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Habib’s entra com pedido de recuperação judicial com dívida de R$ 265 milhões


O Grupo Gennius, que controla a Ragazzo, Tendall e também o Habib’s, entrou com pedido de recuperação judicial na segunda-feira (24), com uma dívida de R$ 265 milhões.

A companhia informou que a solicitação foi aceita pela Justiça de São Paulo na terça-feira (25).

Segundo a empresa, a medida faz parte de seu processo de “reestruturação financeira”. “Com o objetivo de preservar a sustentabilidade e a evolução do negócio no longo prazo”, escreveu o grupo em nota.

Eles afirmaram também que as operações do grupo seguem funcionando normalmente, “mantendo o atendimento aos clientes, a rotina e a qualidade de suas unidades”.

Presente na vida dos brasileiros há quase 40 anos, o grupo afirmou que a empresa matém a seriedade com suas marcas. “A companhia segue comprometida com a evolução de seu negócio e a continuidade de uma história construída ao lado de milhões de brasileiros”.



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Safra volumosa aumenta pressão sobre preços do café, aponta Rabobank

O mercado global de café caminha de um cenário de escassez para um ambiente de maior oferta, movimento que tende a aumentar a pressão sobre as cotações nos próximos meses, segundo análise do Rabobank, divulgada nesta quarta-feira (26).

Com a colheita brasileira próxima do fim e a perspectiva de entrada de cafés de outras origens no mercado internacional, o banco avalia que a disponibilidade global deve crescer e contribuir para a recomposição dos estoques.

A mudança já aparece nos preços. Entre o início do ano e agosto, o café arábica recuou 5,6% nas bolsas internacionais, de US$ 3,57 por libra-peso para US$ 3,37 por libra-peso.

Na bolsa de Londres, o robusta teve queda de 7,6%, de US$ 4.132 para US$ 3.816 por tonelada. O primeiro semestre foi marcado por uma forte correção das cotações, seguida de recuperação parcial no terceiro trimestre, com maior volatilidade no arábica, avaliou o banco holandês.

Apesar da tendência de baixa no acumulado do ano, alguns fatores limitaram uma queda mais acentuada dos preços. O atraso na colheita brasileira de arábica reduziu temporariamente a pressão de oferta, enquanto a demanda por robusta permaneceu aquecida, refletida no desempenho das exportações brasileiras.

O banco chama atenção ainda para um descolamento entre as bolsas internacionais e o mercado físico no Brasil. Segundo a análise, as oscilações dos contratos futuros não foram integralmente transferidas aos preços recebidos pelos produtores brasileiros.

*Mais café, mas com desafio de qualidade”

Embora o volume seja um fator baixista para as cotações, o Rabobank aponta que a qualidade da safra brasileira pode se tornar um elemento importante de sustentação dos preços de determinados lotes.

As chuvas acima da média histórica durante a colheita, especialmente em julho, trouxeram dificuldades para produtores em algumas regiões. Parte dos cafés foi atingida pela chuva ainda durante o processo de secagem, enquanto houve registros de frutos derrubados e em contato com o solo.

Essas ocorrências podem comprometer tanto o aspecto físico dos grãos quanto a qualidade da bebida e, consequentemente, reduzir a disponibilidade de cafés de padrão superior.

Na avaliação do Rabobank, essa combinação cria um mercado com duas forças distintas: de um lado, a maior oferta global tende a pressionar as referências internacionais; de outro, uma disponibilidade mais restrita de cafés de alta qualidade pode ampliar os diferenciais pagos por lotes superiores.

Influência da geopolítica

No cenário geopolítico, o Rabobank destaca ainda que os Estados Unidos não aplicaram tarifas ao café brasileiro nas diferentes formas de comercialização, preservando a competitividade do produto no maior mercado consumidor mundial.

Já na Colômbia, o terremoto de magnitude 7,4 não teria provocado danos significativos às lavouras, mas afetou a logística e pode abrir espaço para que compradores internacionais procurem fornecedores alternativos, entre eles o Brasil.

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Arroba do boi deve seguir sustentada no 3º trimestre apesar de exportações

O mercado brasileiro de carne bovina entra no terceiro trimestre de 2026 em um cenário de maior cautela para as exportações, mas com fundamentos que ainda devem dar sustentação aos preços do boi gordo. Segundo análise do Rabobank, a redução das compras chinesas e a suspensão temporária dos embarques para a União Europeia devem limitar o ritmo das vendas externas nos próximos meses. Por outro lado, a menor disponibilidade de animais para abate tende a impedir uma queda mais acentuada da arroba.

O movimento de desaceleração já apareceu nos dados de julho. Os embarques brasileiros de carne bovina somaram cerca de 258 mil toneladas no mês, uma queda de 17% em relação a junho e também na comparação anual. O principal impacto veio da China, que reduziu em 48% o volume importado do Brasil.

Com os embarques destinados ao mercado chinês próximos de 857 mil toneladas no acumulado do ano, cresce a expectativa de esgotamento da cota disponível nos próximos meses. Na avaliação do Rabobank, esse cenário deve reduzir o apetite de compra da China no segundo semestre e aumentar a volatilidade tanto das exportações quanto dos preços do boi gordo.

