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Flávio Bolsonaro diz que aceitará resultado das urnas: ‘Diferente de 2022, TSE será imparcial’


O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, disse que pretende aceitar o resultado das urnas na eleição deste ano por acreditar que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atuará de forma imparcial – o que, segundo ele, não ocorreu nas eleições de 2022.

“Eu vou aceitar. Eu vou concorrer com essas regras e tenho certeza que o TSE, diferente de 2022, vai ser um TSE imparcial e que vai tomar todas as providências para que essa eleição ocorra com mais segurança e mais transparência”, disse Flávio à Bandeirantes.

Ao comentar declarações anteriores sobre o sistema eleitoral, Flávio procurou enquadrar sua posição como uma cobrança por reforço de mecanismos de proteção, e não como ataque direto às urnas eletrônicas.

No mesmo contexto, reconheceu que pode ter se equivocado ao dizer que a empresa Smartmatic teria fornecido as urnas físicas ao Brasil. As urnas são fabricadas pela Positivo. Ele insistiu, porém, que a Smartmatic teria participado de etapas do processo, como treinamento.

Flávio também comentou sobre propostas para a segurança pública, sendo uma delas o endurecimento de penas em crimes patrimoniais urbanos. Em um dos trechos divulgados pela Band, Flávio defendeu aumentar de forma significativa a punição em casos ligados a furto e roubo de celular e receptação. Ele associou a medida à ideia de ampliar o tempo de prisão e impor trabalho dentro do sistema penitenciário.

“Eu vou quadruplicar a pena mínima para furto de celular ou receptação. Então, a pena mínima vai ser de 8 anos para vagabundo que rouba, que assalta por causa do celular. E quando ficar preso, e vai ficar preso, vai trabalhar. Vai trabalhar para pagar a sua estadia”, disse o candidato.



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‘Quem bate em mulher não precisa votar em mim’, diz Lula


Durante discurso na convenção nacional que oficializou sua candidatura à reeleição neste domingo (02), o presidente Lula (PT) afirmou que tem como objetivo criar ‘uma sociedade que respeita as mulheres’ e disse: ‘Quem bate em mulher não vota em mim’.  

Lula passou boa parte do seu discurso criticando a violência de gênero, afirmando que não existe justificativa para a agressão a mulheres: “Quando o homem sentir raiva de uma mulher, ele tem que lembrar de onde ele veio: da barriga de uma mulher”. 

Quebra da programação

Durante parte de sua fala, Lula alegou que a organização do evento tinha cometido um erro ao não colocar nenhuma mulher para falar na convenção e ‘quebrou o protocolo’, chamando a primeira-dama, Janja, para fazer um discurso. 

“Não é possível que a gente tenha esquecido de no principal evento da nossa campanha, não ter colocado uma mulher para falar. Como a minha querida companheira Janja não estava no script, não está na agenda de ninguém, eu quero que ela fale para as mulheres aqui”, disse Lula. 

Janja então assumiu o microfone, afirmando que as mulheres serão importantes para que Lula ganhe essa eleição:

“Eu tenho certeza absoluta, presidente, que somos nós, mulheres, que nós que labutamos todo dia, levantamos fazendo a marmita do nosso marido, levando nossos filhos para a escola, trabalhando de sol a sol, pegando transporte coletivo, chegando em casa 10 horas da noite, limpando a casa. Somos nós, mulheres, que vamos eleger você novamente”.



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Avião da TAP de Lisboa para Curitiba tem emergência por despressurização


Um avião da TAP que decolou de Lisboa e tinha como destino Curitiba, no Brasil, teve de retornar para Portugal por conta de problemas de despressurização.

A aeronave, Airbus A330-200, declarou emergência e voltou ao Aeroporto Humberto Filho, no sábado (1º). As informações são da CNN Portugal.

O avião tinha decolado às 12h16 (horário local) e sofreu uma despressurização a bordo por volta de 12h50, o que gerou a declaração de emergência.

O avião sobrevoou o Atlântico, a oeste de Aljezur, durante cerca de uma hora para gastar combustível, reduzir o peso e assim pousar com segurança.

