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Cacau avança mais de 5% em Nova York com dólar mais fraco

Os preços do cacau encerraram a sessão desta segunda-feira (17) em forte alta no mercado internacional. Na Bolsa de Nova York, o contrato com vencimento em setembro subiu 5,13% e terminou o dia negociado a US$ 6.069 por tonelada.

Segundo o Barchart, o cacau em Nova York atingiu durante a sessão a maior cotação em uma semana e meia. Entre os fatores que sustentaram os preços esteve a queda do índice do dólar, que recuou para o menor nível em dois meses e uma semana.

“Um dólar mais fraco tende a favorecer as commodities negociadas na moeda norte-americana, ao tornar os contratos mais atrativos para compradores que utilizam outras moedas”, informou o Barchart.

Café

O café arábica avançou nesta sessão, com os preços sustentados pelo ritmo mais lento da colheita brasileira. Na Bolsa de Nova York, o contrato futuro com vencimento em dezembro registrou alta de 1,15% e encerrou a sessão cotado a US$ 3,17 por libra-peso.

Durante o pregão, o Barchart apontou que o arábica atingiu a maior cotação em seis semanas, em um movimento associado às preocupações com o avanço da safra de café no Brasil.

Segundo a Safras & Mercado, a colheita da safra brasileira 2026/27 estava 90% concluída até 12 de agosto. O percentual ficou abaixo dos 97% registrados no mesmo período do ano passado e da média de 94% dos últimos cinco anos.

Entre os cafés arábica, 86% da safra havia sido colhida até a mesma data, ante 95% um ano antes.

Na Cooxupé, o ritmo também permanece abaixo do registrado em 2025. A colheita entre os produtores associados à cooperativa estava 74,6% concluída até 7 de agosto, contra 80,4% no mesmo período do ano passado, segundo relatório divulgado na última quarta-feira.

Açúcar

A perspectiva de um déficit global de açúcar impulsionou os preços da commodity, em um movimento de forte valorização no mercado internacional.

Na Bolsa de Nova York, o contrato futuro com vencimento em outubro subiu 1,63% e encerrou a sessão cotado a 16,87 centavos de dólar por libra-peso.

Segundo o Barchart, os preços do açúcar fecharam em forte alta, enquanto o açúcar negociado em Londres atingiu o maior valor em 16 meses. O cenário de possível déficit na oferta global tem dado sustentação às cotações e aumentado a pressão sobre os preços da commodity.

Suco de Laranja

O vencimento futuro para o suco de laranja para entrega em setembro finalizou com valorização de 1,21% em que o contrato fechou negociado a US$ 1,46 por libra-peso.

Algodão

O algodão encerrou a sessão o dia em alta, com o contrato futuro para entrega em dezembro avançando 0,80%, a 85,48 centavos de dólar por libra-peso.

De acordo com o Barchart, os contratos futuros mantiveram trajetória positiva e acompanhando o petróleo bruto, que registrava leve alta de US$ 0,01 por barril.

“O movimento também é sustentado pelo aumento das posições compradas dos fundos de investimento. Dados do Compromisso dos Traders mostram que os fundos adicionaram mais de 10 mil contratos à posição comprada líquida em futuros e opções de algodão na semana encerrada em 11 de agosto”, informou o Barchart.

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Queda do IBC-Br no 2º tri consolida desaceleração e abre espaço para corte na Selic


O recuo de 0,6% em junho no Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), foi maior do que o esperado pelos economistas, que projetavam perda de 0,5%. O dado confirma que o país passa por uma desaceleração gradual da atividade, reflexo dos juros altos e do alto endividamento das famílias, e abre espaço para mais cortes na Selic, segundo economistas. 

Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o avanço foi de 2,4%, o que mostra que ainda é preciso reduzir o fôlego da economia, que opera entre o freio da Selic e o estímulo que impulsiona os serviços.

Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, explica que a economia vinha desacelerando no ano passado, mas o primeiro trimestre deste ano teve dados mais fortes puxados, principalmente, pelos estímulos do governo, isenção de imposto de renda, e a valorização do salário mínimo. Agora, no segundo trimestre, a economia voltou ao patamar de desaceleração observado no final do ano passado.

“Para a frente, a expectativa é que esse movimento continue e a gente continue tendo uma atividade econômica mais modesta durante um ano diante dos efeitos da política monetária contracionista e, principalmente, após [os efeitos da] guerra do Irã, com uma taxa terminal de Selic mais baixa para o final deste ano do que anteriormente projetado”, avalia Ricciardi.

Alexandre Maluf, economista da XP, destaca que os estímulos do governo, como o aumento das transferências fiscais e um mercado de trabalho apertado, ainda expandem a renda real “em ritmo sólido”, mas estes fatores estão sendo compensados, cada vez mais, pelos juros altos, o que deve moldar a atividade nos próximos trimestres.

