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Milho sobe em Chicago com corte de área e demanda por etanol nos EUA

O mercado do milho também encerrou a sessão desta quinta-feira (23) em alta na Bolsa de Chicago, sustentado por uma combinação de fatores de oferta e demanda, além do cenário internacional. O contrato futuro com vencimento em dezembro fechou o dia negociado a US$ 4,87 por bushel, com valorização de 0,57%.

Segundo Gilberto Leal, head de commodities da Granel Corretora, o mercado do cereal tem encontrado suporte principalmente pela expectativa de uma oferta mais restrita nos Estados Unidos e pelo avanço do consumo interno para produção de etanol.

“O milho está fundamentado no forte programa de esmagamento de etanol nos Estados Unidos e também no corte de área. Existe uma expectativa do lado da oferta mais restritiva, o que acaba dando suporte aos preços”, afirma.

Outro fator observado pelo mercado é o cenário geopolítico, especialmente as tensões envolvendo o corredor de grãos no Mar Negro. De acordo com o analista, os riscos logísticos podem provocar uma migração de demanda para outras origens, como Estados Unidos, Brasil e Argentina.

No Brasil, a colheita da segunda safra avança para a reta final, com Mato Grosso praticamente concluindo os trabalhos. Leal destaca que o programa de exportações começa a ganhar força, assim como a demanda das indústrias de etanol de milho.

“O programa de exportação está ganhando tração e o esmagamento pelo etanol também tem avançado bastante. Isso trouxe uma melhora nos preços futuros e também no milho disponível”, explica.

Segundo o analista, no mercado interno, o milho para embarque em setembro chegou a ser negociado próximo de R$ 50 a R$ 51 por saca em algumas regiões produtoras.

Soja

A soja encerrou a sessão em alta na Bolsa de Chicago, impulsionada pela expectativa de demanda firme pelo produto norte-americano e por fatores externos que deram sustentação aos preços. O contrato futuro da oleaginosa para entrega em novembro fechou o pregão cotado a US$ 12,43 por bushel, com valorização de 0,38%.

Segundo Gilberto Leal, head de commodities da Granel Corretora, os fundamentos de curto prazo seguem positivos, principalmente pela procura pela soja dos Estados Unidos.

“Hoje tivemos as vendas semanais americanas dentro das expectativas para a soja, inclusive com destaque para a safra nova. Foram mais de 6 milhões de toneladas já comprometidas, contra cerca de 2,6 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado, principalmente em função da China”, afirma.

Para o analista, o aumento da expectativa de demanda tem dado suporte às cotações em Chicago. Além das compras externas, o mercado também acompanha as tensões geopolíticas no Oriente Médio e os impactos sobre o petróleo, que influenciam o complexo da soja, especialmente o óleo destinado ao biodiesel.

“O mercado está olhando também para um clima um pouco mais quente e seco nos próximos dias nos Estados Unidos, mas hoje o principal fator é o balanço de oferta e demanda, com exportações, esmagamento robusto e demanda pelo óleo de soja”, explica.

Apesar da alta recente, Leal destaca que os contratos enfrentam uma resistência técnica próxima de US$ 12,49 por bushel, enquanto os fundos de investimento estão bastante posicionados na compra.

No Brasil, os prêmios da soja recuaram um pouco com a valorização de Chicago, mas os preços internos avançaram. Segundo o analista, em algumas regiões produtoras, como no Mato Grosso, a soja disponível chegou próxima de R$ 130 por saca.

Trigo

O contrato futuro do trigo com vencimento em setembro encerrou a sessão  em queda de 1,35%, cotado a US$ 6,96 por bushel na Bolsa de Chicago.

Apesar da desvalorização no pregão, o mercado segue atento aos riscos envolvendo a oferta global do cereal, principalmente após a Rússia restringir embarques noturnos a partir de Novorossiysk, um dos principais terminais de exportação de trigo do país.

A medida foi adotada após novos ataques com drones realizados pela Ucrânia e aumenta as incertezas sobre o fluxo de grãos no Mar Negro, uma das principais rotas de abastecimento do mercado internacional.

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“Não existe moeda que possa substituir o dólar”, diz Janet Yellen na Expert XP


O dólar vai perder espaço para outras divisas como moeda de reserva global? Na opinião de Janet Yellen, ex-secretária do Tesouro dos EUA, a resposta é não, ainda que possa ser observada uma erosão marginal no crescimento da moeda americana. “Não existe moeda que possa substituir o dólar. Nenhum outro mercado tem sua profundidade e liquidez”, disse, durante painel na Expert XP 2026.

