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USDA recolhe carne bovina argentina distribuída nos EUA

Quase 30 mil libras de carne bovina importada da Argentina, o equivalente a cerca de 13,4 toneladas, estão sendo recolhidas nos Estados Unidos após o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) identificar que os produtos não passaram pela reinspeção obrigatória na entrada do país.

O recall envolve aproximadamente 29.628 libras de carne crua importadas pela Corte Argentino USA LLC, empresa com sede na Flórida. Os produtos foram distribuídos para pontos de venda nos estados da Flórida e do Texas. A informação foi divulgada pelo FSIS (Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar) do USDA.

Segundo o órgão, os produtos não passaram pelo procedimento de “import reinspection”, etapa utilizada para verificar a documentação, a rotulagem e as condições dos produtos importados antes de sua comercialização nos Estados Unidos. A falha foi identificada durante uma inspeção de rotina.

A carne foi produzida entre 15 e 20 de maio de 2026 e possui datas de validade ou de congelamento entre 15 e 20 de setembro. Entre os cortes recolhidos estão peças de contrafilé, lagarto, miolo da alcatra e coxão mole. As embalagens apresentam o número do estabelecimento argentino “EST. N° OF. 2025” e a marca de embarque “26644-AA”.

Até o momento, não foram registrados casos de doenças ou ferimentos associados ao consumo dos produtos. Mesmo assim, o FSIS alertou que parte da carne pode ainda estar nas geladeiras ou freezers de consumidores e recomendou que os produtos não sejam consumidos, sendo descartados ou devolvidos ao local de compra.

O USDA não informou como a carga conseguiu avançar pelo processo de inspeção sem cumprir a etapa obrigatória de reinspeção.

Ampliação da exportação

O recolhimento ocorre poucos meses depois de os Estados Unidos ampliarem o acesso da carne bovina argentina ao mercado americano.

Em fevereiro deste ano, o governo dos EUA anunciou uma expansão temporária da cota tarifária para a carne argentina. A medida acrescentou 80 mil toneladas ao volume anual de 20 mil toneladas já existente, permitindo que a Argentina tenha acesso a até 100 mil toneladas dentro da cota em 2026.

A decisão foi apresentada pelo governo americano como uma forma de ampliar a oferta de carne bovina no mercado doméstico e contribuir para reduzir os preços ao consumidor. A medida contempla, principalmente, produtos destinados ao processamento industrial.

A ampliação da cota colocou a Argentina em posição mais relevante no mercado americano de carne bovina, em um momento de preocupação dos Estados Unidos com a oferta doméstica e os preços da proteína.

O recall, no entanto, está relacionado a uma falha no cumprimento dos procedimentos de inspeção de importação, e não a uma indicação de que a carne argentina como um todo apresente problemas sanitários. Não há, até o momento, registro de doenças associadas aos produtos recolhidos.

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Brasil está no nível médio de relatório da Casa Branca sobre rede paralela com China


O Brasil foi citado numa categoria média no relatório do Escritório de Política Comercial e de Manufatura da Casa Branca, divulgado na quinta-feira (14) pela administração de Donald Trump e que cita o que chamou de “rede paralela de transbordo” da China, Essa rede seria um esquema usado por parceiros comerciais para contornar as tarifas sobre importações para os Estados Unidos.

Segundo o estudo, que acusa 40 países de integrarem essa rede “sombra”, os parceiros comerciais da China envolvidos fazem parte de um sistema distribuído de centros de acabamento, plataformas logísticas, corredores de processamento, operadores de zonas francas e centros de reexportação que permitem que produtos chineses entrem no mercado dos EUA sob novas identidades nacionais.

Leia também: EUA citam Brasil em relatório sobre países que ajudam China a burlar tarifas

Essas dezenas de países foram agrupada em três níveis. No primeiro, chamado de “Líderes de Escala Diversificados”, países e blocos comerciais que representam grandes volumes absolutos de produtos ligados à China, mantêm simultaneamente bases industriais diversificadas e importantes plataformas de exportação com destino aos EUA. Nessa categoria – que inclui Canadá, União Europeia, Índia, Israel, Japão, México, Coreia do Sul e Taiwan – o risco de transbordo ilegal está inserido em amplos fluxos comerciais legítimos, alerta o relatório.

