pelo setor são individuais e que a entidade mantém “diálogo com o governo”.

Entre as desafiantes às líderes, paira uma sensação de incerteza sobre o futuro da decisão, às vésperas da implementação das novas regras. “Nós esperamos que essa liminar não abra espaço para insegurança jurídica, pois isto vai contra um decreto do governo federal publicado após amplas discussões com as empresas”, afirma Julio Brito, CEO da Swile. “Nós recebemos com surpresa e entendemos que decisões como esta apenas refletem mais um momento do mercado onde as empresas dominantes tentam, de novo, manter os velhos modelos em operação, com seus ganhos extraordinários, e reduzir cada vez mais o poder de compra dos trabalhadores.”

Para Paulo Solmucci, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), a decisão abre espaço para ajustes nas regras. “Eu, pessoalmente, gostaria de voltar a discutir a única solução que penso ser justa e de mercado: uma dinâmica em que tanto quem recebe os vales (restaurantes e mercados) quanto quem os adquire para seus funcionários dividam a conta. A lei prevê isso, é como funciona no vale cultura. Não é justo que a conta fique toda com o nosso setor e também é um absurdo voltarmos a ter tabelamento de preços”, afirma ele.



Veja matéria completa!

Categorias
economia

Como o Irã tem usado criptoativos para driblar a crise do rial e as sanções dos EUA


O Banco Central do Irã comprou mais de US$ 500 milhões em ativos digitais atrelados ao dólar no último ano como forma de mitigar a crise cambial e contornar sanções dos EUA, informou a empresa de análise de blockchain Elliptic, em um relatório.

Segundo a Elliptic, citando documentos vazados e sua própria pesquisa, o CBI realizou duas compras da stablecoin USDT, vinculada ao dólar e emitida pela Tether, em abril e maio de 2025. Até junho de 2025, a maior parte dos fundos foi direcionada a uma exchange de criptomoedas iraniana, onde usuários podiam manter USDT, trocar por outras criptomoedas ou vender por riais.

Após o ataque hacker à exchange em junho, feito por um grupo pró-Israel, os fluxos mudaram: o USDT foi convertido em outros ativos e movimentado por diversas blockchains.

A economia iraniana está amplamente isolada dos mercados financeiros globais desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, abandonou o acordo nuclear histórico em 2018 e impôs sanções rigorosas ao país. Restrições às exportações de petróleo, principal fonte de receita em moeda estrangeira do Irã, reduziram a oferta de divisas, assim como a incapacidade de repatriar ganhos de exportação e a exclusão do sistema bancário SWIFT. Isso dificultou a defesa do valor do rial pelo CBI e agravou a inflação.

A Elliptic afirmou que o banco central iraniano tem usado a stablecoin para conter a desvalorização do rial e realizar pagamentos relacionados ao comércio internacional, criando um “mecanismo bancário à prova de sanções” e “uma camada financeira paralela capaz de manter valor em dólar fora do alcance das autoridades dos EUA”.

Em nota, a Tether afirmou que mantém “tolerância zero ao uso criminoso de nossos tokens” e que segue “as diretrizes da OFAC em relação a Pessoas Especialmente Designadas”, referindo-se ao escritório do Tesouro dos EUA responsável por entidades sancionadas.

O CBI não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Bloomberg. Autoridades iranianas impuseram severas restrições à internet e redes telefônicas desde 8 de janeiro, quando os protestos se intensificaram e as forças de segurança iniciaram uma repressão mortal aos manifestantes.

Em relatório divulgado na semana passada, a empresa de análise de blockchain Chainalysis avaliou o setor cripto iraniano em US$ 7,78 bilhões em 2025, à medida que cada vez mais iranianos buscam proteger seus ativos da inflação galopante e encontrar alternativas aos dólares e euros, cada vez mais caros.



Veja matéria completa!

Categorias
economia

Rombo do Will Bank para o FGC alcança R$ 6,3 bilhões


O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) divulgou nesta quarta-feira uma estimativa de R$ 6,3 bilhões para o pagamento de depositantes e títulos elegíveis aos pagamentos com a liquidação do Will Bank.

