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Safra 2026 alcançará 353 milhões de t, 2% maior que a de 2025, afirma IBGE

A produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 353 milhões de toneladas, 2% maior (ou mais 6,9 milhões de toneladas) que a obtida em 2025 (346,1 milhões de toneladas), com aumento de 1,6% (ou mais 5,6 milhões de toneladas) em relação à de junho de 2026, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta quinta-feira (13).

Segundo o IBGE, a área a ser colhida foi de 83,1 milhões de hectares, com aumento de 1,5 milhão de hectares ante área colhida em 2025, crescimento de 1,8%. Em relação ao mês anterior, a área a ser colhida apresentou declínio de 62.805 hectares (-0,1%).

O arroz, o milho e a soja são os três principais produtos deste grupo que, somados, representaram 92,9% da estimativa da produção e respondem por 87,4% da área a ser colhida.

Para a soja, a estimativa de produção do instituto foi de 174,9 milhões de toneladas. Quanto ao milho, a estimativa foi de 141,8 milhões de toneladas (29,9 milhões de toneladas de milho na 1ª safra e 111,9 milhões de toneladas de milho na 2ª safra). A produção do arroz (em casca) foi estimada em 11,2 milhões de toneladas; a do trigo, em 6,4 milhões de toneladas; a do algodão herbáceo (em caroço), em 9,2 milhões de toneladas; e a do sorgo, em 5,8 milhões de toneladas.

No que se refere à produção, ocorreram acréscimos de 5,3% para a soja e de 7,6% para o sorgo, bem como decréscimos de 6,7% para o algodão herbáceo (em caroço), de 11,3% para o arroz em casca, de 6,9% para o feijão e de 18,6% para o trigo. Para o milho, houve um crescimento de 59 371 toneladas (0,0%), com aumento de 16,4% para o milho 1ª safra e declínio de 3,6% para o milho 2ª safra).

Quanto à área a ser colhida, em relação ao ano anterior, houve crescimentos de 1,3% na área a ser colhida da soja, de 2,3% na do milho (aumentos de 8,4% no milho 1ª safra e de 0,8% no milho 2ª safra) e de 21,5% na do sorgo, ocorrendo declínios de 4,9% na do algodão herbáceo (em caroço), de 12,3% na do arroz em casca, de 4,4% na do feijão e de 19,3% para o trigo.

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Falhas de gestão ampliam pressão sobre crédito para o produtor rural

Bancos defendem que produtores rurais melhorem a organização financeira e a qualidade das informações sobre seus negócios para ampliar o acesso ao crédito e facilitar a negociação em momentos de dificuldade.

Em painel sobre o mercado de crédito rural, executivos do Santander e Itaú BBA afirmaram que, além do cenário de juros elevados, problemas de gestão e de comunicação entre produtores e financiadores têm contribuído para o aumento das dificuldades financeiras no setor.

“Se o sujeito que tem o restaurante consegue fazer contabilidade, faturando menos de R$ 500 mil por mês, como alguém que fatura R$ 30 milhões, R$ 40 milhões por ano ainda entrega a nota no saco para o contador?”, disse Pedro Fernandes, diretor de agronegócio do Itaú BBA, em painel do Congresso da Andav (Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários).

Para Fernandes, a organização de dados financeiros e operacionais deve ser uma das prioridades do produtor rural diante do atual cenário de crédito. Segundo ele, a capacidade de apresentar de forma estruturada as informações do negócio é importante tanto para a avaliação de risco pelos bancos quanto para a negociação de dívidas quando surgem problemas financeiros. 

A falta de informações também tem impacto sobre a formação das taxas. Fernandes explicou que, quando um banco estima uma perda de crédito, esse risco é incorporado à precificação das operações. “Todo mundo, quando vai fazer esse orçamento, vai considerar 3% de perda, 4% de perda, vai colocar isso na margem”, afirmou. 

Na prática, segundo o executivo, produtores que mantêm seus pagamentos em dia acabam arcando indiretamente com parte do custo gerado pela inadimplência de outros tomadores. “Os bons vão pagar pelos maus”, disse. 

A questão da gestão aparece em um momento de maior pressão sobre o crédito rural. João Andrade, do Santander, afirmou que os juros elevados agravam as dificuldades do setor, mas avaliou que o problema do agronegócio é mais amplo e tem caráter estrutural.

