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JBS passa a integrar o índice Russell 3000 nos EUA

A JBS passou a integrar oficialmente o Russell 3000, um dos principais índices do mercado acionário dos Estados Unidos, após a conclusão da reconstituição semestral promovida pela FTSE Russell. As mudanças entraram em vigor na abertura do mercado desta segunda-feira (29), após serem finalizadas no fechamento do pregão de 26 de junho.

O Russell 3000 reúne aproximadamente 98% do mercado acionário investível dos Estados Unidos e serve de referência para trilhões de dólares administrados por fundos de investimento e ETFs que replicam a composição do índice. A FTSE Russell informou que a reconstituição de 2026 marcou a transição para um modelo de rebalanceamento semestral, refletindo as mudanças no tamanho e na representatividade das empresas listadas nas bolsas norte-americanas.

A inclusão da JBS representa um passo importante na estratégia da companhia de ampliar sua presença no mercado de capitais dos Estados Unidos após a dupla listagem de suas ações. Com a entrada no índice, fundos passivos que acompanham o Russell 3000 passam a incluir automaticamente os papéis da empresa em suas carteiras.

Segundo estimativas do Morgan Stanley, a inclusão da JBS pode gerar um fluxo de aproximadamente US$ 190 milhões em investimentos passivos, impulsionado pela necessidade de adequação das carteiras dos fundos indexados.

A FTSE Russell destacou que a reconstituição deste ano elevou a capitalização de mercado do Russell 3000 para cerca de US$ 75,6 trilhões, um crescimento de 29% em relação ao ano anterior, refletindo a valorização das empresas listadas e a expansão do mercado acionário norte-americano.

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USDA mantém boas condições para lavouras de milho e soja nos EUA

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgou nesta segunda-feira (29) o relatório semanal de acompanhamento das lavouras, indicando que as principais culturas de verão seguem apresentando bom desenvolvimento e condições favoráveis nos Estados Unidos. O cenário mantém a expectativa de uma grande produção norte-americana em 2026.

No milho, 67% das lavouras foram classificadas entre boas e excelentes até o dia 28 de junho. O índice ficou praticamente estável em relação à semana anterior, quando era de 68%, e acima do registrado no mesmo período do ano passado, de 65%. Outros 25% das áreas estão em condição regular, enquanto apenas 8% foram avaliadas entre ruins e muito ruins.

O desenvolvimento da cultura também segue dentro do esperado. O relatório mostra que 6% das lavouras já entraram na fase de emissão das espigas, conhecida como pendoamento. Essa etapa é uma das mais importantes do ciclo do milho, pois marca o início da polinização, processo responsável pela formação dos grãos nas espigas.

Na soja, o USDA informou que 65% das lavouras estão em boas ou excelentes condições, repetindo o percentual observado na semana anterior e acima do registrado há um ano. As áreas classificadas como regulares representam 27%, enquanto apenas 8% apresentam condições ruins ou muito ruins.

O desenvolvimento da oleaginosa também avança normalmente. O florescimento atingiu 15% das lavouras, próximo da média histórica para esta época do ano, de 16%. Já 2% das áreas iniciaram a formação das primeiras vagens, estruturas onde os grãos de soja se desenvolvem até a colheita.

Entre as demais culturas, a colheita do trigo de inverno atingiu 39% da área, avanço de nove pontos percentuais na semana, mas ainda abaixo da média dos últimos cinco anos, de 48%. As condições da cultura permaneceram praticamente estáveis, com 52% das lavouras avaliadas entre boas e excelentes.

No trigo de primavera, 59% das áreas foram classificadas em boas ou excelentes condições, um ponto percentual acima da semana anterior. O desenvolvimento da cultura segue próximo da média histórica, com 34% das plantas já apresentando espigas totalmente formadas.

O algodão também apresentou estabilidade, com 52% das lavouras em boas ou excelentes condições. O relatório mostra que 36% das áreas já estão na fase de formação dos botões florais, que darão origem às flores da planta, enquanto 9% iniciaram a formação das maçãs. Apesar do nome, as maçãs do algodão não são frutos como a fruta conhecida pelos consumidores. Trata-se da cápsula que se forma após a flor e que, quando amadurece, se abre para liberar as fibras de algodão e as sementes.