Mesmo com essa força, Yellen admite que ela é menor que no passado. As reservas mundiais em dólar, por exemplo, estão em cerca de 50%, em comparação com os 70% de décadas atrás. O aumento das posições em ouro é uma prova dessa diminuição.

Leia também: Yellen diz que não há hoje evidência de choque de produtividade vindo da IA

Mas ela reforçou a mensagem de que a profundidade dos mercados de câmbio não envolvem dólar é muito baixa.

Como exemplo, Yellen citou uma hipotética transação do Brasil com a França. “É muito provável que façam a conversão de reais para o dólar e então do dólar para euro”.

Sobre a regulação dos criptoativos, Yellen fez elogios às stablecoins, porque são cambiáveis ao dólar numa base de um para um, ou seja, são baseados em ativos estáveis.

Yellen admite que ela é menor que no passado. As reservas mundiais em dólar, por exemplo, estão em cerca de 50%, em comparação com um os 70% de décadas atrás. O aumento das posições em ouro é uma prova dessa diminuição



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Cenipa divulga relatório sobre acidente da Voepass: ‘Sobrecarga de estímulos’


O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou nesta quinta-feira (23) o relatório final sobre a queda do avião da Voepass, ATR 72-500, que vitimou 62 pessoas em agosto de 2024.

voo seguia de Cascavel (PR) para o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) quando o ATR 72-500 caiu sobre um condomínio em Vinhedo. A aeronave explodiu após o impactonão houve sobreviventes entre os 58 passageiros e quatro tripulantes, e nenhuma pessoa em solo ficou ferida.

Os familiares tiveram acesso ao documento antes da divulgação oficial. O Tenente-Coronel Paulo Mendes Fróes ficou responsável por ler o relatório. Primeiramente, foi explicado como funcionavam os sistemas de identificação de formação de gelo na aeronave e como o veículo descongela o avião.

Fróes explicou que o avião apresentou falha no sistema de degelo dias antes do acidente. O problema apareceu no último pouso antes do acidente, mas não foi relatado no diário de bordo. O tenente também disse que os pilotos costumam menosprezar quedas de velocidade nos ATR, que podem ser causadas pelo acúmulo de gelo.

Froés disse que os mecânicos tinham uma cultura de trocar peças em pane entre aeronaves, mesmo sabendo dos defeitos dos componentes. Ele também explicou que, por diversas vezes, os aviões eram liberados para voar mesmo com algum defeito, desde que as manutenções fossem feitas em um período determinado, mas que elas não ocorriam.

O SIPAER (Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) identificou diversas falhas sobre a manutenção, controle das aeronaves e o aviso sobre as panes da Voepass.

Simulação do voo

A investigação simulou as condições do voo em um simulador. Os resultados foram similares aos do acidente. Um voo também foi realizado com um ATR em Toulouse, na França, para testar a perda de velocidade do avião e se os avisos estavam claros aos pilotos.

A aeronave tinha condições de realizar voos em condições de gelo, mas não de gelo severo. Porém, conseguiria abandonar a condição, se necessário.

Segundo o tenente, o avião não poderia ter decolado quando foi autorizado, pois estava com o limpador da janela do cockpit quebrado e não poderia voar nas condições meteorológicas do dia do acidente, que teve chuva.

O copiloto teria se esquecido de ligar os sistemas de degelo da aeronave, segundo a gravação da cabine de voo, disse o Cenipa. Então o piloto ligou os sistemas, mas esqueceu de um deles. Mais tarde, no voo, o sistema foi ligado.

Segundo o relatório, os pilotos teriam ignorado os diversos alertas de perda de performance da aeronave por sobrecarga de estímulos na cabine e desatenção.

Relatório já tinha sido noticiado

No dia 7 de julho, a Folha de S. Paulo teve acesso e divulgou o relatório. Segundo o documento, o acidente foi resultado de uma sequência de fatores operacionais e organizacionais. O Cenipa afirma que os pilotos permaneceram durante parte significativa do voo em conversas sem relação com a operação da aeronave, o que reduziu a atenção ao ambiente externoàs condições favoráveis à formação de gelo e aos alertas emitidos na cabine.

