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Gigantes da renda fixa miram ponto ideal do mercado para a nova era Warsh


De Capital Group a Insight Investment, Natixis e Pacific Investment Management Co., a mensagem é a mesma: o ponto ideal está no chamado “miolo” da curva de Treasuries, ou seja, na faixa de cinco anos, e todos estão aumentando posição nesse trecho.

Os investidores estão migrando para esses vencimentos à medida que os rendimentos dos Treasuries se estabilizam, depois de terem disparado no início deste mês com os comentários mais duros de Warsh, presidente do Fed, sobre restaurar a estabilidade de preços. Recuperando-se dessas perdas, os títulos americanos registraram ganhos consistentes na semana passada, à medida que os preços do petróleo caíram e os traders reduziram parte de suas apostas mais agressivas em altas de juros para este ano e para 2027.

“O papel de cinco anos oferece um equilíbrio interessante” e é um “bom ponto de inflexão”, disse Brendan Murphy, chefe de renda fixa para a América do Norte da Insight Investment, gestora global com cerca de US$ 836 bilhões sob gestão.

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Com as autoridades do Fed divididas entre manter os juros inalterados ou elevar a taxa ao menos uma vez neste ano, o vencimento de cinco anos é atraente porque funciona como um proxy do quadro econômico mais amplo, ao capturar um período mais longo que pode incluir tanto ciclos de afrouxamento quanto de aperto monetário. Isso o diferencia da note de dois anos, que é guiada principalmente por apostas de curto prazo sobre juros. Além disso, carrega menos risco do que os títulos longos sensíveis à inflação, ao mesmo tempo em que ainda oferece rendimento generoso, de 4,13% na sexta-feira.

Trajetória dos juros do Fed dá reviravolta à medida que traders veem cortes em 2027 após altas

A curva de swaps do fim de 2026 para 2027 fica negativa com esperanças de afrouxamento

Os compradores do “miolo” dizem estar atentos ao fato de que a narrativa do mercado de títulos é fluida e sujeita a mudanças. Cortes de juros podem facilmente voltar ao debate, embora as altas tenham dominado as discussões recentemente. A atividade da última semana já mostra traders moderando a postura mais agressiva, precificando de uma a duas elevações até meados do próximo ano como pico do aperto monetário do Fed, depois de anteriormente se posicionarem para uma sequência de altas já a partir do mês que vem.

Os vencimentos intermediários em torno da faixa de cinco anos também podem oferecer proteção contra reações voláteis a dados econômicos que serão divulgados em breve, como o relatório mensal de emprego de junho na quinta-feira, seguido por indicadores de inflação no mês que vem. O mercado de Treasuries ficará fechado na sexta-feira em razão do feriado do Dia da Independência.

“A ponta curta da curva será mais volátil, por isso prefiro os juros intermediários”, disse Chitrang Purani, gestor de portfólio da Capital Group, que tem mais de US$ 3 trilhões sob gestão. “A trajetória da inflação e a resiliência do crescimento que vimos neste ano justificam a alta dos juros, mas, olhando para frente, os motores do crescimento econômico continuam desiguais e a inflação ainda não foi puxada por fatores do lado da demanda.”

Outro atrativo do “miolo”? Trata-se de um barganha relativa, como mostra uma métrica segundo a qual os Treasuries de cinco anos tiveram desempenho inferior ao dos vencimentos mais curtos e mais longos. A chamada borboleta — indicador de onde o rendimento do Treasury de cinco anos está em relação aos papéis de dois e 30 anos — está perto do maior nível em mais de um ano.

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Mesmo com os traders reduzindo nas últimas sessões a precificação de altas de juros, continua havendo cautela de que, se os próximos dados mostrarem que a inflação não está moderando — ela já roda acima da meta do Fed há anos —, o banco central provavelmente promoverá elevações já a partir de setembro. A pressão sobre os Treasuries será liderada pelo papel de dois anos, mais sensível à política monetária, enquanto os rendimentos mais longos devem subir menos, já que a perspectiva de política mais restritiva tende a implicar crescimento mais fraco em 2027.

“Se o Fed subir os juros em 2026, depois desfaz isso em 2027”, disse John Briggs, chefe de estratégia de juros dos EUA da Natixis North America. Por isso, afirmou, prefere o “miolo, porque dá mais tempo para precificar possíveis cortes”.

É uma visão recentemente endossada pela PGIM, cuja expectativa é de três altas neste ano, seguidas por uma série de cortes em 2027 e 2028.

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O que dizem os estrategistas da Bloomberg …

“Os Treasuries de cinco anos estão na interseção entre a política do Federal Reserve e as expectativas de inflação. Assim, a ação recente dos preços reflete confiança em um choque de energia em dissipação, ao mesmo tempo em que ganha força a visão de que a inflação pode moderar sem uma deterioração significativa do crescimento.”

— Alyce Andres, estrategista macro, Markets Live. Para a análise completa, clique aqui.

Outras casas de investimento mantiveram em grande medida suas projeções, mesmo com a precificação do mercado ficando mais hawkish. Para a gigante de renda fixa Pimco, isso inclui posição no “miolo” da curva.

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“Nosso cenário-base diverge do mercado porque não acreditamos que o Fed vai elevar juros, já que a economia deve desacelerar no segundo semestre deste ano e dar tempo para que a autoridade monetária mantenha a taxa inalterada”, disse Michael Cudzil, gestor sênior de portfólio da Pimco.

A gestora, que administra US$ 2,3 trilhões, está overweight em exposição a juros e carrega tanto a ponta curta quanto o miolo da curva, ou seja, dos vencimentos de dois a cinco anos — uma faixa que, segundo Cudzil, ficou ainda mais atraente após a liquidação recente.

“É perfeitamente possível que os rendimentos da ponta curta e do miolo caiam abaixo de 4% no segundo semestre, se o mercado retirar do preço as altas e começar a falar em possível afrouxamento”, disse. “As narrativas de mercado podem mudar muito rapidamente, e bastam alguns dados para provocar alguma oscilação.”