“O juro para nós é um problema. O problema do agro hoje é estrutural”, disse Andrade. Segundo ele, o banco tem buscado trabalhar na reestruturação de dívidas e na negociação direta com produtores, em vez de esperar que os problemas cheguem à recuperação judicial.

Na avaliação do executivo, a comunicação entre credores e devedores é um dos principais pontos a serem melhorados. O banco pode tentar diversas vezes entrar em contato com um produtor inadimplente, mas, segundo Andrade, muitas vezes a negociação acaba sendo intermediada por advogados, dificultando uma solução direta.

O diretor do Itaú BBA afirmou ainda que a recuperação judicial responde por uma parcela dos problemas de inadimplência, mas não é a principal causa. Segundo ele, cerca de 20% dos problemas de inadimplência do banco estão relacionados a recuperações judiciais, enquanto os outros 80% envolvem situações em que o devedor não responde ou não mantém uma negociação com o credor.

Recuperação judicial

Os executivos também criticaram o uso da recuperação judicial como solução para problemas financeiros do produtor. Os executivos dos bancos afirmaram que o mecanismo não trata necessariamente das causas que levaram o negócio à crise, pode elevar o custo do crédito e deixar o produtor em situação financeira mais frágil após o processo.

Segundo Fernandes, uma negociação estruturada com os credores permite discutir medidas como a devolução de áreas arrendadas, máquinas e outros ativos ou contratos que deixaram de ser economicamente viáveis.

“Quando a gente olha para o Mato Grosso, onde essa onda pegou antes, hoje em dia acho que tem muito mais conversa do que pedido de recuperação judicial. Em outras praças o pessoal ainda não viu o vizinho se dar mal. Então o pessoal ainda está embarcando nessa”, afirmou Fernandes

O executivo também afirmou que a percepção de que a recuperação judicial oferece uma solução automática para as dívidas pode mudar depois que o produtor experimenta os efeitos do processo. Segundo ele, o produtor que chega ao processo com a percepção de que encontrou uma solução passa a enfrentar uma realidade diferente posteriormente.

“Aquele peito erguido que ele andou no primeiro dia, que ele não devia nada para ninguém depois da RJ, já muda a lógica”, afirmou.

Fernandes disse ainda que, caso as regras e os procedimentos sejam aplicados de forma adequada, a recuperação judicial pode perder espaço como instrumento para enfrentar dificuldades financeiras no campo. “Eu diria que, se o procedimento for respeitado, a RJ vai sair de moda”, afirmou.

Andrade também afirmou que o problema para os bancos não é apenas a recuperação judicial, mas a dificuldade de estabelecer uma negociação com o devedor antes que o processo seja iniciado. “A recuperação machuca, mas acho que é mais danoso a gente não acessar o devedor e entrar numa negociação com ele”, afirmou.

Garantias

A discussão sobre recuperação judicial também envolve as garantias dadas pelos produtores aos financiadores. Júlio Laure, sócio-fundador da Agromatic, afirmou que parte dos produtores que recorrem à recuperação judicial não considera os efeitos da alienação fiduciária sobre determinadas operações.

Segundo Laure, créditos garantidos por alienação fiduciária podem não se submeter aos efeitos da recuperação judicial da mesma forma que outras dívidas, o que permite ao credor buscar a execução da garantia fora do processo, conforme as condições legais aplicáveis.

O executivo afirmou que esse ponto é relevante porque parte das 517 recuperações judiciais de produtores rurais registradas no primeiro trimestre, número citado por ele durante o painel, envolveria operações com esse tipo de garantia.

A alienação fiduciária também está relacionada à formação do custo do crédito. Para Laure, quanto maior a efetividade da garantia, menor tende a ser a perda esperada pelo financiador. Isso pode resultar em menor prêmio de risco, prazos mais longos e maior volume de recursos disponíveis.

Outro ponto levantado por Laure foi a discussão judicial sobre a possibilidade de determinados bens dados em garantia serem considerados essenciais à continuidade da atividade rural. Segundo ele, decisões nesse sentido podem impedir temporariamente a execução de bens durante o período de suspensão das cobranças.

Laure afirmou que o período originalmente previsto de 180 dias pode ser prorrogado e que já há casos em que decisões judiciais estenderam a suspensão por períodos mais longos.

A combinação entre garantias, organização financeira e capacidade de negociação, segundo os participantes do painel, é central para determinar as condições de acesso do produtor ao crédito. “Garantia efetiva não é privilégio do credor, é o que torna o crédito mais barato para o produtor rural”, afirmou Laure.