As condições de umidade do solo continuam relativamente favoráveis. Segundo o USDA, 77% das áreas agrícolas apresentam umidade adequada ou excedente na camada superficial do solo, enquanto 23% registram algum nível de deficiência hídrica. Na camada mais profunda do solo, 73% das áreas possuem umidade adequada ou excedente.

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Soja fecha em queda em Chicago com mercado à espera de relatório do USDA

Os contratos futuros da soja encerraram o pregão desta segunda-feira (29) em queda na Bolsa de Chicago. O contrato com vencimento em novembro recuou 1,49%, fechando cotado a US$ 11,39 por bushel.

Segundo análise da Agrinvest, o complexo da soja foi pressionado pela cautela dos investidores na véspera da divulgação do relatório de área plantada e estoques trimestrais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O mercado segue dividido quanto ao tamanho da área efetivamente cultivada com soja no país, o que aumentou a volatilidade das negociações.

Durante o dia, o USDA informou uma venda de 136 mil toneladas de soja para destinos não revelados. Apesar do anúncio, que normalmente poderia oferecer sustentação às cotações, o volume negociado não foi suficiente para reverter o movimento de baixa.

Além da oleaginosa, os contratos de óleo e farelo de soja também registraram perdas, refletindo a pressão sobre todo o complexo. Com os agentes posicionados antes da divulgação dos dados oficiais do USDA, prevaleceu um movimento de realização de lucros e redução de posições, levando os preços da soja a encerrarem o dia em queda.

Milho

Os contratos futuros do milho encerraram o pregão em baixa na Bolsa de Chicago. O contrato com vencimento em dezembro recuou 2,60%, fechando cotado a US$ 4,30 por bushel.

Segundo a análise da Granar, o mercado segue dividido em relação ao relatório de área plantada que será divulgado pelo USDA. Parte dos operadores aposta que o órgão poderá revisar para baixo a estimativa de área semeada com milho apresentada em março, o que tende a dar sustentação aos preços. Outros analistas, porém, avaliam que o número poderá ser revisado para cima, aumentando as expectativas de oferta.

Além da expectativa em torno do relatório, as condições climáticas também influenciaram as negociações. As chuvas registradas nesta segunda-feira no norte e no oeste do cinturão produtor de milho e soja dos Estados Unidos exerceram pressão sobre as cotações. Iowa, principal estado produtor de milho do país, está entre as regiões que devem receber volumes expressivos de precipitação ao longo dos próximos sete dias, favorecendo o desenvolvimento das lavouras e reforçando a perspectiva de uma safra robusta.

Trigo

Os contratos futuros do trigo encerraram a sessão em baixa na Bolsa de Chicago, pressionados pelas previsões de melhora nas condições das lavouras de primavera nos Estados Unidos e pelo avanço da colheita no Hemisfério Norte. O contrato para entrega em setembro recuou 1,70%, encerrando o dia cotado a US$ 5,79 por bushel.

De acordo com análise do Granar, o principal fator de pressão sobre as cotações foi a previsão de chuvas volumosas entre esta segunda-feira e o fim da semana em Dakota do Norte, maior estado produtor de trigo de primavera dos Estados Unidos. A expectativa é de que as precipitações beneficiem o desenvolvimento das lavouras, reforçando a perspectiva de maior oferta da commodity.

O mercado também segue acompanhando o ritmo acelerado da colheita do trigo de inverno nos Estados Unidos, que amplia a disponibilidade do cereal no mercado. Além disso, a expectativa de intensificação da colheita entre os principais países produtores do Hemisfério Norte nos próximos dias reforça o cenário de oferta elevada.

Com a combinação de melhores condições climáticas e aumento da disponibilidade do cereal, os investidores mantiveram o movimento de realização de lucros e reduziram as apostas de valorização do trigo, levando os preços a fechar o dia no menor patamar da sessão.

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Cacau recua em Nova York com expectativa de maior oferta global

A perspectiva de aumento na oferta pressionou as cotações futuras do cacau nesta segunda-feira (29) na Bolsa de Nova York. O contrato do cacau para entrega em setembro fechou com queda de 2,51% e ficou precificado em US$ 4.967 por tonelada.