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O que acompanhar

Dados econômicos:

  • 29 de junho: atividade manufatureira do Fed de Dallas
  • 30 de junho: índice de preços de imóveis da FHFA; S&P Cotality Case-Shiller 20 cidades e HPI dos EUA; PMI de Chicago da MNI; confiança e expectativas do consumidor do Conference Board; relatório JOLTS de vagas abertas e taxa de demissões voluntárias; atividade de serviços do Fed de Dallas
  • 1º de julho: pedidos de hipoteca da MBA; variação de emprego da ADP em junho; cortes de vagas da Challenger; PMI industrial dos EUA da S&P Global; ISM manufatureiro; gastos com construção; vendas totais de veículos da Omida
  • 2 de julho: payroll de junho, taxa de desemprego, ganho médio por hora; pedidos iniciais de auxílio-desemprego; encomendas à indústria; encomendas de bens duráveis; encomendas de bens de capital

Agenda do Fed:

  • 1º de julho: presidente do Fed, Kevin Warsh, em painel em Sintra; Warsh em painel do BCE em Sintra
  • 2 de julho: presidente do Fed de San Francisco, Mary Daly, participa de discussão moderada em conferência do Banco da Espanha, em Santander, Espanha

Calendário de leilões:

  • 29 de junho: bills de 13 e 26 semanas
  • 30 de junho: bills de 6 semanas
  • 1º de julho: bills de 17 semanas
  • 2 de julho: bills de 4 e 8 semanas

© 2026 Bloomberg L.P.



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Brasil está flertando novamente com “voo de galinha”, vê Franklin Templeton


O Banco Central surpreendeu o mercado ao indicar piora nas condições para a inflação e mesmo assim reduzir a Selic mais uma vez, e um novo corte na próxima reunião do Copom parecerá flertar com um maior risco de desancorar todo o processo de controle das expectativas de inflação, avalia Adauto Lima, economista-chefe da Western Asset, braço da Franklin Templeton no Brasil. A casa trabalha com a projeção de pausa nos atuais 14,25%.

Segundo ele, foi a primeira vez que o Copom disse em seu comunicado e na ata da reunião que o balanço de riscos para a inflação apontava para alta e não subiu os juros no próprio encontro. “Ele poderia ter dito que faria uma pausa para averiguar os efeitos dos choques do petróleo e da própria atividade com o choque da expansão fiscal, que eles foram corretos de reconhecer”, avalia. “A sensação é que a comunicação combinaria mais com uma pausa do que uma queda dos juros”, diz.

Leia também: “Cenário de terra arrasada” deixa Brasil mais barato que Argentina

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Para Lima, a mudança no horizonte relevante para a meta, para o primeiro trimestre de 2028, também pareceu “forçar um pouco a barra”, mesmo com a justificativa de que até lá o efeito do El Niño nos alimentos será menor. “Mas todo o resto da avaliação não combina com a queda dos juros”, afirma, citando o Relatório de Inflação divulgado hoje, no qual o BC eleva a projeção de crescimento do PIB deste ano de 1,6% para 2,0%. “A atividade está mais forte, a projeção para o consumo das famílias cresceu de 1,7% para 2,8%, isso é demanda, estamos vendo a demanda mais forte e o hiato do produto mais aberto”, afirma.

Ele diz que a comunicação do Copom ficou confusa e isso tem um custo de credibilidade para o BC. Mesmo assim, observa que “não estamos com uma política monetária expansionista e nem em uma guinada de política monetária”. O economista acredita que o principal problema hoje para a queda dos juros é o excesso de estímulos fiscais e parafiscais, que amplia os gastos do governo. “Se no ano que vem não houver uma mudança na dinâmica fiscal, a queda do juro será mais limitada e podemos ter novamente o chamado voo de galinha, com os juros caindo e depois tendo de voltar a subir para conter a inflação”, diz.

Segundo ele, o país está “como o sapo na panela de água quente”, já que a situação econômica não está tão ruim, a inflação está controlada e a população não cobra uma mudança na política econômica. E os candidatos à Presidência não devem querer discutir medidas de cortes de gastos durante a campanha, o que deve manter as incertezas por mais tempo.

Diante disso, o economista espera maior pressão de alta no câmbio por conta da eleição. Mas não vê o real muito apreciado, o que limitaria espaço para desvalorização. “O risco maior é o dólar se fortalecer lá fora e pressionar aqui, mas a eleição no Brasil também aumenta a volatilidade da moeda”, diz.

Leia também: Super El Niño: por que o alarme no agro pode ser maior do que o impacto



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Relembre caso de Eloá Pimentel, irmã de tenente da Rota baleado em SP


O irmão mais velho de Eloá Cristina Pimentel, o tenente da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) Ronickson Pimentel dos Santos, foi baleado durante uma tentativa de execução na manhã deste sábado (27), na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.

Eloá foi sequestrada quando tinha 15 anos, pelo ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves, de 22 à época. O caso comoveu o país e foi transmitido em tempo real por diversos canais de televisão, em 2008.

Foram 100 horas de negociações com a polícia, acompanhadas por depoimentos de vizinhos, especulações sobre as motivações do crime, tensão pelo desfecho e até entrevista com o próprio sequestrador.

Eloá conheceu Lindemberg aos 12 anos. Na época do crime, ele invadiu o apartamento da ex-namorada, que realizava trabalhos escolares com colegas. Inicialmente, dois reféns foram liberados, restando no apartamento Eloá e Nayara, amiga da vítima e uma das sobreviventes do caso.

Eloá foi mantida em cárcere com o criminoso por quatro dias. No último dia, agentes realizaram uma operação para invadir o apartamento. Após a invasão da polícia, Lindemberg fez três disparos: um deles atingiu o rosto de Nayara e outros dois atingiram a cabeça e a virilha de Eloá.

O caso é frequentemente lembrado como um exemplo de feminicídio, com sinais evidentes de ódio baseado no gênero e tentativa de controle do criminoso sobre a vítima.