O documento também aponta que um dos pilotos enfrentava problemas pessoais que, segundo a investigação, influenciaram seu estado emocional e desviaram sua atenção durante o voo. O órgão afirma ainda que houve coordenação ineficiente entre os tripulantes durante a emergência e descumprimento de procedimentos operacionais.

Na avaliação do Cenipa, a cultura de segurança da Voepass apresentava fragilidades que influenciaram o comportamento da tripulação. O relatório afirma que desvios operacionais haviam se tornado normalizados dentro da empresa e que alertas recorrentes da aeronave eram tratados de forma inadequada, reduzindo a percepção dos riscos.

Falhas no sistema de degelo

A investigação também concluiu que pilotos e equipes técnicas já conheciam falhas no sistema de degelo do avião antes do voo. Mesmo com a previsão de condições favoráveis à formação de gelo severo na rota, a operação foi mantida sem medidas adicionais para reduzir os riscos.

Ainda de acordo com o documento, registros de falhas apresentados em voos anteriores não constavam nos diários de bordo. Com isso, setores responsáveis pela manutenção e pela operação deixaram de adotar medidas como substituição da aeronavereplanejamento da rota ou manutenção corretiva do sistema de degelo.

O Cenipa afirma que, durante a emergência, os pilotos não reconheceram a gravidade da situação a temponão solicitaram descida imediata e também não declararam emergência, apesar dos alertas emitidos na cabine pouco antes da perda de controle da aeronave.

A investigação cita ainda características do sistema de alertas do ATR 72-500. Segundo o relatório, o aviso relacionado à degradação das condições de voo ofereceu pouco tempo para reação da tripulação. O órgão avalia que, caso esse alerta tivesse um nível mais elevado de prioridade, os pilotos poderiam ter identificado mais rapidamente a gravidade da situação e adotado medidas para reduzir o risco de perda de controle provocada pelo acúmulo de gelo.

O relatório também faz apontamentos sobre a atuação da Anac. Segundo o Cenipa, a agência havia realizado auditorias e inspeções na Voepass antes do acidente e identificado diversas não conformidades relacionadas à manutenção das aeronaves, além de práticas recorrentes de comunicação informal ou ausência de registro de falhas. Ainda assim, o documento relata que essas informações não resultaram em decisões capazes de amenizar os riscos operacionais identificados.

Como parte do procedimento internacional previsto para investigações desse tipo, o relatório foi encaminhado às autoridades da França, onde está sediada a fabricante ATR, e do Canadá, país de origem dos motores da aeronave.



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Carne bovina brasileira fica fora de sobretaxa de 12,5% dos EUA

A carne bovina brasileira, além de couros, peles e outros subprodutos de origem animal, ficou fora da sobretaxa de 12,5% aplicada pelos Estados Unidos no âmbito das medidas relacionadas às investigações da Seção 301 sobre trabalho forçado.

A exclusão foi confirmada após o USTR (Representante de Comércio dos Estados Unidos) publicar os anexos com os produtos que não serão atingidos pela nova cobrança. Embora o Brasil estivesse incluído entre os países sujeitos à tarifa adicional, os principais produtos da cadeia pecuária nacional foram preservados.

Com a decisão, a carne bovina brasileira continuará seguindo o regime comercial já existente com os Estados Unidos, incluindo o sistema de cotas tarifárias. Fora do limite estabelecido, as exportações seguem sujeitas às tarifas previstas atualmente.

Além da carne, os couros bovinos, peles e outros couros de origem animal também foram retirados da lista de produtos tarifados. A medida atende a demandas de setores americanos, como as indústrias automotiva e de calçados, que utilizam o couro brasileiro como matéria-prima.

Também ficaram isentos insumos e subprodutos de origem animal destinados à fabricação de rações para bovinos, aves, animais de estimação e aquicultura.

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Ajuste fiscal será “no amor ou na porrada”, diz Walter Maciel


A escalada dos gastos do governo federal deverá passar por uma revisão “no amor ou na porrada”, na avaliação de Walter Maciel, CEO da AZ Quest. A análise foi feita durante um painel sobre o futuro dos mercados, na Expert XP 2026, nesta quinta-feira (23).

Além do debate sobre o desequilíbrio das contas públicas, Maciel, Daniel Dupont, gestor da Kapitalo, e Bruno Marques, gestor de fundos multimercado da XP Asset Management, também analisaram como o cenário internacional, marcado por gastos fiscais elevados nos Estados Unidos e pela desaceleração da China, impõe desafios às taxas de juros e ao controle da inflação. A mediação foi de Felipe Manfredini, responsável por parcerias com fundos de investimento na XP.

