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Brasil sofre mais um revés após governo Trump propor nova tarifa por trabalho forçado


Escritório de Comércio concluiu que o país falhou em proibir a entrada de mercadorias produzidas com mão de obra escrava

Ricardo Stuckert / PRPresidente Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump
Presidente Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump

O Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs na terça-feira (2) a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A decisão é resultado de uma investigação conduzida sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que concluiu que o Brasil e outras 59 economias falharam em impor e fiscalizar a proibição de importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Este é o segundo revés comercial enfrentado pelo Brasil perante o governo norte-americano em um curto período. Na segunda-feira (1º), o USTR concluiu uma investigação que classifica políticas e práticas do governo brasileiro como irrazoáveis. Como resultado, o governo americano propôs a aplicação de uma tarifa de 25% sobre mercadorias do Brasil, alegando que as ações brasileiras oneram e restringem o comércio dos EUA.

De acordo com o relatório do USTR de terça-feira, o Brasil faz parte de um grupo de 54 nações que não adotaram medidas efetivas para impedir a entrada de bens ligados à exploração laboral em seus territórios. O órgão determinou que essa omissão é “irrazoável e sobrecarrega ou restringe o comércio dos EUA”.

Como resposta, o governo norte-americano propôs taxas adicionais de 12,5% sobre produtos provenientes de países que não possuem regimes de proibição ao trabalho forçado, categoria na qual o Brasil foi incluído. Para economias que já possuem algum nível de restrição ou acordos de reciprocidade, a tarifa proposta é de 10%.

O embaixador Jamieson Greer afirmou que a falta de ação dos parceiros comerciais cria uma competição desleal. “A falha de nossos parceiros comerciais mais importantes em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma dinâmica onde os trabalhadores americanos são forçados a competir globalmente em um campo de jogo desigual”, disse.

O relatório aponta ainda que a ausência de fiscalização por parte das economias investigadas “distorce as condições de mercado para empresas que não utilizam trabalho forçado” e contribui para a continuidade dessa prática globalmente.

Greer reforçou a postura dos EUA: “Não toleraremos mais esta disparidade. Cada um de nossos parceiros comerciais deve fazer mais para garantir que o comércio não encoraje e consolide perversamente o trabalho forçado em todo o mundo”.

O USTR abriu um período de consulta pública para as medidas propostas. Interessados podem enviar comentários por escrito até o dia 6 de julho de 2026. Além disso, o órgão realizará audiências públicas sobre as novas tarifas no dia 7 de julho. Caso as taxas sejam confirmadas, elas incidirão sobre todos os produtos das economias investigadas, com exceção de itens específicos que serão listados em anexo no registro oficial.

Irregularidades em seis áreas

A decisão de segunda-feira foi tomada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O relatório final apontou irregularidades em seis áreas principais: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais desleais, aplicação de medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal.

No âmbito digital, a investigação citou ordens judiciais brasileiras para remoção de conteúdo e suspensão de perfis em redes sociais americanas, além de restrições a sistemas de pagamentos.

Quanto ao etanol, o texto afirma que o Brasil não oferece tratamento tarifário recíproco desde 2017. O documento menciona ainda que, apesar de possuir leis contra o desmatamento, o Brasil falha na aplicação eficaz dessas normas.

O embaixador Jamieson Greer declarou que a investigação foi iniciada a pedido do presidente Donald Trump para abordar preocupações comerciais persistentes. Greer afirmou que, embora tenham ocorrido reuniões entre Trump e o presidente Lula (PT) nos últimos meses, permanecem divergências substanciais entre as nações.





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Saída para crescimento sustentável é integrar País às cadeias de IA, diz Galípolo


O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, alertou nesta quarta-feira (3) que o Brasil ainda não está integrado às cadeias globais de valor da inteligência artificial e que, enquanto isso não mudar, o país não vai conseguir transformar o atual ciclo de crescimento em algo sustentável.

O modelo de crescimento brasileiro dos últimos anos com base em renda crescendo acima da produtividade, crédito aquecido e consumo doméstico forte funcionou e ainda protege o Brasil de choques externos, disse Galípolo, mas tem um limite. “A gente enxerga essas pressões de demanda dentro dos indicadores de inflação de serviços, que são mais intensivos em mão de obra, o que responde a essa economia que vem crescendo com taxas de desemprego em mínimo histórico e renda em máximo histórico”, disse durante painel no Fórum Jurídico de Lisboa.

