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Unifrango investe R$ 20 milhões em expansão de centro de distribuição

A Unifrango, empresa paranaense que atua na comercialização e logística de proteínas animais, está investindo mais de R$ 20 milhões na ampliação de seu centro de distribuição em Apucarana, no Paraná. O projeto deve ser concluído até setembro e elevará em 20% a capacidade de armazenamento da companhia, de 20 mil para 24 mil posições-pallets.

Com recursos próprios, a expansão também aumentará a área do centro de distribuição de 19,5 mil para 22 mil metros quadrados. A unidade é destinada à movimentação e armazenagem de produtos congelados, resfriados e secos. A companhia afirma que o investimento faz parte do plano de expansão para 2026, mesmo diante do aumento dos custos logísticos e da volatilidade do comércio internacional.

Segundo o diretor-presidente da Unifrango, Hugo Bongiorno, a expectativa é manter neste ano o crescimento de 5% registrado em 2025 nas intermediações e serviços. A projeção inicial era de avanço de 10%, mas foi revisada diante das incertezas nos mercados doméstico e externo. Em 2024, o faturamento da empresa havia crescido 20%.

A estratégia de expansão ocorre em um momento de pressão sobre o transporte internacional, com aumento dos custos de seguro e combustível e impactos provocados pela crise geopolítica no Oriente Médio. A empresa mantém embarques mensais de contêineres de proteínas animais para mais de 100 países e afirma ter adotado rotas alternativas para reduzir os efeitos dos problemas logísticos na região.

Com o fechamento do Estreito de Ormuz, a Unifrango passou a utilizar, por exemplo, o porto de Aqaba, na Jordânia, para entregas destinadas ao Iraque e ao Kuwait, além de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. A companhia também destaca contratos de longo prazo com grandes armadores internacionais, que permitem acesso preferencial a contêineres em períodos de escassez.

A diversificação da operação também está no mercado doméstico. A Unifrango pretende ampliar a participação em produtos de maior valor agregado, especialmente processados e industrializados. Em 2025, o departamento comercial voltado ao mercado interno movimentou mais de 30 mil toneladas de produtos.

Entre os itens que estão no foco da companhia estão empanados de aves e peixes, cortes suínos e produtos IQF, que passam por congelamento individual rápido. A carne de frango in natura, no entanto, continua sendo o principal produto comercializado no mercado brasileiro.

A empresa também utiliza a participação em feiras nacionais e internacionais como parte da estratégia comercial. Entre os eventos estão a FOODEX Japan, o SIAVS, a SIAL Middle East, a SIAL China e a SIAL Paris. No SIAVS de 2026, realizado em São Paulo, a companhia afirma ter utilizado seu maior estande no evento, com 300 metros quadrados.

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Governo busca fundo para destravar crédito rural antes do início da safra

O fundo garantidor previsto na medida provisória que trata da renegociação de dívidas do setor agropecuário ainda está em fase de construção e não tem definição sobre os aportes nem sobre quais agentes serão responsáveis pelos recursos.

Segundo o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, a estrutura é considerada fundamental para destravar o acesso a novos financiamentos diante do elevado comprometimento das garantias dos produtores rurais.

“O fundo foi colocado na medida provisória, mas ainda não tem a definição dos aportes e quem vai colocar esse recurso”, afirmou Campos. Segundo ele, a situação é especialmente delicada porque muitos produtores estão com as garantias comprometidas após o processo de renegociação das dívidas. Esse cenário pode limitar a capacidade de contratação de novos créditos para a próxima safra.

De acordo com o secretário, o sistema financeiro também está mais conservador diante do cenário de juros elevados e das dificuldades enfrentadas pelo setor. “Está num processo de construção do fundo garantidor”, disse.

A preocupação ganha peso com a proximidade do início do plantio da safra de verão, previsto para os próximos meses. Para Campos, a criação de mecanismos capazes de oferecer garantias adicionais é importante para evitar que o endividamento acumulado impeça o produtor de acessar recursos para a nova temporada.

Com relação ao seguro rural, Campos destaca que há uma diferença importante entre o Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) voltado principalmente à agricultura familiar, e o PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural), utilizado por produtores enquadrados a partir do Pronamp.