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Brasil deve exportar até 96 mil toneladas de carne às Filipinas em 2026

O Brasil deve manter em 2026 o ritmo de exportações de carne bovina para as Filipinas, com embarques estimados entre 80 mil e 96 mil toneladas, segundo a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).

A projeção foi apresentada durante a Wofex Manila, uma das principais feiras de alimentos e bebidas das Filipinas. Segundo a entidade, o crescimento da economia local, o aumento do poder de compra e a maior demanda entre os consumidores mais jovens sustentam as perspectivas para a carne brasileira.

Segundo o jornal filipino Philippine Daily Inquirer, o diretor de Assuntos Estratégicos da Abiec, Julio Ramos, afirmou que o consumo de carne bovina tem avançado entre os jovens filipinos, enquanto o aumento da renda amplia o poder de compra da população.

Segundo dados da Abiec, as exportações brasileiras de carne bovina para as Filipinas passaram de 1,4 mil toneladas em 1997 para 96,2 mil toneladas em 2025.

No primeiro semestre de 2026, os embarques somaram 35,9 mil toneladas, alta de 34,6% em relação ao mesmo período de 2025. A receita aumentou 38,9%, para US$ 162,4 milhões.

Com esse desempenho, as Filipinas permanecem entre os dez principais destinos da carne bovina brasileira.

Além da carne bovina, o Brasil também busca ampliar a participação em outros segmentos de proteína animal. A  ABPA  (Associação Brasileira de Proteína Animal) também destacou ao jornal filipino que existe espaço para aumentar a presença brasileira fora da região metropolitana de Manila.

O gerente de Mercados da entidade, Gabriel Morelli Ribeiro, afirmou ao Philippine Daily Inquirer que há oportunidades para as empresas brasileiras se aproximarem dos importadores e ampliarem a distribuição para outras cidades filipinas.

Segundo Ribeiro, o conflito no Oriente Médio também não provocou impactos significativos sobre os embarques brasileiros para as Filipinas. Apesar da alta do petróleo e dos custos de transporte, a avaliação é de que o aumento ainda não foi suficiente para inviabilizar as operações.

Segundo a ABPA, as exportações brasileiras de carne suína e de frango para as Filipinas cresceram cerca de 30% e 15%, respectivamente, em 2026.

Dados do Bureau of Animal Industry, órgão do governo filipino, citados pelo Philippine Daily Inquirer, mostram que as importações de carne das Filipinas aumentaram 12,1% no primeiro semestre, para 872,27 milhões de quilos. O Brasil respondeu por 52,2% desse volume.

O Brasil concluiu As negociações para abertura de mercado para a Filipinas à carne bovina resfriada, com e sem osso ocorreu em abril deste ano.

Segundo o Ministério da Agricultura, a medida ampliou o acesso dos produtos brasileiros a um mercado relevante do Sudeste Asiático e criou novas oportunidades para a cadeia de proteína animal, especialmente para cortes refrigerados.

Com cerca de 115,8 milhões de habitantes, as Filipinas importaram mais de US$ 1,8 bilhão em produtos agropecuários brasileiros em 2025, de acordo com o Mapa.

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Presidente de Angola virá ao Brasil em setembro em busca de investimentos

O presidente de Angola, João Lourenço, estará em São Paulo no dia 26 de setembro para uma agenda voltada à atração de investimentos brasileiros. O convite foi feito durante encontro realizado nesta quarta-feira (13), em Luanda, entre o presidente angolano e uma comitiva de empresários e ex-integrantes do governo brasileiro. Segundo os organizadores da visita, Lourenço aceitou imediatamente a proposta e deverá participar de um almoço com empresários de diferentes setores, especialmente do agronegócio.

A viagem será de caráter privado e empresarial, sem status de visita oficial ou agenda diplomática, segundo a comitiva brasileira. A ideia é apresentar Angola como destino para empresas brasileiras interessadas em investir no país, em um momento em que o governo angolano busca ampliar a produção doméstica e reduzir a dependência das importações.

O encontro de setembro deverá reunir representantes de grandes empresas brasileiras, sobretudo dos setores de proteínas animais, agricultura e mineração. Entre os nomes que devem ser convidados estão Vale e Gerdau, além de companhias do agronegócio já internacionalizadas.

