Pesquisa mostra o esquerdista Ivan Cepeda, o candidato de extrema-direita Abelardo de la Espriella e a conservadora Paloma Valencia na liderança

Cerca de 40 milhões de colombianos vão às urnas neste domingo (31) para eleger o próximo presidente do país. O sucessor do atual chefe de Estado, Gustavo Petro, herdará o desafio de combater a violência armada enraizada na Colômbia há mais de 60 anos.
Desde segunda-feira (25), os mais de 1,4 milhão de eleitores colombianos no exterior votam no primeiro turno do pleito presidencial. Caso nenhum dos 14 candidatos em disputa obtenha mais de 50% dos votos, haverá segundo turno em 21 de junho.
Segundo pesquisa eleitoral, o resultado do pleito pode culminar na continuidade da agenda de esquerda do governo atual ou em uma reaproximação da Colômbia com os Estados Unidos. Aliado de Petro, o senador Ivan Cepeda (Pacto Histórico) lidera as intenções de voto no primeiro turno e prometeu dar continuidade ao legado social de seu padrinho político. Caso avance à segunda etapa da eleição, o seu provável adversário virá do campo da direita.
O levantamento da AtlasIntel, divulgado em 23 de maio, mostrou o advogado de extrema-direita Abelardo de la Espriella (Defensores de La Patria) com 36,3% das intenções de voto, no primeiro turno, contra 37,7% de Cepeda. Admirador dos presidentes argentino e norte-americano, Javier Milei e Donald Trump, o jurista defendeu, em sua campanha, a livre iniciativa e a família tradicional. Sobre o tema da segurança, prometeu seguir uma abordagem “linha-dura”.
Atrás de Espriella, conforme a AtlasIntel, aparece a senadora conservadora Paloma Valencia (Centro Democrático) com 13,9%. Ligada ao ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, a parlamentar se opõe à estratégia de “Paz Total”, de Petro, na qual buscou-se negociar a desmobilização dos grupos armados no enfrentamento da violência no país. Ela prometeu desenvolver um “Plano Colômbia 2.0” para combater o narcotráfico em parceria com os Estados Unidos.
Um relatório da Fundação Ideias para a Paz (FIP), divulgado em janeiro, informou que a Colômbia iniciou este ano eleitoral em um contexto maior de insegurança do que em eleições passadas. De acordo com o estudo, o cenário de instabilidade se dá em razão do crescimento dos grupos armados, das disputas entre as organizações e da dificuldade do Estado em retomar o controle de territórios ocupados.
Conforme apresentado no relatório, os grupos armados colombianos encerraram 2025 com mais de 27 mil integrantes, o que representa um aumento de 23,5% ante ao ano anterior. Já as disputas atingiram o nível mais alto dos últimos 10 anos, com 115 confrontos — uma alta de 34% em comparação a 2024.
No estudo, a FIP explicou que o aumento dos confrontos está relacionado ao fim de acordos que viabilizavam a coexistência entre os grupos armados. A fundação citou o caso da área andina de Catatumbo, na fronteira com a Venezuela.
Em fevereiro de 2025, eclodiu um conflito armado pelo controle da região andina propícia ao plantio da folha de coca, usada na produção de cocaína. A disputa travada entre o Exército de Libertação Nacional (ELN) e a 33ª Frente, dissidente das antigas Farcs (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), deixou aproximadamente 117 mortos, segundo a Defensoria Pública do país. Mais de 64 mil pessoas deixaram Catatumbo à força até 28 de abril de 2025. Essa foi considerada a crise humanitária mais grave da Colômbia desde a década de 1990.
Índice é impulsionado pela alta taxa de juros, pelo crescimento do uso do crédito rotativo, pela pressão do custo de vida e pelo avanço das apostas online (bets) sobre o orçamento doméstico

O Brasil atingiu, em 2026, o maior índice de endividamento das famílias desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Em abril, 80,9% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida, segundo o levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Esse índice é impulsionado pela alta taxa de juros, pelo crescimento do uso do crédito rotativo, pela pressão do custo de vida e pelo avanço das apostas online (bets) sobre o orçamento doméstico. O aumento do comprometimento da renda das famílias também acendeu um alerta sobre os impactos econômicos e sociais do superendividamento no país.