“O cenário do IBC-Br de junho deve refletir, em boa medida, a composição qualitativa do PIB do segundo trimestre, que deve ser marcado por uma forte desaceleração na base de comparação trimestral”, avalia Matheus Pizzani, economista do PicPay. 

Indústria e serviços puxam a queda do IBC-Br

Segundo a análise dos economistas, a moderação da atividade foi disseminada entre diversos setores da economia. O Goldman Sachs destaca que a queda da atividade em junho foi puxada pela indústria (-1,4%) e, em menor grau, pelo setor de serviços (-0,5%), enquanto a agropecuária registrou alta (1%). Excluindo o impacto da agropecuária, o IBC-Br teria contraído 0,9% no período.

Junho / maio 2026 2º tri 2026/ 1º tri 2026 Junho 26/ junho 25 2º tri 2026/ 2º tri 2025 Ano Acumulado 12 meses
IBC-Br -0,6 0,2 2,4 1,5 1,5 1,5
Agropecuária 1 0,3 5,3 2,5 1,1 2,5
Indústria -1,4 0,5 2 1,1 0,8 0,7
Serviços -0,5 -0,1 2 1,6 2 1,9
Impostos -1 0,1 2,8 1,3 1,2 0,7
IBC-Br ex-agropec. -0,9 0,1 2,1 1,4 1,6 1,5
Fonte: Banco Central

Para André Valério, economista sênior do Inter, o dado confirma uma economia mais dependente do setor externo, principalmente do agro e da exploração do petróleo. 

Ricciardi destaca que, embora o agro tenha registrado avanço de 2,5% na comparação com o mesmo período do ano passado, o resultado ainda é insuficiente para puxar a economia, como foi no passado. “Apesar de ter uma revisão para cima da safra este ano, principalmente a safra de milho, o agro não vai ter uma variação tão forte o suficiente para puxar atividade econômica, sendo mais um componente de toda a estrutura de uma atividade mais fraca em 2026”, avalia.

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No consolidado do segundo trimestre, o avanço do IBC-Br foi de 0,2% comparado aos três meses anteriores. O patamar representa uma desaceleração abrupta frente à alta de aproximadamente 1,3% observada no primeiro trimestre. 

Além disso, o fraco desempenho de junho deixa uma herança estatística (o chamado carry-over) negativa de cerca de -0,4% para o terceiro trimestre de 2026.

Projeções para o PIB 

Para o ano, XP mantém a projeção de um crescimento de 2% no PIB em 2026 e estima uma expansão mais modesta de 1% para 2027. 

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Outras casas financeiras estimam o avanço da economia neste ano entre 1,3% (Goldman Sachs), 1,70% (PicPay) e 1,8% (Inter).

Como o IBC-Br afeta a próxima decisão da Selic

Este freio na economia traz implicações diretas para a condução da política monetária, que define o percentual da taxa básica de juros, a Selic. 

O arrefecimento da atividade chancela a percepção de que os juros altos estão surtindo efeito. Segundo os economistas, a dinâmica mais fraca da atividade, combinada com surpresas benignas recentes nos índices de inflação, abre espaço para que o Banco Central dê continuidade ao ciclo de cortes nos juros.

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O mercado já precifica essa trajetória de afrouxamento. O Inter projeta que o Comitê de Política Monetária (Copom) encerrará 2026 com a taxa básica mantendo o ciclo de calibração, chegando a 13,25% ao ano. 

Já o PicPay estima a Selic terminal para este ano em 13,50%. No boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, com pesquisa anterior à divulgação desse dado, a projeção para a Selic estava estável em 13,75% pela segunda semana consecutiva.



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Bancos europeus celebram sinais de flexibilização regulatória inspirada nos EUA


Slawomir Krupa, diretor-presidente do francês Société Générale, mantém um ímã sobre sua mesa. “Stop Basel Endgame!” (“Parem o Basel Endgame!”), diz a mensagem, lembrando-o diariamente da campanha de lobby bancário mais bem-sucedida da história.

Para frustração de Krupa, que também preside a Federação Bancária Europeia (EBF), a vitória ocorreu do outro lado do Atlântico.

Os concorrentes americanos foram recompensados por sua campanha, que incluiu outdoors e anúncios de TV, com uma reversão repentina de um aumento de 16% nas exigências de capital, medidas que alguns estimavam custariam US$ 160 bilhões ao setor.

Wall Street também se beneficiou de uma supervisão menos intrusiva e de revisões em outras regras, enquanto a administração do presidente Donald Trump prometia libertar os bancos do que considera restrições excessivas impostas após a crise financeira de 2008.