Campos afirmou que o Proagro apresentou melhora na cobertura após medidas adotadas pelo Banco Central e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário para ajustar limites e combater fraudes. Já o PSR enfrenta uma situação de maior restrição orçamentária.

“Nós estamos passando por um momento onde o aperto financeiro em cima do PSR está muito acentuado”, afirmou. Segundo ele, o ministro da Agricultura, André de Paula, busca ampliar o aporte de recursos para o programa.

A necessidade de reforçar a subvenção ocorre em um cenário de pressão sobre as margens dos produtores, com queda dos preços internacionais de algumas commodities e custo financeiro elevado. Campos afirmou que, apesar de o Plano Safra oferecer linhas com taxas consideradas mais compatíveis, o nível geral dos juros torna os financiamentos mais caros.

“Com um Selic de 14%, tudo fica caro”, disse o secretário. Na avaliação dele, o produtor precisa ter cautela ao assumir novos compromissos financeiros, já que o custo do crédito e o prêmio do seguro precisam ser incorporados à estrutura de custos da atividade.

Para Campos, a participação do governo é necessária para ampliar a contratação do seguro rural, principalmente diante do risco climático. “Não existe em lugar nenhum do mundo onde se necessite o seguro rural, onde não tem a participação do Estado”, afirmou.

A discussão ocorre em meio às preocupações do setor com os efeitos do fenômeno climático El Niño sobre a próxima safra. Nesse cenário, a ampliação dos mecanismos de proteção financeira e de acesso ao crédito passa a ser considerada estratégica para produtores que precisam iniciar o ciclo produtivo com menor capacidade de oferecer garantias.

O secretário afirmou que a prioridade do Ministério da Agricultura é buscar espaço no Orçamento para ampliar os recursos destinados ao seguro rural e avançar na estruturação do fundo garantidor. A definição dos aportes, porém, ainda está pendente.

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Lucro do confinamento supera R$ 1,1 mil por cabeça, aponta ICAP

O confinamento de bovinos apresentou melhora nos indicadores econômicos em julho, com redução do custo alimentar e avanço da lucratividade nas principais regiões produtoras do país.

Segundo o ICAP (Índice de Custo Alimentar Ponta Agro), o custo da alimentação passou a representar menos da metade das arrobas produzidas pelos animais confinados no Sudeste, enquanto o lucro da arroba produzida superou R$ 1,1 mil por cabeça tanto no Sudeste quanto no Centro-Oeste.

No Sudeste, o ICAP caiu 2,63% em julho, para R$ 11,48 por cabeça ao dia, o menor nível desde agosto de 2024. Ao mesmo tempo, a arroba do boi gordo subiu 3,77%, para R$ 344,00.

A combinação entre menor custo alimentar e recuperação da receita fez com que apenas 3,64 das 7,59 arrobas produzidas por animal fossem necessárias para pagar toda a alimentação de um ciclo médio de 109 dias.

Com isso, o custo alimentar consumiu 47,9% da produção no período, o menor percentual da série recalculada. A Relação de Troca ICAP/Boi Gordo também atingiu recorde, em 29,97 dias. Na prática, uma arroba vendida passou a pagar praticamente um mês de alimentação no confinamento.

No Sudeste, o lucro da arroba produzida chegou a R$ 1.145,71 por cabeça, alta de 13,73% em relação ao mês anterior. No Centro-Oeste, o indicador alcançou R$ 1.138,30 por cabeça, avanço de 8,08%. A diferença entre as duas regiões foi de apenas R$ 7,41, configurando um empate técnico.

No Centro-Oeste, porém, o movimento foi diferente já que o índice subiu 1,63%, para R$ 13,12 por cabeça ao dia, mesmo com a queda de 1,05% no custo da dieta de terminação, que registrou o quarto recuo consecutivo.

O milho também ficou 9,1% mais barato e a alta do índice foi explicada principalmente pelo aumento do consumo de matéria seca, de 2,11%, e pelos custos das fases de adaptação e crescimento, que avançaram 3,30% e 1,19%, respectivamente.

A análise dos custos dos insumos mostra que a queda da dieta de terminação no Centro-Oeste foi favorecida principalmente pelos volumosos e energéticos. Em julho, a dieta ficou 3,13% abaixo da média do trimestre entre maio e julho.