O pouso em Lisbou ocorreu às 14h06, também horário local.

Segundo a CNN Portugal, o pouso ocorreu sem problemas e os protocolos de emergência na pista não precisaram ser utilizados.

Os passageiros desembarcaram e foram atendidos pela TAP.



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Lula admite ter pedido voto em convenção na Bahia: ‘Vou ser multado’


Durante o evento que lançou sua candidatura à reeleição, o presidente Lula (PT) afirmou reconhecer que ‘não deveria ter pedido voto’ em uma convenção da federação partidária na Bahia, neste sábado (1º). 

“Eu estou aqui hoje e não posso falar que sou candidato. Eu falei na Bahia… Eu vou ser multado. Eu pedi voto, mas não devia ter pedido, porque só pode pedir depois do dia 15”, brincou Lula com Fernando Haddad e outros políticos presentes. 

Partidos entram na Justiça para pedir punição ao PT e Lula

O partido Novo protocolou na noite de sábado (01), uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Lula, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), os ex-governadores Jaques Wagner (PT) e Rui Costa (PT), além do Partido dos Trabalhadores, por suposta propaganda eleitoral antecipada durante a convenção estadual do PT realizada em Salvador. O processo foi distribuído ao ministro André Mendonça, com pedido de liminar para retirada de vídeos do evento das plataformas digitais, segundo informações divulgadas pelo Partido Novo. 

Além do Novo, o deputado federal Sanderson (PL-RS) encaminhou, neste sábado (01), uma representação ao Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, solicitando a apuração de possível prática de propaganda eleitoral antecipada de Lula. 

Veja as falas de Lula na Bahia que geraram a polêmica

“Então, depois que vocês votarem em deputado estadual e deputada estadual, votar em deputado federal e deputada federal, votar em senador da República e votar no Jerônimo, se sobrar um pouquinho de voto, vote em mim, que eu agradeço a todos vocês a lembrança”.  Lula

“Quando vocês estiverem brigando e pedindo voto para vocês, pelo amor de Deus, depois de falar do Jerônimo, depois de falar do Wagner, dos deputados de vocês, lembrem-se que tem o Lula lá em São Paulo esperando um voto de vocês para poder virar presidente da República.” Lula

“Sabe, que têm tanta confiança e me elegeram três vezes presidente da República. E eu estou pedindo para vocês não se cansarem de votar. Me elejam pela quarta vez para a gente poder fazer esse país definitivamente dar certo.” Lula



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“Lula é motivo de inveja para o mundo, mas ele é nosso”, diz Haddad


Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, marcou presença no evento de lançamento da candidatura do presidente Lula (PT) à reeleição neste sábado (02), na zona Sul de São Paulo.

Durante seu discurso, Haddad afirmou que muitos países ‘sentem inveja’ do fato do Brasil ter o Lula como presidente, dizendo que ‘muitos outros governos gostariam de ter o petista à disposição’. 

“O presidente Lula é motivo de inveja no mundo. As pessoas gostariam de ter um Lula à disposição, mas o Lula é brasileiro. O Lula é nosso e vai continuar governando o Brasil”.Fernando Haddad

Haddad também criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que segundo o candidato ao governo de São Paulo, ‘desorganizou o Brasil em todos os sentidos’.  

“O Lula sucedeu um presidente, se é que esse título cabe para o (Jair) Bolsonaro, que desorganizou o país em todos os sentidos. Desorganizou o SUS, as finanças, a educação, a ciência e tecnologia…”. Fernando Haddad

Em outro momento de seu discurso, Haddad entrou no tópico da soberania nacional e disse que Lula ‘seguirá governando sem abaixar a cabeça para para presidentes de outros países’.

