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Morte na prisão e papel em ‘A Turma’: quem é Sicário, visto em foto com Flávio


Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário” de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltou ao noticiário nesta quarta-feira (15) após uma foto em que aparece ao lado do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vir a público. Segundo a Polícia Federal (PF), Mourão integrava o núcleo operacional da organização criminosa atribuída a Vorcaro e era responsável por atividades de vigilância, intimidação e obtenção de informações sigilosas.

A foto revelada nesta quarta teria sido registrada em 2022, em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro. Em nota, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro declarou que nunca viu Mourão antes e questionou a procedência da fotografia, dizendo que não seria possível descartar o uso de inteligência artificial. A foto, porém, passou por verificações técnicas citadas pela coluna da jornalista Juliana Dal Piva, do site ICL, em parceria com o Centro Latino-americano de Investigación Periodística (CLIP), que não encontraram indícios de manipulação por inteligência artificial generativa.

Flávio ao lado de Sicário de Vorcaro
Flávio Bolsonaro ao lado de Sicário de Vorcaro

De acordo com a PF, Sicário mantinha uma relação direta de prestação de serviços para Vorcaro e exercia um papel considerado central na estrutura conhecida pelos investigadores como “A Turma”. O apelido faz referência ao termo utilizado como sinônimo de assassino de aluguel, embora a investigação utilize a expressão apenas como codinome atribuído a ele.

Segundo o inquérito, Sicário coordenava operações para identificar, localizar e monitorar pessoas ligadas a investigações ou consideradas contrárias aos interesses do grupo. A PF afirma que ele também executava atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas por meio de acessos indevidos a sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal (MPF), da Interpol e do Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI).

As investigações ainda apontam que Mourão teria atuado no monitoramento de desafetos de Vorcaro e na condução de ações para “neutralizar situações sensíveis” aos interesses da organização.

Possíveis agressões em jornalista

Mensagens interceptadas pela PF mostram conversas entre Vorcaro e Sicário sobre possíveis agressões a pessoas consideradas adversárias do grupo. Em um dos diálogos, o banqueiro afirma que queria mandar “dar um pau” no jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Em outra conversa, diz que precisava “moer” uma empregada.

A investigação também identificou que a empresa King Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda., ligada a Sicário, recebeu R$ 1 milhão de Vorcaro. Segundo a PF, os repasses seriam mensais.

Outro ponto destacado pelos investigadores é que Mourão teria intermediado contatos entre Vorcaro e influenciadores digitais para tentar influenciar a opinião pública. Conforme o inquérito, a estratégia fazia parte do chamado “Projeto DV”, que buscaria atacar a reputação do Banco Central (BC) durante discussões envolvendo o futuro do Banco Master.

Sicário morreu na prisão

Mourão foi preso preventivamente em 4 de março, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. A operação também levou à prisão de Vorcaro, de seu cunhado Fabiano Zettel e do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. A Justiça determinou o bloqueio de bens que chega a R$ 22 bilhões.

Dias após a prisão, Sicário atentou contra a própria vida enquanto estava sob custódia na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais. Ele foi socorrido ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde teve a morte confirmada.

Posteriormente, a PF concluiu o inquérito sobre o caso e informou que não houve interferência externa na morte. Segundo a corporação, o enforcamento foi registrado integralmente pelas câmeras de segurança da unidade, sem pontos cegos, e o relatório final foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Relação com Flávio Bolsonaro

A divulgação da fotografia de Sicário ao lado de Flávio Bolsonaro acontece meses após outras revelações envolvendo o senador e Vorcaro. Reportagens do portal The Intercept revelaram que o banqueiro negociava o financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, e trocou mensagens com Flávio antes de ser preso.

O senador também confirmou que visitou Vorcaro após a primeira prisão do dono do Banco Master para tratar do futuro do financiamento da produção. Flávio, contudo, relata que não possui qualquer relação com Sicário e sustenta que a fotografia divulgada não comprova vínculo entre os dois.

Ajuda

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Fazenda sobe previsão da inflação para 5,1% em 2026 e inflação supera teto da meta


BRASÍLIA, 15 ⁠Jul (Reuters) – A Secretaria ⁠de Política Econômica (SPE) do ‌Ministério da Fazenda voltou a elevar sua estimativa ‌para a inflação neste ano, que agora supera o teto da meta contínua do Banco ⁠Central, ‌citando o impacto dos ⁠choques recentes do petróleo e maior probabilidade de ocorrência do fenômeno climático El Niño, entre ​outros fatores.