O mercado estimava valores entre R$ 6,5 bilhões e R$ 7,5 bilhões que estariam elegíveis ao ressarcimento para investidores e depositantes. Com a confirmação do fundo, o total de indenizações ligadas ao conglomerado do Banco Master já alcança R$ 47,3 bilhões, cerca de 40% do caixa do FGC.

A partir da liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada eplo Banco Central nesta quarta-feira (21), as negociações com CDBs da instituiçnao ficam paralisadas e os depósitos, bloqueados. E isso vale tanto para novos depósitos e resgates quanto para compra e venda no mercado secundário.

A partir desta data, o FGC vai fazer as contas para assumir os pagamentos. Os reembolsos do fundo acontecem só depois que o fundo recebe a lista de credores, que é enviada pelo liquidante, escolhido pelo BC. Apenas com essa lista em mãos é que o FGC conseguirá definir o cronograma de devolução do dinheiro.

Ainda não há informações de quanto tempo vai demorar para isso acontecer. Como os desembolsos do Banco Master já estão em curso, espera-se que o pagamento do Will Bank não leve tanto tempo como foi com o controlador.

E não são só os CDBs que deixam de ser negociados. Outros produtos financeiros também são congelados: conta corrente, poupança, RDBs (Recibos de Depósito Bancário) – semelhantes a um CDB comum, mas, em geral, com menos liquidez – e letras de crédito, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA).



Veja matéria completa!

Categorias
economia

Bolsas da Europa sobem após Trump descartar força contra Groenlândia


Depois de dois dias de fortes perdas no início da semana, os principais índices das bolsas de valores da Europa fecharam em alta, nesta quarta-feira (21/1), acompanhando uma onda de maior otimismo nos mercados após o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça).

Embora os investidores ainda estejam temerosos em relação à escalada retórica de Trump e às novas ameaças do presidente norte-americano contra países europeus que não apoiem seu plano de tomar posse da Groenlândia, o mercado reagiu com alívio à fala do republicano em Davos, praticamente descartando uma ação militar contra a região autônoma que pertence à Dinamarca.


O que aconteceu

  • O índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas europeias listadas em bolsas, fechou em leve queda de 0,02%, aos 602 pontos, praticamente estável em relação à sessão anterior.
  • Em Paris, o CAC 40 registrou ganhos de 0,08%, aos 8 mil pontos.
  • Em Londres, o índice FTSE 100 encerrou o pregão em alta de 0,11%, aos 10,1 mil pontos.
  • O Ibex 35, de Madri, também fechou no azul, com leve alta de 0,06%, aos 17,4 mil pontos.
  • A exceção ficou com a Bolsa de Frankfurt, na Alemanha. O índice DAX terminou o dia em queda de 0,58%, aos 24,5 mil pontos.

Trump exige negociação por Groenlândia

Em discurso de mais de uma hora, em Davos, na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial, o presidente dos EUA, Donald Trump, descartou o uso da força pelo domínio da Groenlândia, mas exigiu “negociações imediatas” para a compra do território pertencente à Dinamarca.

“Eu tenho um grande respeito pelo povo da Groenlândia e pelo povo da Dinamarca, mas todo integrante da Otan tem a obrigação de ter a capacidade de defender seu território, e a verdade é que nenhum país ou grupo de países tem a capacidade de defender a Groelândia, além dos EUA”, afirmou Trump.

Segundo o presidente dos EUA, a “Groenlândia pode ter papel vital na paz do mundo”. “Quero um pedaço de gelo para proteger o mundo”, ressaltou.

Sobre o continente europeu, Trump comentou: “Amo a Europa e quero ver a Europa se dando bem, mas ela não está na direção correta”. “Alguns países da Europa podiam nos seguir nesse caminho (econômico), porque alguns lugares da Europa não são mais reconhecíveis”, alegou.

O mandatário dos EUA pontuou que, “nas décadas recentes, tornou-se consenso em Washington que a única maneira de crescer a economia ocidental era através do gasto governamental para a migração em massa sem controle”. “Isso trouxe empregos sujos, a indústria pesada foi mandada para outro lugar, a energia com bom custo foi substituída por esse ‘golpe verde’, e os países passaram a importar populações de terras distantes. Esse foi o caminho que o dorminhoco do Biden fez”, completou.

