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Tornado no RS: veja imagens de fenômeno que atingiu região Sul


O tornado que atingiu ao menos três cidades do Rio Grande do Sul durante a tarde desta terça-feira (28) deixou estragos e ao menos quatro feridos pelos locais onde passou. Imagens mostram a dimensão do fenômeno que chegou ao estado. 

Em vídeos e imagens obtidos pela CNN Brasil, é possível ver a passagem do tornado e a surpresa e desespero de algumas pessoas ao presenciarem as cenas. Em um dos registros, um homem chega a dizer que “nunca viu” algo desse tipo. Em outro, uma mulher chora e o filho pede para que ela se acalme. Veja abaixo: 

Fotos também mostram casas destruídas, postes e árvores caídos, além de pessoas próximas aos escombros. (Veja no topo da reportagem)

Quatro pessoas ficaram feridas e dez famílias estão fora de suas casas após o tornado. O fenômeno ocorreu entre as cidades de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho.

Tornado não foi identificado por monitoramento

tornado não foi identificado pelo sistema de monitoramento da Defesa Civil estadual.

Segundo o Centro de Monitoramento da corporação, foi emitido um alerta laranja para a região às 17h14, indicando potencial de tempestade severa com queda de granizo e rajadas de vento intensas, válido até às 20h10.

O alerta foi sugerido com base no radar meteorológico de Chapecó (SC), cidade que fica a mais de 300 km de distância de Giruá, onde o fenômeno foi registrado em vídeo por moradores.

Porém, a Defesa Civil confirmou que o radar estava a 200 km da tempestade e o feixe mais baixo do radar estava a mais de 4,5 km de altura na região onde ocorreu o tornado, impossibilitando a identificação de rotação próxima da superfície que pudesse sugerir a ocorrência de um tornado. 

Em Giruá, quatro propriedades foram afetadas e quatro pessoas ficaram feridas, sem detalhes sobre o estado de saúde. A coordenadora municipal da Defesa Civil, Marieli Dalla Costa, afirmou que, na manhã desta quarta (29), será possível dimensionar melhor os estragos causados pelo fenômeno.

A corporação também informou que o tornado estava associado a uma supercélula, um tipo de tempestade que tem uma corrente ascendente giratória e normalmente causam granizo de grande tamanho e rajadas de vento intensas. Em alguns casos, também resultam em tornados.

VejaNovo vídeo mostra dimensão de tornado no RS

Tornado e supercélula

Segundo o Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), a característica mais marcante de um tornado é o desenvolvimento vertical do fenômeno, que pode alcançar mais de 15 mil metros de altura.

Os tornados são definidos como grandes redemoinhos de vento e colunas de ar que giram de forma violenta até tocar o chão. A classificação da intensidade desses fenômenos é feita utilizando a Escala Fujita Aprimorada (Escala EF), que se tornou operacional em 2007 e tem como base a estimativa da velocidade do vento e nos danos causados.

A categoria mais baixa resulta em danos leves, com ventos que não superam 116 km/h, enquanto a categoria mais alta pode registrar ventos que ultrapassam 500 km/h.

Para determinar a classificação, que varia de EF0 a EF5, a equipe especializada compara os estragos observados com 28 Indicadores de Danos (DIs) e Graus de Danos (DoD). O objetivo é atribuir uma categoria da Escala EF baseada na maior velocidade do vento que ocorreu dentro do caminho da destruição.

De acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos, as supercélulas são a forma menos comum de uma tempestade, mas têm uma alta propensão a produzir tempo severo incluindo ventos fortes, chuva de granizo e, às vezes, tornados de intensidade fraca a violenta.

O que torna uma supercélula única em relação a todos os outros tipos de tempestade é que ela contém uma corrente ascendente rotativa profunda e persistente chamada mesociclone. Se o ambiente for favorável, as tempestades supercelulares podem durar várias horas.

Como os tornados são formados?

