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SP bate novo recorde de frio em 2026 e atinge menor temperatura do ano


O Estado de São Paulo registrou mais um recorde de frio do ano ao atingir temperatura de 1,3°C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A marca foi registrada na madrugada desta quarta-feira (15) na Serra da Mantiqueira. Essa foi a menor temperatura observada no Estado de São Paulo em 2026, até o momento.

Ainda segundo o Inmet, às 2h, as temperaturas ficaram em 1,9°C. Depois, às 3h, caiu para 1,4°C e chegou a subir para 1,5°C às 4h, antes do recorde de 1,3°C às 5h. As temperaturas baixas fizeram também com que a cidade paulista amanhecesse coberta por geada mais uma vez. Moradores registraram carros e vegetação encobertos pelos pequenos cristais de gelo.

Na terça (14), a mínima foi de 2,1°C. O recorde anterior havia sido alcançado em 12 de maio, quando os termômetros marcaram a mesma temperatura. Antes disso, a menor temperatura de 2026 havia sido de 5,5°C, registrada em 21 de abril.

Segundo o Inmet, o frio deve persistir em São Paulo ao longo das madrugadas e manhãs de quarta-feira (15), e quinta-feira (16). A atuação de um sistema de alta pressão pós-frontal mantém o tempo estável e sem previsão de chuva no Estado, favorecendo a queda das temperaturas, principalmente nas áreas de maior altitude.

A região de Campos do Jordão permanece sob aviso de perigo potencial para geada, com possibilidade de novas ocorrências nas primeiras horas do dia. O instituto também prevê formação de névoa úmida em áreas do leste paulista durante a madrugada e o início da manhã.

Apesar das manhãs geladas, as temperaturas devem subir gradualmente durante as tardes. No oeste paulista, as máximas podem se aproximar dos 30°C na quinta-feira. Já em grande parte do interior do Estado, com exceção da faixa leste e do litoral, o Inmet também alerta para baixa umidade do ar, com índices entre 20% e 30%.



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como Brasil pode reagir a novo tarifaço


O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda espera a confirmação pelo governo de Donald Trump, nos EUA, de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros exportados para aquele país para traçar qual deve ser o caminho de uma eventual reação.

Apesar de esperar um desfecho negativo, o governo brasileiro segue insistindo que as negociações sejam mantidas até o último dia. Ontem, representantes do governo brasileiro tiveram uma última conversa com autoridades americanas antes da decisão final do governo Trump.

Em reunião com os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, na última sexta-feira, Lula avaliou o cenário e considerou que o caminho mais provável é de que haja a retaliação.

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O governo também espera que, se decidirem pelo tarifaço definitivo, os Estados Unidos antecipem os itens que serão tarifados antes do comunicado oficial. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil aos EUA podem ser afetados.

No entanto, o governo brasileiro ainda aguarda uma lista oficial. A partir disso, será possível negociar que produtos estratégicos para pauta exportadora brasileira sejam inseridos em uma lista exceções da taxação, que já conta com 73 produtos.

Entre os itens isentos estão café e carnes, que foram inicialmente taxados no ano passado.

Outro caminho também pode ser novas reuniões com Jamieson Greer, Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Essa foi a postura adotada pelo governo nas outras ocasiões que Trump impôs tarifas sobre os produtos brasileiros no ano passado.

A retaliação é uma opção avaliada pelo governo desde o anúncio das novas tarifas em junho. Como mostrou o colunista do GLOBO Fabio Graner, áreas como propriedade intelectual, muito caras aos americanos, são citadas nos bastidores do governo entre as opções de represália à atitude de Donald Trump.

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Além disso, o governo brasileiro também tem a disposição a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica.

Sancionada no ano passado, a Lei da Reciprocidade permite ao Brasil responder a medidas unilaterais de outros países que prejudiquem sua competitividade internacional. Entre as possíveis contramedidas estão a imposição de tarifas sobre importações, suspensão de concessões comerciais e investimentos, e restrições relacionadas à propriedade intelectual.



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O que é gripe aviária? Conheça sintomas, riscos para humanos e o agro

Desde 2020, a gripe aviária voltou a se espalhar pelo mundo com a circulação da cepa H5N1, de altamente patogênica, atingindo aves silvestres, granjas comerciais e até mamíferos em diferentes continentes. 