A agenda foi anunciada após uma reunião no Palácio da Presidência da República de Angola, em Luanda, na qual Lourenço recebeu representantes brasileiros, entre eles a ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu, o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Luiz Fernando Furlan e o ex-secretário de Comércio Exterior Roberto Jaguaribe.

Segundo a comitiva, o encontro serviu para estabelecer uma plataforma de aproximação direta entre empresas dos dois países, com foco inicial no agronegócio.

Agro e proteínas no centro da aproximação

A produção de alimentos é uma das principais áreas de interesse de Angola. O país pretende ampliar a produção de grãos e proteínas animais e já sinalizou interesse em contar com tecnologia, conhecimento e capital brasileiros para desenvolver sua agricultura.

A estratégia também abre espaço para empresas brasileiras não apenas como fornecedoras de produtos e máquinas, mas como investidoras em projetos produtivos no território angolano.

Na avaliação da comitiva brasileira, a cadeia de proteínas deve ter papel central nessa aproximação. O Brasil reúne algumas das maiores empresas mundiais de carne bovina, suína e de frango, o que pode facilitar a transferência de tecnologia e a formação de parcerias com companhias angolanas.

A agenda também inclui mineração. A proposta é levar ao encontro de setembro representantes de grandes grupos brasileiros do setor para avaliar oportunidades de negócios diretamente com o governo angolano.

Relação empresarial ganha espaço

O movimento ocorre na esteira da reaproximação entre Brasil e Angola. Em 2023, durante a visita de Estado de Luiz Inácio Lula da Silva a Luanda, os dois países realizaram um fórum empresarial e assinaram acordos em áreas como agricultura, tecnologia, saúde e educação.

O governo angolano já havia manifestado interesse em ampliar a participação do capital brasileiro na economia. Durante a visita de Lula, João Lourenço defendeu, inclusive, a criação de mecanismos para apoiar investimentos privados brasileiros em Angola, citando setores como agricultura, indústria e serviços.

Agora, a proposta apresentada pela comitiva é avançar pela via empresarial, sem substituir os canais diplomáticos oficiais.

“Atuamos com muita cautela e muito cuidado para não nos sobrepormos à diplomacia nem angolana nem à diplomacia brasileira”, afirmou o grupo brasileiro após a reunião.

A iniciativa é liderada pelo Lide, que abriu em Angola sua segunda unidade no continente africano, depois do escritório no Marrocos. A entidade afirma ter reunido mais de 1.100 pessoas em encontros empresariais realizados em Luanda nos últimos dias.

Para os organizadores, a ida de João Lourenço a São Paulo terá justamente o objetivo de transformar a aproximação política entre os dois países em negócios concretos.

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Índia estuda restringir uso da cana para a produção de etanol

A Índia está considerando restringir a quantidade de cana-de-açúcar utilizada para a ​produção de etanol na safra que começa em outubro, ​a fim de aumentar a produção de açúcar e tentar acalmar os preços recordes no país, segundo informaram duas fontes do governo e duas do setor.

A redução das chuvas em Maharashtra e Karnataka, os maiores Estados produtores de cana-de-açúcar da Índia, gerou preocupações quanto à produção de açúcar no próximo ano, disseram as fontes, que preferiram não se identificar porque as deliberações não são públicas.

Elas afirmaram que priorizar o abastecimento de açúcar em ⁠detrimento do etanol poderia ajudar a Índia ​a evitar importações de açúcar, aumentando a oferta interna à medida que a produção cai, ​e que uma decisão sobre o assunto poderia ser tomada até o final do próximo mês.

Um porta-voz do ⁠governo não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da ⁠Reuters.

Aproximadamente 3 milhões de toneladas de açúcar em jogo

As usinas desviaram cerca de 3 ​milhões ‌de toneladas métricas de açúcar, ou cerca de 10% da produção total, para a produção de etanol durante ⁠o ano corrente, até o final de setembro.

Restringir essa prática na próxima safra poderia adicionar um volume semelhante ao abastecimento doméstico de açúcar, compensando a queda esperada na produção devido às chuvas fracas nos principais Estados produtores de cana, ‌disseram ⁠as fontes.

Os preços do ‌açúcar na Índia subiram cerca de 10% no último mês, atingindo um recorde histórico, e devem permanecer elevados por pelo menos os próximos três meses, à medida que a oferta se torna mais escassa e a demanda ⁠da temporada de festivais indianos — quando as pessoas viajam mais — ⁠ganha força, informou a Reuters na semana passada.