A tensão política entre os EUA e a Europa aumentou após Trump ameaçar impor taxa a oito países europeus (Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda e Reino Unido), pressionando o bloco a aceitar os desejos dos EUA pela Groenlândia.

A Groenlândia é um território autônomo, porém pertencente ao reino da Dinamarca. O país faz parte da Otan, assim como os EUA. O premiê da ilha, Jens-Frederik Nielsen, já declarou que o território não será governado pelos EUA, ressaltando que faz parte da Dinamarca.

Diversos países da Europa, que fazem parte da Otan, enviaram militares ao território da Groenlândia. A União Europeia (UE) realizou reunião de emergência após as ameaças de tarifas adicionais e prepara uma retaliação bilionária contra os EUA.



Veja matéria completa!

Categorias
economia

Como acionar o FGC após a liquidação do Will Bank: quem tem direito e o que fazer agora


O Banco Central (BC) decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A., conhecida como Will Bank, uma instituição vinculada ao Banco Master. A medida decorre da deterioração financeira dafintech e do fato de que ela não conseguiu manter pagamentos essenciais — o que levou, inclusive, ao bloqueio de sua participação no sistema de pagamentos.

Com a liquidação, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) entra no processo para assegurar que os investidores e correntistas tenham seus valores devidos ressarcidos dentro dos limites legais. O impacto total para o FGC, somando as contas do Master e agora do Will Bank, pode chegar a R$ 48 bilhões.

A liquidação do Will Bank amplia significativamente o volume de recursos que o FGC terá de desembolsar no maior processo de garantia já visto no Brasil. Isso reforça a importância de conhecer os limites e procedimentos de acionamento do fundo para quem investe em renda fixa.

Quem pode acionar o FGC no caso do Will Bank

Podem pedir a garantia do fundo:

  • Pessoas físicas com CPF que tenham CDBs ou depósitos no Will Bank cobertos pelo FGC;
  • Pessoas jurídicas com CNPJ nas mesmas condições;
  • Representantes legais ou herdeiros, desde que devidamente documentados.

O ponto principal para ter direito é que os valores estejam em produtos cobertos pelo FGC, como títulos de renda fixa emitidos pela instituição liquidada.

Quais produtos têm cobertura e o limite da garantia

O FGC funciona como uma espécie de “seguro” para proteger investidores quando bancos ou financeiras entram em regime de liquidação ou falência. Ele cobre aplicações em produtos como CDBs, LCI, LCA, letras de câmbio, poupança e depósitos à vista ou a prazo, desde que emitidos por instituições associadas ao fundo.

Limite de cobertura:

  • Até R$ 250 mil por CPF/CNPJ por instituição financeira;
  • Existe um teto global de R$ 1 milhão por investidor a cada quatro anos — mesmo que o cliente tenha valores em diferentes instituições.

Isso significa que se um investidor tinha, por exemplo, R$ 400 mil em CDBs no Will Bank, apenas R$ 250 mil estariam cobertos pelo FGC; os R$ 150 mil excedentes podem ficar sujeitos ao processo de liquidação e recuperação de ativos.

Como acionar o FGC no caso Will Bank

A seguir, confira um passo a passo de como acionar o FGC no caso Will Bank.

1- Aguarde a relação de credores:

O liquidante nomeado pelo Banco Central prepara uma lista oficial de todos os investidores com valores a receber. Sem essa lista, o FGC não consegue iniciar o pagamento.

2 – Baixe o app oficial do FGC ou acesse o portal:

O pedido deve ser formalizado pelo aplicativo do FGC – Fundo Garantidor de Créditos ou pelo site oficial, com dados como CPF/CNPJ, documentos pessoais e conta bancária para o recebimento.

3- Faça o cadastro e envie documentos:

Preencha seus dados, anexe comprovantes de titularidade e informe a banco/conta onde quer receber o dinheiro. Não é preciso ir a uma agência nem pagar taxas para usar o serviço.

4 – Solicite o ressarcimento:

Após cadastrar tudo corretamente e após o FGC receber a relação de credores, o pagamento é organizado de acordo com a ordem em que os pedidos são validados — não por tipo de cliente ou valor investido.

