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Associação Brasileira de Municípios lança guia sobre El Niño para prefeitos


A Associação Brasileira de Municípios (ABM) lançou um guia para auxiliar prefeitos e equipes técnicas na prevenção e no enfrentamento dos efeitos do El Niño, fenômeno que pode atingir intensidade muito forte nos próximos meses.

Segundo a entidade, estudos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos apontam 81% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. Além disso, há 97% de chances de o acontecimento permanecer ativo até o início de 2027.

De acordo com a ABM, os efeitos podem variar de acordo com a região. “Norte e Nordeste tendem a enfrentar redução das chuvas, estiagens, queda no nível dos rios, pressão sobre o abastecimento e aumento do risco de queimadas. No Centro-Oeste, o calor e a baixa umidade podem ampliar a ocorrência de incêndios, especialmente no Pantanal”, explica a associação.

Leia também: Assad, da FGV: “El Niño expõe atraso da agricultura na adaptação à mudança climática”

“No Sudeste, são esperados períodos de calor intenso, baixa umidade e irregularidade das chuvas. Já o Sul apresenta maior risco de temporais persistentes, enchentes, alagamentos e deslizamentos”, complementou.

Recomendações

O Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos reúne orientações para as etapas de prevenção, resposta e recuperação após desastres.

Entre as recomendações estão o mapeamento de áreas de risco, a atualização de planos de contingência, a definição prévia de abrigos e equipes de atendimento e a organização de ações emergenciais, como evacuação, acolhimento de famílias e manutenção de serviços essenciais.

A entidade destaca que a resposta a desastres climáticos deve envolver diferentes áreas da administração municipal, como saúde, assistência social, infraestrutura, educação, meio ambiente e finanças. O guia está disponível gratuitamente no portal da ABM.



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Fed pode elevar os juros nesta semana e mercado já começa a se preparar


Os dirigentes do Federal Reserve chegarão à reunião de política monetária desta semana confrontando uma ressurgência das pressões inflacionárias que pode tornar a decisão sobre manter ou elevar os juros algo muito próximo do empate — e bastante controverso.

A renovação das tensões no Oriente Médio fez os preços do petróleo dispararem novamente, ofuscando uma leitura mais comportada do que o esperado sobre os preços ao consumidor em junho, que parecia oferecer aos dirigentes uma folga para manter os juros estáveis. Some-se a isso um boom de demanda impulsionado pela inteligência artificial e os anúncios de novas tarifas pelo governo Trump, e os observadores do Fed veem a possibilidade de dissidências na reunião de 28 e 29 de julho caso os dirigentes optem novamente por não alterar a política monetária.

Investidores também aumentaram nos últimos dias suas apostas de que o banco central poderia elevar os juros na reunião desta semana, com as probabilidades chegando perto de 40% em determinado momento na semana passada.

“As coisas estão definitivamente esquentando no conflito do Oriente Médio e, para o petróleo, o risco de uma alta significativa a partir daqui aumentou”, disse Alex Payne, gestor sênior de portfólio da Vanguard. “O mercado está se ajustando ao risco de a inflação ser um pouco mais persistente por causa de algumas dessas questões geopolíticas.”

Possível resistência interna

Um número crescente de dirigentes delineou uma justificativa para apoiar juros mais altos agora, ou em breve.

A presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, defendeu no início deste mês uma elevação modesta dos juros, citando sua avaliação de que a inflação não está caminhando de forma sustentável de volta à meta de 2% do Fed. A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, também se manifestou recentemente, afirmando que “não há conflito” nos mandatos do Fed e que a inflação é uma preocupação maior do que o emprego no momento. Ambas votarão na decisão de juros desta semana e poderiam apresentar votos dissidentes caso os dirigentes optem por manter a taxa estável.

“Ouvindo os dirigentes do Fed, fica claro que há um pequeno grupo — como Logan e Hammack — que provavelmente já está pronto para agir”, disse Claudia Sahm, economista-chefe da New Century Advisors. “E depois há um grupo bem grande que quer ver mais melhora — e logo.”

Mesmo na reunião do mês passado, quando os dirigentes mantiveram a política estável pela quarta vez consecutiva, alguns já viam motivos para elevar os juros. A ata daquela reunião também mostrou que a maioria dos dirigentes havia discutido cenários em que a inflação permaneceria elevada devido à demanda relacionada à IA, ao conflito no Oriente Médio ou aos efeitos das tarifas. E quase todos nesse grupo indicaram que tais cenários provavelmente justificariam juros mais altos.

Desde aquela reunião, o governo Trump anunciou novas tarifas sobre o Canadá e outros parceiros comerciais, um frágil cessar-fogo entre o Irã e os EUA se desfez e o robusto investimento em IA mostrou poucos sinais de desaceleração.