Diante do cenário, especialistas apontam que o problema vai além do consumo e já afeta diretamente o crescimento econômico, o mercado de trabalho e a capacidade de investimento das famílias brasileiras. Ao mesmo tempo, o Congresso Nacional discute medidas para ampliar a proteção aos consumidores endividados e fortalecer programas de renegociação, como o Novo Desenrola Brasil, relançado pelo governo federal em maio deste ano (MP 1.355/2026)
Para o senador Flávio Arns (PSB-PR), propostas estruturais são necessárias para impedir que milhões de brasileiros permaneçam presos em ciclos permanentes de inadimplência.
— Em um país com os juros mais altos do mundo, precisamos avançar em mecanismos permanentes de proteção às famílias e em políticas de educação financeira para evitar o efeito bola de neve das dívidas.
Por outro lado, o senador Rogério Marinho (PL-RN) entende que programas de renegociação de dívidas não reduzem a inadimplência nem enfrentam o problema estrutural do endividamento da população.
— [O primeiro Desenrola] levava em consideração a possibilidade de haver uma troca de dívidas antigas por dívidas novas, com taxas de juros melhoradas. O resultado é que, dois anos após, o calote do que foi renegociado cresceu 15%.
O mês de abril de 2026 registrou um marco crítico para as finanças domésticas no Brasil, atingindo o recorde histórico de 80,9% de famílias endividadas. Este foi o quarto mês consecutivo de alta na série da Peic, superando significativamente os patamares registrados no mesmo período entre 2022, quando a pesquisa passou a fazer o boletim mensal, e 2025.
Embora o número total de endividados tenha crescido, a inadimplência apresentou uma relativa estabilidade na margem, com 29,7% das famílias possuindo contas em atraso, comparado aos 29,1% de abril do ano anterior. No entanto, um dado preocupante é que 12,3% dessas famílias declararam que não terão condições de quitar suas dívidas.
O cenário de endividamento recorde registrado no Brasil em abril de 2026 é acompanhado por um custo de crédito elevado. As diferentes modalidades de taxas de juros revelam a profundidade da pressão sobre o orçamento doméstico.
De acordo com os dados do Banco Central, o cartão de crédito rotativo consolida-se como a linha mais dura do mercado, com taxas que podem atingir entre 428% e 440,5% ao ano. O cartão é o principal fator de endividamento para 83,6% das famílias e compromete, sozinho, 54% da renda familiar.
Segundo a economista Catarina Carneiro, da CNC, o peso do cartão de crédito acaba reduzindo diretamente a capacidade de consumo das famílias.
— Essa grande parcela de dívidas acumulada no cartão, a modalidade com a maior taxa de juros do mercado, freia a intenção de consumo para os próximos meses, fazendo com que as famílias analisem com cautela suas condições de arcar com os pagamentos futuros e consumam menos do que fariam com crédito menos custoso — explica.
Outras modalidades de crédito voltadas ao consumo também apresentam patamares alarmantes: o cartão parcelado registra juros de 181,2% ao ano, enquanto o cheque especial e o crédito pessoal não consignado mantêm-se em níveis de aproximadamente 130% e 106,6%, respectivamente. Mesmo a taxa de crédito livre médio para pessoas físicas, que serve como um termômetro geral para o consumidor, situa-se no patamar de 59,4% ao ano.
Para o economista Rodrigo Saraiva Marinho, CEO do Instituto Livre Mercado — organização que acompanha debates sobre economia, crédito e ambiente de negócios —, o problema dos juros elevados começa no próprio desequilíbrio das contas públicas brasileiras.
— Não há como falar sobre esse tema sem falar no nível de endividamento do próprio Estado brasileiro. O Estado é muito endividado e isso faz com que os juros sejam muito altos. O governo não consegue se sustentar com aquilo que arrecada de tributos e precisa de empréstimos para complementar seus gastos – afirma.
Maria Lúcia Fattorelli, coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, os juros e a dívida pública se alimentam mutuamente, tornando a solução do problema cada vez mais inexequível.
— Os juros altos praticados historicamente no país constituem o principal fator de crescimento da dívida pública. O volume acumulado de juros nominais da dívida supera o estoque da dívida liquida do setor público, ou seja, temos uma dívida de juros sobre juros. O Tribunal de Contas da União já demonstrou em audiência pública ao Senado Federal que nenhuma despesa orçamentária classificada como investimentos foi custeada com recursos advindos da venda de títulos da dívida pública. Isso significa que a dívida pública tem servido apenas para financiar os gastos financeiros com a própria divida, principalmente os juros exorbitantes.