De acordo com o Laboratório Nacional de Tempestades Severas da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, acredita-se que a formação seja ditada principalmente por aspectos que acontecem na escala de tempestades, dentro e ao redor do mesociclone.

Assim, os tornados podem se formar a partir de supercélulas propulsionadas na presença de instabilidade na atmosfera, o que permite que o ar suba; elevação; e cisalhamento do vento (ventos de diferentes alturas sopram em direções diferentes).

O cisalhamento do vento cria uma coluna de ar que gira horizontalmente dentro da nuvem de tempestade, que, quando toca ao solo, passa a ser chamada de tornado.



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Aeronave de pequeno porte cai em Mogi-Mirim e deixa um morto


Um acidete aeroviário nesta quarta-feira (29) em Mogi-Mirim, deixcou uma pessoa morta, informou o Corpo de Bombeiros de São Paulo.

“Acidente aeroviário, Rod. Luiz Gonzaga de Amoedo Campos, 10 – Zona Rural – Mogi-Mirim, trata-se de aeronave de pequeno porte, 1 vítm, infelizmente, em óbito no local, os bombeiros fazem o combate às chamas, oco em andamento”,
Corpo de Bombeiros PMESP

Segundo informações preliminares, a queda ocorreu na Rodovia Luiz Gonzaga de Amoedo Campos, 10 – Zona Rural. “A ocorrência encontra-se em local aberto, sem risco de propagação do fogo”, diz a nota, acrescentando que, até o momento, não foi possível identidicar a aeronave.

*Em atualização





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Austrália confirma circulação de gripe aviária H5N1 em aves silvestres

O governo australiano confirmou a transmissão local do vírus da gripe aviária H5N1 entre aves silvestres nesta quarta-feira (29). O caso foi identificado em andorinhas-do-mar-de-crista-grande no estado da Austrália do Sul, segundo a ministra da Agricultura, Pescas e Florestas, Julie Collins.

Testes realizados pelo laboratório do país, CSIRO, apontaram que o vírus está circulando entre aves nativas, indicando transmissão dentro de populações locais e não apenas casos associados a aves migratórias.

Desde a primeira identificação do H5 no país, em junho, a Austrália registrou 27 casos em aves silvestres. As detecções ocorreram nos estados da Austrália Ocidental, Austrália do Sul, Nova Gales do Sul e Queensland.

O governo australiano informou que, até o momento, não há registros de mortalidade em massa entre aves silvestres. As autoridades afirmam, porém, que novos casos devem ser identificados com a continuidade da circulação do vírus na fauna.

“Embora ainda não haja evidências de mortalidade em massa neste momento, esperamos que, com essa transmissão local, haja mais detecções na vida selvagem australiana”, afirmou Collins.

Não há casos confirmados de gripe aviária H5N1 em granjas comerciais ou na cadeia produtiva de aves do país. O governo mantém o monitoramento para acompanhar a evolução do vírus e evitar impactos na avicultura.

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Kevin é fantástico, mas é uma decisão do conselho


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teceu elogios ao presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, que comandou a sua segunda reunião decisória do BC americano nesta quarta-feira. No encontro, a decisão foi pela manutenção da taxa de juros nos EUA com um placar dividido, já que 9 dirigentes apoiaram a posição e 3 foram dissidentes.

“Kevin é fantástico, inteligente, mas a decisão é do conselho”, disse Trump ao ser perguntado sobre a decisão do BC durante cerimônia de apresentação do projeto de revitalização do Aeroporto Internacional Washington Dulles nesta quarta-feira, 29.

A postura contrasta com a vista em outros momentos em que Trump criticou duramente Jerome Powell, o antecessor de Warsh na presidência do Fed, por decisões de manutenção da taxa de juros americana.



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SP entra em alerta para ventos acima de 90 km/h com frente fria; veja até quando


A partir desta quarta-feira (29) o Governo de São Paulo mobiliza o Gabinete de Crise por conta da passagem de uma frente fria com possibilidades de ventos de até 90 km/h, que deve atingir o Estado entre a quarta e a quinta-feira, 30, informou a Defesa Civil. Até o meio dia desta quarta-feira, a cidade de Itanhaém (SP) havia registrado ventos de 103 km/h.

