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Brasil sobe para 5º lugar entre economias que mais cresceram no 2º tri, diz pesquisa


O Brasil registrou a quinta maior taxa de crescimento global do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano, segundo a agência de classificação de risco Austin Rating. O levantamento considera o desempenho das economias entre 50 países que já divulgaram seus resultados.

A economia brasileira cresceu 0,5% entre abril e junho, na comparação com os três primeiros meses do ano, com ajuste sazonal. O resultado coloca o país uma posição acima da registrada no primeiro trimestre, quando havia ficado em sexto lugar no ranking.

A lista foi elaborada por Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, e considera o desempenho trimestral das economias com ajuste sazonal, o que permite uma comparação mais direta entre os países.

Os países que mais cresceram

  1. Irlanda: 1,0%
  2. Indonésia: 0,9%
  3. Angola: 0,7%
  4. Malásia: 0,6%
  5. Brasil: 0,5%
  6. Eslovênia: 0,4%
  7. Lituânia: 0,4%
  8. Suécia: 0,4%
  9. Estados Unidos: 0,4%
  10. Sérvia: 0,4%
  11. Suíça: 0,4%
  12. Cingapura: 0,3%
  13. México: 0,3%
  14. Tunísia: 0,3%
  15. Taiwan: 0,3%
  16. Colômbia: 0,3%
  17. Turquia: 0,3%
  18. Polônia: 0,2%
  19. China: 0,2%
  20. Canadá: 0,2%

No topo do ranking está Irlanda, cuja economia cresceu 1% no segundo trimestre. Em seguida aparecem Indonésia e Angola. O Brasil aparece na quinta posição, com avanço de 0,5%.

Brasil fica em 37º no ranking anual

Já na comparação do segundo trimestre deste ano contra igual trimestre do ano passado, a economia brasileira cresceu 2%. O resultado levou o país a ficar na 37ª posição entre 63 economias.

O levantamento compara o desempenho dos países entre abril e junho deste ano com igual período de 2025. O resultado coloca o país atrás de economias como China, Índia, Estados Unidos, México e Colômbia.

O PIB de Taiwan liderou o crescimento nesta base de comparação, com alta de 12,9%, seguido de Angola (8,7%), Vietnã (8,4%), Índia (7,8%), Mongólia (7,7%), e outros países como Venezuela, Armênia, Malásia, Cingapura, Indonésia, Eslovênia, Dinamarca, Malta e Nigéria.

A China aparece em 15º lugar, com alta de 4,3%. Já os Estados Unidos avançaram 2,1%, assim como o México, ocupando, respectivamente, a 35ª e 36ª posição, antes do Brasil.

  1. Taiwan: 12,9%
  2. Angola: 8,7%
  3. Vietnã: 8,4%
  4. Índia: 7,8%
  5. Mongólia: 7,7%
  6. Venezuela: 7,1%
  7. Armênia: 6,7%
  8. Malásia: 6%
  9. Cingapura: 5,9%
  10. Indonésia: 5,3%
  11. Eslovênia: 5%
  12. Dinamarca: 4,6%
  13. Malta: 4,5%
  14. Nigéria: 4,4%
  15. China: 4,3%
  16. Hong Kong: 4,3%
  17. Lituânia: 4,1%
  18. Cazaquistão: 4,1%
  19. Polônia: 3,9%
  20. Sérvia: 3,8%
  21. Montenegro: 3,8%
  22. Coreia do Sul: 3,7%
  23. Colômbia: 3,5%
  24. Costa Rica: 3,4%
  25. Suécia: 3,3%
  26. Chipre: 3,3%
  27. Letônia: 3%
  28. Espanha: 2,7%
  29. Bulgária: 2,7%
  30. Peru: 2,6%
  31. Portugal: 2,5%
  32. Tunísia: 2,3%
  33. Turquia: 2,3%
  34. Filipinas: 2,3%
  35. Estados Unidos: 2,1%
  36. México: 2,1%
  37. Brasil: 2%



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Kemin quer dobrar negócios na América Latina e avalia fábrica no México

A Kemin Nutrição e Saúde Animal pretende dobrar de tamanho na América Latina nos próximos três anos, com expansão tanto de capacidade quanto de receita. Segundo Rubens Castro, presidente da companhia na América do Sul, a empresa avalia investimentos na região e tem o México como um dos principais focos, com a possibilidade de instalar uma fábrica própria no país até 2028.

