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Beauvallet prepara expansão no Brasil com nova planta e foco em exportações

O frigorífico do grupo francês Beauvallet, localizado em Inhumas (GO), pretende acelerar seu processo de expansão no Brasil nos próximos anos. Especializada na produção de carne bovina, a empresa estuda a aquisição de uma nova unidade frigorífica voltada principalmente às exportações, além da implantação de uma fábrica de produtos de maior valor agregado em Goiás, onde já mantém suas operações.

Segundo o presidente da Beauvallet Brasil, Charles Léguille, os dois projetos fazem parte da estratégia de crescimento da companhia, mas seguem em fases distintas. Enquanto a unidade de produtos industrializados deverá permanecer em Goiás, a nova planta frigorífica deverá ser instalada em outro estado.

“Nós já estamos negociando algumas unidades e estudando oportunidades, mas ainda não há nenhuma definição. O foco, neste momento, é buscar plantas destinadas principalmente à exportação, sem deixar de atender o mercado interno”, afirmou.

Mesmo com forte atuação internacional, entre 60% e 80% da produção costuma ser destinada ao mercado externo, dependendo do período, a empresa reforça que manter presença no mercado brasileiro é fundamental para equilibrar as operações diante das oscilações do comércio internacional.

Valor Agregado

A Beauvallet Brasil pretende ampliar sua participação no segmento de carnes de maior valor agregado, acompanhando uma demanda crescente de consumidores e varejistas por produtos com rastreabilidade, sustentabilidade e bem-estar animal.

Segundo o presidente da companhia, a empresa trabalha com critérios rigorosos na seleção dos animais e já fornece carne para grandes clientes do varejo e da indústria de alimentos.

“Nós buscamos animais com melhor acabamento e desenvolvemos linhas de produtos mais premium”, afirmou.

Entre os clientes da companhia estão McDonald’s, Carrefour e Pão de Açúcar. Para atender essas empresas, a Beauvallet exige que os fornecedores cumpram requisitos relacionados à origem dos animais, preservação ambiental e conformidade trabalhista.

“Nenhum produto pode ser entregue sem atender essas exigências”, destacou o executivo.

A rastreabilidade também ocupa papel central na estratégia da empresa. Segundo Léguille, todos os animais que chegam à indústria já são identificados, mas o desafio permanece na identificação desde o nascimento nas propriedades rurais.

“O Brasil avançou muito, mas ainda precisa desenvolver um sistema nacional mais robusto de rastreabilidade para acompanhar o restante do mundo”, afirmou.

Além da carne bovina produzida no Brasil, o grupo Beauvallet atua na Europa com diferentes proteínas animais e uma ampla linha de produtos processados, especialmente frango cozido e industrializados destinados ao mercado europeu e ao Norte da África.

Para o executivo, agregar valor à produção será cada vez mais importante para manter a competitividade da carne brasileira nos mercados internacionais.

Outros destinos

A busca por novos mercados tornou-se prioridade para a Beauvallet Brasil diante da redução das vendas para a China. O frigorífico concentra esforços para conquistar habilitações sanitárias no Reino Unido e nos Estados Unidos, além de ampliar sua presença em mercados halal.

Para Léguille, o Reino Unido passou a representar uma oportunidade importante após deixar a União Europeia.

“Hoje, dentro da Europa, o único mercado onde ainda podemos solicitar novas habilitações é o Reino Unido. Já estamos trabalhando nesse processo”, afirmou.

Outra prioridade é conquistar a autorização para exportar aos Estados Unidos ainda neste ano. A empresa aguarda a realização da auditoria sanitária e afirma que vem investindo tanto na modernização da planta quanto na capacitação das equipes para atender aos requisitos exigidos pelo mercado americano.

“É um mercado extremamente exigente. Não basta investir na estrutura da planta. Também é necessário investir fortemente no treinamento das pessoas”, disse.

Embora reconheça o potencial dos Estados Unidos, Léguille avalia que, no momento, o mercado norte-americano ainda não demonstra sinais de aumento significativo nas importações de carne bovina brasileira, mesmo após a manutenção da competitividade do produto nacional.

“Hoje não há sinais positivos de compras em grandes volumes”, afirmou.