De acordo com o Barchart, os preços do cacau recuaram pela segunda sessão consecutiva, em meio a sinais de aumento da oferta global.

A Bloomberg informou na última sexta-feira que as exportações nigerianas de cacau em maio subiram 28% em relação ao ano anterior, atingindo 18 mil toneladas.

Café

No caso do contrato futuro do café arábica, fechou o dia com alta, em que o vencimento para entrega em setembro do café registrou alta de 1,68% e encerrou cotado em US$ 2,76 por libra-peso. 

O Barchart destacou que os preços do café fecharam com forte alta, já que as fortes chuvas no Brasil estão atrasando o andamento da colheita da safra.

A Somar Meteorologia informou que o índice pluviométrico em Minas Gerais, a maior região produtora de café do Brasil, foi de 31,3 mm na semana encerrada em 28 de junho, o que representa 1.956% da média histórica. 

Açúcar

O contrato futuro do açúcar para entrega em outubro finalizou a sessão precificado em 14,78 centavos de dólar a libra-peso, com uma alta de 1,86%.

Segundo as informações do Barchart, os preços do açúcar subiram acentuadamente pelo terceiro dia consecutivo, com o açúcar em Nova York atingindo a maior cotação em três semanas.  

“Os preços do açúcar estão disparando em meio a preocupações de que as fracas chuvas de monção na Índia reduzam a produção de açúcar e diminuam a safra de cana-de-açúcar do país, a segunda maior do mundo”, informou o Barchart.  

Algodão

Já no caso do algodão, o contrato futuro para entrega em dezembro fechou com ligeiro avanço de 0,09% e precificado em 76,45 centavos de dólar a libra-peso.

O mercado está na expectativa da divulgação do relatório anual do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) sobre a área plantada de grãos nos Estados Unidos, que será divulgado nesta terça-feira (30).

Os operadores consultados pela Bloomberg preveem uma área de 9,6 milhões de acres plantados de algodão nesta primavera.

Suco de laranja

O vencimento futuro para o suco de laranja para entrega em setembro finalizou com valorização de 4,44%, com o contrato fechando negociado a US$ 1,55 por libra-peso. 

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Grupo Zanchetta adquire Ceratti, de frios e embutidos

O Grupo Zanchetta, de proteína animal, anunciou a aquisição da Ceratti, fabricante de frios e embutidos. A operação envolve a totalidade do negócio e da operação da empresa.

Fundada há mais de 90 anos, a Ceratti mantém sua unidade industrial em Vinhedo, no interior de São Paulo. A empresa estava sob controle americana da Hormel Foods desde 2017.

Com a aquisição, o Grupo Zanchetta passa a atuar no segmento de produtos processados à base de carne suína, ampliando seu portfólio de proteínas. O grupo é proprietário das marcas Alliz, Mondelli e Frangoeste.

Segundo a empresa, a incorporação da Ceratti também amplia sua presença no mercado de consumo final, com atuação em novas categorias e ocasiões de consumo.

De acordo com o Grupo Zanchetta, a operação busca ampliar a capacidade de atuação da companhia e integrar as competências das duas empresas. Até a conclusão do processo e a aprovação pelos órgãos reguladores, as duas empresas continuarão operando de forma independente.

A transação teve assessoria financeira do Banco Santander e depende de aprovação do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O valor da aquisição não foi divulgado.

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Plano Safra: juros devem seguir altos com restrição no Orçamento

Às vésperas do anúncio do Plano Safra 2026/27, previsto para esta terça-feira (30), o analista da LEK Consulting, Eric Emiliano, afirmou que as taxas de juros do programa ainda devem permanecer em patamar elevado diante da situação financeira enfrentada pelos produtores rurais. Segundo ele, o setor precisaria de condições mais favoráveis de financiamento, mas as limitações orçamentárias do governo reduzem a margem para uma queda mais expressiva.

“A gente precisaria de mais. O produtor não está conseguindo pagar as contas das safras passadas, está muito endividado. A taxa de juros ainda está muito alta. Mas, com todas as limitações que a gente tem de orçamento do governo, dificilmente a gente vai conseguir passar desse número”, afirmou em entrevista à CNN Agro News.