Segundo a Defesa Civil, o Gabinete de Crise reúne representantes das principais instituições estaduais, concessionárias de energia elétrica, órgãos reguladores, polícias e Corpo de Bombeiros.

Como medida preventiva, a Defesa Civil do Estado realizou na última terça-feira (28) uma reunião com as Defesas Civis Municipais, para apresentar o cenário meteorológico e alinhar as ações de prontidão, preparação e resposta. O objetivo foi antecipar a mobilização das estruturas locais, revisar os protocolos de atendimento e garantir que equipes e recursos estejam preparados para atuação imediata, caso sejam registradas ocorrências durante a passagem da frente fria.

“O Gabinete de Crise reúne as lideranças das principais instituições do Estado, para que a gente tome decisões rápidas no caso de alguma ocorrência mais grave”, explicou o porta-voz da Defesa Civil de SP, capitão Maxwel de Souza.

Ele explicou que a mudança nas condições do tempo exige atenção em todo o território paulista. “A passagem de uma frente fria por São Paulo vai trazer ventos fortes e temporais, principalmente para o litoral paulista e para a Grande São Paulo. Nessas áreas, existe a possibilidade de os ventos atingirem até 90 km por hora”, afirmou.

“Tanto no interior quanto na região do Vale do Paraíba, a gente pode ter também rajadas de vento próximas aos 70 km por hora, o que coloca em alerta todo o Estado”, destacou o porta-voz.

De acordo com a Defesa Civil, a frente fria também poderá provocar chuvas fortes em curto espaço de tempo, acompanhadas de descargas elétricas e queda de granizo, com risco de alagamentos e enxurradas.

A combinação desses fenômenos eleva o risco de queda de árvores, destelhamentos, danos em estruturas vulneráveis, interrupções no fornecimento de energia elétrica e transtornos na mobilidade urbana.

No litoral, o avanço do sistema também aumenta os riscos para ressaca e agitação marítima. Na Baixada Santista, as condições também exigem atenção para possíveis impactos nas operações portuárias, informou a Defesa Civil.

Litoral paulista registra ventos de 103 km/h.

Até a manhã desta quarta-feira (29), a Defesa Civil registrou as maiores rajadas de vento até 12h30, são elas:

  • Itanhaém-SP: 103 km/h
  • Queluz-SP: 75,2 km/h
  • Registro-SP: 70,2 km/h
  • Caraguatatuba-SP: 60,8 km/h
  • Arandu-SP: 60,5 km/h
  • Baixada Santista-SP: 55,8 km/h
  • São Bernardo do Campo-SP: 51,2 km/h
  • Mauá-SP: 49,5 km/h
  • Ilhabela-SP: 49,4 km/h
  • Tapeva-SP: 48,3 km/h
  • Itaberá-SP: 48,2 km/h
  • Pardinho-SP: 47,7 km/h
  • Três Fronteiras-SP: 43,7 km/h
  • Santa Adélia-SP: 43,7 km/h
  • Potirendaba-SP: 42,2 km/h
  • São Joaquim da Barra-SP: 42,1 km/h
  • Iracemápolis-SP: 41,8 km/h

Por volta das 13h50 desta quarta, a Defesa Civil de São Paulo emitiu um alerta severo para fortes rajadas de vento na capital e na região metropolitana de São Paulo. O aviso recomendava que as pessoas buscassem abrigo e evitassem áreas descobertas.

Durante o período de instabilidade, a Defesa Civil orienta que a população redobre a atenção. “Não fique perto de estruturas de metal, não fique perto de árvores e evite ficar em áreas abertas durante os temporais”, reforçou o porta-voz.

A pasta recomenda que objetos soltos em quintais, varandas e áreas externas sejam recolhidos ou fixados para evitar que sejam arremessados pelos ventos.