O Brasil tem solução?

Manfredini chamou a atenção para os dados econômicos locais, que mostram o Produto Interno Bruto (PIB) em crescimento e a balança comercial positiva, mas também um alto nível de endividamento e uma inadimplência preocupante.

Para Marques, isso mostra que o crescimento do país ocorre “não porque as coisas estão boas”, mas porque foram adotadas medidas para sustentar a economia que cobrarão um preço alto. Ele destaca que a relação entre a dívida e o PIB subiu quase 10% nos últimos três anos e que o governo anunciou R$ 200 bilhões em pacotes de medidas fiscais e parafiscais para sustentar o consumo — o que ajuda a explicar o crescimento, a inflação elevada e os juros restritivos.

“Seria necessário um ajuste de 3,5% a 4,5% para a dívida se estabilizar”, avalia.

Para Maciel, a saída seria fazer o ajuste das contas. “Solução tem, e a solução é fácil. O que não é fácil é botar a pessoa lá para fazer as coisas que têm que ser feitas”, afirma.

Ele destacou que o país tem a maior carga tributária da história, o maior endividamento das famílias, que chega a 38% da renda, e vem quebrando recordes no número de recuperações judiciais.

“Basicamente, a solução do Brasil passa por um ajuste de 4% do PIB. Se você pensar que hoje nós temos renúncias fiscais que chegam a 7% do PIB, não são medidas tão difíceis de fazer. Se for eleito um candidato que faça o fiscal, vai ter um efeito muito parecido com o Plano Real. Em um ano, vai colher resultados, porque você pode ter juros neutros de 4% a 4,5%. Você teria um real valorizado e os investimentos vindo”, afirma.

“Então, ou você vai ter um ajuste fiscal no amor ou vai ter um ajuste fiscal na porrada”, diz Maciel.

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Ele citou que os gastos do governo Lula, no primeiro mandato, ficaram em torno de 7% do PIB. No governo seguinte, passaram a 10% e, nesta terceira gestão, já se aproximam novamente desse patamar. “No próximo [governo], ele vai gastar quanto?”, questiona.

Maciel avalia que, caso os gastos continuem se elevando, há o risco de o país passar por uma crise — e cita até a possibilidade de impeachment. “O que eu acho quase impossível é passar mais quatro anos expandindo o gasto público sem ter uma crise que leve a um impeachment ou algo assim”, diz.

Cenário internacional mais adverso

A crise fiscal brasileira deve se somar a um cenário internacional mais adverso do que em anos anteriores.

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Marques apontou que, desde a pandemia, os países desenvolvidos vêm se assemelhando aos emergentes porque mantiveram fortes estímulos fiscais, o que elevou o endividamento e o consumo. Além disso, os investimentos massivos em inteligência artificial (IA) mudaram o perfil das empresas de tecnologia, que passaram de grandes poupadoras a grandes tomadoras de capital.

“As empresas de tecnologia tinham um lucro brutal e esse lucro voltava para a economia. Hoje, com esse investimento em data centers, você [empresa de tecnologia] passa a ser o maior tomador de poupança do mundo. Então, não só os governos estão precisando tomar muita dívida para se financiar, como agora as empresas também estão fazendo isso”, diz.

Marques afirma que as pressões inflacionárias internacionais vão atingir mais os países com política fiscal mais vulnerável. “A gente vê as curvas de juros no mundo inteiro para cima, e isso vai acabar prejudicando e atrapalhando ainda mais países que estão fiscalmente piores”, afirma.

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Nesse cenário, a gestora está tomada em juros, principalmente nos Estados Unidos e no México, e comprada em dólar contra moedas de países que devem sofrer mais nesse ambiente — como o euro e o real, por exemplo.

Desaceleração da China

Ainda no contexto internacional, Maciel destaca a desaceleração da China, que deve entrar no radar do mercado devido aos impactos econômicos e geopolíticos.

Ele aponta que o endividamento chinês atinge 350% do PIB e que o crescimento real é estimado em apenas 2% a 2,5%, em contraste com os 5% oficiais. Para Maciel, há sinais críticos de enfraquecimento da economia chinesa, como os 30 meses consecutivos de deflação industrial, a queda acentuada no consumo de veículos e a questão demográfica ligada ao envelhecimento da população. Soma-se a isso a falta de cobertura social, o que leva a população a poupar até 65% da renda.