No Oriente Médio e no Norte da África, a empresa também enxerga oportunidades de crescimento. A Beauvallet já exporta carne halal para países como Argélia e afirma que a origem francesa do grupo facilita sua inserção comercial na região.

Segundo o executivo, apesar dos desafios logísticos provocados pelos conflitos no Oriente Médio, esses mercados continuam estratégicos para a companhia.

Léguille defende que o Brasil intensifique as negociações para abrir mercados como Japão e Coreia do Sul, reduzindo a forte concentração das exportações na China.

“Não existe outro mercado que substitua a China em volume. Por isso o Brasil precisa abrir novos destinos e buscar maior valor agregado para a carne”, concluiu.

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passagem aérea sobe 0,3% em junho, enquanto preço do querosene avança 57,6%


A tarifa aérea doméstica média no Brasil foi de R$ 660,5 por trecho em junho, alta de 0,3% na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Em relação a junho de 2024, o avanço foi de 3,1%, em valores corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

No mesmo período, o preço médio do querosene de aviação (QAV) alcançou R$ 5,66 por litro, o que representa aumento de 57,6% ante junho do ano passado e de 34,1% em relação a junho de 2024.

O avanço do combustível ocorre em um contexto de maior volatilidade no mercado internacional de petróleo ao longo dos últimos meses, influenciado pelas tensões entre os Estados Unidos e o Irã, no Oriente Médio. O QAV é um dos principais custos das companhias aéreas (33% dos custos) e reflete oscilações nas cotações internacionais da commodity e do câmbio.

Os dados da Anac consideram todos os bilhetes adquiridos por passageiros em voos nacionais, rota a rota. O cálculo leva em conta apenas o valor pago pelo transporte aéreo, sem incluir taxas de embarque e serviços acessórios, como despacho de bagagem e marcação de assentos.



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Trump assina ajuste de tarifas sobre alumínio para incentivar produção doméstica


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira, 20, uma proclamação para ajustar as importações de alumínio no país, informou a Casa Branca.

O documento instrui o secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, a criar um programa de incentivos para empresas que investirem na construção, expansão ou reforma de fundições de alumínio nos EUA.

“O secretário me informou e aconselhou sobre sua opinião de que, apesar dos benefícios do regime tarifário do alumínio, a produção e o fornecimento doméstico de alumínio primário, que é crítico para a economia dos EUA e a base industrial de defesa, ainda estão em oferta insuficiente”, afirmou Trump, ao defender a modificação do regime tarifário para incentivar o aumento da produção.

Segundo a Casa Branca, o programa solicitará planos de internalização e, se aprovados, permitirá que as empresas importem um volume correspondente de alumínio primário para os EUA a uma tarifa reduzida, equivalente à metade da alíquota prevista na Seção 232.

Caso a empresa não cumpra os compromissos assumidos, o governo Trump poderá suspender e revogar os benefícios tarifários, inclusive de forma retroativa.



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IGP-M recua 1,11% na segunda prévia de julho impulsionado por preços ao produtor


O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou recuou de 1,11% na segunda prévia de julho, após deflação de 0,42% em igual leitura de junho, divulgou nesta terça-feira, 21, a Fundação Getulio Vargas (FGV). Na primeira prévia de junho, o indicador havia registrado queda de 0,39%.

O resultado desta leitura foi sustentado pelo declínio do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M) que passou de queda de 0,84% em maio para deflação de 1,72% em junho.

A segunda prévia do mês também registrou desaceleração no ritmo de alta do Índice Nacional de Custo da Construção (0,91% para 0,66%) e do Índice de Preços ao Consumidor (0,40% para 0,12%).



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Contas negativas em 2027? “Abismo fiscal” é exagero, diz Itaú, mas é preciso reformas


A projeção de que o Brasil enfrentará um “abismo fiscal” em 2027 (fiscal cliff), com os gastos superando a arrecadação e negativando as contas públicas, é considerada um exagero pela equipe econômica do Itaú. De acordo com o economista Pedro Schneider, a economia deve desacelerar muito no ano que vem porque vai ter menos incentivos do governo, mas não deverá ser negativo.