O Brasil foi incluí no nível 2, dos chamados “Líderes de Escala com Integração Econômica Significativa com a China”. O estudo diz que os países dessa categoria combinam volumes significativos de transbordo ilegal com uma integração mais profunda nas cadeias de abastecimento ligadas à China, fornecimento de insumos, plataformas de produção, sistemas logísticos ou canais de reencaminhamento regional.

Além do Brasil, o nível 2 inclui, Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã, países que o Escritório de Política Comercial e de Manufatura da Casa Branca cita como detentores de escala industrial, capacidade portuária, infraestrutura de fornecedores, profundidade de fabricação ou capacidade logística suficientes para movimentar volumes significativos de produtos ligados à China para fluxos comerciais com destino aos EUA.

O relatório afirma que Vietnã, a Tailândia, a Malásia e a Indonésia estão estreitamente integrados nas redes de fabricação adjacentes à China e tornaram-se importantes plataformas para eletrônicos, maquinário, plásticos, calçados, vestuário, componentes e outros produtos industriais que incorporam insumos de origem chinesa.

Já o Brasil e a Turquia têm servido como plataformas regionais de produção e logística de maior dimensão, capazes de apoiar alegações de reencaminhamento ou transformação em categorias de produtos selecionadas.

Alvos oportunistas

O nível 3 é classificado como “Pequenos Alvos Oportunistas Chineses”, que inclui economias menores e com volumes absolutos de transbordo ilegal mais baixos, mas com vantagens específicas de elo fraco — incluindo mão de obra de baixo custo, zonas francas, acesso portuário ou fronteiriço, armazenagem alfandegada, capacidade de montagem de nicho, acesso preferencial aos EUA ou capacidade limitada de aplicação aduaneira. Para a Casa Branca, isso torna esses países em “alvos oportunistas atrativos para o reencaminhamento ligado à China”.

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Esse nível é o maior nível em número de países, incluindo Camboja, Laos, Mianmar, Panamá, Costa Rica, Azerbaijão, Geórgia e Jordânia, nações que oferecem desde mão de obra de baixo custo e zonas de processamento de exportação, até acesso logístico diferenciado. Argentina, Chile, Colômbia e Peru foram incluídos nessa categoria.

Sobre as perdas tarifária que os EUA tiveram com esse transbordo considerado ilegal, o relatório traz várias estimativas. A Exiger, empresa especializada em cadeias de suprimento e inteligência artificial, apresentou uma estimativa intermediária de US$ 75 bilhões em mercadorias transbordadas ilegalmente entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026. Mas a conta máxima estimada pela Altana chega a US$ 303 bilhões em exposição anual potencial.



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Polícia de SP prende 11 suspeitos de clonar controles para invadir casas de luxo


Uma operação da Polícia Civil de São Paulo desarticulou parte de uma quadrilha especializada em invadir residências de alto padrão utilizando controles remotos clonados. A ação, liderada pela 2ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco), resultou até o momento na prisão de 11 adultos e na apreensão de um menor de idade. O grupo é investigado por envolvimento em pelo menos 18 crimes cometidos em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Na última quinta-feira (13), agentes cumpriram 12 mandados judiciais entre prisões temporárias e busca e apreensão na segunda fase da Operação Barracuda. Cinco suspeitos foram presos nos bairros do Glicério, Cambuci, Mooca e Vila Prudente, na capital paulista.

O ponto de partida das apurações ocorreu em março deste ano, após uma tentativa frustrada de furto a uma casa em Moema, na zona sul de São Paulo. Na ocasião, três criminosos invadiram o imóvel e tentaram fugir acelerando um carro contra o portão da garagem, mas o veículo acabou preso na estrutura. Os suspeitos abandonaram o automóvel e fugiram a pé, porém, um deles foi capturado pela polícia.

Com o suspeito preso, os agentes apreenderam dois celulares. De acordo com a Polícia Civil, a análise desses aparelhos foi a peça-chave para mapear a organização criminosa, identificar os demais integrantes e associá-los às etapas dos furtos e a outros delitos pela região.

Artigos de luxo

O foco principal do grupo eram casas de alto padrão localizadas na zona sul da capital, de onde roubavam principalmente joias e relógios valiosos. No entanto, o alcance do grupo era maior do que o esperado. “A partir da análise dos materiais apreendidos, percebemos que a área de atuação era bem mais ampla, chegando até o interior do estado”, destacou o delegado titular da 2ª Cerco, Deglayr Tavares Júnior.