Essa estrutura de juros é sustentada por fatores macroeconômicos persistentes, como o endividamento do país e o valor comparativo da moeda com o dólar, e pela a taxa Selic (taxa básica definida pelo Banco Central). Para Marcos Melo, professor do IBMEC Brasília e mestre em finanças, a taxa básica de juros é hoje um dos principais fatores por trás do avanço do endividamento no país.
— A taxa básica Selic no Brasil é de 14,5% ao ano, uma taxa muito alta. Ela é uma referência para todas as outras taxas de juros no Brasil. Quando ela está muito elevada, os bancos passam a emprestar a taxas ainda maiores, o que prejudica diretamente as famílias e empresas.
A referência da Selic eleva o custo do crédito de forma generalizada e coloca o Brasil com a segunda maior taxa real de juros do mundo (9,3%), atrás apenas da Rússia.
O comprometimento da renda das famílias brasileiras com o pagamento de dívidas apresenta uma trajetória de crescimento consistente, e também atinge recordes em 2026. Essa métrica representa a relação entre os pagamentos esperados para o serviço da dívida e a renda mensal disponível.
Segundo dados do Banco Central, a fatia de renda das famílias que está comprometida com dívidas saltou de aproximadamente 22% em 2019 para 29,7% no fim de 2025. Isso significa que quase um terço do orçamento doméstico já está carimbado para as dívidas antes mesmo de outras despesas básicas serem pagas.
O avanço do comprometimento da renda também afeta diretamente a atividade econômica, especialmente o comércio e os serviços. Com menos renda disponível, as famílias reduzem gastos considerados não essenciais. O professor Marcos Melo avalia que os juros elevados acabam afetando toda a dinâmica econômica do país.
— Além da situação das famílias, a taxa de juros tão alta significa menor oferta de emprego, prejudica a renda do trabalhador e permite uma disfunção no mercado de trabalho — afirma.
Além da pressão dos juros, novos fatores estruturais — como o impacto das apostas online (bets) no consumo e a alta nos custos de vida com alimentação e moradia — têm forçado as famílias, especialmente as de baixa renda, a utilizarem o crédito como complemento salarial. Como resultado, o endividamento total das famílias em relação à renda acumulada atingiu o recorde histórico de 49,9%, sinalizando que metade de tudo o que as famílias recebem e produzem em um ano já está comprometido com dívidas.
Fatores internacionais, como conflitos e oscilações no mercado global, também impactam diretamente preços e consumo no Brasil e podem pressionar ainda mais a economia brasileira e afetar diretamente o orçamento das famílias.
Programas de refinanciamento de dívidas e ações de assistência social são ferramentas para ajudar as pessoas a organizarem suas vidas financeiras quando as contas saem do controle. O principal exemplo atual é o Novo Desenrola Brasil (Programa Extraordinário de Reequilíbrio Financeiro das Famílias), lançado em maio de 2026, que funciona como um grande mutirão para que brasileiros, estudantes e até pequenas empresas consigam negociar o que devem com condições facilitadas.
A iniciativa foi instituída pela Medida Provisória (MP) 1.355/2026, publicada em 4 de maio e já em vigor. A MP criou o Programa Extraordinário de Reequilíbrio Financeiro das Famílias – Novo Desenrola Brasil, vinculado ao Ministério da Fazenda, com o objetivo de promover a renegociação e regularização de dívidas em atraso junto ao sistema financeiro.
Segundo o senador Flávio Arns, programas como o Novo Desenrola possuem impacto social imediato relevante, especialmente entre as famílias de baixa renda, mas são apenas o começo.
— Seus efeitos ainda são paliativos. São necessárias medidas estruturais de médio e longo prazo, voltadas para geração de emprego, aumento da renda, acesso ao crédito mais barato e educação financeira da população.
O senador Rogério Marinho critica escolhas feitas na formatação do Novo Desenrola.
— O governo nos oferece velhas fórmulas, as mesmas práticas, e nós já sabemos o resultado. Vão usar recursos de saque do FGTS para pagamento de dívidas, ou seja, segregar o recurso para fortalecer o sistema financeiro brasileiro.