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O presidente do Fed, Kevin Warsh, reafirmou o compromisso do banco central com a redução da inflação, prometendo no Congresso neste mês usar as ferramentas do banco central para alcançar a estabilidade de preços. Mas sua relutância em oferecer detalhes sobre como planeja usar essas ferramentas deixou os mercados sem clareza sobre o rumo dos juros — mesmo no curto prazo.

Ao fechamento da semana passada, os investidores precificavam uma probabilidade de cerca de 35% de elevação de juros nesta reunião, de acordo com contratos futuros de fundos federais. Essas probabilidades haviam caído para cerca de 10% após dados do Departamento do Trabalho divulgados em 14 de julho mostrarem que o Índice de Preços ao Consumidor dos EUA caiu em junho pela primeira vez em seis anos, à medida que os preços da gasolina recuaram. Mas a queda se reverteu com a reescalada da guerra com o Irã.

“Cerca de um terço dos bancos com os quais trabalhamos estão se posicionando para novas altas de juros, enquanto o restante está se protegendo contra cortes”, disse Pradeep Bhatia, CEO da Derivative Path, empresa que ajuda instituições financeiras a proteger riscos de juros e câmbio. “Esse tipo de bifurcação diz que o mercado parou de tentar prever o Fed e começou a se preparar para os dois resultados.”

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Agora ou depois

Os dirigentes podem se sentir confortáveis em manter os juros inalterados na esteira da leitura mais fria da inflação de junho, disse Veronica Clark, economista do Citigroup. Se os dados futuros mostrarem passagem limitada dos preços de energia mais altos e aumento do desemprego, os dirigentes podem optar por estender a pausa nos custos de crédito ou até mesmo cortar os juros, disse ela.

Alguns dirigentes de fato sugeriram que o Fed pode ser paciente por ora. Mas também disseram que o banco central pode precisar elevar os juros nas próximas reuniões caso as pressões de preços não arrefeçam.

“Em um cenário em que a inflação efetiva não começa a arrefecer em breve, acredito que poderia ser adequado reconsiderar nossa postura de política atual”, disse o vice-presidente do Fed, Philip Jefferson, dois dias após o relatório do CPI.

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Elevar os juros neste mês poderia ajudar Warsh a construir credibilidade em sua batalha contra a inflação e pode ser visto como menos político do que uma mudança de juros mais próxima das eleições de meio de mandato em novembro, disse Joseph Lavorgna, economista-chefe das Américas do SMBC Nikko Securities America e ex-funcionário do Departamento do Tesouro durante o segundo mandato do presidente Donald Trump.

Trump criticou o ex-presidente do Fed Jerome Powell depois que os dirigentes reduziram os juros em meio ponto percentual em setembro de 2024, semanas antes da eleição presidencial, chamando isso de “movimento político” destinado a ajudar sua rival nas eleições, a ex-vice-presidente Kamala Harris.

“Ir em setembro ou, Deus me livre, outubro — uma primeira alta bem antes das eleições de meio de mandato — como vai parecer isso? Ele pode muito bem ir agora”, disse Lavorgna.

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Lavorgna acrescentou que Warsh poderia aplacar o presidente enquadrando uma alta como um movimento que poderia ajudar a conter as taxas de mercado de longo prazo — algo que Trump se importa — ao controlar as expectativas de inflação.

Qualquer que seja o resultado, a coletiva de imprensa pós-decisão de Warsh será acompanhada de perto em busca de pistas sobre como ele e seus colegas veem a evolução da economia.

“Acho que essa é a coisa fundamental que precisamos aprender ao longo das próximas reuniões — sobre onde está o centro do comitê em relação a se as altas de juros são ou não necessárias”, disse Matthew Luzzetti, economista-chefe dos EUA do Deutsche Bank Securities.

© 2026 Bloomberg L.P.



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Ex-presidente do STF, Octavio Gallotti morre aos 95 anos


O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Octavio Gallotti morreu neste domingo (26) aos 95 anos. Casado com Iára Chateaubriand Pereira Diniz Gallotti, teve dois filhos: Luiz Gallotti Neto e a ministra Maria Isabel Diniz Gallotti Rodrigues, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Luiz Octavio Pires e Alburquerque Gallotti nasceu em 27 de outubro de 1930, no Rio de Janeiro. Era filho de Maria Antonieta Pires e Albuquerque Gallotti e do ex-presidente do STF Luiz Gallotti. Seu avô materno, Antônio Pires e Albuquerque, também integrou a Corte.

Em 1953, concluiu o curso de direito pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, a atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Durante a graduação, estagiou no então Ministério Público do Distrito Federal, na antiga capital.

Formado, iniciou a carreira como assistente do Procurador-Geral da República. Em 1956, tornou-se procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas. Dez anos depois, em 1966, assumiu o cargo de procurador-geral.

Em 19 de junho de 1973, foi empossado ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Oito dias depois, foi eleito vice-presidente e, em dezembro do mesmo ano, presidente.