No entanto, a saúde financeira do país no médio prazo exige cautela e reformas, diz o economista, dado que as despesas governamentais cresceram 5% em termos reais nos últimos quatro anos, superando o teto de 2,5% estipulado pelo arcabouço fiscal

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Estímulos

Para compreender a trajetória das contas públicas, Schneider argumenta que é necessário observar de onde vêm os aumentos de despesas e as reduções de impostos. Na análise do economista, as linhas orçamentárias com maior sensibilidade para a economia são as transferências diretas de renda para as famílias, que englobam o Bolsa Família, a Previdência Social, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o abono salarial, entre outros. Segundo Schneider, estes repasses representam cerca da metade dos gastos do governo federal e não deixarão de existir no ano que vem.

O economista detalha que o crescimento de beneficiários devido a expansão demográfica adiciona de 2% a 2,5% aos custos. Quando esse fator é somado à regra de valorização do salário mínimo, que prevê crescimento real de 2,5%, o avanço das despesas alcança o patamar de 5% ao ano.

Apesar do forte avanço estrutural dessas despesas obrigatórias, o cenário de catástrofe fiscal no curto prazo é refutado. “Tem algumas pessoas no mercado que estão trazendo esse debate do curso [fiscal] ser negativo ano que vem, mas para a gente é exagerado”, afirma Schneider. Ele explica que medidas de menor elasticidade adotadas neste ano, como subvenções a combustíveis e determinados gastos com o funcionalismo, não estarão presentes no próximo orçamento, mas as de maior impacto permanecerão ocorrendo. 

O diagnóstico do banco aponta que, para evitar que a conta desse impulso recaia sobre a taxa de juros, será inevitável discutir medidas politicamente sensíveis, como a desvinculação de pisos constitucionais, a adequação da regra do salário mínimo à realidade fiscal e eventuais ajustes na Previdência.

Para que houvesse um “abismo fiscal”, a outra metade dos gastos do governo (que tem menor impacto na economia) precisaria recuar drasticamente para compensar o crescimento das transferências, o que não é o que o banco observa. Algumas reduções ocorrerão, como o fim de subvenções temporárias e a ausência de reajustes para o funcionalismo, mas não o suficiente para tornar o impulso fiscal negativo.



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Justiça manda Virgínia apagar anúncios de bet em 48 horas


O prazo de 48 horas determinado pela Justiça para que a influenciadora Virgínia Fonseca apague anúncios de apostas online de suas redes sociais já está em curso. A decisão, uma liminar de urgência do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, proíbe parte da publicidade veiculada por ela e pela plataforma Blaze em seu Instagram. A informação foi apurada pelo analista de Segurança Pública da CNN Elijonas Maia.

A medida foi concedida a pedido do Ministério Público do Distrito Federal, que apontou risco de dano coletivo aos seguidores da influenciadora. Segundo o Ministério Público, Virgínia estaria publicando vídeos incentivando seus seguidores a apostarem na plataforma sem identificar o conteúdo como publicidade paga.

O que determina a decisão

A decisão, assinada pelo desembargador Renato Rodovalho Scussel, estabelece que toda publicidade de apostas divulgada por Virgínia — incluindo stories, reels, postagens e transmissões ao vivo — deve ser identificada de forma clara e ostensiva como conteúdo publicitário, mesmo quando inserida em publicações sobre sua rotina pessoal ou de viagens.

Além disso, a influenciadora deve se abster de divulgar anúncios que prometam lucros fixos ou garantidos, que apresentem apostas como fonte de renda, investimento alternativo ao emprego ou solução para dificuldades financeiras, bem como campanhas que sugiram não haver risco de perda.

Histórico do caso e pedido de indenização

A decisão é resultado de um recurso interposto pelo Ministério Público do Distrito Federal no Tribunal de Justiça, após um pedido anterior de remoção das publicações ter sido negado por falta de comprovação de urgência e risco coletivo.

No recurso, o Ministério Público apresentou o contrato de contratação da empresa Blaze e outros elementos que, no entendimento da investigação, configurariam urgência para a retirada das publicações.

Nessa mesma ocasião, o Ministério Público também ampliou o pedido de indenização, que passou a ser de R$ 380 milhões, a serem pagos por Virgínia Fonseca e pela plataforma Blaze aos apostadores que, segundo a investigação, teriam perdido dinheiro sem saber que estavam sendo influenciados por uma publicidade paga.