Para que o auxílio chegue a quem precisa, o programa foi dividido em diferentes categorias:
As vantagens oferecidas por esses programas são pensadas para que o pagamento caiba no bolso do cidadão. Entre os principais benefícios estão:
Além de facilitar o pagamento, esses programas também trazem medidas de proteção social. Uma regra importante de 2026 é que quem participar da renegociação terá o seu CPF bloqueado para realizar apostas online (bets) por 12 meses. O objetivo é garantir que o dinheiro economizado com o desconto da dívida seja usado para o bem-estar da família e não gasto em atividades de alto risco.
A MP do Novo Desenrola tem previsão de duração de 90 dias, e ainda precisa ser analisada e aprovada pelas duas Casas do Congresso Nacional para se tornar lei definitiva.
O cenário de recorde histórico no endividamento das famílias brasileiras é sustentado por uma combinação de fatores macroeconômicos persistentes e novas causas estruturais. No centro desse problema está a manutenção da taxa Selic em patamares elevados, recentemente ajustada para 14,5% a 14,75% ao ano, o que encarece o crédito de forma generalizada. Para o professor Marcos Melo, do IBMEC, a redução sustentável dos juros depende diretamente do equilíbrio fiscal do país.
— É preciso um trabalho muito grande de maior responsabilidade fiscal, gastar menos e gastar melhor, para que num futuro mais adiante seja possível diminuir a taxa básica de juros. Só assim os problemas relacionados ao endividamento das famílias, das empresas e do crescimento do país acabam sendo resolvidos ao longo do tempo — avalia.
Esse custo elevado do dinheiro se agrava pela alta concentração bancária, que permite aos cinco maiores bancos do país manterem um spread bancário de 34,6 pontos percentuais. O spread representa a diferença entre o custo que os bancos pagam para captar dinheiro e os juros cobrados dos clientes nos empréstimos. Esse valor é drasticamente superior à média global de 6 p.p., calculada pelo Banco Mundial.
Como reflexo direto dessas taxas, o uso do cartão de crédito cria uma “bola de neve” financeira que atinge severamente as famílias de baixa renda (até 3 salários mínimos), que muitas vezes recorrem ao crédito para cobrir despesas como alimentação, saúde e moradia.
Somando-se aos fatores tradicionais, as apostas online (bets) surgiram como uma nova e relevante causa estrutural entre 2024 e 2025, passando a ser o principal fator associado ao endividamento em certas faixas da população e superando o impacto do acesso ao crédito comum. De acordo com a economista Catarina Carneiro, da CNC, embora os juros altos continuem sendo o principal fator de inadimplência, as apostas passaram a agravar significativamente o problema.
— As apostas online deixaram de ser um gasto de entretenimento residual e passaram a atuar como um dreno severo na restrição orçamentária das famílias brasileiras, afetando de forma desproporcional as classes de menor renda.
Um estudo econométrico realizado pela CNC estima que, desde a regulamentação das plataformas em 2023, cerca de R$ 30 bilhões por mês deixaram de circular no consumo tradicional para abastecer sites de apostas.
Para tentar mitigar esse ciclo, tramitam no Poder Legislativo propostas como o PL 2.944/2022, que trata do superendividamento de consumidores. O projeto redefine o chamado “mínimo existencial”, que é a quantia que não pode ser comprometida na renegociação de dívidas e na concessão de crédito. Atualmente, um decreto estabelece o mínimo existencial no valor de 25% do salário mínimo.
Autor do projeto, o ex-senador Mecias de Jesus (RR), argumenta que o crescimento do endividamento das famílias brasileiras exige mecanismos capazes de impedir que consumidores comprometam recursos indispensáveis à própria sobrevivência para conseguir quitar dívidas bancárias. Para ele, um valor fixo — e tão reduzido — não atende a esse objetivo.
“O valor estabelecido foi considerado por especialistas em direito do consumidor muito baixo para o pagamento de despesas básicas, o que compromete a efetividade da lei e as condições de sobrevivência dos brasileiros superendividados. O conceito não deveria se basear em um critério fixo, mas sim em um índice de comprometimento de renda a ser aplicado caso a caso. Esse modelo levaria em conta a realidade de cada consumidor individualmente”, escreveu Mecias na justificativa para o projeto.