Os energéticos recuaram 7,44%, os proteicos caíram 0,76% e os volumosos tiveram queda de 9,88%. O milho grão seco, principal destaque entre os energéticos, ficou 17,3% abaixo da média trimestral.

No Sudeste, a dieta de terminação encerrou julho 4,91% abaixo da média do trimestre. O principal fator de alívio também foram os volumosos, cuja queda chegou a 8,71%. Segundo o ICAP, a maior participação do bagaço de cana no mix das dietas contribuiu para reduzir o custo, em um cenário de avanço da safra canavieira.

Na comparação entre o custo de produção e o preço do boi físico, o Centro-Oeste registrou custo de R$ 180,62 por arroba produzida, queda de 3,08%, enquanto a arroba do boi físico ficou em R$ 321,50, recuo de 0,62%. No Sudeste, o custo da arroba produzida caiu 3,13%, para R$ 193,05, enquanto o boi físico alcançou R$ 344, alta de 3,77%.

No mercado de exportação, considerando o boi destinado à China, o Centro-Oeste apresentou lucro de R$ 1.206,98 por cabeça, acima dos R$ 1.191,25 registrados no Sudeste. No mercado físico, entretanto, a liderança ficou com o Sudeste.

Os dados do ICAP são calculados a partir de informações de confinamentos monitorados pelas tecnologias da Ponta Agro, incluindo o sistema de gestão de confinamento TGC. A base reúne milhões de diárias de alimentação de bovinos e permite acompanhar a evolução mensal do custo alimentar nas principais regiões produtoras do país.

Os resultados de julho reforçam a importância da gestão dos custos no confinamento em um cenário de recuperação da arroba. No Sudeste, a combinação entre alimentação mais barata e valorização do boi reduziu a parcela da produção necessária para cobrir o custo do cocho.

No Centro-Oeste, apesar da alta do ICAP, a queda dos preços de importantes ingredientes da dieta e o aumento das arrobas produzidas contribuíram para manter a lucratividade acima de R$ 1,1 mil por cabeça.

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Hungria confirma foco de peste suína africana em granja com 1,8 mil animais

A Hungria confirmou um novo foco de PSA (peste suína africana) em uma criação comercial de suínos no condado de Somogy, no sul do país. O vírus foi identificado pelo laboratório do Nébih (Escritório Nacional de Segurança da Cadeia Alimentar) em uma propriedade com aproximadamente 1.850 suínos para engorda.

A confirmação ocorreu no domingo (09), após a identificação de sinais clínicos nos animais, como febre, fraqueza, diarreia e mortes.

A autoridade sanitária determinou o isolamento imediato da propriedade e a adoção das medidas necessárias para conter a doença. O plantel afetado, localizado na cidade de Lakócsa, está sendo eliminado, enquanto as autoridades conduzem uma investigação epidemiológica para identificar a origem da infecção e verificar se houve transmissão para outras propriedades.

A granja está situada em uma área da Hungria já classificada como infectada. Segundo o Nébih, o vírus também foi identificado em diversas amostras de javalis coletadas na região, o que reforça a necessidade de medidas de biossegurança para impedir o contato entre os animais domésticos e a população selvagem.

Como parte das ações de controle, foram estabelecidas zonas de proteção e vigilância com raios de 3 e 10 quilômetros ao redor do foco. Restrições foram adotadas nessas áreas, enquanto técnicos avaliam os riscos epidemiológicos relacionados à propriedade afetada, ao entorno e a possíveis criações que tenham tido contato com o plantel infectado.

O caso é o segundo registro de peste suína africana em suínos domésticos na Hungria em 2026, segundo a autoridade sanitária. O país também enfrenta a circulação do vírus entre javalis, considerada um dos principais fatores de risco para a introdução da doença em criações comerciais.

A PSA não é transmitida aos seres humanos e não representa risco à saúde pública. Para a cadeia de produção de carne suína, porém, a doença pode provocar impactos econômicos relevantes, principalmente por causa da necessidade de eliminação de animais, restrições de movimentação e comércio e possíveis efeitos sobre as exportações.

