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Surto de salmonela nos EUA leva a recall de 1,6 milhão de dúzias de ovos

A FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos) e os CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) dos Estados Unidos investigam um surto multirregional de infecções por salmonela associado, em parte, a ovos produzidos pela Midwest Poultry Services. Até o momento, foram registrados 98 casos da doença em 17 estados americanos, com 26 hospitalizações e nenhuma morte.

Segundo a Reuters, o recall corresponde a 1,6 milhão de dúzias de ovos. 

Segundo informações divulgadas pela FDA, as infecções ocorreram entre 21 de novembro de 2025 e 30 de junho de 2026. Entre os 44 pacientes que forneceram informações sobre os alimentos consumidos antes de adoecer, 40 relataram ter ingerido ovos, o equivalente a 91% dos casos.

A investigação epidemiológica, laboratorial e de rastreabilidade apontou que ovos da Midwest Poultry Services são uma provável fonte do surto. A agência, no entanto, informou que a empresa não explica todos os casos registrados e que as investigações continuam para identificar outras possíveis fontes de contaminação.

Como parte da apuração, a empresa coletou amostras em granjas no Texas. Alguns testes apresentaram resultado positivo para salmonela, e análises de sequenciamento genético mostraram que parte das amostras corresponde à mesma cepa identificada no surto.

Após compartilhar os resultados dos testes com a FDA em 21 de julho, a Midwest Poultry Services iniciou voluntariamente o recall de ovos brancos e ovos marrons produzidos em sistema cage-free provenientes de fazendas no Texas. 

Os lotes foram distribuídos para estabelecimentos comerciais e serviços de alimentação nos estados do Texas, Oklahoma e Louisiana. A FDA informou ainda que a distribuição dos produtos foi confirmada em Arkansas, Louisiana, Mississippi, Novo México, Oklahoma e Texas, mas ressalta que os ovos podem ter chegado a outros estados por meio da cadeia de distribuição.

A FDA orienta consumidores, restaurantes e varejistas que tenham adquirido os ovos incluídos no recall a descartarem os produtos ou devolvê-los ao local de compra para reembolso. A agência também recomenda a higienização de superfícies e utensílios que possam ter entrado em contato com os ovos.

A salmonela costuma provocar sintomas entre 12 e 72 horas após o consumo de alimentos contaminados. Os sinais mais comuns incluem diarreia, febre e cólicas abdominais, geralmente por um período de quatro a sete dias. Crianças menores de cinco anos, idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido apresentam maior risco de desenvolver quadros graves da infecção

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Confiança do consumidor no Brasil cai em julho; percepção sobre o presente piora


A confiança dos consumidores brasileiros recuou pelo terceiro mês consecutivo em julho e chegou ao menor nível em quatro meses, com piora na percepção sobre o presente, mostraram dados da Fundação Getulio Vargas divulgados nesta segunda-feira (27).

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da FGV teve no mês queda de 0,4 ponto, indo a 88,3 pontos, menor nível desde março.

O Índice de Situação Atual (ISA) recuou 2,6 pontos, para 84,4 pontos, com piora principalmente da percepção sobre o orçamento financeiro das famílias.

“Entre as faixas de renda, os consumidores de menor renda tiveram maior participação na queda do indicador agregado”, explicou Anna Carolina Gouveia, economista do FGV/Ibre.

Já o Índice de Expectativas (IE) subiu 1,1 ponto, para 91,5 pontos, após dois meses de quedas.

Leia também: Consumidor troca impulso por pesquisa antes de adquirir produtos e serviços

Gouveia destacou que, até o mês passado, a piora da confiança se dava pela deterioração das expectativas futuras, enquanto a percepção sobre o presente seguia em melhora.

“Embora ainda possa refletir uma calibragem dos resultados anteriores, a virada de chave observada neste mês pode sinalizar que o pessimismo em relação ao futuro começa a influenciar a avaliação atual dos consumidores, especialmente de sua situação financeira”, disse ela.

“O alto endividamento e inadimplência das famílias, junto a um contexto de juros fortemente restritivo, segue sendo o principal ponto de pressão do orçamento do consumidor, influenciando sua percepção sobre a economia”, completou.

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A taxa básica de juros está atualmente em 14,25% ao ano e o Banco Central volta a se reunir na próxima semana para decidir sobre a política monetária.



