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Ocupante de helicóptero que caiu no interior de SP estava foragido, diz PM


Um dos ocupantes do helicóptero que caiu na noite de sábado (19) em uma área de mata em Iaras, no interior de São Paulo, era foragido da Justiça, segundo a Polícia Militar.

A corporação informou que o homem tem registros por tráfico de drogas e roubo, e que apresentou dados diferentes de sua identidade original aos policiais, com o objetivo de despistá-los. Além dele, o piloto que dirigia a aeronave também já havia sido preso por tráfico.

Segundo as informações divulgadas pela PM, as equipes foram acionadas por uma das vítimas do acidente. Eles foram encontrados na manhã deste domingo (20) em uma área de mata de difícil acesso.

Após consulta aos sistemas da corporação, entre eles o Muralha Paulista, os policiais encontraram inconsistências nas informações das vítimas e passou a tratar o caso como ocorrência sob ótica criminal.

A corporação informou que todas as informações foram encaminhadas à Polícia Civil para investigação.

Aeronave não tinha autorização para operar

A CNN Brasil consultou as informações da aeronave junto à ANAC e constou que a aeronave estava com o CA (Certificado de Aeronavegabilidade) vencido desde maio de 2019 e, portanto, não tinha autorização para operar

O helicóptero também não tinha autorização para operação comercial sob o RBAC nº 135, que regula serviços de táxi aéreo, nem sob o RBAC nº 121, voltado a operações regulares de transporte aéreo.

Segundo o CBAer (Código Brasileiro de Aeronáutica), os veículos aéreos só podem voar se tiverem o CA ativo. Pela quantidade de tempo em que estava vencido, o registro constava como inativo no RAB (Registro Aeronautico Brasileiro).

A ocorrência foi registrada por atentado contra a segurança de transporte aéreo, lesão corporal e captura de procurado. 



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PF prende grupo vinculado à máfia italiana e ao PCC que mandava cocaína para a Europa


A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (17) a Operação Eredità, para combater uma ‘estrutura criminosa transnacional’ baseada na ligação do PCC com mafiosos italianos para o envio de pelo menos 4,6 toneladas de cocaína da América do Sul para a Europa.

Agentes federais cumprem sete mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão, além de medidas patrimoniais de sequestro de imóveis, bloqueio de bens e valores em contas bancárias e de aplicações financeiras das pessoas físicas e jurídicas investigadas.

A Operação Eredità conta com o apoio da Equipe Conjunta de Investigação (ECI) firmada entre Brasil e Itália entre 2020 e 2025, integrada pela Polícia Federal e o Ministério Público Federal brasileiro e, do lado italiano, o Departamento Anticrime de Turim do Raggruppamento Operativo Speciale Carabinieri (ROS Carabinieri), além do Ministério Público de Turim.

Um dos alvos da operação é o advogado Patrick Raasch Cardoso. Segundo o juiz Alessandro Rafael Bertollo de Alexandre, da 14.ª Vara Federal de Curitiba, valendo-se de sua condição de advogado, Patrick Cardoso “levava instruções do cárcere aos operadores externos e a lideranças de facções criminosas como o PCC”. O Estadão busca contato com a defesa.

‘Crimes de elevada gravidade’

Segundo a PF, a operação tem origem no aprofundamento de fatos apurados nas operações Retis e Spiderweb, que revelaram a associação entre integrantes responsáveis por fornecimento de logística para exportação de cocaína. A ação também é um desdobramento das operações Samba e Mafiusi, deflagradas no Brasil e na Itália em 10 de dezembro de 2024.

Os investigadores identificaram o vínculo da estrutura criminosa em pelo menos onze apreensões realizadas entre 2019 e 2020, totalizando mais de 4,6 toneladas de cocaína, que tinham como destino diferentes países europeus. A PF descobriu uma estrutura financeira destinada a movimentar, ocultar e dissimular o dinheiro do tráfico internacional.

Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outros delitos identificados no decorrer das investigações.



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economia

Canadá ignora ameaças de Trump e celebra ‘nova aliança’ com a União Europeia


O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, ignorou as ameaças de Donald Trump e celebrou nesta quinta-feira, 17, a ideia de uma “nova aliança” de seu país com a União Europeia (UE), apresentada como uma garantia de “autonomia estratégica”.