Para Krupa e seus colegas europeus, os ventos da desregulamentação demoraram demais para cruzar o Atlântico. Agora, porém, os bancos da região estão mais otimistas após a Comissão Europeia prometer, no mês passado, enfrentar algumas de suas principais reclamações.

“É, pela primeira vez em anos, um passo firme na direção certa”, disse Krupa sobre as propostas, que poderiam liberar centenas de bilhões de euros em capital e liquidez atualmente presos por barreiras regulatórias nacionais. As medidas também abriram espaço para mudanças em partes do acordo global de capital que enfrentam maior resistência dos bancos europeus.

O pacote apresentado pelo braço executivo da União Europeia foi impulsionado por políticos e bancos que exigem medidas para preservar a “igualdade de condições” global, especialmente em relação aos concorrentes americanos, que há anos levam vantagem e agora contam com o impulso adicional da agenda de corte de regulações de Trump.

Mas, embora os líderes políticos estejam alinhados, os reguladores europeus, receosos de futuras crises financeiras e de seus impactos econômicos, mostram muito menos disposição para flexibilizar regras. Isso prepara o terreno para disputas globais sobre como afrouxar as normas existentes de forma responsável e sobre a necessidade de criar novas regras para lidar com ameaças emergentes, como inteligência artificial e mercados privados.

“Está definitivamente mais difícil, muito mais difícil do que jamais foi, promover mudanças e alcançar consensos”, afirmou Neil Esho, que até março ocupava o cargo de secretário-geral do Comitê de Basileia de Supervisão Bancária, onde as regras de capital do Basileia III atualmente contestadas foram elaboradas.

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“É hora de reagir”

Quando Krupa assumiu a presidência da EBF, em fevereiro de 2025, a ofensiva da indústria bancária americana contra a regulação já estava em pleno andamento.

“É hora de reagir”, declarou Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, em outubro de 2024, enquanto os bancos americanos intensificavam os protestos contra o que classificavam como excesso regulatório.

Na Europa, por sua vez, as atenções estavam voltadas para dois relatórios de referência, elaborados pelo ex-presidente do BCE Mario Draghi e pelo ex-primeiro-ministro italiano Enrico Letta, que apontaram desafios de financiamento e crescimento na região. Os bancos aproveitaram essas discussões para defender reformas voltadas à “competitividade”, argumentando que elas ampliariam a capacidade de concessão de crédito.

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O resultado mais concreto até agora foi o adiamento, pela União Europeia, de parte das novas regras globais conhecidas como Fundamental Review of the Trading Book (FRTB), até que haja clareza sobre os planos dos Estados Unidos. O FRTB aumenta as exigências de capital para operações de negociação, área na qual os bancos europeus competem diretamente com Wall Street e poderiam sair em desvantagem caso adotassem as regras antes dos rivais americanos.

“Acho que perdemos dois anos”, afirmou Krupa, que assumiu o comando do Société Générale em 2023, referindo-se aos esforços dos bancos europeus para obter reformas relevantes. Em aparições públicas, ele e outros presidentes de bancos têm demonstrado forte frustração com a lentidão dos avanços.

Os bancos europeus continuam negociados em bolsa com desconto em relação às instituições americanas, embora essa diferença tenha diminuído nos últimos anos.

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A direção apontada pelo mais recente pacote da UE não é tão agressiva quanto a flexibilização adotada nos Estados Unidos ou no Reino Unido e tampouco ataca diretamente as exigências de capital. Ainda assim, lobistas consideram as medidas americanas um importante catalisador para mudanças na Europa.

Os 27 países da União Europeia não querem ser vistos como simples imitadores dos EUA. Em vez disso, apresentam sua estratégia como uma tentativa independente de tornar o sistema bancário europeu mais eficiente e permitir que os bancos alcancem escala para competir globalmente.

Durante a divulgação dos resultados do Deutsche Bank no mês passado, o CEO Christian Sewing afirmou estar “encorajado” pelo foco crescente em “simplificação e crescimento”.

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Já Wim Mijs, responsável pela gestão diária da EBF, classificou a iniciativa europeia como uma “ruptura” e disse ter ficado especialmente surpreso, e satisfeito, ao ver a Europa abrir espaço para mudanças no chamado output floor, um dos componentes mais controversos do pacote regulatório global.

Divergência com o BCE

Criado para impedir que bancos manipulem modelos internos para reduzir artificialmente suas exigências de capital, o output floor tornou-se peça central das regras finais de Basileia e também um dos pontos de maior resistência por parte do setor.