A doença já foi registrada em países da Europa, das Américas, da Ásia e, mais recentemente, da Oceania, incluindo casos recentes na Austrália, na Nova Zelândia, e segue despertando dúvidas sobre os riscos para humanos, a forma de transmissão e os impactos para a produção de alimentos. 

O que é a gripe aviária?

A gripe aviária é uma doença infecciosa causada por vírus Influenza A que afeta principalmente aves silvestres e domésticas. Entre as variantes de maior preocupação está a H5N1, considerada altamente patogênica por provocar elevada mortalidade em plantéis comerciais.

O vírus ganhou projeção global a partir de 2020, quando a atual linhagem H5N1 se espalhou rapidamente entre aves migratórias no Hemisfério Norte. Desde então, avançou para a América do Sul, Antártida e, mais recentemente, Oceania, ampliando sua distribuição geográfica e o número de espécies afetadas.

Além das aves, a doença já foi identificada em dezenas de espécies de mamíferos, incluindo leões-marinhos, raposas, felinos domésticos e rebanhos leiteiros nos Estados Unidos.

Gripe aviária é perigosa para humanos?

O risco para a população em geral continua sendo considerado baixo. Casos em humanos são raros e, na maioria das vezes, ocorrem em pessoas que tiveram contato intenso e prolongado com aves infectadas ou com ambientes contaminados. 

Até o momento, a transmissão sustentada entre pessoas não foi observada, embora organizações internacionais mantenham vigilância constante devido à capacidade de mutação dos vírus influenza.

Também não há evidências de transmissão da doença pelo consumo de carne de frango ou ovos devidamente cozidos.

Como ocorre a transmissão?

As aves migratórias são os principais reservatórios naturais do vírus. Patos, marrecos, gansos e outras aves aquáticas podem transportar o agente infeccioso por longas distâncias e introduzi-lo em novas regiões.

Nas granjas, a transmissão ocorre principalmente pelo contato entre aves infectadas e sadias ou por meio de fezes, secreções respiratórias, água, ração, equipamentos, veículos e materiais contaminados.

Em humanos, os poucos casos registrados estão relacionados quase sempre ao contato direto com animais doentes.

Quais são os sintomas nas aves?

A manifestação mais característica da gripe aviária altamente patogênica é a morte súbita de várias aves.

Outros sinais incluem:

  • dificuldade respiratória;
  • tosse e espirros;
  • falta de coordenação motora;
  • diarreia;
  • queda na produção de ovos;
  • inchaço e coloração arroxeada da crista e da barbela;
  • hemorragias nas pernas.

Por que a gripe aviária preocupa o agronegócio?

Mesmo quando restritos a uma única propriedade, surtos de gripe aviária podem gerar impactos econômicos.

Os protocolos internacionais determinam medidas rigorosas para conter a disseminação do vírus, como isolamento da área afetada, abate sanitário das aves, desinfecção das instalações e reforço da vigilância epidemiológica.

Além das perdas diretas para os produtores, a confirmação da doença em granjas comerciais pode levar parceiros comerciais a suspender temporariamente as importações de carne de frango, ovos e outros produtos avícolas. Essas restrições variam conforme os acordos sanitários de cada país e podem afetar um dos principais mercados do agronegócio mundial.

A circulação global do H5N1 também elevou os custos com biossegurança nas granjas e intensificou o monitoramento em países produtores, justamente para evitar a entrada do vírus nos plantéis comerciais.

O Brasil já teve casos?

Sim, mas a trajetória da doença no país ocorreu em etapas. Os primeiros registros brasileiros foram confirmados em 2023, exclusivamente em aves silvestres e em algumas criações de subsistência, sem impacto sobre o status sanitário da avicultura comercial.

A situação mudou em maio de 2025, quando o Ministério da Agricultura confirmou o primeiro foco de influenza aviária de alta patogenicidade (H5N1) em uma granja comercial no município de Montenegro (RS).

O caso levou à adoção dos protocolos sanitários previstos pela OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal), incluindo o abate sanitário das aves, a desinfecção da propriedade e o monitoramento da região. Alguns países também suspenderam temporariamente as compras de carne de frango brasileira.

Após o cumprimento do período de vigilância sem novos registros, o foco foi considerado encerrado. O Brasil recuperou seu status sanitário e as restrições comerciais impostas por parceiros internacionais foram gradualmente retiradas, permitindo a retomada das exportações.