“Os canadenses estão unidos na convicção de que ninguém vai nos dizer que idioma devemos falar, ninguém vai ditar a nossa cultura nem com quem podemos assinar acordos internacionais”, declarou Carney à imprensa no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.

Em um contexto de distanciamento em relação a Washington, aliado tradicional de Bruxelas e Ottawa, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs na quarta-feira ao Canadá que se torne o primeiro “membro associado” do bloco. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quarta-feira, 16, interromper o comércio com a União Europeia caso ela leve adiante a proposta.

“Acho isso ridículo”, disse Trump aos repórteres quando questionado sobre o plano divulgado pela presidente da UE, Ursula von der Leyen.

“Se eles fizerem isso, se eu considerar que se trata de um ato hostil, imporei tarifas muito pesadas ou interromperei o comércio com a Europa.”

Portas abertas

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A iniciativa apresentada por Von der Leyen coincidiu com a visita do primeiro-ministro canadense à sede do Parlamento Europeu em Estrasburgo, onde ele discursou nesta quinta-feira, 17.

“Nós compartilhamos valores comuns pelos quais sempre lutamos e cuja defesa exige que permaneçamos sempre vigilantes”, disse Carney.

“A Europa e o Canadá são mais fortes juntos”, acrescentou. A UE e o Canadá querem ser “um farol para as democracias, não dominar os outros”, destacou.

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Embora o status de membro associado não esteja definido juridicamente, a chefe do Executivo da UE propôs uma cooperação mais estreita em tecnologia, defesa e energia.

Ela também ofereceu ao Canadá a possibilidade de integrar um futuro “Conselho Europeu de Segurança”, que pretende criar em conjunto com o Reino Unido e a Noruega.

“Gostaria de trabalhar com você para abrir as portas para que o Canadá seja o primeiro membro associado da UE”, disse Ursula a Carney na quarta-feira, uma mensagem recebida com aplausos no Parlamento Europeu.

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“O Canadá recebe favoravelmente esta ambição. E posso dizer a vocês que as pesquisas mostram que a esmagadora maioria dos canadenses apoia vínculos muito mais estreitos com a Europa”, respondeu Carney, nesta quinta, também ovacionado pelos eurodeputados.

Membro associado

Os tratados da UE não contemplam a figura de “membro associado”, o que significa que é incerto o que a medida implicaria na prática.

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A Alemanha já havia oferecido o status à Ucrânia, que aspira à plena adesão, e sugeriu que assim poderia participar de reuniões e cúpulas europeias, embora sem direito a voto.

“Acho ridículo”, disparou Trump ao ser questionado sobre a proposta da UE. “Se eles fizerem isso, se eu considerar que se trata de um ato hostil, vou impor tarifas muito sérias ou interromper o comércio com a Europa”, advertiu.

E acrescentou: “Se o fizerem de boa-fé, tudo bem. Se o fizerem com má intenção, vamos impor tarifas muito fortes à Europa, o que é uma possibilidade”.

De acordo com as normas da UE, os 27 Estados-membros devem aprovar qualquer tipo de acordo de cooperação com um país terceiro. E o apoio à proposta não está claro.

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou que o país é favorável a “criar vínculos cada vez mais estreitos com o Canadá”, mas ressaltou que o projeto precisa ser “debatido, examinado e analisado”.

Bruxelas e Ottawa, ambas afetadas pelas tarifas e pelas ameaças territoriais dos Estados Unidos e pela concorrência da China, já mantêm um nível considerável de cooperação.

Graças ao acordo de livre comércio CETA, que eliminou quase todas as tarifas, o comércio de produtos e serviços entre as duas economias aumentou mais de 80% desde 2016.

Além disso, neste ano o Canadá se tornou o primeiro país não pertencente à UE a aderir a um emblemático programa de empréstimos para a defesa.



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Empresas afetadas por tarifaço dos EUA ou pela guerra já podem pedir empréstimo


Empresas afetadas pelo tarifaço americano e por impactos da guerra no Oriente Médio já podem se habilitar a empréstimos do Plano Brasil Soberano, que disponibiliza R$ 22,6 bilhões em crédito.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu nesta quinta-feira (17) o protocolo para empresários se habilitarem aos financiamentos.

Programa inclui também empresas de setores considerados indispensáveis, como fertilizantes e minerais críticos.