Em seu Boletim Macroeconômico, publicação trimestral, ​a SPE estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará 2026 ‌em 5,1%, contra ​4,5% previstos em maio. Em 2027, a previsão é de ⁠inflação ​de 3,6%, ​ante previsão anterior de 3,5%.

A taxa ⁠de inflação ​perseguida pelo BC é de 3%, com margem ​de tolerância de 1,5 ponto percentual.

Para o Produto ​Interno ⁠Bruto, a SPE manteve projeção de ⁠crescimento de 2,3% este ano.

(Reportagem de Marcela Ayres, texto de Isabel Versiani; edição de Camila ​Moreira)



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Agroindústria acumula retração de 0,1% no acumulado do ano, diz FGV Agro

A produção da agroindústria brasileira caiu 2,8% em volume em maio na comparação com o mesmo mês do ano passado, interrompendo dois meses consecutivos de crescimento. Com o resultado, o setor passou a acumular retração de 0,1% nos cinco primeiros meses do ano, segundo o Índice de Produção Agroindustrial, elaborado pela FGV Agro com base na Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.

Segundo a FGV Agro, a retração observada em maio foi disseminada entre os principais segmentos da agroindústria. O documento destaca que o desempenho dos próximos meses permitirá avaliar se o resultado representa um evento pontual ou uma mudança na trajetória observada ao longo dos últimos meses.

Apenas os setores de biocombustíveis, com alta de 9,6%, e de fumo, com avanço de 0,8%, apresentaram crescimento.

O segmento de produtos alimentícios e bebidas registrou queda de 3,5% frente a maio de 2025. Dentro desse grupo, a produção de alimentos caiu 3,7%, enquanto a de bebidas recuou 2,6%.

Entre os alimentos, o maior recuo ocorreu nos produtos de origem vegetal, cuja produção encolheu 6,9% em relação a maio do ano passado. Segundo a FGV Agro, o resultado refletiu a menor fabricação de conservas e sucos, óleos e gorduras, arroz, trigo e, principalmente, açúcar refinado. A maior produção de café amenizou parcialmente a retração do segmento. 

Já os alimentos de origem animal registraram queda de 1,5%, influenciada pelo menor abate de bovinos, aves, suínos e pescados.

No setor de bebidas, a produção de bebidas alcoólicas caiu 4,2%, enquanto a de bebidas não alcoólicas recuou 1%.

Nos produtos não alimentícios, a produção recuou 1,8% em maio na comparação anual. As maiores quedas foram registradas em produtos têxteis, com 5,6%, insumos agropecuários, queda de 4,5% e produtos florestais, retração de 3,5%. 

A FGV Agro atribui a queda dos insumos agropecuários principalmente à menor produção de intermediários para fertilizantes, tratores, máquinas, adubos e fertilizantes. O estudo observa que o desempenho negativo já vinha sendo registrado antes do conflito entre Irã e Israel, embora o cenário geopolítico possa ter agravado as dificuldades enfrentadas pelo setor.

No caso dos produtos florestais, a retração foi associada à menor produção de celulose e madeira. O relatório destaca ainda que as exportações brasileiras de celulose caíram 23,1% em maio na comparação anual, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária.

Acumulado do ano

Com o desempenho de maio, a agroindústria passou de uma alta acumulada de 0,7% até abril para retração de 0,1% no acumulado de janeiro a maio. Segundo a FGV Agro, enquanto a agroindústria entrou em terreno negativo, a indústria de transformação como um todo manteve crescimento acumulado de 0,2% no período.

Apesar da queda do índice geral, os produtos alimentícios e bebidas ainda acumulam expansão de 1,3% em 2026. Já os produtos não alimentícios registram retração acumulada de 1,9% nos cinco primeiros meses do ano.

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Repórter da Jovem Pan sofre tentativa de roubo em São Paulo; veja


A repórter Danúbia Braga, da Jovem Pan, sofreu uma tentativa de roubo na manhã desta quarta-feira (15), na Alameda Santos, nos arredores da Avenida Paulista, em São Paulo. O incidente ocorreu pouco antes das 8h, enquanto a jornalista se preparava para uma participação ao vivo no programa Jornal da Manhã.