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El Niño causará prejuízo bilionário à África e migração em busca por comida

Um iminente “super” El Niño pode causar um prejuízo combinado de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões aos países africanos afetados e desencadeará uma migração em massa das áreas mais atingidas, disse à Reuters o principal especialista em clima do AfDB (Banco Africano de Desenvolvimento).

A escassez de recursos e a competição por terras para pastagem e fontes de água poderão agravar a fragilidade já existente nas regiões mais vulneráveis. As perdas na agricultura são estimadas em cerca de US$ 327 milhões, enquanto a produtividade da pesca poderá cair entre 1% e 4%.

Meteorologistas alertam que o fenômeno climático El Niño — que frequentemente provoca secas severas, enchentes e tempestades na África — pode se tornar um dos mais intensos já registrados, caso as atuais tendências de aquecimento do Oceano Pacífico continuem.

Além da ameaça à segurança alimentar e hídrica, as finanças dos governos e os setores bancários também podem ser comprometidos caso desastres danifiquem a infraestrutura e deixem países com dificuldades financeiras incapazes de pagar os empréstimos relacionados.

“Somente este evento reduzirá o PIB dos países mais afetados em cerca de 1% a 2%, em média, o que representa algo entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões em todo o continente”, afirmou Anthony Nyong, diretor de Mudanças Climáticas e Crescimento Verde do AfDB, em entrevista.

As previsões mais recentes do AfDB, divulgadas em maio, estimavam que a África como um todo registraria crescimento econômico de 4,2% neste ano, aumentando para 4,4% em 2027, supondo que a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã diminuísse de intensidade.

No entanto, essas projeções foram feitas antes de surgirem as previsões de um “super” El Niño.

A estimativa de Nyong sobre um impacto de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões é a primeira apresentada por um grande banco multilateral de desenvolvimento em relação ao El Niño. Ele não forneceu uma divisão por país, mas alertou que é improvável que esse seja um evento isolado.

As condições de seca, das quais grande parte da região do Sahel vem sofrendo nos últimos anos, podem persistir. Além disso, a experiência de Moçambique após o ciclone Idai, em 2019, mostra que a recuperação de grandes tempestades pode levar anos.

Os governos também estariam caindo no que Nyong chamou de “armadilha do financiamento climático”, situação em que faltam recursos para responder às crises e os países são obrigados a retirar verbas de saúde, educação ou infraestrutura para cobrir os custos.

O evento El Niño de 2023 a 2024 provocou seca severa no sul da África e chuvas intensas com enchentes no leste do continente. Essas condições levaram a perdas generalizadas de safras, aumento acentuado dos preços dos alimentos e elevação recorde do nível do mar ao longo das costas africanas.

O AfDB estima que os agricultores africanos já enfrentam neste ano perdas de renda próximas de US$ 330 milhões, enquanto o setor pesqueiro também poderá sofrer fortemente devido ao aumento da temperatura do mar e às tempestades.

“Quando esses choques acontecem, os países dão dois passos para trás”, disse Nyong. “Não queremos que nossos países voltem a mergulhar na pobreza.”

Um relatório das Nações Unidas publicado em outubro estimou que, até 2035, os países em desenvolvimento precisarão, em conjunto, de cerca de US$ 365 bilhões por ano para enfrentar as mudanças climáticas. No entanto, o financiamento público internacional destinado à adaptação climática foi de apenas US$ 26 bilhões em 2023.

Nyong afirmou que a África poderá precisar de até US$ 100 bilhões somente neste ano, considerando a intensidade esperada do El Niño.

“A necessidade de financiamento para adaptação climática já era de cerca de US$ 50 bilhões“, disse Nyong, referindo-se aos próximos 12 meses. “Mas este evento acrescenta outros US$ 30 bilhões a US$ 50 bilhões a esse valor.”

Migração em busca por comida

Segundo Nyong, as pressões humanitárias agravarão ainda mais a situação, e o banco identificou Sudão, Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Somália, Mali, Burundi e até mesmo a Nigéria como países que poderão sofrer impactos particularmente severos.

“Quando este El Niño chegar, haverá uma migração em massa”, afirmou, acrescentando que o preço do milho — alimento básico em muitos dos países afetados — deverá dobrar. “Você não vai permanecer onde está; vai se deslocar.”