O pacote de crédito é formado por R$ 13,5 bilhões em recursos do Tesouro Nacional e R$ 9,1 bilhões do BNDES, banco estatal ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Terceira fase

Essa é a terceira fase do programa, iniciado em meados de 2025. O programa surgiu como apoio do governo brasileiro após os Estados Unidos terem sobretaxado exportadores brasileiros.

A segunda versão foi lançada em março de 2026, incluindo negócios afetados pela guerra no Oriente Médio.

Na terceira fase, três grupos de empresas têm direito ao crédito, conforme portaria do governo:

  • Grupo 1: exportadoras de bens (e fornecedores) afetadas pelo tarifaço dos EUA
  • Grupo 2: setores industriais relevantes para o comércio exterior ou identificados como estratégicos para a transição para uma economia de baixo carbono.
  • Grupo 3: exportadoras de bens (e seus fornecedores) para países do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Omã)

Integram o grupo 2 empresas de ramos como o têxtil, químico, farmacêutico, automotivo, minerais críticos e de máquinas e equipamentos.

Condições

Para o grupo de afetados pelo tarifaço ou conflito no Oriente Médio, é preciso cumprir condicionantes, como pelo menos 1% do faturamento vindo do comércio com os países envolvidos.

Empresários podem verificar a elegibilidade da empresa por meio do site do programa.

Os financiamentos são direcionados para capital de giro, aquisição de máquinas e equipamentos, e projetos de investimentos.

Os juros cobrados variam de 4,3% a 17,5% ao ano. As condições dependem de fatores como porte da empresa e destinação dos recursos.

Os detalhes e a forma de habilitação para o crédito podem ser consultados no site do BNDES.



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economia

impacto do reajuste será de R$ 5,8 bi em 2026 e R$ 22,7 bi em 27 e 28


O Ministério da Fazenda, em nota divulgada nesta quinta-feira, 17, estimou que o impacto do reajuste do Bolsa Família nas contas públicas será de R$ 22,7 bilhões por ano para 2027 e 2028.

O reajuste entra em vigor já em outubro e a projeção do impacto para 2026 é de R$ 5,8 bilhões.

Leia também: Lula reajusta Bolsa Família a 17 dias de eleição; Bolsonaro fez movimento similar em 2022

O reajuste foi anunciado na manhã desta quinta-feira e já foi publicado no Diário Oficial da União.

O Ministério da Fazenda defendeu que o ajuste fiscal em curso dá espaço para a recomposição da inflação no valor do benefício e afirmou ainda que não haverá impacto no cumprimento das metas de resultado primário.

Os valores reajustados de cada benefício dentro do programa ficaram assim:

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  • Benefício de Renda de Cidadania de R$ 164,00 por integrante;
  • Benefício Complementar de até R$ 691,00 para famílias cuja renda total não atinja esse patamar;
  • Benefício Primeira Infância de R$ 173,00 por criança com até sete anos incompletos;
  • Benefício Variável Familiar de R$ 58,00 por integrante que se enquadre nas situações especificadas no regulamento.

Mais cedo, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que o valor médio do benefício saiu de R$ 675 para R$ 777 com o aumento de 15% anunciado a 17 dias do primeiro turno das eleições.



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Estudante de nutrição é morta com 46 facadas dentro de academia no Paraná


A jovem Thaissa de Oliveira Marques, de 21 anos, foi morta na tarde de sexta-feira (11) com 46 facadas após mostrar a academia onde trabalhava, em Londrina (PR), a Gabriel de Andrade, de 21 anos, apontado como principal suspeito do crime. “Chegou até a entortar a ponta da lâmina”, afirma o advogado da família da vítima, Mauro Martins.

Thaissa cursava Nutrição no Centro Universitário Filadélfia (UniFil), em Londrina, e estava se preparando para o vestibular de Direito. De acordo com a Polícia Civil, o acusado admitiu a tentativa de estupro e disse que, por não conseguir consumar o ato, matou a vítima. O caso é investigado como feminicídio e a polícia aguarda a conclusão dos exames periciais.

De acordo com o advogado da família da vítima, na sexta-feira, Thaissa entregava panfletos em frente a uma academia que seria inaugurada em breve quando levou Gabriel para conhecer o espaço. Ao entrarem no vestiário, onde não havia câmeras, ele teria tentado amarrar a vítima com uma corda de ginástica com a intenção de estuprá-la.