Emiliano ainda destacou que a inadimplência, que era de 3% historicamente, está em mais de 15% para alguns bancos, batendo perto de 20% da carteira. 

Para o analista, diante desse cenário, a cadeia do agronegócio continuará recorrendo a outras fontes de financiamento além do crédito oficial. Na avaliação do analista, embora o Plano Safra mantenha papel importante no financiamento da produção agropecuária, ele já não atende sozinho às necessidades do setor.

Segundo ele, bancos, cooperativas, tradings e o mercado de capitais têm ampliado sua participação na oferta de crédito rural.

“A gente vê cada vez mais a participação de bancos, de outros agentes da cadeia, como mercado de capitais, tradings e cooperativas, ganhando espaço para auxiliar o produtor. O próprio Plano Safra, ainda com crescimento, não entrega tudo que o agro precisa”, disse.

Emiliano afirmou que o aumento da demanda por financiamento impulsionou o desenvolvimento de instrumentos privados de crédito, como as LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), os Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) e as CPRs (Cédulas de Produto Rural). “Mesmo o Plano Safra crescendo acima da inflação, ele ainda está aquém da necessidade que temos na agricultura e, por isso, essas letras e financiamentos vêm crescendo”, afirmou

Ele também destacou o crescimento das cooperativas no financiamento da atividade rural. De acordo com estimativas da LEK Consulting, a participação dessas organizações no PIB do agronegócio passou de cerca de 8% para 15% nas últimas cinco ou seis safras.

Segundo Emiliano, esse avanço está ligado à proximidade das cooperativas com os produtores e à capacidade de responder mais rapidamente em momentos de crise.

Ao comentar o aumento da participação dos recursos destinados ao custeio em relação aos investimentos, o analista classificou o movimento como um “sinal amarelo”. Ele acrescentou que a redução do espaço para investimentos pode comprometer o planejamento de longo prazo da atividade.

“O investimento não é anual, tem investimento para ter retorno a longo prazo. Quando a gente não olha o plurianual, acabamos perdendo essa visão de longo prazo e o investimento perdendo bastante participação ao longo do tempo”, afirmou.

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Plano Safra deve ter corte de até 1,5 ponto em juros das linhas controladas

Apesar das restrições fiscais e do elevado custo para subsidiar o crédito rural, a equipe econômica conseguiu abrir espaço para reduzir em cerca de 1,5 ponto percentual os juros das linhas controladas do Plano Safra 2026/27 da agricultura empresarial, apurou a CNN. O corte ficou abaixo do defendido pelo Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), mas foi considerado o limite possível diante da pressão sobre o Orçamento e do custo da equalização das taxas.

O anúncio do Plano Safra será nesta terça-feira (30), às 10h, no Palácio do Planalto, em uma cerimônia comandada pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, e pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará em Assunção, no Paraguai, para participar da Cúpula do Mercosul e, pela primeira vez desde o primeiro mandato, não participará do lançamento da principal política de crédito para médios e grandes produtores.

A ausência de Lula ocorre justamente em um momento em que o governo tenta melhorar a interlocução com o agronegócio. Por outro lado, o chefe do Executivo participará da divulgação do programa para a agricultura familiar, marcado para o mesmo dia as 18h.

Nos bastidores, a avaliação é que uma redução das taxas de juros, ainda que inferior ao desejado pelo setor, ajuda a reduzir o desgaste político de um Plano Safra que será anunciado sob forte restrição orçamentária.

As negociações foram marcadas por uma disputa entre a equipe econômica e o Mapa. Enquanto a área econômica defendia cautela diante do espaço fiscal reduzido e do aumento das despesas com a equalização dos juros, o ministro André de Paula e secretários da pasta pressionavam por um corte mais robusto nas taxas.

O objetivo era fazer com que as principais linhas controladas de custeio voltassem a operar com juros de um dígito.

Na safra 2025/26, as taxas das linhas controladas para a agricultura empresarial variaram entre 8,5% e 14% ao ano, sendo que a principal linha de custeio ficou em 14%.