O Nébih reforçou a orientação para que produtores mantenham as granjas fechadas, reforcem as medidas de biossegurança e evitem qualquer contato direto ou indireto dos suínos com javalis. A autoridade também recomenda que casos de mortes ou doenças incomuns sejam comunicados imediatamente aos veterinários para que as medidas de controle sejam adotadas.

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Terra Santa reconhece perda contábil sobre 2,1 mil hectares em disputa

A Terra Santa Propriedades Agrícolas reconheceu uma perda contábil sobre o valor de 2.091,43 hectares de imóveis que são objeto de uma disputa judicial sobre posse e propriedade. O ajuste foi registrado nas informações financeiras referentes ao período encerrado em 30 de junho de 2026, divulgadas nesta segunda-feira (10).

Segundo a companhia, a decisão ocorreu após a avaliação dos impactos contábeis do processo judicial, cujo prognóstico de êxito foi alterado para remoto. As áreas fazem parte dos ativos da Terra Santa.

A empresa já havia informado sobre a mudança no prognóstico em fato relevante divulgado em 15 de julho. Com a conclusão da avaliação contábil, a companhia reconheceu a perda sobre o valor registrado dos imóveis em disputa.

A Terra Santa ressaltou, no entanto, que o reconhecimento da perda contábil não representa uma saída de caixa. Também não houve impacto sobre a receita da companhia, uma vez que os ativos envolvidos não são objeto de contratos de arrendamento.

A empresa informou ainda que o episódio não terá impacto na avaliação anual das terras. Isso porque as áreas em disputa não fazem parte do laudo utilizado para a avaliação anual do valor de mercado das terras da companhia.

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China informa que cota para carne bovina do Brasil chega a 90%

A China informou que as importações de carne bovina do Brasil já atingiram 90% da cota estabelecida no âmbito das medidas de salvaguarda aplicadas ao produto. O alerta consta de aviso publicado pelo Departamento de Investigação e MOFCOM (Medidas de Defesa Comercial chinês) nesta segunda-feira (10).

Segundo o documento, em 10 de agosto o volume de carne bovina brasileira importada pela China alcançou 90% do limite definido para o Brasil no âmbito das salvaguardas. A medida foi estabelecida pelo Ministério do Comércio chinês em dezembro de 2025.

Pelas regras, quando as importações atingirem 100% da cota destinada ao Brasil, será aplicada uma tarifa adicional de 55% sobre as alíquotas atualmente vigentes. A cobrança começa a valer a partir do terceiro dia, inclusive, após o volume alcançar o limite.

O aviso não informa quanto da cota ainda pode ser utilizado em toneladas, mas indica que o mercado brasileiro está próximo do esgotamento do limite estabelecido pela China para 2026.

A salvaguarda entrou em vigor em janeiro deste ano e estabelece cotas específicas para os principais fornecedores de carne bovina da China. A medida tem como objetivo proteger a produção doméstica chinesa diante do aumento das importações.

A proximidade do limite é relevante para o Brasil porque a China é o principal destino da carne bovina brasileira. O eventual acionamento da tarifa adicional de 55% pode elevar significativamente o custo do produto brasileiro no mercado chinês e pressionar as condições de exportação nos próximos meses.

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Estudante de biologia é encontrada morta na casa de namorado em SC; suspeito é preso


Uma jovem de 19 anos foi encontrada morta nesta segunda-feira (10) dentro de uma residência no bairro Santa Apolônia, em Sangão, Santa Catarina. O namorado dela, de 21 anos, foi preso em flagrante pela Polícia Civil sob suspeita de feminicídio.

A jovem foi identificada como Joviana Evelyn Jankovski. Ela era estudante da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) e havia ingressado no curso de Ciências Biológicas no segundo semestre de 2026. Em publicação nas redes sociais, a universidade lamentou a morte da estudante.

A vítima estava desaparecida desde quinta-feira (6). Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, familiares acionaram a Polícia Militar após dias de contato inconsistente por mensagens.

Na manhã desta segunda, a Polícia Militar recebeu informações de que a jovem poderia estar morta dentro de uma residência no bairro Santa Apolônia. Os policiais foram até o endereço e encontraram o corpo em um dos quartos do imóvel.