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Advogado é encontrado morto em bairro nobre de São Paulo após ter desaparecido


A Polícia Civil de São Paulo identificou o corpo do advogado Pedro Ely Cordeiro dos Santos, de 43 anos, que estava desaparecido desde a madrugada de sexta-feira (10). A vítima havia sido encontrada morta no mesmo dia, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, mas permaneceu sem identificação até terça-feira (14), por estar sem documentos. O caso é investigado como morte suspeita.

Segundo informações divulgadas pela família nas redes sociais, Pedro foi visto pela última vez por volta das 0h48 de sexta-feira, após passar por bares na Vila Madalena, também na zona oeste da capital. Hospedado no Hotel Mercure JK, na Vila Olímpia, o advogado não retornou ao local. O último registro de atividade em sua conta no WhatsApp ocorreu por volta das 5h daquele dia.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), policiais militares foram acionados ainda na madrugada de sexta-feira para atender a uma ocorrência na Rua Fradique Coutinho, em Pinheiros. No local, encontraram um homem caído na via. A apuração inicial apontou que ele teria passado mal antes de cair.

Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada e constatou a morte. Segundo a SSP, a vítima não apresentava lesões aparentes. A perícia foi acionada e o corpo encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), onde permaneceu sem identificação até a confirmação da identidade por meio de exames e do reconhecimento feito pela família.

O caso foi registrado no 14º Distrito Policial (Pinheiros). A Polícia Civil aguarda a conclusão dos laudos periciais para determinar a causa da morte e esclarecer as circunstâncias do caso.



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Setor de serviços recua 0,4% em maio e frustra projeções de leve alta


O volume do setor de serviços do Brasil caiu 0,4% em relação a abril e teve alta de 0,4% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

O dado frustrou as projeções do mercado. A projeção média de economistas consultados pela Reuters era de alta de 0,1% na base de comparação mensal e de avanço de 0,9% frente o mesmo mês do ano anterior.

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Nova Zelândia registra primeiro caso de gripe aviária H5N1

A Nova Zelândia confirmou o primeiro registro de gripe aviária de alta patogenicidade H5N1 em seu território. O caso foi identificado em uma ave marinha da espécie mandrião-marrom encontrada na praia em Wellington, informou o Ministério das Indústrias Primárias do país.

Segundo o órgão, exames laboratoriais confirmaram a presença da cepa H5N1, a mesma que vem circulando em diferentes regiões do mundo nos últimos anos. Até o momento, não há registros da doença em outras aves no país nem em plantéis comerciais de aves.

Em nota, o ministério afirmou que “esta é a primeira detecção da gripe aviária H5 na Nova Zelândia” e ressaltou que não há evidências de mortalidade em massa de animais silvestres nem de transmissão entre aves selvagens no país. Também informou que “não houve qualquer detecção em aves de produção”.

O governo classificou o risco à saúde humana como baixo e informou que mantém um plano de resposta para proteger a produção avícola e reduzir impactos sobre a fauna silvestre e as comunidades.

“Nossa resposta foi planejada para gerenciar os riscos da gripe aviária H5, proteger a produção avícola e reduzir os impactos sobre a vida selvagem e as comunidades”, afirmou o ministério.

O ministério destacou que a Nova Zelândia já convive com variantes de baixa patogenicidade da influenza aviária em aves silvestres e mantém um programa permanente de vigilância, que analisa cerca de 2 mil amostras de aves selvagens por ano. Segundo a instituição, essas variantes normalmente causam poucos ou nenhum sinal clínico, mas podem evoluir para formas de alta patogenicidade quando introduzidas em granjas de galinhas.

A atual onda da H5N1 teve início no Hemisfério Norte em 2020, quando o vírus se estabeleceu em populações de aves silvestres e se espalhou por países da Europa, Reino Unido, Estados Unidos e outras regiões. 

Em 2023, o vírus foi detectado no Hemisfério Sul e avançou pela América do Sul até ilhas subantárticas e a Península Antártica. 

Em junho de 2026, a Austrália confirmou seu primeiro caso da mesma cepa em uma ave marinha encontrada no estado da Austrália Ocidental.