Para manter em andamento seu programa de mistura de 20% de etanol na gasolina, o ‌governo precisaria aumentar o uso de milho e arroz na produção de etanol para compensar a redução na quantidade proveniente da cana-de-açúcar. Os estoques de milho e arroz são abundantes.

Fontes com conhecimento direto do assunto afirmaram que as usinas seriam solicitadas a interromper a produção de etanol a partir do caldo de cana ‌e do melaço B, um subproduto com teor relativamente alto de açúcar.

Em vez disso, as usinas teriam permissão para produzir etanol principalmente a partir de melaço C, um subproduto que resta após a extração ⁠da maior parte do açúcar, afirmaram.

A alocação de etanol para a indústria açucareira na safra que começa em novembro deverá ser finalizada antes do início da temporada; depois disso, os revendedores estatais de combustíveis abrirão licitações para a ​compra de etanol, disseram as fontes.

Nova Délhi já proibiu as exportações de açúcar e, no mês passado, impôs ​limites aos estoques que os comerciantes podem manter.

É improvável que as novas restrições em análise prejudiquem significativamente a indústria açucareira, pois espera-se que as usinas obtenham mais lucros com a produção e venda de açúcar do que com o desvio da cana-de-açúcar para a produção de ‌etanol, afirmaram autoridades do setor.

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Seguro rural, fertilizantes e etanol entram na pauta do esforço concentrado

Na semana de esforço concentrado do Congresso, o agro tenta avançar nas negociações para incluir medidas em favor do etanol no PLP 114, enquanto acompanha no Senado projetos sobre seguro rural, preços mínimos, fertilizantes e fiscalização ambiental.

Na Câmara, o principal foco do setor é a votação do PLP (Projeto de Lei Complementar) 114/2026. O texto já tem parecer da deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), mas ainda há pontos em negociação entre parlamentares e governo para viabilizar a aprovação.

A discussão ganhou força depois que o governo decidiu manter por mais 30 dias a subvenção de R$ 0,44 por litro da gasolina. Com a manutenção do benefício, parlamentares da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária) voltaram a cobrar uma compensação para o etanol, para evitar perda de competitividade do biocombustível diante da gasolina.

O setor chegou a defender uma subvenção mínima de R$ 3,5 bilhões para o etanol. A equipe econômica, por outro lado, busca limitar o impacto fiscal e avalia os efeitos de uma eventual extensão da medida a outros biocombustíveis, como o biodiesel.

O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) tem atuado ativamente nas negociações com o governo e afirmou recentemente que ainda estavam sendo discutidos ajustes para viabilizar a votação.

O parecer já incorporou uma salvaguarda para manter o diferencial competitivo dos biocombustíveis caso o governo reduza a tributação ou conceda subvenção aos combustíveis fósseis. O texto prevê ainda subvenção aos produtores de biocombustíveis caso a redução da tributação da gasolina resulte na perda desse diferencial.

Outro ponto que pode entrar nas negociações é a forma de compensação dos créditos tributários acumulados pelos produtores de etanol. O parecer autoriza a utilização de créditos de PIS/Pasep e Cofins para compensar débitos com a Receita Federal. Na versão apresentada pela relatora, o limite global para 2026 é de R$ 750 milhões.

O parecer também prevê que eventuais subvenções aos biocombustíveis tenham duração e condições equivalentes às concedidas aos combustíveis fósseis, evitando que o benefício para o etanol fique defasado em relação ao da gasolina.

A votação do PLP 114 é esperada para esta semana, mas a pauta definitiva da Câmara será definida pelo Colégio de Líderes, em reunião marcada para esta terça-feira (11).

Seguro rural

No Senado, uma das principais prioridades do agro é o projeto que cria novas regras para o seguro rural.

O texto estabelece mudanças nas condições de contratação e prevê mecanismos para ampliar a oferta do seguro aos produtores. A proposta também cria um fundo para subsidiar os prêmios das apólices.

O projeto já foi aprovado pela Câmara e voltou ao Senado após alterações. Parlamentares do setor defendem a aprovação da medida como forma de ampliar a proteção dos produtores diante de eventos climáticos e reduzir a exposição do crédito rural a perdas.

A autora da proposta, senadora Tereza Cristina (PP-MS) tem atuado diretamente para avançar com o texto. Caso seja aprovado como está, já deve constar os valores no PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) para 2027 que o governo apresentará ao Congresso no fim de agosto.