“O Brasil está sendo reconstruído e vai continuar seguindo em frente. De cabeça erguida, sem abaixar a cabeça para presidente de nenhum outro país. Sem botar boné presidente de nenhum outro país, defendendo os interesses nacionais. Independentemente do teor das ameaças que sejam feitas”.Fernando Haddad



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economia

Em meio a tarifa dos EUA, ministro da Indústria vai à Índia em busca de mais mercados


Em meio às novas tarifas dos Estados Unidos a produtos brasileiros, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, vai embarcar nesta segunda-feira, 3, para a Índia, em missão que deverá prosseguir até a próxima sexta-feira, 7. O principal objetivo da viagem é ampliar o acesso de empresas brasileiras ao mercado indiano.

“Em um momento em que o mundo passa por uma onda de medidas restritivas ao comércio global, o Brasil segue fiel na defesa do multilateralismo e na busca de novos mercados para empresas e produtos brasileiros”, afirma Márcio Elias Rosa. “A Índia é o segundo maior mercado consumidor do mundo e um grande parceiro comercial do Brasil, com quem mantivemos, em 2025, uma corrente de comércio de mais de US$ 15 bilhões. Com o apoio da Apex Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, esperamos conseguir ampliar nossa relação comercial”.

Em Mumbai, o ministro terá reuniões com dois dos maiores grupos empresariais da Índia – Reliance Industries e Aditya Birla Group – para discutir oportunidades de investimentos no Brasil. A agenda inclui visita à sede dos grupos e reuniões com a administração, buscando aproximar as empresas indianas de projetos brasileiros em áreas estratégicas, como energia, infraestrutura e novos negócios.

Em Nova Delhi, Márcio Elias Rosa deverá participar de almoço com empresas brasileiras já estabelecidas ou em expansão no mercado indiano, entre elas a Embraer, a WEG, a Perto, a CBC e a Tramontina.

A reunião, que conta com o apoio da embaixada brasileira na Índia, permitirá identificar desafios e oportunidades para ampliar a presença brasileira na Índia, especialmente nos setores de defesa, tecnologia, equipamentos industriais, automação e bens de consumo.

Também em Delhi, estão previstas reuniões organizadas pela ApexBrasil com instituições e empresas indianas, incluindo CII (Confederation of Indian Industry), principal entidade representativa do setor privado indiano; IFFCO, maior cooperativa de fertilizantes da Índia, com potencial para ampliar a cooperação em fertilizantes, logística e amônia verde; State Bank of India (SBI), visando fortalecer mecanismos de financiamento ao comércio e aos investimentos; e Adani Group, um dos maiores conglomerados de infraestrutura e logística do país.

“Esses encontros têm potencial para gerar novas oportunidades comerciais e de investimentos para empresas brasileiras, além de contribuir para o desenvolvimento de parcerias em setores considerados estratégicos”, diz o ministro.

BRICS

Em Jaipur, o ministro vai representar o Brasil em duas reuniões ministeriais do Brics, com ministros da Indústria e ministros do Comércio dos países do bloco.

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As discussões abordarão temas relevantes para a competitividade da indústria e do comércio, como: fortalecimento da resiliência industrial; inovação para o desenvolvimento sustentável; fortalecimento das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs); cadeias globais de valor mais resilientes e diversificadas; comércio digital; e preservação de um sistema multilateral de comércio baseado em regras.

À margem das reuniões ministeriais, o ministro manterá encontros bilaterais com autoridades de diversos países. Estão previstas conversas com autoridades da Índia; da China; dos Emirados Árabes Unidos; da Rússia; da Indonésia; do Egito; e da África do Sul.

“Nessas reuniões, buscaremos fortalecer o diálogo econômico e comercial, identificar oportunidades de ampliação do comércio bilateral e promover maior integração entre empresas brasileiras e mercados considerados estratégicos”, conclui Márcio Elias Rosa.

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Não tem dois democratas disputando à Presidência, do lado de lá é golpista, diz Tebet


Candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB) marcou presença no evento que lançou oficialmente a candidatura do presidente Lula (PT) à reeleição na Presidência e fez fortes críticas à oposição do governo atual.

Durante sua fala, Tebet não citou o nome do principal adversário de Lula, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas disse que ‘do lado de lá, é extrema direita’, acrescentando que ‘do lado de lá é simplesmente tal pai, tal filho! (Uma vez) golpista, sempre golpista’, fazendo uma referência à família Bolsonaro.