A proposta defendida pelo Mapa reduziria esse custo para abaixo de 10%, mas a avaliação da equipe econômica era de que o cenário fiscal não comportava um movimento dessa magnitude.

Segundo fontes ouvidas pela CNN, a redução de aproximadamente 1,5 ponto percentual representa o maior esforço possível sem elevar de forma significativa o custo da equalização.

Com a Selic em 14,25%, cada redução adicional dos juros subsidiados amplia a necessidade de recursos do Tesouro para compensar as instituições financeiras.

Além do comportamento da taxa básica de juros, outro fator limitou a negociação.

Boa parte da dotação destinada à subvenção do crédito rural já está comprometida com contratos da safra atual, enquanto o governo ainda precisa acomodar no Orçamento os recursos necessários para financiar a primeira etapa do Plano Safra 2026/27.

Técnicos envolvidos na negociação também relatam preocupação com as limitações impostas pela legislação fiscal em um ano de fim de mandato.

Os números finais do programa ainda vão passar por reunião extraordinária do CMN (Conswlho Monetário Nacional) prevista para terça-feira (30), para dar condições aos bancos e financeiras de operacionalizar as linhas.

A expectativa é que as resoluções sejam publicadas após as 18h.

Na safra passada, o governo anunciou R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, considerando também as CPR (Cédulas de Produto Rural) com direcionamento obrigatório.

Para este ciclo, representantes do setor defendiam um volume entre R$ 623 bilhões e R$ 674 bilhões, sem considerar esses recursos, mas integrantes do governo reconhecem que o aumento ficará abaixo do pleiteado devido às limitações orçamentárias.

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Além do futebol, Brasil e Japão mantêm negociações estratégicas para o agro

Brasil e Japão se enfrentam pela Copa do Mundo nesta segunda-feira (29), em Houston, nos Estados Unidos. Apesar do encontro no futebol, a relação entre os dois países não se limita ao esporte. O Brasil tenta há mais de 20 anos avançar na abertura do mercado japonês para exportação de carne bovina, uma das principais pautas do agronegócio brasileiro.

De acordo com dados do MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária), o Japão importa cerca de 70% da carne bovina que consome, volume que representa aproximadamente US$ 4 bilhões por ano.

Desse total, cerca de 80% têm origem nos Estados Unidos e na Austrália, países que são fornecedores tradicionais do mercado japonês. No caso do Brasil, as negociações para exportação de carne bovina ao Japão seguem em andamento e o protocolo sanitário mais recente está em discussão há cerca de cinco anos.

O governo brasileiro, a Famato (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso) e a indústria exportadora trabalham para abrir o mercado japonês ao produto nacional, em uma negociação considerada estratégica pelo setor.

“O Japão é tratado como um destino premium, com alto nível de exigência sanitária e maior valor agregado. Atualmente, as importações japonesas de carne bovina estão concentradas em fornecedores tradicionais, como Estados Unidos e Austrália”, afirma Cleiton Gauer, superintendente do Imea.

Em março deste ano, o governo do Japão realizou uma auditoria sanitária presencial no sistema de defesa agropecuária brasileiro. A missão técnica japonesa avaliou o sistema de sanidade animal do país como parte do processo de análise de risco para eventual abertura do mercado à carne bovina brasileira.

Para o Brasil, maior exportador mundial da proteína, acessar esse mercado significaria mais do que ampliar volume. “A entrada no Japão representaria uma chancela de qualidade e sanidade em um dos mercados consumidores mais rigorosos do mundo. Para Mato Grosso, dono do maior rebanho bovino do país e um dos principais exportadores nacionais de carne, a abertura criaria uma possibilidade concreta de diversificação comercial e valorização do produto”, afirma Cleiton.

A negociação ganhou força após o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, condição sanitária considerada essencial para avançar em mercados mais restritivos.

Carne Suína e de Frango

Dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), com base na Secex (Secretaria de Comércio Exterior), mostram que a carne de frango permanece como a principal proteína animal embarcada pelo Brasil ao Japão, enquanto a carne suína vem ampliando sua participação na pauta exportadora.

Em 2025, a carne de frango fresca, refrigerada ou congelada respondeu por 18,8% de todas as exportações brasileiras destinadas ao mercado japonês. Segundo os dados do MDIC/Secex, o produto gerou faturamento superior a US$ 1,03 bilhão, tornando-se o segundo principal item da pauta de exportações brasileiras para o Japão.