A pressão sobre a arroba já começou a aparecer. A média de julho ficou próxima de R$ 335,50 por arroba, segundo o levantamento citado pelo banco, e foi o segundo menor valor mensal de 2026.

Mesmo com a piora das perspectivas para as exportações, o Rabobank avalia que o espaço para uma queda mais forte dos preços é limitado. A retenção de fêmeas para reprodução, a menor disponibilidade de boi magro e a redução da entrada de bovinos em confinamento devem restringir a oferta de animais terminados nos próximos meses.

Esse equilíbrio entre uma demanda externa menos aquecida e uma oferta interna mais ajustada deve ser determinante para o comportamento da arroba no terceiro trimestre. Na prática, a menor capacidade de absorção dos frigoríficos voltados à exportação aumenta a pressão sobre as cotações, mas a dificuldade de recompor a oferta de animais tende a funcionar como um contraponto.

O Rabobank destaca ainda que o forte ritmo das exportações no início do ano antecipou o movimento de valorização do boi gordo. O pico de preços ocorreu em abril, comportamento diferente do padrão sazonal observado normalmente no quarto trimestre.

Além da China, o mercado europeu também deve representar um obstáculo adicional no terceiro trimestre. A suspensão temporária das exportações para a União Europeia a partir de setembro deve retirar cerca de 10 mil toneladas mensais do fluxo brasileiro. Apesar da menor participação em volume, o impacto tende a ser maior sobre a rentabilidade, já que o bloco é um mercado de maior valor agregado.

Os Estados Unidos, por outro lado, continuam ajudando a compensar parte da perda de ritmo em outros destinos. As importações norte-americanas de carne bovina brasileira estão próximas de 234 mil toneladas no acumulado do ano, alta de 17% na comparação anual.

Para o segundo semestre, a abertura de novos mercados também pode ganhar importância. Avanços nas negociações com Japão e Coreia do Sul podem ampliar as oportunidades para produtos brasileiros de maior valor agregado, enquanto Chile, Japão e Coreia do Sul aparecem como alternativas para reduzir a concentração das exportações.

Assim, o terceiro trimestre deve combinar menor demanda externa com uma oferta doméstica de gado mais restrita. Para o Rabobank, esse cenário tende a manter a arroba sustentada até o final do ano, mesmo com a perda de força das exportações, limitando o espaço para uma correção mais intensa dos preços.

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Pará enfrenta impacto maior com fim da cota chinesa para carne bovina

O fim da cota de importações de carne bovina brasileira pela China representa um desafio ainda maior para o Pará. Segundo a Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos), a dependência do mercado chinês, somada à ausência do Estado em destinos relevantes como Estados Unidos, Chile, México e União Europeia, limita as alternativas para o escoamento da produção paraense.

Segundo números da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), o Brasil exportou US$ 1,63 bilhão em carne bovina e derivados no mês de julho, queda de 5,6% em relação a julho de 2025. Em volume, foram embarcadas 308,2 mil toneladas, recuo de 16%.

Considerando apenas a carne bovina in natura, responsável por cerca de 91% da receita das exportações do setor, as vendas somaram US$ 1,447 bilhão, queda de 5,7%. O volume exportado recuou 17,5%, para 227,89 mil toneladas.

A retração foi puxada principalmente pela China, já que os embarques brasileiras de carne bovina in natura para o país asiático caíram 39,6% em receita, para US$ 529,24 milhões, enquanto o volume recuou 47,8%, para 82,7 mil toneladas.

Para a associação, o cenário preocupa especialmente os estados que não possuem acesso a outros grandes mercados consumidores. É o caso do Pará, que tem o segundo maior rebanho bovino do Brasil, com 25,56 milhões de cabeças, atrás apenas de Mato Grosso, com 32,85 milhões.

Apesar do tamanho do rebanho, o Pará aparece apenas na quarta posição entre os estados brasileiros em abates e na sétima colocação nas exportações de carne bovina. Na avaliação da entidade, os números mostram que o desempenho exportador paraense está abaixo do potencial produtivo do Estado.

Com a redução do espaço para a carne brasileira na China, parte da produção poderá ser direcionada para outros destinos ou para o mercado doméstico. No entanto, a Abrafrigo avalia que não existem alternativas suficientes para absorver todo o excedente de produção de um Estado que possui um dos maiores rebanhos do país.

A entidade também destaca que o Pará, assim como o restante do Brasil, é reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação. Por isso, defende que o Estado seja tratado como prioridade nas negociações para ampliar o acesso a mercados internacionais.

Por outro lado, o setor acompanha o desempenho das exportações americanas que ficaram em segundo maior comprador e tiveram forte crescimento nas importações. Entre janeiro e julho, as compras de carne bovina in natura aumentaram 48% em valor, para US$ 1,276 bilhão. Em volume, o avanço foi de 23,9%, para 209,64 mil toneladas.

Em julho, especificamente, as vendas brasileiras de carne bovina in natura para os Estados Unidos cresceram 127,7% em receita, alcançando US$ 160 milhões. O volume avançou 105,8%, para 26 mil toneladas.