Tudo isso indica que a África precisará agir mais para fortalecer sua resiliência antes que os desastres ocorram, acrescentou Nyong — tema que deverá ocupar papel central na próxima rodada de negociações climáticas globais, prevista para ocorrer na Turquia em novembro.

“É mais barato construir uma cerca ao redor de um precipício do que pagar por ambulâncias caras esperando no fundo para socorrer quem cair”, afirmou. “Portanto, vamos construir a cerca.”

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Coronel convidou investigado por ligação com PCC para festa da PM: ‘Tudo em conta’


Mensagens analisadas pelo Ministério Público de São Paulo mostram que um coronel da reserva da Polícia Militar (PM) convidou um homem investigado por ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) para uma viagem à colônia de férias dos oficiais da corporação, em Campos do Jordão, no interior paulista. As conversas fazem parte da investigação que apura a relação entre policiais militares e suspeitos de envolvimento com a facção criminosa e foram reveladas no domingo (26) pelo Fantástico, da TV Globo.

Segundo a investigação, as mensagens foram trocadas em setembro de 2020 em um grupo chamado “Viajar Gente Linda”. Em uma das conversas, o coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins sugere que os integrantes aproveitem um feriado para viajar à cidade da Serra da Mantiqueira.

“Quanto ao próximo feriado, podemos ir para Campos do Jordão, na Colônia dos Oficiais!!! Tudo mais em conta, todos como associados!!”Luiz Carlos Pereira Martins, segundo o relatório do Ministério Público

Quem responde ao convite é Cleber Azevedo dos Santos, apontado pelos promotores como investigado por vínculos com o PCC. Nas mensagens, ele demonstra interesse na viagem e passa a participar da conversa com os demais integrantes do grupo.

Para o Ministério Público, a conversa evidencia a proximidade entre o coronel e pessoas investigadas por participação em atividades atribuídas à facção criminosa. Os promotores afirmam que os diálogos são um dos elementos reunidos para demonstrar a relação mantida entre Luiz Carlos e investigados.

Hospedagem destinada a oficiais

A colônia de férias mencionada nas mensagens é destinada a oficiais associados da PM, seus dependentes e convidados. Pelas regras do local, quando há hóspedes convidados, a reserva deve ser feita por um oficial, que assume a responsabilidade pela estadia.

Segundo os investigadores, o fato de o convite ter partido do coronel reforça a relação de confiança entre ele e Cleber Azevedo dos Santos. O relatório afirma ainda que Luiz Carlos mantinha amizade com investigados por ligação com o PCC e, em determinadas situações, era visto como alguém capaz de facilitar contatos dentro da corporação.

As investigações apontam que o contato entre o coronel e os investigados não ficou restrito ao episódio de Campos do Jordão.

Segundo o MP, novas mensagens trocadas em 2022 mostram conversas sobre uma reserva em outra colônia de férias da Polícia Militar, desta vez em Boraceia, no litoral de São Paulo.

Os promotores também citam mensagens entre Luiz Carlos e Robson Martins de Souza, apontado como sócio de Cleber Azevedo dos Santos e responsável por articular pagamentos de propina a policiais. Os dois foram presos durante a operação deflagrada na semana passada.

O relatório ainda reúne conversas em que o coronel oferece ajuda para aproximar investigados de oficiais da Polícia Militar e participa de grupos de mensagens com pessoas que, segundo o Ministério Público, integrariam um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.

Investigações seguem em andamento

Ainda de acordo com o Fantástico, o Ministério Público informou que as investigações continuam e que não comentará o caso neste momento.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que as corregedorias das polícias Militar e Civil adotaram providências para apurar os fatos e que eventuais responsabilidades serão investigadas com rigor.

O coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins não respondeu aos contatos feitos pela reportagem do jornal.

O que dizem as defesas

A defesa de Cleber Azevedo dos Santos disse que ele nunca atuou como operador financeiro do PCC e negou qualquer envolvimento dos policiais citados com suas empresas ou influência na resolução de questões empresariais.

Já o advogado de Robson Martins de Souza não respondeu aos contatos feitos pelo Fantástico.