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Na visão de Maciel, esse cenário de fragilidade interna é agravado pela pressão geopolítica dos Estados Unidos, que estão “apertando o garrote” por meio de tarifas e restrições, o que deve culminar em uma crise financeira e fiscal.



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Bebê morre após prender a cabeça em grade de creche no centro de SP


Um bebê de 1 ano e 4 meses morreu na quarta-feira (22) após sofrer um acidente no Centro de Educação Infantil (CEI) Luz do Brás, na região central de São Paulo. A vítima foi identificada como Abdoulaye Dieng. O caso é investigado pela Polícia Civil como homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Segundo as investigações preliminares do 8º Distrito Policial (Brás), o acidente ocorreu durante uma atividade recreativa em uma sala multiuso da unidade. De acordo com a apuração, o menino deitou-se no chão e colocou a cabeça no espaço entre a parede e a barra metálica que serve de estrutura de proteção de um espelho.

Imagens das câmeras de segurança registraram que a criança tentou se soltar sozinha por aproximadamente seis minutos, até que funcionárias da creche perceberam a situação e a retiraram do local.

Após ser retirada da estrutura, Abdoulaye foi carregado no colo por colaboradoras da unidade em busca de atendimento médico. No trajeto, as funcionárias encontraram uma equipe da Polícia Militar que realizava patrulhamento preventivo na região e pediram auxílio. O bebê foi encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Mooca, na zona leste, mas chegou ao local sem sinais vitais.

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Brasil assina protocolo com China para exportar cálculo biliar bovino

O Brasil e a China assinaram nesta quinta-feira (23) um protocolo sanitário que estabelece os requisitos para a exportação brasileira de cálculo biliar bovino ao mercado chinês. O acordo define as regras de inspeção, certificação e controle das remessas do produto, utilizado pela indústria de Medicina Tradicional Chinesa.

O acordo estabelece os requisitos de quarentena e sanidade para o envio do produto, além de definir as responsabilidades das autoridades dos dois países na inspeção, certificação sanitária e fiscalização das cargas exportadas.

O cálculo biliar bovino, conhecido na China como niúhuáng, é um insumo natural encontrado na vesícula ou nos ductos biliares de cerca de 1% a 2% dos bovinos. Considerado um dos produtos mais valorizados da Medicina Tradicional Chinesa, o material é utilizado há mais de dois mil anos na fabricação de medicamentos destinados principalmente ao tratamento de emergências médicas, doenças neurológicas e processos inflamatórios.

Segundo a Farmacopeia Chinesa, o cálculo biliar bovino integra aproximadamente 650 fórmulas medicinais reconhecidas oficialmente. A procura pelo produto permanece elevada devido à dificuldade de substituição do insumo natural por alternativas sintéticas.

O Brasil é considerado o maior produtor mundial de cálculo biliar bovino e responde por cerca de 40% da oferta global. A posição é favorecida pelo tamanho do rebanho comercial brasileiro, o maior do mundo, e pelo grande volume de abates realizados sob inspeção oficial.

Com o novo protocolo, frigoríficos e estabelecimentos brasileiros habilitados poderão acessar um mercado de alto valor agregado, desde que cumpram as exigências sanitárias estabelecidas no acordo bilateral.

Para a China, a abertura representa uma alternativa para ampliar o fornecimento de um insumo estratégico para a indústria farmacêutica tradicional. A produção doméstica chinesa é limitada e não atende totalmente à demanda interna.

De acordo com estudo AgroInsight, elaborado pela Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, a China produz atualmente entre 600 e 700 quilos por ano de cálculo biliar bovino natural, com potencial máximo estimado em cerca de 900 quilos anuais. A demanda interna, porém, varia entre 5 e 6 toneladas por ano, gerando um déficit estrutural de oferta.

A escassez do produto também se reflete nos preços internacionais. Em julho de 2024, o cálculo biliar bovino chegou a ser negociado por aproximadamente US$ 241,6 mil por quilograma. Após a entrada da Argentina no mercado chinês, os valores recuaram e passaram a variar entre US$ 73 mil e US$ 76 mil por quilograma em abril de 2026.