“O que mais está me impressionando positivamente é que a ficha do povo brasileiro está caindo. (O povo) está entendendo que não tem dois democratas disputando a eleição. Do lado de lá é extrema-direita, é aquele que quer eliminar direitos já conquistados. Que acha que lugar de mulher é dentro de casa. Do lado de lá é simplesmente tal pai, tal filho! (Uma vez) golpista, sempre golpista e a população brasileira está começando a perceber isso”.Simone Tebet

Na sequência, Tebet, ainda sem citar nomes, falou sobre a relações internacionais do Brasil e sobre a soberania nacional, afirmando que ‘ninguém vai entregar nossas riquezas para governos estrangeiros’.

“Vamos continuar defendendo a democracia. Ninguém vai entregar nossa riqueza a governos estrangeiros. O Brasil é do povo brasileiro, as nossas riquezas são nossas. Os nossos problemas somos nós que resolvemos”Simone Tebet

Lula é oficializado como candidato à reeleição para a Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi oficializado neste domingo (02) candidato à Presidência do Brasil. O atual mandatário, que tem 80 anos, vai em busca da reeleição e busca chegar ao seu quarto mandato. Ele já foi eleito em 2002, 2006 e 2022.

Participaram da convenção Edinho Silva, Geraldo Alckmin (PSD), Guilherme Boulos (PT), Fernando Haddad (PT) e Simonet Tebet (PSD), Marina Silva (Psol) e outros aliados no mandatário.



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economia

Programa de renegociação de dívidas é prorrogado até 31 de agosto


A prorrogação do programa de renegociação de dívidas bancárias, o Desenrola Brasil 2.0, foi oficializada neste sábado (1º), em portaria do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União. A medida já havia sido anunciada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Os consumidores terão até 31 de agosto para renegociar os débitos com os bancos e regularizar a situação de acesso ao crédito.

As regras do Desenrola permanecem inalteradas e, de acordo com a portaria, a prorrogação aplica-se exclusivamente às instituições financeiras que tenham celebrado, até 30 de julho de, no mínimo 1 mil operações de crédito com garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO).

Na ocasião do anúncio, Durigan ressaltou que a medida não exigirá novos aportes públicos ao FGO, uma vez que os recursos destinados ao programa já são suficientes para atender à demanda prevista.

O objetivo do prazo adicional é permitir que pessoas que ainda estão em negociação com instituições financeiras consigam concluir o processo de regularização.

O ministro destacou que a prorrogação também beneficia quem pretende contratar financiamentos. De acordo com ele, entre os beneficiados estão os motoristas de aplicativo, taxistas, entregadores e caminhoneiros que pretendem trocar de veículo por meio do Programa Move Brasil.



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economia

Alvo de disputa, definição de stablecoins pode afetar competência, autorização e IOF


A definição legal das stablecoins está no centro de um impasse entre o Banco Central e entidades do setor. O pano de fundo é o PL 4.308/2024, que busca criar um marco regulatório para o instrumento. O BC defende que elas sejam consideradas ativos do mundo real tokenizados, como moedas de emissão privada. Já associações sustentam que devem seguir como ativos virtuais.

A natureza jurídica pode afetar a competência regulatória, o processo de autorização para operá-las e a incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), afirmam especialistas consultados pela reportagem.

“A divergência tem relevância no sentido de determinar quais os requisitos acerca de lastro integral, direito de resgate ao par, qualidade das reservas e supervisão prudencial”, enumera o advogado e professor do Insper Isac Costa.

Em debate estão principalmente stablecoins referenciadas em moeda fiduciária, como USDT e USDC – ambas são atreladas ao dólar. Hoje, elas são tratadas como ativos virtuais, inclusive em resoluções do BC.

Segundo dados recentes da Receita Federal, as stablecoins respondem por cerca de 80% do volume declarado de criptoativos no Brasil, com predomínio da USDT. O ativo representou quase 90% do volume declarado em stablecoins entre agosto de 2019 e dezembro de 2025.