Imagens da própria transmissão mostram o momento em que um homem em uma bicicleta passou pela repórter e tentou retirar o celular de sua mão. O roubo só não foi concretizado porque o aparelho estava em uma capa com cordão fixado ao braço da jornalista, o que impediu que o homem levasse o telefone.

A Jovem Pan informou que Danúbia Braga não sofreu ferimentos e se encontra bem.

Falta de policiamento

O local onde ocorreu a tentativa de furto fica atrás da Avenida Paulista, região que costuma apresentar concentração de viaturas da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana (GCM). No entanto, no momento da tentativa de roubo, não havia policiamento no local.

De acordo com dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), a cidade de São Paulo registrou mais de 37 mil roubos e furtos de celulares no primeiro trimestre de 2026. Em comparação com o ano passado, os números do órgão apontam uma média de 17 aparelhos roubados ou furtados por hora na capital paulista.

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Dados de inflação do CPI e PPI são medidas imperfeitas, diz presidente do Fed


O presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, disse que qualquer banco central fica satisfeito quando os dados apontam na direção certa, mas que os indicadores desta semana de inflação ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) são, em sua opinião, medidas imperfeitas.

“Dados recentes sobre a inflação são um indicador imperfeito da inflação subjacente”, afirmou ele em testemunho no Comitê Bancário do Senado. Anteriormente, ele já havia criticado as fontes que o BC americano usa para medir os preços. Warsh também reforçou seu comprometimento total com estabilidade de preços e que esperam que a inflação acima da meta dos últimos cinco anos “fique no passado”.

“Acredito que a produtividade terá um efeito estruturalmente desinflacionário”, pontuou ao comentar que o investimento em capital das empresas está contribuindo enormemente para o Produto Inter Bruto (PIB) e que essa tendência deve continuar.

Perguntado sobre as novas forças-tarefa, o chairman respondeu que qualquer novo líder deve recorrer às melhores mentes que pode encontrar para ajudar na reformulação do Fed.

Warsh ainda teve uma discussão acalorada com a senadora e líder democrata na Comissão de Bancos do Senado, Elizabeth Warren. Warsh se negou a dizer se conversou com a vice-presidente de supervisão bancária do BC americano, Michelle Bowman, se ela violou a regra de período de silêncio da instituição ao discursar em um jantar privado do Bank of America (BofA). O dirigente enfatizou que a participação de Bowman no evento está sendo analisada pelo inspetor-geral do Fed. No começo do mês, Warren solicitou ao inspetor-geral que apurasse o caso.



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MP para renegociação de dívidas do agro será publicada hoje, diz Durigan

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, anunciaram nesta quarta-feira (15), em coletiva, um acordo para viabilizar a renegociação de dívidas de produtores rurais. As medidas serão formalizadas por meio de uma MP (medida provisória), que, segundo Durigan, será publicada ainda nesta quarta.

De acordo com o ministro, mais de R$ 100 bilhões em dívidas poderão ser renegociados. O impacto fiscal da medida será divulgado pelo Ministério da Fazenda após a publicação da MP.

A proposta beneficia produtores rurais e cooperativas de produção que registraram perdas entre 2019 e 2025. No caso geral, poderão aderir produtores que tiveram perdas em duas ou mais safras e redução de ao menos 30% da renda bruta. Para os casos considerados de maiores perdas, o critério será ter registrado perdas em três ou mais safras e redução de 40% da renda bruta.

Segundo Durigan, as medidas foram desenhadas para atender “a grande maioria dos agricultores”, especialmente aqueles afetados por eventos climáticos ou quebras de safra, embora nem todos os casos possam ser contemplados.

O ministro afirmou que o entendimento é resultado de cerca de um ano de negociações e destacou a participação técnica da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) na construção da proposta.

Condições

Poderão ser renegociadas operações de crédito rural contratadas até 31 de maio de 2026. No caso de contratos adimplentes, serão contempladas operações formalizadas até essa data. Já para contratos inadimplentes, poderão ser renegociadas operações com vencimento entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de maio de 2026.

Os recursos para a renegociação virão de linhas obrigatórias de crédito rural, equalizadas ou não, de recursos livres e de outras fontes que poderão ser definidas pelo Executivo. A proposta também autoriza o uso do Fundo Social e de fundos supervisionados pelo Ministério da Fazenda.

A MP estabelece limites de renegociação conforme o perfil do produtor. Na regra geral, os limites serão de:

  •  até R$ 400 mil para beneficiários do Pronaf, podendo chegar a R$ 1 milhão; 
  • R$ 2 milhões para operações do Pronamp, com possibilidade de ampliação para R$ 4 milhões; 
  • R$ 4 milhões para os demais produtores. 