O projeto já foi aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) e aguarda decisão final na Comissão de Fiscalização e Controle (CTFC).
Para o senador Flávio Arns, que participou da aprovação do texto na CAS, a proposta é necessária diante do avanço do superendividamento no país. O senador também defende o fortalecimento de políticas públicas de educação financeira como forma de prevenção ao descontrole das finanças pessoais.
— O Congresso discute políticas de educação financeira, inclusive projetos para torná-la obrigatória na educação básica e também no ensino superior. A lógica dessas propostas é preventiva: formar hábitos de consumo, poupança e uso do crédito antes que o endividamento se torne estrutural.
Outra iniciativa é o PL 2.356, de 2024, do senador Jayme Campos (União-MT), que incorpora a educação financeira ao currículo de todos os níveis da educação básica. O projeto já foi aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e está na Comissão de Educação (CE).
“A escola não cumprirá sua missão civilizadora se for incapaz de formar cidadãos preparados para se inserir na vida produtiva de forma empreendedora e com competências financeiras”, argumenta ele na justificativa.

Israel voltou a bombardear o sul do Líbano neste sábado (30), e seu exército segue avançando em profundidade no território libanês, apesar de um cessar-fogo teoricamente em vigor e das conversas mantidas em Washington.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, denunciou a “perigosa e sem precedentes escalada” de Israel, que ele acusou de aplicar “uma política de terra arrasada e de punição coletiva”.
No entanto, defendeu a decisão das autoridades de iniciar negociações com Israel — às quais o grupo pró-iraniano Hezbollah se opõe — afirmando que se trata do “caminho menos custoso” para o país.
Nos últimos dias, Israel intensificou suas operações aéreas e terrestres no Líbano, onde afirma que seu objetivo é o grupo xiita Hezbollah, aliado do Irã.
O exército israelense ordenou na manhã deste sábado a evacuação de uma dúzia de povoados do sul antes de lançar ataques, apesar de teoricamente vigorar desde 17 de abril um cessar-fogo que não tem sido respeitado.
O exército libanês informou que um ataque israelense com drone “direcionado” atingiu um veículo militar perto da cidade de Nabatiyeh (sul) e feriu gravemente dois de seus soldados.
Também foram registrados disparos de artilharia perto da fortaleza medieval de Beaufort, depois que o ministro da Cultura advertiu na véspera sobre o “grave perigo” que as ofensivas israelenses representam para o patrimônio histórico.
O Hezbollah afirmou que lançou neste sábado múltiplos ataques contra o norte de Israel e que também enfrentou soldados israelenses no sul do Líbano.
O grupo pró-iraniano declarou em um comunicado que estava combatendo forças israelenses nos arredores das localidades de Zawtar al-Sharqiya, Yohmor al-Shaqif e Dibbine. Acrescentou que as tropas “ainda não haviam conseguido assumir o controle” dessas áreas.
O exército israelense informou à AFP que mais de 25 projéteis foram lançados do Líbano em direção a Israel neste sábado. As sirenes de alerta aéreo soaram nas cidades do norte de Karmiel e Safed pela primeira vez desde o cessar-fogo, segundo o exército.
Os bombardeios israelenses de sexta-feira (29) contra cerca de trinta localidades deixaram 11 mortos na região de Tiro, entre eles um socorrista, e oito feridos, segundo o Ministério da Saúde do Líbano.
Israel declarou esta semana que considera grande parte do sul do Líbano como uma “zona de combate“, e Netanyahu afirmou na sexta-feira que seu exército havia “cruzado o Litani”, um rio situado a cerca de 30 km da fronteira.
Nesse cenário de hostilidades incessantes, Líbano e Israel iniciaram negociações em abril, sob os auspícios dos Estados Unidos, para alcançar um acordo de segurança. O Hezbollah, cujo desarmamento Israel exige do governo libanês, opõe-se frontalmente a qualquer pacto.
Em Washington, autoridades militares israelenses e libanesas mantiveram na sexta-feira uma reunião classificada como “construtiva” pelo Pentágono.
Esses contatos têm como contexto mais amplo as conversas entre Estados Unidos e Irã, nas quais se busca incluir a frente libanesa em um acordo que ponha fim à guerra no Oriente Médio.
Segundo o número dois do Pentágono, Elbridge Colby, as discussões servirão “de base para a parte política”, em referência às negociações previstas para os dias 2 e 3 de junho em Washington.