No início deste ano, os Estados Unidos anunciaram que não adotariam a medida. O impacto doméstico foi pequeno, já que os bancos americanos já não utilizam modelos internos para calcular o risco de suas carteiras de crédito.

O principal efeito foi fortalecer o argumento dos bancos europeus, muito mais afetados pela regra, em favor de uma revisão em nome da igualdade competitiva. A Comissão Europeia aceitou iniciar essa revisão.

Um grande obstáculo continua sendo o Banco Central Europeu (BCE), cujos dirigentes acreditam que o output floor deve permanecer inalterado, segundo pessoas familiarizadas com o posicionamento da instituição.

“Também teremos de ter um diálogo adequado com nossos supervisores e encontrar o equilíbrio correto”, disse Maria Luís Albuquerque, comissária europeia de Serviços Financeiros responsável pela proposta.

O receio da desregulamentação

Enquanto os bancos europeus pressionam seus governos a acompanharem os Estados Unidos, as reformas na indústria financeira americana continuam avançando, em sintonia com a agenda mais ampla de desregulamentação de Trump em setores como tecnologia, combustíveis fósseis e automóveis.

Esse espírito de flexibilização preocupa alguns dirigentes de bancos centrais e órgãos reguladores europeus. Em conversas reservadas com a Bloomberg, eles afirmaram que a postura americana tem contaminado discussões tensas em fóruns internacionais como o Comitê de Basileia.

Segundo um formulador de políticas europeu experiente, em quase duas décadas de participação nessas negociações globais ele nunca viu divergência tão grande entre autoridades americanas e europeias sobre os riscos para a estabilidade financeira.

As preocupações se concentram especialmente nos riscos associados ao sistema bancário, à inteligência artificial e ao mercado de crédito privado, além do afrouxamento da supervisão nos Estados Unidos.

“É difícil avaliar as mudanças na supervisão do Fed, mas o BCE, o Banco da Inglaterra e outros reguladores precisarão determinar se a supervisão está se tornando inadequada”, afirmou Paul Tucker, ex-vice-presidente do Banco da Inglaterra e atualmente pesquisador da Universidade Harvard.

Tucker classificou como um possível “erro confuso” os planos do Federal Reserve de reformar regras-chave de liquidez, o que poderia permitir aos bancos migrar recursos de ativos de baixo retorno, como títulos do Tesouro americano, para aplicações mais arriscadas.

Falta de confiança

Autoridades americanas defendem publicamente a necessidade de “modernizar” a regulação global, expressão que alguns europeus interpretam como sinônimo de “desregulamentar”.

Nos bastidores, os EUA também têm questionado se reguladores financeiros deveriam expandir sua atuação para novos temas, segundo pessoas que acompanham as discussões.

Neil Esho afirmou não esperar mudanças substanciais que dependam de acordos internacionais.

Em depoimento ao Senado americano em fevereiro, Michelle Bowman criticou problemas de governança no Comitê de Basileia, incluindo o que chamou de concentração de liderança em determinadas jurisdições.

Embora os Estados Unidos continuem participando ativamente de encontros bilaterais e multilaterais com seus pares, Esho teme que a coordenação internacional em momentos de crise possa se tornar mais difícil.

“Definitivamente há uma falta de confiança”, afirmou. Segundo ele, muitos enxergam hoje a posição americana como diretamente ligada ao Departamento do Tesouro, o que representa uma mudança importante.

“Acho que alguns acreditam que é possível negociar quase tudo, mas não a independência da política monetária. Eu entendo isso, mas é muito triste.”

© 2026 Bloomberg L.P.



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política de juros está mais relacionada a descasamento de demanda e oferta


BRASÍLIA, 17 Ago (Reuters) – O atual ciclo da política monetária é mais explicado por questões internas do Brasil do que por temas globais, disse nesta segunda-feira o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ressaltando que a demanda vem crescendo mais que a oferta no país.

Em conferência promovida pelo Santander, Galípolo afirmou que o BC atua para que os juros estejam em patamar contracionista, em meio a um trabalho para equilibrar os dois fatores.

“Tem vários indicadores ali de que essa é uma economia onde que a demanda vem crescendo de maneira mais acelerada do que a oferta”, disse.

“Quando você olha para a política monetária, é óbvio que o mandato é você conseguir reequilibrar a oferta e demanda, e é por isso que a gente coloca a taxa de juros no patamar restritivo.”

Para Galípolo, também é preciso buscar avanços estruturais no país para que a oferta seja ampliada por meio de uma maior produtividade, o que geraria um ciclo de crescimento sustentável da economia.

O Banco Central cortou neste mês a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,00% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto em meio a uma melhora no cenário corrente, argumentando que manterá “a restrição adequada” para assegurar a convergência da inflação à meta.