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economia

Brasil se prepara para tarifas dos EUA enquanto Washington amplia pressão comercial


BRASÍLIA, 15 Jul (Reuters) – O Brasil se prepara para a imposição de uma nova tarifa ⁠de 25% pelos Estados Unidos, que pode atingir mais de 4 mil produtos brasileiros, após meses de negociações intensas, mas ⁠em grande parte infrutíferas, disseram à Reuters quatro fontes que acompanham as discussões.

O Brasil deve ser o primeiro alvo em uma nova rodada de tarifas a serem ‌adotadas pelo governo norte-americano contra vários países, depois que a Suprema Corte dos EUA derrubou a política tarifária original do presidente Donald Trump, em fevereiro deste ano.

‘Não houve falta de esforço da nossa parte. Houve dezenas de reuniões, seis ou sete só no último mês’, disse uma fonte envolvida nas negociações, que pediu anonimato. ‘Mas eles querem o impossível.’

Entre os desejos ‌da equipe norte-americana estava o pedido para que alguns de seus produtos tivessem tarifas reduzidas exclusivas dentro do mercado brasileiro, o que fere a legislação do país e, mesmo que o Brasil decidisse ceder, acabaria na Justiça.

O anúncio de tarifas a ser feito pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), esperado para esta quarta-feira, pode afetar produtos brasileiros que equivalem a cerca de US$15 bilhões em exportações anuais, de acordo com um levantamento feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Essa lista, que inclui molduras de madeira, tabaco, ferro-gusa, açúcar bruto e alumínio, entre outros produtos, inclui 13 de 15 produtos em que o Brasil é um dos três principais fornecedores dos EUA, segundo a CNI.

A nova estratégia tarifária do governo Trump se baseia na ⁠Seção 301 ‌da lei comercial dos EUA, uma disposição que autoriza investigações sobre supostas práticas comerciais desleais, mas não será o único. Desde fevereiro, o USTR abriu mais quase 80 investigações com base ⁠na seção 301.

Na maior parte das investigações, os países são acusados de não terem legislações que impeçam a importação de produtos que possam ter trabalho escravo na sua cadeia produtiva. Além da investigação que se encerra nesta quarta, o Brasil também está nesse grupo, o que deve elevar as tarifas contra o país em mais 12,5%, chegando a 37,5% a partir do dia 24 deste mês.

Outras, que incluem China, Índia e a União Europeia, entre outros, acusam os países de usar subsídios e outras práticas para desenvolver uma ‘superprodução industrial’ de modo artificial.

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O Brasil, no entanto, está enquadrado em um situação especial. A primeira investigação contra o país foi aberta em julho de 2025, com ​base em uma questão política: ao adotar tarifa de 40% contra o país, somada aos 10% já implementados antes, Trump usou como argumento uma razão política, a suposta perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Desde então, depois da evolução do relacionamento entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram ampliadas as negociações e mais produtos foram incluídos ​na lista de exceções, mas a suposta ‘boa química’ entre os presidentes — como descrito por Trump — não livrou o país das tarifas.

As fontes ouvidas pela Reuters admitem que pode ter pesado o clima político e as eleições deste ano, quando o Departamento de Estado norte-americano, chefiado por Marco Rubio, defende sem pudores a candidatura do senador de oposição Flávio Bolsonaro.

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No entanto, a negociação, a cargo do USTR, tem também razões técnicas para manter as tarifas, dizem as fontes, incluindo a necessidade de reduzir o déficit comercial global norte-americano. Apesar de o Brasil ter déficit com os EUA, na conta geral norte-americana esse resultado precisa ser ainda maior para melhorar a conta geral.

Ainda que tenha sido aberta com razões políticas, a investigação contra o Brasil ‌avançou por questões comerciais. O texto citou diversas supostas práticas desleais, incluindo desmatamento ilegal e o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, ​Pix, que, segundo o governo dos EUA, prejudica as empresas de cartão de crédito. As evidências contrárias apresentadas pelo Brasil foram ignoradas, dizem os negociadores brasileiros.

Em carta enviada ao representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, afirmou que os EUA não conseguiram confirmar as acusações e insistiram em informações erradas. Vieira classificou a investigação de ‘arbitrária’ e parte de uma ‘pressão econômica generalizada imposta pelos EUA’.

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‘UM TIRO NO ⁠PRÓPRIO PÉ’

Espera-se que as tarifas propostas pela Seção 301 isentem diversas categorias de ​produtos brasileiros, como carne bovina, café, terras raras ​e peças de aeronaves, que representam a maior parte das exportações do país para os EUA.