O argumento de fundo é que o crescimento puxado por demanda tem um teto, e ultrapassá-lo sem ganhos de produtividade gera pressões que o BC precisa responder com juros. A saída, na visão de Galípolo, é estrutural. “Como é que o Brasil consegue se ligar de maneira mais eficiente com essas cadeias globais de valor para que a gente possa ter crescimento sustentável e integrado por ganhos de produtividade? Esse é o grande desafio”, falou.

Leia também: Galípolo: hedge de investidores estrangeiros pode explicar força do real

O presidente do BC também chamou atenção para um fenômeno de “memória muscular dos mercados” nos ciclos de aperto monetário. Segundo ele, nos choques de oferta recentes, os juros subiram mais do que os próprios preços, mesmo sendo choques que naturalmente tendem a desacelerar o crescimento. “Essa expressão memória muscular é muito feliz porque ela responde, mas não reflete”, afirmou, sugerindo que o mercado age por condicionamento dos ciclos anteriores, e não por análise do cenário presente.

Perto de mais uma reunião do Copom, marcada para os dias 16 e 17 de junho, o mercado projeta o IPCA em 5,09% para 2026, acima do teto da meta de 4,5%, e a Selic em 13,25% ao fim do ano, segundo o Boletim Focus mais recente.

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Clima: Brasil enfrenta calor e risco de temporais nesta 4ª; confira


O mesmo fluxo de umidade do Atlântico continua ditando as regras na Região Sudeste, mantendo o céu encoberto e instável nas áreas mais a les



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TSE mantém Cláudio Castro inelegível e rejeita pedido de eleições diretas no RJ


A Corte Eleitoral também analisou a solicitação de Rodrigo Bacellar contra condenação por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022

Marcelo Camargo / Agência BrasilEdifício sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O placar no TSE foi de 5 a 2 pela rejeição do recurso por eleições diretas

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, inelegível e rejeitou nesta terça-feira (2) o recurso do Ministério Público Eleitoral (MPE) que solicitava eleições diretas para o mandato-tampão do governo do Rio de Janeiro. O placar foi de 5 a 2.

O relator, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, votou por manter o acórdão do julgamento que condenou o ex-governador Cláudio Castro (PL) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. O magistrado entendeu que a renúncia do ex-chefe do Executivo fluminense um dia antes da decisão da Corte Eleitoral esvaziou a discussão sobre a perda de mandato e cassação do diploma.

Os ministros André Mendonça, Dias Toffoli, Antonio Carlos Ferreira e Kassio Nunes Marques acompanharam o entendimento. Já o magistrado Floriano de Azevedo Marques abriu divergência e votou por acolher o recurso do MPE. Ele foi acompanhado pela ministra Estela Aranha.

Com a decisão, o TSE coloca fim à discussão sobre as eleições ao Palácio da Guanabara. O Supremo Tribunal Federal (STF) aguardava o julgamento da Corte Eleitoral para decidir se o pleito será direto ou indireto. Atualmente, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto de Castro, exerce interinamente o cargo de governador do estado.

Recursos de Cláudio Castro e Bacellar

Também no julgamento, o TSE rejeitou por unanimidade o recurso apresentado por Cláudio Castro contra a sua condenação de inelegibilidade até 2030. Entretanto, a Corte Eleitoral acolheu a contestação referente à multa.

O TSE ainda julgou o recurso apresentado pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar (União Brasil). Por unanimidade, a Corte Eleitoral rejeitou a contestação. O ex-deputado estadual foi condenado no mesmo processo de Cláudio Castro.





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Plantio de trigo avança, mas setor destaca incertezas com qualidade e clima

O plantio da nova safra de trigo brasileira alcançou 41,1% da área prevista, segundo o monitoramento da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento, em um momento em que produtores e agentes da cadeia acompanham com preocupação a redução da área cultivada, os custos elevados de produção e os possíveis impactos climáticos associados ao El Niño.

Segundo a Conab, as lavouras já implantadas apresentam desenvolvimento satisfatório em estados como Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. No Paraná, as temperaturas mais baixas e as chuvas recentes favoreceram o estabelecimento das áreas semeadas, enquanto no Rio Grande do Sul o plantio avança em ritmo inicial, com boas condições para as lavouras emergidas.

Entretanto, o cenário para a nova temporada é marcado por cautela. De acordo com Nelson Montagna, gerente de suprimento de trigo do Moinho Anaconda, o cereal é particularmente sensível às condições climáticas.

“O trigo em geral é um grão especialmente sensível ao clima. Com um mega El Niño esperado, vemos uma situação de bastante risco aqui para o hemisfério sul”, afirmou. Além das incertezas climáticas, Montagna destacou que a intenção de plantio é menor em importantes estados produtores, destacando o Paraná.