Posicionamento das partes

A assessoria de Virgínia Fonseca informou que ainda não havia tido acesso ao conteúdo da decisão e que, assim que o tivesse, deveria se manifestar. Já a plataforma Blaze não se pronunciou sobre a decisão mais recente, mas, em ocasiões anteriores, declarou que colabora com a investigação e que sempre preza pela ética e pela responsabilidade na internet.



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Governo reúne setores de máquinas, calçados, plástico e têxtil para discutir tarifaço


O governo federal se reúne nesta terça-feira (21) com com representantes de alguns dos setores mais afetados pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

As reuniões serão lideradas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mas também devem contar com a participação da Fazenda.

Leia também: Em meio a tarifaço, Alckmin diz que exportações à Europa cresceram R$ 10 bi

Segundo o ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, os segmentos mais atingidos pela nova taxação, que começa a valer amanhã, são os de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.

Devem ser ouvidos hoje a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), segundo interlocutores. Outras reuniões devem acontecer na quarta-feira.

A orientação do governo é ouvir individualmente os segmentos atingidos para mapear perdas de contratos, riscos para a produção, impactos sobre empregos e necessidade de crédito. A partir desse diagnóstico, a equipe econômica pretende calibrar o alcance das medidas de socorro, que deverão respeitar as limitações fiscais e priorizar os setores mais vulneráveis.

Leia também: Tarifaço atinge mais SP e SC; governo buscará novos destinos para produtos

As reuniões ocorrem poucos dias após o anúncio de que o Executivo estruturará um programa de apoio às empresas afetadas pela decisão do presidente americano Donald Trump. Entre as alternativas em estudo estão a ampliação de instrumentos já existentes do Plano Brasil Soberano, novas linhas de financiamento, reforço às ações de promoção comercial e iniciativas para acelerar a abertura de mercados alternativos às exportações brasileiras.

A avaliação do governo é que ainda não há um retrato preciso dos impactos da sobretaxa sobre cada cadeia produtiva. Por isso, a estratégia será construir as medidas em conjunto com representantes do setor privado antes de anunciar o volume de recursos e os mecanismos que serão utilizados.

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Na última semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo não deixará empresários, agricultores, caminhoneiros e trabalhadores “na mão”, mas ressaltou que qualquer ação será tomada de forma criteriosa e em consonância com o compromisso fiscal. Segundo ele, a prioridade é proteger os setores atingidos sem comprometer o equilíbrio das contas públicas.

Paralelamente ao diálogo com o setor produtivo, o Brasil mantém conversas com autoridades americanas e estuda os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e na Organização Mundial do Comércio (OMC), embora a avaliação seja de que uma eventual reação comercial dependerá da evolução das tratativas bilaterais.



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Fundos soberanos já administram US$ 16 trilhões e FMI dá dicas de governança


Os fundos soberanos tornaram-se alguns dos atores mais poderosos nas finanças globais nas últimas décadas, administrando hoje mais de US$ 16 trilhões em ativos totais, ante cerca de US$ 3 trilhões em 2008. Segundo o FMI, apesar de esses veículos de investimentos terem sido criados para agilizar aportes do patrimônio público no longo prazo, sua diversificação atual pode representar vulnerabilidades críticas.

“À medida que os fundos cresceram, seus mandatos se expandiram rapidamente além de proteger orçamentos governamentais e gerir economias intergeracionais, passando a funções tão diversas quanto construir infraestrutura e implementar políticas sociais e industriais. A crescente fragmentação geopolítica intensificou o apelo desses fundos, à medida que os países buscam ser mais autossuficientes”, comentou Yan Liu, conselheira e diretor do Departamento Jurídico do Fundo Monetário Internacional, no blog da instituição.

Ela destaca que os fundos podem impulsionar a resiliência interna, preservar a riqueza nacional, avançar objetivos de desenvolvimento nacional e fomentar o dinamismo econômico. E que, com projetos que abrangem private equity, imóveis e tecnologia, eles se tornaram alguns dos investidores mais influentes do mundo.

Ativos sob a gestão de fundos soberanos (em US$ trilhões)

(Fonte: FMI)

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Vulnerabilidades

Mas, ela também aleta que, embora esses fundos sejam peças-chave na gestão de fundos públicos, sua presença massiva e complexa criar vulnerabilidades. Yan Liu diz que mandatos vagos e sobrepostos podem enfraquecer a responsabilidade e pesar no desempenho desses fundos soberanos.

