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Caso Henry: Monique Medeiros, a mãe do menino, é solta após receber perdão judicial


A magistrada afirmou que Monique foi alvo de misoginia extrema declarada e que, durante os cinco anos do caso, a mãe de Henry foi alvo de uma perseguição implacável

Tomaz Silva / Agência BrasilA mãe do menino Henry Borel, Monique Medeiros
Rio de Janeiro (RJ), 23/03/2026 – A mãe do menino Henry Borel, Monique Medeiros e advogados de defesa durante Tribunal do Júri, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no centro da capital fluminense

A mãe do menino Henry Borel, Monique Medeiros, foi solta na tarde desta quinta-feira (4) após receber o perdão judicial da juíza Elizabeth Machado Louro, do II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, nessa madrugada. A professora deixou o Complexo de Gericinó, na zona Oeste do Rio, no banco traseiro de um carro e não falou com a imprensa. Um irmão foi buscá-la.

A defesa de Jairinho e o Ministério Público afirmaram que vão recorrer da decisão. O pai da criança, e ex-marido de Monique, manifestou revolta com a decisão. ‘Mataram meu filho pela terceira vez’, disse Leniel Borel.

Monique teve o crime de homicídio por omissão desclassificado para homicídio culposo – quando não há a intenção de matar – pelos sete jurados. O julgamento terminou na madrugada desta quinta, após 11 dias. Foi um dos mais longos da história do Estado.

Após elencar a decisão dos jurados, a magistrada começou a leitura da dosimetria da condenação citando a “repercussão provocada pela violência desproporcional”, “conduta desmensurada e covardia contra uma criança” praticada por Jairo contra Henry

Os jurados responsabilizaram Monique por omissão em um dos três casos de tortura apontados inicialmente pela acusação. Nos outros dois casos de violência, tanto Monique quanto Jairo foram absolvidos por falta de materialidade.

A tortura que foi levada em consideração pelos jurados ocorreu no dia 12 de fevereiro de 2021, menos de um mês da morte do menino. A dinâmica foi relatada pela babá Thayná Ferreira para Monique enquanto a mãe de Henry estava em um shopping.

Sentença final

A partir da decisão dos jurados, Elizabeth Machado Louro declarou extinta a punibilidade de Monique pelo homicídio culposo, e concedeu perdão judicial, previso pelo Código Penal. No entanto, ela não foi absolvida no caso. Pela omissão no caso de tortura, a magistrada fixou pena de 1 ano e quatro meses de reclusão, já cumpridos por Monique.

A juíza afirmou que a reação da sociedade sobre Monique foi “desproporcional e desmesurada”. Ela considerou a reação “discriminatória de gênero”, influenciada pela “cultura patriarcal” que, segundo Elizabeth, ainda norteia e permeia a mentalidade e as práticas sociais. Elizabeth afirmou ainda que o papel reservado à mulher nos modelos patriarcais “não só exige que ela seja mãe, mas a mãe perfeita”.

“Desde a investigação, Monique não mereceu o benefício da dúvida e, ao longo do processo, embora fosse apontada como mãe zelosa, e não ter sido acusada de infligir diretamente agressões físicas a seu filho, a revolta evoluiu rapidamente para franco massacre nas redes sociais, com ataques muito mais virulentos do que aqueles dirigidos ao autor direto”, afirmou Elizabeth.

A magistrada afirmou que Monique foi alvo de misoginia extrema declarada e que, durante os cinco anos do caso, a mãe de Henry foi alvo de uma perseguição implacável.

“Incomensurável o sofrimento de quem, além de perder seu único filho, para o que, de resto, não contribuiu intencionalmente, viu-se algo durante cinco longos anos de uma perseguição implacável contra a sua honra e sua autoestima como mãe, para não falar do completo desprezo pela sua dor”, completou.





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economia

Trump revelará plano de apoio a carvão de US$700 milhões usando poderes de emergência


Por Jarrett Renshaw e Timothy ⁠Gardner

WASHINGTON, 4 Jun (Reuters) – O presidente dos EUA, ⁠Donald Trump, deve anunciar nesta quinta-feira que invocará os ‌poderes emergenciais da era da Guerra Fria para direcionar quase US$700 milhões para ajudar a indústria carvoeira dos EUA ‌a enviar o combustível para a Ásia e as empresas de energia a queimá-lo internamente, disseram à Reuters uma autoridade da Casa Branca e uma fonte do setor.