A investigação revelou que a quadrilha operava com uma divisão de tarefas minuciosa entre os seus membros:

Seleção e inteligência: Integrantes focados em mapear as vítimas, coletar informações sobre os imóveis e estudar as vias de acesso;

Logística: Responsáveis por prover e dirigir os veículos usados nas ações;

Invasores: Criminosos focados na invasão física e execução direta do furto;

Apoio e checagem: Membros destacados para funções específicas, como tocar a campainha para confirmar se havia moradores no local antes do arrombamento;

Conforme apontado pela corporação, um dos presos na terça-feira (11) tinha como papel recrutar os executores dos furtos e repassar dados estratégicos dos alvos. Na casa dele, a perícia encontrou dispositivos com identificações que bateram exatamente com uma lista de possíveis vítimas localizada no celular de outro investigado.

A Polícia Civil informou que as investigações prosseguem para identificar demais envolvidos e desmantelar por completo a estrutura operacional do grupo.

*texto produzido com auxílio de IA



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USDA eleva projeções da safra de milho e soja do Brasil e dos EUA

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) elevou as projeções para a produção brasileira de milho e soja na safra 2025/26 e também aumentou as estimativas para a produção norte-americana de milho e soja na safra 2026/27. Ao mesmo tempo, o órgão reduziu as projeções de produtividade das duas culturas nos Estados Unidos.

Milho

A produção de milho dos Estados Unidos na safra 2026/27 foi estimada em 16,013 bilhões de bushels, acima dos 16 bilhões de bushels projetados em julho e 0,29% acima da média das estimativas do mercado.

Apesar do aumento na produção, o USDA reduziu a produtividade esperada. A estimativa passou de 183 para 180 bushels por acre, ficando abaixo da média de mercado, de 182,7 bushels por acre.

No Brasil, o USDA elevou a projeção para a produção de milho da safra 2025/26 para 140 milhões de toneladas, contra 138 milhões de toneladas no relatório de julho. A revisão representa alta de 1,45%.

Na Argentina, a produção foi mantida em 63 milhões de toneladas. Com isso, a produção sul-americana de milho foi estimada em 203 milhões de toneladas, contra 201 milhões de toneladas projetadas anteriormente.

Para a safra 2026/27, os estoques finais de milho nos Estados Unidos foram projetados em 1,653 bilhão de bushels, abaixo dos 1,790 bilhão de julho. O número ficou também abaixo da expectativa média do mercado, de 1,745 bilhão de bushels.

Soja

Na soja, o USDA também elevou a estimativa de produção nos Estados Unidos para a safra 2026/27. A projeção passou de 4,475 bilhões para 4,519 bilhões de bushels, alta de 0,98% em relação a julho.

Assim como no milho, porém, a produtividade foi reduzida. O rendimento esperado caiu de 53 para 52,7 bushels por acre, abaixo da média das estimativas, de 53 bushels por acre.

No Brasil, o USDA elevou a projeção de produção de soja para 180,5 milhões de toneladas na safra 2025/26, contra 180 milhões de toneladas em julho.

A estimativa brasileira ficou próxima da média das projeções do mercado, de 180,3 milhões de toneladas.

Na Argentina, por outro lado, a produção foi revisada para baixo. O USDA reduziu a estimativa de 50 milhões para 49,5 milhões de toneladas.

Com isso, a produção de soja da América do Sul foi mantida em 242,1 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos, os estoques finais de soja para 2026/27 foram projetados em 320 milhões de bushels, contra 310 milhões no relatório anterior.

Trigo

O USDA reduziu levemente a projeção para a produção mundial de trigo na safra 2026/27. A estimativa passou de 819,97 milhões para 819,30 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos, a produção de trigo também foi revisada para baixo. A projeção passou de 41,81 milhões para 41,66 milhões de toneladas.

A redução ocorre principalmente em um cenário de menor área plantada. A área destinada ao trigo nos Estados Unidos foi de 46,3 milhões de acres em 2024/25, caiu para 45,3 milhões em 2025/26 e está projetada em 42,7 milhões de acres em 2026/27.

Algodão

O USDA elevou levemente a projeção para a produção mundial de algodão na safra 2026/27. A estimativa passou de 117,26 milhões para 117,63 milhões de fardos no relatório de agosto, o equivalente a aproximadamente 25,62 milhões de toneladas.