Em suas comunicações oficiais recentes, o BC chamou atenção para o lado da demanda, apontando medidas de estímulo do governo como fator de pressão com potencial para impactar a curva de juros do país e a inflação.

Na apresentação desta segunda, porém, Galípolo não atribuiu diretamente ao governo as causas para essas pressões na demanda, citando crescimento do consumo puxado por uma alta da renda do trabalho e do crédito.



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OAB-SP propõe mandato de 12 anos para ministros do STF e idade mínima de 50 anos


A Comissão de Estudos para a Reforma do Judiciário da OAB-SP concluiu nesta segunda-feira, 17, uma proposta para estancar a crise de credibilidade que paira sobre o sistema de Justiça. A proposta prevê mandato fixo de 12 anos para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e sugere elevar de 35 para 50 anos a idade mínima para o ingresso nas Cortes superiores.

Em documento de 77 páginas, a Ordem paulista propõe medidas para combater a “percepção pública de déficit de integridade e transparência, alimentada pela ausência de parâmetros claros de conduta para a magistratura, pela proliferação de decisões monocráticas em detrimento da colegialidade, por controvérsias remuneratórias e conflitos de interesse não regulados”.

Assinada sob a presidência do presidente da OAB-SP, Leonardo Sica, a proposta foi elaborada por uma comissão integrada pelos presidentes honorários da OAB Patrícia Vanzolini (OAB-SP) e Cezar Britto (Conselho Federal); pelos ministros aposentados do STF Ellen Gracie Northfleet e Antonio Cezar Peluso; pelos ex-ministros da Justiça José Eduardo Cardozo e Miguel Reale Júnior; pela cientista política Maria Tereza Sadek; pelo jurista e diretor da FGV Direito SP, Oscar Vilhena Vieira; e pela professora e pesquisadora da FGV Direito SP Alessandra Benedito

Entre as medidas, a OAB-SP propõe a adoção de um código de conduta pelo STF “que contenha parâmetros e o procedimento de denúncia e apuração de eventuais desvios”.

Em janeiro, a OAB-SP enviou uma proposta de resolução para instituir um Código de Conduta para os ministros do STF. O texto reúne sugestões que vão de restrições rigorosas ao julgamento de processos que envolvam parentes de ministros, como partes ou advogados, à proibição de manifestações político-partidárias, do uso de jatinhos particulares e da exploração de instituições de ensino por integrantes da Corte.

Na avaliação da Ordem paulista, o problema está na “crise de credibilidade e crises internas geradas pela ausência de um Código de Conduta que defina um padrão de comportamento para preservar a imparcialidade e a imagem da Corte”.

Em relação à faixa etária dos magistrados, a Comissão de Estudos para a Reforma do Judiciário da OAB-SP avalia que “a idade mínima de 35 anos não garante a experiência necessária para o cargo, acrescentando-se a questão falta de participação social o que intensifica o problema da imprecisão dos requisitos ‘notável saber jurídico’ e ‘reputação ilibada’”.

A proposta da Ordem prevê, além da idade mínima de 50 anos, “a previsão de uma audiência pública prévia à sabatina do Senado, com participação da OAB, das Faculdades de Direito e da sociedade civil”. Para que haja maior “oxigenação” das Cortes superiores, a OAB-SP defende mandato fixo de 12 anos para os ministros do STF e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O presidente da OAB SP, Leonardo Sica, afirma que “a reforma do Judiciário é uma agenda que não pode mais ser adiada”. “Este documento é uma contribuição concreta para esse debate, construído com base técnica e independência. A sociedade mudou, e as instituições precisam ter capacidade de acompanhar essas transformações, modernizando-se sem perder sua independência e sua função essencial para a democracia”, explica Sica.

OAB-SP quer mudanças no CNJ

Para além das mudanças na dinâmica da Suprema Corte, a Ordem paulista propõe mudanças estruturais no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – órgão que faz o controle administrativo, financeiro e disciplinar do Judiciário. A principal proposta neste caso é dissociar as funções de presidente do STF e do CNJ. Segundo a OAB-SP, a reunião dos dois cargos em uma única pessoa cria um “conflito de interesses”.

A maioria dos assentos do CNJ é ocupada por integrantes do próprio Judiciário – dos 15 membros, nove são magistrados -, o que, segundo a OAB-SP, “estimula o corporativismo” e uma “disciplina interna voltada principalmente ao primeiro grau”. A proposta é ampliar a participação de membros externos ao Judiciário.