Trump planeja usar a Lei de Produção de Defesa, uma lei de 1950 ⁠que ‌concede aos presidentes ampla autoridade sobre as indústrias consideradas ⁠críticas para a segurança nacional, para financiar reformas em mais de uma dúzia de usinas termelétricas a carvão, ajudar a financiar duas novas usinas de carvão e apoiar a construção de um terminal de exportação de carvão ​da Costa Oeste, disseram o funcionário e a fonte do setor.

A programação pública da Casa Branca lista um ​anúncio de Trump às 15h00 (16h00 no horário de Brasília) sobre ‘Carvão Bonito e Limpo’.

O governo Trump enquadrou a política energética como uma questão de segurança nacional para garantir energia elétrica para os data centers de IA e reduzir a ‌dependência de outros países.

O ​plano atraiu a condenação dos defensores do meio ambiente. Patrick Drupp, diretor de políticas climáticas do Sierra Club, chamou-o de subsídio financiado pelo contribuinte para ⁠uma indústria poluidora ​e disse que ​o grupo lutaria contra a iniciativa nos tribunais.

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‘É nojento e repreensível que o ⁠presidente dos Estados Unidos esteja ​doando o dinheiro dos nossos contribuintes para usinas termelétricas a carvão mortais e caras’, disse Drupp.

Rich Nolan, presidente-executivo da Associação Nacional de ​Mineração, disse que o financiamento fortaleceria a produção de uma fonte de combustível que ajuda a proteger ​os consumidores da ⁠volatilidade dos preços da energia e, ao mesmo tempo, apoia a crescente demanda ⁠por energia elétrica.

O carvão, responsável por mais da metade da geração de eletricidade dos EUA em 1990, agora gera menos de um quinto, já que as empresas de energia passaram a usar gás natural mais barato e fontes renováveis.

(Reportagem de Jarrett ​Renshaw)



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Henry Borel: defesa de Jairinho aponta traição como origem do caso


A defesa de Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, afirmou, nesta quarta-feira (3), durante o julgamento da morte de Henry Borel, que a origem de toda a acusação contra o ex-vereador estaria ligada a uma suposta traição envolvendo Monique Medeiros, Jairinho e Leniel Borel.

Segundo os advogados, uma ligação identificada como “Amor” no celular de Monique teria revelado o relacionamento com Jairinho. A partir disso, a defesa sustentou que Leniel teria encontrado uma oportunidade para prejudicar o ex-vereador e responsabilizá-lo pelos acontecimentos posteriores.

Durante a sustentação, os advogados também mencionaram um acidente envolvendo Henry quando a criança estava sob os cuidados de Leniel. Segundo a narrativa apresentada, uma testemunha chamada Miriam teria afirmado que Leniel comentou sobre um acidente ocorrido durante uma corrida de aplicativo.

Outro ponto destacado foi a alegação de que a criança teria reclamado de dor de cabeça após o episódio. A defesa afirmou que Leniel nunca relatou essa informação, apesar de, segundo a narrativa apresentada, ter procurado uma farmácia cerca de quatro vezes.

Outro ponto abordado foi a contestação da versão apresentada por Leniel sobre ter passado a noite com o filho. Segundo a defesa, mensagens trocadas entre ele e Monique indicariam que isso não aconteceu.

Leia também: MP rebate argumentos de Monique; veja o que diz acusação

O julgamento da morte de Henry Borel entrou na fase final na noite desta quarta-feira (3). Segundo apuração da CNN Brasil no local, o júri estava, por volta das 20h, na etapa de tréplica das defesas.

Primeiro fala a defesa de Monique Medeiros e, na sequência, a de Jairo Souza Santos Júnior. A previsão é de que essa fase seja encerrada por volta das 22h. Após isso, o conselho de sentença deve se reunir para votação dos quesitos, quando será definido se a sentença sai ainda nesta quarta-feira ou apenas na madrugada de quinta (4).