Diante do aumento do interesse por stablecoins no País, o advogado André Neves, sócio do BZCP, observa que a mudança proposta pelo BC pode impactar o negócio players que se planejam para obter autorização como prestadores de serviços de ativos virtuais (PSAVs).

“Se houver uma mudança para um ativo da economia real, será exigido que os agentes que querem operar com as stablecoins tenham que ser instituições de pagamento ou corretoras de câmbio, por exemplo, que estão sujeitas a outras regras”, diz. “Quem hoje planeja uma atuação como exchange de ativos virtuais só poderia negociar bitcoins ou outros ativos que seguiriam como ativos virtuais.”

Perfil de risco e competência

O BC defendeu a mudança em nota técnica enviada ao relator do PL, deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI), em abril e reiterou a posição em audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE) da Câmara no início de julho. No documento, obtido pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), afirma que modelos de stablecoins equivalentes a instrumentos financeiros regulados devem ser caracterizados como ativos do mundo real tokenizados, por terem perfil de risco distinto de outros criptoativos.

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Dentro dessa interpretação, a autoridade sustenta que essas stablecoins devem ser enquadradas como moeda de emissão privada – como moeda eletrônica ou como depósito bancário – por cumprirem funções clássicas de moeda, embora sem curso forçado.

Na audiência pública, a posição foi reiterada pelo consultor do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro (Denor) do BC Fábio Araújo, que defendeu ser indispensável reconhecer a natureza econômica fundamental de cada ativo para evitar lacunas e sobreposições de competência. Ele afirmou que a classificação como ativo virtual nas resoluções do BC foi “essencialmente pragmática”, mas que, do ponto de vista econômico e jurídico, há diferenças relevantes.

“A funcionalidade econômica das stablecoins depende não apenas da existência do token no ambiente digital, mas fundamentalmente de elementos externos ao próprio registro distribuído, tais como a existência de reservas financeiras, as regras de governança, a constituição de direitos creditórios, no momento em que houver uma regulação sobre o tema, ou de obrigações assumidas pela entidade emissora”, disse.

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O BC também argumenta que a mudança evitaria um problema futuro de competência regulatória, ao manter o instrumento sob seu mandato legal. A Lei nº 14.478 prevê que o regulador dos prestadores de serviços de ativos virtuais (PSVAVs) será definido por decreto presidencial; hoje, a atribuição está com a autoridade monetária.

“Caso a regulação dos PSAVs seja retirada das atribuições do Banco Central, parcelas potencialmente significativas dos mercados de pagamentos digitais, de liquidação financeira e de intermediação cambial poderiam passar a se situar fora do escopo regulatório direto do BC”, diz a nota técnica.

Especialistas ouvidos pela reportagem consideram válida a preocupação, mas pouco provável de se consolidar. Entendem que não há um questionamento dessa competência pelo mercado, que apoia a manutenção dos ativos sob o guarda-chuva do BC.

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Insegurança jurídica

Em sentido oposto ao do BC, associações do setor defendem a manutenção das stablecoins como ativos virtuais. Em nota técnica enviada em junho, a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto) sustenta que a legislação já as reconhece nesse universo e que eventual equiparação integral à moeda eletrônica pode gerar conflitos interpretativos e insegurança.

“Embora possam ser utilizadas em pagamentos e transferências de valor, esses ativos operam em infraestrutura blockchain, possuem mecanismos próprios de emissão, circulação e liquidação e já estão inseridos no marco regulatório dos ativos virtuais”, diz.

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A ABCripto propõe preservar a natureza jurídica, mas criar um regime prudencial autônomo, com padrões para reservas, segregação patrimonial e transparência. Também sugere consolidar no PL a competência do BC sobre stablecoins.

A manutenção foi apoiada pela Associação Brasileira de Tokenização e Ativos Digitais (ABToken). “O mercado está num processo de adaptação a normas do BC que já estabelecem as stablecoins como ativos virtuais. Qualquer mudança de natureza nesse momento gerará uma insegurança para todo o mercado. A nosso ver, este estabelecimento, este reconhecimento como um ativo virtual vai eliminar uma série de sobreposições regulatórias”, disse o diretor de relações governamentais da associação, César Carvalho, na audiência pública.