Gallotti foi nomeado pelo ex-presidente João Figueiredo para o STF em 1984. Ele foi o último ministro indicado pela Ditadura Militar. Tornou-se integrante efetivo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 1989.

De 1993 a 1995, Gallotti presidiu o STF. No período, exerceu brevemente a Presidência da República, de 13 a 15 de junho e de 4 a 6 de agosto de 1994. Em 2000, aposentou-se.



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Do ovo ao tijolo, tráfico e milícias do Rio instauram monopólio e sequestram economia


Depois de erguer barricadas, controlar territórios com homens armados e restringir o direito de ir e vir de moradores, o tráfico e as milícias avançam sobre um novo mercado: o de produtos essenciais para o dia a dia da população. Na Região Metropolitana, grupos armados passaram a comandar a distribuição de alimentos — como arroz e trigo —, itens de limpeza e materiais de construção, forçando comerciantes a comprar de fornecedores indicados por eles.

A nova frente de atuação do crime transforma mercadorias básicas em mais uma fonte de financiamento das facções, afasta empresas formais, sufoca a concorrência e distorce o mercado. Especialistas afirmam que, a longo prazo, o avanço pode comprometer o desenvolvimento econômico do estado.

Investigações mostram que a exploração de serviços e produtos não é uma prática restrita a uma única organização criminosa. Facções, como o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP), além de grupos milicianos, operam como um cartel territorial, ampliando o controle sobre o consumo das famílias.

Custo de R$ 21,4 bilhões por ano

Um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) calcula que esse domínio custa cerca de R$ 21,4 bilhões por ano à economia formal fluminense — um dos maiores valores absolutos do país.

Samuel Rivero, especialista em Segurança Pública da Firjan, explica que esse prejuízo inclui o impacto de mercados ilícitos sobre a produção, a circulação e a comercialização de bens. Enquanto isso, nas ruas, a população se depara com a exploração do crime nos afazeres mais simples do cotidiano, como ir à feira ou à padaria.

“A ilegalidade representa um custo relevante para o ambiente de negócios, ampliando a concorrência desleal, elevando riscos operacionais e pressionando gastos com logística, segurança e gestão de risco. Ou seja, desorganiza cadeias produtivas e reduz competitividade.”

O promotor de Justiça Fábio Corrêa, coordenador do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), do Ministério Público do Rio, classifica o avanço desse monopólio como a “terceira onda” de atuação do crime organizado. A primeira foi a do comércio varejista de drogas; a segunda, a exploração de serviços, como TV por assinatura clandestina, internet e transporte alternativo. Agora, os grupos criminosos migram para setores da economia formal.

“Eles estão passando a controlar o fornecimento de matérias-primas e produtos essenciais. Se antes extorquiam dinheiro de construtoras e comerciantes, hoje atuam de outra forma: abrem os próprios negócios ou impõem que apenas os produtos indicados pela facção sejam comercializados, pelos preços que eles determinam. Em muitos casos, sequer precisam recorrer a laranjas. Eles criam e administram suas próprias empresas”, explica o promotor.

“Paramos de vender ovos”

Em um bairro de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, um supermercado deixou de vender ovos após os proprietários serem pressionados a comprar o produto de fornecedores indicados pelo tráfico. Uma funcionária do estabelecimento, que pediu para não ser identificada, contou que a cartela com 20 unidades era adquirida legalmente por valores entre R$ 8,99 e R$ 10,50, mas passou a ser oferecida pelos criminosos por R$ 14:

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“Nós paramos de vender ovos na loja. O produto não conseguia mais se pagar. Era comprar para estragar. No caso do pão, já somos obrigados a comprar a farinha com eles, mas tivemos que repassar todos os custos para o cliente. O produto se paga, mas não dá lucro algum, e a qualidade caiu muito. Hoje, temos uma média mensal de vendas muito abaixo da que tínhamos antes, e tudo por causa do tráfico. O preço do pão subiu cerca de 200% na região. Os rumores agora são de que o próximo produto será o alho.”

Segundo a funcionária, os criminosos começaram a impor a compra da farinha no início deste ano:

“Eles entram armados nas lojas e avisam: ‘Agora, o fornecedor de farinha de vocês somos nós’. Se outro caminhão entra na região, há risco até de assalto.

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Daniel Cerqueira, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, explica que a infiltração cada vez mais intensa do crime organizado no mercado formal tem impacto direto sobre a produtividade da economia.

“Quando o crime se apropria da distribuição de produtos e do controle de empresas, elas deixam de operar pela lógica normal do mercado, que busca aumentar os lucros por meio da eficiência e da competitividade. Em vez disso, passam a funcionar puxando a produtividade da economia para baixo. No longo prazo, isso gera uma série de consequências, sendo a principal delas a redução da capacidade de crescimento sustentável. É um verdadeiro tiro no pé da economia”, afirma.