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Após perdão judicial, Monique Medeiros deixa prisão no Rio


Monique recebeu o perdão judicial pelo crime de homicídio contra filho de Henry Borel



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economia

Fed pode se concentrar nos riscos de inflação em meio ao choque de energia


Por Michael S. Derby

NOVA YORK, 4 Jun (Reuters) – Uma ⁠mudança na forma como os norte-americanos usam a energia deve ⁠permitir que o Federal Reserve concentre as decisões de política monetária no impacto ‌inflacionário do choque do preço do petróleo decorrente da guerra no Oriente Médio, segundo uma nova pesquisa do Federal Reserve de Boston.

Em um relatório divulgado nesta quinta-feira, os economistas do banco ‌disseram que a exposição da economia dos EUA à economia global mudou ‘fundamentalmente’ desde a década de 1970, em meio a uma maior eficiência energética e ao aumento da produção doméstica.

Essas mudanças significam que um aumento no preço do petróleo tem menos impacto sobre a inflação em relação ao passado. Enquanto isso, o aumento da produção doméstica de energia significa que os ⁠preços ‌mais altos podem estimular o emprego no setor, o que, por sua vez, compensa ⁠o tipo de perda de empregos que teria ocorrido no passado, escreveram os pesquisadores do banco.

Como o impacto no mercado de trabalho está mais brando agora, isso também diminui o impacto desinflacionário que normalmente viria com as perdas de emprego de base ampla ligadas a um choque de energia, sugerindo que as pressões inflacionárias seriam ​maiores do que seriam de outra forma.

‘A vulnerabilidade da economia dos EUA aos choques do petróleo mudou fundamentalmente — ela não foi eliminada, mas sim reconfigurada’, escreveram os economistas. ‘Essas ​conclusões implicam que a política monetária deve se concentrar mais nos efeitos na inflação associados aos choques do petróleo, em oposição aos efeitos sobre o emprego’, escreveram.

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O estudo afirma que o choque atual é notável, mas até agora menor em termos de impacto econômico do que o embargo de petróleo da Opep de 1973-1974 ou a Revolução Iraniana ‌de 1978-1980. Os autores também afirmaram que ‘os efeitos reduzidos dos ​choques petrolíferos no emprego agregado diminuem a probabilidade de relações de troca entre inflação e desemprego, características da estagflação que marcaram a década de 1970’.

O artigo do Fed de Boston foi divulgado no momento em que ⁠as autoridades do Fed estão ​lutando para determinar o ​caminho a seguir na política monetária. O Fed deve se reunir nos dias 16 e 17 de junho, em ⁠uma reunião em que é quase certo que ​os formuladores de políticas manterão sua meta de taxa de juros entre 3,50% e 3,75%.

As autoridades estão tentando determinar se o salto nas pressões inflacionárias criado pela guerra dos EUA e Israel contra ​o Irã precisará ser moderado por uma política monetária mais rígida. Até o momento, as autoridades estão de acordo em manter as taxas estáveis enquanto ​esperam para ver como o ⁠conflito afetará as pressões sobre os preços no longo prazo.

Quanto mais tempo a guerra persistir, maior será a chance de ⁠a inflação, que já está acima da meta de 2% do Fed há anos, permanecer persistentemente alta.

Algumas autoridades do Fed começaram a especular que talvez seja necessário aumentar as taxas de juros ainda este ano se a inflação não começar a diminuir, e a pesquisa do Fed de Boston sugere que esse caminho pode não levar a um sofrimento notável no mercado de ​trabalho.



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Henry Borel: Jairinho é condenado a 43 anos e Monique recebe perdão


O Tribunal do Júri do Rio condenou nesta quarta-feira (4) o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pela morte de Henry Borel, de 4 anos. Os jurados o consideraram culpado por homicídio duplamente qualificado e por um dos crimes de tortura atribuídos a ele durante o processo.

Monique Medeiros, mãe da criança, foi condenada por omissão diante da tortura sofrida pelo filho e recebeu pena de 1 ano e 4 meses de detenção, já considerada cumprida. Em relação à acusação de homicídio, os jurados desclassificaram o crime para homicídio culposo, e a juíza Elizabeth Machado Louro aplicou perdão judicial.

Ao longo das sessões, foram ouvidos delegados, médicos legistas, peritos, familiares, babás e os próprios réus.

Durante o julgamento, Monique acusou Jairinho pela primeira vez pela morte do filho. Em interrogatório, ela afirmou acreditar que o ex-vereador foi o responsável pelas agressões contra Henry. Na reta final do júri, nesta quarta-feira, Monique chorou diversas vezes durante as sustentações das partes.