O avanço global ocorre mesmo com uma revisão para baixo na produção dos Estados Unidos. A produção norte-americana foi reduzida de 13,70 milhões para 13,61 milhões de fardos, ou cerca de 2,96 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos, a principal mudança veio da produtividade. O rendimento estimado para a safra 2026/27 caiu de 872 para 798 libras por acre colhido, o equivalente a aproximadamente 894 quilos por hectare de pluma. A projeção também fica abaixo dos 852 libras por acre registrados na safra 2025/26.

Apesar da menor produtividade, o USDA elevou a área plantada norte-americana. A estimativa passou de 9,85 milhões para 10,47 milhões de acres, equivalentes a cerca de 4,24 milhões de hectares. A área colhida também subiu, de 7,54 milhões para 8,19 milhões de acres, ou aproximadamente 3,32 milhões de hectares.

Entre os principais produtores, o Brasil aparece com uma revisão positiva. A produção brasileira de algodão na safra 2026/27 foi elevada de 18 milhões para 18,25 milhões de fardos, o equivalente a aproximadamente 3,97 milhões de toneladas.

O Brasil também teve aumento na projeção de exportações, que passaram de 15 milhões para 15,30 milhões de fardos, cerca de 3,33 milhões de toneladas. O consumo interno foi mantido em 3,40 milhões de fardos, ou aproximadamente 740 mil toneladas.

Na China, a produção foi mantida em 33,50 milhões de fardos, aproximadamente 7,29 milhões de toneladas. O consumo interno foi revisado para cima, de 41,50 milhões para 42 milhões de fardos, enquanto as importações permaneceram em 7 milhões de fardos.

 

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economia

novos empréstimos bancários recuam inesperadamente em julho


Os novos empréstimos bancários na China caíram de forma inesperada em julho, em um recuo que ocorre enquanto o banco central do país (PBoC) tenta reduzir a importância desse indicador.

Segundo dados oficiais divulgados nesta sexta-feira, 14, os novos empréstimos registraram queda líquida de 340 bilhões de yuans em julho, após uma expansão de 1,61 trilhão de yuans em junho, e ficaram abaixo da expectativa de alta de 280 bilhões de yuans em pesquisa do The Wall Street Journal.

O resultado fraco de julho se explica em parte por fatores sazonais, mas também reflete uma demanda doméstica fraca por crédito, em meio à prolongada crise do setor imobiliário.

Para o PBoC, analistas devem passar a avaliar empréstimos e emissões de títulos em conjunto, em vez de considerar apenas os empréstimos como termômetro da demanda por financiamento, à medida que a economia passa por mudanças estruturais.

Em documento publicado na quarta-feira, o banco central afirmou que a transição para “novas forças produtivas” está mudando as necessidades de crédito. Como os setores emergentes são menos intensivos em ativos do que áreas tradicionais, como imóveis e infraestrutura, a quantidade de crédito bancário necessária por unidade de crescimento diminuiu, levando a uma queda natural na demanda por empréstimos tradicionais.

Ao mesmo tempo, canais alternativos de financiamento – sobretudo títulos e ações – ganham relevância, segundo a instituição.

O financiamento social total, medida mais ampla que inclui fontes fora do sistema bancário, ficou em 1,41 trilhão de yuans, segundo os dados.

Já o M2, indicador mais amplo da oferta de moeda, cresceu 7,7% na comparação anual, abaixo dos 8,0% de junho e ligeiramente inferior aos 7,9% projetados pelos economistas. Fonte: Dow Jones Newswires.

*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast

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Câmara municipal é principal lugar onde vereadoras sofrem agressões


Seis em cada dez vereadoras brancas e oito em cada dez negras relataram já ter sofrido violência política, segundo uma pesquisa que ouviu mais de 70 parlamentares e foi divulgada nesta terça-feira (11) pela Rede A Ponte. Entre os espaços em que as violências acontecem, o mais comum é a própria Câmara Municipal onde exercem o mandato, concentrando 77% dos casos.

O relatório inédito Raio X da Violência Política de Gênero e Raça no Legislativo Municipal mostrou que, apesar da Lei 14.192/2021, que alterou o Código Eleitoral para proteger os direitos políticos das mulheres, esse crime segue sendo cometido principalmente por homens brancos cisgêneros. Eles são oito em cada dez agressores.

Esse cenário reflete as desigualdades de poder que estruturam a política brasileira, destaca o relatório, que traz ainda que 64% das agressões ocorrem durante o mandato.