A estratégia ocorre em um momento de transformação da indústria de proteína animal, marcado por mudanças regulatórias, restrições ao uso de antimicrobianos e maior exigência de rastreabilidade e segurança alimentar nos mercados internacionais.

“Estamos com o desafio regional de dobrar de tamanho pelos próximos três anos”, afirmou Castro. Segundo o executivo, o potencial dos mercados de atuação da companhia sustenta a expectativa de crescimento, apesar da pressão adicional sobre investimentos e recursos.

O México é, neste momento, o principal projeto em avaliação. A ideia é que uma unidade própria no país permita atender não apenas o mercado mexicano, mas também a América Central. A Kemin ainda não possui uma fábrica local e trabalha para viabilizar a nova estrutura possivelmente até 2028.

Castro afirmou que cerca de 20% do lucro líquido anual da companhia é reinvestido em inovação. De acordo com o executivo, a Kemin já desenvolveu mais de 500 patentes, resultado de uma estratégia baseada em pesquisa e desenvolvimento.

Para Castro, a chamada nutrição de precisão tende a ganhar importância diante do aumento da competitividade internacional e das exigências regulatórias. A tecnologia, segundo ele, permite às empresas buscar ganhos de eficiência, qualidade e segurança alimentar e, ao mesmo tempo, encontrar alternativas à utilização de determinados antimicrobianos.

“A agenda de nutrição de precisão se torna muito importante por conta dos seus benefícios”, afirmou.

A mudança regulatória na Europa, portanto, é vista pela Kemin menos como uma ameaça e mais como uma oportunidade de negócios. O portfólio da companhia, segundo Castro, possui soluções que podem contribuir para a substituição de antibióticos e antimicrobianos em determinadas aplicações.

O executivo avalia que a elevação da exigência regulatória também pode aumentar o nível de competitividade da indústria brasileira de proteína animal. Para ele, o Brasil já possui reconhecimento internacional pela qualidade de sua produção e precisa adaptar processos para atender às novas regras.

Diversificação ganha força

Além das mudanças regulatórias, a fragmentação do comércio global de proteínas tem levado as empresas a repensar sua concentração em determinados mercados. Castro avalia que a diversificação das exportações se tornou uma agenda estratégica, especialmente diante das restrições comerciais impostas por grandes compradores.

O executivo citou as mudanças envolvendo China e União Europeia como exemplos de fatores que aumentam a necessidade de ampliar a presença em diferentes mercados.

“Quanto maior a diversificação do meu número de clientes, eu tenho um impacto menor quando eu passo por mudanças como esta”, afirmou.

Na avaliação de Castro, muitas empresas brasileiras já vinham se antecipando a esse cenário, investindo em nutrição de precisão, adequação a restrições regulatórias e novas tecnologias. Para ele, aquelas que iniciaram esse processo antes estão em uma posição mais favorável.

Tecnologia também entra na estratégia

A expansão da Kemin ocorre em paralelo à transformação tecnológica da indústria de proteína animal. Castro afirma que automação e inteligência artificial devem ganhar espaço diante da dificuldade de contratação de mão de obra e da necessidade de elevar a produtividade.

Segundo ele, a inteligência artificial pode contribuir para otimizar processos e aumentar a velocidade das operações, desde que sejam preservados requisitos de rastreabilidade e segurança.

Na visão do executivo, a tecnologia e a inovação devem caminhar junto com a busca por eficiência econômica. Mesmo diante da alta de custos de frete e de matérias-primas, a companhia procura desenvolver soluções que gerem retorno mensurável aos clientes.

Castro afirma que, dependendo da aplicação, os produtos da Kemin podem proporcionar um retorno de aproximadamente cinco dólares para cada dólar investido pelo cliente, por meio de ganhos de produtividade e eficiência operacional.

Com a expansão prevista para a América Latina, o investimento em inovação e a pressão por novas soluções nutricionais, a companhia busca posicionar o crescimento regional como uma das principais frentes de negócios para os próximos anos.