Cerqueira destaca ainda que essa dinâmica cria um ambiente hostil para empresas que atuam dentro da legalidade. A extorsão, o monopólio imposto pelo crime organizado e a insegurança comprometem o desenvolvimento das regiões dominadas por essas organizações:

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“As áreas sob domínio do crime organizado no Rio continuam se expandindo e, para uma empresa legal funcionar nesses locais, há muitos riscos. Por isso, elas acabam indo embora. Isso tem um efeito direto sobre os investimentos e a atividade empresarial. Se essas empresas deixam de operar, muitas pessoas perdem o emprego e acabam recorrendo à informalidade para sobreviver.”

Segundo a Firjan, empresas que atuam no Rio têm um gasto adicional de cerca de R$ 9,7 bilhões por ano, o equivalente a 0,7% do PIB do estado, com segurança, seguro, logística e gestão de risco, além de perdas de produtividade e de atratividade para novos investimentos.

Em março do ano passado, Rafael da Silva Braga, de 43 anos, acordou cedo e deixou a família dormindo em casa. Naquela manhã, foi informado de que uma de suas padarias, em Paciência, na Zona Oeste do Rio, estava sem energia elétrica. Ao chegar ao estabelecimento, por volta das 6h, enviou um áudio à esposa pedindo ajuda para transportar os pães até outra unidade da rede, a cerca de 1,5 quilômetro dali. Ela, porém, não teve tempo de ouvir a mensagem. Cerca de dois minutos depois, dois homens passaram em frente ao comércio em uma motocicleta e dispararam cinco vezes contra Braga, que morreu no local. Ele deixou três filhos.

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A Delegacia de Homicídios da Capital apurou que o crime teria sido motivado pela recusa do comerciante de aderir à “taxa da farinha”, mecanismo que, além de impor o fornecedor do trigo, determina o preço de venda do pão, que passou de R$ 0,30 para R$ 0,60 a unidade. Rafael, que havia inaugurado a padaria apenas quatro meses antes de ser assassinado, já pagava a “taxa de segurança”.

Após esse crime, a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) identificou pelo menos três empresas ligadas ao crime organizado que monopolizavam a distribuição de trigo na Zona Oeste. Segundo o delegado Jefferson Ferreira, o controle exercido por milicianos e pelo TCP chegou ao ponto em que a demanda superou a capacidade dos fornecedores ligados ao grupo.

“Eles pegaram um fornecedor pequeno e deram a ele o monopólio da distribuição. Só que começou a faltar matéria-prima, porque a demanda era muito grande. Quando os produtos acabavam, eles até permitiam que os comerciantes comprassem de outro fornecedor. O problema é que, quando os caminhões chegavam para fazer a entrega, eram assaltados e, as cargas, roubadas. Depois, esse material era repassado ao fornecedor ligado ao crime, que continuava revendendo a farinha e mantendo o monopólio”, explicou o delegado.

Esse controle, que já atinge há mais tempo a venda de botijões de gás e água mineral, também está chegando à cesta básica, ao arroz, ao cigarro e às bebidas. Em uma denúncia anônima encaminhada ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea) no fim do ano passado, um morador conta que comerciantes desses produtos numa determinada área da Zona Oeste são obrigados a comprar exclusivamente de empresas ligadas à milícia. “Estamos vivendo em um local onde não temos o direito de ir e vir, nem de nos expressar ou questionar as ordens impostas por eles, o que faz com que todos vivam coagidos”, relatou.

O crime também avançou na venda de tijolos e areia para lojas de materiais de construção em Queimados, Nova Iguaçu e Itaguaí, na Baixada Fluminense. Segundo denúncias investigadas pela Promotoria de Investigação Penal de Itaguaí, comerciantes estariam sendo obrigados a adquirir esses produtos de fornecedores indicados por paramilitares. O órgão apura ainda a suspeita de extorsão a proprietários de usinas de energia solar. Além de cobrança de taxas para funcionar no município, os criminosos estariam exigindo dos empresários a contratação de empresas de manutenção vinculadas à quadrilha.

Apesar de o monopólio da venda de gás por grupos criminosos ser uma prática antiga associada ao controle territorial exercido por facções e milícias, ele continua sendo uma importante fonte de renda para essas organizações. Por se tratar de um produto essencial para as famílias, os criminosos impõem preços acima dos praticados no mercado, contando com a falta de alternativas e o medo dos moradores para garantir as vendas. Na Rocinha, na Zona Sul do Rio, um botijão de gás chega a ser vendido por R$ 170. O valor é 84% superior ao preço de R$ 92,12 pago pelo governo às distribuidoras para abastecer beneficiários do programa Gás do Povo, voltado para famílias de baixa renda.

“É um absurdo pagar isso. Esse dinheiro que a gente acaba pagando a mais, porque só pode comprar deles, faz muita falta”, disse um morador, que pediu anonimato.