“A Polícia Civil foi imediatamente acionada e iniciou diligências para a localização do investigado, namorado da vítima. Durante os trabalhos de campo, foram colhidas informações com familiares de ambas as partes e traçado o histórico dos últimos passos do casal”, informou a corporação em nota.

O suspeito se apresentou voluntariamente à polícia na tarde desta segunda-feira. Durante o interrogatório, segundo a Polícia Civil, ele confirmou a versão que já havia apresentado aos investigadores sobre a dinâmica dos fatos. A corporação não informou, no entanto, qual foi o relato apresentado pelo jovem.

Diante dos elementos reunidos na investigação, o homem foi preso em flagrante e permanece à disposição da Justiça. A Polícia Científica realizou perícia no imóvel onde o corpo da jovem foi localizado, enquanto a Polícia Civil prossegue com as diligências para esclarecer as circunstâncias do crime e sua motivação.



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Preço do açúcar atinge maior valor em dez meses na Bolsa de Nova York

Os preços futuros do açúcar avançaram nesta segunda-feira (10) e alcançaram o maior patamar em dez meses na Bolsa de Nova York. O contrato com vencimento em outubro subiu 0,12%, para 16,47 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo análise da StoneX, a valorização observada ao longo da semana indica um possível movimento generalizado de recomposição de posições vendidas, conhecido como short covering, por parte dos fundos.

A avaliação é de que um ou poucos participantes do mercado podem ter interpretado os dados divulgados pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia) como um gatilho para a recompra de posições.

A dimensão desse movimento, no entanto, deverá ficar mais clara com a divulgação do relatório do CFTC (Commodity Futures Trading Commission), prevista para a próxima semana, que mostrará a evolução das posições dos fundos no mercado.

Apesar da alta dos contratos futuros, os fundamentos do mercado ainda não indicam um cenário de forte sustentação para os preços. A StoneX destaca que os indicadores do mercado físico continuam mostrando sinais de fraqueza, o que reforça a avaliação de que o movimento recente tem caráter predominantemente especulativo.

Em Santos, o açúcar VHP manteve nesta semana um desconto na faixa de 50 a 60 pontos em relação ao contrato de referência. Além disso, os dados de lineup, que mostram a programação de navios para carregamento nos portos brasileiros, permanecem em níveis considerados fracos.

Ao mesmo tempo, a produção de açúcar vem ganhando força, principalmente no estado de São Paulo. De acordo com a StoneX, a paridade entre a produção de açúcar e a de etanol hidratado tem favorecido a fabricação do adoçante desde meados de junho, contribuindo para o aumento da oferta.

Dessa forma, apesar da recuperação dos preços em Nova York, o mercado segue dividido entre o movimento financeiro dos fundos e fundamentos que ainda apontam para uma oferta elevada no Brasil.

Cacau

As compras de fundos ajudaram a sustentar os preços do cacau em meio às preocupações com possíveis impactos do fenômeno climático El Niño sobre a produção na África Ocidental. Na Bolsa de Nova York, o contrato para entrega em setembro avançou 0,63% e encerrou o pregão negociado a US$ 5.932 por tonelada.

Segundo a Barchart, os preços do cacau chegaram a registrar perdas no início do pregão, mas reverteram o movimento ao longo do dia e terminaram em alta. A perspectiva de condições climáticas adversas associadas ao El Niño aumentou a preocupação dos investidores com a oferta da commodity na principal região produtora mundial.

Ainda segundo o Barchart, a valorização da libra esterlina, que atingiu o maior nível em duas semanas, reduziu a atratividade do cacau negociado na moeda britânica e contribuiu para conter os ganhos no mercado londrino.

Café

O café arábica fechou em queda na Bolsa de Nova York, pressionado pela expectativa de avanço no ritmo da colheita no Brasil. O contrato com vencimento em dezembro recuou 0,63% e encerrou o pregão cotado a US$ 3,13 por libra-peso.

Segundo a Barchart, a previsão de chuvas abaixo da média em importantes regiões produtoras brasileiras favorece a aceleração dos trabalhos de campo e aumenta a expectativa de oferta no mercado, o que pesa sobre os preços.