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70% dos empresários veem sistema tributário como entrave da indústria


A indústria de transformação está retomando a trajetória de crescimento, com avanço de 3,4% em 2024 e de 0,6% em 2025, impulsionada pelos setores de bens de consumo duráveis e intermediários. Mas a complexidade do sistema tributário brasileiro se mostra como o maior desafio, obrigando as empresas a navegarem por um cenário de elevação contínua nos custos de produção.

Segundo a pesquisa Infor Reports 2026, divulgada com exclusividade para o InfoMoney, 70% dos empresários industriais veem a burocracia do sistema de impostos como entrave para o crescimento, enquanto 64% apontam que o custo de se produzir no país, o chamado “custo Brasil”, aumentou nos últimos anos. Além dos tributos, entram nesta conta a infraestrutura insuficiente, o custo de capital elevado, a insegurança jurídica e regulatória, e a baixa produtividade.

O peso no caixa das indústrias também é dividido com a falta de mão de obra qualificada, citada por 62%, e pelas dificuldades de financiamento e acesso restrito ao crédito, apontadas por 27%. 

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Custo Brasil chega a R$ 1,7 trilhão ao ano, quase 20% do Produto Interno Bruto (PIB). Esta conta afasta o país dos líderes da competitividade global. O Brasil ocupa a última posição em um ranking de competitividade global com 18 países, perdendo para vizinhos sul-americanos como Argentina, Colômbia, Peru e Chile, além do México. Isso reflete na produtividade da indústria que caiu quase 1% nos últimos 30 anos.

Leia também: Indústria brasileira desacelera e CNI prevê ‘âncora pesada’ até 2027

Ameaça à competitividade

O impacto dessa conjuntura afeta a capacidade de competição das indústrias e comprime as margens de lucro. A infraestrutura inadequada do país eleva o frete, aumenta o tempo de entrega, amplia a necessidade de estoques de segurança e reduz a confiabilidade de toda a cadeia logística. 

No caso dos impostos, as empresas enfrentam um alto custo administrativo para lidar com as complexidades do sistema tributário, o que acaba levando a distorções na formação de preços e decisões de investimento.

Leia também: Brasil avança e é 58º em competitividade global, mas precisa de mudanças estruturais

“Isso pressiona o custo de produção, reduz a margem e frequentemente obriga a empresa a repassar preço ou perder competitividade”, afirma Roberto Borges, diretor financeiro e administrativo da Colson Rodas e Rodízios.

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A reforma tributária, elaborada para unificar tributos, deve mitigar essa distorção e melhorar o ambiente de negócios a longo prazo. Mas o período de transição exigirá cautela e liquidez, destaca Waldir Bertolino, vice-presidente e Country Manager da Infor Brasil e Latam. Ele explica que, durante a migração de regimes, as companhias precisarão investir fortemente na revisão de processos, em sistemas de gestão integrados em nuvem (ERP), adequações de conformidade fiscal e treinamento de equipes para evitar que as despesas operacionais disparem.

Para ele, a mudança deve desencadear uma reestruturação da distribuição fabril e da infraestrutura logística em território nacional. “A questão é que esta transformação vai demorar quase uma década para se estabelecer de fato”, ressalta Bertolino.

“Para a indústria, a reforma tributária pode influenciar decisões sobre onde produzir, como organizar a cadeia de suprimentos e como estruturar a distribuição. É uma transformação que não acontece de um dia para o outro e vai exigir das empresas capacidade de planejamento e adaptação ao longo dos próximos anos”, afirma.

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Como tentativa de reverter esse quadro de desindustrialização e apoiar as empresas na transição, o setor passou a contar com o programa Nova Indústria Brasil (NIB). A política governamental soma R$ 3,4 trilhões em investimentos contratados e já direcionou R$ 472 bilhões em recursos para financiar mais de 168 mil projetos de modernização produtiva no país. Como resposta a essa urgência por eficiência, 73% das grandes indústrias mantêm planos ativos de investimento produtivo em 2024 para não perderem ainda mais espaço internacional. 

Avanço rumo à Inteligência Artificial

Esse cenário impõe ainda mais rigor na escolha dos investimentos de capital, especialmente diante de um contexto macroeconômico em que o setor precisa requalificar 14 milhões de trabalhadores até 2027 e integrar recursos avançados de inteligência artificial e automação para estancar as perdas de produtividade e garantir sua sobrevivência na nova manufatura global.