Costa, do Insper, avalia que, se a alteração for aceita, será preciso repensar premissas emissão desse instrumento. “Se for moeda de emissão privada, seja moeda eletrônica ou depósito, a emissão tende a se restringir a instituições autorizadas e a um modelo de conta com titular identificado, o que não acomoda bem a autocustódia e a circulação peer-to-peer“, exemplifica.

Para o advogado e professor de regulação financeira Aylton Gonçalves, a mudança para moeda de emissão privada significaria, na prática, uma reinvenção do mercado de ativos virtuais no Brasil, um “retrabalho” – dado os processos já iniciados pela autoridade monetária -, e um novo custo de observância para empresas que se preparam hoje para pleitear a autorização junto ao BC.

Cobrança de IOF

O debate sobre a cobrança de IOF sobre as stablecoins tem ganhado força com a popularização do instrumento e recebeu novo fôlego em novembro do ano passado, depois de o BC publicar a Resolução 521, que incluiu atividades ou operações com ativos virtuais no mercado de câmbio. No início deste ano, o governo brasileiro chegou a planejar uma consulta pública sobre a possibilidade de cobrar o tributo nas operações envolvendo o ativo, mas ela foi adiada.

A mudança de natureza jurídica não define o IOF, mas pode influenciá-lo, avaliam os especialistas consultados. “O fator gerador da incidência tributária ficaria mais claro. O que se tem hoje é a possibilidade de aplicação do IOF-câmbio, mas há uma dúvida quanto à existência deste fator gerador e, portanto, da tributação”, afirma Gonçalves.

Costa avalia que requalificar as stablecoins como moeda de emissão privada, sobretudo as lastreadas em dólar, aproximaria a conversão de reais nesses instrumentos da figura do câmbio, dando mais respaldo à cobrança. Ressalva, porém, que o gatilho não é o rótulo do token, e sim a operação concreta: “O imposto incide sobre operações determinadas – câmbio, crédito, seguro, títulos e valores mobiliários -, e não sobre uma ‘classe de ativo’ em abstrato”, diz.

Segundo o advogado, seguir como ativo virtual também não fornece uma proteção integral ao instrumento quanto a cobrança do tributo. “O próprio BC, nas Resoluções 521 e 561, já trouxe as stablecoins para o mercado de câmbio quando usadas em pagamentos internacionais, e nessas operações o IOF-câmbio pode alcançá-las independentemente do nome do instrumento.”



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Governo edita MP para injetar R$ 2,8 bi em fundos que garantem renegociação de dívida


O governo federal editou medida provisória, em edição extra do Diário Oficial, para aumentar o alcance das iniciativas de apoio ao crédito e renegociação de dívida. A União está autorizada a participar nos fundos Garantidor para Investimento (FGI) e Garantidor de Operações (FGO) com um total de R$ 2,75 bilhões.

O montante servirá para viabilizar as operações de crédito para microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas, no âmbito do Programa Emergencial de Acesso a Crédito (Pronampe) criado em 2020.

Serão R$ 2 bilhões para o FGI que garante os financiamentos do programa. A medida provisória autoriza a União ainda a injetar recursos no montante de R$ 750 milhões no FGO, que é destinado ao apoio dos financiamentos do Pronampe, também voltado para pequenas empresas. O aumento da garantia permite que o programa possa atender mais empresas.

A medida igualmente permite que sejam combinados recursos das instituições financeiras habilitadas a operar o Desenrola Adimplentes com os destinados pela União, para viabilizar as operações de crédito no programa. O ato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda aumenta o prazo de execução das ações de educação financeira adotadas pelos bancos no Novo Desenrola Brasil.

Na última terça-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que a atual edição do Novo Desenrola Brasil, até o dia 31 de agosto. Lançado em maio, estava originalmente previsto para acabar no próximo dia 3 de agosto.



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