“Uma governança fraca pode permitir a apropriação indevida, como demonstrado pelas falhas de alto perfil de alguns fundos. Fundos que operam como autoridades fiscais paralelas e compradores de títulos sem uma âncora fiscal clara podem correr o risco de distorcer os orçamentos do governo, obscurecer as dívidas públicas e complicar o tratamento tributário transfronteiriço”, adverte.

Um dos desafios citados é que, olhando além das fronteiras, fundos que fazem parcerias em projetos concentram suas exposições ao risco, tornando um choque para um investidor um risco para todos.

“Os objetivos nacionais também podem divergir, por exemplo, um parceiro prioriza a criação de empregos domésticos enquanto outro foca nos retornos financeiros, enfraquecendo a governança e a credibilidade dos investidores. E se as relações entre os países parceiros piorarem, pode ser difícil proteger ativos ou sair de um projeto”, cita.

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Mas a especialistas do FMI diz que essas vulnerabilidades podem ser mitigadas por meio de leis rigorosas. “Diretrizes e práticas internacionalmente aceitas, como os Princípios de Santiago, desenvolvidos em 2008 por 26 fundos com apoio do FMI, serviram como um guia valioso. No entanto, à medida que os fundos cresceram significativamente em tamanho, complexidade e diversidade desde então, é importante examinar mais de perto como os fundos são estruturados e governados”.

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Yan Liu lista no blog do FMI caminhos para proteger esses fundos das vulnerabilidades citadas

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Acertando os mandatos

Comece pelo mandato, o arcabouço jurídico vinculativo que serve como roteiro institucional, especificando objetivos, funções e poderes do fundo. Quando claramente articulados, esses objetivos ancoram a tomada de decisão e alinham as estratégias de investimento com as prioridades nacionais.

Exportadores de commodities, por exemplo, priorizam a estabilização fiscal de curto prazo, como demonstrado pelo Fundo de Estabilização Econômica e Social do Chile. Economias mais ricas focam na poupança de longo prazo, como visto no Government Pension Fund Global da Noruega, no New Zealand Superannuation Fund e no Future Ireland Fund.

A Autoridade de Investimento da Indonésia, por sua vez, demonstra como economias emergentes e em desenvolvimento tendem a enfatizar os objetivos de desenvolvimento, incluindo a diversificação econômica. Em algumas circunstâncias, continua a conselheira, múltiplos objetivos podem ser necessários.

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Em economias historicamente dependentes do petróleo, como os Emirados Árabes Unidos, os fundos de riqueza podem combinar papéis de estabilização e diversificação econômica. Para os dois fundos de Singapura, por outro lado, o objetivo principal é a economia de longo prazo, com Temasek apoiando setores estratégicos e desenvolvimento econômico doméstico, enquanto o GIC investe internacionalmente.

No entanto, buscar múltiplos mandatos pode envolver difíceis escolhas (trade-offs). Um propósito claro é essencial para orientar os gestores de fundos, preservando a força vinculativa de cada mandato. Mandatos excessivamente amplos com múltiplos e potencialmente conflitantes objetivos em um único fundo podem criar riscos. Os riscos aumentam quando os mandatos se expandem sem ajustes correspondentes de governança e supervisão.

A separação legal — seja por meio de fundos separados ou subfundos claramente segregados — é frequentemente uma forma melhor de perseguir mandatos diferentes, garantindo clareza e coerência operacional.

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A Autoridade Soberana de Investimentos da Nigéria fornece um exemplo claro, com sua estabilização, futuras gerações e fundos de infraestrutura legalmente protegidos. A Noruega, por sua vez, opera um fundo único como veículo de poupança de longo prazo, investindo exclusivamente no exterior com um forte arcabouço legal. Sua função de estabilização é alcançada por meio do arcabouço fiscal, que limita as transferências anuais do orçamento aos retornos esperados do fundo.

Esses exemplos também destacam que a forma legal de um fundo deve seguir seu mandato.

Fundos de estabilização projetados para gerenciar liquidez e volatilidade fiscal de curto prazo geralmente são estruturados simplesmente como contas gerenciadas por unidades separadas em bancos centrais ou títulos do tesouro.