Em 34% das agressões, o autor era um colega de partido, no que se costuma denominar de “fogo amigo”.

Tipos de violência

Entre as vítimas da violência política, 89% sofreram agressões psicológicas, como corte de microfone, interrupções de fala, chantagens, humilhação política ou digital. Oito em cada dez (82%) foram alvos de violência simbólica, com exclusão de espaços de poder e decisão e geração de autocensura.

Em seguida, 59% dos relatos também trazem a violência moral, quando a mulher é vítima de calúnias, difamação e injúrias, visando prejudicar o exercício do seu mandato. Chega a 30% a incidência de ataques à identidade, condição e raça, que tentam descredibilizar traços étnicos, orientação sexual e identidade de gênero.

O estudo acrescenta que a violência contra as mulheres na política envolve outras esferas:

  • Econômica, através do corte, desvio ou retenção de recursos partidários;
  • Processual, com uso de processos e denúncias sem embasamento, visando o desgaste de imagem e gerando silenciamento;
  • Assédio sexual, a partir de toques sem autorização, associação da articulação da vereadora a favores sexuais;
  • Violência física, marcada por agressão, ameaça ou, inclusive, tentativa de feminicídio.

Abandono

A diretora-executiva da Rede A Ponte, Amanda de Albuquerque, destacou que, tão logo entram na política, as mulheres são abandonadas pelos partidos.

O documento mostra que a resposta do Estado brasileiro à violência é limitada. Dos 44 casos de violência de gênero e raça registrados, 12 resultaram em denúncias formais, mas sem nenhum encaminhamento institucional na Justiça ou no partido. A consequência é o esvaziamento da diversidade e prejuízo à representatividade democrática.

Na avaliação da gestora de Mobilização e Articulação Politica da Rede A Ponte, Lauana Chantal, a violência política de gênero e raça continua sendo o principal obstáculo à democracia. O relatório deixa evidente que as mulheres sofrem violência política, e que as mulheres negras, ainda em maior grau.

Lauana enfatizou que essa pauta é estratégica para a imprensa, porque se trata de um problema público, cuja cobertura fortalece o controle social, na medida em que capacita a sociedade para cobrar respostas dos governos. Ao mesmo tempo, qualifica a cobertura, oferecendo evidências para contextualizar a violência de gênero e raça e perceber as barreiras que limitam a participação política das mulheres.

Problemas enfrentados

As vereadoras ouvidas pela Rede A Ponte denunciaram o esforço de partidos e colegas de invisibilizarem sua presença nas casas legislativas. As parlamentares consideram que há uma naturalização da violência no espaço político que precisa ser enfrentada, porque isso faz com que muitas mulheres acabem saindo da política.

Nas redes sociais, elas também disseram enfrentar comentários violentos, que afetam sua saúde mental, além de falas misóginas e de LGBTQIA+fobia. Por isso, consideram ser difícil continuar na política sem uma rede de apoio.

Apesar de sentirem orgulho por terem sido eleitas em cidades de menor porte que as capitais, algumas vereadoras demonstram apreensão em face dos desafios enfrentados, como ser paradas por homens na rua que questionam suas falas nas câmaras municipais.

Segundo a diretora executiva da Rede A Ponte, para que o Código Eleitoral seja acionado em casos de violência política de gênero e raça, é preciso que a denúncia seja recebida pelo Ministério Público e, por este órgão, encaminhada à Justiça Eleitoral.

Um dos problemas, relata ela, é que a população não identifica essa violência ainda, o que aumenta a importância de a imprensa abraçar essa causa.

“Se não for a imprensa a incentivar essa briga dentro dos partidos, nada vai ser diferente. É um caminho essencial”.
Dados do TSE

Este segundo volume do relatório teve como base dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2000 a 2024, ano em que somente 18,2% das cadeiras nas câmaras municipais foram ocupadas por mulheres. Por outro lado, 734 municípios não elegeram nenhuma mulher.

Embora representem 28% da população, as mulheres negras ocupam apenas 7,5% das cadeiras legislativasmunicipais. Em 2024, mais da metade dos municípios brasileiros não elegeu nenhuma mulher negra como vereadora. Além disso, apenas 5% das mulheres negras candidatas foram eleitas, contra 19% dos homens brancos.

A situação é ainda pior em relação às mulheres indígenas. Em 2024, houve somente 924 candidatas indígenas, e 39 foram eleitas, o que representa 0,07% das cadeiras. Esse número é mais de dez vezes menor que a proporção da população indígena do país, que é de 0,8%.