Preços mínimos

Também está no radar dos senadores o projeto que altera a PGPM (Política de Garantia de Preços Mínimos).

A proposta permite que a União compre produtos básicos por até 25% acima do preço mínimo estabelecido pelo governo.

A política é utilizada para apoiar a renda dos produtores em períodos de preços baixos e ajudar a garantir maior estabilidade ao abastecimento.

Fertilizantes

Outra pauta considerada estratégica para o agro é o Profert (Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes).

O projeto prevê incentivos para estimular investimentos na produção nacional de fertilizantes e matérias-primas.

A proposta busca reduzir a dependência brasileira das importações. O Brasil utiliza grandes volumes de fertilizantes na produção agrícola e ainda depende do mercado externo para a maior parte do consumo.

O texto aprovado pela Câmara voltou ao Senado e tem a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como relatora.

Embargos ambientais

A discussão ambiental ganhou força mais recentemente após resolução do CMN (Conselho Monetário Nacional) que estabeleceu restrições ao crédito para produtores com desmatamento em suas propriedades.

Parlamentares ligados à FPA defendem que o uso de tecnologia na fiscalização seja mantido, mas argumentam que informações de satélite, inclusive as utilizadas pelo Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), não devem resultar automaticamente em restrições à atividade produtiva sem análise e direito de defesa.

O setor questionou o uso de informações de monitoramento remoto como base para impedir o acesso ao financiamento e passou a cobrar critérios que garantam análise e direito de defesa.

Nesse contexto, o Projeto de Lei (PL) 2.564/2025 surgiu como uma resposta às preocupações da bancada. O texto estabelece regras para a aplicação de medidas cautelares em fiscalizações ambientais e permite o uso de imagens de satélite e outras ferramentas de monitoramento remoto.

A proposta determina que o produtor seja previamente notificado e tenha a possibilidade de apresentar documentos e esclarecimentos antes da aplicação de determinadas medidas.

O texto foi aprovado pela Câmara e está em tramitação no Senado.

Esforço concentrado

A primeira semana de esforço concentrado do Congresso ocorre entre segunda-feira (10) e sexta-feira (14). Uma nova rodada está prevista entre segunda-feira (31) e quinta-feira (3).

Para o agro, a principal expectativa está nas negociações do PLP 114. Na Câmara, a definição sobre quais projetos serão efetivamente votados ainda depende da reunião do Colégio de Líderes.

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Mosaic anuncia oferta de recompra de dívida de até US$ 1,4 bilhão

A Mosaic iniciou uma oferta para recomprar em dinheiro parte de seus títulos de dívida em circulação, em uma operação com valor total de até US$ 1,4 bilhão. A companhia, produtora de fertilizantes fosfatados e potássicos, informou nesta segunda-feira (10) que a recompra será financiada por uma nova emissão de títulos de dívida.

A oferta contempla quatro séries de papéis, que somam US$ 1,747 bilhão em principal em circulação: títulos seniores com juros de 4,05% e vencimento em 2027; debêntures de 7,30% com vencimento em 2028; títulos seniores de 5,375% com vencimento em 2028; e títulos seniores de 4,35% com vencimento em 2029.

A prioridade para a recompra será dada aos títulos de 2027, seguidos pelas debêntures de 2028, pelos títulos de 2028 e, por último, pelos papéis com vencimento em 2029. Para esta última série, a Mosaic estabeleceu um limite de US$ 150 milhões em valor agregado de compra.

A companhia informou que poderá fazer rateio caso o volume de títulos ofertado pelos investidores supere os limites estabelecidos. O valor pago por cada série será calculado com base no rendimento de um título do Tesouro dos Estados Unidos de referência, acrescido de um spread fixo.

A oferta ficará aberta até as 18h de sexta-feira (14), no horário de Nova York, salvo se for prorrogada ou encerrada antecipadamente. A liquidação está prevista para 18 de agosto. Os investidores cujos títulos forem aceitos também receberão os juros acumulados desde o último pagamento até a data de liquidação.

A operação está condicionada, entre outros fatores, à conclusão de uma nova oferta pública de títulos seniores da Mosaic. A empresa precisa obter recursos líquidos suficientes para pagar os títulos aceitos na recompra e os juros acumulados. Caso essa condição não seja atendida, a companhia poderá não concluir a aquisição dos papéis ofertados.