A pesquisa aponta que, para 88%, a escassez de mão de obra capacitada é um dos principais entraves para a modernização da indústria, uma lacuna que reduz a adoção de tecnologias avançadas e compromete o crescimento de setores estratégicos. 

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Leia também: Juro alto trava inovação e asfixia indústria de transformação, dizem especialistas

Enquanto o uso de IA no parque industrial brasileiro saltou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024, ajudando o Brasil a subir 15 posições no Índice de Prontidão Digital (NRI) e ocupar a 44ª posição global, mais de 30% das indústrias nacionais sequer implementaram as tecnologias básicas da Indústria 4.0, aponta o relatório. 

“Quando falamos em qualificar 14 milhões de trabalhadores, estamos falando de preparar a força de trabalho para uma mudança mais ampla na indústria, que envolve automação, digitalização e diferentes tecnologias emergentes”, diz Bertolino. “A reindustrialização não pode significar apenas produzir mais, mas produzir melhor”, afirma. 

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Juros altos

O avanço tecnológico, a adaptação à reforma tributária, a capacitação de mão de obra e as tentativas de redução do Custo Brasil devem ocorrer em meio a um cenário de juros elevados que freiam a capacidade de investimento.

“Quando temos juros elevados e maior incerteza, o custo do capital aumenta e os investimentos passam a ser avaliados com ainda mais rigor. Isso pode impactar desde a expansão de uma fábrica até decisões relacionadas à modernização tecnológica”, diz Bertolino.



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Proagro tem redução de R$ 1 bi no orçamento de 2027

O PLOA 2027 (Projeto de Lei Orçamentária Anual) elaborado pelo governo federal prevê uma redução de R$ 1 bilhão no orçamento destinado ao Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária). A peça foi enviada ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (31), mas ainda pode sofrer alterações durante a tramitação.

De acordo com o projeto, os valores destinados ao programa para o ano que vem são de R$ 5,606 bilhões. No orçamento enviado no ano passado, o número foi de R$ 6,618 bilhões, ou seja, uma redução de 15,3%.

A previsão para 2027 também é inferior aos valores dos últimos anos. Em 2023, o Proagro teve R$ 9,405 bilhões realizados. Em 2024, foram R$ 5,884 bilhões. Para 2025, a reprogramação ficou em R$ 5,787 bilhões. Já no PLOA 2026, o governo havia previsto R$ 6,618 bilhões.

Com os R$ 5,607 bilhões previstos para 2027, o orçamento fica 40,4% abaixo do valor realizado em 2023.

Para 2027, o PSR (Programa de Subvenção ao Seguro Rural) terá R$ 1,2 bilhão, contra R$ 1,092 bilhão no orçamento de 2026, um aumento de R$ 107,46 milhões, ou 9,8%.

Na apresentação da proposta enviada a jornalistas, o governo ainda coloca como “principais aumentos” R$ 2,9 bilhões na rubrica de Subsídios, Subvenções e Proagro, no entanto, esse “aumento”, não ocorreu para o Proagro.

O Proagro é um mecanismo de proteção ao produtor rural ligado ao crédito agrícola. Em determinadas situações de perda da produção provocada por eventos previstos nas regras do programa, como fenômenos climáticos, o produtor pode ter cobertura para as obrigações financeiras vinculadas ao financiamento.

Já o PSR funciona de outra maneira. O governo paga uma parte do prêmio do seguro rural contratado pelo produtor, reduzindo o custo da apólice e ampliando o acesso à proteção contra perdas.

A redução No Proagro ocorre em um momento de preocupação com os efeitos de eventos climáticos sobre a produção agrícola. Para o segundo semestre de 2026, órgãos oficiais de monitoramento climático apontam alta probabilidade de um El Niño muito forte.

O fenômeno pode aumentar o risco de chuvas acima da média no Sul e de condições mais secas e quentes em outras regiões do país, com impactos diferentes sobre as áreas produtoras.

O cenário também levou o governo a estudar alternativas para reforçar a proteção ao produtor. Em agosto, a SPA (Secretaria de Política Agrícola) do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) entregou ao ministro André de Paula uma proposta de MP (Medida Provisória) que permitiria remanejar eventuais sobras de recursos entre o Proagro e o PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) dentro do mesmo ano.