Também há relatos de preços superfaturados na Muzema (R$ 150), no Itanhangá, e na Gardênia Azul (R$ 129), em Jacarepaguá. As duas localidades, na Zona Sudoeste, têm áreas sob influência do Comando Vermelho.

‘Gatos’ bilionários

Tão antiga quanto a exploração da venda de gás é a apropriação do fornecimento de energia pelo crime organizado. Segundo a Light, a concessionária perde cerca de R$ 1,3 bilhão por ano em decorrência do furto de energia. Desse total, de acordo com o superintendente de Serviços Comerciais da empresa, Keison Thurler, uma parcela expressiva é atribuída diretamente à atuação das organizações criminosas.

Diante da expansão territorial desses grupos, a Light desenvolveu um projeto de “blindagem da rede”, que consiste na instalação de medidores protegidos por estruturas resistentes a disparos de arma de fogo, dificultando furtos e adulterações:

“Essas estruturas foram instaladas principalmente nas franjas das comunidades, que são as áreas onde o domínio do crime organizado avança em direção ao asfalto.”



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União reconhecerá emergência em seis cidades atingidas por temporal no interior de SP


O governo federal vai reconhecer imediatamente a situação de emergência de seis municípios do interior de São Paulo atingidos pelo forte temporal da última sexta-feira (24). Com a medida, as prefeituras poderão solicitar recursos da União para ações de assistência às famílias, restabelecimento de serviços essenciais e reconstrução das áreas afetadas.

As cidades de Ribeirão Preto, Dumont e Taquaritinga já tiveram o reconhecimento confirmado pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Guariba, Barrinha e Pradópolis, que também sofreram danos provocados pelas chuvas, devem receber o mesmo apoio federal.

O temporal atingiu a região de Ribeirão Preto com chuva intensa, granizo, raios e rajadas de vento de até 122 km/h. Uma pessoa morreu e outra ficou ferida após um desabamento. Segundo o Ministério da Integração, 370 famílias ficaram desalojadas e duas estão desabrigadas.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve sobrevoar nesta manhã as áreas mais afetadas. No sábado (25), o vice-presidente Geraldo Alckmin esteve em Ribeirão Preto e afirmou que os recursos federais serão liberados o mais rápido possível. Ele também destacou que moradores das áreas atingidas poderão solicitar o saque de até 50% do saldo do FGTS.

“O importante é dizer que estamos à inteira disposição dos prefeitos da região. É dever do Estado apoiar os municípios, ajudar as famílias na ajuda humanitária, no restabelecimento dos serviços essenciais e na reconstrução”, afirmou Alckmin.

Também no sábado, o vice-governador Felicio Ramuth e o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Henguel Ricardo Pereira Monteiro, acompanharam as ações de apoio às vítimas. Segundo Ramuth, parte das cidades ainda enfrenta problemas no fornecimento de energia elétrica, e o Estado enviou cestas básicas, kits de higiene, colchões, cobertores, 3 mil telhas, caminhões-pipa e máquinas para auxiliar na desobstrução das vias.

A Defesa Civil informou ainda que dez caminhões-pipa foram deslocados para reforçar o abastecimento de água na região. O órgão orienta que a população continue evitando áreas de risco e acompanhe os alertas meteorológicos, que podem ser recebidos por SMS após cadastro com o CEP no número 40199.



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Saiba quem eram os funcionários dos EUA que tiveram visto negado pelo Brasil


O Brasil negou o visto de dois oficiais do governo dos Estados Unidos que viriam ao país para, segundo o jornal The Washington Post, deslegitimar o sistema eleitoral brasileiro a pedido do presidente norte-americano, Donald Trump, e do Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio.

Ao Estadão, o Itamaraty confirmou que a entrada foi negada para Riley Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, secretário-assistente adjunto do Departamento de Estado norte-americano.

Ambos foram citados em conversas de oficiais dos EUA com o jornal americano. Nos diálogos, havia a indicação de que a dupla seria escolhida para desembarcar no Brasil, mas não foi informado o propósito da viagem.

Riley Barnes

Nascido na cidade de Uvalde, no Texas, Barnes se formou em Ciência Política pela Universidade Washington and Lee e possui mestrado em Relações Internacionais.

No site do Departamento de Estado dos Estados Unidos, ele é apresentado como subsecretário do Departamento de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, cargo que ocupa desde 2025.

Neste ano, Marco Rubio o indicou para atuar como Coordenador Especial dos Estados Unidos para Questões Tibetanas e lhe delegou as atribuições de Embaixador Extraordinário para a Liberdade Religiosa Internacional.

Antes de se tornar subsecretário, Barnes ocupou outros cargos no Departamento de Estado, onde iniciou sua trajetória em 2018, de acordo com sua rede social profissional.

Conforme o site do Departamento, por lá, ele foi conselheiro sênior do subsecretário para Assuntos Políticos, redator-chefe de discursos do secretário, integrante da equipe de planejamento de políticas, entre outras funções.