O desempenho ganhou ainda mais força em 2026. Entre janeiro e maio, a participação da carne de frango subiu para 20,5% do valor total exportado pelo Brasil ao Japão. Considerando as exportações brasileiras de US$ 2,4 bilhões no período, as vendas da proteína renderam aproximadamente US$ 492 milhões.

A carne suína também vem registrando avanço no mercado japonês. De acordo com os dados do MDIC/Secex, a proteína representou 4,7% das exportações brasileiras ao Japão em 2025, movimentando cerca de US$ 258,5 milhões ao longo do ano.

Nos cinco primeiros meses de 2026, a participação da carne suína aumentou para 7,5% da receita obtida com as exportações brasileiras ao Japão. O percentual corresponde a aproximadamente US$ 180 milhões em vendas entre janeiro e maio.

Café

O café também ocupa posição de destaque na relação comercial entre Brasil e Japão. De acordo com o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), o Japão importou 2,647 milhões de sacas de 60 quilos de café brasileiro em 2025, volume 19,4% superior ao registrado em 2024. Com esse desempenho, o país asiático passou a ocupar a quarta posição entre os maiores compradores do café brasileiro.

A demanda japonesa por cafés de maior valor agregado também vem abrindo novas oportunidades para os exportadores brasileiros. Neste ano, a Expocacer (Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado) realizou a primeira exportação de café especial não torrado naturalmente descafeinado para o Japão.

Foram embarcadas 8,4 toneladas, equivalentes a 140 sacas de 60 quilos, pelo Porto de Santos (SP). Segundo a cooperativa, a operação fez parte de uma estratégia de reposicionamento comercial desenvolvida nos últimos três anos, que identificou o café descafeinado como um nicho promissor no mercado internacional. O volume embarcado supera, sozinho, as exportações anuais brasileiras de café não torrado descafeinado registradas em cada ano desde 2020.

Comércio bilateral

Em 2025, o comércio bilateral somou US$ 11,5 bilhões. As exportações brasileiras para o Japão chegaram a US$ 5,5 bilhões, enquanto as importações atingiram US$ 6,1 bilhões, resultando em déficit de US$ 562,6 milhões para o Brasil. O Japão ocupou a 10ª posição entre os principais destinos das exportações brasileiras.

Outros produtos também se destacaram na relação comercial. O Brasil exportou 12,63 milhões de toneladas de minério de ferro ao Japão, com receita de US$ 960 milhões.

No sentido inverso, o Brasil importou 95,78 mil toneladas de autopeças japonesas, somando US$ 1,15 bilhão, reforçando a força da indústria automotiva do país asiático.

Os dados mais recentes, referentes ao período de janeiro a maio de 2026, indicam mudança de tendência. As exportações brasileiras ao Japão somaram US$ 2,4 bilhões, alta de 11,9% na comparação anual. As importações também ficaram em US$ 2,4 bilhões, mas com queda de 8,6%.

Com isso, a corrente comercial chegou a US$ 4,8 bilhões e o Brasil registrou superávit de US$ 7,2 milhões no período.

Segundo dados consolidados de 2025 da Secex e compilados pelo IMEA  (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), o estado do Mato Grosso exportou ao Japão 311,94 mil toneladas de farelo de soja, com receita de US$ 105,35 milhões. No mesmo período, as vendas de soja em grão somaram 223,40 mil toneladas, movimentando US$ 88,61 milhões.

Juntos, os dois produtos responderam por 535,34 mil toneladas embarcadas de Mato Grosso ao mercado japonês, com receita total de US$ 193,96 milhões.

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Reajuste da energia elétrica pressiona custos de produção no agronegócio

Os reajustes nas tarifas de energia elétrica aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2026 devem impactar os custos de produção do agronegócio.

Em diferentes Estados, produtores rurais devem enfrentar aumentos que variam de pouco mais de 3% a quase 23% para consumidores rurais atendidos em baixa tensão, elevando os custos de produção em atividades altamente dependentes de energia, como irrigação, armazenagem de grãos, avicultura, suinocultura, pecuária leiteira, piscicultura e agroindústrias.