A expectativa da associação é de que o mercado americano continue oferecendo oportunidades no segundo semestre, diante do déficit de abastecimento previsto para 2026 e do plano anunciado pelo governo dos Estados Unidos para importar até 300 mil toneladas de carne bovina sem a cobrança do imposto de importação de 26,4%. No entanto, os critérios da medida ainda dependem de regulamentação.

O problema é que o Pará não consegue aproveitar plenamente essas oportunidades por causa das restrições comerciais que ainda atingem o Estado. O mesmo ocorre em outros destinos relevantes para a carne brasileira.

Outro grande comprador da carne bovina brasileira, é o Chile que registrou um aumentou em 45,86% suas compras de carne bovina in natura do Brasil entre janeiro e julho, para US$ 539 milhões. Em volume, foram 88,9 mil toneladas, alta de 30,64%.

Na União Europeia, as exportações cresceram 21,8% em valor, para US$ 480,4 milhões, e 9% em volume, para 52,4 mil toneladas. A associação também acrescenta que o mercado europeu, porém, também representa uma fonte de preocupação para o setor diante das exigências relacionadas à certificação de produção livre de antimicrobianos.

A Rússia, quinto maior destino, elevou em 43,83% o valor das compras, para US$ 317,4 milhões, enquanto o volume avançou 31%, para 62,34 mil toneladas.

De acordo com as informações da Secex, os cinco principais compradores da carne bovina in natura brasileira, China, Estados Unidos, Chile, União Europeia e Rússia, responderam por US$ 7,957 bilhões entre janeiro e julho, o equivalente a 75,56% da receita das exportações.

Em volume, esses mercados absorveram 1,27 milhão de toneladas de carne bovina, ou 73,4% do total exportado no período.

No acumulado do ano, 116 países aumentaram as compras de carne bovina brasileira, enquanto 60 reduziram as importações. Para o associação, a ampliação do número de destinos é fundamental para diminuir a dependência de poucos mercados e, principalmente, para permitir que estados com grande potencial produtivo, como o Pará, consigam ampliar sua participação no comércio internacional.

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Salário do STF dá ‘condição média’ de vida, diz Mendonça, que recebeu R$ 182 mil em 2026


O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o salário de um magistrado proporciona uma “condição média” de vida, ainda que “muito acima” do restante dos brasileiros.

“Um ministro do tribunal, um juiz em geral, ele não pode ter a pretensão de ficar rico. O salário, ainda que seja um bom salário, não te dá condições de ter uma vida sem preocupações financeiras. A gente tem que controlar a despesa no dia a dia”, afirmou Mendonça.

Apesar de não proporcionar uma “vida nababesca”, como descreveu o ministro, os magistrados são uma classe privilegiada. “Mas não é uma classe que não tem que se preocupar com as contas no fim do mês”, disse.

A declaração foi feita durante o 5º Seminário da Associação Nacional de Magistrados Evangélicos (Anamel), realizado na última sexta-feira, 21, na Universidade Presbiteriana Mackenzie

Segundo o Portal da Transparência do STF, os rendimentos líquidos recebidos por André Mendonça entre janeiro e julho deste ano variaram de R$ 18.881,92 (abril e maio) a R$ 43.028,21 (janeiro), somando R$ 182.029,10 no período. A média mensal de R$ 26.004,16.

Conforme noticiou o Estadão, no mesmo evento, o ministro falou sobre as dificuldades do trabalho na Corte. Os dois primeiros anos no STF, disse, “foram períodos de muita infelicidade”. Hoje, ele vive “muito mais o ônus e a responsabilidade do que qualquer outra coisa”.

André Mendonça é ministro do STF desde dezembro de 2021 por indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele é relator das duas investigações mais sensíveis em curso na Polícia Federal: a que apura as fraudes envolvendo o Banco Master e a que investiga o esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.



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Frio em um dia e calor em outro: entenda a ‘gangorra térmica’ que SP enfrenta


Um dia com máxima de 21º e o outro com 28ºC. São Paulo vive, nas últimas semanas, uma verdadeira “gangorra térmica”, fenômeno caracterizado pela alternância de temperaturas em um curto período. Segundo a Defesa Civil do estado, essa mudança está relacionada principalmente à passagem de sistemas meteorológicos e ao deslocamento de diferentes massas de ar.

A partir desta quinta-feira (27), o estado terá uma nova mudança no tempo, com previsão de dias de calor, sol e baixa umidade.

O termo “gangorra térmica” é usado para descrever situações em que as temperaturas sobem ou caem de forma rápida, fazendo com que períodos de frio e calor se alternem em pouco tempo.

De acordo com a Defesa Civil, esse comportamento ocorre principalmente por causa da passagem de sistemas meteorológicos, como as frentes frias, e da atuação de diferentes massas de ar.

Quando uma frente fria passa pelo estado, por exemplo, pode ocorrer a entrada de uma massa de ar com características mais frias. Depois da passagem desse sistema, a chegada de ar mais quente pode provocar uma elevação rápida das temperaturas.