Esses produtos já haviam sido excluídos das tarifas anteriores de 50% impostas pelo governo Trump sobre produtos brasileiros. Há, agora, a expectativa de que ⁠novos produtos possam entrar nas isenções, depois de pedidos apresentados por empresas dos próprios EUA, mas ​até agora não há informações concretas.

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O governo brasileiro espera o anúncio norte-americano para calcular sua própria reação, mas as fontes afirmam que algum tipo de retaliação virá em breve, possivelmente mais de uma.

Internamente, o país tem a Lei da Reciprocidade, que pode ser usada em casos de medidas consideradas abusivas e injustas. Um novo processo deve ser iniciado — são necessárias consultas ao setor industrial para tomar uma decisão –, mas existe ​também a possibilidade de um rito sumário.

Externamente, o Brasil já tem uma disputa em andamento na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as tarifas norte-americanas, aberta no ano passado. Essa mesma disputa pode ser aproveitada agora, encurtando o caminho para o Brasil pedir a abertura de um painel no Mecanismo de Soluções de ​Controvérsias.

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Apesar de praticamente paralisada nos últimos anos, a OMC ainda ⁠tem o poder de dar o aval ao Brasil para uma retaliação internacional.

O resultado desse novo tarifaço dos EUA deve ser uma deterioração ainda maior de uma relação comercial que já vem decaindo significativamente.

Dados da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos ⁠mostram que a participação dos EUA no comércio total do Brasil caiu para 9,7% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2025, quando representava 12,1%, sendo este o nível mais baixo desde o início dos registros, em 1997.

‘É a primeira vez na história que as exportações para os EUA representam menos de 10% da balança comercial brasileira’, contou uma das fontes. ‘A verdade é que desde o início do tarifaço as empresas vêm buscando alternativas. Não há dúvidas que impacta vários setores, mas não vai quebrar o Brasil’.

Outra, ao analisar a questão política, lembra que uma das maiores preocupações norte-americanas é a influência da China na América Latina.

‘É um tiro no pé. Eles empurram cada vez mais o Brasil e outros países para a Ásia’, diz essa fonte.



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Exportações de carne bovina da Argentina crescem 10,9% em 2026

A Argentina exportou o equivalente a 332,2 mil toneladas de carne bovina entre janeiro e maio de 2026, volume 10,9% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Em receita, as vendas externas somaram US$ 1,76 bilhão, alta de 31,6% na comparação anual, impulsionadas tanto pelo aumento dos embarques quanto pela valorização da carne no mercado internacional.

Segundo dados oficiais elaborados pela Coordenação de Análise Pecuária da Secretaria de Agricultura da Argentina, com base em informações do Senasa (Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar) e do Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censos), o preço médio das exportações atingiu US$ 5.312 por tonelada equivalente carcaça, avanço de 45,9% em relação ao mesmo período de 2025.

A China segue como principal destino da carne bovina argentina, concentrando a maior parte dos embarques. Dentre os cinco principais mercados estão China, Estados Unidos, Israel, União Europeia e Chile, que responderam por 95% do volume exportado e 94% da receita obtida pelo país no período.

Os dados mostram que, embora a China continue liderando em volume, os embarques para mercados que pagam preços mais elevados, como Estados Unidos e União Europeia, também cresceram, contribuindo para a valorização da receita das exportações argentinas.

A Argentina também avança no preenchimento da cota de exportação de carne bovina para a China, embora em ritmo inferior ao do Brasil. O governo chinês não divulga oficialmente o percentual de utilização da cota argentina, mas uma estimativa elaborada com base em dados do Indec indica que o país havia utilizado entre 39% e 46% do limite até maio.

Com base no ritmo de embarques registrado entre janeiro e maio, a utilização da cota argentina pode ter avançado para um intervalo entre 47% e 55%. A projeção considera o limite de 511 mil toneladas estabelecido para a Argentina e o fato de a China absorver, historicamente, entre 60% e 70% das exportações argentinas de carne bovina.

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Cota da China deve mudar dinâmica de comercialização da pecuária em 2026

A cota de exportação de carne bovina para a China deve provocar uma mudança na dinâmica de comercialização da pecuária brasileira nos próximos anos. O movimento reduz a concentração das vendas para o principal destino da carne nacional e altera a estratégia de frigoríficos, confinadores e pecuaristas ao longo do ano.