Ainda conforme relato do advogado, diante da recusa da jovem, na tentativa de impedir que ela gritasse ou pedisse ajuda, Gabriel desferiu 46 golpes de faca. A vítima também sofreu três escoriações adicionais.

“Ele só parou de esfaquear quando ela não reagia mais, não respirava, não se mexia”, disse Mauro Martins.

Após o crime, Gabriel teria escondido a faca no forro de gesso do imóvel e fechado a porta da garagem, que ficava aberta, no andar de baixo, enquanto a academia deveria funcionar no piso superior. Em seguida, o suspeito teria ido até a rua de trás e fingido ter sido vítima de uma tentativa de assalto, pedindo ajuda à polícia. O plano, porém, não teria dado certo e Gabriel foi preso em flagrante.

Prisão em flagrante

No sábado, 12 de setembro, a prisão em flagrante foi convertida em preventiva após audiência de custódia, informou o Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR).

Em nota, o advogado Antônio Magalhães, que representa a defesa de Gabriel, manifestou respeito a família da vítima e afirmou que o acusado tem diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), e alegou que a condição deve ser considerada pelas autoridades. Segundo ele, Gabriel colaborou com as investigações e prestou esclarecimentos sobre o ocorrido.

Também em nota, a ONG Autimizar, de Londrina, afirmou que considera necessário esclarecer que eventual diagnóstico de TEA não deve ser associado, de forma generalizada, à violência ou à criminalidade.

‘Pior que ele já veio aqui cedo’, disse Thaissa em áudio.

Em um áudio enviado a um amigo na terça-feira (8) ao qual o Estadão teve acesso, Thaissa relata visitas constantes de um “menino” ao local onde trabalhava.

“Entrei já pensando, tem câmera né? Qualquer coisa, espero que o meu gerente esteja olhando. Fomos chegando perto do banheiro, eu falei: ‘mas você não tem interesse em ver não né?”, disse Thaissa no áudio, preocupada porque o lugar não tem câmera. Gabriel, porém, respondeu a vítima que gostaria de ver o vestiário.

“Pior que ele já veio aqui cedo. Ele tinha falado com a menina da manhã que queria conversar com o gerente”, disse a vítima, acrescentando que a entrevista do “menino” havia sido cancelada.

No mesmo dia, Thaissa afirma que o homem já tinha ido até a academia cinco vezes.

Lado da Polícia Civil

A Polícia Civil respondeu que as gravações constam nos autos do inquérito e que “os elementos obtidos até o momento permitem identificar a pessoa referida neles como sendo o mesmo indivíduo que foi preso pelo feminicídio”, disse.

Para Mauro Martins, Gabriel deve responder por feminicídio, tentativa de estupro, motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele também cita a tentativa de ocultação do cadáver, já que o suspeito teria fechado a porta da garagem da academia.

Em nota, o Laboratório de Estudos de Feminicídios (LESFEM) da Universidade de Londrina (UEL), que produz e analisa dados sobre crimes de feminicídio consumados, manifestou profundo pesar pela morte da estudante.

“Thaissa tinha nome, história, vínculos e projetos de vida. Cursava Nutrição, construía uma trajetória acadêmica, tinha uma rede de afeto que hoje enfrenta essa perda irreparável”, afirmou o laboratório.

A instituição também prestou solidariedade aos familiares, amigos, amigas, colegas de curso e a toda a comunidade acadêmica da UniFil.

Segundo o LESFEM, “a violência que tirou a vida de Thaissa não é um caso isolado, mas parte de uma estrutura que o LESFEM monitora e denuncia”. A entidade, que afirmou ainda que a morte reforça o compromisso do trabalho do laboratório em memória das mulheres vítimas e com o enfrentamento do feminicídio.

“Que sua história não seja apagada. Que sua ausência seja sentida por quem a amava – e nunca esquecida”, disse.



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economia

Contas da IFI divergem do governo e preveem déficit primário de R$ 86,1 bi em 2027


O governo envio ao Congresso no final de agosto o PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2027, que é a proposta de planejamento orçamentário para o ano seguinte, mas relatório da Instituição Fiscal Independente (IFI) alerta que o cumprimento formal da meta fiscal, embora permaneça possível no próximo ano, depende de premissas “otimistas” apresentadas pelo governo federal.

O 116º Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF), referente a setembro, comenta que a política fiscal tem ocupado espaço importante no presente debate da sucessão presidencial. E que há consciência crescente na sociedade sobre a rigidez orçamentária, o baixo espaço para investimentos essenciais, os efeitos deletérios do desequilíbrio fiscal, suas implicações na carga tributária e na taxa de juros.