Dados da Climatempo divulgados nesta segunda-feira mostram que Minas Gerais recebeu 5,8 milímetros de chuva na semana encerrada em 9 de agosto, volume equivalente a 92% da média histórica para o período. O estado é o principal produtor brasileiro de café arábica.

No mercado de estoques, os indicadores seguem apresentando sinais distintos entre as variedades. Para o café robusta, o aumento dos estoques da ICE atua como fator negativo sobre as cotações. Na segunda-feira, os estoques atingiram 4.285 lotes, o maior nível em quatro meses e meio.

Já para o arábica, a redução dos estoques certificados da ICE oferece algum suporte aos preços. Os estoques recuaram para 242.673 sacas, o menor volume em dois anos e meio.

Com isso, o mercado acompanha de um lado a perspectiva de maior disponibilidade de café brasileiro com o avanço da colheita e, de outro, a redução dos estoques de arábica, que limita uma pressão maior sobre as cotações.

Algodão

Os contratos futuros de algodão encerraram em queda na Bolsa de Nova York, com o vencimento para dezembro recuando 0,64%, a 83,86 centavos de dólar por libra-peso.

No mercado físico, a Seam reportou a venda de 246 fardos no leilão realizado em 7 de agosto, com preço médio de 81,82 centavos de dólar por libra-peso.

O índice Cotlook A, referência para o mercado internacional de algodão, avançou 20 pontos em relação ao dia 7 e chegou a 93,70 centavos de dólar por libra-peso.

Já os estoques de algodão certificados pela ICE permaneceram estáveis na sexta-feira, em 84.632 fardos. Na semana passada, o Preço Mundial Ajustado, indicador utilizado como referência para o algodão norte-americano, subiu 163 pontos, para 66,29 centavos de dólar por libra-peso.

Suco de Laranja

O vencimento futuro para o suco de laranja para entrega em setembro finalizou com desvalorização de 0,49% em que o contrato fechou negociado a US$ 1,41 por libra-peso.

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JBS registra prejuízo líquido de US$ 102 milhões no 2º trimestre de 2026

A JBS registrou prejuízo líquido de US$ 102,1 milhões no segundo trimestre de 2026, revertendo o lucro líquido de US$ 528,1 milhões apurado no mesmo período de 2025.

O lucro líquido ajustado somou US$ 218,3 milhões entre abril e junho, queda de 62,3% ante os US$ 578,4 milhões registrados um ano antes.

De abril a junho, o EBITDA ajustado chegou a US$ 1,257 bilhão, e a maioria das unidades de negócio da companhia apresentou melhora sequencial de rentabilidade, apesar dos desafios persistentes no segmento de carne bovina nos Estados Unidos.

A receita líquida alcançou US$ 23,90 bilhões no trimestre, alta de 14,00% ante os US$ 20,99 bilhões registrados no segundo trimestre de 2025. O crescimento foi puxado principalmente pela JBS Austrália, com alta de 30,0% no faturamento, pela JBS Brasil, com avanço de 28,0%, pela Seara, que cresceu 18,2%, e pela JBS América do Norte, com aumento de 14,2%. Segundo a companhia, o resultado reflete a capacidade de capturar demanda em mercados como China, Oriente Médio e Brasil.

O CAPEX, indicador dos investimentos realizados pela companhia, somou US$ 612,5 milhões no segundo trimestre, alta de 36,3% em relação aos US$ 449,5 milhões aplicados no mesmo período de 2025.

O fluxo de caixa livre ficou positivo em US$ 129,7 milhões no segundo trimestre, ante resultado negativo de US$ 54,9 milhões um ano antes.

A alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA, encerrou o segundo trimestre em 3,10 vezes, acima das 2,27 vezes registradas no mesmo período de 2025, aumento de 0,83 vez.

No acumulado do primeiro semestre de 2026, a JBS registrou receita líquida de US$ 45,51 bilhões.

Os investimentos somaram US$ 1,18 bilhão nos seis primeiros meses do ano, enquanto o fluxo de caixa livre acumulado ficou positivo em US$ 36,4 milhões.

De acordo com o CEO Global da JBS, Gilberto Tomazoni, a empresa voltou a registrar um ganho recorde. “Voltamos a registrar receita recorde, refletindo a força de nosso portfólio diversificado entre geografias, proteínas e marcas. Apesar das diferentes condições de mercado ao redor do mundo, nossas equipes operacionais mantiveram o foco em execução, eficiência e alocação disciplinada de capital”, afirmou em nota. 