No fim de 2025, a Mosaic tinha US$ 4,3 bilhões em dívida de longo prazo e US$ 759,9 milhões em dívida de curto prazo. Naquele momento, a empresa também tinha US$ 276,6 milhões em caixa e equivalentes de caixa e uma linha de crédito rotativa de US$ 2,5 bilhões.

A Mosaic contratou Citigroup Global Markets, BMO Capital Markets e U.S. Bancorp Investments como coordenadores da oferta.

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Exportação de frango do Brasil cresce quase 30% em julho

As exportações brasileiras de carne de frango totalizaram 519,2 mil toneladas em julho, alta de 29,9% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo dados da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

A receita com os embarques chegou a US$ 991,2 milhões em julho, crescimento de 34,3% na comparação interanual. 

No acumulado de janeiro a julho, o Brasil exportou 3,455 milhões de toneladas de carne de frango, aumento de 15,2% em relação às 3 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano passado. 

A receita acumulada alcançou US$ 6,690 bilhões, avanço de 19,3% sobre os US$ 5,609 bilhões registrados entre janeiro e julho de 2025.

A China foi o principal destino da carne de frango brasileira em julho, com 70,5 mil toneladas. O mercado estava fechado para o produto brasileiro no mesmo mês de 2025.

Os Emirados Árabes Unidos ficaram em segundo lugar, com 41,4 mil toneladas, queda de 19,9% na comparação anual. A Arábia Saudita recebeu 39,717 mil toneladas, alta de 26,2%, enquanto o Japão importou 38,5 mil toneladas, recuo de 10,2%.

A União Europeia recebeu 36,8 mil toneladas e a África do Sul, 26,1 mil toneladas. Os dois mercados também estavam fechados para a carne de frango brasileira em julho de 2025.

Segundo o presidente da ABPA, Ricardo Santin, os resultados de julho ocorrem em um cenário de recuperação dos embarques após os impactos da ocorrência de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade registrada no país em 2025.

“Os resultados de julho confirmam a capacidade de resposta da cadeia produtiva brasileira e a força da presença do Brasil em diferentes mercados”, afirmou Santin.

De acordo com o presidente da entidade, “mesmo nesse contexto, o crescimento dos embarques demonstra a retomada e a solidez da avicultura brasileira, com avanços em destinos tradicionais e em mercados que vêm ampliando suas compras”

Entre os estados exportadores, o Paraná liderou os embarques em julho, com 227,1 mil toneladas, alta de 49,3% em relação ao mesmo mês de 2025.

Santa Catarina ficou em segundo lugar, com 114,4 mil toneladas, aumento de 20%. O Rio Grande do Sul exportou 58 mil toneladas, alta de 25,5%.

São Paulo embarcou 29,2 mil toneladas, crescimento de 9%, enquanto Goiás registrou 25,8 mil toneladas, aumento de 13,3%.

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Unifrango investe R$ 20 milhões em expansão de centro de distribuição

A Unifrango, empresa paranaense que atua na comercialização e logística de proteínas animais, está investindo mais de R$ 20 milhões na ampliação de seu centro de distribuição em Apucarana, no Paraná. O projeto deve ser concluído até setembro e elevará em 20% a capacidade de armazenamento da companhia, de 20 mil para 24 mil posições-pallets.

Com recursos próprios, a expansão também aumentará a área do centro de distribuição de 19,5 mil para 22 mil metros quadrados. A unidade é destinada à movimentação e armazenagem de produtos congelados, resfriados e secos. A companhia afirma que o investimento faz parte do plano de expansão para 2026, mesmo diante do aumento dos custos logísticos e da volatilidade do comércio internacional.

Segundo o diretor-presidente da Unifrango, Hugo Bongiorno, a expectativa é manter neste ano o crescimento de 5% registrado em 2025 nas intermediações e serviços. A projeção inicial era de avanço de 10%, mas foi revisada diante das incertezas nos mercados doméstico e externo. Em 2024, o faturamento da empresa havia crescido 20%.

A estratégia de expansão ocorre em um momento de pressão sobre o transporte internacional, com aumento dos custos de seguro e combustível e impactos provocados pela crise geopolítica no Oriente Médio. A empresa mantém embarques mensais de contêineres de proteínas animais para mais de 100 países e afirma ter adotado rotas alternativas para reduzir os efeitos dos problemas logísticos na região.

Com o fechamento do Estreito de Ormuz, a Unifrango passou a utilizar, por exemplo, o porto de Aqaba, na Jordânia, para entregas destinadas ao Iraque e ao Kuwait, além de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. A companhia também destaca contratos de longo prazo com grandes armadores internacionais, que permitem acesso preferencial a contêineres em períodos de escassez.