O presidente libanês, Joseph Aoun, disse ao chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, que um cessar-fogo é “um primeiro passo essencial” para qualquer avanço nas negociações.
Na sexta-feira, centenas de pessoas se reuniram nos bairros da cidade velha de Tiro, uma pequena área que ficou à margem das ordens de evacuação israelenses. Muitos dormem em seus carros ou em tendas, segundo os correspondentes da AFP.
“Colocamos colchões no chão para dormir”, conta Karam Amin, que dorme com sua família de sete pessoas em sua loja de roupas no bairro cristão. Desde o início da guerra, os bombardeios causaram 3.371 mortes e mais de um milhão de deslocados no Líbano, segundo as autoridades.
Somente na última semana, 15 crianças morreram e 62 ficaram feridas, segundo o Unicef.
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,8% nos três meses até abril, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.
A mediana das previsões em pesquisa da Reuters era de que a taxa ficaria em 5,9% no período.
A taxa de subutilização e o percentual de desalentados mostraram estabilidade e a taxa de informalidade diminuiu, na mesma comparação. O rendimento real habitual de todos os trabalhos se mantém no patamar recorde, com R$ 3.732.
“O aumento da desocupação nesse trimestre móvel decorre essencialmente de comportamento sazonal de algumas atividades, tais como comércio e serviços pessoais que, após aquecimento no final de 2025, não retêm parcela de seus trabalhadores”, explicou a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy.
Nível da ocupação foi de 58,4% em abril
No trimestre encerrado em março, a população ocupada (102,3 milhões) registrou queda de 0,3% (menos 338 mil pessoas) e aumento de 1,1% frente ao mesmo trimestre do ano passado (mais 1,07 milhão de pessoas). O nível da ocupação, que mede o percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar, foi estimado em 58,4% em abril de 2026. Isto representa uma redução de -0,3 ponto percentual frente ao trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026 (58,7%).
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“Embora registrando perda de ocupação na comparação trimestral, o mercado de trabalho segue com elevado nível da ocupação quando comparado com anos anteriores da série histórica”, comenta Adriana Beringuy. “Isso indica que mesmo diante do recuo sazonal, a geração de trabalho e renda se mantém sustentada”.
No trimestre, houve redução de postos de trabalho no grupo Outros serviços (menos 162 mil pessoas). Nos demais grupos, houve estabilidade.
Também houve estabilidade em todas as posições na ocupação, frente ao trimestre anterior. Entre os empregados no setor privado, 39,3 milhões tinham carteira assinada (exclusive trabalhadores domésticos) e 13,3 milhões eram sem carteira. Entre trabalhadores domésticos, 1,3 milhões tinham carteira e 4,1 milhões eram sem carteira. Havia ainda 26,0 milhões de trabalhadores por conta própria, 4,2 milhões de empregadores, 12,9 milhões de empregados no setor público.
Subutilização e desalento se mantêm estáveis; informalidade recua
A taxa composta de subutilização da força de trabalho (percentual de pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e na força de trabalho potencial em relação a Força de trabalho ampliada) foi estimada em 13,8%, mantendo-se estável no trimestre e representando 15,7 milhões de pessoas. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a taxa de subutilização foi estimada em 15,4% (-1,7 ponto percentual), e o número de pessoas recuou 11,1% (menos 2 milhões de pessoas).
Ainda na comparação com o trimestre anterior, a população desalentada mostrou estabilidade, com 2,6 milhões de pessoas desalentadas. Já a comparação com o mesmo trimestre, em 2025, mostra uma redução significativa de 15,3%, o que representa 464 mil pessoas a menos. O percentual de desalentados (2,3%) também mostrou estabilidade no trimestre recuou 0,4 p.p. no ano (2,7%).
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Já a taxa de informalidade caiu de 37,5% (ou 38,5 milhões de trabalhadores informais), no trimestre encerrado em janeiro, para de 37,2% (ou 38,1 milhões). No trimestre de fevereiro a abril de 2025, a taxa de informalidade era de 38%, representando 38,5 milhões na informalidade. Também foi registrado recuo de população subocupada por insuficiência de horas (4,2 milhões), uma queda de 5,5% no trimestre (menos 246 mil pessoas) e queda de 7,3% no ano (menos 336 mil pessoas).