A intensidade da variação não é igual em todo o estado. As temperaturas podem oscilar de maneiras diferentes dependendo das características de cada região e da atuação dos sistemas meteorológicos.

Quando essas mudanças são mais comuns?

Segundo a Defesa Civil, a alternância entre períodos de frio e calor pode ser observada com maior frequência durante o inverno e nas épocas de transição entre diferentes padrões atmosféricos.

Nesses períodos, a passagem de sistemas meteorológicos pode ocorrer em sequência, favorecendo mudanças nas condições do tempo em intervalos curtos.



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Como o ecoturismo afeta os biomas e quais os cuidados com a natureza ao fazer acampamento e trilhas no feriado de 7 de setembro


O ecoturismo em áreas de preservação ambiental representa uma interação direta entre a presença humana e a estabilidade de ecossistemas vulneráveis. Durante feriados prolongados, o fluxo intenso de visitantes em parques nacionais e reservas biológicas desencadeia uma série de alterações físicas e biológicas no ambiente. A introdução de acampamentos e a exploração de trilhas modificam a estrutura do solo, interferem nos ciclos hidrológicos locais e alteram a dinâmica comportamental da vida silvestre. Compreender a ciência por trás dessas transformações é o primeiro passo para adotar práticas que garantam a conservação dos biomas a longo prazo.

A dinâmica física do desgaste ambiental em áreas de preservação

O impacto mais imediato da visitação humana em ambientes naturais ocorre na estrutura geofísica do terreno. Quando um alto volume de pessoas caminha por uma trilha, o peso e o atrito dos calçados provocam a compactação mecânica do solo. Esse processo reduz a porosidade da terra, diminuindo os espaços vazios que normalmente abrigam oxigênio e permitem a infiltração da água da chuva. Com a terra compactada, a capacidade de absorção do solo cai drasticamente, o que altera o microclima subterrâneo e dificulta o crescimento das raízes de plantas rasteiras.

Sem a cobertura vegetal adequada e com a superfície endurecida, o terreno torna-se altamente suscetível à erosão hídrica. A água que deveria infiltrar no solo passa a escoar pela superfície, ganhando velocidade e carregando sedimentos e nutrientes essenciais. Em áreas de declive, esse escoamento superficial cria sulcos e ravinas, que se aprofundam a cada tempestade. Esse carreamento de terra pode alcançar corpos d’água próximos, provocando o assoreamento de rios e riachos, o que afeta diretamente a qualidade da água e a vida aquática local.

Além da erosão, a abertura de clareiras para a montagem de acampamentos altera a dinâmica de luz e umidade do bioma. A remoção de matéria orgânica do chão, como folhas secas e galhos caídos, elimina a camada protetora que mantém a umidade do solo e fornece nutrientes para microorganismos decompositores. Essa interrupção no ciclo de nutrientes enfraquece a base da cadeia alimentar do ecossistema, criando áreas estéreis que demoram anos para recuperar suas propriedades físicas e químicas originais.

Ação humana e o limite da regeneração natural dos ecossistemas

Os biomas terrestres possuem uma capacidade intrínseca de resiliência, conseguindo se recuperar de distúrbios naturais, como tempestades severas, quedas de árvores ou até mesmo incêndios espontâneos causados por raios. Esses eventos, embora destrutivos a curto prazo, fazem parte da dinâmica evolutiva da floresta, abrindo espaço para novas espécies e reciclando nutrientes. A natureza atua em ciclos de sucessão ecológica, onde o ambiente se regenera de forma gradual e equilibrada ao longo das décadas.

No entanto, a ação humana introduz um tipo de degradação crônica e contínua que o ecossistema não está programado para suportar. Enquanto um distúrbio natural é pontual, o pisoteio diário, a compactação do solo e a introdução de resíduos químicos ocorrem de maneira ininterrupta, especialmente em datas de grande fluxo turístico. O ambiente não tem o tempo necessário de descanso para que as sementes germinem e a microfauna do solo se restabeleça.

Essa sobrecarga frequentemente ultrapassa o limite de suporte do bioma. Quando a taxa de degradação é maior que a velocidade de regeneração, o dano torna-se permanente. A presença constante de humanos também introduz espécies exóticas invasoras, cujas sementes muitas vezes pegam carona nas solas das botas ou nos pneus de veículos. Essas plantas invasoras competem de forma desleal com a flora nativa, alterando a composição botânica da região e ameaçando a biodiversidade endêmica daquele habitat específico.

Os efeitos diretos na fauna silvestre e na flora nativa

A introdução de estímulos artificiais em áreas selvagens gera consequências severas para o comportamento e a saúde da fauna local. O excesso de ruído proveniente de conversas altas, música e equipamentos afasta animais de seus territórios de alimentação e reprodução. Espécies mais sensíveis, como aves e pequenos mamíferos, sofrem picos de estresse que comprometem seus sistemas imunológicos e reduzem suas taxas de sucesso reprodutivo. A iluminação noturna de lanternas e fogueiras também desorienta animais de hábitos noturnos, interferindo em seus padrões de caça e navegação.