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Tabaco brasileiro pode perder US$ 100 mi em exportações com tarifas dos EUA

As entidades que representam a indústria do tabaco no Brasil estimam que o país poderá perder cerca de US$ 100 milhões em exportações caso os Estados Unidos mantenham o tabaco fora da lista de exceções à tarifa adicional aplicada sobre produtos brasileiros. 

A avaliação foi apresentada pelo SindiTabaco (Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco) e pela Abifumo (Associação Brasileira da Indústria do Fumo) em carta encaminhada ao MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). Na correspondência, as entidades solicitam que o governo brasileiro atue para incluir o tabaco na lista de produtos isentos da sobretaxa imposta pelos Estados Unidos.

Segundo as entidades, os Estados Unidos foram historicamente o terceiro principal destino das exportações brasileiras de tabaco, respondendo por cerca de 9% dos embarques do setor. Essa participação caiu para 6% em 2025, quando submetida às tarifas impostas pelo presidente americano, Donald Trump.

Dados do MDIC/Secex citados na carta mostram que as exportações brasileiras de tabaco para o mercado norte-americano somaram US$ 195,3 milhões em 2025, uma queda de 23,4% em relação ao ano anterior. No primeiro semestre de 2026, os embarques totalizaram US$ 88,8 milhões, redução de 31% na comparação com o mesmo período de 2025.

No documento, SindiTabaco e Abifumo afirmam que, caso a tarifa seja mantida, compradores dos Estados Unidos poderão substituir o produto brasileiro por tabaco de outros países, especialmente de produtores africanos, como Zimbábue e Malaui. As entidades avaliam que a medida poderá reduzir a demanda pela produção nacional, sobretudo do tabaco Burley, variedade que tem nos Estados Unidos um dos principais mercados.

As entidades também argumentam que outros produtos do agronegócio brasileiro, como carne bovina, café, laranja, mel orgânico, castanhas e celulose, foram incluídos na lista de exceções divulgada pelo governo norte-americano, enquanto o tabaco permanece sujeito à tarifa adicional.

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Durigan diz que não existe possibilidade de Brasil ter recessão em 2027


27 ⁠Jul (Reuters) – O ⁠ministro da ‌Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta ‌segunda-feira que não existe a possibilidade de ⁠o ‌Brasil ⁠ter uma recessão em 2027, dizendo ainda que o ​país verá um boom ​se a taxa de juros cair.

Em ‌entrevista à ​Rádio Jornal, de Pernambuco, Durigan ⁠disse ​que ​falar em recessão ⁠em 2027 ​é exagero e parece ​tentar forçar a barra ​em ⁠ano eleitoral.

(Reportagem de ⁠Eduardo SimõesTexto de Camila MoreiraEdição de Letícia ​Fucuchima)



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mercado reduz projeção para inflação de 2026 pela 4ª semana seguida


O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (27), mostrou nova redução na expectativa para a inflação de 2026, que passou de 5,15% para 5,12%, na quarta queda consecutiva.

Inflação

A projeção para o IPCA de 2026 caiu de 5,15% para 5,12%, acumulando a quarta redução consecutiva. Para 2027, a expectativa subiu de 4,20% para 4,22%. Em 2028, a estimativa avançou de 3,78% para 3,80%, registrando a segunda alta seguida. Para 2029, a projeção permaneceu em 3,50%, estável há 47 semanas.

No caso do IGP-M, a expectativa para 2026 recuou de 5,55% para 5,42%, na quarta queda consecutiva. Para 2027, a projeção passou de 4,12% para 4,16%, na segunda alta seguida. Em 2028, a estimativa avançou de 3,86% para 3,97%, também na segunda alta consecutiva. Já para 2029, a previsão subiu de 3,77% para 3,90%, na primeira elevação.

Para os preços administrados, a projeção de 2026 permaneceu em 5,00%, estável há seis semanas. Em 2027, a expectativa avançou de 3,85% para 3,90%. As estimativas para 2028 e 2029 foram mantidas em 3,50%, estáveis há cinco e 54 semanas, respectivamente.

PIB

A expectativa para o crescimento do PIB brasileiro em 2026 foi mantida em 1,99%, permanecendo estável pela quarta semana consecutiva. Para 2027, a projeção caiu de 1,65% para 1,60%. As estimativas para 2028 e 2029 seguiram em 2,00%, estáveis há 124 e 71 semanas, respectivamente.