A proposta não prevê recursos adicionais. A ideia é permitir que um eventual saldo não utilizado em um dos programas possa ser direcionado ao outro. Segundo o governo, quanto poderá ser transferido só deverá ser conhecido em novembro. Em 2025, o Proagro teve R$ 758,3 milhões em recursos não utilizados.

Crédito Climático

Ao mesmo tempo em que reduz a previsão para o Proagro, o governo reservou R$ 29,7 bilhões em operações de crédito reembolsável do FNMC (Fundo Nacional sobre Mudança do Clima) no PLOA 2027. Os recursos podem financiar projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

No agronegócio, estão entre as possibilidades a recuperação de pastagens degradadas, o plantio direto, a rotação de culturas, o uso de bioinsumos e os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta. Também podem ser financiados projetos de restauração florestal, adequação ambiental e sistemas agroflorestais.

A proposta, porém, não considera a dotação integral da ação, porque exclui os valores referentes às linhas do Eco Invest Brasil e do Tropical Forest Invest.

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Diretor do BC diz que é indiscutível que bets são elemento central para endividamento


O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou nesta terça-feira, 1º de setembro, que é indiscutível que as bets são um problema, um elemento central do endividamento das famílias. “Qualquer coisa diferente de dizer que bets não contribuem para a inadimplência é fake news”, emendou o diretor

A declaração ocorreu quando Aquino foi questionado sobre a questão do crédito no País, durante participação de um painel no Zetta Summit, em Brasília.

O diretor enfatizou que a transparência é um dos focos de atenção da agenda do regulador quanto ao tema do endividamento das famílias.

“Será que é possível a gente ter uma carteira digital que possa burlar e possa abastecer créditos para bets? Eu tenho dúvidas. Será que é possível também, em termos de transparência, para contribuir para esse processo, ter páginas iniciais de apps com o link para bets que contribuem?”, exemplificou Ailton de Aquino.

Endividamento nas linhas mais caras de crédito

O diretor de Fiscalização do Banco Central reforçou ainda a importância de endereçar o endividamento das famílias nas linhas mais caras de crédito, como o cartão de crédito e o crédito não consignado.

“Isso está presente na nossa comunicação do Comef [Comitê de Estabilidade Financeira] da semana passada e isso será um elemento de debate com o CMN [Conselho Monetário Nacional], obviamente, e com a sociedade” disse. “Para os próximos meses, nós vamos ter algumas medidas. Teremos algumas medidas relevantes para o sistema financeiro”, comentou.

Novo arcabouço de resolução bancária

No mesmo evento, o diretor de Fiscalização do Banco Central também afirmou que o País precisa de um novo arcabouço de resolução bancária. “Precisamos avançar no PLP 281. Espero muito que o próximo diretor de Fiscalização do Banco Central não sofra as mesmas dores que eu venho sentindo”, disse.

Aquino também afirmou que o BC precisa de uma nova regulação no que diz respeito à sua estrutura de administração para enfrentar o ambiente atual.



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Governo prevê aumento de R$ 2,9 bilhões para Proagro e subvenções

O PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2027 prevê um aumento de R$ 2,9 bilhões nas despesas destinadas a subsídios, subvenções e ao Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) em relação à avaliação do terceiro bimestre de 2026.

Os gastos estão classificados no orçamento federal como despesas obrigatórias sujeitas a controle de fluxo pelo Poder Executivo. O aumento integra uma expansão de R$ 145,1 bilhões nas despesas obrigatórias previstas para o próximo ano e aparece entre os pontos de atenção para o cumprimento do limite de gastos primários estabelecido pelo arcabouço fiscal.

O Proagro é um dos principais instrumentos de proteção do produtor rural diante de perdas provocadas por eventos adversos. O programa permite a cobertura de parcelas de financiamentos de custeio rural em situações previstas nas regras de contratação, como determinados eventos climáticos que comprometem a produção.

A ampliação prevista no orçamento ocorre em um cenário de maior demanda por mecanismos de proteção diante da recorrência de eventos climáticos que afetam a produção agropecuária. Para o governo, a recomposição dos recursos representa uma elevação da despesa pública, enquanto para o setor produtivo amplia o espaço orçamentário para fazer frente às indenizações e demais compromissos associados ao programa.