Na época, o homem foi preso em flagrante após a invasão dos policiais na cena do crime. Posteriormente, ele foi condenado por 12 crimes, incluindo homicídio duplamente qualificado, tentativa de homicídio e cárcere privado. A pena inicial foi de 98 anos e 10 meses de reclusão, posteriormente reduzida para 39 anos e três meses em 2013.

Atualmente, ele cumpre pena na Penitenciária Dr. José Augusto Salgado, em Tremembé (SP), conhecida por abrigar “presos famosos”. E segundo a sua defesa, o detento tem um “comportamento exemplar”, estudando e trabalhando desde o momento em que foi preso.

Em 2021, a Justiça concedeu a progressão para o regime semiaberto, decisão que foi revogada meses depois. No final de 2022, ele conseguiu novamente o benefício, que lhe permite trabalhar ou estudar fora da prisão durante o dia, retornando para dormir.

Em março deste ano, o Ministério Público de São Paulo rejeitou o pedido de redução de pena de Lindemberg. Na decisão, o MP explicou que ele não atingiu a pontuação mínima exigida para que a participação na prova gere remição da pena.

Tenente baleado na Grande São Paulo

De acordo com informações confirmadas pela CNN Brasil, o policial saía de uma academia, quando foi surpreendido por dois rapazes em uma moto.

Imagens mostram o momento em que os suspeitos param ao lado de Ronickson e, em seguida, atiram. O tenente cai no chão logo após ser baleadoAssista:

De acordo com apurado pela reportagem, Ronickson saía de uma academia antes da tentativa de execução.

Segundo a PM (Polícia Militar), ele recebeu os primeiros socorros do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) ainda no local e depois foi encaminhado a uma unidade hospitalar pelo helicóptero Águia do Grupamento Aéreo da PM.

No início da tarde deste sábado, fontes afirmaram à CNN Brasil sobre a morte do policial. No entanto, segundo informações oficiais da PM, a vítima ainda passa por atendimento médico e está em cirurgia.



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Greve de ônibus no Rio é confirmada; Justiça determina frota mínima


Os rodoviários do Rio de Janeiro aprovaram uma greve por tempo indeterminado que deve começar à 0h desta segunda-feira (29). A decisão foi anunciada pelo Sindicato dos Rodoviários após assembleia realizada neste domingo (28), Não houve acordo na campanha salarial da categoria.

Entre as principais reivindicações estão:

  • Piso salarial de R$ 4 mil para motoristas;
  • Salário de R$ 5 mil para condutores de ônibus articulados;
  • Reajuste de 17% para todos os trabalhadores;
  • Tíquete-alimentação de R$ 1 mil;
  • Plano de saúde e odontológico;
  • Fim dos contratos temporários na Mobi-Rio, com contratação pelo regime CLT.

Apesar da paralisação anunciada, o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) determinou, em decisão liminar, que pelo menos 50% da frota de ônibus permaneça em circulação durante todo o período da greve, por linha e itinerário.

A decisão também estabelece multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento, aplicada de forma independente ao Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário de Passageiros do Município do Rio de Janeiro (Sintrucad-Rio) e ao Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus).

A Prefeitura do Rio informou que acompanha a situação e afirmou que o sistema BRT, operado pela Mobi-Rio, funcionará normalmente com a programação de dias úteis. O município também informou que pediu à Justiça o aumento do percentual mínimo de ônibus em circulação para reduzir os impactos aos passageiros.



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Além do futebol, Brasil e Japão mantêm negociações estratégicas para o agro

Brasil e Japão se enfrentam pela Copa do Mundo nesta segunda-feira (29), em Houston, nos Estados Unidos. Apesar do encontro no futebol, a relação entre os dois países não se limita ao esporte. O Brasil tenta há mais de 20 anos avançar na abertura do mercado japonês para exportação de carne bovina, uma das principais pautas do agronegócio brasileiro.

De acordo com dados do MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária), o Japão importa cerca de 70% da carne bovina que consome, volume que representa aproximadamente US$ 4 bilhões por ano.

Desse total, cerca de 80% têm origem nos Estados Unidos e na Austrália, países que são fornecedores tradicionais do mercado japonês. No caso do Brasil, as negociações para exportação de carne bovina ao Japão seguem em andamento e o protocolo sanitário mais recente está em discussão há cerca de cinco anos.

O governo brasileiro, a Famato (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso) e a indústria exportadora trabalham para abrir o mercado japonês ao produto nacional, em uma negociação considerada estratégica pelo setor.

“O Japão é tratado como um destino premium, com alto nível de exigência sanitária e maior valor agregado. Atualmente, as importações japonesas de carne bovina estão concentradas em fornecedores tradicionais, como Estados Unidos e Austrália”, afirma Cleiton Gauer, superintendente do Imea.

Em março deste ano, o governo do Japão realizou uma auditoria sanitária presencial no sistema de defesa agropecuária brasileiro. A missão técnica japonesa avaliou o sistema de sanidade animal do país como parte do processo de análise de risco para eventual abertura do mercado à carne bovina brasileira.

Para o Brasil, maior exportador mundial da proteína, acessar esse mercado significaria mais do que ampliar volume. “A entrada no Japão representaria uma chancela de qualidade e sanidade em um dos mercados consumidores mais rigorosos do mundo. Para Mato Grosso, dono do maior rebanho bovino do país e um dos principais exportadores nacionais de carne, a abertura criaria uma possibilidade concreta de diversificação comercial e valorização do produto”, afirma Cleiton.

A negociação ganhou força após o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, condição sanitária considerada essencial para avançar em mercados mais restritivos.

Carne Suína e de Frango

Dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), com base na Secex (Secretaria de Comércio Exterior), mostram que a carne de frango permanece como a principal proteína animal embarcada pelo Brasil ao Japão, enquanto a carne suína vem ampliando sua participação na pauta exportadora.

Em 2025, a carne de frango fresca, refrigerada ou congelada respondeu por 18,8% de todas as exportações brasileiras destinadas ao mercado japonês. Segundo os dados do MDIC/Secex, o produto gerou faturamento superior a US$ 1,03 bilhão, tornando-se o segundo principal item da pauta de exportações brasileiras para o Japão.