Outro fator crítico é a oferta acidental ou intencional de alimentos humanos aos animais silvestres. Essa prática altera drasticamente a dieta natural das espécies, causando doenças metabólicas, desnutrição e até a morte. Além disso, a fauna habituada a receber comida perde o instinto de caça e passa a associar humanos a fontes de alimento. Isso gera o condicionamento comportamental dos animais, aumentando os conflitos e o risco de ataques em áreas de acampamento, o que muitas vezes resulta no sacrifício do animal para garantir a segurança dos visitantes.

No que diz respeito à flora nativa, o impacto vai além do esmagamento de mudas. A coleta de lenha para fogueiras remove uma biomassa essencial que serviria de abrigo para insetos e fungos vitais para a saúde da floresta. O desmatamento de pequenos galhos vivos para improvisar estruturas de acampamento cria feridas nas árvores, deixando-as expostas a fungos patogênicos e parasitas. A longo prazo, a vegetação no entorno das áreas de uso intenso torna-se rala, doente e incapaz de sustentar a complexidade ecológica original da região.

Princípios de mínimo impacto e estratégias globais de conservação

Para mitigar a degradação ambiental, órgãos de conservação e especialistas em ecoturismo adotam diretrizes internacionais de comportamento em áreas naturais. A principal estratégia global é o programa Leave No Trace, amplamente difundido no Brasil para reduzir a pegada ecológica humana durante atividades recreativas. Esses princípios baseiam-se na ciência da conservação, estabelecendo protocolos rigorosos para o manejo de resíduos, a escolha de locais de pernoite e a interação segura com a vida silvestre.

A mitigação começa no planejamento, exigindo que os visitantes utilizem equipamentos adequados e evitem áreas de fragilidade extrema. Uma das regras mais vitais é acampar apenas em superfícies duráveis e já estabelecidas, evitando a criação de novas clareiras e a consequente fragmentação do habitat. O manejo de dejetos humanos também recebe atenção especial, com a recomendação técnica de enterrar fezes em buracos rasos, distantes pelo menos 60 metros de qualquer curso d’água, para evitar a contaminação dos lençóis freáticos e a proliferação de bactérias nocivas.

No cenário nacional, a solução envolve o ordenamento turístico pelas autoridades competentes. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade gerencia regras estritas de capacidade de carga para os 75 parques nacionais do país. O controle de acesso, a proibição de fogueiras em períodos de estiagem e a exigência de guias credenciados são medidas estruturais para garantir a sustentabilidade do ecoturismo. A educação ambiental contínua se mostra como a ferramenta mais eficaz para transformar o visitante em um agente ativo de conservação.

O panorama atual do turismo de natureza no Brasil reflete um crescimento acelerado. Dados de visitação apontam que as unidades de conservação federais bateram recordes históricos em 2025, ultrapassando a marca de 11,8 milhões de visitantes apenas nos parques nacionais. Esse cenário reforça a urgência de uma conscientização coletiva sobre a mecânica da degradação natural. A preservação dos ecossistemas depende da aplicação rigorosa de técnicas de mínimo impacto, garantindo que a contemplação da natureza no presente mantenha a viabilidade biológica desses santuários no futuro.

Dúvidas frequentes sobre o impacto ambiental no ecoturismo

Por que não posso fazer fogueiras durante o acampamento?

As fogueiras consomem matéria orgânica essencial para a nutrição do solo, esterilizam a terra ao redor devido às altíssimas temperaturas e apresentam um risco severo de incêndios florestais, especialmente durante a estação seca. O ideal é utilizar fogareiros a gás portáteis, que são seguros, termicamente eficientes e não deixam cicatrizes no ecossistema.

Como devo descartar resíduos orgânicos na trilha?

Embora sejam classificados como biodegradáveis, resíduos orgânicos comerciais não pertencem àquele bioma específico. Uma casca de fruta pode levar meses para se decompor, causando poluição visual e atraindo animais silvestres para perto das trilhas. A regra absoluta de conservação é levar todo o lixo produzido de volta para a cidade.

Qual a distância segura para observar animais silvestres?

A interação direta ou a aproximação intencional deve ser totalmente evitada. A observação deve ocorrer a uma distância que não altere minimamente o comportamento do animal. Se a criatura parar suas atividades vitais para observar você ou tentar fugir, significa que o limite de segurança foi ultrapassado. O uso de binóculos é a maneira mais ética de contemplar a fauna selvagem.



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Roteiro de 3 dias em Ouro Preto para o feriado de 7 de setembro com orçamento reduzido


Setembro marca a transição para a primavera e traz consigo um dos feriados mais aguardados do calendário nacional. Se você está pesquisando para onde viajar no feriado prolongado de 7 de setembro gastando pouco dinheiro, a cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, entrega a melhor relação entre custo e benefício. O destino permite uma imersão direta no período da Independência do Brasil, com a vantagem de concentrar suas atrações em um perímetro que pode ser facilmente explorado a pé. A viagem dispensa passagens aéreas caras para quem parte do Sudeste e oferece uma rede de serviços focada no público universitário, o que puxa os preços de alimentação e hospedagem para baixo.