Durante a acusação, o Ministério Público exibiu vídeos e imagens de Henry ao lado do pai, Leniel Borel, incluindo registros das últimas imagens da criança no parquinho de um condomínio durante o último fim de semana antes da morte.

Os promotores também exibiram imagens das câmeras de segurança do elevador do prédio, mostrando Henry no colo de Monique ao lado de Jairinho horas antes da morte, além de fotografias da perícia realizada no Instituto Médico-Legal.

Já na fase final da defesa, os advogados de Monique exibiram vídeos da criança com a mãe e sustentaram que ela teria sido vítima de violência de gênero e de um relacionamento abusivo.

O ex-vereador, por sua vez, negou as acusações. Após os debates entre acusação e defesa, o conselho de sentença se reuniu para votação dos quesitos. A decisão terminou com a condenação dos dois réus pela morte de Henry Borel.



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Caso Henry Borel: entenda o perdão judicial concedido à Monique Medeiros


A decisão que encerrou o julgamento do caso Henry Borel trouxe um desfecho diferente para Monique Medeiros. Embora o Conselho de Sentença tenha reconhecido sua responsabilidade por tortura por omissão e desclassificado a acusação de homicídio doloso para homicídio culposo, a mãe de Henry recebeu perdão judicial, instituto jurídico que afasta a aplicação da pena mesmo após o reconhecimento do crime.

A medida foi aplicada pela juíza Elizabeth Machado Louro durante a leitura da sentença, na madrugada desta quinta-feira (4), após 11 dias de julgamento no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Monique foi sentenciada a 1 ano e 4 meses de detenção, mas a magistrada entendeu que não havia razão para impor uma punição adicional.

O que é o perdão judicial

O perdão judicial é um instituto previsto na legislação penal brasileira no artigo 121, § 5º, do Código Penal, que autoriza o magistrado a deixar de aplicar a pena mesmo após o reconhecimento da prática de uma infração penal. 

Trata-se de uma hipótese excepcional em que o Estado reconhece a existência do crime e a responsabilidade do agente, mas conclui que as consequências decorrentes do próprio fato já produziram efeitos suficientemente gravosos para tornar desnecessária a imposição de uma sanção penal.

Por essa razão, o perdão judicial não se confunde com absolvição. A sentença continua reconhecendo a ocorrência do delito e a participação do acusado, mas afasta os efeitos punitivos da condenação.

Por que o benefício foi aplicado a Monique?

Ao proferir a sentença, a juíza Elizabeth Machado Louro entendeu que as consequências pessoais e sociais suportadas por Monique Medeiros ao longo dos últimos cinco anos ultrapassaram a finalidade que seria alcançada pela pena criminal.

Na fundamentação, a magistrada destacou a perda do único filho, a repercussão nacional do caso, as agressões sofridas durante o período em que esteve presa e o intenso escrutínio público a que foi submetida desde a morte de Henry Borel.

Segundo a juíza, a acusada foi alvo de uma reação social desproporcional, potencializada por expectativas culturalmente atribuídas ao papel materno. Para a magistrada, o conjunto dessas consequências já representaria uma resposta suficientemente severa do ponto de vista pessoal e social.

Efeitos da decisão

Embora tenha afastado a aplicação da pena, a sentença não eliminou a responsabilização penal de Monique. O Conselho de Sentença afastou a imputação de homicídio doloso e promoveu a desclassificação da acusação para homicídio culposo. Em razão do perdão judicial, a condenação deixa de produzir efeitos executórios, encerrando a pretensão punitiva estatal em relação à condenada.

Além disso, houve reconhecimento da prática do crime de tortura por omissão, entendimento segundo o qual a mãe deixou de agir para impedir as agressões sofridas pela criança. No entanto, a pena aplicada pelo crime de tortura por omissão também não resultará em novo período de prisão, uma vez que o tempo de prisão preventiva já cumprido por Monique foi considerado suficiente para o cumprimento da sanção fixada na sentença.

Decisão ainda pode ser objeto de recurso

Apesar de encerrar o julgamento em primeira instância, a sentença não impede a interposição de recursos pelas partes.