A proposta também considera um cenário macroeconômico com Selic média de 12,53% e câmbio médio projetado em R$ 5,22 por dólar. Esses parâmetros influenciam as condições de financiamento e os custos das operações de crédito rural, além de afetarem o ambiente econômico em que os programas de apoio ao produtor serão executados.

O aumento das despesas com Proagro e subvenções, portanto, ocorre em meio ao desafio do governo de conciliar a manutenção dos mecanismos de apoio à atividade agropecuária com o controle das despesas obrigatórias e o cumprimento das regras fiscais.

O PLOA ainda precisa tramitar no Congresso Nacional e pode sofrer alterações durante a análise e votação do Orçamento de 2027.

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Retração da indústria brasileira se aprofunda em agosto, mostra PMI


SÃO PAULO, 1 Set (Reuters) – A ⁠retração da atividade no setor industrial do Brasil ⁠se intensificou em agosto, com a produção e os novos negócios ‌registrando as maiores quedas desde abril de 2023, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada nesta terça-feira.

O PMI da indústria, compilado ‌pela S&P Global, caiu em agosto para 46,3, de 47,5 em julho, indicando a segunda deterioração mensal consecutiva e a contração mais acentuada em 40 meses. A marca de 50 separa crescimento de retração.

“Os próximos meses parecem desafiadores, com os fabricantes enfrentando incertezas relacionadas às eleições presidenciais, condições frágeis de demanda ⁠e ‌tensões geopolíticas globais contínuas”, disse Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da ⁠S&P Global Market Intelligence.

Os dados da pesquisa apontaram para um enfraquecimento generalizado da demanda, com as empresas relatando vendas mais baixas, concorrência acirrada, relutância dos clientes em se comprometer com novos projetos e desafios contínuos nos setores agrícola e automotivo.

A produção caiu pelo quarto mês consecutivo, ​com os participantes da pesquisa citando redução no volume de pedidos, retração da demanda, pressões sobre os custos e incerteza geopolítica.

O volume de novos ​negócios diminuiu pelo 17º mês consecutivo, com a taxa de contração acelerando em relação a julho. Segundo a pesquisa, ficaram evidentes reduções entre os produtores de bens de consumo, bens intermediários e bens de investimento.

Os novos pedidos para exportação industrial diminuíram pelo quarto mês seguido e no ritmo mais ‌intenso em pouco mais de três anos e ​meio. Os participantes da pesquisa observaram queda nas vendas para a Argentina e os Estados Unidos, em particular.

A demanda mais fraca afetou o número de funcionários e a capacidade produtiva na ⁠indústria. O emprego caiu pelo ​segundo mês consecutivo ​e na maior proporção desde outubro de 2025, com as empresas citando medidas de controle de custos, ⁠demanda moderada, condições de mercado difíceis e, ​em alguns casos, escassez de candidatos adequados.

A inflação dos custos de insumos e dos preços de venda continuou desacelerando pelo quarto mês seguido em agosto, recuando dos ​recentes picos registrados em abril e atingindo os níveis mais baixos desde fevereiro. As empresas que aumentaram seus preços citaram o repasse ​dos custos mais elevados ⁠aos clientes.

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Os fabricantes brasileiros permaneceram otimistas em relação às perspectivas para o próximo ano, embora a confiança ⁠tenha diminuído em relação a julho. Quase 61% das empresas esperam que a produção aumente nos próximos 12 meses, enquanto apenas 3% preveem queda. A confiança foi sustentada por expectativas de condições econômicas melhores após as eleições presidenciais, investimentos em tecnologia, ganhos de produtividade, lançamentos de novos produtos e parcerias comerciais.



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Fertilizantes Heringer obtém suspensão de cobranças e execuções por 60 dias

A Justiça de São Paulo suspendeu por 60 dias as cobranças e medidas de execução contra a Fertilizantes Heringer, controlada pelo grupo russo EuroChem. A decisão ocorre enquanto a companhia negocia com credores por meio de um procedimento de mediação iniciado em agosto.

A medida foi concedida pela Vara Regional de Competência Empresarial e de Conflitos Relacionados à Arbitragem do Foro Especializado das 4ª e 10ª Regiões Administrativas Judiciárias do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo). 

A Heringer recorreu à Justiça em 25 de agosto, com um pedido de tutela cautelar antecedente para suspender temporariamente a exigibilidade dos créditos envolvidos na negociação.