Antes do Brasil, apenas Argentina e Uruguai haviam obtido autorização para exportar o produto à China dentro do regime piloto criado pelo governo chinês. A Argentina foi habilitada em abril de 2025, enquanto o Uruguai recebeu autorização em março de 2026.

A assinatura do protocolo amplia a pauta de produtos agropecuários brasileiros destinados ao mercado chinês e cria uma nova oportunidade de receita para a cadeia da pecuária nacional, especialmente para estabelecimentos que já possuem estrutura de coleta, processamento e certificação do subproduto bovino.

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Num horizonte de 5 anos, contamos com inflação mais alta que 2% nos EUA


A pressão das tarifas impostas pela administração de Donald Trump nos preços internos tem durado mais que o esperado e isso se soma às disrupções causadas pela guerra no Oriente Médio e aos efeitos dos grandes investimentos em data centers para deixar o quadro da inflação nos Estados Unidos mais desafiador. O diagnóstico foi feito nesta quinta-feira (23) por Janet Yellen, ex-presidente do Fed e ex-secretária do Tesouro dos EUA, durante painel na Expert XP 2026.

“Num horizonte de cinco anos, estamos contando com inflação mais alta que 2% [a meta buscada pelo Fed]”.

A ex-secretária do Tesouro disse que, no momento, o Fed “on hold”, mas que “estão prontos para elevar as taxas”, se a nova escalada da guerra contra o Irã persistir.

Leia também: Risco de dominância fiscal nos EUA está crescendo, diz Janet Yellen

“Não vejo pressão inflacionária do mercado de trabalho, na forma de salários. Mas pode haver outros efeitos colaterais. Se fosse membro do Fed, adoraria ponderar sobre esses choques de abastecimento e esperar um arrefecimento.  Eu ficaria preocupada com o risco da inflação, olharia com muito cuidado”.

Yellen foi entrevistada no painel “Perspectiva Econômicas dos EUA e Globais: Desafios de Curto Prazo e Tendências de Longo Prazo” pelo economista-chefe da XP, Caio Megale, numa disputada Expert Session no maior evento de investimentos do mundo.

Ela traçou paralelos e diferenças entre o atual momento e o de 2024, quando assumiu a principal cadeira do Federal Reserve logo após a grande crise financeira global. “A crise financeira teve efeito devastador sobre a economia, a inflação cresceu e o subiu para quase dois dígitos. Reduzimos os Fed Funds para zero. Mais a economia não se recuperou tão rápido,

Ele também lembrou que, à medida que os anos passavam, com o desemprego ainda alto, os diretores do Fed se depararam um com segundo elemento sensível: o nível da taxa de juros neutra.

Depois, veio a pandemia, que mudou tudo mais uma vez, trazendo como desafios os choques de abastecimento e as mudanças nos padrões de gastos, com os consumidores passando a gastar mais com bens do que com serviços.



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Quem era Caíque Verli, repórter da Globo encontrado morto em casa


Caíque Verli, o jornalista de 33 anos encontrado morto nesta quinta-feira (23), trabalhava na TV Gazeta, afiliada da TV Globo no Espírito Santo. Ao todo, ele trabalhou 9 anos na Rede Gazeta, que tem a rádio CBN, o g1 ES e outros veículos como parte do grupo.

Ele era natural de Carangola, região da Zona da Mata de Minas Gerais e se formou em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) em 2015.

Caíque integrou a 17ª turma do Curso de Residência da Rede Gazeta (programa de imersão profissional de três meses realizado no Espírito Santo) e atuava na redação multimídia do grupo desde 2017. Como repórter da TV Gazeta, destacou-se principalmente na cobertura de segurança pública.

Em um post recente em suas redes sociais, ele agradeceu aos 9 anos dentro do grupo. “Minha trajetória profissional começou aqui: nos jornais impressos, no site, na rádio CBN de Vitória e agora na TV. Vida longa à Rede Gazeta, que completa 95 anos e é uma escola de jornalismo”, escreveu Caíque.

Nas redes sociais, ele compartilhava vários momentos do seu dia a dia, principalmente reportagens no trabalho e shows que em que ia. Em um de seus posts sobre música, ele escreveu: “Como diz o Falamansa, ‘eu quero viver mais uns 100 anos’, e, de preferência, com muita festa junina, forró e sertanejo”.

Morte de Caíque

jornalista foi encontrado morto na manhã desta quinta-feira (23) no apartamento onde morava, em Vitória. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada por amigos que o encontraram no local, e a Polícia Científica constatou a morte. As causas são investigadas pela Polícia Civil.