Nos casos de maiores perdas, os limites sobem para:

  • R$ 500 mil no Pronaf, com possibilidade de alcançar R$ 1 milhão; 
  • R$ 2,5 milhões no Pronamp, podendo chegar a R$ 4 milhões; 
  • R$ 8 milhões para os demais produtores.

As condições financeiras também variam conforme o perfil do produtor e o nível de perdas.

  • Para os casos gerais, as taxas de juros serão de 6% ao ano para operações do Pronaf;
  • 9% para o Pronamp;
  • 12% para os demais produtores.

Nos casos de maiores perdas, as taxas caem para 5%, 8% e 11% ao ano, respectivamente.

Os produtores enquadrados na regra geral poderão quitar os débitos em até oito anos. Para aqueles com maiores perdas, o prazo será de até dez anos. Em ambos os casos, haverá carência de até dois anos, com pagamento dos juros durante esse período, e não será exigida entrada.

Outros detalhes

A medida também prevê o reaproveitamento das garantias já vinculadas às operações anteriores, permitindo que as instituições financeiras revisem os valores para adequá-los ao saldo renegociado. Segundo Durigan, os bancos deverão ajustar as garantias para que sejam proporcionais ao valor da operação.

Além disso, a MP permitirá que as instituições financeiras prorroguem automaticamente, por até 30 dias, operações que estavam inadimplentes em 14 de julho de 2026, enquanto os pedidos de renegociação são processados.

O texto também cria regras específicas para as CPRs (Cédulas de Produto Rural). As instituições financeiras poderão substituir CPRs inadimplentes por novas operações com prazo de reembolso de até oito anos, enquanto outras regras poderão ser regulamentadas posteriormente pelo Poder Executivo.

Outro ponto da proposta é a criação de um fundo garantidor voltado ao financiamento de médio e longo prazo para o setor agropecuário. Segundo Durigan, a União poderá aportar até R$ 2 bilhões no mecanismo, e outros participantes serão convidados a integrar a estrutura. O documento da proposta prevê ainda autorização para que a União participe de um fundo destinado à cobertura de perdas decorrentes de eventos climáticos adversos.

Com o acordo fechado, o ministro afirmou que os produtores deverão procurar as instituições financeiras, especialmente o Banco do Brasil, para dar início às renegociações e permitir o avanço da operacionalização do Plano Safra. “Encerramos esse debate hoje”, afirmou.

Segundo Hugo Motta, a aprovação do projeto pelo Senado sem um entendimento prévio levou à retomada das negociações entre governo e Congresso para buscar uma solução que conciliasse as demandas dos produtores rurais com as restrições fiscais. 

O presidente da Câmara afirmou que a proposta procura equilibrar o atendimento aos agricultores afetados pelas perdas com a preservação das contas públicas.

A senadora Tereza Cristina (Progressistas-MS), vice-presidente da FPA, reconheceu que a MP não atenderá todos os produtores, mas afirmou que “a grande maioria estará incluída”.

Segundo ela, embora parte do setor, especialmente no Rio Grande do Sul, defendesse a aprovação do projeto de lei, “mas a MP já resolve o problema das pessoas não terem acesso ao crédito”. A parlamentar também destacou a criação do fundo garantidor, cuja implementação deverá avançar após o recesso parlamentar.

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PIB da China desacelera no 2T a mínima em 3 anos e meio e desequilíbrios se agravam


PEQUIM/CINGAPURA, 15 Jul (Reuters) – A economia da China ⁠cresceu no ritmo mais lento em mais de três anos no segundo ‌trimestre, ficando aquém da expectativa, com a fraqueza no consumo das famílias ofuscando o desempenho robusto da indústria e das exportações e intensificando as preocupações ‌quanto à sustentabilidade a longo prazo de seu modelo de crescimento.

Em 4,3%, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de abril a junho sobre o mesmo período do ano anterior desacelerou em relação aos 5,0% do primeiro trimestre, ficando abaixo do limite inferior da meta anual da China, que varia de 4,5% a 5,0%.

Os ⁠dados ‌aumentam a pressão sobre Pequim para que adote mais medidas de estímulo. Mas ⁠muitos analistas afirmam que uma reunião do Politburo do Partido Comunista, órgão máximo de tomada de decisões, prevista para o final de julho, pode não sinalizar medidas significativas devido às preocupações com o aumento vertiginoso da dívida.