Nas rodovias, os motoristas devem redobrar a atenção diante da possibilidade de queda de árvores, objetos sobre a pista e redução da visibilidade durante as pancadas de chuva, explicou a Defesa Civil.

O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Defesa Civil permanecerá acompanhando a evolução da frente fria e poderá emitir novos alertas conforme a intensificação das condições meteorológicas.

Em caso de emergência, a população deve acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.



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Soja recua em Chicago com avanço das exportações brasileiras à China

Na Bolsa de Chicago, o contrato futuro da soja para entrega em novembro encerrou a sessão desta quarta-feira (29) cotado a US$ 11,92 por bushel, com queda de 2,23%.

O mercado foi pressionado pela percepção de que a China segue aumentando as compras de soja brasileira, enquanto reduz a aquisição do produto norte-americano. De acordo com a Royal Rural, a movimentação acende um alerta em Chicago, já que a demanda chinesa continua presente, mas mais direcionada ao Brasil.

Dados do mercado apontam que a China importou 12,1 milhões de toneladas de soja brasileira no último mês, alta de 14% na comparação anual. No mesmo período, as compras de soja dos Estados Unidos recuaram 21%, para 1,27 milhão de toneladas.

No acumulado do primeiro semestre de 2026, o Brasil exportou 34,8 milhões de toneladas de soja para a China, crescimento de 9,1%. Já os embarques norte-americanos para o país asiático caíram 42%, para 9,31 milhões de toneladas.

Para a Royal Rural, o movimento reforça a preferência chinesa pela soja brasileira e reduz o suporte aos preços da commodity na Bolsa de Chicago.

No milho, os investidores seguem divididos entre a pressão dos preços em Chicago e a atenção às condições climáticas nos Estados Unidos. Alertas de calor foram emitidos para regiões como Montana, Dakota do Norte, Dakota do Sul, Minnesota e Wisconsin, áreas importantes do cinturão produtor.

As previsões indicam temperaturas próximas de 39 graus Celsius em pontos do sul da Dakota do Norte e norte da Dakota do Sul. O clima permanece como um fator de risco para as lavouras de milho e soja, que ainda atravessam fases importantes de desenvolvimento.

Milho

O contrato futuro do milho para entrega em dezembro encerrou a sessão na Bolsa de Chicago com queda de 1,82%, cotado a US$ 4,71 por bushel.

Segundo a Granar, a baixa foi influenciada por movimentos de realização de lucros por parte dos investidores, além da previsão de chuvas nas principais regiões produtoras dos Estados Unidos.

As primeiras precipitações chegaram ao Nebraska, um dos estados mais afetados pelo déficit hídrico. Na segunda-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reduziu a parcela das lavouras de milho classificadas como boas ou excelentes de 65% para 60%.

Cálculos privados indicam que fundos de investimento liquidaram cerca de 20 mil contratos de milho durante a sessão.

Apesar da pressão no curto prazo, o mercado ainda acompanha fatores que podem limitar as perdas, como as incertezas sobre o ritmo das exportações da Ucrânia, diante dos danos causados pela Rússia à logística dos principais terminais portuários ucranianos no Mar Negro.

Além disso, a expectativa de menor produção na União Europeia, afetada pelo clima seco e quente, pode elevar a necessidade de importações do bloco e dar suporte às cotações internacionais.

Trigo

O mercado do trigo encerrou o pregão com leve queda nos Estados Unidos, após uma sessão marcada por volatilidade e influência do movimento de investidores no setor de grãos.

O contrato futuro do trigo para entrega em setembro registrou desvalorização de 0,26% e fechou cotado a US$ 6,60 por bushel.

Segundo a Granar, a pressão vendedora de fundos de investimento sobre as commodities agrícolas pesou sobre as cotações do trigo, ainda que em menor intensidade. As previsões de chuvas em Dakota do Norte, principal estado produtor de trigo de primavera dos EUA, também contribuíram para o recuo, com expectativa de melhora nas condições das lavouras plantadas mais tarde.