Por conta disso, dentro de suas atribuições legais, a IFI decidiu apresentar projeções alternativas, explicitando suas premissas e parâmetros usados.

As divergências com os números apresentados no PLOA 2027 já se manifestam em relação à própria projeção do resultado primário efetivo a ser alcançado no próximo ano. A proposta de orçamento prevê um superávit primário de R$ 18,6 bilhões, a Instituição estima um déficit primário de R$ 86,1 bilhões — uma diferença expressiva de R$ 104,8 bilhões.

Leia também: PLOA 2027: R$ 9,1 bi estão reservados para reajuste a servidores

A divergência, segundo o órgão de acompanhamento fiscal, está nos parâmetros macroeconômicos utilizados. O PLOA 2027 está ancorado numa projeção de expansão do PIB de 2,5%, enquanto a IFI projeta um crescimento de 1,8% e o Boletim Focus, de 1,5%.

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“Isso tem profundas implicações no dimensionamento das receitas públicas: mais ou menos crescimento econômico, mais ou menos recursos disponíveis para financiar a máquina e as políticas públicas”, diz o relatório.

IPCA, massa salaria e despesas

Outra variável importante na construção da estrutura do orçamento é a inflação. Enquanto o governo estima um IPCA de 3,6% no próximo ano em sua proposta orçamentária, a IFI projeta 4,0% e o Boletim Focus, 4,3%.

Também na projeção da massa salarial, um vetor importante no cálculo da receita previdenciária, o governo usou como parâmetro um incremento de 10,1%, enquanto a IFI trabalha com uma expansão de 7,3%.

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“Na projeção de despesas há discrepâncias nas estimativas dos gastos previdenciários, nas despesas com o BPC, abono salarial, seguro-desemprego e sentenças judiciais. A IFI acredita que os números da proposta orçamentária estão relativamente otimistas. De sua parte, o governo confia em sua estratégia de revisão de gastos (spending reviews)”, diz a IFI.

Na visão da Instituição, essas discrepâncias afetam a própria perspectiva de cumprimento das metas previstas no arcabouço fiscal.

A IFI identifica que, mesmo após as exclusões legais de despesas na apuração do resultado primário, haverá superávit primário inferior a R$ 1 bilhão (R$ 900 milhões), insuficiente para o cumprimento da meta fiscal, ainda que no limite inferior do intervalo de tolerância de 0,25 p.p. do PIB.

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“Nessa situação, a IFI aponta a necessidade de contingenciamento de R$ 35,7 bilhões para o cumprimento da meta no próximo ano. Isso, sem levar em conta a nova despesa com o aporte de R$ 33,8 bilhões ao Fundo de Compensação aos Estados pela substituição do IPI pelo Imposto Seletivo, previsto na reforma tributária”, lembra a IFI, que lembra que, embora esta despesa não seja computada no teto de gastos, afeta o cumprimento da meta de resultado primário.

Leia também: Bolsa Família, R$ 44 bi de emendas e socorro a estatais: entenda o Orçamento de 2027

Uma incerteza adicional citada é a receita de R$ 42 bilhões, constante do PLOA 2027 como fonte condicionada, relativa ao Imposto Seletivo, a ser criado por lei ordinária específica, cujo projeto sequer foi enviado ao Congresso Nacional.

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Por outro lado, em relação às receitas derivadas da exploração de recursos naturais e dos dividendos repassados ao Tesouro Nacional pelas empresas estatais, os números da IFI são mais otimistas que os presentes no PLOA 2027, em função do preço médio do barril de petróleo considerado.

Já em relação às transferências constitucionais por repartição a estados e municípios, há outra forte divergência. O governo estima no PLOA que as transferências cairão, dos atuais 4,7% do PIB, segundo a avaliação de receitas e despesas do 3º bimestre de 2026, para 4,1% do PIB. No PLDO 2027, apresentado em abril passado, a projeção do governo era de um montante de transferências equivalente a 4,4% do PIB no próximo ano.

Em sua conclusão, a IFI considera possível o cumprimento da meta fiscal em 2027, desde que as atuais premissas macroeconômicas se confirmem e que a calibragem orçamentária seja feita por meio dos contingenciamentos que se fizerem necessários. “Ainda assim, a realidade estará muito distante do resultado fiscal para estabilizar a relação entre dívida pública e o PIB.”