Câmbio

A projeção para o dólar ao fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20, estável há seis semanas. Para 2027, a estimativa subiu de R$ 5,28 para R$ 5,29. A previsão para 2028 foi mantida em R$ 5,30. Já para 2029, a expectativa recuou de R$ 5,40 para R$ 5,37, na primeira queda.

Selic

A expectativa para a taxa Selic ao fim de 2026 permaneceu em 14% ao ano, estável pela quinta semana consecutiva. Para 2027, a projeção seguiu em 12%, sem alterações há seis semanas. As estimativas para 2028 e 2029 também foram mantidas em 10,5% e 10% ao ano, respectivamente, estáveis há quatro e 12 semanas.



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Safra europeia de grãos perde € 2 bi para o calor e será a menor desde 2018

A onda de calor que atingiu a Europa provocou uma perda estimada em € 2 bilhões na safra de grãos do continente e retirou quase 9 milhões de toneladas das projeções de produção da União Europeia e do Reino Unido, segundo estimativas divulgadas pela Coceral (Associação Comercial de Grãos da Europa) e pelo Energy and Climate Intelligence Unit.

De acordo com a Coceral, as perdas atingiram culturas como trigo, milho, cevada e aveia e devem levar a produção europeia ao menor nível desde 2018.

A redução ocorre após o mês de junho mais quente já registrado na Europa Ocidental. Em junho, as temperaturas ficaram 3°C acima da média do período de 1991 a 2020 na Europa Ocidental. Na França, os termômetros ultrapassaram 43°C, enquanto na Hungria passaram de 40°C.

Segundo o Energy and Climate Intelligence Unit, o valor da produção perdida equivale a cerca de 5% do valor estimado da safra de 2025, considerando os preços recebidos pelos produtores para trigo, cevada, milho e outros grãos. O cálculo não inclui prejuízos em hortaliças nem perdas na pecuária.

O milho concentrou cerca de metade da redução nas estimativas de produção. A cultura foi afetada durante a fase de polinização, especialmente em França e Hungria. A Coceral reduziu a projeção para a safra de milho da União Europeia e do Reino Unido de 57,2 milhões para 52,7 milhões de toneladas.

O trigo também sofreu os efeitos do clima, uma vez que o calor atingiu a cultura durante a fase de enchimento dos grãos, quando a lavoura necessita de umidade para completar seu desenvolvimento.

A França deverá concentrar a maior parte das perdas. A previsão para a safra de grãos do país foi reduzida em 4,1 milhões de toneladas, o equivalente a cerca de € 891 milhões aos preços atuais. Grande parte da redução ocorreu no milho. A estimativa para a produção francesa caiu em 3,35 milhões de toneladas, para 9,4 milhões de toneladas, volume inferior ao registrado durante a seca severa de 2022.

A Hungria aparece em seguida, com corte de 2,4 milhões de toneladas na estimativa de produção de grãos, perda avaliada em aproximadamente € 444 milhões. A Espanha perdeu mais 1,4 milhão de toneladas, avaliadas em € 276 milhões, enquanto a previsão para a Alemanha foi reduzida em volume semelhante, equivalente a € 233 milhões em produção.

Segundo a análise, a menor safra europeia poderá aumentar a dependência do continente por importações de grãos, como o milho, e reduzir a disponibilidade de trigo francês para a exportação. 

Para analistas, o efeito sobre os preços internacionais das commodities agrícolas dependerá também do desempenho das colheitas no hemisfério Sul entre o fim de 2026 e o início de 2027.

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Corredor morre ao passar mal em corrida de rua em SP


Um corredor morreu após passar mal na linha de chegada da 10ª edição da SP City Marathon, realizada na manhã deste domingo (26), em São Paulo. A vítima foi identificada pela organização do evento como Júlio Barreto.

Segundo a organização da prova, Júlio sofreu um episódio de perda de consciência logo após concluir o percurso. A equipe médica iniciou imediatamente as manobras de reanimação ainda no local, no Jockey Club de São Paulo, na zona sul da capital.

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Na sequência, o atleta foi encaminhado a um hospital, onde recebeu atendimento avançado. Apesar dos esforços da equipe médica, ele não resistiu.

Em relatos nas redes sociais, participantes do evento afirmam que não havia estrutura e nem desfibriladores para a realização do atendimento médico ao atleta. A CNN Brasil questionou a empresa a respeito do assunto e aguarda retorno. O espaço segue aberto.