Apesar da baixa, as perdas foram limitadas por preocupações com a oferta global. A redução da produção norte-americana e as incertezas comerciais provocadas pelo aumento das tensões no Mar Negro continuam dando suporte aos preços.

A Rússia enfrenta restrições para o escoamento de cargas pelo Mar de Azov, região responsável por parte relevante das exportações do país, enquanto a capacidade de transporte marítimo nos principais portos da Ucrânia segue pressionada após novos ataques.

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Dissidência no Fed para manter juros mostra tensão com inflação e deixa alerta ligado


A dissidência na decisão do Federal Reserve (Fed) de manter os juros em pausa nos Estados Unidos, entre 3,5 e 3,75%, colocou mais apreensão no mercado sobre uma possível alta de juros, caso a inflação norte-americana siga pressionada e os dados de mercado de trabalho não apontem queda da atividade.

Desta vez, três dos 12 membros votaram pela alta de juros, um avanço frente à decisão anterior de manutenção, que foi tomada por unanimidade. Os votos dissidentes vieram dos presidentes dos Fed regionais de Cleveland (Beth Hammack), Minneapolis (Neel Kashkari) e Dallas (Lorie Logan), que já vinham defendendo de forma explícita a necessidade de uma política monetária mais restritiva diante da persistência da inflação acima da meta, destaca Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset Brasil.

Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, destaca que, agora, há maior possibilidade de alta de juros na reunião de setembro. Pesam no cenário a questão do aumento de energia devido ao conflito com o Irã, das tarifas comerciais, e da alta das empresas de Big Tech e de inteligência artificial, que pressionam a demanda, aponta a economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, Bruna Centeno.

“[É] a primeira vez desde 2016 em que três membros do comitê divergem na mesma direção, mostrando a discordância crescente dentro do comitê, com alguns membros se mostrando cada vez mais preocupados com a dinâmica inflacionária”, analisa André Valério, economista sênior do Inter.

Para Vinicius Flores, gestor de investimentos e fundador da Stratton Capital, o comunicado trouxe sinais em direções opostas. O texto teve um tom brando, reconhecendo que a inflação reflete, em parte, os choques de oferta na energia, que não se combate com juros altos. Mas, na avaliação dele, a dissidência aponta que o apetite por aperto monetário está crescendo no comitê. “O resultado é um comunicado equilibrado. Dovish no diagnóstico, hawkish na composição do voto”, diz.

Já a coletiva teve um tom mais hawkish (duro, mostrando preocupação com a inflação), avalia Flores. “[Ela] revelou um presidente do Fed disposto a enfrentar questões que foram ignoradas nos últimos cinco anos”, avalia. Para Flores, o recado mais relevante de Warsh foi considerar que os cinco anos de inflação acima da meta de 2% foram um erro grave, e que um problema dessa magnitude não se resolve em nove semanas de mandato. Ele também destacou as reformas em curso no Fed, que mostram que elas estão avançando mais rápido do que o mercado previa.

“O Fed de Warsh não está apenas decidindo sobre juros. Está revisando como mede a inflação, como avalia choques de oferta e como comunica suas decisões, o que confirma minha visão de que o Fed está passando por mudanças estruturais de extrema importância que o mercado continua ignorando e, na margem, serão positivas para a inflação”, diz.

O que esperar para os juros americanos

Flores aponta que uma alta de juros não pode ser descartada, especialmente se o petróleo voltar a subir devido ao conflito no Oriente Médio ou se os dados de inflação nos EUA mostrarem alta.