A OAB-SP aponta o “excesso de poder normativo” do CNJ, que resultaria, de um lado, “em uma profusão de normas pouco conhecidas e de reduzida aplicação pelo Judiciário” e, de outro, “na usurpação de competências do Legislativo”. Desde sua criação, em 2005, o Conselho já editou 680 resoluções. Apenas em 2025, 50 atos normativos analisados pelo plenário resultaram em novas resoluções. A proposta é limitar o poder normativo do CNJ

A Ordem também critica a sobrecarga da Corregedoria Nacional de Justiça, para onde são direcionados os pedidos de providências – classe de processo usada para sugerir melhorias na eficiência da Justiça. A proposta é que esses pedidos tenham livre distribuição entre os conselheiros.



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Recuperação da China tropeça com perda de força do consumo e da produção


PEQUIM, 17 Ago (Reuters) – A economia da China ⁠perdeu impulso no início do segundo semestre, com a ⁠produção industrial e as vendas no varejo apresentando desaceleração, conforme problemas causados pelo ‌clima extremo e a fraqueza da demanda interna renovam a pressão sobre as autoridades para que intensifiquem os estímulos.

Os dados decepcionantes, após um crescimento no segundo trimestre ‌que desacelerou para o menor nível em três anos e meio, destacam a dependência contínua da China das exportações para compensar a fraqueza do consumo e dos investimentos, mesmo diante dos obstáculos causados pelas tarifas dos EUA e pelo conflito no Oriente Médio.

A produção industrial cresceu 4,5% no mês passado em relação ao mesmo período do ⁠ano ‌anterior, em comparação com 5,3% em junho, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Escritório ⁠Nacional de Estatísticas (NBS), ficando abaixo da previsão de 4,8% de crescimento em pesquisa da Reuters.

“O desempenho fraco se deve, em parte, ao uso ineficaz das medidas disponíveis. Os gastos fiscais ficaram aquém, por exemplo”, disse Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit. “É um apelo para que as autoridades sejam mais ​ousadas ao gastar o que têm.”

“Deve-se dar atenção ao investimento, cuja queda acentuada não é, de forma alguma, aceitável para Pequim”, acrescentou ele.

O investimento em ativos ​fixos contraiu 6,7% nos primeiros sete meses de 2026, em comparação com uma queda esperada de 6%. Ele caiu 5,7% no período de janeiro a junho.

Fu Linghui, porta-voz do escritório de estatísticas, afirmou em uma coletiva de imprensa que as autoridades intensificarão os ajustes nas políticas anticíclicas para impulsionar a demanda interna.

Fazer com que ‌a população de cerca de 1,4 bilhão de chineses ​volte a gastar não será fácil enquanto o setor imobiliário do país permanecer em recessão, com os preços das casas novas em julho apresentando queda de 3,2% em relação ao ano anterior e de ⁠0,1% ante junho.

Economistas estimam que ​cerca de 52% da ​riqueza das famílias esteja atrelada ao setor imobiliário, uma parcela que vem diminuindo nos últimos anos, à medida ⁠que a prolongada crise imobiliária tem levado ​os investidores a buscar o ouro e outros ativos.

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As vendas no varejo cresceram 0,6%, desacelerando em relação ao aumento de 1% registrado em junho, apesar dos gastos com turismo nas férias ​de verão. Analistas previam expansão de 1,5%.

A queda foi “em parte apenas uma correção do programa de troca de bens de consumo, que impulsionou ​as vendas há um ano ⁠ao antecipar a demanda”, disse Julian Evans-Pritchard, chefe de economia chinesa da Capital Economics.

As autoridades também estão tendo ⁠que lidar com fatores além de seu controle, como o clima.

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A produção industrial e as vendas no varejo provavelmente foram prejudicadas por condições climáticas extremas e incomuns no mês passado, com três tufões atingindo o continente e milhões de pessoas sendo realocadas nos centros industriais do leste e do sul da China.



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Tiroteio interrompe missa durante transmissão ao vivo na Bahia; assista


Uma missa foi interrompida por um tiroteio no sábado (15) durante uma transmissão ao vivo em Areia Branca, em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador (BA). Segundo a paróquia responsável pela celebração, os disparos aconteceram na véspera da Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, no momento que antecedia a Santa Eucaristia.

De acordo com o relato divulgado pela paróquia, o tiroteio ocorreu durante um confronto entre grupos rivais. Diante dos disparos, a celebração precisou ser interrompida.

O padre Karol Wojtyla permaneceu no local e, segundo a paróquia, procurou proteger e tranquilizar os fiéis. O sacerdote também conduziu a comunidade em uma oração e pediu a intercessão de São Miguel Arcanjo.

Ainda conforme a paróquia, ninguém ficou ferido durante o episódio.

A celebração estava sendo transmitida ao vivo quando os disparos interromperam a missa. O episódio ocorreu em uma área de Lauro de Freitas onde, segundo o relato da própria comunidade religiosa, moradores convivem com episódios de violência.