Em nota de pesar, a organização da SP City Marathon manifestou solidariedade aos familiares e amigos do corredor e informou que não divulgará novas informações “em respeito à memória de Júlio e de sua família”.

Entenda a corrida

A edição deste ano da SP City Marathon reuniu mais de 32 mil participantes nas provas de 21,1 km e 42,2 km. A largada ocorreu na Praça Charles Miller, no Pacaembu, e a chegada foi realizada no Jockey Club de São Paulo.

SP City Marathon: veja dicas para evitar lesões e correr com mais segurança

À CNN, o ortopedista do Hospital Santa Catarina Fabio Luis Datti afirmou que a preparação para uma maratona deve incluir avaliação clínica, exames laboratoriais e cardiológicos, além de planejamento de treinos, hidratação adequada, alimentação equilibrada e respeito aos limites do organismo durante a competição.





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Acidente da Voepass: ‘Empresa nos enviava informações falsas’, diz presidente da Anac


Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, exibida neste domingo, 26, o diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Álvaro Faierstein, afirmou que a Voepass informava ter feito reparos em suas aeronaves que, na verdade, não eram realizados. A queda de um avião da empresa em 9 de agosto de 2024 provocou a morte de 62 pessoas que iam de Cascavel (PR) a Guarulhos (SP).

“Muitas das informações que a empresa nos enviava eram informações falsas. Eu vou citar um exemplo: na operação assistida, um fiscal da Anac chamava o mecânico da Voepass e falava assim: ‘Ó, você tem que trocar essa peça aqui’. Quando o fiscal ia lá ver, via que tinha o documento da troca, que ele tinha reportado a troca, mas que na prática não tinha trocado nada”, disse Faierstein.

O diretor-presidente chegou a admitir ao Fantástico que a agência foi enganada pela Voepass. “Eu posso dizer que sim. Muito sim. O nosso time técnico, o nosso corpo técnico, fez análises baseadas em documentos que não eram documentos verdadeiros”, afirmou.

Em nota divulgada na última quinta-feira, 23, após a divulgação do relatório final sobre o acidente feito pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea Brasileira (FAB), a Voepass alegou que, ao longo de três décadas, “sempre adotou procedimentos sérios de segurança, capacitação e orientação de tripulação.”

A FAB concluiu que a queda do avião foi causada por um conjunto de falhas da empresa, da aeronave, dos pilotos e da Anac. A investigação durou quase dois anos e apontou 19 fatores que influenciaram na queda do avião, sendo 15 que contribuíram diretamente para o acidente. Os demais foram classificados como de contribuição indeterminada.

Um dos fatores contribuintes foi o fato de a aeronave PS-PVB, modelo ATR-72, ter decolado sem que pudesse ter saído do solo nas condições em que estava. Ela tinha o limpador de para-brisa inoperante. Pelos manuais, o avião até poderia decolar sem o equipamento, desde que as condições meteorológicas não fossem como as do dia do acidente.

O Cenipa também apontou falhas expressas da Anac, que não teria aproveitado no processo de gestão de risco “condições latentes identificadas”. Segundo a investigação, houve falta de supervisão sobre práticas informais na empresa.

É a primeira vez que ações ou omissões da agência reguladora são relacionadas como fatores causadores de um acidente aéreo, segundo técnicos do Cenipa. O órgão da FAB reconhece que a agência chegou a aplicar sanções à Voepass, mas evitou apontar quais seriam as medidas mais adequadas no caso da empresa.

Os investigadores concluíram que um dos sistemas de degelo, responsável por inflar as borrachas nas asas do avião para quebrar o gelo, apresentava falhas recorrentes.

Essas falhas foram registradas em voos imediatamente anteriores ao do acidente, mas não foram relatadas no diário de bordo por nenhuma das tripulações. “Houve normalização do desvio”, afirmou o encarregado da investigação, tenente-coronel aviador Paulo Mendes Fróes, investigador encarregado.

O Cenipa analisou 1.206 voos da aeronave que caiu, realizados entre agosto de 2023 e agosto de 2024, para traçar um histórico dos equipamentos e verificar como a Voepass lidou com o histórico de falhas da aeronave.