O principal vetor de risco está novamente no petróleo, com o barril tipo Brent operando novamente em torno de US$ 90. Com a incerteza do conflito no Oriente Médio e o preço do petróleo podendo rondar para cerca de US$ 100, a inflação pode não ceder o suficiente, alerta André Valério, do Inter. Esse cenário de pressão energética já provoca revisões no mercado: Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, alterou sua projeção e agora prevê uma elevação de juros no segundo semestre. “

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A divergência é relevante: sinaliza que uma ala do Comitê já vê espaço para retomar o aperto monetário e reforça a nossa leitura de que o balanço de riscos se deslocou para cima”, afirma Sung. O cenário de aperto ganha força mesmo com a Casa Branca mantendo pressão política por cortes de juros, movimento ao qual o Fed tem resistido com uma postura técnica e cautelosa.

“A reunião de setembro será a mais importante do segundo semestre”, afirma Flores. Para ele, o cenário-base ainda é de manutenção. “Os breakevens ancorados e a desaceleração gradual dos dados de atividade não justificam um aperto monetário adicional, desde que não haja um choque exógeno relevante nos preços de energia. Além disso, estamos diante de um Fed que está passando por mudanças estruturais que serão, em nossa visão, positivas para a inflação”, afirma.

Costa, da Mirae Asset, aponta que tanto o comunicado quanto a coletiva de Kevin Warsh não trouxeram qualquer sinalização sobre os próximos passos da política monetária. Ela destaca que Warsh voltou a afirmar que a inflação é “uma escolha” e que ele reiterou que a prioridade da autoridade monetária é restabelecer a estabilidade de preços.

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No entanto, concorda que a composição dos votos reforça a percepção de que o Comitê mantém um viés de aperto monetário, com uma curva de juros precificando duas elevações de 25 pontos-base até o final do primeiro trimestre de 2027, segundo Costa.

Reação do mercado

Apesar da dissidência hawkish no comitê, a ausência de uma elevação imediata das taxas favoreceu os ativos de risco em um primeiro momento. As bolsas americanas reagiram positivamente ao comunicado, com os índices S&P 500 e Nasdaq ganhando tração.

O rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano de dois anos recuou após a decisão, refletindo o ajuste das expectativas diante da retirada do risco imediato de alta. No mercado de câmbio, o dólar recuou contra uma cesta de moedas e perdeu força também contra o real.

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No entanto, o fôlego foi curto e os ativos de risco, como os índices de bolsa americanos, passaram a ter queda. Cassio Viana de Jesus, CIO da Pilar Capital, pondera que o placar da votação limita uma reação mais otimista prolongada. Na visão dele e de Valdir Piran Jr., CEO da Intra Asset, os juros dos Treasuries devem permanecer pressionados, sobretudo nos vencimentos mais curtos, enquanto o dólar tende a continuar forte e sustentado, reduzindo o espaço para valorização das moedas locais de países emergentes.

O que esperar para os juros no Brasil

Para Gabriel Foglieni, gerente de Investimentos da Eleva Invest, o debate dentro do Fed não é mais sobre quando começar a cortar, é sobre se será preciso subir. “Isso importa diretamente para o Brasil, porque um Fed mais duro fortalece o dólar e pressiona o câmbio justamente na semana em que o Copom se reúne para decidir a Selic”, diz. Para ele, o contraponto fica no petróleo. Isso porque, se a queda recente se sustentar, parte dessa pressão de energia se dissipa.



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Tornado no RS: entenda o que é a supercélula que causou o fenômeno


Uma supercélula de tempestade provocou o tornado que atingiu o município de Senador Salgado Filho, no noroeste do Rio Grande do Sul, no fim da tarde de terça-feira (28). O fenômeno deixou casas destelhadas, causou danos materiais e mobilizou equipes da Defesa Civil, que distribuíram lonas às famílias afetadas.

Segundo a MetSul Meteorologia, o tornado se formou a partir de uma supercélula, um tipo de tempestade que apresenta uma corrente ascendente em rotação, chamada de mesociclone. Esse sistema é considerado um dos mais organizados da atmosfera e pode permanecer ativo por várias horas, produzindo chuva intensa, granizo, descargas elétricas, rajadas de vento e, em alguns casos, tornados.