(com Reuters e agência de notícias do IBGE)
Medida inclui contribuições sobre biodiesel

O governo federal prorrogou até 31 de julho de 2026 a redução das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre a importação e a comercialização de querosene de aviação (QAV). A medida foi oficializada por meio do Decreto n.º 12.991, publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) de sexta-feira, (29).
O decreto altera o Decreto n.º 5.059/2004 e mantém, entre 8 de abril e 31 de julho deste ano, a redução de 0,99987 para as contribuições federais sobre o QAV. Na prática, a medida preserva uma tributação residual sobre o combustível utilizado pelas companhias aéreas.
A norma também estende até 31 de julho a redução das contribuições sobre o biodiesel. Nesse caso, o coeficiente de redução permanece fixado em 1, o que equivale à alíquota zero de PIS/Pasep e Cofins.
As desonerações haviam sido implementadas em abril, em meio ao pacote anunciado pelo governo para mitigar os impactos da alta internacional do petróleo sobre os preços dos combustíveis e sobre a inflação. Pelas regras vigentes até então, os benefícios expirariam no fim de maio.
O novo decreto ainda revoga dispositivos de normas editadas em abril que haviam instituído as reduções temporárias, consolidando as regras agora válidas até o fim de julho. Segundo o governo, a medida busca reduzir custos na cadeia de combustíveis e no transporte aéreo, em um contexto de volatilidade dos preços internacionais de energia.
A inadimplência na carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional chegou a 4,4% em abril, subindo 0,1 ponto percentual na comparação mensal e 0,9 p.p. em 12 meses, informou nesta quinta-feira (28) o Banco Central. As carteiras em atraso entre as empresas chegaram a 2,8% (+0,3 p.p. entre março e abril) e a inadimplência geral das pessoas físicas atingiu 5,4% (+0,1 p.p. mensal)
Mas especificamente no crédito com recursos livres – aqueles contratados diretamente junto às instituições financeiras, a inadimplência alcançou 5,8% da carteira, com acréscimos de 0,1 p.p. no mês e de 1,0 p.p. em doze meses. As contas em atraso das pessoas jurídicas são 3,6% do total (alta mensal de 0,1 p.p.) e as das pessoas físicas representam 7,2% (+ 0,2 p.p.). Em 12 meses, a alta é de 0,5 p.p. e 1,2 p.p., respectivamente.
O BC informou ainda que o endividamento das famílias recuou ligeiramente no comparativo mensal, de 49,9% para 49,8%, mas ainda está 0,8 p.p. acima do observado há doze meses.
O comprometimento de renda retraiu 0,3 p.p. no mês, mas também aumentou 1,3 p.p em doze meses, situando-se em 29,3%.
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O Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio de todo o crédito do SFN, atingiu 24,3% a.a. em abril, com avanços de 0,2 p.p. no mês e de 1,4 p.p. em doze meses.
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A taxa média de juros das concessões alcançou 33,8% anuais em abril, com incrementos de 0,6 p.p. no mês e de 2,4 p.p. em doze meses. O spreadbancário avançou 0,7 p.p. no mês e 2,6 p.p. em doze meses, situando-se em 22,6 p.p.
A taxa média de juros do crédito livre é bem mais alta: alcançou 49,5% a.a., com avanços de 1,2 p.p. no mês e de 4,5 p.p. em doze meses. No crédito livre para pessoas jurídicas, a taxa média cresceu 0,5 p.p. no mês e 1,1 p.p. em doze meses, situando-se em 25,3% a.a., com destaque para a taxa média do cheque especial.
No crédito livre às pessoas físicas, a taxa média de juros atingiu 63,0% a.a., com incrementos de 1,5 p.p. no mês e de 5,0 p.p. em doze meses. Destacaram-se os incrementos em crédito pessoal não consignado (+8,0 p.p.) e em cartão de crédito rotativo (+3,7 p.p.).
As concessões nominais realizadas em abril somaram R$ 691,5 bilhões. Com expansão de 2,1% nas séries sazonalmente ajustadas. Houve expansão de 5,2% nas operações com pessoas jurídicas e estabilidade nas pessoas físicas.
No acumulado em doze meses até abril deste ano, as concessões nominais avançaram 8,8%, com incrementos de 8,6% nas operações pactuadas com empresas e 8,9% nas realizadas com famílias.