“Tivemos uma cultura organizacional de normalização de desvios dentro do operador. Ela vem de uma cultura de informalidade em que pilotos e mecânicos não relatavam falhas para que a aeronave pudesse voar no dia seguinte”, afirmou Fróes.

O relatório final apontou que a estrutura mecânica da empresa adotava a prática de usar em uma aeronave peças que estavam em pane em um outro avião. Ou mesmo utilizar componentes defeituosos que estavam estocados. Tudo para declarar as aeronaves como em situação regular para voo.

Os investigadores também concluíram que os pilotos mantiveram conversas sobre problemas pessoais durante momentos críticos do voo e não seguiram protocolos recomendados para enfrentar condições de gelo severo, como alterar a altitude do voo.

A constatação de normalização de desvios na empresa foi reforçada pela análise de mais de 15 mil voos da Voepass entre 2022 e 2024. Na comparação com outras companhias aéreas, as aeronaves registraram mais falhas, como, por exemplo, no componente que apontava “degradação de performance” durante o voo.

Segundo o relatório final, piloto e copiloto estavam submetidos a uma “alta carga de trabalho”, o que pode ter explicado a ausência de medidas quando os sistemas indicaram a “degradação de performance” do avião.

“Uma carga de trabalho elevada pode ter causado surdez e cegueira por desatenção, quando o cérebro não consegue receber e processar as informações disponíveis naquele momento”, disse Fróes.

Os 4 fatores com contribuição indeterminada:

1. Capacitação e treinamento: Embora os tripulantes tivessem sido submetidos aos treinamentos exigidos, as ações observadas durante o voo do acidente não se mostraram condizentes com o nível mínimo de proficiência desejado. Não houve o reconhecimento, em tempo oportuno, da severidade da condição enfrentada e não houve uma resposta adequada aos alertas recorrentes. A atuação nos comandos de voo ocorreu de forma divergente daquela preconizada nos treinamentos.

2. Estado emocional: O piloto enfrentava problemas pessoais que afetavam negativamente seu desempenho operacional. Estado emocional pode ter influenciado ação durante o voo, de modo a reduzir capacidade de tomar decisões críticas.

3. Influências externas: Problemas pessoais do piloto foram tema de conversas informais com o copiloto durante o voo, o que pode ter desviado o foco.

4. Projeto: O fato de o alerta para aumentar a velocidade ter sido categorizado como alerta de nível 2 pelo fabricante do avião pode ter induzido as tripulações a subestimarem a gravidade da condição a ser gerenciada.

Os 15 fatores contribuintes:

1. Aplicação dos comandos: A atuação dos pilotos no sentido de cabrar o avião (puxar o bico do avião para cima) quando foi acionado o alerta de stall (perda de sustentação) foi em desacordo com os procedimentos preconizados.

2. Atenção: Conversas informais não relacionadas à condução técnica e operacional da aeronave reduziram o foco de atenção da tripulação de voo tanto no monitoramento do ambiente externo quanto na observação das indicações e alertas ativados no cockpit.

3. Atitude: Apesar da ciência prévia acerca da falha no sistema de degelo e da previsão de condições propícias à formação de gelo severo ao longo da rota, houve a decisão por prosseguir o voo conforme planejado, sem a adoção de medidas mitigatórias destinadas à redução do risco.

4. Condições meteorológicas: Mal tempo contribuiu para a configuração do cenário da ocorrência, criando um ambiente desfavorável à operação segura da aeronave. A exposição prolongada à condição de gelo severo resultou em aumento do arrasto aerodinâmico e comprometimento da performance.

5. Coordenação de cabine: Houve gerenciamento inadequado das tarefas de cada tripulante, falha na comunicação e a inobservância de normas operacionais caracterizaram a ineficiência na coordenação de cabine.

6. Cultura de grupo do trabalho: O aparecimento frequente de avisos e alertas gerou complacência no grupo de pilotos da empresa, culminando com redução da vigilância e relaxamento diante da alta repetitividade. O grupo de pilotos da empresa tendia a subestimar os alertas/avisos, apoiados na falsa sensação de segurança justificada pela experiência pregressa.