O desempenho ganhou ainda mais força em 2026. Entre janeiro e maio, a participação da carne de frango subiu para 20,5% do valor total exportado pelo Brasil ao Japão. Considerando as exportações brasileiras de US$ 2,4 bilhões no período, as vendas da proteína renderam aproximadamente US$ 492 milhões.

A carne suína também vem registrando avanço no mercado japonês. De acordo com os dados do MDIC/Secex, a proteína representou 4,7% das exportações brasileiras ao Japão em 2025, movimentando cerca de US$ 258,5 milhões ao longo do ano.

Nos cinco primeiros meses de 2026, a participação da carne suína aumentou para 7,5% da receita obtida com as exportações brasileiras ao Japão. O percentual corresponde a aproximadamente US$ 180 milhões em vendas entre janeiro e maio.

Café

O café também ocupa posição de destaque na relação comercial entre Brasil e Japão. De acordo com o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), o Japão importou 2,647 milhões de sacas de 60 quilos de café brasileiro em 2025, volume 19,4% superior ao registrado em 2024. Com esse desempenho, o país asiático passou a ocupar a quarta posição entre os maiores compradores do café brasileiro.

A demanda japonesa por cafés de maior valor agregado também vem abrindo novas oportunidades para os exportadores brasileiros. Neste ano, a Expocacer (Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado) realizou a primeira exportação de café especial não torrado naturalmente descafeinado para o Japão.

Foram embarcadas 8,4 toneladas, equivalentes a 140 sacas de 60 quilos, pelo Porto de Santos (SP). Segundo a cooperativa, a operação fez parte de uma estratégia de reposicionamento comercial desenvolvida nos últimos três anos, que identificou o café descafeinado como um nicho promissor no mercado internacional. O volume embarcado supera, sozinho, as exportações anuais brasileiras de café não torrado descafeinado registradas em cada ano desde 2020.

Comércio bilateral

Em 2025, o comércio bilateral somou US$ 11,5 bilhões. As exportações brasileiras para o Japão chegaram a US$ 5,5 bilhões, enquanto as importações atingiram US$ 6,1 bilhões, resultando em déficit de US$ 562,6 milhões para o Brasil. O Japão ocupou a 10ª posição entre os principais destinos das exportações brasileiras.

Outros produtos também se destacaram na relação comercial. O Brasil exportou 12,63 milhões de toneladas de minério de ferro ao Japão, com receita de US$ 960 milhões.

No sentido inverso, o Brasil importou 95,78 mil toneladas de autopeças japonesas, somando US$ 1,15 bilhão, reforçando a força da indústria automotiva do país asiático.

Os dados mais recentes, referentes ao período de janeiro a maio de 2026, indicam mudança de tendência. As exportações brasileiras ao Japão somaram US$ 2,4 bilhões, alta de 11,9% na comparação anual. As importações também ficaram em US$ 2,4 bilhões, mas com queda de 8,6%.

Com isso, a corrente comercial chegou a US$ 4,8 bilhões e o Brasil registrou superávit de US$ 7,2 milhões no período.

Segundo dados consolidados de 2025 da Secex e compilados pelo IMEA  (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), o estado do Mato Grosso exportou ao Japão 311,94 mil toneladas de farelo de soja, com receita de US$ 105,35 milhões. No mesmo período, as vendas de soja em grão somaram 223,40 mil toneladas, movimentando US$ 88,61 milhões.

Juntos, os dois produtos responderam por 535,34 mil toneladas embarcadas de Mato Grosso ao mercado japonês, com receita total de US$ 193,96 milhões.

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Leilão veículos do Detran-MS tem Harley Davidson, mais 80 motocicletas e 16 carros – Agência de Noticias do Governo de Mato Grosso do Sul


Nesta terça (23/05), o Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) abriu um leilão de veículos em bom estado de conservação, que podem voltar a circular. São 97 lotes divididos em 81 motocicletas e 16 automóveis.

Uma HARLEY DAVIDSON/XR 1200, ano 2009/2009 é o grande destaque desse leilão. Com o lance inicial de 9.127 reais, uma motocicleta dessas, pode valer mais 37 mil reais pela tabela FIP. Entre os outros 80 lotes de motocicletas, estão marcas como Honda, Yahama, Shineray e Kasinsk, com valores inicias de lance que variam de mil a cinco mil reais.

O destaque entre os automóveis é um RENAULT/DUSTER 4X2, ano 2014/2014, com preço que pode chegar a 51 mil reais, segundo a tabela FIP. Esse veículo está em leilão com lance inicial de R$ 11.858,00.

Os interessados no certame têm até o dia 07 de julho para registrar seus lances no portal www.marcaleiloes.com.br. Para quem deseja inspecionar os veículos presencialmente, eles estarão disponíveis em Campo Grande e Dourados. Para saber em qual pátio o veículo interessado esta, basta verificar no portal do leiloeiro.

A visitação será nos dias 03 e 06 de julho de 2026, das 08h às 11h e das 13h30 às 16h30:

  • Pátio em Dourados: PMAX, Avenida Moacir Djalma Barros, nº. 11.355, Bairro Núcleo Colonial.



  • Pátio em Campo Grande: PMAX, Rua Gigante Adamastor, nº. 16, Bairro Jardim Santa Felicidade.

Sucatas

Além dos veículos que retornam às ruas, os leilões do Detran-MS também cumprem um importante papel ambiental ao destinar veículos para desmonte e reciclagem. No edital de desta terça-feira, o órgão está oferecendo 56 lotes de sucata aproveitável, sendo 75 motocicletas e 48 automóveis, cujas peças podem ser comercializadas por empresas do ramo.

Ainda está em oferta um lote único e sucata inservível, voltado para exclusivamente para pessoas jurídicas credenciadas (siderurgia, fundição ou reciclagem). Este lote único contabiliza cerca de 21.076,00 kg de material ferroso.