Também trabalhou como redator-chefe de discursos do então líder adjunto da maioria no Senado, John Cornyn, do Texas.

Antes de trabalhar para o governo americano, atuou no Atlantic Council, um centro de estudos de Relações Internacionais, onde foi diretor assistente e pesquisador de um centro para Estratégia e Segurança.

Samuel Samson

Samuel Samson, de 27 anos, é subsecretário-adjunto de Estado para o Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL) no Departamento de Estado dos Estados Unidos e foi designado para o cargo em 3 de maio de 2026.

Anteriormente, ele atuou como conselheiro sênior de Políticas no DRL, tendo sido nomeado por Trump em 20 de janeiro de 2025.

Filho de mãe filipina e pai americano, Samson nasceu no Texas e se formou na Universidade do Texas em Austin, onde se especializou em teoria do direito natural e sua interseção com as políticas públicas americanas. Hoje, reside em Washington, D C.

Conhecido por ser religioso desde cedo, em 2013, quando era presidente estudantil de sua escola primária católica em Houston, declarou ter “uma fé pessoal e ativa em Deus, um profundo respeito pelos valores intelectuais e uma consciência social que impulsiona à ação”.

Já no ensino médio, Samson se candidatou ao conselho estudantil com o slogan inspirado no movimento MAGA, “Make America Great Again” (Tornar a América Grande Novamente, em tradução livre) e, segundo o jornal da escola, era conhecido como um “conservador feroz”.

Na universidade, demonstrou frustração com o ambiente acadêmico. Após trabalhar durante um verão como assessor do senador republicano pelo Texas Ted Cruz, Samson afirmou ter recebido insultos e ameaças na universidade por causa de seu posicionamento político conservador.

Seu ativismo religioso o levou ao grupo político American Moment, ligado ao atual vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance. Samson trabalhou por quase três anos na entidade, principalmente como diretor de parcerias estratégicas.

Em 2025, sob a nova gestão de Donald Trump à frente da presidência dos Estados Unidos, Samson foi nomeado conselheiro sênior do Departamento de Estado, no Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho. Ele permaneceu no cargo até maio de 2026, quando assumiu como subsecretário-adjunto de Estado.

Recentemente, ele viajou pela África e Europa promovendo a política de Trump e fortalecendo relações com grupos de direita. Além disso, produziu relatórios que, segundo críticos, tratavam de questões relacionadas aos direitos humanos a partir de uma perspectiva partidária.

Não há registros públicos informando se o diplomata é casado ou se possui filhos.

Entenda o caso

De acordo com informações divulgadas pelo jornal The Washington Post, na sexta-feira (24), o governo de Donald Trump pretendia enviar dois oficiais ao Brasil para lançar dúvidas sobre a lisura e a integridade do sistema eleitoral brasileiro.

Autoridades brasileiras que conversaram com o jornal norte-americano afirmam que a intenção dos EUA era elaborar um relatório que pudesse ser usado para deslegitimar o sistema de votação eletrônica do Brasil.

O Estadão apurou que o Brasil já havia identificado a intenção da Casa Branca em 20 de julho, quando o governo brasileiro soube que o Departamento de Estado dos EUA solicitara os vistos ao Consulado do Brasil em Washington.

Um sinal de alerta veio quando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com embaixadores no dia seguinte, 21. No encontro, ele citou suspeitas já negadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as urnas eletrônicas.

Formalmente, o pedido dos Estados Unidos era para debater “liberdade de expressão relacionada às eleições”. As autoridades brasileiras identificaram uma tentativa de tumultuar o processo eleitoral por meio da missão diplomática.

O TSE afirmou que a área internacional da Corte foi procurada pela Embaixada dos Estados Unidos para tratar de uma visita de integrantes do governo norte-americano, mas não foi informada sobre a pauta da agenda. A reunião não foi marcada em razão do recesso do Judiciário.



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Família do RS faz campanha para comprar remédio de R$ 8 mi para bebê com AME


A família de Léo Wolschick Soares, de 1 ano e 11 meses, corre contra o tempo para conseguir o medicamento Zolgensma antes de ele completar 2 anos, em 22 de agosto. Considerado o remédio mais caro do mundo, é utilizado para o tratamento de atrofia muscular espinhal (AME) em bebês.

Segundo a fabricante Novartis, o Zolgensma é um tipo de medicamento de dose denominado “terapia gênica”. O laboratório afirma que o remédio fornece uma “cópia totalmente funcional” do gene ausente ou anormal em pacientes com diagnóstico de AME. Assim, o fármaco promete neutralizar os efeitos da atrofia muscular espinhal.

Em entrevista à Jovem Pan, o pai de Léo, Giovane Soares, contou que o custo para a aplicação do Zolgensma no filho foi orçado em R$ 8.662.000,00. A família iniciou uma campanha na região onde mora, em Santa Clara do Sul, no Rio Grande do Sul, e nas redes sociais. Até o momento, foi arrecadado cerca de R$ 1,5 milhão.