Imagens registradas por moradores mostraram o funil do tornado durante a passagem pelo município. Também foi possível observar características típicas de uma supercélula, como a base rebaixada da tempestade e a chamada nuvem-parede, estrutura associada ao mesociclone que pode indicar a formação de um tornado.

Diferentemente das tempestades comuns, que costumam ter curta duração, as supercélulas mantêm sua organização por mais tempo graças à combinação de fatores atmosféricos. Entre eles estão:

  • Presença de ar quente e úmido;
  • Forte instabilidade;
  • Cisalhamento do vento, que é a mudança da velocidade e da direção dos ventos conforme a altitude.

Esse cisalhamento faz com que a corrente de ar ascendente passe a girar, formando o mesociclone. Em determinadas condições, essa rotação pode se concentrar e alcançar o solo, dando origem ao tornado.

Embora nem toda supercélula produza um tornado, esse tipo de tempestade está associado à maior parte dos tornados de maior intensidade registrados no mundo. Quanto mais favoráveis forem as condições de instabilidade e de cisalhamento do vento, maior tende a ser o risco de formação desses fenômenos.

Antes do temporal, a MetSul já havia alertado para a possibilidade de tornados no noroeste gaúcho. A previsão indicava a atuação de um jato de baixos níveis, responsável por transportar ar quente e úmido próximo à superfície e intensificar o cisalhamento do vento, combinação que favorece o desenvolvimento de supercélulas e aumenta a probabilidade de tornados.

Os tornados são colunas de ar em intensa rotação que se estendem da base de uma tempestade até a superfície. Eles podem provocar destruição em poucos minutos e têm intensidade classificada pela escala Fujita, que vai de F0 a F5.

Esses fenômenos ocorrem em diferentes regiões do mundo, inclusive na América do Sul, onde o sul do Brasil está entre as áreas com condições favoráveis para sua formação em determinadas situações meteorológicas.



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Área segurada no campo pode cair abaixo de 3% em 2026, diz Mapfre

O mercado de seguro rural pode registrar nova queda em 2026 e reduzir ainda mais a área agrícola protegida no Brasil, após a retração observada nos primeiros cinco meses do ano. Segundo o diretor de Seguro Rural da Mapfre, Fabio Damasceno, os dados da Susep (Superintendência de Seguros Privados) apontam recuo de 5% no mercado de seguros como um todo e de 15% no seguro agrícola no período. Na avaliação dele, o movimento pode levar o país a encerrar o ano com menos de 3% da área cultivada segurada. 

“É uma preocupação a mais não só para o mercado, mas para o produtor em si, de uma redução ainda maior para este ano, de ficarmos abaixo dos 3% de área segurada”, disse, em entrevista ao CNN Agro News.

Damasceno defendeu o fortalecimento da política de subvenção ao prêmio do seguro rural e citou um estudo da FGV (Fundação Getulio Vargas) que compara o custo da prevenção com o da renegociação de dívidas após eventos climáticos extremos.

De acordo com ele, enquanto o governo aprovou recentemente cerca de R$ 100 bilhões para renegociação de dívidas de produtores, aproximadamente R$ 3,6 bilhões destinados à subvenção ao seguro rural teriam capacidade de proteger mais de R$ 100 bilhões em produção. “Como ferramenta, essa questão de alocação dessas verbas no seguro é uma coisa muito bem vista pelo mercado todo”, disse.

O executivo lembrou ainda que, durante a safra 2021/22, marcada por perdas climáticas generalizadas, o mercado segurador pagou aproximadamente R$ 12 bilhões em indenizações. Segundo ele, naquele momento não houve necessidade de discutir renegociação de dívidas devido à atuação do seguro.

Na avaliação de Damasceno, a retração da contratação de seguros decorre de uma combinação de fatores. Ele afirmou que o mercado atingiu o pico entre 2021 e 2022, quando quase 14 milhões de hectares estavam segurados, mas sofreu impacto após uma sequência de perdas climáticas em diferentes regiões produtoras.