Em nota publicada após o ocorrido, a paróquia afirmou que a Igreja permaneceria ao lado da comunidade e pediu paz para os moradores da região.

A Jovem Pan entrou em contato com a Polícia Civil e a Polícia Militar da Bahia, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.





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Tensão no Oriente Médio e tufão Dolphin elevam tarifas globais de contêineres


O Índice Mundial de Contêineres (WCI), calculado pela consultoria global Drewry, subiu pela segunda semana seguida, por conta da alta das taxas à vista no comércio transpacífico. O índice composto avançou 1% na semana passada, para US$ 4.339 por contêiner de 40 pés conforme relatório divulgado na sexta-feira (14).

O valor maior ilustra a persistente preocupação com segurança no Canal de Suez, que voltou a registrar ataques das milícias Houthis, e no Estreito de Ormuz, onde a insegurança da navegação permanece, enquanto definitivo de cessar-fogo entre EUA e Irã não é alcançado.

Leia também: Conflito entre EUA e Irã: mais dois navios são atacados no Estreito de Ormuz

A semana ainda teve impactos negativos de restrições nas travessias pelo Canal do Panamá e congestionamento em portos asiáticos após a passagem do tufão Dolphin. Além disso, a queda na vazão do rio Reno por conta de ondas de calor tem afetado os cronogramas das embarcações na Europa e a confiabilidade na cadeia de suprimentos.

Na rota comercial Transpacífico, as tarifas à vista (spot) aumentaram novamente esta semana, com as tarifas de Xangai a Nova York subindo 10%, para US$ 8.706 por contêiner de 40 pés, e as tarifas de Xangai a Los Angeles subindo 6%, para US$ 6.244 por contêiner de 40 pés.

O Drewry Intra-Asia Container Index (IACI) subiu 6% esta semana, para $1.028 por contêiner de 40 pés, atingindo a maior marca em seis semanas. A pressão do mercado causada pela agitação no Oriente Médio foi agravada pelas más condições climáticas, que levaram a congestionamentos em toda a China. Este foi o segundo aumento semanal consecutivo no índice, com as tarifas de frete subindo na maioria das rotas comerciais.

Leia também: Xangai cancela 1.300 voos devido à passagem do tufão Golfinho pela costa da China

O Tufão Golfinho, a terceira e mais forte tempestade tropical a atingir a China nas últimas cinco semanas após os tufões Bavi e Noul, forçou embarcações a buscar refúgio e aumentou o congestionamento em torno dos portos do Leste Asiático. Na semana, o tempo médio de espera de embarcações atingiu 87 horas em Xangai e 36 horas em Ningbo.

Terminais de Xangai e instalações portuárias regionais adicionais também introduziram restrições e suspensões operacionais temporárias à medida que as condições climáticas se deterioravam.

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Além disso, várias companhias anunciaram sobretaxas do Canal do Panamá nas rotas comerciais Ásia–USEC e Ásia–Costa do Golfo a partir de setembro.



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Vídeo: Batida seguida de explosão deixa quatro mortos na BR-163, em MS


Um acidente envolvendo duas carretas e três veículos de passeio deixou quatro pessoas mortas na tarde deste domingo (16), no km 568 da BR-163, em Bandeirantes, em Mato Grosso do Sul. Uma das carretas transportava gasolina e explodiu após a colisão.

Segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal), a outra carreta era uma combinação de veículo de carga formada por um cavalo-trator e dois semirreboques, que transportava grande quantidade de peças de couro.

Imagens obtidas pela CNN Brasil mostram o momento do choque entre as carretas. O acidente provocou um incêndio de grandes proporções, que atingiu os outros veículos e a vegetação às margens da rodovia.

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De acordo com a polícia, um Chevrolet/Onix, de cor preta, trafegava no sentido crescente da rodovia quando teria invadido a pista contrária. Na sequência, o veículo atingiu uma carreta que trafegava no sentido oposto.

Com o impacto, a carreta perdeu o controle, invadiu a pista contrária e entrou na trajetória de um caminhão-tanque, provocando a grande explosão.

A colisão deixou quatro pessoas mortas — três estavam em um dos veículos e uma, em outro ––, e outras seis feridas, que foram socorridas: três em estado grave, encaminhadas ao Hospital de São Gabriel do Oeste; uma em estado moderado e duas com ferimentos leves, levadas ao Hospital de Bandeirantes.

O Corpo de Bombeiros Militar mobilizou quatro viaturas para atender à ocorrência e informou ter utilizado 1.500 litros de água no combate às chamas.