A diversificação da operação também está no mercado doméstico. A Unifrango pretende ampliar a participação em produtos de maior valor agregado, especialmente processados e industrializados. Em 2025, o departamento comercial voltado ao mercado interno movimentou mais de 30 mil toneladas de produtos.

Entre os itens que estão no foco da companhia estão empanados de aves e peixes, cortes suínos e produtos IQF, que passam por congelamento individual rápido. A carne de frango in natura, no entanto, continua sendo o principal produto comercializado no mercado brasileiro.

A empresa também utiliza a participação em feiras nacionais e internacionais como parte da estratégia comercial. Entre os eventos estão a FOODEX Japan, o SIAVS, a SIAL Middle East, a SIAL China e a SIAL Paris. No SIAVS de 2026, realizado em São Paulo, a companhia afirma ter utilizado seu maior estande no evento, com 300 metros quadrados.

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Governo busca fundo para destravar crédito rural antes do início da safra

O fundo garantidor previsto na medida provisória que trata da renegociação de dívidas do setor agropecuário ainda está em fase de construção e não tem definição sobre os aportes nem sobre quais agentes serão responsáveis pelos recursos.

Segundo o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Campos, a estrutura é considerada fundamental para destravar o acesso a novos financiamentos diante do elevado comprometimento das garantias dos produtores rurais.

“O fundo foi colocado na medida provisória, mas ainda não tem a definição dos aportes e quem vai colocar esse recurso”, afirmou Campos. Segundo ele, a situação é especialmente delicada porque muitos produtores estão com as garantias comprometidas após o processo de renegociação das dívidas. Esse cenário pode limitar a capacidade de contratação de novos créditos para a próxima safra.

De acordo com o secretário, o sistema financeiro também está mais conservador diante do cenário de juros elevados e das dificuldades enfrentadas pelo setor. “Está num processo de construção do fundo garantidor”, disse.

A preocupação ganha peso com a proximidade do início do plantio da safra de verão, previsto para os próximos meses. Para Campos, a criação de mecanismos capazes de oferecer garantias adicionais é importante para evitar que o endividamento acumulado impeça o produtor de acessar recursos para a nova temporada.

Com relação ao seguro rural, Campos destaca que há uma diferença importante entre o Proagro (Programa de Garantia da Atividade Agropecuária) voltado principalmente à agricultura familiar, e o PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural), utilizado por produtores enquadrados a partir do Pronamp.

Campos afirmou que o Proagro apresentou melhora na cobertura após medidas adotadas pelo Banco Central e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário para ajustar limites e combater fraudes. Já o PSR enfrenta uma situação de maior restrição orçamentária.

“Nós estamos passando por um momento onde o aperto financeiro em cima do PSR está muito acentuado”, afirmou. Segundo ele, o ministro da Agricultura, André de Paula, busca ampliar o aporte de recursos para o programa.

A necessidade de reforçar a subvenção ocorre em um cenário de pressão sobre as margens dos produtores, com queda dos preços internacionais de algumas commodities e custo financeiro elevado. Campos afirmou que, apesar de o Plano Safra oferecer linhas com taxas consideradas mais compatíveis, o nível geral dos juros torna os financiamentos mais caros.

“Com um Selic de 14%, tudo fica caro”, disse o secretário. Na avaliação dele, o produtor precisa ter cautela ao assumir novos compromissos financeiros, já que o custo do crédito e o prêmio do seguro precisam ser incorporados à estrutura de custos da atividade.

Para Campos, a participação do governo é necessária para ampliar a contratação do seguro rural, principalmente diante do risco climático. “Não existe em lugar nenhum do mundo onde se necessite o seguro rural, onde não tem a participação do Estado”, afirmou.

A discussão ocorre em meio às preocupações do setor com os efeitos do fenômeno climático El Niño sobre a próxima safra. Nesse cenário, a ampliação dos mecanismos de proteção financeira e de acesso ao crédito passa a ser considerada estratégica para produtores que precisam iniciar o ciclo produtivo com menor capacidade de oferecer garantias.

O secretário afirmou que a prioridade do Ministério da Agricultura é buscar espaço no Orçamento para ampliar os recursos destinados ao seguro rural e avançar na estruturação do fundo garantidor. A definição dos aportes, porém, ainda está pendente.

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