Menor investimento tecnológico

A Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul) observa tendência de substituição parcial do trigo por outras culturas de inverno, como canola, além da adoção de sistemas alternativos de produção. Há ainda indícios de redução do nível tecnológico empregado nas lavouras, com maior utilização de sementes próprias e menor procura por sementes certificadas.

Montagna acrescenta que o aumento dos custos de produção tem pressionado a rentabilidade dos agricultores. “A outra preocupação que vem é o custo de plantio, fertilizante, defensivos. E os preços estabilizaram num patamar que o produtor não considera muito positivo”. 

Há ainda a preocupação de que, diante do aumento dos custos de produção, os produtores não realizem os investimentos necessários na safra. “Com produtor com pressão de custo alto e de preço baixo [da commodity], ele vai plantar quase por obrigação, sem o trato esperado”, disse Montagna. 

Assim, há a expectativa de que exista uma piora na qualidade do trigo produzido nacionalmente, e uma dependência de importação de trigo com maior concentração de proteína, utilizado para a fabricação de farinhas para panificação e massas frescas.

Produção menor e dependência das importações

Apesar das condições favoráveis observadas em grande parte das regiões produtoras até o momento, o setor trabalha com projeções de uma safra menor em 2026/27. 

Para o Brasil, o USDA projeta produção de 6,7 milhões de toneladas e importações de 7,2 milhões de toneladas de trigo. A Safras & Mercado estima 6,16 milhões de toneladas de produção brasileira, citando a menor intenção de plantio e as margens reduzidas dos produtores.

A TF Consultoria Agroeconômica trabalha com estimativas semelhantes, de produção próxima a 6,5 milhões de toneladas e importações de 6,75 milhões de toneladas.

“Com a provável grande redução da produção, por área e menor uso de tecnologia, deverá aumentar as importações e, como consequência, nivelar os preços internos com a paridade internacional”, afirmou o analista Luiz Pacheco, da TF Consultoria Agroeconômica.

Com as estimativas de mercado entre 6,1 milhões e 6,7 milhões de toneladas, o volume será insuficiente para atender à demanda interna, estimada em cerca de 13 milhões de toneladas.

A Argentina segue como principal fornecedora do cereal para os moinhos brasileiros, mas problemas de qualidade observados na safra argentina colhida em 2025 têm levado parte do setor a buscar alternativas.

Segundo Montagna, a qualidade do trigo argentino ficou abaixo das expectativas da indústria moageira. “A safra do ano passado ficou muito abaixo da expectativa de qualidade na Argentina. Houve um pouco de lixiviação. A produtividade foi muito maior, mas faltou ‘comida’ para o grão, principalmente no teor de proteína”, afirmou.

Embora exista a possibilidade de diversificação de origens, o custo logístico limita essa estratégia. “O frete é proibitivo. A primeira opção teria sido o trigo americano, mas está muito caro. Tem gente testando o trigo russo. Na região Sul tentaram mais o trigo uruguaio e paraguaio”, disse.

Mercado interno enfrenta margens apertadas

Enquanto os custos de produção e importação avançam, os moinhos relatam dificuldade para repassar aumentos ao consumidor final.

Montagna afirma que o setor opera com margens reduzidas e mercado sensível aos preços. “Vai ser um ano de margens apertadas. O poder de compra [do consumidor] está mais baixo, e o mercado muito sensível.”

Segundo Pacheco, a forte competição no segmento dificulta aumentos de preços. “Recebemos muitas notícias de moinhos reduzindo o preço da farinha ou mantendo o preço do mês anterior, o que impede o repasse dos custos de frete e embalagens deste mês e dificulta o aumento nos preços do grão.”

As ofertas de trigo argentino nacionalizado nos portos brasileiros estão ao redor de US$ 295 por tonelada, refletindo a valorização observada tanto no frete marítimo quanto nos preços FOB na origem argentina nos últimos meses.

Janela comercial desfavorável

Além dos desafios internos, o setor aponta uma característica estrutural do mercado brasileiro que limita o potencial de valorização do cereal.

Segundo Montagna, o calendário de colheita nacional coincide com o período de entrada da safra do Hemisfério Norte, quando grandes volumes chegam ao mercado internacional.

“O Brasil tem uma situação muito particular de safras que é desfavorável. Noventa por cento do trigo do mundo é colhido de julho em diante. Quando vamos colher, está entrando a safra mundial, e isso faz pressão de preço para baixo”, explicou.