Em paralelo, corre na Justiça um processo contra a União para o fornecimento da medicação. Giovane disse que o pedido da família foi negado. Eles recorreram e conseguiram aval para que a aplicação do Zolgensma fosse feita em até 10 dias. Entretanto, o governo federal contestou a determinação. Agora, esperam por uma nova decisão.

“A gente acredita que vai dar certo. O caminho é longo, é uma corrida contra o tempo, mas temos muita esperança”, declarou Giovane.

O pai também relatou que o período para conseguir a decisão favorável na Justiça ou para arrecadar o valor é curto em razão do prazo de envio do medicamento ao Brasil. De acordo com Geovane, a fabricante precisa de 10 dias para fazer a exportação.

Diagnóstico

Quando Léo estava com 1 ano e 5 meses, a família procurou fisioterapia para ele. Geovane disse que ele e a esposa ficaram preocupados por o filho não conseguir caminhar.

Cerca de 30 dias depois do início do tratamento, a fisioterapeuta indicou que Léo fosse levado a um neurologista, porque ele não havia apresentado evolução. O bebê recebeu o diagnóstico para AME tipo II em junho, quando estava com 1 ano e 10 meses.

Geovane contou que Léo “já perdeu alguns movimentos”. Antes, ele dava alguns passos e ficava em pé após descer do sofá, mas já não consegue mais.

Atualmente, Léo faz tratamento com Risdiplam, um medicamento de uso contínuo. Segundo Geovane, o atual remédio apresenta resultados a longo prazo. Já o Zolgensma, combinado com terapias, pode proporcionar uma vida “normal”.

Atrofia muscular espinhal

De acordo com o Ministério da Saúde, a AME é uma doença rara e genética que afeta os neurônios motores espinhais, responsáveis por conectar a médula espinhal com o músculo para o envio de comandos do cérebro. Em pessoas diagnosticadas com a atrofia, essas estruturas param de funcionar gradualmente.

A perda de neurônios resulta em fraqueza dos músculos, afetando os movimentos, a postura, a capacidade de engolir e a respiração. Conforme informações do Instituto Nacional da Atrofia Muscular Espinhal (Iname), há cinco classificações de AME. Os casos mais graves são os tipo 0 e I, em que os problemas motores aparecem nos primeiros meses de vida. Os mais comuns são os I, II e III.

No tipo II, segundo o Iname, a fraqueza muscular costuma aparecer na faixa dos 6 aos 18 meses. O bebê consegue sentar sem apoio, mas não chega a andar. A criança também pode apresentar dificuldade respiratória e para engolir. Ao longo da vida, o paciente pode desenvolver escoliose, deformidades articulares e ter deslocamento de quadril.





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Índia manterá diálogo com EUA sobre acordo comercial após novas tarifas


MUMBAI, Índia, ⁠25 Jul (Reuters) – A Índia afirmou ⁠neste sábado que continuará dialogando com os Estados ‌Unidos para concluir um acordo comercial bilateral, depois que Washington impôs uma tarifa de 10% ‌sobre as importações provenientes do país no âmbito de novas medidas comerciais.

O governo Trump anunciou na sexta-feira novas tarifas entre 10% e 12,5% sobre produtos provenientes de 60 parceiros comerciais, incluindo a ⁠Índia, ‌alegando que esses países não haviam conseguido ⁠coibir as importações provenientes de trabalho forçado.

A nova tarifa imposta à Índia é inferior aos 12,5% propostos em junho e exclui produtos como medicamentos genéricos, smartphones, aço, alumínio e peças ​automotivas, informou o Ministério do Comércio da Índia em comunicado.

A Índia continua em diálogo com ​os Estados Unidos e dará continuidade às discussões sobre questões setoriais específicas, incluindo têxteis, como parte das negociações sobre um pacto comercial bilateral, afirmou o comunicado.

Os dois países vêm ‌negociando um acordo comercial desde o ​ano passado, buscando aprofundar os laços econômicos e resolver questões de longa data relacionadas ao acesso ao mercado.

“O governo continua ⁠comprometido em ​trabalhar com ​os Estados Unidos para a conclusão antecipada do Acordo Comercial Bilateral ⁠Índia-EUA”, afirmou o ministério.

Segundo ​o comunicado, cerca de 45% das exportações da Índia para os Estados Unidos permanecerão fora do escopo ​da nova tarifa devido a isenções de produtos, enquanto os 55% restantes estarão sujeitos ​ao novo imposto ⁠de 10%.

A nova tarifa se aplica além das tarifas padrão ⁠dos EUA para a nação mais favorecida.

A Reuters informou na sexta-feira que os exportadores indianos de têxteis e vestuário provavelmente ficarão em desvantagem em relação a vários concorrentes asiáticos sob o novo regime ​tarifário.