Planejamento de transporte e previsão do tempo na serra mineira

A logística para chegar à antiga Vila Rica é simples e direta. O aeroporto mais próximo fica em Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, a cerca de 140 quilômetros de distância. No entanto, a forma mais econômica de acesso é o transporte rodoviário. Ônibus executivos partem diariamente da rodoviária da capital mineira, com passagens que custam uma fração do valor de um voo. Quem viaja de São Paulo ou do Rio de Janeiro também encontra rotas diretas de ônibus noturnos, economizando uma diária de hospedagem durante o trajeto.

O clima em setembro é um dos grandes trunfos da região. Diferente do verão, marcado por tempestades que atrapalham as caminhadas nas ladeiras, o início da primavera apresenta dias ensolarados e secos. As temperaturas variam bastante, exigindo roupas leves para o esforço físico durante o dia sob o sol, e agasalhos para o frio que desce a serra assim que anoitece. Planejar a mala com camadas de roupas garante conforto térmico sem excesso de bagagem e sem a necessidade de comprar itens de frio de última hora.

Principais pontos turísticos do período colonial

Ouro Preto funciona como um verdadeiro museu a céu aberto. O traçado urbano preserva a arquitetura do século dezoito, exigindo calçados confortáveis para encarar o calçamento de pedra pé de moleque. A Praça Tiradentes é o marco zero da cidade e serve como ponto de referência para qualquer deslocamento. De lá, o visitante tem acesso rápido ao Museu da Inconfidência, que guarda os restos mortais dos líderes do movimento separatista e possui um ingresso de valor bastante acessível.

A grandiosidade do ciclo do ouro está cravada na arquitetura religiosa. A Igreja de São Francisco de Assis, obra-prima de Aleijadinho, exibe traços marcantes do barroco e cobra uma taxa simbólica de manutenção para a entrada. Outro ponto obrigatório é a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, famosa por concentrar centenas de quilos de ouro em seus altares. Para quem prefere passeios ao ar livre, o Parque Estadual do Itacolomi oferece trilhas e um contato direto com a vegetação nativa pagando muito pouco.

Programação diária para o fim de semana prolongado

Aproveitar três dias na cidade exige uma divisão estratégica por regiões, evitando subir e descer as mesmas ladeiras várias vezes ao dia. O roteiro a seguir otimiza o tempo e o preparo físico.

Dia 1: Caminhada pelo centro histórico

Comece o sábado pela Praça Tiradentes, absorvendo o movimento local. Visite o Museu da Inconfidência logo nas primeiras horas da manhã para evitar filas extensas na bilheteria. Na sequência, desça a rua Direita, observando os casarões coloniais que hoje abrigam cafés e centros culturais. Dedique a tarde para conhecer a Igreja de São Francisco de Assis e o Museu do Oratório. Termine o dia jantando em um dos restaurantes próximos à rua São José, onde os cardápios apresentam opções mais justas.

Dia 2: Exploração das antigas minas e viagem a Mariana

Reserve o domingo para entender a engenharia da extração mineral. A Mina da Passagem é a mais estruturada da região, mas exige um investimento financeiro maior. Para economizar, opte por minas urbanas menores, como a Mina Chico Rei ou a Mina de Santa Rita, que oferecem visitas guiadas por valores mais baixos. Após o almoço, embarque no ônibus intermunicipal de linha até a cidade vizinha de Mariana. O trajeto dura menos de meia hora e custa o preço de uma passagem urbana comum, sendo a alternativa mais barata ao tradicional passeio turístico de trem. Em Mariana, conheça a Praça Minas Gerais e a Catedral da Sé.

Dia 3: Mirantes naturais e feira de artesanato em pedra-sabão

Na segunda-feira de feriado, aproveite a manhã para visitar a Feira de Pedra-Sabão, localizada no Largo de Coimbra. É o melhor local para negociar lembranças, utilidades domésticas e artesanato diretamente com os produtores locais. Antes de organizar as malas para a partida, suba até o mirante do Morro da Forca ou visite o pátio da Igreja de Santa Efigênia, que proporciona uma vista panorâmica de toda a cidade. É o momento ideal para registrar a viagem sem gastar um centavo.

Dicas de hospedagem barata e comida farta em Minas Gerais

A forte presença de estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto transforma a dinâmica de preços da cidade. Para quem quer economizar com hospedagem, as repúblicas estudantis costumam alugar quartos vagos durante os feriados prolongados por valores muito abaixo do mercado hoteleiro tradicional. Outra opção são os hostels espalhados pelos bairros do Rosário e Bauxita, que oferecem cozinhas compartilhadas, permitindo que você prepare o próprio café da manhã e corte os custos de padaria.

A gastronomia mineira é generosa e não exige altos investimentos. Fuja dos restaurantes com varandas voltadas para a Praça Tiradentes, onde o custo é elevado pela vista privilegiada. Caminhe pelas ruas secundárias para encontrar os restaurantes de comida a quilo ou os tradicionais estabelecimentos de prato feito. Locais frequentados por moradores e estudantes garantem refeições fartas com tutu, couve, lombo e feijão tropeiro por preços muito acessíveis, mantendo o orçamento da viagem sob total controle.

Dúvidas frequentes sobre a viagem

É preciso alugar carro para circular por Ouro Preto?