Fundos de poupança, que normalmente buscam investimentos de maior risco e menos líquidos, requerem um arcabouço legal mais amplo, incluindo conselhos independentes com deveres fiduciários e controles internos robustos.

Como alguns fundos assumem papéis domésticos e estratégicos, podem se assemelhar a empresas de capital estatal e ser melhor governados pela legislação correspondente.

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Governança e integração

Uma vez que a forma legal esteja adequada para o propósito, o próximo passo, segundo Yan Liu é fundamentar a governança na lei com a alocação legal de poderes, deveres fiduciários executáveis, relatórios transparentes e supervisão eficaz.

“À medida que os fundos de riqueza migram para investimentos diretos e não listados mais complexos, os órgãos reguladores devem estar legalmente autorizados a exercer supervisão informada e independente sobre sociedades e transações. Leis que exigem que os membros do conselho possuam um conjunto equilibrado de habilidades e expertise, auditoria institucionalizada e gestão de riscos, e funções robustas de controle interno atuam em conjunto para garantir uma boa governança”.

Ela diz ainda que, para evitar que fundos sirvam como tesouros sombra — sem controles e supervisão institucional, ou com influência política indevida — eles devem ser explicitamente integrados ao marco legal fiscal e financeiro público mais amplo.

“Os fundos estão melhor posicionados para desfrutar de autonomia operacional quando ela é claramente definida por lei. Isso inclui definir regras sobre depósito e retirada e supervisão pelo legislativo e pela sociedade civil. A coerência entre o arcabouço legal de um fundo e as leis fiscais é essencial para sua resiliência e legitimidade, além da eficácia geral dos gastos público”.

Dada a crescente escala e importância estratégica dos fundos soberanos, estruturas legais robustas são essenciais para garantir que cada uma sirva melhor aos povos de seus países, diz Liu. Eles também ajudam a garantir que o setor possa promover a estabilidade financeira global. A lei deve ser a base da eficácia dos fundos, não uma restrição.

“Os Princípios de Santiago sustentam a governança. Mas a complexidade crescente exige um novo escrutínio de suas suposições e orientações operacionais mais direcionadas para traduzi-las em estruturas jurídicas domésticas robustas”, destaca.

Ela lembra que, como esses princípios de alto nível foram em grande parte desenvolvidos para investidores passivos baseados em índices, eles não capturam totalmente as questões mais detalhadas de governança e divulgação levantadas pelos modelos de investimento mais ativos atuais, incluindo empresas estatais, investimentos diretos, participações de capital não listado, transações de private equity e coinvestimentos.

Por fim, a diretora destaca que, por meio de vigilância bilateral e multilateral, avaliações do setor financeiro e assistência técnica, o FMI apoia os países na ancoragem dos fundos em direito público sólido, disciplina fiscal e responsabilidade pública. “Aplicar os Princípios de Santiago de forma significativa no cenário de investimentos transformado de hoje exige o renovado engajamento coletivo de todos os envolvidos. O FMI está pronto para apoiar tais esforços.”



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MP-PR denuncia pai que chutou o rosto da filha de 3 anos por tortura e lesão


O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou na terça-feira, 21, o homem de 31 anos que foi flagrado chutando o rosto da filha por tortura na modalidade castigo e outros dois crimes de lesão corporal qualificada.

O caso aconteceu no dia 5 de julho, quando ele foi filmado por uma câmera de segurança agredindo a menina, de três anos, em Francisco Beltrão, no interior do Paraná. A reportagem não localizou a defesa do pai, que não teve a identidade revelada.

As imagens mostram o momento em que o homem voltava do mercado com as crianças, quando se vira para trás e desfere um chute na região do rosto e tórax da menina, que apresentou sangramento e caiu no chão. Uma testemunha tenta intervir, mas o pai parece ir embora com os filhos.

Dias antes, em 2 de julho, o acusado teria agredido o rosto do filho, de 5 anos, com um pedaço de madeira, causando lesões. O fato teria acontecido na residência da família.

Segundo o MP-PR, o homem também teria obrigado os dois filhos a permanecerem ajoelhados sobre tampinhas de garrafa, grãos de pipoca e de feijão, “com o objetivo de provocar intenso sofrimento físico e mental”.