A IFI pondera que as divergências entre suas estimativas e as do Poder Executivo para 2027 não decorrem de erro técnico de qualquer das partes, mas de escolhas metodológicas e de premissas legítimas, ainda que com graus distintos de conservadorismo.

“A magnitude dessas divergências –equivalente a mais de uma vez e meia o próprio centro da meta fiscal — contudo, reforça a importância do acompanhamento contínuo da execução orçamentária ao longo de 2027, especialmente no primeiro ano do próximo mandato presidencial, quando a credibilidade das premissas hoje adotadas será posta à prova.”



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Fiscal que liberou obra de prédio que desabou em SP é investigada por enriquecimento ilícito


A Prefeitura de São Paulo abriu inquérito administrativo para apurar possível enriquecimento ilícito e inconsistências patrimoniais da arquiteta e fiscal municipal Viviane Rodrigues de Palma. A servidora foi responsável pelo laudo em 2024 que garantiu a continuidade das obras no prédio em construção que desabou sobre uma casa e matou seis pessoas na Penha, na zona leste da capital, no sábado, 12. O Estadão não localizou a defesa de Viviane.

De acordo com a Prefeitura de São Paulo, a Controladoria Geral do Município (CGM) instaurou um inquérito administrativo, em 2020, para apurar “eventual incompatibilidade patrimonial da servidora Viviane Rodrigues de Palma, após sindicância patrimonial anterior”.

A servidora da Prefeitura de São Paulo é investigada pela Polícia Civil. Segundo a delegada Deidiene Fialho, do 24.° DP, a servidora disse à polícia que esteve no local da obra apenas para averiguar se a estrutura anterior havia sido demolida — uma condição para a liberação do alvará de construção —, e não para fazer uma inspeção sobre a estrutura do prédio.

A Controladoria Geral entendeu haver “elementos de convicção” para abrir o inquérito administrativo para apurar eventual enriquecimento ilícito de Viviane. A decisão para a abertura do inquérito foi tomada pelo controlador-geral do município à época, Daniel Falcão, em maio de 2025.

“Diante dos elementos de convicção constantes do presente, em especial o Relatório final da 1ª Comissão Processante Permanente, que acolho e adoto como razão de decidir, determino a instauração de inquérito administrativo em face de Viviane Rodrigues de Palma”, diz a decisão publicada no Diário Oficial do Município.

Entenda o caso

O desabamento do prédio aconteceu na madrugada do último sábado (12), na Rua Tequici, na Penha, zona leste de São Paulo. A queda da edificação atingiu uma casa ao lado, que também colapsou.

Seis pessoas que estavam nesta residência morreram — incluindo uma mulher grávida. As outras duas pessoas, entre elas um bebê, foram resgatadas com vida e encaminhadas ao hospital municipal do Tatuapé.

A Prefeitura de São Paulo abriu apuração na Controladoria-Geral do Município (CGM) de São Paulo para investigar os procedimentos de fiscalização. Na segunda-feira (14), o órgão determinou o embargo de todas as obras em andamento na cidade das construtoras envolvidas no desabamento.

A construção do edifício que colapsou começou em 2019 e, de acordo com a Prefeitura, a obra não tinha alvará. Por esse motivo, o empreendimento foi alvo de fiscalizações da administração municipal, que aplicou multas e determinou a interdição da obra.

A ordem não foi cumprida. Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município recorreu à Justiça e obteve uma liminar que determinava a paralisação imediata dos trabalhos. Em 2022, um novo projeto para o terreno foi apresentado à Prefeitura.

Um novo alvará foi concedido em agosto de 2023, mas com a condição de que a estrutura anterior fosse demolida. No ano seguinte, em 2024, a servidora Viviane Rodrigues assinou um laudo que atestava o cumprimento da demolição.



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economia

Cota de exportação de carne bovina para China em 2027 pode ser cumprida até abril


Uma antecipação de embarques de carne bovina do Brasil para a China, para o cumprimento da cota de 2027, pode levar ao preenchimento dos volumes totais de 1,128 milhão de toneladas estabelecidos para o ano até o final de março ou abril, avaliou o presidente da associação da indústria Abiec, Roberto Perosa, nesta quinta-feira.