A decisão, assinada pelo juiz José Guilherme di Rienzo Marrey, abrange cobranças, execuções e eventuais constrições patrimoniais relacionadas aos credores convidados para a mediação. O magistrado, no entanto, não acolheu o pedido da companhia para suspender de forma genérica a declaração de vencimento antecipado das obrigações incluídas nas negociações.

Segundo documentos do processo, a Heringer alegou haver uma “obrigação expressiva no curtíssimo prazo” e o risco de medidas executivas individuais comprometerem seu capital de giro e o funcionamento das operações.

Em fato relevante divulgado na segunda-feira (31), a companhia afirmou que a suspensão pretende criar um ambiente administrativo e financeiro mais estável para a condução da mediação. A empresa também informou que a medida não interrompe suas atividades nem altera o curso normal dos negócios.

Uma parcela do cronograma de pagamentos previsto no plano da companhia, superior a R$ 30 milhões, tinha vencimento em 31 de agosto.

Credores

O processo tem valor de causa de aproximadamente R$ 1,98 bilhão, mas que não representa o endividamento total da companhia.

O Banco do Brasil aparece como o maior credor individual, com R$ 334,4 milhões. Em seguida estão a trading russa Uralkali, com R$ 315,1 milhões; o Bradesco, com R$ 265,5 milhões; e a também russa PhosAgro, com R$ 235,8 milhões. Os quatro maiores credores concentram cerca de 58% do passivo listado.

Além deles, aparecem entre os principais credores Banco Banrisul, com R$ 79,4 milhões; Uralchem, com R$ 71,4 milhões; Cargill, com R$ 62,1 milhões; e BNDES, com R$ 48,9 milhões.

A composição da lista mostra uma presença relevante de empresas ligadas ao fornecimento de fertilizantes. Uralkali, Uralchem, PhosAgro e JSC Belarusian Potash Company somam aproximadamente R$ 640,3 milhões, o equivalente a cerca de 32,3% do passivo.

A lista também inclui tradings e fornecedores internacionais como Mekatrade Asia, Yunnan Phosphate Haikou, The Standard Syndicate, OCP, K+S Kali, Allied Harvest e Nitron Group.

Há ainda sete credores pessoas físicas ligados à família fundadora, agrupados em uma única linha de R$ 359,7 milhões.

O passivo sujeito à mediação está dividido entre créditos com garantia real e quirografários. Segundo as informações do processo, 13,48% têm garantia real e 86,52% são quirografários.

Negociação com credores

A mediação foi iniciada pela Heringer na Câmara Wind. O procedimento busca discutir alternativas para a reestruturação das obrigações financeiras da companhia. 

A empresa havia passado por um processo de recuperação judicial iniciado em fevereiro de 2019. O plano foi homologado pela Justiça em fevereiro de 2020, após a renegociação de mais de R$ 2 bilhões em dívidas. O processo foi posteriormente encerrado.

Entre os fatores relacionados à atual pressão financeira está a exposição da empresa ao dólar. Segundo fontes, cerca de 70% dos valores incluídos na mediação estariam denominados na moeda americana.

Quando a recuperação judicial foi iniciada, em 2019, o dólar estava em torno de R$ 3,60. Desde então, a moeda passou a ser negociada em patamar próximo de R$ 5,15, elevando, em reais, o valor das obrigações financeiras atreladas ao dólar.

A estrutura de custos da Heringer também possui exposição cambial. A companhia gera suas receitas principalmente em reais e importa cerca de 88% das matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes.

No fim de junho, a empresa registrava passivos totais de R$ 2,8 bilhões. No segundo trimestre, a Heringer voltou a apresentar prejuízo e registrou queda nas vendas.

Controlada pela EuroChem desde 2022, a Fertilizantes Heringer afirma que mantém suas operações normalmente enquanto conduz as negociações com os credores.

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Diretor do Fed diz que juros podem subir se inflação não desacelerar nos EUA


O diretor do Federal ⁠Reserve Michael Barr afirmou nesta terça-feira que, se ‌a inflação não diminuir rapidamente, será hora de o banco central dos EUA aumentar as taxas de ‌juros.