5 – Acompanhe o status:

No app ou portal, o cliente pode acompanhar o andamento e eventuais etapas adicionais de verificação pelo FGC.

Prazo, juros e outros detalhes que o investidor deve saber

Não há prazo legal fixo: o FGC só começa a pagar depois que o liquidante envia a lista completa de credores. Em casos recentes, essa preparação pode levar dias a algumas semanas antes que os pagamentos sejam liberados.

Juros futuros não são pagos: o fundo devolve o valor aplicado mais os juros acumulados até a data da liquidação; rendimentos após essa data não entram na conta.

Quem não acionar não recebe automaticamente: é indispensável que o investidor solicite o ressarcimento nos canais oficiais. Caso contrário, ele continua esperando sem receber mesmo com o processo em andamento.



Veja matéria completa!

Categorias
economia

Ouro bate recorde histórico com incerteza gerada por "efeito Trump"


No início da tarde, os contratos futuros do ouro para fevereiro registravam alta de 1,57% e eram negociados a US$ 4.840,70 por onça-troy



Veja matéria completa!

Categorias
economia

Após novela, Cade e Aneel dão sinal verde à compra da Emae pela Sabesp


As duas decisões foram em sentido contrário à reivindicação da Phoenix Água e Energia, ligada ao empresário Nelson Tanure. Entenda o caso



Veja matéria completa!

Categorias
economia

Fraude na Americanas foi arquitetada e liderada por ex-CEO, diz CVM


A fraude contábil bilionária na Americanas, considerada o maior escândalo da história do varejo brasileiro e que completa três anos neste mês de janeiro, foi arquitetada e liderada por Miguel Gutierrez, ex-CEO da companhia, segundo a conclusão da Superintendência de Processos Sancionadores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Dos mais de 40 investigados pelas autoridades policiais por suposto envolvimento no esquema, 31 agora também foram apontados pela CVM como envolvidos nas irregularidades. Entre eles, estão diretores, gestores e colaboradores de diferentes áreas da Americanas.

Segundo a CVM, os envolvidos teriam atuado sem o conhecimento do Conselho de Administração ou dos comitês da empresa. A informação foi publicada inicialmente pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

As conclusões da CVM corroboram as investigações sobre o caso conduzidas pelo Ministério Público Federal (MPF). Em outubro do ano passado, o ex-diretor da Americanas Márcio Cruz Meirelles, que fechou acordo de delação premiada com o MPF, afirmou em seu depoimento que Gutierrez tinha a “palavra final” para determinar as manipulações e fraudes reveladas naquele que é considerado o maior escândalo da história do varejo brasileiro.

O conteúdo das declarações do ex-diretor foi incluído na denúncia apresentada pelo órgão em março de 2025, na qual foram mencionados outros 12 ex-executivos e ex-funcionários da Americanas. De acordo com o MPF, o grupo teria sido responsável por fraudes estimadas em pelo menos R$ 22,8 bilhões.

A delação do ex-diretor da Americanas foi dividida em quatro anexos, com dados sobre sua relação patrimonial, seu histórico na varejista, a pressão por resultados na companhia e seu primeiro contato com as fraudes contábeis.

Até então, haviam sido firmadas três delações no caso Americanas, pelos ex-executivos Marcelo Nunes, Flávia Carneiro e Fabio Abrate.

O novo delator afirmou aos investigadores que o líder do esquema de fraudes na Americanas era o próprio Gutierrez, com participação de Anna Saicali, ex-CEO da B2W (braço de comércio eletrônico da empresa).

O que diz a CVM

O processo de apuração do escândalo da Americanas na Superintendência de Processos Sancionadores da CVM terminou no fim do ano passado. A recomendação técnica do órgão foi a de instauração de um processo para a punição dos envolvidos e para que toda a investigação seja encaminhada ao MPF, que já vem apurando o caso.

Os acusados pelas supostas irregularidades foram citados para a etapa de defesa no processo. Em tese, eles poderão propor termos de compromissos, buscando acordos para encerrar o caso. Apenas após a conclusão dessa etapa, o colegiado da CVM deve julgar o processo.