Economistas argumentam que o maior desafio não é o ritmo do crescimento, ​mas sua composição.

Os dados divulgados nesta quarta-feira mostraram que as vendas no varejo cresceram 1,0% em junho na comparação anual e a produção industrial ​expandiu 5,3% — sugerindo uma dependência esmagadora da demanda global por bens manufaturados em um momento em que os parceiros comerciais reclamam dos desequilíbrios da China e a guerra no Irã pesa sobre a economia mundial.

Jane Hou, que administra uma empresa de importação de produtos europeus no leste da China, diz ‌que sua renda caiu praticamente pela metade desde o ​início do ano já que as vendas de sua empresa diminuíram. Um apartamento que ela aluga está vazio há mais de seis meses, um reflexo do enorme excesso de oferta de ⁠imóveis na China e da ​prolongada crise imobiliária.

“Além dos ​gastos necessários com alimentação, economizo no que posso”, disse Hou. “Não comprei nenhuma peça de roupa nos ⁠últimos seis meses.”

Ainda assim, a economia cresceu ​4,7% nos seis meses até junho, dentro da meta, reduzindo a urgência por grandes medidas de estímulo. O Morgan Stanley reduziu sua previsão para o ano inteiro de 4,8% ​para 4,6%.

Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, duvida que o Politburo sinalize um déficit fiscal maior, já que as exportações, por ​enquanto, continuam fortes.

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“O governo ⁠parece relutante em gastar recursos fiscais e aumentar a dívida”, disse Zhang.

“Há um consenso geral entre as ⁠autoridades e pesquisadores de que a China precisa impulsionar a demanda interna. Mas não há consenso sobre como fazer isso.”

Um representante do banco central afirmou que as condições monetárias estão “relativamente frouxas” no momento, mas se comprometeu a apoiar a demanda interna.

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economia

saiba que produtos podem ser afetados com nova rodada de taxação dos EUA


O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve decidir nesta quarta-feira sobre a ampliação de tarifa sobre produtos brasileiros. A medida pode levar a uma taxa de 25% e afetar 4,1 mil produtos exportados pelo Brasil aos EUA, como açúcar, álcool etílico, madeira e outros.

A estimativa foi divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A lista de mercadorias inclui itens como ferro-gusa não ligado, açúcar bruto, álcool etílico, molduras de madeira e hidróxido de alumínio.

Segundo a CNI, esses produtos correspondem a US$ 14,9 bilhões em exportações. A lista oficial, porém, ainda não foi divulgada.

Leia mais:

A partir da decisão do governo americano nesta quarta-feira, o Palácio do Planalto deve calibrar uma resposta e passar a discutir a reação. A avaliação do Planalto é que a sanção pode afetar indiretamente setores inteiros da economia brasileira, mas o Brasil não fará nenhuma concessão, como as que envolvem o Pix.

Há ainda a expectativa de que, se o tarifaço for combinado, os Estados Unidos antecipem os itens que serão alvo das sobretaxas antes do comunicado oficial.

A investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável pela política comercial do país, foi aberta em julho de 2025 por determinação de Trump, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento já utilizado em disputas comerciais contra a China.

Entre os principais pontos apontados pelos americanos está o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix.



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Advogado Nelson Wilians é alvo de operação contra fraude de R$ 3,8 bi em ICMS


O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA/SP) deflagrou nesta quarta-feira (15) a Operação Distrato para desarticular um esquema de comercialização de créditos falsos de ICMS usados por empresas para reduzir ilegalmente o imposto devido ao Estado.

Segundo os investigadores, a fraude era operada por empresas ligadas ao advogado Nelson Wilians e já teria provocado prejuízo superior a R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos. O escritório e a casa de Wilians foram revistados pela força-tarefa nesta manhã.

A reportagem pediu manifestação de Wilians. O espaço está aberto

As investigações apontam que escritórios de advocacia e consultorias de Willians ofereciam às empresas créditos de ICMS com deságio, apresentados como parte de supostos planejamentos tributários, como se tivessem sido regularmente autorizados pelo Fisco. Após aderir ao esquema, o contribuinte deixava de recolher integralmente o imposto e pagava aos intermediários honorários de êxito que chegavam a 70% do valor dos créditos utilizados.