O reajuste aprovado para a Copel no estado do Paraná foi de 20,51%, índice superior inclusive ao inicialmente proposto pela agência reguladora.

O caso mais emblemático é o do Paraná, onde o Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) classificou como “abusivo” o reajuste autorizado para a Copel e iniciou uma mobilização política para tentar reverter a decisão.

A entidade afirma que o aumento acontece justamente em um momento em que produtores convivem há anos com interrupções frequentes no fornecimento de energia e prejuízos milionários provocados por apagões no meio rural.

Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o reajuste aprovado supera inclusive a inflação registrada em 2025, de 4,26%, sem que tenha havido melhora na qualidade do serviço.

“O índice de reajuste que a Aneel está aprovando é ainda maior que a proposta inicial, que já era absurda. Vamos trabalhar para reverter essa decisão”, afirmou.

A entidade também informou que irá oficiar o senador Sergio Moro para buscar, junto à Aneel, alternativas que permitam reverter ou ao menos reduzir o impacto do aumento.

O posicionamento da FAEP ocorre após uma série de audiências públicas realizadas em Curitiba e em Brasília, nas quais representantes do setor agropecuário apresentaram dados sobre os prejuízos provocados pelas constantes oscilações e interrupções no fornecimento de energia elétrica nas propriedades rurais.

Segundo a entidade, produtores convivem há anos com perdas de produção, danos em equipamentos, interrupções na ordenha, paralisação de sistemas de irrigação e prejuízos em granjas e aviários devido à instabilidade da rede elétrica.

Enquanto isso, destaca a FAEP, a Copel registrou lucro líquido de R$ 2,66 bilhões em 2025.

“Não podemos aceitar que o produtor rural passe a pagar ainda mais por uma luz que muitas vezes não chega. A Aneel acaba premiando um serviço que continua apresentando graves problemas”, afirma Meneguette.

Paraná registra um dos maiores reajustes do país

Para o setor produtivo, o aumento agrava um cenário de perda de competitividade, principalmente para atividades que operam praticamente de forma contínua e possuem grande consumo energético.

Entre elas estão:

  • sistemas de irrigação;
  • secagem e armazenagem de grãos;
  • confinamentos;
  • produção de leite;
  • aviários;
  • granjas de suínos;
  • piscicultura;
  • agroindústrias instaladas no meio rural.

A FAEP defende que qualquer reajuste tarifário deveria estar condicionado à melhoria da qualidade do fornecimento, algo que, segundo a entidade, não ocorreu.

São Paulo terá aumento próximo de 9% para consumidores rurais da Enel

Os produtores rurais paulistas atendidos pelas distribuidoras de energia terão aumento nas contas de luz a partir dos reajustes tarifários aprovados pela Aneel. Na área de concessão da Enel São Paulo, que atende a capital e parte da Região Metropolitana, o reajuste médio aprovado foi de 10,18%. Para os consumidores rurais enquadrados na baixa tensão (grupo B2 Rural), o aumento será de 8,85%.

Segundo a agência, o reajuste da Enel foi influenciado principalmente pelo aumento dos encargos setoriais, pela elevação dos custos de transmissão, pelos gastos com compra de energia e pela atualização dos componentes financeiros do setor elétrico.

A agência ressalta que grande parte desses custos não permanece com a distribuidora, sendo destinada ao financiamento de políticas públicas e ao pagamento de encargos e serviços do sistema elétrico nacional.

No interior paulista, os produtores atendidos pela CPFL Santa Cruz enfrentarão um aumento ainda mais expressivo. A distribuidora, responsável pelo fornecimento de energia para cerca de 528 mil unidades consumidoras, teve reajuste médio de 18,89%.

Para os consumidores rurais de baixa tensão, o aumento aprovado chegou a 22,85%, um dos maiores índices registrados entre as distribuidoras analisadas pela Aneel.

Mato Grosso do Sul também registra reajuste de dois dígitos

Na área de concessão da Energisa Mato Grosso do Sul, a Agência aprovou um reajuste tarifário médio de 12,11%. O índice foi reduzido após a distribuidora solicitar um diferimento tarifário, mecanismo que suavizou parte do aumento. Sem essa medida, o reajuste médio teria alcançado 12,61%.