“Deixar de punir a companhia seria gritarem alto brado aos administradores de todas as outras companhias que basta atribuir a diretores não estatutários a responsabilidade pelas assinaturas para eximir-se de qualquer responsabilidade”, diz o documento da CVM.

Segundo o órgão, “não punir a companhia seria o mesmo que ensinar a todo o mercado o caminho para nunca mais ser punido”.

“Ademais, as vítimas foram os acionistas, debenturistas e outros detentores de valores mobiliários. Os representantes legais da companhia eram os seus diretores estatutários e a fraude foi cometida por vários deles, no exercício de suas funções estatutárias. Dessa forma, não cabe à companhia buscar eximir-se de suas responsabilidades”, aponta a CVM.

Entre os então diretores estatutários da Americanas, além de Gutierrez, aparecem Anna Saicali, José Timóteo de Barros, Márcio Cruz Meirelles e Fábio Abrate – que, de acordo com os investigadores, teriam integrado o núcleo principal que articulou a fraude.

“(Gutierrez) Deve ser responsabilizado por ter, por pelo menos uma década, comandado o esquema de manipulação de preços no mercado de valores mobiliários que se instalou em Americanas, perpetrado por meio de fraudes incrementais e continuadas, com emissões de valores mobiliários cujas ofertas baseavam-se em informações falsas, conduta esta agravada pelo fato de ter sido diretor-presidente, membro do Conselho de Administração e membro e presidente do Conselho de Administração de B2W, conselhos nos quais votou pela aprovação e encaminhamento, à Assembleia Geral de Acionistas, de Demonstrações Financeiras que sabia fraudadas, além de responsável por sua publicação”, afirma a CVM.

Escândalo na Americanas

No dia 11 de janeiro de 2023, a Americanas informou ao mercado que havia detectado “inconsistências contábeis” em seus balanços corporativos. Até então, o rombo era estimado em cerca de R$ 20 bilhões. Era o início do desmoronamento de uma das companhias mais tradicionais do país.

O episódio, hoje apontado como o maior escândalo corporativo da história do Brasil, deflagrou uma série de acontecimentos que levaram a Americanas à lona. Três anos depois, a varejista ainda está longe de recuperação total.

Em abril de 2025, o MPF denunciou 13 ex-executivos e ex-funcionários da Americanas por supostas fraudes na companhia, cujo prejuízo é estimado em cerca de R$ 25 bilhões. A decisão foi tomada após a Polícia Federal (PF) indiciar os envolvidos.

Entre os denunciados pelo MPF, estão o ex-CEO da Americanas Miguel Gutierrez, além de Anna Saicali (ex-CEO da B2W) e dos ex-vice-presidentes Thimoteo Barros e Marcio Cruz.

Também fazem parte da lista os ex-diretores Carlos Padilha, João Guerra, Murilo Correa, Maria Christina Nascimento, Fabien Picavet, Raoni Fabiano, Luiz Augusto Saraiva Henriques, Jean Pierre Lessa e Santos Ferreira e Anna Christina da Silva Sotero.

Todos eles foram denunciados pelos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado. Nove pessoas também foram denunciadas por informação privilegiada.

Os três acionistas de referência da empresa – além de Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira – não foram denunciados.



Veja matéria completa!

Categorias
economia

Berkshire avalia vender participação na Kraft Heinz


A Berkshire Hathaway pode vender em breve parte ou a totalidade de sua participação na Kraft Heinz, apenas alguns meses depois de a fabricante de queijos e ketchup anunciar planos de se dividir em duas empresas.

Em documento enviado ao mercado nesta quarta-feira (21), a Kraft Heinz informou que está colocando à venda, de forma potencial, mais de 325 milhões de ações ordinárias detidas por seu maior acionista, a Berkshire Hathaway. As ações da Kraft Heinz chegaram a cair até 5,7% no pré-mercado após a divulgação da notícia.

No ano passado, o investidor lendário Warren Buffett expressou decepção com a decisão da companhia de se desmembrar, apesar de já ter afirmado que a combinação firmada em 2015 não havia funcionado conforme o esperado.

A Berkshire Hathaway, que detém cerca de 28% do capital da empresa, reconheceu no ano passado uma baixa contábil (impairment) de US$ 3,8 bilhões em seu investimento na multinacional de alimentos. Com isso, as perdas acumuladas com a Kraft Heinz somam US$ 8,4 bilhões.