Em depoimento obtido com exclusividade pelo Fantástico, da TV Globo, o pai afirmou que “perdeu a cabeça” durante a situação flagrada pelas câmeras e disse estar arrependido. “Ela (filha de 3 anos) estava berrando na rua. Eu tinha pedido pra ela parar de ficar berrando. Ela sempre chora ou berra direto, assim, escandalosamente”, afirmou o homem no depoimento.



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Moody’s eleva nota soberana da Argentina e dá novo impulso aos planos de Milei


A Moody’s Ratings elevou a nota de crédito da Argentina, concedendo ao país sua terceira melhor nota em menos de três meses e validando ainda mais o plano de reforma econômica do presidente Javier Milei.

A classificação de crédito da Argentina subiu de Caa1 para B3, com perspectiva positiva. Embora a melhoria ainda a mantenha em território altamente especulativo, as três principais agências de classificação de risco agora classificam a Argentina acima da categoria de alto risco, um marco para um país que passou anos entre os tomadores de empréstimos soberanos mais arriscados nos mercados globais.

“A elevação da classificação reflete nossa avaliação de que o risco de inadimplência da Argentina diminuiu substancialmente, à medida que a estabilização macroeconômica avançou além da fase inicial de ajuste para uma melhora mais duradoura nos fundamentos de crédito, um sinal de melhoria na governança”, escreveram os analistas em um comunicado divulgado na terça-feira. “As perspectivas para a posição externa da Argentina melhoraram consideravelmente, impulsionadas por um desempenho mais forte das exportações e pelo aumento do investimento estrangeiro direto nos setores de energia e mineração, além de um melhor acesso ao financiamento externo.”

A perspectiva positiva, acrescentou a Moody’s, “reflete a visão de que o perfil de crédito da Argentina pode se fortalecer ainda mais, à medida que melhorias estruturais nas finanças externas se combinam com a estabilização macroeconômica em curso”.

A medida segue a decisão da Fitch Ratings, em maio, de elevar a classificação de crédito da Argentina para B1 e uma decisão semelhante da S&P Global Ratings, em junho. Todas as agências citaram o sucesso de Milei na recuperação das contas fiscais e na redução da inflação, que estava em patamares de três dígitos. O spread dos títulos soberanos argentinos em relação aos títulos americanos está agora em quase 400 pontos-base, o menor em oito anos, enquanto o país busca superar anos de crise econômica e inadimplência.

As melhorias na classificação de risco ampliam o leque de potenciais investidores que podem deter dívida argentina. Embora uma mudança inicial para fora da categoria de “alto risco” possa começar a atrair novos compradores, melhorias subsequentes normalmente expandem o universo de investidores institucionais autorizados a manter títulos do país.

O governo de Milei manteve superávits fiscais e recorreu à emissão de dívida em dólares, de acordo com a legislação local, a acordos de recompra com bancos internacionais e a financiamento multilateral para cumprir suas obrigações de dívida. O banco central também acelerou a acumulação de reservas, atingindo a meta do governo junto ao Fundo Monetário Internacional de comprar mais de US$ 10 bilhões em moeda estrangeira durante o primeiro semestre de 2026.

Ao mesmo tempo, o governo tem gradualmente flexibilizado alguns controles de capital e implementado reformas com o objetivo de normalizar o regime monetário e cambial do país.

A elevação da classificação de risco pela Moody’s reforça ainda mais os argumentos a favor do retorno da Argentina aos mercados internacionais de dívida. Os spreads dos títulos se estreitaram significativamente após as elevações de classificação pela Fitch e pela S&P, com esta última contribuindo para levar o prêmio de risco soberano aos níveis mais baixos da era Milei.

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Ainda assim, autoridades governamentais têm argumentado repetidamente que os custos de empréstimo da Argentina ainda não refletem adequadamente a melhoria dos fundamentos fiscais e externos do país, e deveriam estar mais próximos da faixa de 250 a 300 pontos-base.

A Moody’s afirmou que sua perspectiva positiva reflete a possibilidade de novas revisões para cima, à medida que a Argentina continua a implementar melhorias estruturais em suas finanças externas. A agência alertou que ainda existem riscos antes da eleição presidencial de 2027, embora tenha observado que o “gama de resultados políticos diminuiu” em relação aos ciclos eleitorais anteriores, aumentando a probabilidade de continuidade das políticas — uma preocupação antiga dos investidores.

© 2026 Bloomberg LP

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