O edital completo, que detalha todas as condições de participação, memorial descritivo dos lotes e preços mínimos, está disponível para consulta no Diário Oficial do Estado (DOE) desta terça-feira (23), nas páginas 159 a 179. (Clique aqui).

O Detran-MS também disponibiliza todos os editais de leilões abertos ou já realizado em seu site www.detran.ms.gov.br/informativo/editais-leiloes-e-licitacoes/.

Emmanuelly Castro, Comunicação Detran-MS
Fotos: Leilão



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Polícia Científica de MS orienta idosos a reconhecer golpes digitais no Junho Prata – Agência de Noticias do Governo de Mato Grosso do Sul


Ação do Núcleo de Computação Forense reuniu 22 participantes e mostrou como confirmar mensagens suspeitas, proteger contas e preservar vestígios

Horas antes de participar de uma palestra sobre golpes digitais, Nilson João Neves, de 73 anos, recebeu no celular uma mensagem que pedia a atualização de um cadastro. Havia um problema: o aposentado nunca havia feito aquele cadastro. Desconfiou do link e bloqueou o número.

A situação antecipou uma das principais orientações apresentadas pela PCi-MS (Polícia Científica de Mato Grosso do Sul) na terça-feira (23), na Associação Amor pela Vida, em Campo Grande: diante da urgência, interromper o contato e confirmar a informação antes de clicar, fornecer dados ou transferir dinheiro.

Promovida pelo Núcleo de Computação Forense, a ação reuniu 22 pessoas idosas e integrou as atividades do Junho Prata, campanha voltada à valorização e à proteção dessa população.

A associação mantém atividades gratuitas de convivência, saúde e artesanato para pessoas idosas e prepara um projeto de inclusão digital. Mesmo com a tarde fria, os participantes chegaram acompanhados por filhos e outros familiares. Nilson participou ao lado da esposa, Jane da Silva São Romão, de 76 anos, e da bisneta.

Nilson João Neves, de 73 anos, a esposa, Jane da Silva São Romão, de 76, e a bisneta participaram da dinâmica com orientações para prevenção de golpes digitais.

Há pouco mais de um mês, o casal passou a frequentar a associação. Nilson participa das atividades físicas e acompanha Jane nas oficinas de crochê. Em casa, os dois também dividem aprendizados sobre o celular: ela usa o aparelho para conversar com familiares e acompanhar conteúdos no TikTok; ele realiza pagamentos e acessa serviços bancários.

“Hoje eu pago minhas contas de casa. Se não fosse isso, teria que ir ao banco ou à lotérica. A tecnologia facilita muito a vida da gente”, afirmou Nilson.

A familiaridade com os serviços digitais, porém, não elimina os riscos. O aposentado já sofreu um golpe bancário e reconhece que mesmo quem utiliza aplicativos diariamente pode ser enganado. “A gente não está livre de cair. Foi bom para aprender”, disse.

Autonomia com segurança

Jane contou que já recebeu mensagens com promessas de dinheiro e pedidos de pagamento para a liberação de supostos valores. Ao identificar uma abordagem suspeita, evita fornecer códigos ou informações pessoais e conversa com o marido antes de tomar qualquer decisão.

“Eu não passo de jeito nenhum. Tenho que ficar atenta a todas as ligações e mensagens que chegam”, relatou.

Responsável pela palestra, o perito criminal Jefferson Lucena, especialista em Computação Forense e Segurança da Informação, explicou que os criminosos exploram principalmente a pressa, o medo, a confiança e a promessa de vantagem.

Entre os exemplos apresentados estavam pedidos urgentes de Pix, falsos familiares que dizem ter mudado de número, links enviados por SMS, perfis copiados e produtos anunciados por preços muito abaixo dos praticados no mercado.

Também foram abordadas situações em que fotografias, áudios e vídeos são usados para simular pessoas conhecidas. A orientação é interromper o contato e confirmar o pedido por outro canal, utilizando um número já conhecido ou os meios oficiais da empresa ou instituição envolvida.

O perito criminal explicou que perfis públicos e solicitações de desconhecidos podem facilitar o acesso a fotografias e informações pessoais, posteriormente usadas na criação de contas falsas.“O ideal é que você só aceite convite de pessoas que conhece”, orientou.

Mesmo mensagens enviadas por contatos conhecidos devem ser confirmadas por outro canal, porque a conta pode ter sido invadida ou reproduzida por criminosos.

Como medidas adicionais de proteção, o perito recomendou ativar a autenticação em duas etapas, criar senhas fortes, manter os aplicativos atualizados e limitar a exposição de informações pessoais em perfis públicos.

Quando a mensagem se torna vestígio

Além da prevenção, os participantes receberam orientações sobre como agir quando o golpe já ocorreu. Conversas, áudios, números de telefone, perfis, links, horários e comprovantes podem constituir vestígios digitais importantes para a apuração.

A vítima deve evitar apagar mensagens, restaurar o celular ou descartar o aparelho antes de receber orientação. Também é necessário comunicar rapidamente o banco ou a plataforma envolvida, bloquear cartões, alterar senhas, avisar familiares e registrar a ocorrência.

No Núcleo de Computação Forense, celulares, computadores, arquivos e registros digitais podem ser submetidos a exames periciais. O trabalho técnico busca identificar, preservar, analisar e documentar elementos que possam contribuir para a investigação e para a produção da prova técnico-científica.

Durante a atividade, uma maleta com materiais utilizados pela Polícia Científica em exames de locais de crime ficou exposta aos participantes. O recurso permitiu apresentar parte da rotina de identificação, documentação e preservação de vestígios.

O especialista também auxiliou participantes a localizar configurações de privacidade e segurança nos próprios aparelhos. A demonstração aproximou as orientações da rotina de quem ainda encontra dificuldade para acessar essas funções.

Informação para levar para casa

Ao final da palestra, os participantes receberam um folder com dez orientações práticas e escolheram placas com mensagens como “senha e código são secretos”, “antes do Pix, confirme”, “guarde provas”, “não clique em links suspeitos” e “na dúvida, peça ajuda”.