Ao todo, são cumpridos 38 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, nas cidades de São Paulo, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, Londrina e Cambé (PR).

A trama financeira liderada por Nelson Wilians, segundo os investigadores, operava, na prática, com “bolsões de crédito, fornecendo suporte documental à inserção de valores nas escriturações fiscais dos contribuintes”.

De acordo com o CIRA/SP, a advogada Mayra Fahur de Paula, do escritório De Paula Advogados e Consultoria Jurídica, exercia papel de liderança ao lado de Wilians e é apontada como sua sócia no esquema. Ela foi alvo de busca e apreensão nesta manhã em Londrina. A reportagem busca contato com Mayra e seu escritório.

As operações contavam com a atuação de escritórios de advocacia, consultorias e empresas intermediadoras, “responsáveis pela prospecção de clientes, estruturação contratual, elaboração de pareceres e outros documentos de suporte e orientação quanto à utilização dos créditos que eram adquiridos por grandes empresas, até aqui tratadas como terceiros de boa-fé”, apontam os investigadores.

A ofensiva fiscal dos investigadores expôs a amplitude da fraude. Ao todo, a Secretaria da Fazenda instaurou 874 Ordens de Serviço Fiscal para investigar quase 10 mil lançamentos suspeitos, identificou mais de 850 empresas envolvidas e lavrou 746 autos de infração, que cobram mais de R$ 3,8 bilhões em créditos tributários.

A Operação Distrato busca reunir provas, identificar os beneficiários econômicos do esquema e responsabilizar os envolvidos pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, estelionato, falsidade documental e crimes contra a ordem tributária.

Nelson Wilians também foi alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada ao esquema de descontos indevidos do INSS. Em depoimento ao Congresso, negou participação nas fraudes, permanecendo em silêncio durante a oitiva. Relatórios da Operação Sem Desconto apontam movimentações financeiras de alto valor e sem lastro econômico entre empresas ligadas ao advogado e o empresário Maurício Camisotti, apontado como um dos principais operadores da trama.

Fundador do Nelson Wilians Advogados (NWADV), escritório que afirma ser o maior da América Latina na advocacia empresarial, com mais de 1.100 advogados e 29 filiais no Brasil, Wilians ganhou notoriedade nas redes sociais ao ostentar com frequência imagens de viagens internacionais, jatinhos, carros esportivos e outros bens de luxo. Em seu perfil no Instagram, o advogado reúne mais de 1,4 milhão de seguidores.



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economia

Preços ao produtor nos EUA têm queda inesperada em junho


WASHINGTON, 15 Jul (Reuters) – Os ⁠preços ao produtor nos Estados ⁠Unidos caíram inesperadamente em junho, mais um indício ‌de que a inflação vinha recuando antes da recente escalada do conflito no Oriente Médio.

O ‌Índice de preços ao produtor para a demanda final caiu 0,3% no mês passado, após alta de 0,6% em maio em dado revisado para baixo, informou nesta quarta-feira o Departamento de Estatísticas ⁠do ‌Trabalho do Departamento do Trabalho.

Economistas consultados estabilidade do ⁠índice, após avanço de 1,1% em maio divulgado anteriormente.

Nos 12 meses até junho, os preços ao produtor subiram 5,5%, após alta de 6,0% em maio.

Uma queda de 1,4% nos preços ​dos bens, a maior desde julho de 2022, foi responsável pelo recuo dos preços ao ​produtor no mês. Os preços dos bens foram pressionados por uma queda de 6,4% no custo dos produtos energéticos. Os preços dos alimentos no atacado caíram 0,6%, e os ‌de serviços subiram 0,2%.

O cessar-fogo entre ​os Estados Unidos e o Irã ruiu na semana passada depois que navios-tanque comerciais foram alvo de ataques no Estreito ⁠de Ormuz, ​desencadeando ataques ​militares entre os dois países.

Os preços do petróleo subiram para a ⁠máxima em quatro semanas ​depois que Washington reimpôs um bloqueio naval ao Irã.

O governo informou na terça-feira que o índice de ​preços ao consumidor caiu 0,4% em junho, a maior queda desde abril de 2020, ​após alta de ⁠0,5% em maio. A queda, que refletiu principalmente uma redução ⁠nos preços da energia, desacelerou o aumento anual da inflação ao consumidor para 3,5%, de 4,2% em maio.

O Federal Reserve acompanha o índice PCE para sua meta de inflação de 2%.

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