7. Cultura organizacional: Predominava na empresa a informalidade nas interações entre os seus membros, o que perpassava os diferentes níveis hierárquicos e setores. A proximidade e a informalidade abriam espaço para improvisos e permissividade, acarretando a flexibilização de regras e a degradação da cultura de segurança de voo. As percepções coletivas dos integrantes da empresa refletiam valores centrais equivocados e baixa adesão aos princípios de segurança de voo. A existência de regras informais, institucionalizadas informalmente, resultou na fragilização da cultura de segurança, acarretando a operação do PS-VPB abaixo dos níveis mínimos de segurança aceitáveis.

8. Julgamento de pilotagem: Em nenhum momento do voo os pilotos solicitaram descida imediata ou declararam situação de emergência em função da condição de acúmulo de gelo e perda de performance. Essa omissão, associada à não execução das ações previstas nos procedimentos operacionais diante dos avisos/alertas de degradação de performance emitidos pela aeronave, indicou que a tripulação de voo realizou uma avaliação inadequada de parâmetros relacionados à operação segura da aeronave.

9. Manutenção da aeronave: A ausência de registro formal no Diário de Bordo, após o surgimento de falhas em voo, em especial no que tange ao mau funcionamento do sistema de degelo nos voos que antecederam ao acidente, impediu que os setores técnicos e operacionais da empresa pudessem aplicar medidas mitigadoras.

10. Percepção: Foram identificados prejuízos na capacidade dos tripulantes de voo de reconhecer, compreender e projetar as sensações provenientes dos estímulos internos e externos ao ambiente da operação, como as informações meteorológicas de formação de gelo severo, indicações de perda de performance e avisos/alertas do monitor de performance.

11. Planejamento de voo: O planejamento não considerou todas as condições restritivas para o voo na rota pretendida, permitindo a operação abaixo dos níveis mínimos de segurança aceitáveis. Essa lacuna contribuiu para a manutenção da aeronave em um nível de voo suscetível ao acúmulo de gelo, culminando na degradação progressiva da performance e na construção do cenário da ocorrência.

12. Processo decisório: A decisão de realizar o voo de cruzeiro em nível que havia previsão de formação de gelo severo evidenciou dificuldades no processo de análise e escolha de alternativas por parte da tripulação de voo. Tais dificuldades podem ter se originado de vieses oriundos de uma cultura organizacional que abria espaço para os improvisos e permissividade, acarretando a flexibilização de regras e a degradação da cultura de segurança de voo.

13. Processos organizacionais: O subaproveitamento das informações disponibilizadas, especialmente as relacionadas à degradação de performance por acúmulo de gelo, associado à ausência de assessoria em tempo real relacionada às condições meteorológicas na rota aos pilotos, demonstrou que os processos organizacionais não estavam consolidados como instrumentos eficazes de mitigação de riscos. Esse conjunto de fragilidades favoreceu a adoção de uma conduta passiva diante dos alertas e inibiu ações estruturadas previstas nos procedimentos operacionais.

14. Supervisão gerencial: A ausência de supervisão gerencial eficaz sobre as práticas informais adotadas tanto nas operações aéreas quanto nas de manutenção de aeronaves criou brechas para que a aceitação de desvios se normalizasse, ao ponto de os alertas da aeronave serem menosprezados, diminuindo a percepção do risco envolvido naquele contexto de operação. Com isso, medidas preventivas mais robustas deixaram de ser adotadas, permitindo operações com níveis abaixo dos mínimos de segurança aceitáveis.

15. Atuação da Anac: As auditorias e inspeções realizadas pela Anac no operador antes do acidente revelaram diversas não conformidades técnicas e procedimentais relacionadas à manutenção das aeronaves, à rastreabilidade de componentes, ao descumprimento das condições de lista de equipamentos mínimos e à prática recorrente de reporte informal de panes ou não reporte Os achados da Comissão de Investigação indicaram que os sinais que identificavam perigos, degradação das condições técnicas e condições latentes antes do acidente não foram capazes de, analisados no âmbito do processo de gerenciamento de risco da Anac, auxiliar nas tomadas de decisões estratégicas necessárias à mitigação e ao controle dos riscos no ambiente operacional por ela regulado e fiscalizado. Dessa forma, pode-se concluir que os meios de registro, tratamento e monitoramento de dados e informações relativas aos perigos, com a finalidade de gerenciar os riscos, ainda estavam em fase de amadurecimento, permitindo a continuidade das operações da empresa apesar das degradações dos níveis de segurança.



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