Cada pessoa escolheu a recomendação que considerava mais importante. A dinâmica transformou o conteúdo da palestra em mensagens simples, que poderiam ser fotografadas, lembradas e compartilhadas com os familiares.

Ao final, Jane disse que pretende reforçar os cuidados ao receber mensagens inesperadas e evitar a abertura de links desconhecidos. “Deu para a gente ficar mais alerta com tudo o que vem acontecendo. Foi uma tarde maravilhosa de aprendizagem”, afirmou.

Os participantes também receberam pequenas mudas preparadas para a ação. A entrega encerrou uma atividade voltada não apenas à prevenção de prejuízos, mas à manutenção da autonomia de pessoas que utilizam o celular para conversar, pagar contas, buscar informação e acessar serviços.

Para Nilson, abandonar a tecnologia não é uma alternativa. O caminho é aprender a utilizá-la com mais atenção. “Hoje em dia é necessário aprender. Tem que saber para não cair em golpe”, concluiu.

Maria Ester Jardim Rossoni, Comunicação PCi-MS



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Filhote de cachorro-vinagre recebe cuidados no CRAS e representa um marco na conservação da espécie


Animal ameaçado de extinção não era recebido pelo Centro de Reabilitação de Animais Silvestres de Mato Grosso do Sul há mais de 20 anos

Um filhote fêmea de cachorro-vinagre (Speothos venaticus), espécie considerada vulnerável à extinção, está sob cuidados especializados do CRAS (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres), unidade vinculada ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul). O caso é considerado de grande relevância para a conservação da fauna brasileira, uma vez que há mais de 20 anos o centro não recebia um exemplar da espécie.

O animal foi encontrado por uma moradora em uma estrada vicinal do município de Água Clara, sem a presença da mãe ou do grupo familiar nas proximidades. Diante da situação de vulnerabilidade e do risco de atropelamento, foi realizado o recolhimento preventivo.

Após comunicação aos órgãos responsáveis, o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP/ICMBio) acionou o CRAS/MS, que efetuou o resgate e o transporte seguro do filhote.

Espécie rara e ameaçada

O cachorro-vinagre é um dos canídeos mais raros da América do Sul e está classificado como Vulnerável (VU) nas listas de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Entre as principais ameaças enfrentadas pela espécie estão a perda e a fragmentação dos habitats naturais, além da transmissão de doenças provenientes de animais domésticos.

Além da raridade em vida livre, a população mantida em instituições zoológicas e programas de conservação é extremamente reduzida. Estima-se que existam atualmente entre 150 e 200 indivíduos distribuídos em instituições credenciadas em todo o mundo, submetidos a rígidos programas internacionais de manejo e conservação genética.

Para o diretor-presidente do Imasul, André Borges, o atendimento ao filhote representa mais um exemplo da importância do trabalho desenvolvido pelo Estado em prol da fauna silvestre.
“Receber um animal tão raro e ameaçado de extinção reforça a relevância do trabalho realizado pelo CRAS e pelo Imasul. Cada atendimento representa uma oportunidade de contribuir para a conservação da biodiversidade brasileira e demonstra a capacidade técnica instalada em Mato Grosso do Sul para atuar na proteção das espécies silvestres”, destaca André Borges.

Animal foi encontrado em estrada vicinal do município de Água Clara

Quadro clínico crítico

Ao chegar ao Hospital Veterinário do CRAS, o filhote apresentava quadro clínico grave. Com apenas 700 gramas de massa corporal, a paciente encontrava-se em estado de prostração, com desidratação severa, desconforto abdominal intenso e diarreia.

Diante da situação, a equipe técnica instituiu imediatamente um protocolo de suporte intensivo, com monitoramento durante os primeiros dias de internação.
O tratamento teve como objetivo estabilizar o estado geral do animal, corrigir os distúrbios hidroeletrolíticos e promover o controle da dor. Atualmente, a paciente permanece sob vigilância clínica contínua, com acompanhamento veterinário 24 horas por dia.

Recuperação apresenta evolução favorável

Após a fase crítica inicial, o filhote vem apresentando excelente resposta ao tratamento. O peso corporal passou de 700 gramas para 1 quilo, demonstrando um desenvolvimento físico consistente e compatível com a idade estimada entre seis e oito semanas de vida.

A paciente encontra-se ativa, responsiva aos estímulos ambientais e sem sinais dos problemas gastrintestinais observados no momento do resgate. O manejo inclui alimentação balanceada, cuidadosamente adaptada à faixa etária e à fase de transição alimentar, além do suporte medicamentoso necessário para a manutenção do quadro clínico.

Segundo a gestora do CRAS, Aline Duarte, a recuperação do animal é resultado do trabalho integrado e da dedicação permanente das equipes envolvidas. “Casos como este evidenciam a importância do atendimento especializado prestado pelo CRAS. O acompanhamento contínuo e o manejo adequado são fundamentais para garantir a recuperação do filhote e ampliar as possibilidades de sucesso em sua reabilitação, contribuindo para a conservação de uma espécie rara e ameaçada”, afirma Aline Duarte.

Conservação exige alta complexidade técnica

Segundo a médica-veterinária do CRAS, Paloma Gabrieli da Silva, o atendimento a indivíduos de Speothos venaticus demanda elevado grau de especialização e reforça a importância dos centros de reabilitação na conservação da fauna silvestre.

“O manejo de cachorro-vinagre ressalta a importância dos centros de reabilitação na conservação. A reabilitação de filhotes exige alta complexidade técnica, envolvendo monitoramento contínuo, biometria periódica, manejo nutricional adaptado aos ciclos etários e análise do desenvolvimento ponderal, demandando esforço técnico concentrado para garantir a sobrevivência e a higidez do espécime”, destaca a médica-veterinária.

Marco para a conservação da fauna sul-mato-grossense

O caso representa um importante avanço para os esforços de conservação da biodiversidade em Mato Grosso do Sul. A recuperação bem-sucedida do filhote reforça o papel desempenhado pelo Imasul e pelo CRAS no atendimento especializado à fauna silvestre e na preservação de espécies ameaçadas, contribuindo para a manutenção do patrimônio natural brasileiro.