Não é recomendado. As ruas são estreitas, o trânsito é confuso para quem não conhece a região e encontrar vagas no centro histórico é uma tarefa difícil. Fazer os trajetos a pé ou usar carros de aplicativo para as ladeiras mais íngremes é a opção mais econômica e prática.

Ouro Preto é acessível para pessoas com mobilidade reduzida?

A cidade apresenta desafios severos de acessibilidade devido à sua topografia montanhosa e ao calçamento irregular. Cadeirantes ou pessoas com dificuldades de locomoção precisam planejar rotas específicas e, na maioria dos casos, dependerão de veículos para chegar até a porta das atrações.

Vale a pena comprar ingressos antecipados para as igrejas e museus?

A maioria das igrejas e atrações menores vende ingressos apenas na bilheteria local, exigindo pagamento em dinheiro ou Pix. Apenas passeios específicos e mais caros, como o trem turístico para Mariana, exigem compra com antecedência na internet, especialmente em feriados nacionais.

O feriado da Independência oferece o tempo exato para explorar o patrimônio histórico de Minas Gerais sem pressa. Organizar as malas com antecedência, reservar a hospedagem fora do circuito de luxo e priorizar atrações a pé são ações práticas que blindam o seu bolso contra gastos imprevistos. Com um roteiro bem definido, é perfeitamente viável vivenciar a riqueza cultural do período colonial e retornar para casa com as finanças intactas.



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A verdade sobre o que realmente aconteceu no dia 7 de setembro de 1822 no Rio Ipiranga


A imagem clássica do príncipe regente erguendo a espada em um cavalo majestoso, cercado por uma grande tropa com uniformes impecáveis, está gravada na memória de quase todos os brasileiros. No entanto, a realidade daquele fim de tarde às margens do riacho paulista passa longe do glamour retratado nos livros escolares e nas obras de arte oficiais. Desmistificar esse momento é essencial para compreender como a nossa história foi moldada e quais foram as reais tensões políticas que culminaram na separação entre Brasil e Portugal.

Quando analisamos os relatos de testemunhas e os documentos da época, o cenário se revela muito mais humano e improvisado. A viagem era exaustiva, as condições físicas não eram ideais e a decisão de romper com a corte portuguesa ocorreu no meio de uma estrada de terra suja de barro. Compreender os detalhes desse dia ajuda a valorizar o processo político real, distanciando-o das lendas criadas para forjar heróis nacionais inalcançáveis.

A construção da cena heroica e a influência da pintura

A visão que predomina no imaginário popular sobre a Independência do Brasil deve muito ao pintor paraibano Pedro Américo. A famosa obra “Independência ou Morte”, encomendada décadas após o evento original e concluída em 1888 em Florença, na Itália, tinha o objetivo claro de criar um símbolo visual poderoso para a monarquia brasileira. A tela monumental não foi feita para ser um registro fotográfico, mas sim uma representação grandiosa que exaltasse a figura do imperador e a fundação do país.

Na época em que o quadro foi pintado, o Império enfrentava forte desgaste político e precisava reafirmar a figura de Dom Pedro I como um líder incontestável. Para isso, o artista utilizou referências da pintura histórica europeia, adicionando cavalos da raça puro-sangue, uma guarda de honra numerosa e trajes militares de gala que sequer existiam no Brasil daquele período.

Essa idealização artística cumpriu seu papel com maestria, tornando-se a versão oficial ensinada em escolas por gerações. Contudo, os historiadores modernos e as correspondências da época mostram que a verdadeira proclamação da Independência ocorreu em circunstâncias bem menos cinematográficas, ditadas pela urgência do momento e pelas imensas dificuldades de locomoção no Brasil do século XIX.

Os bastidores da viagem e as condições reais da comitiva

Para entender o verdadeiro cenário do grito, é preciso olhar para a logística da viagem. Dom Pedro I retornava de uma missão política na cidade de Santos, no litoral paulista, rumo à capital da província de São Paulo. O trajeto exigia a subida da íngreme Serra do Mar por caminhos de pedra, o que tornava o uso de cavalos totalmente inviável. Por isso, a comitiva viajava montada em mulas, animais muito mais seguros e resistentes para aquele tipo de terreno acidentado.

Além da montaria rústica, os trajes do príncipe e de seus acompanhantes eram roupas simples de algodão, próprias para tropeiros enfrentarem o barro e a poeira da estrada. Não havia uniformes de gala ou armaduras reluzentes. O pequeno grupo de batedores que o acompanhava estava exausto após dias de deslocamento pelo interior paulista.

O aspecto mais humano e menos falado do episódio envolve a saúde do príncipe regente. Documentos históricos e relatos de membros da comitiva, como o coronel Manuel Marcondes, confirmam que Dom Pedro I sofria de fortes distúrbios gastrointestinais naquele dia. Acredita-se que uma água contaminada ou um alimento mal conservado ingerido no litoral causou o problema, obrigando o futuro imperador a fazer paradas constantes no denso matagal às margens da estrada para se aliviar.