“Tivemos uma grande perda sistêmica. Sul, safrinha e safra de verão tiveram perdas significativas. Isso deu uma retração no mercado como um todo”, afirmou. Segundo ele, o movimento foi seguido por safras com condições climáticas mais favoráveis e por um cenário de maior restrição financeira para os produtores. “O produtor enfrenta este ano um ano super complexo, não só pelo clima, mas também na relação econômica, de crédito e de venda.”

Com a previsão de influência do El Niño sobre a safra 2026/27, a procura por seguro tem se concentrado nas culturas de verão, principalmente soja e milho. Segundo Damasceno, a soja lidera a demanda por proteção, mas as necessidades variam conforme as características climáticas e geográficas de cada região do país.

Ele também observou um aumento da demanda por instrumentos de mitigação de riscos, especialmente no Centro-Oeste. Segundo o executivo, os produtores da região tradicionalmente buscam ferramentas financeiras para reduzir a exposição às perdas, mas a procura crescente por seguro também reflete uma percepção maior de risco para a próxima safra.

“O produtor do Centro-Oeste sempre buscou ferramentas de mitigação e de dispersão de risco, e cada vez mais tem buscado a solução no seguro. Essa demanda oferece oportunidades, mas também acende um alerta de que realmente o produtor está enxergando algo diferente que pode acontecer nessa safra”, afirmou.

Para ampliar a cobertura do seguro rural, Damasceno defendeu maior proximidade entre seguradoras e produtores, além de políticas públicas permanentes que deem previsibilidade ao setor.

Segundo ele, a maior frequência de eventos climáticos extremos exige mudanças na modelagem dos produtos. “Antes víamos catástrofes climáticas com modelagens a cada 50 ou 100 anos. Hoje já fazemos modelagens de três, cinco ou dez anos. Isso muda completamente nosso tipo de abordagem e de construção de produtos”, disse.

O executivo acrescentou que o seguro rural deve ser visto como uma ferramenta de gestão do negócio agrícola, e não apenas como proteção da lavoura. Ele também ressaltou que o sistema depende da diversificação de riscos. “O seguro é nada mais que mutualismo”, afirmou.

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Eu pedi uma boa briga de família e estamos nela, diz Warsh sobre dissidência do Fed


O chairman do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmou que a inflação “não pode ser curada em 9 semanas” e reafirmou que a meta única é de inflação a 2%. O dirigente do Fed realiza discurso após a divulgação da decisão do colegiado que manteve os juros nos EUA no patamar atual, entre 3,5% e 3,75%, nesta quarta (29).

“Eu pedi uma boa briga de família e estamos nela”, diz, sobre a dissidência de 3 votos contra 9 presentes na decisão. Em sua visão, dissidentes não captam a essência completa da discussão. “Eu espero que o comitê compartilhe a minha visão que o problema da dependência de dado é tanto a dependência quanto os dados em si”, diz, ressaltando que seguirão acompanhando dados de inflação, mas não se forma ansiosa.

“Vou deixar os dissidentes responderem por si próprios”, afirma.

Para o chairman, a economia demonstra resiliência impressionante e o Federal Open Market Comittee (FOMC) está firme no compromisso de garantir estabilidade de preços, ainda assim evitando fazer previsões.

“Cinco anos de inflação elevada deixaram a impressão difícil de desfazer, de que havia meta implícita do Fed superior a 2%. Não existe meta leve, existe apenas uma meta e é de 2%”, afirma.

O mandatário afirmou que o foco do colegiado entreve em compreender a dinâmica da inflação subjacente em meio a choques. Segundo Warsh, o trabalho tem sido entender até que ponto os choques estão disseminando a inflação. “Se eu observar a curva de rendimento dos títulos do Tesouro e o dólar, a mensagem geral é que o FOMC detém o controle da situação e tem a credibilidade necessária para entregar os resultados”.

Matéria em atualização



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