Infraestrutura do Hospital Ayty

O Ayty, considerado o maior hospital de animais silvestre da américa latina, unidade do Imasul, foi fundamental na reabilitação desses indivíduos. O hospital conta com infraestrutura avançada, incluindo farmácia, salas de controle, setor de esterilização, antissepsia, raio-X e centro cirúrgico completo, garantindo suporte integral para a recuperação de espécies resgatadas.

A iniciativa do Imasul reforça o compromisso do Estado com a preservação da fauna pantaneira, proporcionando aos animais resgatados uma segunda chance de retornar ao ambiente natural de forma segura e sustentável.

“O trabalho desenvolvido pelo Imasul por meio do CRAS e do Hospital Ayty é essencial para garantir que esses animais tenham uma nova oportunidade na natureza, sempre com acompanhamento técnico especializado”, destaca André Borges, diretor-presidente do Imasul.

Gustavo Escobar, Comunicação Imasul
Fotos: Divulgação/Imasul



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Planejamento, parceria com produtores e ambiente favorável aos negócios impulsionam a suinocultura de Mato Grosso do Sul


A combinação entre planejamento estratégico, investimentos em infraestrutura, diálogo permanente com o setor produtivo e segurança institucional tem sido decisiva para o avanço da suinocultura em Mato Grosso do Sul.

A avaliação foi apresentada quarta-feira (24) pelo secretário-adjunto da Semadesc, Alex Marcel Melotto, durante o 333 Experience, em Florianópolis (SC), um dos maiores eventos da suinocultura nacional. Também participam do evento os secretários executivos de Desenvolvimento Sustentável, Rogério Beretta e de Qualificação e Trabalho, Esaú Aguiar.

O encontro reúne lideranças do agronegócio, produtores, cooperativas, agroindústrias e representantes do poder público para discutir os desafios e as oportunidades da cadeia produtiva brasileira. Representando o Governo de Mato Grosso do Sul, Melotto participou do painel “Como capitalizar nossas vantagens competitivas e mitigar riscos no longo prazo”, que debateu estratégias para ampliar a competitividade, a sustentabilidade, a logística e a atração de investimentos para o agro.

Durante sua apresentação, o secretário-adjunto destacou que o crescimento da suinocultura sul-mato-grossense é resultado de uma construção coletiva iniciada há mais de uma década, baseada em planejamento de longo prazo e forte integração entre governo, produtores e indústria.

“Grande parte do que estamos vivendo hoje foi construída há cerca de 12 anos, quando o Estado começou a planejar seu futuro, especialmente na área de infraestrutura. Costumo dizer que o progresso anda sobre o asfalto. Os investimentos realizados naquele momento criaram as condições para que o setor produtivo pudesse crescer com segurança”, afirmou.

Melotto ressaltou ainda que um dos principais diferenciais de Mato Grosso do Sul é o ambiente institucional, que favorece o diálogo e a construção conjunta de soluções. “Temos um ambiente em que governo, produtores, indústria e órgãos de defesa sanitária trabalham alinhados. Nosso papel é criar condições para que quem investe no Estado possa produzir, gerar empregos e crescer. O produtor rural é o primeiro elo dessa cadeia e merece todo o nosso respeito e apoio”, destacou.

Outro aspecto apontado pelo secretário-adjunto foi a forte organização dos produtores. Segundo ele, a atuação da Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores (Asumas) fortalece a representatividade do setor e facilita a construção de políticas públicas alinhadas às necessidades da cadeia produtiva.

“Quando nos reunimos com a associação, temos a segurança de que estamos dialogando com toda a cadeia. Isso torna o processo mais eficiente e fortalece a tomada de decisões”, observou.
Desafios climáticos e preparação para o futuro

Ao abordar os desafios para os próximos anos, Melotto destacou os impactos das mudanças climáticas sobre a produção agropecuária e a necessidade de adaptação das cadeias produtivas.
“O grande desafio está em manter os padrões de produtividade e qualidade diante das transformações climáticas que estamos observando. Precisamos construir soluções que garantam competitividade ao setor e segurança para os produtores”, afirmou.

Como exemplo, ele citou a forte variação da produtividade do milho no Estado nos últimos anos, demonstrando a influência direta dos fenômenos climáticos sobre a produção agrícola e, consequentemente, sobre as cadeias de proteína animal.

Segundo o secretário-adjunto, governo, entidades representativas e setor produtivo já discutem alternativas para aumentar a resiliência da atividade diante de eventos climáticos extremos.

Suinocultura em expansão

Os números confirmam o momento positivo vivido pela cadeia produtiva em Mato Grosso do Sul. Atualmente, o Estado possui um rebanho de 3,75 milhões de cabeças, ocupando a oitava posição entre os maiores produtores de carne suína do país e a sexta colocação entre os exportadores brasileiros do segmento.

Nos últimos sete anos, a atividade recebeu R$ 1,7 bilhão em financiamentos aprovados por meio do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), fortalecendo investimentos em ampliação, modernização e aumento da capacidade produtiva.

Entre os principais indicadores do setor estão:

* Rebanho de 3,75 milhões de suínos;
* 8º maior produtor de carne suína do Brasil;
* 6º maior exportador nacional;
* R$ 1,7 bilhão em financiamentos aprovados pelo FCO entre 2019 e 2025;
* 272 estabelecimentos cadastrados e auditados no Programa Leitão Vida;
* 239 propriedades já adaptadas ao novo protocolo de avaliação;
* 111.570 matrizes cadastradas.
Somente entre janeiro e 8 de junho de 2026, o Programa Leitão Vida registrou:
* 4.546.100 animais incentivados;
* 1.638.680 suínos abatidos;
* R$ 45,2 milhões em incentivos concedidos aos produtores.