O impacto das cartas de Maria Leopoldina e José Bonifácio

A decisão de romper com Portugal não foi um impulso heroico isolado, mas sim a resposta a uma grave crise institucional. Enquanto Dom Pedro estava em São Paulo, o cenário político fervia no Rio de Janeiro. As Cortes de Lisboa haviam enviado decretos exigindo o retorno imediato do príncipe a Portugal e retirando a autonomia administrativa que o Brasil havia conquistado.

Foi a princesa Maria Leopoldina, atuando como regente interina na ausência do marido, quem convocou o Conselho de Estado no início de setembro. Após analisar as exigências portuguesas, ela e o ministro José Bonifácio de Andrada e Silva concluíram que a separação definitiva era inevitável. Cartas urgentes foram despachadas com mensageiros para encontrar Dom Pedro o mais rápido possível na estrada de São Paulo.

Os mensageiros alcançaram a comitiva justamente quando faziam uma pausa nas proximidades do riacho do Ipiranga. Ao ler as correspondências da esposa e do ministro, que alertavam sobre a perda iminente de poder e a necessidade de ação imediata, o príncipe tomou a decisão final. O rompimento político foi, portanto, um desdobramento burocrático e estratégico, acelerado pelas informações trazidas naquelas cartas, e não um grito planejado para virar um marco estético.

Perguntas frequentes sobre a proclamação da Independência

Qual foi a exata frase dita por Dom Pedro I no momento do grito?

Não existe um consenso absoluto entre os historiadores sobre as palavras exatas pronunciadas naquele fim de tarde. Relatos de testemunhas da época divergem ligeiramente. Enquanto o famoso “Independência ou morte” ficou eternizado, registros como o do Padre Belchior apontam que ele declarou algo mais longo, como “Nada mais quero com o governo português e proclamo o Brasil, para sempre, separado de Portugal”. A frase curta acabou se popularizando por ser muito mais impactante para o imaginário nacional.

A princesa Leopoldina assinou a Independência antes do dia 7 de setembro?

Sim, a princesa assinou o decreto que oficializava a separação do Brasil de Portugal no dia 2 de setembro de 1822, durante uma reunião de emergência do Conselho de Estado no Rio de Janeiro. Como ela estava no comando interino do país, a decisão política e legal ocorreu dias antes de Dom Pedro receber a notícia e endossar o ato na estrada paulista.

Onde ocorreu exatamente o episódio do grito?

O evento aconteceu nas proximidades do riacho do Ipiranga, na atual cidade de São Paulo, mas não exatamente nas margens plácidas da água como diz a letra do Hino Nacional. A comitiva estava na estrada, fazendo uma parada forçada devido às condições de saúde do príncipe. O local exato correspondia a uma área elevada por onde passava a rota dos viajantes que vinham do litoral, da qual talvez nem se pudesse ver o rio de forma tão nítida.

O reconhecimento dos fatos reais por trás do feriado nacional não diminui a importância histórica da data, mas traz luz sobre a verdadeira política da época. Entender que a separação do império brasileiro foi construída por negociações complexas, tensões administrativas reais e figuras centrais fundamentais como Maria Leopoldina ajuda a sociedade a enxergar a própria história com mais maturidade e menos idealização.



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Justiça do Rio decreta falência da Oi pela segunda vez


A 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou, nesta terça-feira (25), a falência da empresa de telefonia Oi. Os desembargadores foram unânimes ao negar recursos dos bancos credores Bradesco e Itaú e reconheceram, pela segunda vez em menos de um ano, que a companhia quebrou.

Em novembro de 2025, a falência da Oi já havia sido decretada após o primeiro processo de recuperação judicial, iniciado em dezembro de 2022.

A decisão acabou sendo suspensa após os bancos credores terem recorrido, o que levou a empresa de telecomunicações ao segundo processo de recuperação judicial. Os bancos argumentavam que interromper o funcionamento da empresa poderia gerar prejuízos irrecuperáveis para credores, clientes e funcionários.

Mesmo assim, a empresa não conseguiu honrar uma dívida estimada em R$ 44 bilhões, a cerca de 164 mil credores.

A desembargadora Monica Maria Costa Di Piero destacou na decisão a importância de garantir os direitos dos trabalhadores, preservando, assim, todos os direitos constitucionais e trabalhistas.

A magistrada anunciou a contratação do advogado Bruno Rezende como administrador judicial e Adriano Pinto Machado como observador judicial, do escritório Pinto Machado Advogados, assim como o escritório Sergio Zveiter para atuarem no processo de falência da Oi.

Para o especialista em Recuperação de Tributos e Direito Bancário, Bruno Medeiros Durão, o ponto central que passa a ser discutido agora não é apenas a quebra da companhia, mas a qualidade e a disponibilidade do patrimônio que restou para sustentar o pagamento dos credores.

“A falência da Oi traz uma discussão que precisa ser acompanhada com muita atenção: não basta saber quanto a empresa deve; será preciso saber quanto patrimônio efetivamente poderá ser convertido em dinheiro, quais ativos estão livres, quais estão vinculados a garantias e quais créditos ainda podem ser recuperados. É nesse momento que começa uma verdadeira corrida jurídica pela massa patrimonial remanescente”, avalia.



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