O Ministério Público e a assistência de acusação podem questionar aspectos como a desclassificação do homicídio doloso, o reconhecimento das teses acolhidas pelo Conselho de Sentença e a própria concessão do perdão judicial. Da mesma forma, a defesa pode impugnar pontos remanescentes da condenação.

Eventuais recursos serão analisados pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, observados os limites impostos pelo princípio constitucional da soberania dos veredictos, que confere especial proteção às decisões proferidas pelo Tribunal do Júri.



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DNA coletado em presídios amplia investigações e fortalece banco genético de Mato Grosso do Sul


A Polícia Científica de Mato Grosso do Sul ampliou em 486 perfis o banco estadual de DNA após duas etapas de coleta realizadas no Complexo Penitenciário da Gameleira, em Campo Grande. A medida fortalece investigações criminais e amplia as chances de identificação de autores por meio de vestígios biológicos encontrados em cenas de crime.

A segunda etapa da ação foi realizada na sexta-feira (29), na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira I, onde foram coletadas 186 amostras genéticas. A primeira ocorreu em 30 de abril, na Gameleira II, com a coleta de outras 300 amostras.

As ações integram as metas do Contrato de Gestão 2026, firmado entre a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) e o Governo do Estado, voltadas ao fortalecimento do Banco de Perfis Genéticos. O trabalho é executado pelo IALF  (Instituto de Análises Laboratoriais Forenses), da Polícia Científica, com apoio da Polícia Penal de Mato Grosso do Sul.

Após a coleta, as amostras passam por processamento laboratorial e, quando atendem aos critérios técnicos e legais, são inseridas nos bancos estadual e nacional de perfis genéticos. Os dados são utilizados em comparações que podem auxiliar na identificação de autores de crimes, estabelecer conexões entre diferentes ocorrências e subsidiar investigações em andamento.

Segundo a diretora do IALF, Josemirtes Prado da Silva, a ampliação da base genética aumenta a capacidade de confronto entre perfis cadastrados e vestígios coletados durante investigações.

“Quanto mais amostras de condenados forem inseridas, maior é a chance de coincidência com vestígios já cadastrados. O banco é mais uma ferramenta para auxiliar na identificação de autoria ou de autores em dois locais de crimes distintos”, afirma.

Dados da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos mostram que Mato Grosso do Sul contabilizava 5.471 perfis cadastrados até 1º de maio de 2026. Do total, 4.081 pertencem a condenados e 918 são vestígios biológicos coletados em investigações criminais.

O Estado acumula 88 investigações auxiliadas pela rede e 59 coincidências genéticas confirmadas. Dessas, 46 ocorreram entre vestígios biológicos e 13 entre vestígios e indivíduos cadastrados, demonstrando a capacidade da ferramenta de identificar autores e relacionar crimes cometidos em diferentes locais.

De acordo com a diretora do IALF, um caso recente resultou na identificação de correspondência entre material genético coletado em mutirão anterior e vestígios que permaneciam cadastrados sem autoria definida. “Um vestígio sem autoria hoje pode se transformar em prova amanhã”, destaca.

A Polícia Penal é responsável pela triagem das pessoas privadas de liberdade que se enquadram nas hipóteses legais de coleta, além de garantir a segurança durante as ações realizadas nas unidades prisionais.

A ampliação das coletas acompanha mudanças na legislação federal. Com a entrada em vigor da Lei nº 15.295/2025, a identificação do perfil genético passou a alcançar condenados à pena de reclusão em regime inicial fechado, independentemente do tipo de crime. Antes, a obrigatoriedade estava restrita a hipóteses específicas, como crimes contra a vida, contra a liberdade sexual e delitos praticados com violência grave.

A previsão é que novos mutirões sejam realizados em estabelecimentos penais do interior do Estado, ampliando a base genética sul-mato-grossense e fortalecendo uma ferramenta considerada estratégica para o esclarecimento de crimes e a produção de provas de interesse da Justiça.

Maria Ester Jardim Rossoni, Comunicação PCi-MS



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Hezbollah rejeita acordo de cessar-fogo condicional no Líbano


Irã exige retirada das tropas israelenses como condição para acordo com os EUA

MAHMOUD ZAYYAT / AFPMembros de Hezbollah, grupo xiita libanês
Membros de Hezbollah, grupo xiita libanês

O grupo pró-Irã Hezbollah rejeitou a trégua condicional anunciada pelas autoridades libanesas e israelenses nesta quinta-feira (4), exigindo, em vez disso, um cessar-fogo abrangente e a retirada de Israel do Líbano.