Sustentabilidade e inovação fortalecem a cadeia

A modernização do Programa Leitão Vida, implantada em 2025, consolidou uma nova etapa para a atividade no Estado. A iniciativa passou a adotar o Protocolo Leitão Vida em Conformidade (PLVC), desenvolvido pela Câmara Setorial da Suinocultura com participação de produtores, entidades representativas e órgãos públicos.

O novo modelo estabelece critérios de avaliação baseados em seis pilares: sustentabilidade social, sustentabilidade econômica, sustentabilidade ambiental, biossegurança, bem-estar animal e produção.

A metodologia reforça o compromisso de Mato Grosso do Sul com a produção sustentável e amplia o reconhecimento das boas práticas adotadas pelos produtores. Além dos incentivos diretos, o Governo do Estado, por meio da Semadesc, mantém apoio permanente ao setor por meio da realização de fóruns, workshops, missões técnicas, encontros de lideranças e participação em eventos nacionais e internacionais de negócios.

Com forte presença nos polos de São Gabriel do Oeste e Dourados, onde estão concentradas importantes agroindústrias integradoras, a suinocultura sul-mato-grossense segue avançando com base em inovação, sustentabilidade, segurança sanitária e planejamento estratégico, consolidando-se como uma das atividades que mais contribuem para a geração de emprego, renda e desenvolvimento regional.

“Convido todos a conhecerem Mato Grosso do Sul. Temos uma cadeia organizada, um ambiente favorável aos investimentos e um governo comprometido com o desenvolvimento sustentável. Estamos de portas abertas para quem deseja crescer junto conosco”, concluiu Alex Melotto.

Rosana Siqueira, Comunicação Semadesc



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MS abre chamamento internacional para estruturar mercado de créditos de carbono e atrair investimentos


Primeiro edital da MS Ativos Ambientais busca parceiro estratégico para desenvolver projetos de carbono, restauração ecológica e REDD+, consolidando nova etapa da economia verde no Estado

Mato Grosso do Sul deu mais um passo na consolidação da economia de ativos ambientais. Foi publicado na edição de quarta-feira (24) do Diário Oficial do Estado o Edital de Chamamento Público nº 001/2026 da MS Ativos Ambientais, primeiro processo voltado à seleção de um parceiro estratégico, nacional ou internacional, para estruturar, implementar, certificar, comercializar e gerir créditos de carbono gerados em território sul-mato-grossense.

O edital marca o início de uma nova fase da política estadual de clima e desenvolvimento sustentável ao conectar conservação ambiental, mercado internacional e atração de investimentos privados. A parceria abrangerá projetos de restauração ecológica, Soluções Baseadas na Natureza (SbN), REDD+ e o Programa Jurisdicional de REDD+ de Mato Grosso do Sul, autorizado pela Semadesc, ampliando a capacidade técnica e comercial da companhia para atuar no mercado global de carbono.

O lançamento do edital ocorre no momento em que o secretário Artur Falcette, da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) representa o Governo de Mato Grosso do Sul na London Climate Action Week (LCAW), em Londres.

“Esse primeiro edital, lançado pela companhia que foi criada para fazer a gestão e exploração desses ativos, é aberto para instituições nacionais e internacionais que atuem nessa área. Ele prevê projetos de carbono voltados para Soluções Baseadas na Natureza, projetos REDD+, que são os créditos oriundos da redução do desmatamento e da degradação, que Mato Grosso do Sul já tem autorização do ConaRED para certificar e comercializar, além de projetos de restauração”, afirmou.

Segundo Falcette, o objetivo é selecionar um parceiro da iniciativa privada que reúna capacidade técnica, financeira e experiência internacional para constituir uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) com a MS Ativos Ambientais, responsável pela estruturação e exploração desses ativos ambientais.

“Com critérios bastante rigorosos do ponto de vista técnico e financeiro, o Estado busca formar uma parceria capaz de estruturar esses projetos ao longo do tempo, internalizando recursos e distribuindo os benefícios por meio de uma governança moderna e transparente, alcançando comunidades tradicionais, povos indígenas e todos aqueles que contribuírem para a geração desses ativos ambientais”, explicou.

 

Para o secretário, a iniciativa representa a consolidação da economia de ativos ambientais como política pública de desenvolvimento. “Com isso, solidificamos a visão da economia de ativos ambientais no nosso Estado, atribuindo valor a esses ativos e transformando esse valor em desenvolvimento para Mato Grosso do Sul e para a população. Estamos tirando a agenda climática do campo da retórica para transformá-la também em oportunidade de negócios, fortalecendo as ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas”, completou.

Parceiro vai investir na estruturação dos projetos

Diferente de uma contratação convencional, o edital busca um parceiro-investidor. Caberá à empresa ou consórcio selecionado aportar os recursos financeiros necessários para estruturar os projetos, desenvolver a certificação, organizar a comercialização internacional e operar toda a estratégia de mercado dos créditos de carbono. Outra diretriz considerada estratégica é a proibição da venda antecipada de créditos ainda não certificados. A medida fortalece a segurança jurídica da operação e preserva a credibilidade dos ativos ambientais produzidos em Mato Grosso do Sul.

O edital também estabelece salvaguardas socioambientais que incluem transparência, integridade, repartição de benefícios para povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, quando aplicável. Além disso, toda operação dependerá da certificação dos créditos, da verificação independente dos resultados e da realização da Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI), conforme prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O processo de seleção busca empresas com experiência comprovada em estruturação de projetos de carbono, negociação internacional de créditos e atuação nos mercados voluntário e regulado. A pontuação máxima será de 2.000 pontos, distribuídos entre estrutura técnica (1.000 pontos), estrutura econômica (700 pontos) e estrutura jurídica (300 pontos), demonstrando que a experiência prática e a capacidade operacional terão maior peso na escolha do parceiro estratégico.

As propostas poderão ser apresentadas durante 30 dias úteis a partir da publicação do edital. Após a fase de avaliação, será iniciado o processo de negociação para formalização da parceria entre a empresa vencedora e a MS Ativos Ambientais.

Marcelo Armôa, Comunicação Semadesc



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