Brasil

A JBS Brasil registrou receita líquida de US$ 4,59 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 28,0% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo a companhia, o resultado representa um recorde de faturamento para um segundo trimestre, impulsionado pelo crescimento das exportações e pela forte demanda no mercado interno durante a Copa do Mundo.

O EBITDA da JBS Brasil somou US$ 269,2 milhões no trimestre, com margem de 5,9%. O desempenho operacional acompanhou o avanço da receita e contribuiu para o resultado consolidado da companhia no período.

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Soja sobe em Chicago com petróleo e expectativa de compras chinesas

A soja encerrou a segunda-feira (10) em alta na Bolsa de Chicago, recuperando parte das perdas registradas na semana anterior. O contrato para entrega em novembro avançou 0,28% e fechou o pregão cotado a US$ 11,79 por bushel.

Segundo a Granar, a recuperação dos preços foi sustentada pela valorização do petróleo e pela expectativa de que a China possa ampliar as compras da oleaginosa. O mercado acompanha a possibilidade de uma aproximação comercial durante a visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington, prevista para o próximo mês.

O contrato do óleo de soja para setembro subiu US$ 28,44 e encerrou o dia a US$ 1.532,84 por tonelada. A alta ocorreu em grande parte como reação à valorização do petróleo, que avançou mais de 5% e passou a ser negociado próximo de US$ 82 por barril.

Apesar dos fatores positivos, o clima segue limitando uma alta mais expressiva da soja em Chicago. Além das chuvas registradas nesta segunda-feira, são esperadas novas precipitações ao longo da semana nas principais regiões produtoras de soja e milho dos Estados Unidos.

As condições climáticas podem melhorar o balanço hídrico dos solos e das lavouras em um período importante para a definição do potencial produtivo da soja americana. Com isso, o mercado permanece atento à evolução do clima e aos impactos sobre as perspectivas para a safra.

Milho

Os preços futuros do milho terminaram o dia praticamente estáveis na Bolsa de Chicago, com leve pressão negativa antes da divulgação das novas projeções para a safra dos Estados Unidos. O contrato para entrega em dezembro recuou 0,05% e fechou o pregão cotado a US$ 4,61 por bushel.

Segundo a Royal Rural, os investidores vêm ajustando posições antes da divulgação, na quarta-feira, das novas estimativas do governo americano para a produção agrícola. O relatório será acompanhado de perto pelo mercado, principalmente diante das condições recentes de clima no Meio-Oeste dos Estados Unidos.

As chuvas registradas nas últimas semanas aumentaram a atenção dos investidores para o potencial produtivo das lavouras americanas. As novas projeções poderão recalibrar as expectativas para a produção de milho e soja no país e, consequentemente, influenciar a formação dos preços na Bolsa de Chicago.

Com a divulgação do relatório se aproximando, o mercado deve permanecer sensível às revisões nas estimativas de produtividade e produção, enquanto os investidores ajustam suas posições diante das novas informações sobre a safra americana.

Trigo

O trigo encerrou a segunda-feira em alta na Bolsa de Chicago, em meio à retomada das preocupações com os riscos para o fluxo de exportações no Mar Negro. O contrato para entrega em setembro avançou 0,12% e fechou o pregão cotado a US$ 6,40 por bushel.

Segundo a Royal Rural, o mercado voltou a incorporar um prêmio de risco aos preços diante do aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia. A guerra continua afetando navios, portos e terminais de exportação na região, que permanece entre as principais fontes de trigo para o mercado internacional.

Os ataques têm aumentado, mas o fluxo de grãos não foi interrompido. Rússia e Ucrânia continuam realizando embarques, embora em um ritmo mais lento, ao mesmo tempo em que avançam na colheita de safras consideradas grandes.

Esse cenário mantém o mercado atento ao equilíbrio entre a oferta elevada esperada para os dois países e os riscos logísticos provocados pelo conflito. Qualquer interrupção mais significativa nos embarques do Mar Negro pode aumentar a pressão sobre os preços internacionais do trigo.

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