Em nota, a Rede Gazeta informou que a família do jornalista foi comunicada e recebe acompanhamento da empresa em Minas Gerais, onde reside. A emissora também manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de profissão.

“Caique deixa um legado de dedicação e comprometimento com o jornalismo, e será lembrado com carinho e admiração por todos que tiveram o privilégio de conviver e trabalhar ao seu lado”Rede GazetaRede Gazeta

O editor-chefe da TV Gazeta e do g1 Espírito Santo, Bruno Dalvi, destacou o comprometimento de Caíque com o trabalho e a atuação na cobertura jornalística. Segundo ele, o repórter era reconhecido pela responsabilidade, pelo cuidado com as informações e pelas fontes que cultivava, especialmente na área de segurança pública.

“Hoje é um dia difícil para nós, da redação, mas vamos honrar a memória dele da forma que ele mais acreditava: fazendo jornalismo! Caique era repórter, e um repórter tem a nobre missão de informar. É isso que faremos, ainda que com o coração partido, com o mesmo compromisso que ele sempre teve”, disse.

A editora e apresentadora do telejornal Gazeta Meio Dia, Rafaela Marquezini, também prestou homenagem ao jornalista. Ela afirmou que Caíque tinha sensibilidade na produção das reportagens, tratava as fontes com respeito e era apaixonado pela profissão.

“Ele tinha muito cuidado com as fontes e respeito pela dor do outro. Tinha um faro apurado pelas notícias, era apaixonado por jornalismo. Vai fazer muita falta nas telas e na nossa redação”Rafaela Marquezini



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Brasil e Chile avançam em negociação para certificado eletrônico no agro

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e  o embaixador do Chile no Brasil, Issa Kort, participaram de uma reunião bi-lateral nesta quinta-feira (23) para tratar de avanços no comércio agropecuário entre os dois países. 

No encontro, as autoridades discutiram sobre cooperação fitossanitária, integração logística, acesso a mercados e intercâmbio tecnológico. 

Um dos principais assuntos da reunião foi a implementação da certificação eletrônica para exportações de produtos de origem animal, especialmente carne e derivados, e vinho. O Brasil é o principal destino dos embarques da bebida chilena e, na avaliação do Ministério, a adoção dessa medida reduz as burocracias no processo. 

“A adoção da certificação eletrônica permitirá que os documentos passem a ser emitidos e validados eletronicamente pelas autoridades competentes dos dois países”, destacou a pasta em nota.    

As iniciativas de certificação eletrônica integram um acordo firmado entre os ministérios dos dois países que estabelece bases para intercâmbio digital de certificados, conforme padrões internacionais. 

Cooperação sanitária

Um dos pedidos do Brasil no encontro foi o reconhecimento, por parte do Chile, do Acre e de Rondônia como estados livres de febre aftosa sem vacinação. Em 2026, países como China e Rússia já concederam a todo o território brasileiro esse status. 

As autoridades trataram também sobre avanços nos mecanismos de  regionalização sanitária para influenza aviária de alta patogenicidade e doença de Newcastle, conforme normas da OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal).

“O instrumento prevê que eventuais restrições comerciais sejam aplicadas às áreas afetadas pela ocorrência das enfermidades, preservando o comércio das regiões reconhecidas como livres”, destacou o ministério. 

Integração técnica e logística 

Os países avançaram na cooperação técnica voltada para genética animal e vegetal, com destaque para intecâio logísitco de amostras e tecnologias entre as instiuições de pesquisa dos dois países: Embrapa e INIA (Instituto de Investigações Agropecuárias), do Chile. 

No âmbito logístico, as autoridades abordaram também avanços na relação de comércio entre os países, com destaque para o corredor bioceânico rodoviário, que liga o Centro-Oeste brasileiro aos portos do norte do Chile passando por Paraguai e Argentina. 

O Brasil exporta para o Chile principalmente carnes, produtos florestais, complexo soja, insumos para alimentação animal e alimentos para animais. Já o Chile exporta ao Brasil, entre outros produtos, vinhos, pescados, frutas frescas e frutas desidratadas.  

Participaram também da reunião o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Augusto Billi, a chefe de Gabinete substituta da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI), Anderlise Borsoi, e o adido agrícola do Chile no Brasil, Ricardo Moyano.  

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