A Kraft Heinz atravessa um amplo processo de reestruturação e anunciou que será dividida em duas companhias cerca de uma década após a megafusão de US$ 46 bilhões. A empresa nomeou um novo diretor-presidente no mês passado. O presidente do conselho já atribuiu o fraco desempenho a uma estrutura corporativa excessivamente complexa e à dificuldade de focar na alocação de capital e na definição dos projetos prioritários.

O processo para desfazer a megafusão começou no ano passado. Uma das novas empresas reunirá marcas como o ketchup Heinz, condimentos e outros alimentos embalados, com US$ 15,4 bilhões em vendas anuais. A outra ficará com produtos como as salsichas Oscar Mayer e os Lunchables, que atualmente geram US$ 10,4 bilhões em receita. A separação deve ser concluída no segundo semestre deste ano.

No mês passado, a companhia anunciou Steve Cahillane como novo CEO. Ele liderou a divisão da Kellogg em 2023 e supervisionou a venda de uma das empresas resultantes, a Kellanova, para a Mars, Incorporated.



Veja matéria completa!

Categorias
economia

Azul aprova plano de negócios e garante aporte de US$ 100 milhões para sair do Chapter 11


A Azul informou nesta quarta-feira (21) que aprovou um plano de negócios atualizado que prevê a antecipação da saída do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (Chapter 11), apoiada por novos aportes financeiros e ajustes operacionais. A expectativa da companhia é concluir o processo já em fevereiro, conforme comunicado ao mercado.

Segundo a aérea, o novo plano mantém a projeção de que a empresa deixará o Chapter 11 em uma condição “significativamente mais saudável”, com menor endividamento total, redução dos passivos e pagamentos de arrendamento de aeronaves e uma alavancagem consideravelmente inferior.

O plano incorpora novos desenvolvimentos que reduzem os riscos da reestruturação, incluindo acordos com fabricantes de aeronaves (OEMs), que melhoram o cronograma de entregas da frota, e negociações com bancos locais, com condições comerciais mais favoráveis. Também foram considerados os resultados operacionais até novembro de 2025 e um acordo fechado com o Comitê de Credores Quirografários, no âmbito do Chapter 11.

Como parte do reforço financeiro, credores e outros stakeholders concordaram em realizar um aporte adicional de US$ 100 milhões (R$ 538 milhões), permitindo que a saída do processo ocorra de forma antecipada. Com isso, o volume total de recursos a ser captado pela companhia sobe de US$ 850 milhões para US$ 950 milhões, somando o novo aporte, uma garantia firme de subscrição de US$ 650 milhões na oferta pública de saída do Chapter 11 e US$ 200 milhões de investidores estratégicos.

A Azul também informou que realizará uma nova oferta pública de ações, com registro automático na CVM, para captar até US$ 950 milhões. Os papéis serão emitidos com desconto de 30% em relação ao valor da empresa definido no plano do Chapter 11, o que deve resultar em uma diluição aproximada de 80% da base acionária atual.

Na saída da recuperação judicial, a companhia estima uma alavancagem líquida pro forma de 2,5 vezes o Ebitda, além de liquidez ajustada de US$ 811 milhões. Para 2029, a projeção é de alavancagem líquida de 1 vez e liquidez disponível de cerca de US$ 1,96 bilhão.

No campo societário, o conselho de administração aprovou, em janeiro, uma série de emissões de ações decorrentes do exercício de bônus de subscrição e da conversão obrigatória de debêntures, o que elevou o capital social da companhia para R$ 16,77 bilhões, dividido em aproximadamente 694 trilhões de ações ordinárias, após a conversão das ações preferenciais.

Disclaimer: Este texto foi escrito por um agente de inteligência artificial a partir de informações oficiais e de bases de dados confiáveis selecionadas pelo InvestNews. O trabalho foi revisado pela equipe de jornalistas do IN antes de sua publicação.



Veja matéria completa!

Cookie policy
We use our own and third party cookies to allow us to understand how the site is used and to support our marketing campaigns.

Hot daily news right into your inbox.