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Cafeicultores colombianos prometem reconstrução rápida após sismo

Um terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia na segunda-feira causou impactos severos na principal região produtora de café do país, conhecida como “Eixo Cafeiro” ou “Coração do Café”.

A tragédia, além do elevado número de vítimas, levantou preocupações profundas sobre os efeitos econômicos para os produtores locais e para o mercado internacional de café.

A região afetada concentra 840 mil hectares de cultivo de café arábica lavado, produto pelo qual a Colômbia é reconhecida como o maior produtor da América Latina.

Segundo Isadora Camargo, âncora de Agro da CNN, “a Colômbia depende do café para viver, economicamente falando”, e muitos países ao redor do mundo dependem da importação desse produto.

Departamentos afetados e danos à infraestrutura

O “Eixo Cafeiro” é formado por três departamentos — equivalentes a estados no Brasil: Caldas, Risaralda e Quindio.

Caldas concentra sozinha 75% das exportações de café colombiano e também abriga grande parte do beneficiamento e processamento do produto.

A cidade de Pereira, capital de Risaralda, foi uma das mais atingidas pelo tremor, com 93 mortes registradas.

As estradas da chamada “Rota do Café”, responsáveis pelo escoamento da produção até os portos, tiveram a circulação interrompida nos primeiros dias após o sismo. Segundo Isadora Camargo, as vias voltaram a operar parcialmente no momento da reportagem.

A analista informou ainda ter conversado com um representante da Federação Nacional do Café, que relatou não ser possível ainda monitorar o número exato de produtores afetados nem identificar quantas das mais de 200 mortes registradas envolvem trabalhadores do setor.

Impactos no mercado internacional

Os efeitos do terremoto já se fizeram sentir no mercado financeiro global. “Já está abalado”, afirmou Isadora Camargo, explicando que o preço do café na Bolsa Internacional de Nova Iorque já havia subido em resposta à preocupação com o volume de produção colombiana.

A Colômbia produziu 15 milhões de toneladas de café no ano anterior, um recorde. Somente na região diretamente atingida, mais de um milhão de toneladas estão comprometidas.

Além dos danos imediatos, há preocupação com a continuidade da atividade cafeeira a longo prazo. “São pessoas que vivem do plantio há mais de décadas e com essas mortes pode ser que não tenha sucessão”, alertou a analista.

Ainda assim, Isadora Camargo destacou uma mensagem de esperança transmitida pelos próprios cafeicultores colombianos: em tradução livre do espanhol, eles disseram que “a terra tremeu, mas vão se juntar para refazer isso muito rapidamente”.

Como referência histórica, após um terremoto de magnitude 6,2 ocorrido em 1999, as plantações de café se recuperaram em dois anos e meio — um período considerado relativamente rápido para o ciclo da safra cafeeira.

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Medidas de reciprocidade podem elevar custo de vida e produção, diz economista


A tentativa do Brasil de sentar à mesa das negociações com os Estados Unidos para reverter o tarifaço do presidente Donald Trump, consolidada nesta quinta-feira, 13, com o acionamento da Lei de Reciprocidade e a notificação ao governo americano, pode gerar efeitos relevantes para a economia local, como aumento de custo de vida e de produção, afirma a economista e professora do Insper Juliana Inhasz.

Apesar de reconhecer ganhos táticos de barganha, Inhasz alerta que o processo envolve custos relevantes caso avance para medidas concretas. Na visão da economista, a reciprocidade pode recair sobre o próprio Brasil, encarecendo importações importantes para consumo e produção, com efeito potencial sobre inflação e atividade. “A gente realmente vai socializar esse custo”, disse.

Outro risco central, segundo Inhasz, é o de escalada: a sequência de tarifas e contramedidas pode se retroalimentar e reduzir o dinamismo do comércio, atingindo setores estratégicos e ampliando ineficiências. A economista resume o perigo com a lógica de reação em cadeia: um lado tarifa, o outro responde. Inhasz afirmou ainda que esse tipo de movimento “não tem fim” até produzir perdas expressivas para a economia.