Segundo análise da StoneX, o cenário representa uma quebra no padrão observado nos últimos anos, quando a segunda metade do ano, especialmente os meses de outubro, novembro e dezembro, concentrava uma forte demanda chinesa pelo produto brasileiro.

Com a adoção das cotas, a expectativa é de que as indústrias antecipem a busca por animais para preencher os volumes autorizados logo no início dos períodos de vigência, principalmente no primeiro trimestre. Essa mudança pode inverter a tradicional curva de preços da arroba, que historicamente registrava maior valorização no fim do ano.

“A imposição dessas cotas pela China já é uma quebra estrutural”, explicou a analista de proteínas animais da StoneX, Larissa Barboza. Segundo ela, a nova dinâmica exige uma reorganização de todo o planejamento da cadeia, desde a compra de animais de reposição até o calendário dos confinamentos.

Nos últimos anos, muitos pecuaristas estruturavam a produção para entregar animais terminados no segundo semestre, período em que a China aumentava as compras e os confinamentos ganhavam maior participação na oferta. Agora, com a antecipação da demanda chinesa, a concentração dos animais disponíveis pode mudar.

Além da mudança no calendário de comercialização, o setor também enfrenta o desafio de encontrar novos destinos para o volume que deixou de ser embarcado para a China.

Segundo a gerente de exportação Natália Braga Simão, a redução dos embarques representa um volume expressivo que precisará ser absorvido por outros mercados nos próximos meses.

No ano passado, o Brasil exportou cerca de 1,6 milhão de toneladas de carne bovina para a China. Para 2026, a cota estabelecida ficou em aproximadamente 1,1 milhão de toneladas, uma redução de 500 mil toneladas em relação ao volume anterior.

Considerando que a cota foi preenchida na metade de junho e que os frigoríficos devem voltar a negociar novos embarques com a China em outubro, para cargas chegarem ao país asiático em janeiro de 2027, o intervalo representa uma necessidade de redirecionar cerca de 125 mil toneladas de carne por mês entre julho e outubro.

“É um grande volume. Eu não vejo nenhum mercado absorver esse volume sozinho”, afirmou a gerente.

Na avaliação da gerente, o período deve exigir uma reorganização das estratégias comerciais das empresas, com maior diversificação dos destinos e busca por alternativas para equilibrar a menor participação chinesa no curto prazo.

Indústrias devem diversificar mercados

Com a limitação das vendas para a China, frigoríficos com operações em outros países da América do Sul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, podem utilizar essas unidades para atender o mercado asiático enquanto redirecionam a produção brasileira para outros destinos.

Para o pecuarista Lorenzo Junqueira, o primeiro semestre de 2026 foi marcado por uma corrida da indústria para garantir os embarques antes do preenchimento da cota chinesa.

“Assim que soubemos da aplicação das salvaguardas, houve uma verdadeira corrida da indústria para abater os animais e embarcar a carne bovina o mais rápido possível. Não houve regra: quem chegasse primeiro, bebia água limpa. Esse foi o resumo do primeiro semestre, marcado por volumes recordes de exportação”, afirmou.

Segundo ele, com a cota preenchida e sem uma flexibilização por parte da China, o Brasil perde competitividade justamente no principal mercado consumidor da carne bovina brasileira.

“Perdemos competitividade no nosso principal mercado, responsável por cerca de 45% de toda a carne bovina exportada pelo Brasil. É um volume muito expressivo”, destacou.

Apesar da retração no terceiro trimestre, Junqueira avalia que o mercado deve voltar a ganhar ritmo a partir de novembro, quando os frigoríficos devem iniciar uma nova corrida para atender a cota de 2027 e garantir a chegada da carne ao país antes do Ano Novo Chinês.

Segundo a StoneX, a nova estrutura de exportação deve alterar a formação dos preços da arroba ao longo do ano. Historicamente, o segundo trimestre era marcado pela maior oferta de animais, com a chamada safra do boi, enquanto o segundo semestre registrava recuperação das cotações com o avanço das exportações.

Agora, com a necessidade de antecipar os embarques para a China, o movimento pode ser diferente, com maior pressão de compra nos primeiros meses do ano e valorização dos contratos futuros para períodos de maior demanda.