Para os consumidores de baixa tensão, grupo no qual está inserida a maior parte dos produtores rurais, o aumento médio aprovado foi de 11,98%.

Segundo a Aneel, o reajuste foi impulsionado principalmente pelo aumento dos custos da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), dos encargos setoriais, dos componentes financeiros acumulados dos ciclos tarifários anteriores e das despesas com transmissão de energia.

Mato Grosso terá reajuste de 6,86% nas tarifas de energia

Em Mato Grosso, maior produtor de soja, milho, algodão e carne bovina do Brasil, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou um reajuste tarifário médio de 6,86% para os consumidores atendidos pela Energisa Mato Grosso.

Embora o percentual aprovado seja inferior aos registrados em estados como Paraná, Mato Grosso do Sul e parte de São Paulo, o impacto para o agronegócio mato-grossense tende a ser significativo.

O estado concentra a maior produção agrícola do país e possui uma estrutura altamente dependente de energia elétrica para irrigação, secagem e armazenagem de grãos, beneficiamento de sementes, algodoeiras, frigoríficos, confinamentos bovinos, granjas, sistemas de bombeamento de água e agroindústrias.

Bahia tem menor reajuste entre os casos analisados

Na Neoenergia Coelba, que atende cerca de 6,9 milhões de unidades consumidoras na Bahia, o reajuste médio aprovado foi de 5,18%.

Para consumidores em baixa tensão, onde está enquadrada boa parte das propriedades rurais, o reajuste médio ficou em 3,42%.

Segundo a Aneel, o percentual só não foi maior porque a distribuidora antecipou recursos relacionados ao UBP (Uso de Bem Público), mecanismo que reduziu significativamente o efeito tarifário. Sem essa medida, o reajuste médio poderia alcançar cerca de 12,43%.

 

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Rocca projeta dobrar resultado no food service em 2026

A Rocca, empresa mineira de doce de leite artesanal premium, projeta dobrar o resultado da sua linha voltada ao food service em 2026 na comparação com 2025, impulsionada pelo avanço da demanda por produtos premium no mercado brasileiro.

A empresa observa uma aceleração do movimento de “premiumização”, com maior valorização de ingredientes com origem, qualidade superior e versatilidade de aplicação gastronômica.

Segundo a marca mineira especializada em doce de leite, o setor de alimentação fora do lar tem buscado cada vez mais insumos que aliem desempenho técnico, padronização e consistência, fatores considerados essenciais para operações profissionais como gelaterias, cafeterias, confeitarias, padarias e indústrias alimentícias.

A expansão esperada está diretamente ligada ao aumento do uso do doce de leite em diferentes formatos de consumo, que vão além das sobremesas tradicionais.

O ingrediente tem sido incorporado em receitas autorais, bebidas e criações da confeitaria contemporânea, ampliando seu espaço dentro do cardápio de estabelecimentos gastronômicos.

“O mercado está cada vez mais aberto a ingredientes premium que entreguem qualidade, origem e versatilidade. O doce de leite deixou de ser apenas uma sobremesa e passou a ser um ingrediente estratégico em diversas criações gastronômicas”, afirma Rosi Barbosa, cofundadora da Rocca.

A empresa destaca ainda que mudanças no comportamento do consumidor final têm impacto direto no food service. A preferência por produtos com rótulos mais simples e formulações mais naturais tem estimulado a adoção de ingredientes de maior valor agregado, capazes de gerar diferenciação competitiva para marcas e operadores.

Com faturamento anual superior a R$ 20 milhões, a Rocca tem no food service um dos principais pilares de crescimento para os próximos anos. A estratégia inclui a ampliação da estrutura comercial, a expansão para novas regiões e o fortalecimento de parcerias com operadores do setor gastronômico.

Para a companhia, o cenário atual reforça a oportunidade de consolidação no mercado profissional. “Nosso objetivo é ampliar a presença nacional e nos posicionar como referência em doce de leite premium para o food service, acompanhando a evolução do consumo e das novas demandas da gastronomia”, conclui Rosi Barbosa.

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