A ocorrência também mobilizou equipes da PRF, da Motiva Pantanal –– concessionária responsável pela rodovia ––, e da Polícia Civil. A perícia foi acionada para realizar os levantamentos no local.

Em nota, a Motiva informou que enviou três viaturas de resgate, dois guinchos leves, um guincho pesado e um veículo de inspeção de tráfego para o atendimento da ocorrência. A concessionária também implantou a sinalização de bloqueio da rodovia e monitorou a situação por meio do sistema de câmeras.

Segundo a empresa, a BR-163 ficou totalmente interditada nos dois sentidos até as 23h40. O congestionamento chegou a 10 quilômetros em cada sentido. O tráfego foi normalizado às 1h05 desta segunda-feira (17).

Polícia investiga

À CNN Brasil, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul informou que dinâmica preliminar do acidente está sendo analisada a partir de imagens registradas pela câmera instalada em um dos caminhões envolvidos, além dos relatos de testemunhas que estavam no local.

Uma das vítimas fatais foi identificada como Valderlânio Daniel Santos, de 49 anos de idade, que estava em um dos carros de passeio envolvidos no sinistro. Já os outros três mortos estavam em um Toyota Etios, que também foi atingido.

Segundo a polícia, os corpos encontrados no Toyota Etios foram encaminhados ao IMOL/MS (Instituto de Medicina e Odontologia Legal), e ainda não foram identificados.

No local do acidente, a perícia realizou os levantamentos técnicos para coletar elementos que possam auxiliar na reconstrução da dinâmica do acidente. A ocorrência foi registrada como homicídio culposo na direção de veículo automotor e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor.

A Polícia Civil ainda instaurou um procedimento investigativo para apurar integralmente as circunstâncias do acidente, incluindo as causas que levaram à invasão da pista contrária, a sequência das colisões e as eventuais responsabilidades dos envolvidos.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo



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Pai é condenado a 24 anos de prisão por asfixiar filha de 4 anos em SP


Ricardo Krause Esteves Najjar foi condenado a 24 anos de prisão por asfixiar e matar a própria filha, de 4 anos, em São Paulo, em dezembro de 2015. O réu também foi condenado por fraude processual. O julgamento terminou na noite de sexta-feira (14), após três dias de sessão no 1º Tribunal do Júri do Fórum Criminal Central de São Paulo, na Barra Funda.

Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a promotora de Justiça Luciana André Jordão atuou no julgamento. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado, e o réu não poderá recorrer em liberdade.

Os jurados reconheceram a prática de homicídio qualificado por recurso que impossibilitou a defesa da vítima, já que o crime foi cometido contra a própria filha com o objetivo de esconder possíveis crimes anteriores e pelo fato de a vítima ser menor de 14 anos.

Também houve condenação por fraude processual. De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o crime ocorreu porque o local dos fatos foi alterado para induzir o juízo e o perito a erro.

O caso teve início com a investigação da morte da menina de 4 anos, em dezembro de 2015. Desde então, a definição da responsabilidade criminal passou por diferentes julgamentos e recursos até a nova condenação pelo Tribunal do Júri.

Novo julgamento

Este não foi o primeiro julgamento de Najjar pelo caso. Ele havia sido condenado em 2018 por homicídio doloso qualificado, mas a decisão foi anulada depois de ser identificada uma contradição na votação dos quesitos pelos jurados.

Em um segundo julgamento, o crime foi desclassificado para homicídio culposo. Na ocasião, a punibilidade foi extinta em razão da prescrição.

O Ministério Público recorreu dessa decisão. Segundo o órgão, a desclassificação contrariava as provas técnicas reunidas no processo, principalmente o laudo necroscópico.

O documento apontava lesões consideradas incompatíveis com acidente ou asfixia acidental e indicava, segundo o MP, a atuação humana intencional.

O Tribunal de Justiça de São Paulo acolheu o recurso e determinou a realização de um novo julgamento pelo Tribunal do Júri. A defesa recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas o recurso não foi acolhido, mantendo-se a decisão do tribunal paulista.

Em outubro do ano passado, o subprocurador-geral de Justiça Criminal Ivan Agostinho fez sustentação oral em Brasília durante a tramitação do caso no STJ.

Condenação

No julgamento encerrado na sexta-feira, os jurados reconheceram a responsabilidade de Najjar pelo homicídio qualificado e pela fraude processual. A pena definida foi de 24 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão.

A sentença foi proferida pela juíza Renata Mahalem da Silva Teles, do 1º Tribunal do Júri do Fórum Criminal Central de São Paulo.

O Conselho de Sentença ficou reunido durante três dias para analisar o caso.

O processo contou, ao longo das diferentes etapas, com a atuação de integrantes do Ministério Público em primeira e segunda instâncias.



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