Abate de fêmeas indica possível virada de ciclo

Outro ponto de atenção é o mercado de reposição. O Brasil registrou no primeiro trimestre de 2026 o maior volume de abates da série histórica do IBGE, impulsionado pela corrida para atender a demanda chinesa antes do limite das cotas.

No entanto, dados mais recentes apontam redução dos abates, principalmente de fêmeas, movimento que pode indicar uma mudança no ciclo pecuário.

A StoneX avalia que a intensidade desse movimento será determinante para os preços da reposição em 2027. Caso a retenção de fêmeas aumente, a menor disponibilidade de animais para reprodução pode pressionar os valores dos bezerros e das categorias de reposição.

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Suspeito de assassinar esposa com 28 facadas é preso no Paraná


O homem que matou a companheira com 28 facadas, em Guarapuava, no Paraná, trancou a porta da casa com cadeado para cometer o crime sem ser impedido, segundo a Polícia Civil. Vizinhos que tentavam entrar no imóvel só conseguiram ouvir os gritos da vítima, Suelen Cristina Cordeiro, de 31 anos. Foram seis minutos de golpes, de acordo com as investigações.

O crime aconteceu no final da noite de 27 de junho. A conclusão do inquérito foi anunciada nesta quarta-feira (8), em entrevista coletiva, pela delegada Ana Hass de Miranda, titular da Delegacia da Mulher. A delegada pediu ao Ministério Público do Paraná o indiciamento do investigado, Anderson José da Fonseca, pelo crime de feminicídio.

A defesa de Anderson divulgou nota destacando que “a investigação encontra-se em estágio embrionário” e “qualquer juízo de valor ou conclusão precipitada é prematura e pode comprometer a busca pela verdade real”.

A investigação apontou que, depois de cometer o crime, Anderson trocou de roupa e foi para um bar próximo de sua casa, onde foi preso em flagrante. A polícia apreendeu o veículo, as roupas usadas pelo suspeito e uma jaqueta que teria sido usada pela mulher para se defender.

28 golpes de faca

O laudo da necropsia aponta que a mulher foi atingida por 28 golpes de faca em regiões vitais, como tórax, dorso e abdômen. Ela tinha também ferimentos nas mãos, indicando que tentou se defender, e escoriações pelo corpo como resultado de outras agressões.

Segundo a delegada, o ataque durou cerca de seis minutos. Os respingos de sangue pela casa indicam que a vítima tentou fugir do agressor pelos cômodos do imóvel. Antes de iniciar as agressões, o homem trancou a casa por dentro com cadeado para evitar que vizinhos acudissem à vítima. Após o ataque, ele saiu de casa por uma janela e jogou fora a chave do imóvel.

Ainda de acordo com a delegada, Suelen e o companheiro saíram juntos de casa naquela noite e foram para um bar, onde se encontraram com um primo dele e uma amiga do casal. Como Anderson cumpria medidas restritivas devido a um caso criminal anterior, o casal precisou retornar para casa e os amigos acompanharam.

Algum tempo depois, os dois deixaram o casal e foram até o bar em busca de bebidas. Ao retornar, encontraram a porta trancada e ouviram os gritos da mulher pedindo socorro. Outros vizinhos também acorreram, mas não conseguiram entrar. Eles, então, chamaram a polícia.

Vítima já havia relatado agressões

De acordo com a delegada, Anderson tinha passagens por roubo e já se envolvera anteriormente em um caso de violência contra uma ex-companheira que teria sido obrigada a se mudar de cidade para escapar do assédio dele. Testemunhas relataram que Suelen já havia sido agredida anteriormente por Anderson, mas não denunciou o marido por medo de represálias.

Após a prisão, Anderson foi interrogado formalmente e negou o crime, apontando um ex-companheiro da vítima como autor do feminícidio. Segundo a delegada, a versão foi descartada por imagens de câmeras que mostram apenas o casal e os amigos entrando na casa e pelo relato das testemunhas de que o imóvel estava trancado, apenas com o casal dentro dele.

A Ouvidoria da Câmara de Guarapuava emitiu nota de pesar pela morte de Suelen, vítima de feminicídio. “Suelen tinha uma vida pela frente e deixa três filhos, que agora enfrentam a dor irreparável da perda da mãe de forma prematura”, diz a nota.



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