“A inflação continua alta demais — e vem sendo assim há mais de cinco anos”, disse Barr no texto de um discurso preparado para ser proferido no Fórum de Empréstimos de Segunda Chance.

Referindo-se à reunião de ⁠política ‌monetária do Fed, marcada para 15 e 16 ⁠de setembro, e ao espaço que ela dá às autoridades para avaliar as opções de política monetária, Barr disse: “Se a inflação não parecer estar moderando suficientemente, então acho que devemos agir de forma decisiva ​para aumentar os juros”.

“Se as tendências nos dados me derem alguma confiança de que a inflação está ​moderando rumo aos 2%, então acho que podemos esperar um pouco mais para avaliar nossa postura de política monetária”, acrescentou.

Barr também observou que a economia está apresentando um desempenho sólido, impulsionado por investimentos ‌em tecnologia de inteligência artificial. Ele ​afirmou que o mercado de trabalho está “estável, com desemprego relativamente baixo”.

O presidente do Fed, Kevin Warsh, sinalizou na semana passada a possibilidade ⁠de um ​aumento nas taxas ​de juros, afirmando no simpósio econômico anual de Jackson Hole, organizado pelo ⁠Fed de Kansas City, que, ​no que diz respeito à política monetária, “devemos ter certeza de que a inflação subjacente está caminhando em direção à ​nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer”.

Os ​mercados financeiros apostam ⁠que o Fed aumentará sua taxa básica de juros, atualmente fixada na ⁠faixa de 3,50% a 3,75%, em 0,25 ponto percentual em sua reunião deste mês. Muitas autoridades do Fed sinalizaram abertura para aumentar os juros, citando os índices de inflação que permanecem persistentemente acima da meta de ​2%.



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Orçamento prevê R$ 29,7 bilhões para crédito climático em 2027

O PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) prevê R$ 29,7 bilhões em operações de crédito reembolsável do FNMC (Fundo Nacional sobre Mudança do Clima), que poderão apoiar projetos alinhados à agenda de redução de emissões e adaptação às mudanças climáticas.

Entre as principais aplicações para o setor está o financiamento de práticas associadas à agricultura de baixo carbono, em linha com as diretrizes do Plano ABC, como recuperação de pastagens degradadas, plantio direto, rotação de culturas, uso de bioinsumos e adoção de sistemas integrados de produção.

A proposta prevê que os recursos sejam disponibilizados por meio de financiamentos com condições favorecidas, permitindo que produtores e empresas tenham acesso a crédito com custo inferior ao de linhas convencionais de mercado para investimentos enquadrados nas políticas climáticas.

O PLOA estima um benefício creditício de R$ 30,4 milhões para cada R$ 1 bilhão concedido em 2027. Considerando toda a duração dos contratos, o benefício estimado sobe para R$ 198 milhões por R$ 1 bilhão financiado.

O cálculo considera a diferença entre o custo de captação dos recursos e as taxas oferecidas aos tomadores, em comparação com o custo médio de emissão da dívida pública federal. Na prática, o mecanismo reduz o custo financeiro de investimentos considerados estratégicos para a transição para uma economia de menor emissão de carbono.

No campo, uma das principais frentes de aplicação está relacionada à ampliação de tecnologias de produção de baixo carbono. O financiamento pode apoiar práticas que aumentem a produtividade sem necessidade de expansão da área cultivada e, ao mesmo tempo, reduzam a emissão de gases de efeito estufa.

A recuperação de pastagens degradadas, por exemplo, é uma das alternativas com potencial de impacto direto sobre a pecuária. A melhoria da qualidade das pastagens pode elevar a capacidade produtiva das áreas já utilizadas e reduzir a necessidade de abertura de novas áreas.

Também estão entre as possibilidades o plantio direto, a rotação de culturas e o uso de bioinsumos, além da adoção de tecnologias voltadas à mitigação das emissões no processo produtivo.

Outro caminho é a expansão de sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta, que combinam diferentes atividades na mesma propriedade e podem contribuir tanto para a produtividade quanto para a conservação dos recursos naturais.

Além da produção de baixo carbono, os recursos do Fundo Clima podem ser direcionados à restauração florestal e à adaptação baseada em ecossistemas. No setor, isso inclui investimentos na recomposição de Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal, além de projetos relacionados à adequação ambiental das propriedades e à implantação de sistemas agroflorestais.

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