O cessar-fogo deve ser global (…) e sem a permissão para matar em nome do inimigo no Líbano”, disse o líder do Hezbollah, Naim Qasem, em uma mensagem transmitida pelo canal Al Manar, pertencente ao seu movimento.

Enviados israelenses e libaneses realizaram a quarta rodada de negociações em Washington na quarta-feira. Eles concordaram com um cessar-fogo condicionado à suspensão dos ataques do Hezbollah e à retirada de todos os membros do grupo da área ao sul do rio Litani, que fica aproximadamente 30 quilômetros ao norte da fronteira entre Líbano e Israel.

Rendição e derrota

Para Qasem, uma retirada do Hezbollah equivaleria a “rendição e derrota”. Um alto funcionário do Hezbollah, falando sob condição de anonimato, confirmou à AFP que o grupo rejeita o cessar-fogo. A decisão foi comunicada “ao presidente do Parlamento, Nabih Berri”, um aliado da organização xiita, afirmou ele.

O presidente libanês, Joseph Aoun, aguardava a resposta do grupo ao acordo do dia anterior, que ele descreveu como uma “última chance” para alcançar um cessar-fogo abrangente.

Qasem instou o governo a interromper “a farsa e a humilhação chamadas negociações diretas” com Israel. “Enquanto nosso povo não estiver seguro (…) os assentamentos (no norte de Israel) não estarão seguros”, acrescentou.

O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, anunciou que o exército começará a se mobilizar “em zonas-piloto” no sul do país, o que considera como um primeiro passo “tangível”, mas a população permanece cética.

Esta não é a primeira vez que um cessar-fogo é anunciado e Israel o viola“, disse à AFP Mohamad Chamsedin, de 56 anos, que abandonou sua casa nos arredores de Beirute.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, alertou que o exército “continuará seus ataques e operações terrestres por enquanto”. As forças israelenses mantêm “liberdade de ação, com o apoio americano, para atacar Beirute em resposta ao bombardeio de comunidades e território israelenses”, acrescentou.

O exército israelense ordenou novamente a evacuação de toda a área ao sul do rio Zahrani, cerca de 40 quilômetros ao norte da fronteira, enquanto as tropas “continuam atacando” a infraestrutura do Hezbollah naquele setor.

A agência de notícias estatal libanesa NNA relatou ataques de drones israelenses em várias cidades no sul e leste do país. Além disso, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) anunciou que um soldado da paz sérvio morreu e outros dois ficaram feridos após um bombardeio atingir sua base na noite de quarta-feira, no sul do Líbano.

Duro revés

A situação na frente libanesa afeta as negociações entre os Estados Unidos e o Irã, que exige a cessação das hostilidades no Líbano como condição para um acordo que ponha fim à guerra regional que eclodiu em fevereiro.

Embora o presidente dos EUA, Donald Trump, pareça otimista, os ataques continuam esporadicamente no Golfo e as negociações estão estagnadas.

A Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica do Irã, exigiu a retirada do exército israelense do Líbano. “Apoiar a resistência no Líbano é dever de cada um de nós”, escreveu o general Esmail Qaani, chefe da Força Quds, o braço de operações estrangeiras da Guarda.

Israel e Líbano já haviam concordado com um cessar-fogo em 17 de abril, mas ele nunca se traduziu em uma calma genuína no terreno. O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra regional que começou com a ofensiva de EUA e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro.

Os bombardeios israelenses mataram mais de 3.500 pessoas e deslocaram mais de um milhão no Líbano desde 2 de março, o início das hostilidades entre esses dois países, segundo as autoridades libanesas. Do lado israelense, 26 soldados e um terceirizado civil morreram em território libanês.

Trump quer “separar” a frente libanesa da frente iraniana para pôr fim a uma guerra impopular entre os americanos. Na quarta-feira (3), a Câmara dos Representantes dos EUA pediu o fim da guerra em uma votação sobre uma resolução simbólica que Trump classificou como antipatriótica.

O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, declarou em um comunicado que os Estados Unidos e Israel estão tentando “dividir” seu país após ter sofrido um “duro revés” na guerra.





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