O executivo observa que a janela de comercialização também é estreita, especialmente para os produtores do Rio Grande do Sul, cuja colheita ocorre mais tarde e coincide com a entrada da safra argentina no mercado.

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Julgamento do caso Henry Borel chega ao 10º dia com chance de extensão


O julgamento da morte do menino Henry Borel, de 4 anos, chegou ao 10º dia nesta quarta-feira (3/6), no 2° Tribunal de Justiça da Capital, no Centro do Rio de Janeiro. Hoje, a expectativa é que ocorram os debates entre a acusação e a defesa

Os debates podem se estender por até 10 horas. Em seguida, os sete jurados que compõem o Conselho de Sentença decidirão pela condenação ou absolvição dos réus.

A votação pode ter início já na quarta-feira ou se estender até quinta-feira (4/6). Após encerrada a votação, a juíza Elizabeth Machado Louro convocará as partes e proferirá a sentença, determinando a dosimetria das penas.

O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, responde pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. A mãe da vítima, Monique Medeiros, por sua vez, é ré por homicídio qualificado por motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além de tortura e coação no curso do processo.

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O julgamento até aqui

Ao longo das sessões, foram ouvidos investigadores, peritos, médicos, familiares, testemunhas ligadas ao caso e ex-namoradas de Jairinho.

Jairinho e Monique Medeiros prestaram depoimento nessa terça-feira (2/6). Monique, que foi a primeira a depor, apresentou uma nova versão sobre os fatos que atencederam a morte do filho, e afirmou acreditar que Jairo foi o responsável pela morte do menino.

Jairinho, por sua vez, negou ter agredido mulheres ou crianças e atribiuiu acusações feitas por ex-namoradas a “especulações“. A pedido do advogado de defesa, Rodrigo Faucz, Jairinho não respondeu às perguntas da acusação nem da juíza responsável pelo caso.


Relembre o caso

  • Henry Borel morreu na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, na madrugada de 8 de março de 2021
  • A mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, o médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, legaram que a criança teria sido encontrada desacordada no imóvel
  • Henry foi levado ao hospital, mas os profissionais de saúde constataram a morte por hemorragia interna e laceração hepática
  • A partir daí, uma investigação complexa foi iniciada para esclarecer o que teria ocorrido no imóvel
  • Os réus sustentam a versão de que houve um acidente doméstico
  • No entanto, o laudo do Instituto Médico-Legal (IML) invalidou essa versão, após constatar 23 lesões pelo corpo da criança
  • Jairinho e Monique estão presos desde 8 de abril
  • Eles respondem por uma série de crimes no que diz respeito à morte de Henry, incluindo homicídio triplamente qualificado, além de tortura, coação no curso do processo e fraude processual.

 

 

 



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Demanda por embutidos de mandioca lidera avanço das exportações da Lorenz

O mercado de embutidos foi o principal motor do avanço das exportações da Lorenz nos últimos anos, puxado principalmente pela forte demanda de países como Venezuela, Colômbia e Estados Unidos.

A empresa, considerada a maior processadora de mandioca do Brasil, vem ampliando a presença internacional com soluções à base de amidos desenvolvidas especialmente para a indústria de cárnicos, segmento que ganhou força em meio à busca global por produtos de maior rendimento e menor custo industrial.

Segundo o diretor de novos negócios da companhia, Aleksandro Siqueira, os mixes desenvolvidos para embutidos tiveram uma participação expressiva nas vendas externas da empresa neste ano.

“Eu diria que o mix para embutidos teve uma participação muito grande nas exportações. Tudo o que a gente fala de salsicha, mortadela e produtos cárnicos cresceu bastante olhando para Venezuela, Colômbia e também países do Norte da África”, afirmou.

De acordo com o executivo, a demanda foi impulsionada principalmente por mercados que buscam alternativas para reduzir custos de produção sem comprometer qualidade e rendimento dos alimentos processados.

Nesse cenário, os amidos especiais produzidos pela Lorenz ganharam espaço ao permitir redução de proteína animal e aumento de rendimento industrial em produtos como salsichas, mortadelas e outros embutidos.

“O mercado de cárnicos cresceu bastante porque muitos países procuram soluções que entreguem rendimento industrial e redução de custos. A mandioca cumpre esse papel muito bem”, destacou Siqueira.

A Venezuela apareceu como um dos principais destinos do crescimento recente da companhia. Segundo o executivo, a retomada gradual da atividade econômica e industrial venezuelana ajudou a impulsionar a demanda por ingredientes industriais e produtos alimentícios.