Em entrevista a jornalistas, ele disse que os embarques de carne bovina do Brasil para a China, para cumprimento da cota do ano que vem com tarifa menor de 12%, devem começar em novembro de 2026.

O país asiático, maior importador do produto brasileiro, estabeleceu salvaguardas no final do ano passado visando preservar a indústria local, colocando uma tarifa de 55% para compras fora da cota em 2026, 2027 e 2028.

Leia também: Exportação de carne bovina do Brasil pode cair 10% em 2026 com restrição da China

Os chineses garantiram um aumento de apenas 22 mil toneladas na cota do ano que vem em relação a 2026 para o Brasil, maior exportador de carne bovina.

“Se for o que estamos esperando, pode haver o final da cota em março, mais tardar em abril”, afirmou o presidente da Abiec.

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Ele defendeu que embarques de carne bovina brasileira aos chineses deveriam ser dosados, por meio de alguma medida governamental, para que a cota chinesa não seja cumprida rapidamente, o que gera desafios adicionais ao setor.  

Estoques altos na China

Ele ponderou, contudo, que há incertezas sobre o “apetite” chinês quando as vendas para a China forem retomadas, uma vez que os chineses estão com estoques elevados das principais proteínas.

“Ela (China) tem alto estoque de carne bovina, está no seu nível máximo de produção de carne suína e está produzindo também carne de aves. Precisamos ver esse apetite da China em relação ao Brasil, se tem estoque alto…”, afirmou Perosa.

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Ele comentou que há consenso no setor frigorífico de que deveria haver uma divisão da cota entre as empresas, para reduzir impactos de uma aceleração de vendas para o preenchimento da cota.

Após isso acontecer em 2026, por volta de julho, o setor teve meses de “sufoco”, com margens menores pela ausência do mercado chinês.

Não fosse a cota com tarifa mais alta, o Brasil poderia ter exportado 2 milhões de toneladas de carne bovina aos chineses em 2026, ante aproximadamente 1,7 milhão de toneladas em 2025, afirmou o dirigente.

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De janeiro a agosto, a exportação brasileira da proteína para a China somou 899,2 mil toneladas, enquanto o volume total para todos os destinos foi de 2,2 milhões de toneladas, segundo dados da Abiec.

Para a cota de 2026, a China considerou embarques que ingressaram no país a partir de 1º de janeiro, alguns deles realizados no Brasil ao final de 2025.

Perosa disse acreditar que o Brasil não vai conseguir resolver o embargo europeu à carne bovina até o final do ano, mas disse ter esperanças de que no primeiro semestre de 2027 o país volte a exportar para a União Europeia, à medida que as negociações avancem.

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Desde 3 de setembro, o Brasil não exporta carne bovina para a UE, mercado que paga os melhores preços pelo produto nacional, devido a exigências europeias em torno da comprovação da não utilização de antimicrobianos — o embargo vale também para outras carnes, ovos e mel.

Mas o segmento de carne bovina enfrenta desafios adicionais, já que o ciclo de vida do animal é mais longo, de cerca de dois anos, em relação a aves, por exemplo. E a UE exige a comprovação da ausência do antimicrobiano desde o nascimento.

Para tentar voltar à lista de países habilitados a exportar para a UE, a indústria protocolou no Ministério da Agricultura um termo de adesão às regras europeias assinado por 100% das indústrias, disse Perosa, que espera agora o reconhecimento europeu.

Entre os desafios, entretanto, está a baixa adesão de pecuaristas ao protocolo, em um país que tem o maior rebanho bovino comercial do mundo.

Considerando o ciclo de vida mais longo dos bovinos, Perosa disse que a indústria quer negociar um período de transição para que o Brasil volte a exportar carne bovina em breve.

O período de transição está sendo estudado no âmbito do Ministério da Agricultura, afirmou Perosa, evitando dar detalhes sobre o que será proposto aos europeus.

Ele afirmou também não ter informação sobre uma eventual visita de europeus para avaliar a indústria de carne bovina brasileira.

O mercado da UE representou embarques de cerca de US$ 1 bilhão para o setor no ano passado, sendo que nos últimos quatro meses — período de maior demanda — foram pouco mais de US$500 milhões.

O dirigente ressaltou ainda que o Brasil exporta para cerca de 170 países, destacando a qualidade do produto brasileiro, e que não há estudo científico que diga que o antimicrobiano vetado pela UE pode causar algum problema à saúde humana.



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