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Indústria do tabaco estima perdas de até US$ 100 mi com tarifaço dos EUA


O Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e a Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) encaminharam uma carta nesta sexta-feira, 24, ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) pela qual solicitam a atuação do governo para incluir o tabaco na lista de exceções à tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Segundo estimativa do setor, citada pelas entidades em nota, o Brasil poderá perder aproximadamente US$ 100 milhões em exportações.

Na carta, chamam a atenção para o fato de que outros produtos do agronegócio brasileiro, como carne bovina, café, laranja, mel orgânico, castanhas e celulose, foram contemplados na lista de exceções à tarifa adicional divulgada pelos Estados Unidos, enquanto o tabaco permaneceu sujeito à sobretaxa.

As entidades destacam a relevância econômica e social da cadeia produtiva do tabaco, presente em 525 municípios e responsável pela geração de renda para mais de 600 mil pessoas no meio rural.

As entidades ressaltam que os Estados Unidos eram, historicamente, o terceiro maior destino das exportações brasileiras de tabaco, respondendo por cerca de 9% dos embarques do setor. No entanto, essa participação caiu para 6% em 2025.



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Receita prevê arrecadar R$ 17,2 bilhões com IR sobre dividendos


A arrecadação com o Imposto de Renda sobre dividendos deve somar R$ 17,2 bilhões este ano, abaixo dos R$ 28 bilhões previstos inicialmente no Orçamento. A estimativa foi apresentada nesta sexta-feira (24) pela Receita Federal durante a divulgação do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas.

A tributação dos dividendos foi criada para compensar a perda de arrecadação provocada pela ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil, medida que também tem impacto estimado em R$ 28 bilhões neste ano.

No primeiro semestre, porém, o desempenho da nova fonte de receita ficou aquém do esperado. De janeiro a junho, a arrecadação somou apenas R$ 2,2 bilhões. A expectativa da Receita é obter outros R$ 15 bilhões entre julho e dezembro.

Arrecadação

O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, disse que a projeção para o segundo semestre ainda será acompanhada de perto pelo Fisco.

“A expectativa é arrecadar cerca de R$ 15 bilhões no segundo semestre, totalizando aproximadamente R$ 17,2 bilhões no ano”, disse Malaquias durante a apresentação do relatório.

O valor representa uma frustração de aproximadamente R$ 10,8 bilhões em relação à estimativa original incluída no Orçamento.

Estimativa

Apesar da arrecadação abaixo do previsto, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse que ainda é cedo para concluir que a estimativa precisará ser revisada e destacou que esse tipo de receita não apresenta comportamento uniforme ao longo do ano.

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“Não dá para tratar isso de maneira linear. Agora, nós já vamos entrando no segundo semestre e haverá mais base para entender se essa projeção se mantém ou não. No próximo relatório, de posse de números mais atualizados, nós vamos tomar novas decisões”, afirmou.

Moretti ressaltou que outras receitas tributárias vêm superando as expectativas e ajudam a compensar o desempenho abaixo do esperado da tributação sobre dividendos.

“Ainda temos uma margem na meta [de resultado primário] de R$ 10,8 bilhões. Hoje, com as premissas utilizadas no relatório, temos muita segurança sobre o cumprimento com folga da nossa meta”, disse.

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O ministro ressaltou que a estimativa de arrecadação total do Imposto de Renda este ano aumentou R$ 12,7 bilhões entre os relatórios bimestrais divulgados em maio e julho.

Medida compensatória

A tributação dos dividendos entrou em vigor como uma das principais medidas para compensar a ampliação da isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física para quem recebe até R$ 5 mil por mês.

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Pelas regras atuais, dividendos distribuídos a pessoas físicas passaram a ser tributados em 10%, tanto para residentes no Brasil quanto nas remessas ao exterior. Permanecem isentos os valores de até R$ 50 mil mensais recebidos de uma mesma empresa.

Meta fiscal

Mesmo com a arrecadação inferior ao previsto, o governo manteve as projeções fiscais do Orçamento.

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O relatório bimestral estima superávit primário de R$ 10,8 bilhões este ano, com dedução de gastos autorizada pelo arcabouço fiscal e pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Dessa forma, o resultado permanece dentro da banda de tolerância da meta fiscal.

A meta central de resultado primário fixada para este ano é um superávit de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), com margem que permite resultado até 0,5% do PIB. O resultado primário representa o déficit ou superávit sem os juros da dívida pública.

Outras receitas

A equipe econômica avalia que a frustração com a arrecadação sobre dividendos vem sendo parcialmente compensada por outras fontes de receita, incluindo medidas adotadas nos últimos anos para ampliar a tributação de empresas e investimentos no exterior.

Ainda assim, a Receita Federal informou que continuará monitorando o desempenho da tributação dos dividendos e poderá revisar novamente a estimativa de arrecadação no próximo relatório bimestral, caso o ritmo de recolhimento permaneça abaixo do esperado.



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