Nesse cenário, a economista defende cautela na calibragem para evitar uma resposta desproporcional que amplifique custos e incertezas. Do lado real da economia, aponta que segmentos dependentes de importação e de cadeias industriais – como máquinas e equipamentos, componentes químicos, tecnologia e insumos industriais – podem ser particularmente afetados se houver encarecimento relevante de produtos americanos. Isso poderia, no limite, criar um efeito paradoxal: uma política pensada para proteger pode, ao mesmo tempo, pressionar a indústria que depende desses insumos.



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Entidades citam preocupação com operação contra fonte de reportagem sobre Dino


Associações jornalísticas publicaram nota conjunta nesta terça-feira, 11, em que manifestam “profunda preocupação” com a ação policial que mirou Raimundo Cutrim. Ele foi citado em despacho do ministro Alexandre de Moraes como fonte anônima de reportagem sobre uso de carros oficiais pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A nota foi assinada pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner).

“Ações judiciais que quebram o sigilo da fonte não têm amparo constitucional e abrem precedentes que ameaçam a liberdade de imprensa, amparada pela Constituição de 1988”, diz a nota.

O texto reitera que a constituição é taxativa no direito do jornalista de manter o sigilo da fonte quando necessário.

“Casos de questionamentos a reportagens devem ser tratados dentro da lei, que prevê direito de resposta e indenizações. A violação do sigilo do profissional e de suas fontes leva a intimidações contra a imprensa que não condizem com o Estado Democrático de Direito e o livre exercício do jornalismo”, finaliza o texto.

Conforme noticiou o Estadão, o ministro Alexandre de Moraes autorizou nesta terça-feira, 11, uma busca e apreensão contra ex-secretário do governo do Maranhão apontado como suposta fonte de jornalista que publicou notícia sobre o uso de carros oficiais pela família do ministro Flávio Dino.

Moraes aponta Raimundo Cutrim como fonte de informações publicadas pelo jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, do Blog do Luís Pablo. As buscas ocorreram após a Polícia Federal encontrar informações do celular do jornalista.



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Área tratada com defensivos cresce 5% no 1º semestre de 2026

A área potencial tratada com defensivos agrícolas nas lavouras brasileiras cresceu 5% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo levantamento da Kynetec Brasil encomendado pelo Sindiveg (Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal). O avanço corresponde a 59 milhões de hectares adicionais tratados, levando o total a 1,2 bilhão de hectares nos seis primeiros meses do ano.

O volume de defensivos utilizados também aumentou no período, com alta de 4,5% em relação ao primeiro semestre do ano passado.
Segundo o levantamento, a maior pressão de pragas contribuiu para o aumento da adoção de tecnologias de proteção de cultivos.

Entre os principais problemas observados esteve a ocorrência de lagartas, percevejos e, principalmente, mosca-branca na soja. As condições climáticas e os desafios do final do ciclo da cultura favoreceram a expansão dos tratamentos, de acordo com o Sindiveg.

Os dados do primeiro semestre refletem tanto os manejos finais da safra de verão 2025/26 quanto a implantação e o desenvolvimento das culturas de segunda safra, principalmente algodão e milho safrinha.

A metodologia utiliza a métrica de área potencial tratada, que considera a quantidade de aplicações e o número de produtos utilizados. Com isso, o indicador não representa apenas a área cultivada, mas também a intensidade de uso das tecnologias de proteção de cultivos.

Por cultura

O milho respondeu por 35% da área potencial tratada no primeiro semestre, seguido por soja, com 29%, e algodão, com 14%. Pastagens representaram 6%, enquanto a cultura da cana-de-açúcar ficou com 4%.

Hortifruti, feijão, citros, arroz e trigo responderam individualmente por 2% da área tratada. Outras culturas somaram 3%.

Herbicidas lideram

Considerando o volume total de produtos aplicados, os herbicidas representaram 41% do consumo, seguidos por inseticidas, com 29%, e fungicidas, com 22%. Na distribuição por área tratada, os inseticidas tiveram a maior participação, de 35%, enquanto herbicidas responderam por 19% e fungicidas, por 17%.

O tratamento de sementes correspondeu a 6% da área protegida. A categoria de outros produtos, que inclui adjuvantes e reguladores de crescimento, representou os 23% restantes.

Participação regional

No recorte regional, Mato Grosso e Rondônia concentraram, juntos, 35% da área tratada com produtos para proteção de cultivos no primeiro semestre.
São Paulo e Minas Gerais responderam por 18%, enquanto a região denominada BAMATOPIBA, que reúne áreas agrícolas da Bahia, Maranhão, Tocantins e Piauí, representou 15%.

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