“A Venezuela voltou a crescer industrialmente. A atividade econômica deles vem aumentando mais e isso mexeu bastante com o mercado. Isso abriu uma oportunidade muito importante para nós”, afirmou.

Dados divulgados pelo governo venezuelano mostram que o setor de embutidos do país registrou crescimento superior a 32% em janeiro de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Siqueira ressaltou que o perfil de consumo desses mercados favorece diretamente soluções voltadas para proteínas processadas.

“São países menos privilegiados economicamente e que consomem muito embutido. Então esse mercado de salsicha, mortadela e cárnicos é muito importante para nós”, explicou.

Na Colômbia, o crescimento também chamou atenção da companhia. Segundo o diretor, além dos embutidos, o país vem ampliando compras de amidos voltados para papel, lácteos e biscoitos.

“A Colômbia e o México puxaram muito forte esse ano os segmentos de papel, lácteos e biscoitos, mas o mercado de cárnicos continua sendo extremamente relevante”, disse.

Os Estados Unidos também ganharam importância dentro da estratégia comercial da empresa. Embora o volume ainda seja menor do que o de países latino-americanos, o crescimento percentual das vendas para o mercado americano foi considerado expressivo pela companhia.

“Os Estados Unidos compravam muito da Tailândia e do Vietnã. Só que a Tailândia hoje está com custo mais alto e teve problemas de produtividade por conta de doenças nas lavouras. O Brasil acabou sendo beneficiado porque teve o movimento contrário, com aumento de produtividade”, afirmou.

Segundo Siqueira, a mandioca brasileira possui ainda uma vantagem estratégica importante no mercado norte-americano, o fato de não ser transgênica.

“Os Estados Unidos praticamente não produzem derivados de mandioca. Lá se produz muito milho e o milho americano é transgênico. A mandioca não é transgênica e isso virou um diferencial importante”, destacou.

A Lorenz vem apostando fortemente em produtos de maior valor agregado para sustentar a expansão internacional. Entre as soluções desenvolvidas estão amidos especiais que permitem reduzir ou substituir proteínas em embutidos, aumentando rendimento industrial e competitividade para frigoríficos e indústrias alimentícias.

A estratégia acompanha uma tendência global de crescimento da demanda por produtos plant-based e ingredientes mais saudáveis, movimento que também vem favorecendo os derivados de mandioca.

“O consumidor quer produtos mais saudáveis, com menos gordura, menos sódio e ingredientes de origem vegetal. A mandioca entrega parte importante dessa solução”, disse Siqueira.

Atualmente, a empresa exporta para mais de 40 países e pretende ampliar ainda mais a participação internacional nos próximos anos. A meta da companhia é continuar crescendo em dois dígitos, impulsionada justamente pelos mercados de alimentos processados, ingredientes industriais e soluções sustentáveis à base vegetal.

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Trump declara apoio a Abelardo de la Espriella para a presidência da Colômbia


O candidato de extrema direita disputará o segundo turno com o apadrinhado de Petro

JOAQUIN SARMIENTO / AFPAbelardo de la Espriella
Abelardo de la Espriella liderou no primeiro turno

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira (2) apoio ao advogado Abelardo de la Espriella na eleição presidencial da Colômbia. Por meio de publicação no Truth Social, o republicano elogiou o candidato de extrema direita e falou que o pleito colombiano é “importante” para o futuro do país sul-americano e para a relação de Washington e Bogotá.

“Como presidente, Abelardo teria enorme sucesso em liderar a Colômbia rumo ao crescimento econômico, à criação de empregos, à promoção do comércio, ao combate à imigração ilegal, à repressão ao crime e às drogas e à restauração da lei e da ordem”, escreveu Trump.

O republicano também chamou de “marxista de esquerda radical” o senador Iván Cepeda, apadrinhado do presidente colombiano, Gustavo Petro. O parlamentar enfrentará Espriella no segundo turno marcado para 21 de junho.

“Devido às suas enormes realizações na vida e ao seu apoio político pessoal, é uma honra conceder a Abelardo meu apoio total e irrestrito. ‘El Tigre’ Abelardo de la Espriella não deixará o povo maravilhoso da Colômbia”, disse o republicano.

Trump ainda deu parabéns ao advogado pelo resultado do primeiro turno. Com 100% das urnas apuradas, Espirella somou 43,74% dos votos contra 40,90% de Cepeda.





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Pernambuco vai voltar a monitorar tubarões em julho após 11 anos


Programa busca entender os padrões de deslocamento e comportamento das espécies de tubarão que frequentam a costa pernambucana



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